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      <title>Cinema e a hegemonia norte americana by Maria Eduarda Mota</title>
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      <description>Filme “Jogos do Poder” e o processo de construção da hegemonia estadunidense</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2019-10-07 14:19:09 UTC</pubDate>
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         <title>Filme “Jogos do Poder” e o processo de construção da hegemonia estadunidense</title>
         <author>mariaecmota</author>
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         <description><![CDATA[<div>	O fim da segunda guerra mundial em 1945 implicou numa outra disputa entre as potências vitoriosas agora pela disseminação e permanência de um dos modelos de desenvolvimento econômico e de organização social. Do conflito pela hegemonia entre o capitalismo, protagonizado pelos Estados Unidos, e o comunismo, liderado pela União Soviética,  decorreu, entre 1945 e 1989, a Guerra Fria. Este cenário histórico, portanto, dispôs-se de uma sequência de fatos e alianças políticas que levaram os Estados Unidos a assumir a hegemonia mundial, destruindo o socialismo e conduzindo o capitalismo a se tornar a organização política e econômica universal. Diante das diversas estratégias apropriadas pelos EUA, o filme “Jogos do Poder” retrata o episódio singular, ocorrido em 1980, do papel da maior potência no Afeganistão, às vistas de salvar a nação do exército vermelho.</div><div><br></div><div>	Produzido em 2007 por Mike Nichols, o enredo de “Jogos do Poder” baseou-se na história real do deputado estadunidense Charlie Wilson que no filme é interpretado por Tom Hanks. Sobre a história da produção cinematográfica, é importante destacar que ele não apresenta grande relevância política e, juntamente a Joanne Herring (Julia Roberts), uma das mulheres mais ricas do país, e Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), agente da CIA, tenta viabilizar o direcionamento de uma parcela da verba estatal com a intenção de financiar armamento e táticas de guerra para o Afeganistão. Essa ação surge com o interesse de barrar a expansão das áreas de influência do poder soviético. Para tanto, o governo americano formaliza confidencialmente uma aliança entre paquistaneses, egípcios, israelenses em função de acabar com a devastação ocasionada pela União Soviética.</div><div><br></div><div>	Apesar do filme trazer um recorte específico do período da Guerra Fria, ele representa um ponto de vista de glorificação aos Estado Unidos e, por conta disso, fica evidente quais foram as apropriações do discurso americano no processo de construção da hegemonia. Esta análise acerca do filme conta com a identificação de quais são esses recursos e de que modo Mike Nichols retratou-os em “Jogos do Poder”. O termo “hegemonia” se insere neste contexto como: </div><div><br></div><div><em>(...) — a supremacia de um Estado-nação ou de uma comunidade político-territorial dentro de um sistema. A potência hegemônica exerce sobre as demais uma preeminência não só militar, como também freqüentemente econômica e cultural, inspirando-lhes e condicionando-lhes as opções, tanto por força do seu prestígio como em virtude do seu elevado potencial de intimidação e coerção (...) (Silvano Belligni in </em><strong><em>Dicionário de política</em></strong><em>, org. BOBBIO, Norbeto, MATTEUCCI, Nicola e PASQUINO, Gianfranco, Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998, pp. 579-581)</em></div><div><br></div><div>	Diante desta definição, é possível identificar no filme as justificativas elaboradas pelo governo americano a fim de alcançar a hegemonia e conquistar mais áreas de influências capitalistas perante o outro modelo político-econômico em confronto. Os Estados Unidos não só usufruíram do poder da indústria bélica para exercer o controle militar - aqui podemos citar o conceito de militarismo de Rosa Luxemburgo - tal que no filme é retratado através da proposta de desvio da verba estatal do deputado Charles Wilson, como também, o desenvolvimento do capitalismo está atrelado ao que há de mais moderno, desenvolvido e desejado, tal que, culturalmente, inspira as comunidades que estão sob sua hegemonia. Em relação a construção de uma imagem exemplar, o filme em questão retrata a entrada dos Estados Unidos na guerra do Afeganistão como uma medida humanitária, visando "ajudar" os afegãos a se livrar da ameaça representada pelos russos. Para o espectador acrítico essa justificativa, que além de tudo é utilizada em outros filmes de Hollywood, cria uma imagem favorável e heroica a hegemonia Estado Unidense.</div><div><br></div><div>	No entanto, devemos questioná-la: o episódio se deu durante a Guerra Fria, período de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre EUA e URSS, no qual se um governo socialista fosse implantado em um país de terceiro mundo (como o Afeganistão) era considerado uma ameaça a supremacia capitalista. O Afeganistão recebia apoio financeiro e político da União Soviética desde 1978. Contudo, a URSS falhou ao tentar implementar um sistema de governo comunista de forma pacífica no país e, por conta disso, no ano de 1979 invadiu o território com o intuito de finalizar a instauração do socialismo e derrotar os <em>mujahedins</em>, grupos de guerrilheiros rebeldes movidos por ideais religiosos, que no filme foram armados com base no financiamento norte americano. </div><div><br></div><div>	Observando uma situação de oportunismo, na tentativa de impedir de fato a instalação do modelo soviético, “Jogos do Poder” se inicia com os Estados Unidos financiando armas e dinheiro à esses grupos rebeldes do Afeganistão, além de fornecer-lhes treinamento militar. Mascarado atrás de uma suposta "ação humanitária", estão presentes os interesses econômicos e políticos de uma potência mundial em manter sua hegemonia a qualquer custo. Nesse caso em específico que norteia a produção cinematográfica, a ação do governo estadunidense foi efetiva. Porém, o filme deixa de retratar que após o episódio do Afeganistão, o treinamento, armas e dinheiro dado aos <em>mujahedins</em> estimulou o desenvolvimento dos rebeldes, ocasionando na formação de grupos como a Al-Qaeda, responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas World Trade Center.</div><div><br></div><div>	Talvez, tendo em vista que a produção de “Jogos do Poder” foi baseada numa perspectiva defensora dos Estados Unidos e repudiosa à União Soviética, Mike Nichols tenha optado por omitir a guerra com o Afeganistão. Porém, julgo relevante informar que atualmente os Estados Unidos ainda se encontram em guerra com esses grupos rebeldes no território afegão, guerra essa responsável pela morte de aproximadamente 3,5 mil civis somente no ano de 2015; além de todos os danos diretos e indiretos à economia do país e a qualidade de vida de seus cidadãos. O representante especial da ONU no Afeganistão, Nicholas Haysom, clama por ajuda: <em>"Apelamos a todos aqueles que infligem sofrimento ao povo afegão a tomar medidas concretas para proteger os civis e acabar com as mortes e mutilações"</em> (Portal de notícias G1.globo, 2016). Tanto é verdade que os interesses Americanos não eram de ajuda humanitária que se recusam a atender seu pedido, contradizendo a imagem central atribuída aos EUA no filme.</div><div><br></div><div>	Imagem tal que apropriou-se do extremo apelo emocional para criação de glorificação aos EUA. Em paralelo a isso, o produtor tende a tornar evidente os horrores dos ideais comunistas ao apresentar cenas de extrema violência dos russos contra os afegãos ou dos grandes campos de refugiados. Os episódios fortes contam com a presença de crianças feridas, por exemplo, cujo o enfoque se volta tanto para reafirmar os atos “desumanos” dos russos, quanto para evidenciar os bens do capitalismo. Em outro cenário, há a construção da imagem estadunidense extremamente idealizada e utópica, enxergados como os salvadores da pátria. O próprio personagem principal, Charlie Wilson, é um americano congressista que, por mais que possua seus males (álcool, prostitutas e cocaína), estes justificam sua virilidade, além de Mike Nichols tratar o interesse sexual, por parte das mulheres pelo protagonista, como um caráter positivo.</div><div><br></div><div>	De fato, portanto, os Estados Unidos assumem um papel, às vistas do diretor, positivo ao intervir no Afeganistão. Para além disso, até então a disputa entre os dois modelos de organização econômica e social tinham nome e lugar, haja vista que o capitalismo é correspondente aos EUA e ao ocidente, enquanto o socialismo diz respeito à URSS no oriente. Às custas disso, a apropriação de recursos de comunicação em massa ampliam e concretizam, de certa forma, o discurso estadunidense em escala mundial, apoiando também no convencimento da população e na legitimidade dos atos de guerrilha. À começar pelo “cinema” que, diante de uma inovação tecnológica, foi apropriado pelos EUA como meio de propaganda para divulgar os bens capitalistas e a temida ameaça vermelha, tornando muito mais viável levar a ideologia do capitalismo para terras no oriente, bem como a do comunismo para o ocidente. “Jogos do Poder” apesar de já tratar de uma produção cinematográfica com a intenção de reproduzir a lógica estadunidense aos espectadores, traz outra ferramenta a ser explorada pelas potências: a presença física de um representante nas áreas de influência. Uma das cenas do filme consiste num rapaz, enviado pelo deputado Charlie Wilson ao Afeganistão, viabilizando o uso da verba estatal. Neste momento, o personagem realiza um discurso doutrinário aos afegãos, defendendo o posicionamento dos EUA e repudiando a URSS, alegando ser uma guerra entre o “bem” e “mal”.</div><div><br></div><div>	Se torna unicamente possível analisar a construção da hegemonia estadunidense tendo em vista que a Guerra Fria já fora finalizada. Que os Estados Unidos massacrou a União Soviética e foi o vitorioso dessa guerra é impossível refutar, mas cabe ao crítico refletir acerca dos pilares em que essa hegemonia foi conquistada. Em “Jogos do Poder”, Mike Nichols mantém a imagem relacionada aos EUA de que foram os salvadores da pátria, tendo o Afeganistão como apenas um dos exemplos. Salvadores diante de um outro modelo político-econômico acusado de promover mal para o desenvolvimento humano. A hegemonia americana é justificada através de um discurso de “interesse universal comum”, a partir da construção de uma ideia abstrata e utópica que mascara os verdadeiros interesses da potência.</div>]]></description>
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         <pubDate>2019-10-07 14:41:39 UTC</pubDate>
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