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      <title>Padlet Inefável by Mateus Brisa</title>
      <link>https://padlet.com/inefavel/mural</link>
      <description>Um bom caminho para começar é tentar responder o que é amor em uma palavra :)</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-09-14 19:25:47 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2024-10-09 15:28:16 UTC</lastBuildDate>
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         <title>Peneira</title>
         <author>gabrielaferreirafeitosa</author>
         <link>https://padlet.com/inefavel/mural/wish/3093181683</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Existe uma maneira de peneirar o amor? </strong>De separar o sentimento bondoso e genuíno daquilo que engole ele, os excessos? Tive uma noite atrapalhada esses dias. Pensei que dormiria rapidamente, mas fui inundada de memórias, ansiedades, vazios.</p><p><br/></p><p>Sinto falta dos meus pais e penso muito sobre a velhice deles. Cresci assistindo a pele enrugar, o passo ficar mais lento, a cabeça falhar com mais frequência. O tempo é inevitável e passa. Acho que amor é também isso: <strong>passar</strong>.&nbsp;</p><p><br/></p><p>Na noite atrapalhada chorei um pouco com a possibilidade deles irem embora. Tenho pensado bastante sobre a morte nos últimos tempos. É natural - acho - <strong>pensar e morrer</strong>.&nbsp; Lembrei de uma tia que partiu ano passado. Era a pessoa mais doce que já conheci, e sempre me cumprimentava dizendo <em>“oi, me-ni-na” </em>- assim, separadinho. Amar é <strong>soletrar</strong>.</p><p><br/></p><p>Voltando aos excessos, tento me livrar de todos eles ou pelo menos contestá-los. Quando nasce um amor, nasce uma projeção. E nasce também o ciúmes, a preocupação, o medo, a estranheza, o choque, a impaciência, o egoísmo. bell hooks arrasaria nesse texto, mas não sou ela.</p><p><br/></p><p>Percebo que há pelo menos três anos nasce uma nova pessoa dentro de mim. Não exatamente nova, mas muito diferente do que eu estava acostumada a conhecer. Isso é tão bom. Aprendi a gostar de <strong>decepcionar</strong> - inclusive a mim mesma.</p><p><br/></p><p>O amor não é simples. Acho que é difícil aprender a amar e depois desaprender. A gente aprende que amar é vício, tem que ser de um jeito. Quando cresce, com sorte, a gente aprende que amor é outra coisa. Amor é ter <strong>paciência</strong>.</p><p><br/></p><p>Faz muito tempo que não escrevo dessa forma tão livre. Não acredito em inspiração, por isso nunca estou inspirada. Preciso sempre sentar e pensar sobre a vida. Só depois disso alguma ideia amadurece.&nbsp;</p><p><br/></p><p>Ainda assim, procrastino meus escritos como se existisse algum tipo de bloqueio criativo. Acho que na verdade existe sim. Ou pelo menos uso muito dessa justificativa. <strong>Sou tão indecisa</strong>.</p><p><br/></p><p>Hoje foi outro dia. Uma boa noite de sono rendeu melhores ideias, e só consegui terminar esse texto depois de duas taças de vinho. Tenho me concentrado na ideia de rever o que é o amor, já que ele não é vício. As páginas de <em>instagram</em> em nada ajudam, já que na vida real tudo é mais duro.</p><p><br/></p><p>Ainda assim, sigo várias delas. Outro dia li que amor é sobre flexibilidade. <em>E quem dera a gente tivesse falando só de cama</em>. A vida pede sempre improvisos, né? Não sou muito fã.&nbsp;</p><p><br/></p><p>Sou pouco flexível, bem teimosa e lembro de tudo. Egoísta também. <em>Calma, Gabi, isso não é uma sessão de terapia</em>. E se fosse, certamente minha ex-psicóloga diria: M<em>as por que você acha que é ruim ser egoísta?&nbsp;</em></p><p><br/></p><p>A questão é que eu não acho. Mas não posso admitir isso completamente e me esbaldar nos excessos. É preciso viver com <strong>equilíbrio</strong>, uma espécie de apetrecho de sobrevivência que você adquire depois de duas ou três calouradas (seguidas).</p><p><br/></p><p>O ponto é que - pra eu não enrolar mais e pôr um fim - o amor requer <strong>enxergar</strong> o outro de verdade, mesmo que você não goste de algumas facetas apresentadas.&nbsp;</p><p><br/></p><p>Mais que isso: antes de tudo, amar requer se enxergar com bondade, entendendo que apesar de algumas falhas, conviver com o <strong>real </strong>é <strong>muito </strong>melhor do que se alimentar de fantasia <em>(embora algumas sejam ótimas).</em></p><p><br/></p><p>Por isso falei de <strong>peneira</strong>. Esse é outro acessório da vida adulta mega essencial e um último <em>conselho</em> mega cafona desse texto. Amar é <strong>separar, filtrar</strong>. Não dá para tapar o sol.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-08-29 02:31:33 UTC</pubDate>
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         <title>Minha mãe e eu</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/inefavel/mural/wish/3096980821</link>
         <description><![CDATA[<p>Desde pequena, minha mãe teve que trabalhar bastante, eu ficava a maior parte do tempo com a minha avó. Eu aprendi o que era amor muito cedo. Amor de vó é meio que incomparável. Lembro que aos 13 anos de idade eu já era bastante revoltada com a superproteção que minha mãe produzia sobre mim. Eu era tão revoltada que eu dizia que queria sair de casa mesmo sendo tão jovem assim. Foi isso que me fez por volta de 2016 escrever aqui eu tinha saudade da minha mãe, mesmo ela estando perto. É que naquele momento nem eu me entendia, nem ela me entendia e nem nós tínhamos uma relação saudável. Fugi de casa para assistir shows em festivais de música algumas vezes, o que eu não sabia era que dali alguns anos eu entraria numa crise que desembocaria no fato de que eR4u nunca havia sido um menino. Eu não consegui sair do meu quarto escuro, eu não consegui interagir com a minha comunidade, não conseguia falar para ninguém que eu tava sentindo. Tendo sido criada numa casa católica eu achava que a culpa era minha e que deus poderia me salvar do pecado de achar que eu era uma menina. Em um desses sábados em que eu não consegui sair do meu quarto, depois da missa, minha mãe veio até mim. Eu quase não acreditei quando eu vi ela entrando pela brecha da porta, ela só me abraçou eu consegui dizer para ela que me entendi enquanto uma menina, enquanto lágrimas caiam pelos ombros de nós duas. Desde então não sinto mais saudade dela, ela está presente. Ela me ama. E eu a amo. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-09-01 12:10:46 UTC</pubDate>
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         <title>Amor para casar</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/inefavel/mural/wish/3122724133</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu casei. É recente, mas já sinto propriedade para falar sobre esse tema. Por que não? Talvez porque não me sinto casada apenas desde o dia 31 de julho de 2024, quando assinei o documento civil, ou desde o dia 18 de agosto de 2024, quando celebrei em uma festa com as pessoas mais queridas da minha vida.&nbsp;</p><p><br></p><p>Entretanto, antes de mais nada, quero contextualizar. A instituição casamento sempre foi muito séria para mim. Confesso que não tive as melhores referências, por nascer cercada de tantas uniões um tanto questionáveis, para dizer o mínimo. Talvez daí tenha surgido o meu pensamento inabalável de que eu poderia ser e fazer diferente — apesar de quase nenhum incentivo.&nbsp;</p><p><br>O casamento de duas pessoas deveria ser por amor? Perguntava-me com frequência. No entanto, assim sendo, por que tantas pessoas que aparentemente se odeiam estão juntas em matrimônio? Ao longo dos anos, pensei em muitas respostas, como: conveniência, comodismo, acaso, cultura, dependência financeira, dependência emocional, necessidade de fuga da família ou, até mesmo, azar. A lista continua.</p><p><br>Mas, para mim, o amor seria o motivo mais importante nesta decisão? Sempre torci para que sim. Eu sou cria de comédias românticas, me emociono com demonstrações de amor cotidianas, romantizo a velhice de casais apaixonados e desejo uma conexão de almas. Porém, apesar de tudo isso, eu também sou muito racional.</p><p><br></p><p>O homem ou mulher da minha vida tinha que preencher uma série de requisitos que eu nunca listei em voz alta, mas que são fundamentais. Me amar, me respeitar, ser paciente, ter bom humor, saber ouvir, conseguir expressar seus sentimentos, ser companheiro(a), ser atraente, ser fiel, saber se relacionar com minhas amizades e com a minha família, ser capaz de entender de onde eu vim e meus sentimentos, ser uma boa companhia, ter controle financeiro, ter empatia e muito mais.</p><p><br></p><p>Na verdade, eu não tinha certeza se dava pra encontrar alguém assim. Não para mim. Ser uma menina preta, pobre, nascida na periferia e que sempre foi acima do peso — pelo menos na perspectiva do meu círculo social — não trouxe boas contribuições para a construção da minha autoestima. Foi muito difícil e, de certa forma, ainda é. Então, encontrar meu par romântico de Sessão da Tarde parecia uma missão impossível.&nbsp;</p><p><br></p><p>Foda-se. O tempo passou, eu fui crescendo, a vida aconteceu e eu passei na Federal do Ceará. Que experiência transformadora, em tantos sentidos! Foi nesse ponto que eu comecei a entender de verdade o que a vida poderia ser, o mundo a minha volta e o mundo dentro de mim.</p><p><br></p><p>O Lucas me apareceu lá pro fim desse ciclo, em 2018. Nos conhecemos do jeito mais moderno para a minha geração, por aplicativo de relacionamento, e a conexão foi instantânea. Ainda não era a hora certa para ele — e nem para mim, mesmo eu não tendo percebido isso —, mas tivemos dias lindos de um romance juvenil. Seguimos até que, algo raso, não me cabia mais.&nbsp;</p><p><br></p><p>Pulando a parte turbulenta do meio, nos reconectamos pra valer em 2020. E dessa vez não existiam dúvidas. O que mudou? Eu estava mais que certa do que eu queria, um relacionamento sério com ele, e ele estava muito disposto a me provar que também desejava o mesmo comigo. Esse foi o verdadeiro match. Disposição. Seria essa a resposta?</p><p><br></p><p>Lucas precisava de cura espiritual e eu também. Por isso, juntos, permitimo-nos cuidar um do outro. No meio desse processo, surgiram tantas dúvidas quanto respostas, mas a inquietação encontrou a paciência, o medo encontrou a confiança, o desamparo encontrou o apoio, a ferida encontrou o carinho e o amor se multiplicou.</p><p><br></p><p>Em meio a tudo isso, ainda assim nos encontramos em um amor leve, feliz, divertido e confortável. Eu ganhei o meu maior líder de torcida e encontrei a pessoa que eu mais admiro. Tantos requisitos que eu nem imaginava foram se preenchendo, um a um, sem eu mesma perceber. Seria esse o amor da minha vida? E para casar?</p><p><br></p><p>Falando assim, eu posso dar uma falsa impressão que foi fácil. Muito pelo contrário. Conviver juntos implica em saber lidar com os hábitos bons e ruins do outro. Foi bem complicado aprender a respeitar e contornar algumas situações como bagunça, dívidas ou passividade, por exemplo.&nbsp;</p><p><br></p><p>Para tudo isso, foi necessária muita disposição — retomando o que eu falei agora há pouco. Ela se tornou nosso farol, junto ao respeito e à cumplicidade. E o amor diante de tudo? Por menos romântico que isso possa soar, o amor não era suficiente. Nunca foi. Mas, sem ele, também não haveria lógica. Faz sentido?</p><p><br></p><p>Noivamos em 2022 e todo esse processo se tornou dez vezes mais intenso. Aí está o propósito. E continuamos atravessando as provações, os perrengues e as críticas. Juntos, apaixonados e leves. Se no fim de tudo isso, o maior desejo da vida dele é a minha felicidade e vice-versa, por que ainda restariam dúvidas? Enfim, encontrei o meu amor para casar.&nbsp;</p><p><br></p><p>Há dois anos eu me sinto casando, diariamente, com o Lucas. Há um mês eu confirmei diante do mundo. Hoje, eu já disse sim pra ele umas três vezes. Amanhã, eu desejo continuar disposta.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-09-17 02:29:25 UTC</pubDate>
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         <title>Amor(es) na Barra </title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/inefavel/mural/wish/3128566435</link>
         <description><![CDATA[<p>Uma vez, em 2015, durante uma aula do primeiro ano do ensino médio, veio um dos primeiros questionamentos que todo mundo já viu em uma aula de filosofia: “para você, o que é o amor?”. Alguém falou “é Deus”, e o professor rebateu, “e quem não acredita em Deus, não ama?”. </p><p><br/></p><p>Na época, como um então jovem criado na igreja, e hoje ateu, respondi que não, sem Deus não existe amor. Mas também acreditei nas palavras do professor “amor, é o que a gente define como amor, independente do que seja”. Então, para saber o que é o amor, basta amar algo. </p><p><br/></p><p>Mas sendo eu hoje ateu, eu não amo a Deus, então, o que é o amor pra mim? Eu amo minha família, amo (muito) minha namorada, amo meu time do coração e amo alguns amigos. </p><p><br/></p><p>Em comum com todos que compartilham meu afeto, o cenário mais comum é o da Barra do Ceará. Entre amor e tragédias, esse bairro faz parte de quem eu sou e moldou, e ainda molda, minha mente. </p><p><br/></p><p>Foi aqui que eu cresci, me apaixonei, perdi pessoas queridas para a criminalidade e aprendi sobre a vida. A Barra do Ceará é a melhor representação do ser humano, linda, problemática, e ainda assim apaixonante. E, por isso mesmo, complexa.</p><p><br/></p><p>O pôr do sol é onde nenhum problema existe, é onde o tapete das águas reflete a luz dourada e exala aquela sensação de lar. As ruas curtas, sinuosas e tortas guardam gerações e gerações de famílias que vivem por esse lugar. Memórias boas, nostalgia da infância e a vontade de sempre retornar pra cá independente da fase da vida. </p><p><br/></p><p>Ir na beira da praia, ver o que ainda resiste de natural, ouvindo uma boa música, é um dos momentos que mostram que esse lugar, cercado de amor, vale a pena. E é esse lugar que resiste, resiste a violência, resiste à especulação imobiliária, resiste aos efeitos do tempo e resiste aos desleixos da classe política. </p><p><br/></p><p>Acima de tudo, a Barra do Ceará resiste e é berço de tudo aquilo que eu amo. É por isso que definir amor em uma palavra é tão difícil pra mim. </p><p><br/></p><p>Porque tudo que eu amo está aqui, passou por aqui e ainda vai passar. Todos os meus amores estão na Barra e amar também é Barra do Ceará.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-09-19 22:05:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Aprendendo a amar</title>
         <author>livia_levinsk</author>
         <link>https://padlet.com/inefavel/mural/wish/3146581878</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando era adolescente, eu — assim como centenas de pessoas que cresceram assistindo filmes clichês — achava que as pessoas que nos amavam tinham a obrigação de saber exatamente o que queríamos. Nos filmes, sempre tinha o cara que adivinhava a flor preferida da menina e, do nada, aparecia com um buquê na casa dela. Eles se apaixonavam e viviam felizes para sempre. Os pais sabiam exatamente o que os filhos queriam ganhar de aniversário e preparavam uma grande surpresa no grande dia. Os amigos descobriam as aventuras que os outros queriam viver e embarcavam nelas sem pensar duas vezes. Era tudo muito fácil, telepático e barato. Ninguém precisava falar nada, mas todo mundo estava ciente e satisfeito.</p><p><br></p><p>Então veio a vida real e derrubou o meu castelo de cartas. Descobri que o “a gente se fala no olhar” da música nem sempre é real. Tudo precisa ser comunicado. As pessoas têm criações diferentes, que formam personalidades múltiplas e, naturalmente, limitações. Nem todo mundo pega as coisas no ar. Aliás, pouquíssimas pessoas pegam. E, então, sobra a frustração para quem aguardava. Eu, no caso. Sobrava pra mim a frustração.</p><p><br></p><p>Veja bem, eu sou uma pessoa muito sentimental que adora criar historinhas na própria cabeça (vou colocar a culpa no signo e dizer que é porque sou canceriana). Gosto de imaginar cenários diversos, inventar histórias e adoro um amor inventado. Hoje lido com isso de uma forma mais analítica, mas durante muito tempo foi um suplício na minha vida entender que as pessoas não iam seguir o script da minha cabeça (pega a doida). Nem todo mundo tem o mesmo ritmo, gosta das mesmas coisas ou demonstra carinho da mesma forma que eu. Isso é óbvio quando se fala assim, mas eu demorei muito para aceitar e entender.</p><p><br></p><p>Vamos usar um exemplo que pode ou não ser real. <em>Peço que tenha paciência aqui, porque eu vou parecer detestável, mas juro que sim, estou me tratando e não sou mais assim.</em></p><p><br></p><p>Certa vez, uma amiga querida recusou meu convite para sair duas vezes seguidas. Na terceira recusa, eu agi como uma adulta e pensei na coisa mais lógica possível: bom, ela me odeia. Perguntei se estava tudo bem, ela disse que sim, mas eu, obviamente, não acreditei. Prontamente assumi o cenário mais fácil: ela nem se considera tanto minha amiga assim, eu estou fazendo papel de <strong>OTÁRIA</strong> aqui e é melhor eu me afastar. Aí eu me afastava e, quando ela vinha me procurar, eu estava ressentida e magoada pela rejeição. Na minha cabeça, eu estava me fazendo de besta. Na cabeça dela, ela só não queria sair naqueles dias. E eu consegui transformar isso em um cenário catastrófico. Aí a gente tinha que conversar sobre isso, para ela dizer que não era nada tão grande assim, apenas cansaço, e eu ficava igual a <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=Ptv9PXFEpVY">Juju Carente</a> perguntando: <em>eu te amo, você me ama?</em></p><p><br></p><p>Essa não foi a primeira, nem a segunda, nem a vigésima vez que algo parecido aconteceu. Tive muitas vezes esse embate por ser muito intensa e me relacionar com pessoas mais calmas. Só que o engraçado é que, quando uma pessoa que me mostrava o “comportamento que eu queria” aparecia na minha vida, eu achava um saco. Era igual àquela história dos sequilhos com goiabada, sabe?</p><p><br></p><blockquote><p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=QtNx722efd8">"(...) o problema não era a goiabada nem o padeiro, era eu. eu, amando o que amava, queria do meu jeito, sem entender que eu gostava era do jeito que era, porque, se fosse do meu jeito, eu rejeitaria, enjoaria e até tentaria fazê-lo voltar a ser como era."</a></p></blockquote><p><br></p><p>Depois de muitas situações parecidas, eu entendi que precisava compreender o jeito das pessoas, me comunicar com elas, para saber o que esperar das relações e me posicionar de um jeito mais confortável, que não magoasse nenhuma das partes. Percebi que não adiantava me frustrar com um amigo de cinema porque ele não vai para a festa. Ele pode me oferecer companhia para um filme, mas não para 5 horas no Benfica. E isso não significava desamor, apenas limites. Ora, ora, quem diria.</p><p><br></p><p>Em “A gente mira no amor e acerta na solidão”, a psicanalista Ana Suy comenta sobre a beleza dessa quebra de expectativa no exercício do amor:</p><p><br></p><blockquote><p>“A gente não ama o outro porque ele é o nosso espelho, a gente ama o outro na notícia de que ele dá de que há um mundo para além do nosso umbigo. Ter o nosso narcisismo furado é um baita alívio, e, no amor, é disso que se trata” (p. 51).</p></blockquote><p><br></p><p>E eu acho que um bom exemplo de ter o narcisismo furado é ter a humildade de largar o “decifra-me ou devoro-te” e comunicar ao outro suas necessidades. Para mim, é quase como dizer: olha, gosto muito de ter você na minha vida, mas percebi que somos diferentes. Então, vou te ensinar a me amar. Aí você diz que gosta de ser convidado para museus ou que postem fotos no dia do seu aniversário, e a pessoa comunica até onde pode ir por você (e vice-versa). É um acordo mútuo de entendimento de expectativas e limitações entre duas pessoas distintas que se querem bem.</p><p><br></p><p>Ultimamente, tenho presenciado situações em que essas coisas são comuns, e é muito lindo observar a maturidade das relações que vamos construindo aos pouquinhos. As pessoas entendem que o tempo vai ficando mais curto, as contas chegam, as responsabilidades aumentam, mas o amor está ali. É só saber como cultivá-lo e realizar a manutenção necessária de acordo com cada um. É saber que dá para dizer: “Amiga, eu queria ganhar isso de aniversário”, ao invés de esperar uma surpresa vinda de uma adivinhação, e entender que isso não diminui o valor do presente, mas até o aumenta, considerando que a pessoa se esforçou para consegui-lo. É considerar que ninguém tem uma bola de cristal e que todo mundo está com a vida corrida, então é válido dizer: “Amigo, estou com saudade e sei que você não gosta de conversar por WhatsApp. Vamos almoçar juntos?”.</p><p><br></p><p>Enfim, definitivamente estamos perdendo os traços da adolescência ansiosa e visceral. Acho que temos o costume de dizer que não sabemos ser adultos, mas até que estamos indo bem em certas coisas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-09-30 15:51:19 UTC</pubDate>
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