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      <title>Velhas e novas questões sobre a educação jesuítica no Novo Mundo. by Leandro Santos Codogno</title>
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      <description>Breves considerações sobre o ensino jesuíta e a educação de povos indígenas hoje.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-04-17 00:27:41 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>lscodogno</author>
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         <description><![CDATA[<p>Historicizar a Educação, a Pedagogia e os sistemas de ensino no país, seja nos diversos níveis e no âmbito público ou privado, passa necessariamente pela sistematização da colonização portuguesa no Brasil, em sua cadeia de acontecimentos, consequências e heranças. Para os colegas pesquisadores, ainda que o recorte de suas pesquisas não seja este, especificamente, da gênese da rede educacional brasileira, nossa exposição parte de algumas considerações mais gerais e, num segundo momento, ensaia um balanço, na forma de perguntas, entre os processos de catequização dos <em>gentios</em> e o trato atual do governo brasileiro e da sociedade quanto ao ensino aos povos e comunidades indígenas e tradicionais.</p><p>A catequização das gentes do Novo Continente foi demarcada por processos aquém da finalidade meramente pedagógica. Passando por marcos como o debate de Valladolid, na Espanha, em 1550 entre Ginés de Sepúlveda e Bartolomé de Las Casas, que fundamentalmente tratava-se de comprovar a partir do ideário católico se os povos indígenas possuíam alma, seriam filhos de Deus e, portanto, não deveriam ser escravizados e mortos; ou o Sermão do Espírito Santo, proferido pelo padre Antônio Vieira em 1657, em que o jesuíta se inclina a justificar a catequização do “gentio bárbaro e rude”, matando “[...] nele a fereza, e introduz a humanidade [...]”. É um movimento peculiar do padre, mesmo a despeito de sua aproximação particular com tendências indigenistas.</p><p>A catequização das gentes do Novo Continente parte imposição de toda a cosmogonia cristã, principalmente o catolicismo. Buscava-se salvar essas pobres almas, presas em seu estado mais bestial e irracional, em virtude da fé. Divergia-se a que meios. As correntes mais extremadas interpretavam que estes povos se livrariam do Sinal de Caim na cor de suas peles através da servidão. Alguns extratos eclesiásticos, com este letramento, se utilizavam do argumento da escravidão natural de Aristóteles. Alguns padres, como são os casos de Las Casas e do próprio Antônio Vieira, que se compadeceram com as dores da carne sofrida pelos nativos com o assassínio de seu povo e expulsão das suas terras, ficaram conhecidos como indigenistas. Seja na dominação pela força bruta, seja num caso de hipotética aculturação e conversão pacífica, as diferentes correntes convergem no resultado de apagamento de sua cosmovisão, dos modos de vida, sua cultura, de sua relação com a natureza - um dilema a que se atentará a Antropologia séculos adiante, na adoção da noção de alteridade por alguns autores. Mesmo entre os bem intencionados, perdoai-os, pois não sabiam o que faziam.</p><p>Não se trata de requerer que personagens de uma determinada época já apresentem um raciocínio e percepções que habitam um certo consenso que só se consolidou 100, 200, 1000 ou 10 anos depois, incorreríamos em anacronismo. Também não podemos negar a extensão factual de processos históricos, independente do nível de consciência dos indivíduos participantes. A catequização das gentes no Novo Continente perpetrou para esses povos - e aqui para utilizar uma palavra muito em voga - um verdadeiro epistemicídio, que vai para além do extermínio físico dos integrantes destas comunidades. Intencionalmente ou não, os jesuítas foram peça fundamental, as mãos que promoveram o apagamento de boa parte dos registros históricos e culturais, principalmente sua memória e língua, de povos que já viviam nessas terras. As armas da coroa portuguesa deram cabo do resto.</p><p>O espírito de inserção dos povos indígenas na “civilização ocidental” - que vamos condensar assim de puro caráter deliberativo e intencional - permanece com resquícios de colonização a largos traços. Precisaremos fazer aqui um breve desvio do assunto, de uma pedagogia jesuítica, problematizando um fator mais amplo, que não nos deteremos novamente.</p><p>Recentemente, passamos pela batalha jurídica da aprovação do Marco Temporal, que condiciona a reivindicação de terra por povos indígenas dentro de um determinado espaço de tempo, caso a ocupassem antes de promulgada a Constituição de 1988. Independente da regra de demarcação, é terrível o interminável cerco às terras e modo de vida às comunidades indígenas, mas também quilombolas, imposto por esta ocidental civilização, quer seja perpetrado pela letra da lei do Estado republicano brasileiro ou pelo metal da lâmina pela pólvora de um grupo bandeirante. O debate sobre o Marco Temporal é, ainda, um&nbsp; fato corrente sob a luz do cínico discurso apaziguador de benefício mútuo, “é necessário para o desenvolvimento do país”, como se o avanço sobre todas as terras e recursos fosse, tal qual o sol de se põe a oeste, inexorável e peremptório individualmente a todo e cada ser humano. É a civilização invadindo o território alheio e ditando em benefício próprio o quê de terra ela reconhece como propriedade de quem ela acabou de expropriar. Há um certo mal agouro ao resgatar frases de certos autores, muito pelo risco de evocação dogmática, mas é impossível resgatarmos uma famosa passagem do <em>Manifesto</em> de Marx e Engels, “o executivo no Estado moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa” (ENGELS, MARX, 2005, p.42), ampliando um pouco esse enquadramento a não somente o Estado republicano, mas uma monarquia absolutista, e no largo leito da história ocidental, a classes dominantes, sejam elas a burguesia ou os patrícios da Roma Antiga, ainda que resguardadas suas devidas particularidades.</p><p>Passado o nosso momento de considerações gerais, nosso balanço será orientado para responder, de forma muito sintética, de que forma a educação jesuítica influenciou a cultura e a identidade dos povos indígenas no Brasil colonial? Há paralelos com as políticas educacionais voltadas para os povos indígenas atualmente?</p><p>Mais claramente, a educação jesuítica conseguiu inserir o pensamento cristão, católico, no seio das sociedades indígenas. Não unicamente, tendo em vista a adoção de nomes portugueses também por escravos africanos. Do ponto de vista dos subjugados, é um abandono da sua própria identidade, promovida em uma luta pela sobrevivência.</p><p>Atualmente, dispomos de toda uma documentação, seja na própria BNCC e na Instrução Normativa FUNAI de nº 33/2024, publicada em novembro passado, que orientam uma pedagogia dialógica, incorporando uma agenda bilíngue, ritos específicos e promovendo uma comunicabilidade entre as próprias populações, por exemplo. A questão é que o documento estabelece os tópicos como diretrizes e orientações, resta-nos aguardar se terão estes resultados, de intercâmbio respeitando as particularidades, aplicados na prática.</p><p>E como o processo de catequização conduzido pelos jesuítas se relaciona com os desafios contemporâneos enfrentados pelos indígenas, como a luta pela preservação de suas línguas e tradições?</p><p>A contemporaneidade nos depara com uma miríade de potenciais catástrofes, seja do ponto de vista ambiental, econômico, de qualidade, expectativa e até quantitativa da vida humana. Particularmente aos povos indígenas, pesa-lhes o fato do constante abuso pela expulsão de suas terras. É um grave ataque ao seu pertencimento, modo de vida e meios materiais de existência, vinculados diretamente ao seu lugar, onde esse modo de vida se reproduz. Desterritorializar essas populações não trata-se apenas de garantia de posse da terra, menos de monopólio de exploração de recursos, trata-se do Estado tentando minimamente coibir o avanço do próprio modelo de sociedade que ele representa, já garanta o mínimo de espaço para vermos algumas flores desabrochando daqui a alguns janeiros.</p><p>Neste passo, qual o papel da educação na resistência ou assimilação cultural dos povos indígenas ontem e hoje? Como exemplos atuais podem ilustrar essa questão?</p><p>Apesar de não assumirmos uma postura de contemplação idílica do belo modo de viver natural, negando seus limites próprios, não é como se a civilização moderna fosse isenta de problemas, quiçá tenha-os em maior quantidade e mais qualitativamente mais profundos do que seus benefícios, a alfabetização, a educação, desde que feita em consonância e estreitamente alinhadas com as cosmovisões indígenas, tão plural quanto sua variedade de idiomas até desconhecidos. A própria instrução normativa é um exemplo desta abordagem mais próxima, ainda a gerar resultados - em benefício dos povos ou retrocessos.</p><p>É inegável o impacto que a pedagogia jesuítica causou tanto naquela população indígena quanto na formação histórica do país e na população indígena que temos hoje. Ainda que com um pacifismo moral movido pelo discurso da cristandade ou qualquer compadecimento como iniciativa individual, os jesuítas promoveram a suplantação da cultura, língua, domínio do corpo, da técnica de produzir de utensílios para tarefas domésticas à armaria ao manejo e preparo da comida próprios dos povos nativos. A conversão ao catolicismo resultou no país de hoje profundamente cristão, ainda com uma forte veia conservadora, e em uma situação ambiental cada vez mais delicada. Concomitantemente, questões fundiárias ainda perpassam diferentes parcelas da população brasileira em geral, ampliadas vistas as particularidades dos povos tradicionais, indígenas e quilombolas. Diria a sabedoria popular que entramos numa sinuca de bico. A partir de nossas tecnologias ancestrais, nos versos de um proeminente artista, imaginar um mundo novo se mostra cada vez mais do que necessário para que a nossa terra fértil vença o concreto, e garanta o chão onde nossas futuras gerações ainda possam caminhar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-17 00:48:17 UTC</pubDate>
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         <title>Referências bibliográficas</title>
         <author>lscodogno</author>
         <link>https://padlet.com/lscodogno/ysn9umxs6fcr6lgs/wish/3413093894</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>DON L.</strong> Primavera. Participação de Giovani Cidreira e Rael. In: <strong>Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2</strong>. São Paulo: Independente, 2020. Disponível em:<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.letras.mus.br/don-l/primavera-part-giovani-cidreira-e-rael/"> </a><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3Dx6Wk14yRdWlQonXjDG0h?si=92b7280bb5574c73">https://open.spotify.com/intl-pt/track/3Dx6Wk14yRdWlQonXjDG0h?si=92b7280bb5574c73</a>. Acesso em: 16 abr. 2025.</p><p><strong>MARX</strong>, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo Editorial, 2000.</p><p><strong>FUNAI.</strong> Educação indígena: Instrução Normativa da Funai promove direitos e autonomia dos povos indígenas de recente contato. Disponível em:<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/educacao-indigena-instrucao-normativa-da-funai-promove-direitos-e-autonomia-dos-povos-indigenas-de-recente-contato/SEI_FUNAI7730070InstruoNormativaFunai.pdf"> https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2024/educacao-indigena-instrucao-normativa-da-funai-promove-direitos-e-autonomia-dos-povos-indigenas-de-recente-contato/SEI_FUNAI7730070InstruoNormativaFunai.pdf</a>. Acesso em: 16 abr. 2025.</p><p><strong>ANCHIETA, José do Brasil.</strong> Direção: Paulo Cezar Saraceni. Produção: Embrafilme. Brasil: Embrafilme, 1977. 1 DVD (110 min.), son., color.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-17 00:50:33 UTC</pubDate>
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