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      <title>ANTES, DURANTE E DEPOIS DO COVID-19  by Curso de Formação</title>
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      <description>Reflexões dos nossos alunos em tempo de confinamento, mas não da escrita nem do pensamento</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-05-20 09:28:11 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>Antes de tudo isto, acordávamos cedo e saíamos vagarosamente da cama para começar mais um dia de escola. Muito irritados por sermos obrigados a levantar àquelas horas que não lembravam a ninguém, lá arranjávamos a coragem para vestir a primeira coisa que aparecesse e comíamos a correr uma sandes só para enganar a fome. Sempre muito aborrecidos,  sobrevivíamos às aulas como se de um martírio se tratasse. Pelo meio,  sempre dávamos dois dedos de conversa aos amigos e partilhávamos algumas risadas enquanto comíamos o “borleite”. Lá longe vinham notícias de um vírus, mas jamais nos atingiria a nós. Nós? Nós somos imunes,  isso só acontece aos outros! Até que um dia fomos para a escola sem saber que era o último dia de liberdade durante um tempo indeterminado... </div><div>Confesso que, inicialmente, fiquei aliviada, sentia que uns tempos em casa iam ser umas miniférias. Tudo parecia muito distante até sermos bombardeados com as notícias que passavam na TV. De repente,  lia-se Covid-19 em todo o lado, com gráficos, imagens, estatísticas, estava em todo o lado e, a partir daí, comecei a descer com os pés à Terra. As primeiras semanas passaram a correr, estava bastante motivada: estudei, pintei, passei tempo a ver séries e filmes. Tudo estava a correr bem até que, de um momento para o outro,  já não tenho motivação para estudar,  rodeada sempre pelas mesmas quatro paredes, já não tenho imaginação para pintar mais e já não existem séries novas para ver. Agora,  ando ansiosa, mais sensível porque sinto que estou parada no tempo. Não  evoluo, porque já não sou  exposta a novas situações, sinto-me presa e condicionada. Às vezes,  a ansiedade agrava-se porque fico com medo,  não só do que possa acontecer à minha família mas também ao que me rodeia. Todo este desabafo não passa de uma gota de água egoísta no meio de uma imensidão. Egoísta? Sim, porque agora fico a pensar no meu próprio umbigo e a reviver aqueles dias que considerava infinitos e que,  neste momento,  fariam de mim a rapariga mais feliz do mundo. Na verdade, tenho a sorte de poder ficar em casa de quarentena com a minha família acolhedora,  que faria tudo por mim,  enquanto outros ficam sujeitos a situações de isolamento social que, devido ao silêncio, trazem de volta demónios que teimam em aparecer. <br>A esperança é-nos transmitida através dos atos de coragem de pessoas comuns que não se podem dar ao luxo de fazer quarentena,  porque a sociedade depende delas para continuar a funcionar. Estou a falar não só de médicos e enfermeiros, mas de todos aqueles que trabalham em serviços considerados de primeira necessidade. Às vezes,  temos aquele “bichinho” mau cá dentro que olha com uma certa pena para as pessoas que trabalham na caixa de supermercado,  questionando-se se não teriam ambicionado mais. A realidade é que sem o esforço e coragem dessas pessoas “vulgares” nós não conseguiríamos saciar as nossas necessidades mais básicas. </div><div>Tenho de me agarrar à fé de que tudo isto vai passar rapidamente,  porque não podemos ficar em casa para sempre. Há todo um mundo lá fora para explorar. Mas tudo a seu tempo, temos de pensar nos cuidados que temos de ter de modo a proteger-nos e a proteger os outros. </div><div>É difícil prever como será o futuro porque é imprevisível, se há dois meses me dissessem que o mundo ia estar em casa enquanto lá fora se combatia uma pandemia teria ficado incrédula. Existe, porém, aquele sentimento clichê que nos leva a crer que, depois de tudo isto, as pessoas vão começar a aproveitar todos os momentos e a pensar no que realmente importa. Contudo,  mais clichê ainda é  referir que o ser humano tem memória curta e,  daqui a uns tempos,  tudo voltará ao mesmo. É nessa altura em que voltamos a ser inconscientes que o mundo vai voltar a fazer sentido e vai continuar a girar. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 09:31:58 UTC</pubDate>
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         <title>A pandemia: o antes, durante e depois</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>Uma centena de anos. É o tempo dado a uma pessoa para viver. Poucos são os que atingem tão honorável marco e muitos são os que não chegam a esta meta. São “desclassificados” antes de completarem totalmente a jornada. Uns,  até mesmo antes de entrarem em jogo, já perderam. É o rumo natural da vida. Já se cheira a morte aquando o momento do parto, já se está a morrer quando se nasce. É uma máxima recorrente na lei das coisas. E isto aplica-se a qualquer ser vivo: homem, gorila, baleia, sequóia, coral… Até mesmo ao planeta Terra, lentamente assassinado, sem escrúpulos, sem ressentimento, sem piedade. Aquilo que pode ser justificado como a mera ação desesperada em busca pela sobrevivência acaba por se tornar numa morte assistida da realidade como a conhecemos. A proliferação de um não justifica a perpétua e cíclica perda dos nossos conterrâneos, que por tantos milhões de anos, viveram livres de perturbações antrópicas.</div><div>É curioso que o ano de celebração do quinquagésimo aniversário do dia da Terra seja também o ano mais crítico da existência humana. Mas até antes dos anódinos gémeos 20, esta crise de meia idade já se avizinhava, era apenas uma questão de tempo até se acabar o pavio. Incêndios intermináveis na terra austral dos prisioneiros britânicos; uma guerra de galos, nada talhados para assumirem o comando dos motores da sociedade atual; uma crescente escalada de tensão nuclear entre os vários pólos de influência política e socioeconómica; não esquecendo,  porém, o maior problema para o qual tão teimosamente olhamos com um olhar falsamente preocupado, o da empatia com o próximo. Desde sempre que há fome e guerras, e desde que me lembro que apenas é feito aquilo que mais convém aos magnatas deste mundo sórdido. Este era o mundo antes do covid-19. Mas as coisas mudaram…</div><div>Oriundo do oriente, um novo jogador senta-se à mesa, cheio de intenções de virar do avesso o panorama global de coisas. Chama-se covid-19 e promete romper com a visão que temos do mundo como o conhecemos.  Atacando sorrateiramente do interior, faz justiça ao seu nome, pois esta pandemia já lançou o pandemónio entre nós. É que estamos habituados a estar em controlo no teatro das operações. Odiamos quando nos sentimos impotentes, inúteis, desabilitados e desprovidos de funções. E é exatamente o que nos está a acontecer. Somos atualmente reduzidos ao reduto da existência. O mundo experiencia, agora,  o que tantos refugiados e habitantes desta terra experienciaram desde que respiram: a impossibilidade de viver uma vida dita normal, onde ir à escola, socializar através da ternura de um abraço, aproveitar o mais ínfimo momento de felicidade… todas estas regalias são agora comunidades retiradas à nossa pessoa. Sentimos na pele o que tanto teimamos em recalcar, o sofrimento de quem teve o infortúnio de nascer onde nasceu.</div><div>Enquanto executamos este sedentarismo forçado, e nos tornamos cada vez mais ressacados por píxeis, a Natureza não perde tempo em remendar os erros da Humanidade. Parece que nós e somente nós somos grandiosa e majestosamente afetados por esta pandemia. Todos os outros seres vivos seguem com a sua vida, impassíveis e indiferentes ao nosso sofrimento (Lembra-me os tempos passados, mas com uma inversão nos papéis…).</div><div>Ouvimos nas notícias que os níveis de poluição estão em baixos históricos, as cortinas de <em>smog </em>levantam-se agora, o ar torna-se irreconhecivelmente mais puro. É como reabrir as portarias e janelas a um Ramalhete abandonado, e deixar assim a Natureza entrar de novo nas nossas vidas invernosas. O dissipar do nevoeiro industrial simboliza também o levantar do véu que nos toldava a vista, é o acordar, o despertar, o relembrar, embora diminuto, da existência de Natureza para além das multinacionais, dos engravatados que se afogam na própria riqueza, dos ecrãs que nos alheiam da realidade. O corona reacordou a Humanidade para um mundo para além do homem! E aproveitemos esta efeméride, porque a hora mais negra se  avizinha. Um novo inimigo, porventura infinitamente mais perigoso, aproxima-se, silenciosamente, mas de forma a fazer-se ouvir. O mundo encontra-se num perigoso limbo. Chove sobre nós a eminente e iminente recriação da sexta-feira negra. Uma embarcação com demasiados capitães que preferem afundar-se do que deixar vir à tona o desapego das motivações próprias. Uma embarcação que não sabe do seu rumo, nem se pode guiar por se encontrar envolta num nevoeiro de incerteza… Estamos todos no mesmo barco, dizem eles. Pois bem, também no Titanic estavam todos no mesmo barco e nem por isso todos se salvaram…</div><div> Citando Saramago, “Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo.”. Acredito plenamente que esta frase resume a minha perspetiva em relação ao futuro do planeta. Basta que os líderes mundiais não se foquem no cerne do problema para que todos nós soframos e paguemos caro. Não obstante, acredito também, e isto tenho certo, que a Humanidade olhará agora para o próximo e para tudo o demais com um olhar renovado, marcado pela cicatriz de estar no ponto de rutura. Mas só vivendo o futuro poderei ter certeza do que penso no presente…</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 10:07:53 UTC</pubDate>
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         <title>Carta de amor ao planeta Terra em tempo de  guerra</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>22/04/2020<br><br></div><div>Meu amor,<br><br></div><div>Estamos em guerra, mas esta guerra é diferente, a humanidade está a lutar contra algo que não se vê. Desta vez, não lutamos por territórios ou por futilidades, lutamos pela vida, pela liberdade que nos foi confinada.<br><br></div><div>Na linha da frente, encontram-se os profissionais de saúde, aqueles que enfrentam o inimigo cara a cara, que lutam horas a fio pelo bem-estar daqueles que não conhecem e, por vezes, colocam a sua própria saúde em risco.<br><br></div><div>Melhor que ninguém, tu sabes o que já sofremos no passado por coisas supérfluas, as guerras que o ser humano já criou por dinheiro, por poder e, agora, somos surpreendidos por um vírus que dizem frágil e pequeno, não é irónico? Queríamos todos tanto e agora estamos limitados a sobreviver, sem querer muito, a viver um dia de cada vez. Afinal, do que nos vale fazer guerras por poder, se de um dia para o outro perdemos o controlo de tudo?<br><br></div><div>Atualmente,  lutamos por algo por que já lutámos muito no passado, a liberdade. Achávamos que era algo garantido, que tão depressa não a perderíamos, que era nossa, que estava ganha, muito nós lembrávamos as revoluções pela liberdade, mas esquecíamo-nos de que ela não era nossa, que a qualquer momento nos podia ser tirada. Foi-nos tirada por um vírus pequeno e invisível… Será que é desta que não tomamos a liberdade da vida rotineira como garantida?<br><br></div><div>Há quem diga que este vírus é frágil mas,  a meu ver,  de frágil tem pouco, chegou e rapidamente nos tirou tudo, tirou-nos todas as certezas e substituiu-as por dúvidas e incertezas. Fechou-nos em casa, proibiu-nos de viajar, de explorar o mundo, de ver o mar, de ir trabalhar, de ir às aulas, de ver pessoas, instalou o medo, o medo de podermos perder as pessoas mais importantes na nossa vida, o medo de não voltar a ter uma vida normal. Este vírus tirou-nos tudo isto e mais, com tanto medo nem um abraço ou um beijo de conforto podemos ter.<br><br></div><div>E os que estão na linha da frente? Eles também sentem medo, eles também choram de cansaço, choram por ter medo de regressar a casa e pôr a família em risco, também rezam para que tudo isto passe rápido, para que a normalidade seja retomada, para poderem ver quem mais amam, para que,  no fim do dia, quando a esperança está a acabar, possam ter um abraço de conforto. Todos estes profissionais de saúde mostram força, mas nem sempre é o que sentem.Tal como estes, também os que saem de casa para trabalhar, porque assim é necessário, sentem receio, desejam um dia poder regressar a casa, ou sair dela sem medo. Quantos deles não dariam tudo para estar em casa confinados, para estarem mais protegidos? E aqueles que ficaram retidos no estrangeiro que, por trabalho ou qualquer outra razão, não puderam voltar ao seu país? O meu pai foi um deles e tem sido muito difícil, passou a Páscoa na Alemanha longe da família e as saudades apertam cada vez mais. <br><br></div><div>Muito semelhante é esta guerra com as outras a nível de relações pessoais. Todos desejamos um beijo de fim de guerra, um grito de liberdade, um toque sem medo, um abraço de felicidade. Muito ingratos fomos nós por tomarmos tudo isto como garantido, muito hipócritas seremos nós se o voltarmos a fazer.<br><br></div><div>Mas e tu, minha querida, como estás? Ouvi dizer que estás mais feliz, que estás limpa, que pareces outra, até há quem diga que isto foi o melhor para ti. Quero acreditar que sim, afinal, nunca te vi tão viva, tão cheia de diversidade, de cor. Minha querida Terra, espero que com isto a humanidade te respeite mais, que seja possível perceber que nós precisamos de ti e que,  se o nosso desejo é continuar a ver-te assim tão cheia de vida, temos de  respeitar-te e ter sempre presente que precisamos mais de ti do que tu de nós. Sabes, a meu ver,  o Covid-19 veio mudar tudo, não só a consideração dos humanos por ti, mas também todo o resto.<br><br></div><div>Sim, eu sei que os danos na economia vão ser graves e que podemos vir a passar por uma crise. Todavia, espero que as relações humanas sejam melhores… Mas será que este “bichinho” serviu para nos pôr no nosso lugar? Será que vamos deixar de pensar somente no nosso bem e finalmente perceber que dependemos uns dos outros? Tenho esperança que sim, tenho esperança de que com tudo isto comecemos a dar valor ao toque, ao afeto, à companhia, que valorizemos a liberdade, as rotinas, o poder sair e regressar a casa sem medo, o ar puro, a natureza, a beleza de um céu azul, o sol, que tantas vezes tem sido a nossa melhor companhia neste isolamento, que valorizemos a arte, porque foram os artistas que nos mantiveram ocupados nestes tempos, com livros, filmes, novelas, música, museus <em>online</em>, jogos, tudo isto é arte. Que nos deixemos de futilidades, arrogâncias, que deixemos para trás esta nossa altivez de quem tudo sabe e tudo tem, porque ninguém sabe nada e nada tem.<br><br></div><div>Com carinho e respeito, desta humana confinada.<br><br>Rafaela Marques</div><div> <br><br></div><div><br><br></div><div> <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 10:09:54 UTC</pubDate>
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         <title>A fábula do COVID-19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
         <link>https://padlet.com/AtualizarCamoes/vwt6s36fhwzf1e1n/wish/584515243</link>
         <description><![CDATA[<div>Estranho, estranho, estranho.... Sinto-me um peixe fora de água. Se alguma vez pensei em pleno século XXI estar a viver o que os políticos e cientistas apelidam de “pandemia”. Só o nome assusta... Para mim,  isto era o tipo de coisa que só acontecia nos filmes de ficção científica, que só se lia nas linhas de um livro que nos remete para outra dimensão ou um futuro longínquo, mas não, sou eu, o João Costa de 18 anos que, em pleno 2020, estou a viver tudo isto como um autêntico peixe fora de água. <br><br></div><div>Ao ser-me pedido para escrever este texto, inicialmente quase desesperei, sentia-me completamente “desinspirado”, confinado, uma prisão física que me remetia para uma prisão mental que não deixava fluir as ideias e os pensamentos, sentia-me um João incapaz de escrever, não me sentia eu. Então, decidi pegar em mim e vim a um dos sítios de que mais gosto. No alto de uma colina,  ergueu-se uma igreja e quis Deus que nela fosse batizado e fizesse toda a minha vida enquanto cristão, quis Deus que fosse nesta colina que eu aprendesse o que é o verdadeiro amor e o amor do pai por nós, quis Deus que esta colina não fosse só mais uma colina mas sim um eterno lugar de paz. Se tivesse que vos descrever a vista deste lugar,  seria bastante simples, era pedir-vos para fecharem os olhos e imaginarem um silêncio apenas interrompido pelos pássaros e pelo certeiro tocar dos sinos que ecoam em toda a aldeia, à vossa volta tudo é verde e tudo é campo, à volta tudo é paz. Pouco se sabe sobre o jardim do Éden, mas, para mim, pouco ou nada deve fugir deste lugar. <br><br></div><div>Voltando à razão pela qual vim para aqui, vim aqui parar sem saber porquê, sentei-me no muro a olhar a paisagem e algo me disse que talvez fosse uma boa altura para parar e escrever. Na ausência do meu querido caderno, escrevo no bloco de notas do meu telemóvel estas palavras que darão início à minha reflexão sobre tudo o que se está a passar.<br><br></div><div>            Costumamos dizer que tudo na vida tem o seu propósito, eu, pelo menos, penso assim ou fui ensinado a pensar assim, fui aprendendo que, com o tempo, por mais difíceis que sejam as situações,  é necessário parar e refletir sobre a lição a tirar de todos aqueles tempos ambíguos e repletos de trevas por que passamos. No fundo,  é como se a nossa vida fosse uma fábula, no fim de uma fábula vem sempre a moral da história, talvez Esopo se tenha esquecido de escrever uma quantas fábulas sobre a humanidade. <br><br></div><div>            Quem eras tu no “antes” da fábula do Covid-19? Não sei quem eras, mas aposto que eras tanta coisa,  mesmo sem o saberes. Para os teus pais,  eras o bem mais precioso, para os teus avós o maior tesouro, para os teus amigos eras o companheiro de grandes aventuras,  para a tua namorada ou namorado,  eras a pessoa dos seus olhos, para o Governo,  eras um número e,  para ti, não eras ninguém. Chegavas ao fim do dia cansado, olhavas para trás e, no meio de 24 horas,  apercebias-te que havias deixado mais de 24 coisas por fazer, queixavas-te de não teres tempo para nada, malvado tempo! Ouviste, ó tempo, sim,  tu, malévolo inimigo do Homem, tu,  que não deixas que se visitem avós, tu,  que não deixas que se dê aquele abraço de conforto, tu,  que não deixas que dois enamorados se percam nos traços dos seus corpos num nenúfar criado por Vénus, tu, que fazes com que se deixe tanta coisa por fazer, que andas a travar batalhas com o nosso dia a dia e te transfiguras constantemente,  fazendo horas parecerem segundos. Tu és quem esta pessoa do “antes” culpa por tudo o que não se passa ou se devia ter passado, se não fosses tu,  o que seria da vida? Seria bela,  pois claro, pois tu és o único culpado de toda a mágoa que percorre dentro dos meus humores e flui dentro do meu ser.<br><br></div><div>            0,1 a 0,4 segundos é o tempo do pestanejar, e foi em cerca de 0,1 a 0,4 segundos que a tua vida deu uma volta como nunca pensavas que fosse dar, entre 0,1 a 0,4 segundos foi o tempo necessário para que se tire uma conclusão que te vai dar uma das maiores facadas de todos os tempos, e és tu que a vais dar a ti próprio, irónico não? Mas já lá iremos. <br><br></div><div>Nestes singelos segundos,  o mundo fechou-se a quatro chaves com medo de algo que não se vê. Se no passado travámos guerras com um inimigo que se identificava ora por ser de uma religião diferente, ora por ser de um país que não o nosso, hoje travamos uma batalha com algo que não se mostra ao nosso olho, travamos uma batalha contra algo cuja origem ainda é discutida por muitos e, pior que tudo isso,  travamos uma enorme batalha contra os nossos medos.<br><br></div><div>Nestes segundos,  apercebemo-nos das nossas fragilidades e refugiamo-nos nos nossos ninhos, mostramos ao mundo algo que tentamos a toda a força esconder, mostramos ao mundo que,  independentemente do quão fortes possamos ser,  temos medo, temos medo de um adversário que apelidamos de “covarde” por não se dar a conhecer totalmente. A verdade é que é normal termos medo, somos humanos, mesmo que, por vezes, neguemos a nossa essência,  a verdade é que todos nós não passamos de um singelo ser humano.<br><br></div><div>            No passado,  queixávamo-nos de que o tempo não nos deixava que se visitassem avós, não nos deixava que se desse o abraço de conforto, não deixava que os enamorados se perdessem na companhia um do outro e, hoje, que temos tanto tempo,  faltam-nos amigos, faltam-nos as pessoas por confortar e falta-nos a nossa outra metade. Aqui está a “facada” que eu me referira há pouco, o tempo não é culpado pelo que não fazes, o único culpado és TU! O único culpado és tu porque não te conseguias aperceber que o dia foi feito com 24 horas para serem aproveitadas ao segundo e não para desperdiçares segundos no que não vale a pena.<br><br></div><div>            Neste tempo de confinamento,  há tanta coisa de que sentes a falta que jamais pensarias sentir. Sentes a falta da azáfama matinal, sentes a falta do trânsito para o trabalho, sentes a falta de ter algo por fazer, sentes a falta de poderes ir onde querias, a falta dos fins de tarde onde brindavas com os amigos sem ser preciso haver motivo, a falta da brisa vinda do mar, a falta do beijo, do abraço ou até do singelo olhar, no fundo,  sentes a falta do “antes” que ao viveres como “agora” não valorizavas,  pois era, como tu bem dizias,  “só mais um dia normal”.<br><br></div><div>            Quando tudo isto acabar e vier o “depois”,  se fores inteligente,  vais viver e não existir, vais aperceber-te de  que o dia é tão grande que há tempo para tudo, vais perceber que um dia não são 24 horas mas sim 86400 segundos para serem aproveitados como se fossem o último e vais encontrar milhões de motivos para sorrir, vais sentir que não há nada melhor do que o calor de um abraço, o toque de um aperto de mão, os milhões de sentimentos que te percorrem as veias enquanto estás no teu ninho de amores ou o pó das estrelas que navega no ar durante um singelo olhar. Vais sorrir na azáfama, vais agradecer o trânsito que te incomodava todas as manhãs, vais aproveitar todas e quaisquer razões para ires onde tanto gostas, vais arranjar sempre mais um motivo para brindar e vais sentir a brisa com todos os nervos sensitivos que tens no corpo. Vais aperceber-te que,  no fim de derrotado o adversário que não se dá a conhecer,  há heróis que não usam capa e que apenas a união é capaz de resolver grandes problemas. <br><br></div><div>E, assim, sem mais nem menos, tens a moral desta fábula esquecida por Esopo a que se deu o nome de Covid-19. E agora vem daí e façamos um brinde, o maior de todos: brindemos… à VIDA! <br><br></div><div>"Vitória, vitória, acabou-se a história."?<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 10:13:07 UTC</pubDate>
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         <title>O antes, o presente, e o futuro da Humanidade- Covid 19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>“Viver”, palavra comum não?</div><div>             “Viver” é o nome que nós damos para englobar tudo o que fazemos. Viver engloba as rotinas, os dias maus e bons, a tristeza, a alegria, a felicidade, os acontecimentos, as memórias, as histórias, as aprendizagens, é aquilo  que nós fazemos durante  todo o tempo da nossa breve existência. </div><div>             Todos os dias  levantávamo-nos para o começo de um novo dia, saíamos de casa guiados pelas nossas tarefas, pelos motivos por que tínhamos acordado naquela manhã. E,  como num dia normal no meio de outros tantos, deslocávamo-nos até onde já era habitual, limitávamo-nos a fazer o que, na verdade, já se tinha tornado numa rotina. Estávamos tão focados no que estava a acontecer naquele momento que nem ligávamos ao que realmente estava à nossa volta. Sinceramente, não nos vou culpar por sermos egoístas, no fundo, estávamos tão habituados à mesma rotina, a sermos sempre a mesma pessoa, a estar no mesmo local à mesma hora, às mesmas conversas, aos mesmos pedidos…, já tudo se tornara tão conhecido, tão familiar que,  de certa forma,  já nada nos conseguia “avivar” a alma. Éramos marionetas movidas pelo automatismo da vida. Como já tudo nos era tão habitual, de certo modo, nós, a humanidade, deixámos de dar valor às mais insignificantes coisas, como o amor, a presença, o afeto, a comunicação, o convívio e, sobretudo, a liberdade. Permanecíamos tão concentrados em nós mesmos que não víamos que o nosso ego, a nossa presunção estavam a magoar a quem nós mais  recorríamos, o planeta Terra. </div><div>             Quando começaram a aparecer os primeiros casos de coronavírus, a população parou por uns instantes, mas, seguidamente, continuou a fazer aquilo que melhor sabia, continuar na sua rotina, na sua “bolha”, pois o vírus “estava muito longe, lá na China” e, sendo os chineses tão espertos como julgávamos serem, logo iriam encontrar a cura depressa, com tempo limite de algumas semanas a alguns meses, mas com a certeza de que iria passar rapidamente sem grande alarme.</div><div>            Após algumas semanas, as notícias que recebíamos não eram de todo agradáveis, o vírus continuava a espalhar-se, a aproximar-se e,  como ainda era algo incógnito, devido a ainda se estarem a desenvolver  pesquisas e experiências para obter explicações assertivas, ninguém sabia ao certo o que fazer para evitar o contágio. Foram semanas,  e posso mesmo dizer meses apavorantes para alguns, é difícil de explicar, é um pouco sinistro,  pois parece que entrámos num mundo paralelo ou num filme de ficção científica onde se está a passar por uma situação de pandemia que obriga ao isolamento forçado. </div><div>            Mas aí está o problema, a situação agravou-se velozmente, passou de país a país, registando-se cada vez mais casos de infetados, mais casos suspeitos e, embora o assunto fosse de interesse mundial, a maioria da população mantinha a ideia de que se estava a formar uma agitação  sem razão alguma, e que seria um exagero da realidade, o que de facto não era. Preferiram manter a perspetiva de que “<em>Estão a fazer uma tempestade num copo de água”</em> e preservaram a ideia de que se assemelhava a um filme de terror ou de ficção científica, ainda que não fosse um filme, mas sim, a realidade. </div><div>            Consequentemente, o vírus chegou a Portugal e, em apenas algumas semanas, o Governo tomou a decisão de fechar tanto as escolas como os estabelecimentos comerciais como,  por exemplo, cabeleireiros, centros comerciais, lojas …, optando por deixar apenas abertos estabelecimentos para garantir os bens essenciais, como supermercados. E, mesmo estes, que eram algo que tomávamos como tão garantido, algo tão normal no nosso dia a dia, nas primeiras semanas de casos no país estavam sobrelotados de cidadãos, cidadãos estes que estavam a temer o pior e que,  por essa mesma razão, precaveram-se e foram comprar os bens essenciais para a sua sobrevivência. </div><div>           Claramente que a decisão do Governo originou diversos pontos de vista e,  ainda que a “ordem” fosse dirigirmo-nos para as nossas respetivas casas e aí permanecer até novas indicações, houve um considerável número de pessoas que,  verificando a situação que se estava a passar, achou por bem ir passear ou ir tomar banhos de sol para a praia, algo que claramente não se deve fazer em situação de pandemia, pois,  como todos sabemos, a praia é onde mais facilmente se observa um aglomerado de pessoas, o que vai originar uma maior facilidade e probabilidade  de contágio. </div><div>           Semanas depois de o país ter declarado o estado de emergência, tudo parecia estar mais calmo. Portugal, e de certa forma todo o mundo,  uniu-se. Foi incrivelmente bom ver como,  num cenário como o que estamos a atravessar, a humanidade deixa de lado tudo aquilo que,  numa situação normal do dia a dia,  seria considerado essencial. Hoje, encontramo-nos numa situação de isolamento e, por isso,  posso dar graças a Deus por o meu país não ser um dos que está a atravessar a pior fase deste vírus. Felizmente,  ainda nos podemos deslocar para ir ao supermercado, ao multibanco e ir buscar comida a restaurantes, com as devidas precauções  de ambas as partes, obviamente. Estando a atravessar uma altura como esta, não vou dizer que é algo mau ou péssimo pois, sem dúvida,  está a ajudar-me imenso a pensar sobre nós, humanidade, como também no planeta Terra. <br><br></div><div>          Após uma reflexão, estar em isolamento tem os seus prós e contras, pois podemos aprender a conhecer-nos melhor, a saber esperar, a dar valor às coisas que temos, como a liberdade, por exemplo, a relacionar-nos mais com a família, mesmo à distância, entre outros aspetos. Mas,  como tudo na vida,  também apresenta desvantagens, como o facto de termos saudades de estar com amigos e com pessoas, de podermos olhar-nos cara a cara, usufruir do toque sem ser apenas dos que estão presentes nas nossas casas neste tempo de quarentena e, essencialmente, sentimos saudades de usufruir da liberdade, de poder sair à rua. É algo que nos está a deixar frustrados, em 16 anos de vida nunca tinha sido obrigada a ficar em casa, impedida de  estar com pessoas e de conviver… Se alguém,  há uns tempos atrás, me dissesse que ia estar a ter aulas <em>online</em>, por computador,  eu não iria acreditar, porque ninguém estava preparado para tal. Neste momento,  embora a situação pareça ter acalmado, a verdade é que esta pandemia veio desassossegar diversas atividades/profissões e a nossa vida.</div><div>          A nível financeiro, a economia mundial irá sofrer um grande abatimento. Devido a estarmos num cenário de isolamento, a população não circula, não consome e  as empresas acabam por ter menos procura dos seus bens e serviços, o que irá,  mais tarde, vir a causar o encerramento de muitas delas com o consequente desemprego a subir. Uma consequência direta  do aumento do desemprego será a ameaça à estabilidade financeira (ainda que precária)  de famílias e comunidades inteiras. Deste modo, poderemos, muito provavelmente,  voltar a atravessar um período de crise, o que tem vindo a suscitar alguma preocupação por parte do Governo e dos cidadãos. Visto que a ameaça de uma pandemia criou uma nova situação, repleta de dúvidas e de desconhecimentos,  é normal que a população aja de forma irregular, não sabendo bem o que fazer ou como fazer. Esta realidade inédita veio,  sem sombra de dúvidas, perturbar o curso da humanidade e o seu pensamento. </div><div>          Será que futuramente, nós, seres humanos, vamos mudar o nosso modo de viver e de pensar? É uma questão que me coloco diversas vezes, pelo facto de agora todos nós afirmarmos que, após esta pandemia,  iremos pensar de maneira divergente, agir de forma contrária à atual e,  principalmente,  iremos dar mais valor às  coisas banais. Mas será que realmente tudo isto se irá verificar? Toda esta afirmação de consciência e reflexão irão manter-se constantes num momento pós-pandemia? Puramente, eu quero acreditar que sim, que com este aviso nós conseguiremos mudar alguma coisa, que será desta vez que vamos mentalizar-nos da verdade/realidade… Porém,  no fim, após alguns meses depois do término desta pandemia, o mais certo é voltarmos ao mesmo de antes, pois a humanidade tem vindo a demonstrar ser assim: erra, apercebe-se do erro, convence-se que é desta que vai melhorar e, no fim, volta a cometer as mesmas incorreções, e a isto eu chamo de ciclo, rotina. </div><div>         Está na hora de acabar com esta fase, onde já ninguém dá o devido valor às coisas boas da vida, onde já ninguém se importa se prometeu algo e não cumpriu, já estamos num ponto tão elevado de egoísmo que já nem quase uma mísera coisa nos afeta. E isto é  vergonhoso e desolador.</div><div> Por favor, vamos unir-nos como agora, vamos utilizar o que esta experiência de vivências plurais nos está a ensinar, mostrar que sabemos dar o merecido valor aos atos, às coisas mais simples da vida, que sabemos  ter paciência e compreensão, que sabemos  fazer o mais correto e que, desta forma, vamos agir de  modo correto, mostrando que aprendemos mais connosco mesmos, que aprendemos  que não devemos dar as coisas como garantidas e, principalmente, que percebemos o quão  importante é  a união e a perceção de que juntos nós conseguimos mudar tudo. É só disto que precisamos para tornar o mundo num lugar melhor. Parece pouco, até, mas não é, posso até arriscar a dizer que deve ser bastante complicado, mas quando a humanidade quer, a humanidade alcança! </div><div>Apelo para que todos tenham consciência do presente. Não se assustem com o futuro, apesar de ser incerto, é um desafio, desafio esse que nos pode deitar abaixo mas,  como tudo na vida, quando algo nos derruba também há algo que nos ajuda a levantar, tanto pode ser uma pessoa como uma força maior… O que interessa é que, mesmo que estejamos a passar por um dos acontecimentos mais complexos e desconhecidos da história da humanidade, nós, seres humanos,  tendemos sempre a sair por cima, por cima do egoísmo, por cima do amor-próprio, por cima do “eu”, e alcançamos outro patamar, patamar esse que não se refere a um “eu”, mas acaba por se tornar e, por fim, a  referir-se a um “nós”. </div><div> Com um agradecimento especial para todos os Profissionais de Saúde e cidadãos que se têm revelado pessoas exemplares e que trabalham arduamente para que a população se mantenha a salvo ou recupere rapidamente. De facto,  não há palavras para descrever estes seres humanos e agradecer a sua ação. </div><div> </div><div>A todos, um enorme OBRIGADA!<br><br></div><div>                                                                       <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 11:44:55 UTC</pubDate>
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         <title>Passado, Presente e Futuro da Humanidade com a COVID-19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>             COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo novo Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), descoberto em dezembro passado na província de Hubei, na China. Os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar, mas há outros descobertos mais recentemente associados à doença como, por exemplo, a perda do paladar e do olfato. O novo Coronavírus transmite-se através de gotículas produzidas nas vias respiratórias das pessoas infetadas, sendo muito contagioso. Estas gotículas podem chegar a outras pessoas através do espirro, tosse ou do contacto físico com pessoas e superfícies.</div><div>Para lidar com esta epidemia que rapidamente se transformou em pandemia, a maioria dos países impôs o isolamento social e o fecho de algumas atividades económicas, por tempo indeterminado, na tentativa de a controlar.</div><div>Com mais de 175 mil mortes confirmadas (a aumentarem diariamente), não houve nenhuma pandemia em tempos recentes com tantas mortes, a não ser a SIDA, com mais de 30 milhões, a Gripe de Hong Kong, com mais de 1 milhão em 1968, a Gripe Asiática, com 2 milhões em 1957,  e a Gripe Espanhola, com cerca de 100 milhões em 1920. Com os surtos epidémicos e pandémicos passados, aprendeu-se que se devem ativar e intensificar precocemente os mecanismos de emergência, para identificar casos suspeitos, isolar, testar e conter o surto o quanto antes. Pelo menos pensávamos ter aprendido. </div><div>Em finais de dezembro, 2019, o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças de Taiwan avisou a Organização Mundial de Saúde da existência de um vírus desconhecido na província chinesa de Hubei. Porém, segundo a informação que circula, a OMS ignorou e recusou-se a divulgar quaisquer informações sobre o COVID-19, apesar de ter recebido o alerta da existência de, no mínimo,  sete casos de pneumonia atípica em Wuhan. Foi Taiwan quem divulgou o <em>email</em> publicamente no seu <em>Twitter</em> e tanto a OMS como o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da China foram então acusados de terem subestimado a situação e recusado a fornecer informações adequadas, que poderiam ter diminuído o impacto do vírus.</div><div>Perante esta posição passiva da China e  da OMS, este Novo Coronavírus começava a alastrar a um ritmo extremamente acelerado entre a população chinesa. Verificou-se rapidamente que este também já ultrapassara fronteiras, infetando pessoas em países vizinhos, como a Tailândia e Macau. Ainda em janeiro, este vírus chegou aos Estados Unidos da América e à Europa, com a França a confirmar os primeiros casos de infeção pelo Novo Coronavírus a 24 de janeiro.</div><div>Apesar disto e já depois da OMS declarar este surto como caso de emergência de saúde pública internacional, verificando-se, à data, milhares de infetados e já algumas mortes em vários países, ainda existiram posições atípicas em alguns países (alguns deles da Europa), perante uma epidemia que teimava em alastrar ferozmente e ceifar tantas vidas.</div><div>As fronteiras aéreas e terrestres não foram atempadamente encerradas, nem sequer limitadas, e teimava-se ainda em permitir a realização de grandes eventos públicos. A título exemplificativo, um dos casos mais polémicos foi o jogo entre Atalanta e Val<strong>ê</strong>ncia, em Milão a 19 fevereiro, com 48 mil adeptos vindos de Bérgamo. Esta situação poderá ter favorecido a replicação do vírus. O próprio Presidente da Câmara de Bergamo (a região italiana mais afetada pela COVID-19), designou este evento desportivo como “uma bomba biológica” na propagação da COVID-19. </div><div>Após este evento, os casos começaram a aparecer com uma rapidez alarmante, tanto em Itália como em Espanha, com jogadores e membros da equipa do Valência infetados e,  infelizmente, em vez de começarem a quarentena, foi privilegiada a proteção da atividade económica. Duas semanas após o evento, a quarentena foi anunciada na Lombardia e noutras províncias e,  no dia seguinte,  a medida foi estendida para todo o país. Havia então 230 mortes e 5883 casos confirmados. Nos dias seguintes,  o número de infetados e mortes não paravam de subir dramaticamente, tendo num dos dias atingido quase os 1000 mortos em 24h. Já não havia funerárias suficientes e o exército foi chamado, com os seus camiões militares, para retirar os corpos da cidade e cremá-los noutros locais.</div><div>Na minha opinião, mais preocupante que a taxa de letalidade do vírus (próxima de 3,6% em Portugal), é a facilidade com que o novo Coronavírus contamina novos hospedeiros e,  dia após dia,  aparecem novos dados e informações sobre o mesmo. Estamos perante algo completamente novo e desconhecido. Por exemplo, descobriu-se muito recentemente que o vírus se transmite a partir de pessoas assintomáticas. A maioria dos corpos deteta o vírus e desencadeia uma resposta inflamatória, que causa a febre, mas nem todos reagem da mesma forma, e até podem não reagir ou, pelo menos, não apresentar sintomas externos. Isto constitui um problema, visto que podem não ser detetados nem testados, transmitindo-o, assim, a mais pessoas.</div><div>Os efeitos da pandemia são bem visíveis em todo o mundo, e a economia já se está a ressentir. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a recessão mundial atual venha a ser pior que a de 2008, devido à adoção de novas medidas restritivas e drásticas, para tentar travar a propagação do vírus, levando à interrupção de vários setores da economia.</div><div>A atividade humana desceu abruptamente, vemos imagens de satélite quase surreais. O mundo quase parou e deixou cidades desérticas, como Wuhan, onde foi detetado o vírus, a Grande Mesquita de Meca na Arábia Saudita, o maior centro de peregrinação muçulmana do mundo, o parque do Walt Disney World, em Bay Lake, na Flórida, um dos principais parques temáticos, e Veneza, que esteve isolada devido ao elevado número de casos.</div><div>A COVID-19 suspendeu muitas práticas e atividades de património cultural imaterial, incluindo rituais e cerimónias, afetando as comunidades um pouco por todo o mundo.</div><div>Em relação à cultura, o património histórico (museus, teatros, cinemas e outras instituições culturais) estão fechados. Logo, o apoio financeiro a artistas e indústrias criativas, a conservação de lugares extraordinários e os meios de subsistência das comunidades locais e profissionais está comprometido.</div><div>A nível nacional temos empresas, escolas, a maioria dos serviços públicos e grande parte do comércio fechados. As viagens suspensas indefinidamente e cidades mais ou menos desertas.</div><div>Os alunos aprendem agora a partir de casa. Os do 1.º, 2.º e 3.º ciclos têm aulas em casa através da televisão e <em>online</em>, enquanto os do ensino secundário e ensino superior têm aulas online (pelo computador ou pelo telemóvel).</div><div>Em termos de desporto, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional suspendeu por tempo indefinido os dois principais escalões a 12 de março, dois dias após o grupo de emergência criado pela Federação Portuguesa de Futebol ter determinado que os jogos das competições profissionais fossem disputados à porta fechada, à semelhança de outros Órgãos Dirigentes do Futebol pelo mundo fora.</div><div>Esta pandemia está também a dar origem a uma taxa de desemprego elevadíssima. No entanto, alguns trabalhos, graças ao avanço das tecnologias informáticas, são agora feitos a partir de casa em modo remoto. Mesmo que o teletrabalho não esteja a funcionar na totalidade, é este o momento para o testar e otimizar, caso venha a ser necessário de futuro. </div><div>As empresas também tiveram de reinventar os seus métodos de trabalho, modificando a sua forma de trabalhar e os seus produtos. Por exemplo, a empresa portuguesa ProtectOthers converteu o seu modelo de negócio para atender às necessidades desta pandemia, criando uma nova máscara, com uma eficiência de filtração bacteriana acima dos 95%, impermeável, respirável e reutilizável até 50 lavagens, salvando por agora outras fábricas em processos de <em>layoff</em> e insolvência. A empresa encontra-se agora a recrutar centenas de pessoas que, de outra forma, estariam desempregadas. </div><div>Entretanto, vamos assistindo a imagens de doentes em hospitais sobrelotados nas principais cidades da Europa e dos Estados Unidos e também das equipas de saúde a apelarem à necessidade de mais equipamentos de proteção e  testes e a implorarem para que as populações fiquem em casa.</div><div>Em Portugal,  a situação também não é muito diferente. É dramático ver doentes nos hospitais sem visitas, alguns a falecerem sem poder haver sequer uma despedida. </div><div>Segundo as palavras de Gustavo Carona, médico intensivista no Hospital de Matosinhos, no Público de 22/04, há “doentes a morrer sozinhos nos hospitais onde, com o preço das nossas lágrimas, colocamos a família por videochamada para um adeus final” e ainda “Profissionais com muita experiência a lidar com a vida e com a morte sofreram o que nunca imaginaram. A ideia de ser um de nós, deitado numa das camas dos cuidados intensivos, passou a ter uma forma muito real e assustadora, assim como a possibilidade de termos de decidir quem vamos tratar e quem vamos deixar morrer é destrutiva”.</div><div>Os idosos nos lares, impedidos de estarem com os seus familiares. As pessoas estão cada vez mais isoladas, solitárias e algumas até, sem receber apoio domiciliário ao nível da saúde, medicação, alimentação, compras...</div><div>Em Portugal, as missas deixaram de ser celebradas, os casamentos, batizados e outras  cerimónias, como as procissões, foram suspensos. Os funerais estão sujeitos ao limite de 10 pessoas cada, não havendo passagem pela casa mortuária, capelas ou igrejas.</div><div>Mas nem tudo são más notícias. A nível ambiental, a travagem da atividade económica, das viagens aéreas e da vida em geral de milhões de pessoas afetadas pelo novo Coronavírus, em vários países do mundo, trouxe uma redução da poluição e da emissão de gases com efeito de estufa, nomeadamente do dióxido de carbono (CO2).</div><div>Verifica-se um pouco por todo o mundo o “renascimento” da vida animal e vegetal<strong>. </strong>Um exemplo expressivo é o das<strong> </strong>águas dos canais de Veneza que  estão tão transparentes que, pela primeira vez em muitos anos,  é possível ver peixes a nadar sob o leito arenoso. Avistam-se cisnes e patos que sempre por ali andavam, mas agora aproveitam melhor a sua liberdade.</div><div>De louvar têm sido as iniciativas ao nível do voluntariado. Foram criadas plataformas, as autarquias criaram os bancos de voluntariado, a sociedade civil de um modo geral tem participado no combate ao novo Coronavírus, ora ficando em casa, ora participando em atividades necessárias, como ajuda a vizinhos mais idosos, confeção de máscaras, batas, entre outros, para equipas de enfermeiros, distribuição de bens alimentares a necessitados… Não nos podemos também esquecer daqueles que, com mais posses económicas (jogadores de futebol, a empresa Delta cafés e muitos outros), fornecem equipamentos a hospitais, ventiladores e equipamentos afins. Os portugueses têm, de facto, mostrado que são voluntários e generosos nos momentos mais difíceis do país.<br>             Voltando a citar Gustavo Carona, “o espírito de missão é uma chama que não tem preço, mas desvanece-se com o tempo. É preciso valorizar as pessoas que valem vidas e proteger os mais frágeis. Este é o maior desafio das nossas vidas. Mostremos caráter.” <strong><br></strong>            Face a este panorama calamitoso, quanto a mim o futuro é ainda um grande ponto de interrogação. Podemos apenas fazer suposições.</div><div>No final desta pandemia (que ainda se prevê longínquo), em termos ambientais, o alívio que a COVID-19 trouxe será momentâneo. O abrandamento da produção, das deslocações e do consumo, provocado pelas atuais medidas de combate à pandemia, trarão boas notícias para a crise ambiental,  mas teme-se, ainda, que, passado este momento crítico, pouco fique destas melhorias. </div><div>Além disso, temos o exemplo da crise financeira de 2008, em que a quebra de emissões de CO2 também foi evidente, mas acabou por ser anulada pelas medidas de incentivo ao desenvolvimento da economia que se seguiram.</div><div>O uso de novas formas de comunicar, de trabalhar, de lecionar e de aprender, foi um passo de extrema importância e de desenvolvimento crucial, no âmbito de isolamento social. Esta experiência poderá ser uma mais-valia para o futuro.<br>             Alguns países já estão a levantar as restrições impostas para impedir o contágio. Isto poderá vir a ser um problema, caso a situação não esteja realmente controlada. Penso que os países deveriam certificar-se que controlaram a transmissão do vírus, que minimizaram os riscos de surto nos locais de maior contágio (como lares de idosos e hospitais) e que os sistemas de saúde estão preparados para detetar, testar, isolar e tratar cada caso. Só assim se deveriam levantar as restrições lentamente. Após encontrada uma vacina ou tratamento,  e tendo a certeza que a população a recebe, levantar-se-ia então o resto das restrições. Em Itália já reabriram algumas lojas e na Dinamarca já reabriram as escolas primárias. Não será muito cedo?</div><div>Na minha opinião, deveríamos continuar com as restrições e com a quarentena até ser encontrada uma solução, mantendo os cuidados de saúde e higiene, para sobrevivermos a este capítulo obscuro da História. Mas, claro, a economia não aguentará tanto tempo de espera pela vacina. Decisões difíceis quando está em causa por um lado a doença, que pode ser muito grave e levar à morte centenas ou milhares de pessoas, e, por outro lado, a economia do país, o desemprego, a falência de empresas, a pobreza a crescer…<strong><br> </strong>            Certa está uma crise mundial a nível económico, financeiro e também social, nunca vista. Prevê-se que o desemprego e a pobreza (que tanto se têm tentado combater) aumentem drasticamente.</div><div>Incerto é ainda o fim desta pandemia. Como vão os países enfrentar os próximos meses, sem vacinas, sem medicamentos específicos para o tratamento do COVID-19? Qual vai ser o comportamento das pessoas para evitarem o contágio? Vão adquirir hábitos de higiene mais frequentes? Vão cumprir as medidas de restrição necessárias impostas pelos governos? Vão passar a usar máscara de forma regular? Esta é, com certeza, uma das medidas de maior prevenção contra o contágio, para além da higienização das mãos, entre outros cuidados. O maior erro dos Estados Unidos e da Europa, na minha opinião, foi a falta de uso de máscaras na fase inicial. Deve-se sempre usar máscara, visto que até quando se fala há sempre gotículas que saem da boca. A falta de máscaras e o facto da própria OMS insistir em que não havia necessidade das pessoas usarem máscaras deu origem a um maior contágio entre estas populações, a meu ver. Os países subestimaram o novo Coronavírus e não adquiriram atempadamente o equipamento necessário, como foi o caso das máscaras e dos equipamentos de proteção para as equipas de saúde, assim como dos ventiladores, imprescindíveis para o tratamento dos doentes em estado grave.</div><div>Concluindo, o nosso dia a dia mudou muito e poderá nunca mais voltar a ser o que era. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-20 14:56:32 UTC</pubDate>
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         <title>Coronavírus- O mundo antes, durante e após da pandemia</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>Ao longo da história da humanidade, as pandemias em grande escala têm sido marcos de viragem importantes para as civilizações, não só devido às inúmeras mortes, mas devido também às alterações que estas exerceram na organização e funcionamento das sociedades. <br><br></div><div>Presentemente, grande parte do mundo está a experienciar os efeitos de uma destas pandemias, da qual ainda não podemos apontar as suas consequências a nível global. Devido à dimensão enorme da atual pandemia, todos nos deparamos com questões para as quais uma resposta unívoca ainda ninguém pode apontar. Quais serão os impactos na economia do meu país? Como serão pautadas as relações interpessoais? Em que mudará mundo? Mesmo sendo ainda impossível tirar conclusões sobre estas questões, podemos sempre refletir sobre as mesmas, exercício que faremos ao longo desta análise.<br><br></div><div>Antes da entrada em cena desta horrível doença, vivia-se no mundo um clima geralmente próspero e seguro, com possibilidade de movimentação para praticamente todos os lugares do mundo. Vivia-se uma normalidade segura, principalmente na Europa e América do Norte, o que levou à falta de preparação para um evento destes, pois o mundo não se encontrava à espera de algo que não tinha precedentes desde o início do século XX.<br><br></div><div>Este vírus, cuja origem ainda é debatida, mas cuja origem aponta globalmente para a grande metrópole de Wuhan, na China, por volta de dezembro do ano passado, possui um fator de contágio extremamente elevado, e já alcançou quase todos os países do mundo. Esta transmissão foi acelerada ainda mais por uma falta de informação inicial, que levou inúmeros indivíduos e governos a encará-lo como que se fosse uma gripe comum. Com o passar do tempo e pela análise das consequências, esta infeção viral tornou-se um verdadeiro problema para governos e sistemas de saúde a nível mundial, causadora de milhares de mortes e condicionando de forma inequívoca a normalidade conhecida do mundo moderno.<br><br></div><div>O ambiente vivia-se com alguma segurança e agilidade, principalmente na Europa, que no espaço de meses sofreu uma alteração dramática, resultando como que numa suspensão da realidade e dia a dia de todos os cidadãos. O estado de emergência tomou conta da vida de todos nós, como medida excecional de contenção, limitando a nossa liberdade de deslocação e “congelando” grande parte dos postos de trabalho, levando ainda ao encerramento de todas as escolas a nível nacional.<br><br></div><div>Foi um mal necessário, não existia outra forma conhecida de lidar com este vírus desconhecido: sabíamos pouco, mas sabíamos que o isolamento funcionava. A medida ganhou forma, legislou-se e surgiu na linha da frente do combate. A sociedade, e falando de Portugal, respondeu em grande escala. No entanto, por detrás destas medidas obrigatórias, e aparentemente pouco nocivas para o indivíduo, surgem alguns problemas que não podem ser ignorados. Estes problemas consequentes das medidas de isolamento e quarentena generalizadas e adotadas pelo Governo têm dois principais focos iniciais: a vertente física e a vertente psicológica de cada indivíduo. Ora vejamos.<br><br></div><div>A vivência dentro de uma casa sem saídas para a rua constitui, obviamente, um obstáculo à manutenção da condição física de cada indivíduo. Isto resulta da falta de possibilidades para cada um se exercitar, mesmo com as saídas muito restritas e condicionadas permitidas pelo Governo. Isto vai refletir-se na saúde geral dos indivíduos pois, com o passar do tempo, o corpo de todos, atletas ou não, deixa de estar habituado ao esforço e, aquando do regresso ao normal, iremos por certo estar perante um aumento geral do cansaço, o que é, claramente, negativo. A falta de imunidade e de contacto com o sol (vitamina D) também irá ter consequências na constituição saudável do indivíduo.<br><br></div><div>No que toca à saúde mental, os efeitos do isolamento extremo e a falta de exposição ao exterior estão bem documentados. Estes efeitos são diversos, abrangendo todas as faixas etárias, desde os mais pequenos às camadas mais envelhecidas. O ser humano é um ser social. Qualquer medida que proíba um indivíduo de contactar com amigos, família e colegas de trabalho constitui uma violação da natureza da nossa espécie. Uma privação deste género vai piorar substancialmente a saúde mental da população, com todas as consequências  subjacentes daí decorrentes.<br><br></div><div>Continuando a refletir sobre as questões iniciais, penso que uma das poucas previsões que se pode fazer com alguma confiança é a inevitabilidade de uma crise financeira de dimensões incomensuráveis. O desemprego da população decorrente do encerramento de inúmeras vertentes económicas, como o turismo ou a restauração, o esgotamento dos cofres do Estado com o pagamento de subsídios diversos, o endividamento dos países com o acesso ao dinheiro do Fundo Europeu, que se apresentam como um boia de salvação neste momento, serão faturas que se pagarão caras e demoradas no tempo, com consequências económicas que irão interferir com o futuro de todos nós e de várias gerações vindouras. <br><br></div><div>Neste preciso momento, estamos perante um problema de urgente resolução. O confinamento como medida de segurança foi um ato imponente e forte,  mas que se cumpre, apesar de todos os custos referidos, com alguma facilidade, pelo menos durante algum tempo. Mas pergunto agora a mim mesmo, como será aplicado o regresso à suposta normalidade? E que normalidade será essa, que iremos encontrar... Primeiro, é necessário pensar na reabertura de setores de forma segura, com o objetivo de não disseminar o vírus de uma forma descontrolada, coisa que até agora conseguimos controlar. A exigência de cuidados diversos a nível social, necessários para continuar com a contenção, vai interferir diretamente na liberdade que conhecíamos, e com as relações de proximidade com os nossos amigos e conhecidos. É hora de começarmos a pensar onde irá ficar “aquele abraço”...<br><br></div><div>No que toca ao resto do mundo, penso que uma das principais perguntas a fazer é: o que acontecerá à China? Penso também que o futuro do gigante asiático depende, principalmente, das ações e posições adotadas pelos países ocidentais nos meses que se sucederem. A decisão que, na minha visão, seria mais sensata seria a atribuição parcial à China da falta de controlo deste vírus, evidenciada pela omissão inicial do número de casos e da contaminação entre humanos. Devido à falta de confiança neste país, que irá durar anos, talvez até décadas, penso que um gradual afastamento e tentativa de perda da dependência à produção industrial desta nação são uma possibilidade extremamente plausível mas que, devido à dificuldade que estas metas apresentam, poderá ser evitada, mantendo a situação industrial do mundo num estado semelhante ao que se vivia antes desta crise sanitária.<br><br></div><div>Por outro lado, o domínio desta potência poderá estender-se ainda mais, tirando proveito das necessidades de equipamento médico e recursos gerais dos países com grande número de infetados. Isto constitui, a meu ver, um grande risco à estabilidade do mundo e à forma de vida ocidental, pois o aumento da dependência que temos em relação a esta nação poderá resultar na afirmação da China como principal potência a nível mundial, ultrapassando finalmente os Estados Unidos. Isto será especialmente negativo quando cada vez mais nações adotarem o sistema político chinês, que é conhecido pela sua censura em grande escala e coibição de  liberdades que muito se assemelham às descritas em inúmeras distopias, imaginadas por pensadores como George Orwell, Zamiatine ou Andrei Platónov. Este cenário assusta-me profundamente, pois viver sob um controlo governamental constante e ter como único propósito possível de vida o enriquecimento de outro são condições que muitos de nós recusariam viver, mas, infelizmente, são a realidade de centenas, ou até milhares de milhões de trabalhadores pelo nosso mundo fora.<br><br></div><div>Quando voltarmos a sair à rua livremente, iremos regressar para um mundo que, aparentemente, perdemos durante meses, e ficará na nossa memória um estilo de vida que poderemos nunca mais viver, ficando este perdido e limitado a pensamentos nostálgicos, uma infelicidade que atualmente vejo como inevitável para o bem de todos. Apenas temo que as medidas de restrições de liberdade, hoje usadas devido a uma emergência, possam ser usadas de forma cada vez mais regular, tornando-se estas derradeiramente regra geral. E não vejo isto como uma possibilidade pessimista. Basta considerar os aplausos dirigidos ao controlo da situação em países ditatoriais, como a China, para estes medos surgirem, pois o primeiro passo para a adoção destes métodos é a admiração dos mesmos. <br><br></div><div>Tendo tudo isto em conta, a minha perspetiva para o futuro ainda se encontra distorcida e insegura, sabendo apenas que, durante um tempo indefinido, a vida de todos terá mudado, sob um aglomerado de medidas preventivas e outras restrições menores. No entanto, o otimista dentro de mim não consegue deixar de acreditar numa melhoria da vida de todos, dentro de um tempo que não sei quanto será, mas que espero poder alcançar, deixando esta crise mundial para trás.<br><br></div><div> <br><br></div><div> <br><br></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 10:22:43 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>O atual coronavírus, também denominado de Covid-19, é talvez a mais preocupante pandemia desde o surto de gripe espanhola, ocorrido há cerca de um século atrás, e que infetou cerca de 500 milhões de pessoas por todo o mundo. A atual pandemia teve origem na China em dezembro de 2019 e, desde então, já contabiliza mais de 2.600.000 infetados e mais de 180000 mortos pelo mundo inteiro. Perante esta situação, os Governos de diversos países decidiram decretar confinamento para todos os cidadãos que pudessem trabalhar a partir de casa, com a finalidade de impedir que o vírus se alastrasse ainda mais. <br><br></div><div>Quase todos os desastres surgem sem aviso prévio e este não foi exceção. Esta característica torna difícil a preparação para cenários desta magnitude e, por esse motivo, nos tempos antecedentes à pandemia, a vida em Portugal era bastante despreocupada. O uso de máscaras, por exemplo, era um conceito completamente estranho e impensável. Isto, a meu ver, revela uma certa sensação de imunidade, tendo em conta que o nosso estatuto de país desenvolvido europeu garante uma proteção contra todo o tipo de doenças graves e é impossível que algo nos afete, pois temos os melhores sistemas de saúde do mundo. Um exemplo deste pensamento é a epidemia do vírus Ébola que, em 2014, surgiu na África ocidental. A população europeia não sofreu quaisquer danos com esta doença, fortalecendo a ideia de que este tipo de cenários apenas acontece em locais distantes e desprevenidos. O mesmo aconteceu no final do ano passado, quando o vírus surgiu em Wuhan. Penso que este tenha sido subestimado, não pelo governo chinês, pois,  a meu ver, este agiu bastante bem, mas pelos outros governos que subestimaram a situação, pensando que apenas iria atingir os países asiáticos. Este foi visto até como uma oportunidade económica visto que, caso o maior exportador do mundo não consiguisse manter a resposta à procura, este vácuo seria preenchido pelos países europeus ou norte americanos. Este pensamento foi fortemente abalado e defendo que foi uma das grandes desvantagens que este infeliz acontecimento nos trouxe.<br><br></div><div>Atualmente vivem-se tempos incertos, apesar de a situação estar a ficar controlada, não é claro quando regressará a prosperidade económica e o nosso estilo de vida habitual,  que poderá nunca voltar ao normal, tendo em conta que a maneira despreocupada como vivemos não é a mais indicada na prevenção destes cenários. Outro aspeto que acho relevante referir é a moralidade de ficar em casa, considerando que no ano anterior abordámos essa tema, explorando as ideias de dois filósofos: Emmanuel Kant e Stuart Mill. Irei, no entanto, abordar a perspetiva de Kant neste assunto, pois foi a que considerei mais pertinente.<br><br></div><div> Para que as ações sejam consideradas morais, devem enquadrar-se no que é estabelecido pela lei moral, ou seja, cumprir o dever pelo dever, sem qualquer tipo de intenção, interesse ou condição, e a ação deve ser um fim em si mesma. Nesta situação específica, considerando que o dever da população é manter-se em casa em isolamento social, a ação tem valor moral se o isolamento praticado pelos indivíduos tem como justificação ficar em casa porque é o seu dever ficar em casa. Ou seja, o único motivo na base da sua decisão é a vontade de agir corretamente pelo que, neste caso, ficar em casa é considerado um fim em si mesmo. Considero, por isso, que a grande maioria da população portuguesa agiu com moralidade, pois acredito genuinamente que fazemos este ato nobre apenas por ser o nosso dever como cidadãos. O mesmo não acontece em países com regimes mais autoritários, como a China, que optou por métodos menos morais para “incentivar” a sua população a ficar em casa. Julgo, portanto, que a população portuguesa, apesar de se revelar um pouco menos eficaz na contenção do vírus, possui certamente mais valor moral, pois decide contribuir para uma causa não porque lhe é fortemente imposto pelo Governo, mas sim porque é o seu dever ajudar o mundo.<br><br></div><div>Estou bastante otimista em relação ao futuro, pois acredito que esta pandemia foi adequada para nos preparar para as próximas que poderão vir, isto é, obviamente é uma doença horrível e já causou inúmeras mortes, porém não apresenta uma taxa de mortalidade e letalidade muito alta (não estou a desvalorizar a situação, obviamente, porque tenho a noção que, caso uma grande parte da população fique infetada, as mortes serão imensas pois apenas 1% de 7 milhares de milhão é um número gigantesco). Felizmente, isto significa que, caso no futuro uma doença com um caráter mais agressivo surja, não terá tanto impacto,  pois já estaremos preparados e habituados ao procedimento a seguir. Uma analogia possível ao meu argumento é a seguinte: na escola é obrigatório aprender os procedimentos a seguir em caso de terramoto, no entanto, como nunca presenciei a ocorrência de um terramoto, penso que essa possibilidade é muito remota. Porém, caso ocorra terramoto na minha área de residência, ficarei com a ideia de que, em caso de reincidência, irei estar mais bem preparado. Se este terramoto for de pequena intensidade será mais vantajoso, pois irá preparar-me para futuros abalos mais intensos. Concluo, assim, que este terramoto de média intensidade é essencial para nos fazer lembrar que estes existem.  </div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 14:39:01 UTC</pubDate>
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         <title>O antes,  o agora e o depois do Covid-19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div> </div><div>A cada dia que esta quarentena vai passando; a cada dia que mais um óbito aparece; a cada dia que estamos mais perto do fim independentemente de quando ele possa ocorrer, a minha personalidade vai mudando no sentido de aprender a fazer o correto,  seja isso o que quero para mim ou não,  e de me consciencializar de que nada dura para sempre. A liberdade anteriormente era maior, a socialização e o toque carnal com as pessoas ao nosso redor eram vividos de uma forma que não se imaginava que pudessem acabar. Vivia num meio rodeado de pessoas que não  davam  a importância devida a atos ou gestos como lavar as mãos, espirrar ou tossir para um braço, enfim,  vivia num mundo onde parecia que com todas estas tecnologias contemporâneas satisfaria todas as necessidades, não precisaríamos mais de nos preocupar com uma questão mundial de saúde. Em suma, o antes,  devido ao seu ritmo monótono,  acaba por não ter tanto pormenor para relatar, mas o agora e o depois, esses sim, são os pontos a que presto especial foco. </div><div>Atualmente, de um ponto de vista ambiental, esta estirpe do coronavírus causou um abalo no funcionamento industrial, no departamento da economia entre muitos outros, o que consequentemente levou a que já se comece a notar um melhoramento ambiental e uma menor taxa de poluição a nível global. Sentado na secretária de casa, dou graças por viver na aldeia, independentemente das condições em que vivemos. Posso desfrutar um pouco mais do ar puro e da liberdade que a vida me dá em comparação às populações que habitam no meio urbano. Sinto que a situação,  neste momento,  está um pouco mais controlada que outrora, muitas pessoas passaram a aperceber-se de que devemos aproveitar cada momento que vivemos em liberdade pois,  quando menos esperamos,  isso pode-nos ser tirado. Apesar de todos os avisos e alertas que tanto os meios de comunicação como pessoas influentes já deram em relação às pessoas da faixa etária dos 70 anos para cima, na minha opinião, muitas delas não se apercebem ainda do quão grave esta pandemia é, o que reflete as mentalidades e épocas em que estas pessoas estavam antes inseridas. Devido a isto, creio que muitos de nós, enquanto “jovens adultos”, devemos e estamos a tomar uma posição de decidirmos fazer o que é mais correto sem sucumbirmos às nossas vontades superficiais, de modo a darmos o exemplo às populações que não veem a gravidade do problema pelo qual estamos a passar e por só ganharem consciência dele quando nos vier bater à porta de casa, como uma testemunha de Jeová. Em relação a isto tudo, apenas sinto pena por estar a conseguir ter tempo para certos passatempos e por me estar a tornar melhor pessoa apenas devido a esta pandemia e devido a todas as pessoas que acabaram por findar. </div><div>Um assunto que me inquieta acaba por ser a celebração do 25 de abril em plena pandemia, tendo o nosso governo permitido a aglomeração de mais de 100 pessoas  para esta celebração,  mas não aceita um número superior a 10 pessoas num funeral de alguém que foi e é especial para as pessoas que outrora o rodearam, isto deixa-me bastante triste e revoltado. </div><div>O amanhã, o depois desta situação mundial,  ainda é muito visto pela retina de todos nós como um monte de cenários baseados em suposições,  pois acabamos por não ter certezas do que vai acontecer no futuro. Na minha opinião, a espécie humana vai ultrapassar esta fase e recuperar, e num futuro não muito longínquo regressaremos ao <em>mind set</em> e aos hábitos que anteriormente praticávamos. Com o avançar do tempo,  vamos voltando ao normal,  tanto a nível psicológico como a nível económico, industrial e,  infelizmente,  ambientais. Devido à pandemia,  muitos futuros caminhos irão ser desviados, mas creio que portas para novos caminhos se abrirão. </div><div>Concluindo este tema, devemos manter-nos  positivos, zelar por toda a nossa raça e fazer o melhor para sermos bons cidadãos, pois nestes momentos o esforço de todos importa... O mundo muda a cada gesto nosso! </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 15:01:24 UTC</pubDate>
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         <title>Fé na Ciência e Ciência com Fé</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>O ser humano habita o planeta azul há já 350 mil anos… parece-nos muito tempo. Todavia, ao olharmos para os antigos e reconhecidos dinossauros, já somos mais insignificantes e ignorantes, uma vez que estes permaneceram na Terra cerca de 180 milhões de anos; eram, certamente, bastante mais conhecedores deste lugar do que nós somos. Mas o que são 180 milhões nos 4600 milhões de anos de existência desta rocha gigante que possui água nos três estados físicos?<br><br></div><div>O que pretendo com este preâmbulo é fazê-lo pensar no irrisório valor do Homem na história da Terra. Esta já é “senhora do seu nariz” e matura o suficiente para lidar com os seus problemas, a partir do momento em que está em constante processo defensivo face a uma ameaça como o Sol, que dizimou Marte por ser mais frágil e que, no entanto, está mais distante desta estrela. Assim sendo, o SARS-CoV-2, pelo menos a meu ver, é só mais um “ralhete” da mãe Natureza, que visa proteger-se a si e aos seus. Se repararmos bem, o nosso planeta concebe frequentemente formas de salvaguarda e auto-preservação: a gripe espanhola no século XX, a cólera no século XIX, a peste negra no século XIV… <br><br></div><div>O coronavírus nada mais é do que mais um reflexo da já mencionada insipiência do <em>Homo Sapiens</em>, que ainda acredita que pode manipular o planeta a seu proveito, sem se lembrar que a Natureza sempre castiga. A nova geração dos pixéis retro iluminados (na qual eu me incluo) está simplesmente a viver uma situação de aula prática, cuja matéria corresponde a promoções de respeito interpessoal e estima pela nossa grande casa e que, de uma forma ou de outra, noutro contexto ou não, mais intensamente ou mais suavemente, todas as gerações passadas já experienciaram, o que não quer dizer que tenham aprendido…. As minhas condolências para todos os que partiram às mãos desta pandemia, mas apenas com sobressaltos deste género é possível alertar e educar as populações de todo o mundo de uma forma bastante eficaz, infelizmente. Não creio de todo que cartazes, ações de sensibilização e anúncios na internet sejam o suficiente para mudar mentalidades. Pelo menos, nem sempre. <br><br></div><div>O planeta azul sente-se mais uma vez em apuros e toma medidas drásticas, que funcionam, para remediar os seus transtornos… Com a visita do SARS-CoV-2, as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera reduziram substancialmente, assim como a poluição sonora. Em Portugal, as organizações políticas colocaram questões governamentais de parte e a oposição tornou-se apoiante de uma causa que todos visamos resolver; no entanto, é deplorável que tal união não aconteça a nível global. O nosso bem mais essencial, a água, tem-se purificado extraordinariamente por rios e oceanos, ao ponto de golfinhos e cisnes terem passeado pelas águas de Veneza!<br><br></div><div>Agora,  surge o argumento que pode abalar as minhas conceções acerca da origem do coronavírus… Teorias, da conspiração ou não, afirmam que o SARS-CoV-2 foi sintetizado por cientistas chineses, com determinados propósitos; um plano magicado ao pormenor recheado de desejos. Até se diz que estes já desconfiavam desta pandemia desde 2007. O que é certo é que a China está a conquistar imenso território em diversos mercados, como das tecnologias e das carnes. Porém, se pensarmos de novo nas ideias do primeiro e segundo parágrafos, podemos chegar à conclusão de que as pequenas sinapses que ocorreram no cérebro desses indivíduos não foram aleatórias, a Natureza promoveu esses pensamentos… Não obstante, e custa-me afirmar isto, quem sabe se isto é fruto de uma pressão do governo chinês que, como temos em mente, não é propriamente um exemplo de aplicação correta dos direitos humanos…<br><br></div><div>Pensemos agora o necessário e o relevante sobre questões financeiras e oportunidades de lucro relacionados com a COVID-19… já está.<br><br></div><div>Caso algum ministro ou “dono disto tudo” cuja paixão seja o dinheiro, estiver a ler esta crítica reflexão, aqui vai um lembrete, um respeitoso e bem-intencionado lembrete: se o Sr. Doutor continuar a pensar apenas no seu lucro e menoscabar os estragos causados pelo coronavírus, já não terá ninguém em quem mandar e ninguém com quem negociar! Não deixe que tal desgraça aconteça, Sr. Doutor! O que seria de si sem os seus divinos poderes!<br><br></div><div>Considero quase repugnante os capitalistas egocêntricos que visam unicamente encher ainda mais as suas contas bancárias durante esta ominosa pandemia… Tomemos como exemplo o presidente dos Estados Unidos da América, país este outrora exemplo mundial da democracia, Donald Trump. Qual a justificação para a compra da futura vacina contra o coronavírus à China? A pior parte é que também vemos indivíduos em classes sociais ditas mais baixas, que compram metade do stock dos supermercados para uso exclusivamente próprio. Não há melhor altura que esta para estarmos unidos e pensarmos e agirmos como um todo, egoísmos não são equacionáveis! Já dizia José Saramago:<br><br></div><div>“O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for suscetível de servir os nossos interesses”.<br><br></div><div>Falámos de passado e falámos de presente. Resolvendo umas equações de lógica, creio que o futuro será algo beneficiado com a COVID-19.<br><br></div><div>Como disse o nosso Primeiro-Ministro, “vamos todos ficar mais pobres”. Contudo, esta frase permite diferentes interpretações… Se estivermos a falar de poder económico e margens de lucro, se estivermos a falar de vidas… acho que todos concordamos com António Costa. Todavia, se estivermos a falar de respeito pelo próximo, solidariedade e questões ambientais, ficaremos decerto mais abonados, sendo este o objetivo da já mencionada “aula” que a Terra nos está a dar. As populações de hoje em dia, principalmente as dos países desenvolvidos, pelo conforto e pelos bens que obtêm com relativa facilidade, esqueceram certos valores relevantes e fundamentais para que possamos viver num planeta mais saudável. Oxalá tenhamos um mundo mais humilde e mais justo, para tentarmos minimizar o peso melancólico que tantos falecimentos provocaram e estão a provocar. Oxalá tenhamos um globo mais “cientificado” e atento, para que empresas como a AB InBev não sofram sem razão alguma. É o mínimo que os que por cá ficam podem exercer. <br><br></div><div>“Temos de preparar-nos para o pior, desejando que aconteça o melhor”. É hora de mostrarmos por que nos distinguimos de toda a fauna; resolvamos e findemos este episódio e aprendamos o máximo possível com o mesmo, como é suposto. Tenhamos fé na ciência e que a ciência lute com fé.<br><br></div><div> <br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 16:34:07 UTC</pubDate>
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         <title>O antes, o agora e o depois do Covid-19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>Estou zangada com o mundo. Se calhar,  é mais comigo do que com outra coisa, mas prefiro culpá-lo a ele. Não tenho razão de queixa, estes anos todos a escrever sobre a vontade de me sentar naquela poltrona amarela, muitas vezes sem realmente o  poder fazer; agora tenho tempo para isso. Mas não tenho coragem suficiente para me enfrentar; para parar, olhar-me, chorar e rir. Pensar no antes e no depois, e também, talvez,  no agora…<br><br></div><div>Acordei e…mais um dia…Era sexta-feira. Demorei a perceber o que estava a causar toda a ansiedade e o <em>stress</em> que estava a sentir. Aos poucos, aquela dor aguda ia começando a crescer no peito. Sentei-me na cama. Era a semana de ERASMUS e felizmente estava a chegar ao fim. Não posso mentir, era suposto ter sido uma semana excelente, cheia de coisas boas, de muito convívio, numa mistura de culturas. Mas não foi. Acabou por se tornar numa semana simplesmente stressante, tentando, ao máximo, dar o meu melhor, para que a rapariga, a Jennifer, que partilhou e chamou casa à minha casa se sentisse bem, feliz e que estava a fazer daquela semana uma das melhores semanas da sua vida. Mas nunca senti nenhum retorno da parte dela e isso foi simplesmente frustrante.<br><br></div><div>Então, ao longo daquele dia, com todos os professores a alertarem-nos para o que aí vinha, ver as notícias do problema em Itália a espalhar-se, o medo a instalar-se e a conseguir-se sentir no ar, o único desejo que sentia no meu pequeno coração era poder despedir-me dela e fechar-me em casa com a minha família. <br><br></div><div>Assim, decidi ir para casa à uma, coisa que ainda não tinha acontecido nessa semana. A Jennifer começava a ficar doente e eu não podia adivinhar o que era… A minha preocupação crescia cada vez mais. Mas não me estava a aperceber o que estava a acontecer… Despedi-me de todos os meus amigos na AE com grande frieza porque tinha, simplesmente, a cabeça envolta em mil e um pensamentos. Mas recebi um adeus muito caloroso e isso fez-me ficar feliz. Era só um dia mau, com eles ao meu lado, melhores viriam. Saímos da portaria, eu e ela. Não me apercebi que fora, talvez, o último dia de secundário e só muito dificilmente eu voltaria ali para ter aulas. Mas eu não sabia, como é que haveria de saber? <br><br></div><div>Já à espera para entrar no autocarro,  vi ao longe o Guilherme. Eu tinha de entrar, a fila já tinha acabado e o condutor olhava impacientemente para mim. Então ele correu, abraçou-me com muita força, disse-me o quanto gostava de mim e eu dei-lhe um beijo na testa, meio à pressa. Não sei se dei, sequer, o devido valor ao momento. A última coisa que vi quando me sentei ao lado de Jennifer no autocarro foi o sorriso dele a olhar para mim. Foi a última vez que o vi. A ele e a todos os outros, e nem reparei.<br><br></div><div>Hoje… Bem hoje, acordei (rabugenta, já que o meu horário deixou de ter horas decentes e adivinhando o dia que tinha pela frente), acordei o meu irmão, que vendo pela expressão, não estava muito diferente de mim, vesti-me a rigor, com perfume e tudo (há coisas que não se podem perder pelo bem-estar da saúde mental), não tive tempo para comer porque já estava atrasada e fui para o escritório, com a cabeça enfiada, ora nos livros, ora no ecrã, para ter as chamadas aulas. E a manhã passa e a tarde passa também. Calmamente, sem pressas, mas quando damos por isso já o sol se pôs e o jantar está a ser servido na cozinha. É difícil ocupar o tempo, vou ser sincera, mas descobrir como, é a parte mais engraçada.<br><br></div><div>Podia, agora, inventar um dia do futuro, mas não quero. Na verdade, tenho medo de o fazer. Pôr as minhas esperanças (e que grandes esperanças!) aqui para um dia perceber que estava enganada só me magoaria mais. Não sei se voltaremos à normalidade ou não, não sei se o normal vai ganhar um novo significado. Acho que os maiores desejos vão ser os maiores medos das pessoas. O futuro vai ser feito de reencontros desencontrados, de abraços tímidos e recatados. Isto se a sociedade não endoidecer e achar que já não há mais problemas depois do Covid ser controlado, mas todo o cuidado será pouco. Talvez, o futuro será os sensatos a sofrerem com erros daqueles que têm pouco amor à própria vida e à dos outros sem saberem. Tal como está a ser, um bocadinho, no presente.<br><br></div><div>Sem querer, acabei por sentar-me na poltrona amarelo-torrado num bonito pôr do sol. A linha do comboio está à minha frente, mas há muito que já não vejo lá qualquer tipo de movimento. E ainda bem. A vida é para parar. E isso não significa que nós paremos. Talvez signifique que temos de mudar de vida. E, apesar de ser assustador, é bonito. <br><br></div><div>Se há coisa que reparei nesta quarentena é que estamos a crescer. Especialmente as pessoas da minha idade, que estão num ano minimamente crítico, e que se veem com a vida incerta. Estamos a crescer de forma dolorosa, talvez, mas estamos a aprender a passar por sacrifícios e, por isso, estamos a aprender a viver. Não tivemos noção, mas a vida como a conhecíamos acabou. Daqui para a frente,  só há desconhecido e, ainda assim, e apesar de toda a ansiedade que já faz parte da rotina, continuamos com uma esperança inabalável.<br><br></div><div>Quero voltar ao antes que nunca voltará a existir. Quero sair de um agora que não sei se existe realmente ou se é sonho. Quero ir para um futuro que provavelmente não irá acontecer.  Se não houvesse esperança, o que seria de nós…<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 16:51:19 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div>Alguém me persegue. Nunca tive o prazer de observar as suas feições, nem de conhecer a sua personalidade… mas esteve sempre presente nos melhores momentos da minha vida. Alguém que se fica pelas sombras e planos de fundo mas, definitivamente, não menos relevante. Foi intensamente motivadora em momentos de adrenalina, apoiante de instintos apaixonados, suporte das minhas criações e alvo de admiração.</div><div> </div><div>Há algum tempo, ouvi dizer que acordou com um certo sintoma de enjoo, o que resultou numa perda de consciência. A partir desse momento, encontra-se em estado de coma, sendo dessa forma que passou os quarenta dias seguintes.</div><div>Desde então, não tenho sido a mesma. No dia em que recebi a notícia, estremeci. Durante a noite, sonhei que uma serpente me esperava do outro lado da porta do quarto e, por isso, decidi não correr o risco de sair, pois o seu som sibilante não é menos assustador que a sua possível mordida.</div><div> </div><div>Mantenho-me fechada durante esta verosímil alucinação. Perco a capacidade de formar representações das relações entre mim e os outros e já não sei como orientar o meu comportamento, porque não tenho experienciado circunstâncias sociais, mas não me culpo pelo meu estado. Só desejo o regresso de quem por mim zelava e que o coma seja reversível. Contudo, sei que, independentemente da sua situação, a sua existência é-me garantida, enquanto mantiverem as máquinas ligadas, cabendo-me a mim fazer-lhe justiça e encarnar os seus propósitos.</div><div>Hoje, dia número quarenta e um desta espera, deram-me, finalmente, permissão para ir visitá-la ao hospital. Quando entro no quarto, o leitor de atividade cardíaca dispara, o que me faz libertar um grito de espanto. Corro para quem está prestes a acordar daquele estado vegetativo e decido olhar-lhe nos olhos, sentindo-me mais viva que a pessoa que fito.</div><div>Um dos médicos entra de rompante e, enquanto pensa em voz alta, anota simultaneamente na respetiva ficha de diagnóstico:</div><div>- Nome do paciente: Liberdade</div><div>- Registo diário: Acordou pelas 19.38…</div><div>- Indicações: Cuidar em cada instante.</div><div> </div><div>Alguém me persegue e eu espero. Espero, porque a história ficou forjada na minha memória, assim como a certeza de que nada voltará a ser o mesmo. E por isso espero. E por isso se constituiu um ponto de viragem, um momento decisivo, em que a Liberdade desperta da letargia, com as mesmas feições, a mesma personalidade, mas com um valor incomensuravelmente diferente. <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-05-21 16:58:29 UTC</pubDate>
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         <title>O Antes, o Presente e o Futuro da Humanidade. Covid-19</title>
         <author>AtualizarCamoes</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>O ano 2020 começou,  não da forma que muitos tinham idealizado…Muitas pessoas, incluindo eu, presumiram que o início desta nova década iria ser a fase ideal para uma mudança, iria ser um suporte para a construção de uma nova trajetória da nossa existência, no entanto, a Vida, aparentemente,  tinha um plano díspar que,  sem sabermos,  iria guiar-nos para um trilho desconhecido e inexplorado, um trilho que pensávamos que só existia em histórias já perdidas no bolso do velho tempo.</div><div>“Coronavírus”, algo que, de um momento para o outro, sem nos  apercebermos,  remodelou, perturbou e ameaçou a (frágil) realidade de cada ser humano, sendo  capaz de mudar radicalmente milhões de vidas, algumas até ao ponto de não terem retorno ou volta a dar. O mundo inteiro  deparou-se  com uma crise, contudo, não é  (só ou sobretudo) financeira e não  decorre de conflitos e,  surpreendentemente, também não é uma crise de  recursos. Não, estamos a ser confrontados com uma crise invulgar, aliás, posso dizer que é uma crise “muito especial”, mas porquê especial? Ao longo desta reflexão irei fundamentar o porquê de considerar esta crise como “especial”.<br><br></div><div> Partindo do momento anterior a este evento se tornar universal, a Humanidade parecia comportar-se como se estivesse a olhar para um vidro ao longe, ela conseguia ver o que estava a acontecer do outro lado do vidro porém, devido ao vidro que criara uma parede falsa que concedia uma ilusão de sensação de segurança, e devido à distância que cobria os pequenos buracos dessa mesma parede, a Humanidade continuou o seu longo caminho na estrada da ignorância. Penso que é como dizem, “Tempo é dinheiro”, é assim que o nosso Mundo gira e segue, é escusado dizer o contrário (ainda que, claro e felizmente, existam exceções), no entanto, hoje em dia é isso que preocupa a maior parte da sociedade, conseguir manter a cabeça fora de água para conseguir respirar e até mesmo na iminência de uma mudança inesperada e surreal, ela não consegue parar e processar o que está a ocorrer fora do seu pequeno mundo.</div><div> Era uma nova luta, aliás, era uma luta já vivida por gerações anteriores, porém sem heróis para contar os horrores vividos ou para contar como ultrapassar este tipo de adversidade, apenas restavam pequenas porções da verdadeira história, tínhamo-nos  deparado com uma nova realidade, não tínhamos consciência da “bomba” que aí vinha e que iria romper a nossa chamada “normalidade”. Eu penso que o que nos ajudou a respirar nesta fase “pré-Presente” foi a convicção, a esperança (que é ignorante, porém reconfortante), o pensamento segundo o qual “Isso não irá chegar aqui”, “Se chegar,  não irá ter grande impacto”, “Vai tudo correr bem”. Suponho que isto foi um fator que nos ajudou a sobreviver durante a época difícil do “antes”.</div><div>O Presente é bastante difícil de descrever porque,  para mim, acho que é incorreto generalizarmos a “experiência” que este novo trilho nos está a sujeitar. Cada pessoa tem a sua própria e única perceção e emoções em relação a este caminho. Como exemplo, e expressando agora o que este caminho me tem dado, para mim esta situação toda é agridoce, má e mesmo agonizante, pelo facto de as  pessoas estarem  a sofrer. Não me refiro unicamente aos infetados do vírus, que são o “olho da tempestade”, refiro-me a médicos e profissionais de saúde que,  com espírito de sacrifício,  para além de lutar pela sua sobrevivência, tentando não serem também infetados pelo coronavírus, lutam pela sobrevivência do seu próximo e dão tudo o que têm,  e atrevo-me a dizer tudo e muito mais do que têm, para conseguir assegurar o bem-estar do seu semelhante. Refiro-me, também, não só a quem está na linha da frente, mas ainda a quem está a defender  todas as pessoas que, com esta situação estão emocionalmente instáveis, em risco de entrar em depressão, em quem a esperança de que a sua vida normal irá voltar já morreu. Este é o lado negro que vejo no caminho que estamos a percorrer. <br><br></div><div>Contrariamente a essas pessoas, eu também consigo vislumbrar o lado bom deste caminho confuso e atribulado: com esta situação, a humanidade do Antes mudou ao transitar para esta nova realidade. Estou certo de que nesta Humanidade do Presente o dinheiro já não tem lugar no topo da pirâmide de valores em muitos indivíduos, subitamente a Humanidade do Presente já não precisa de correr atrás do dinheiro para manter a sua cabeça fora de água! Não, este caminho acabou por “obrigar-nos” a parar e a refletir, a colocar em perspetiva o que realmente é relevante na nossa vida, algo tão simples e que esteve sempre presente e ao nosso alcance: a família, os amigos e inclusivamente nós mesmos. Estas pequenas e simples coisas que pensávamos que estavam guardadas e encaixadas no sítio certo subiram drasticamente de patamar e, de repente, o que para nós era mais comum tornou-se mais raro e especial. Sendo sincero, desde que foi anunciada a quarentena e desde o fecho das escolas não senti diferença, era como se fossem férias, continuava a falar e a conviver com os meus amigos, ia a casa dos meus primos, a minha vida continuava e este tempo realmente obrigou-me a pensar: “Com isto tudo que está a acontecer, como é que continuo com uma vida normal?”. No final cheguei à conclusão de que não posso nem tenho o direito de dizer que tenho uma vida má em qualquer circunstância, cheguei à conclusão que sou um rapaz que pode dizer que tem muita sorte por ter o que tem. Tenho uma família unida, tenho amigos com que posso contar para a vida, vivo num lugar que me enche o coração de alegria, a minha infância é algo que agradeço muito por a ter vivido da forma como a vivi, uma infância que não só ergueu como arquitetou a pessoa que hoje sou, uma infância que me ensinou valores que são como pilares de betão maciço para mim. Este novo e inesperado caminho levou-me a pensar sobre a minha vida e a colocar em perspetiva todos os seus detalhes, algo que  no momento do Antes não era possível atingir.<br><br></div><div>  Por último, temos a Humanidade do Futuro e o momento pós-pandemia. Imagino que em todos os trabalhos sobre este tema o Futuro irá ser o que mais irá divergir, pois, afinal de contas, falar sobre o Futuro é uma janela aberta para o indivíduo interior que cada um de nós tem cá dentro.</div><div>Para compreender melhor a minha perspetiva sobre a Humanidade do Futuro,  irei dividir o Futuro em dois “subtempos”, o pré-Futuro,  que consiste no tempo que a Humanidade irá requerer para estabilizar (após o fim desta pandemia, pelo menos até os casos diminuírem de forma exorbitante), e o pós-Futuro,  que consiste no tempo em que a Humanidade praticamente já atravessou o caminho que surgira anteriormente.</div><div>Na época do pré-Futuro, vejo a Humanidade do Futuro como descendente da Humanidade do Presente, poderá já estar a viver a sua própria vida porém, com os valores ainda da Humanidade do Presente (família, amizade...), e não com a vida ofegante da Humanidade do Passado (com as vidas a serem movidas pelo dinheiro e interesses pessoais). No entanto, irá ocorrer um processo semelhante ao Ciclo da Água, independentemente da mudança do seu estado físico, é apenas uma questão de tempo até ela voltar ao seu estado mais estável e comum. O que quero eu dizer com esta analogia? Quero dizer que, apesar de uma grande mudança acontecer na vida da Humanidade, é apenas uma questão de tempo até ela voltar ao seu estado normal e estável, que infelizmente é um estado maioritariamente de interesses e dinheiro. Sinceramente, esta ideia não é estável na minha cabeça, há sempre uma voz que diz: </div><div>“ Não! Irá ser diferente, nós somos mais do que interesses, nós temos emoções, nós conseguimos mudar o mundo!” porém, por vezes o realismo surge e em certos casos fico convicto de que o Futuro da Humanidade irá voltar ao seu estado firme.</div><div>Com isto, finalmente, chega a conclusão. Inicialmente batizei esta crise como especial pelo facto de não só nos estar a entristecer, criando pânico e corroendo a nossa esperança, como também de nos fazer relembrar o que é mais importante nas nossas vidas e o porquê de não desistirmos dela. Este novo capítulo criado pelo recente vírus expõe a forma ofegante, incauta e inadvertida como vivíamos a nossa vida antes deste evento, impondo-nos a necessidade de parar e de pensar sobre uma das coisas mais incríveis e inexplicáveis que temos, a nossa própria vida.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-02 21:23:07 UTC</pubDate>
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         <title>Top Di+</title>
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         <description><![CDATA[<div>Gostei muito de ler este texto, sinto-me completo agora &lt;3 obrigado por influenciares a minha minha vida</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-18 13:28:21 UTC</pubDate>
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         <title>Top Di+2</title>
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         <description><![CDATA[<blockquote><pre>Também gostei muito de ler este texto. Acho que tens um <em><del>futuro </del></em>muito <strong><em>brilhante</em></strong> pela frente! <em>Obrigado</em> por também <strong>influenciares</strong> a minha vida &lt;3&lt;3&lt;3&lt;3 </pre></blockquote>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-18 13:30:42 UTC</pubDate>
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