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      <title>CULMINÂNCIA DAS ELETIVAS - RACIONAIS MC´S SOBREVIVENDO NO INFERNO by </title>
      <link>https://padlet.com/simonebarbeiro/vu8naah5eqk7xtbz</link>
      <description>INTERPRETAÇÃO SOBRE A OBRA LITERÁRIA</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-06-28 21:53:55 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>simonebarbeiro</author>
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         <description><![CDATA[<div>A cultura <em>hip hop </em>nasceu nos Estados Unidos, mais especificamente no Brooklyn e no Bronx, dois bairros de Nova Iorque. Seu contexto é o da década de 1970, quando as grandes cidades estadunidenses enfrentaram uma crise em decorrência da&nbsp; esindustrialização1, o que as fez mergulhar em um cenário de violência urbana, consumo de drogas, racismo, opressão policial, injustiça estatal e, principalmente, desigualdade social. As maiores vítimas desse quadro eram os mais vulneráveis economicamente: negros e latinos. O <em>hip hop </em>surgiu, então, como reação a esse contexto adverso.</div><div>&nbsp;</div><div>De acordo com Afrika Bambaatta (nome artístico de Lance Taylor), o <em>hip hop </em>consiste em um ideal que reúne dança (<em>break</em>), arte plástica (grafite) e música <em>(rap</em>). Essa última vertente conta com a figura do DJ (“disk jockey”), que é o artista que manipula o equipamento de som, e o <em>rapper </em>ou MC (“master of ceremony”, isto é, o mestre de cerimônia), que é o artista que canta. Conectando todas essas manifestações está o “conhecimento”, que é a filosofia, a visão de mundo que orienta o <em>hip hop.</em></div><div><em>&nbsp;</em></div><div>No princípio, essa cultura servia para reunir jovens em competições artísticas, com destaque para o canto e a dança, o que serviu para apaziguá-los, pois os desviou da</div><div>violência das gangues que aterrorizavam os bairros pobres de Nova Iorque. Criou-se, assim, um ideal do homem como ser dançante, o que já estava indicado nos termos</div><div>que nomeiam esse movimento: “to hip” em inglês quer dizer “mexer os quadris” e “to hop”, saltar. Tais ações podem até ser entendidas como metáforas do resultado final do <em>hip hop</em>: mexer os quadris e saltar para mexer a mente e saltar na autoestima. Em outras palavras, ocorreu uma socialização de ascensão, uma positivação das marcas identitárias desses adolescentes: ser negro ou latino, ser periférico não era mais motivo de vergonha.</div><div>&nbsp;</div><div>Obviamente, tal postura contrariava o <em>status quo</em>, que entendia que grupos sociais minoritários deveriam se enxergar e se manter como inferiores. O <em>hip hop </em>assumiu,</div><div>assim, uma atitude contestadora, natural nos jovens.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-28 22:19:01 UTC</pubDate>
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         <author>simonebarbeiro</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>&nbsp;O Racionais MC’s</strong></div><div>&nbsp;</div><div>Composto por Mano Brown (Pedro Paulo Soares Pereira), Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edi Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões), o Racionais MC’s é o mais importante grupo de <em>rap </em>do Brasil.</div><div>&nbsp;</div><div>Inicialmente, na época da chegada do <em>hip hop </em>ao</div><div>nosso país, pelos idos da primeira metade da década de</div><div>1980, Mano Brown e Ice Blue, que frequentavam a região</div><div>da estação São Bento do metrô, criaram a dupla BBBoys</div><div>(Black Bad Boys), que confessadamente admirava Edi</div><div>Rock e KL Jay, tidos como mais cultos. Os dois pares</div><div>participam pouco depois, em 1988, de um álbum,</div><div><em>Coletânea Brasil vol 1, </em>do qual foram os destaques – o</div><div>primeiro dueto, com o <em>single </em>“Pânico na Zona Sul”; o</div><div>segundo, com “Beco sem saída”.</div><div>&nbsp;</div><div>Os inspiradores desses quatro jovens foram o produtor</div><div>musical Milton Sales, responsável pelo ativismo político</div><div>do <em>hip hop </em>na época, e DJ Thaíde, que acompanhavam em</div><div>programas de televisão. Por meio desse último, tomaram</div><div>conhecimento de grupos de <em>rap </em>como Public Enemy e</div><div>Run DMC, que representavam a vertente mais engajada</div><div>do estilo nos Estados Unidos. O contato com o segundo</div><div>grupo foi mais marcante, pois permitiu que os <em>rappers</em></div><div>percebessem o empoderamento do negro estadunidense,</div><div>que, com o trabalho planejado de gestos e vestimentas,</div><div>constituía o fortalecimento de uma identidade étnica.</div><div>Criam então o Racionais MC’s.</div><div>&nbsp;</div><div>A explicação para esse nome é ao mesmo tempo</div><div>complexa e interessante. A palavra “racionais” anuncia a</div><div>intenção de se afastar do <em>rap </em>da geração anterior, que, por</div><div>ser de “estorinha”, era visto como bobo, frívolo,</div><div>superficial. Além disso, constituiu uma referência ao disco</div><div><em>Racional </em>(1975), de Tim Maia (1942-1998), ídolo do</div><div>universo afro-brasileiro. E o “MC” vinha de Run DMC.</div><div>&nbsp;</div><div>O primeiro álbum do grupo é <em>Holocausto urbano</em></div><div>(1990), que vendeu 200 mil cópias, prodígio que torna os</div><div><em>rappers </em>conhecidos e respeitados na periferia paulistana.</div><div>O resultado consagrador é o Racionais MC’s abrir, em</div><div>1991, o célebre show do Public Enemy no Ibirapuera, em</div><div>São Paulo.</div><div>&nbsp;</div><div>Em 1993, mais sucesso. É o ano em que o grupo</div><div>integra o programa “Rap... ensando a Educação”, da</div><div>prefeitura de São Paulo. É também quando lança <em>Raio-X</em></div><div><em>do Brasil</em>, que emplaca “Fim de semana no parque” e</div><div>“Homem na estrada”. A primeira obtém o feito de se</div><div>tornar a primeira música a ser tocada nas emissoras de FM</div><div>fora do circuito do <em>hip hop</em>. A segunda ganhou em 1994 o</div><div>prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte</div><div>(APCA). E foi por causa dessa composição, tocada no</div><div>Vale do Anhangabaú, durante o evento “Rap no Vale”, que</div><div>o Racionais MC’s foi preso por incitação à violência. Esse</div><div>era apenas o começo dos problemas que sempre seus</div><div>membros teriam com o <em>stablishment</em>. Anos depois (2007),</div><div>durante a Virada Cultural, na Praça da Sé, também em São</div><div>Paulo, seu show se transformou em um campo de batalha</div><div>entre o público e a polícia. Essa relação explosiva está</div><div>presente até na atualidade.</div><div>&nbsp;</div><div>Em 1997, vinha a consagração máxima: é publicado</div><div><em>Sobrevivendo no inferno</em>. O álbum atingiu o prodígio de</div><div>vender 1,5 milhão de cópias até hoje, o que é notável ainda</div><div>mais por se tratar de um lançamento por selo próprio, o</div><div>Cosa Nostra. A obra se tornou o marco divisório do</div><div>gênero, a ponto de se dizer que o <em>rap </em>brasileiro tem dois</div><div>momentos: o anterior e o posterior ao surgimento desse</div><div>disco.</div><div>&nbsp;</div><div>Em 1998, os videoclipes “Mágico de Oz” e “Diário</div><div>de um detento”, de <em>Sobrevivendo no inferno</em>, são lançados.</div><div>O último foi eleito o melhor clipe de <em>rap </em>pelo VMB da</div><div>MTV Brasil. Além disso, o grupo recebeu o prêmio de</div><div>“melhor escolha da audiência” pelo mesmo evento.</div><div><em>Nada como um dia após o outro</em>, CD duplo, vem a</div><div>público em 2002, trazendo sucessos com “Vida loka”,</div><div>“Jesus chorou”, “Estilo cachorro” e “Negro drama”. Essa</div><div>última ganhou o prêmio “música do ano” do Hútuz,</div><div>principal premiação da Central Única das Favelas. O grupo</div><div>foi ainda agraciado na categoria “grupo ou artista solo”.</div><div>Em 2003, o Racionais MC’s é entrevistado pela TV</div><div>Cultura, de São Paulo, sinal de que não só estava havendo</div><div>a consagração de sua arte pela intelectualidade, mas</div><div>também o caráter arredio diante da grande imprensa</div><div>estava começando a ser deixado de lado.</div><div>&nbsp;</div><div>Dois anos depois, o grupo ganhava o I Prêmio</div><div>Cooperifa, que reconhecia o papel dos músicos como</div><div>ativadores no contexto social da periferia. Essa</div><div>preocupação com os desprestigiados economicamente</div><div>nunca abandonou os <em>rappers</em>, por isso sempre</div><div>participaram de projetos que proporcionavam parcerias</div><div>com grandes empresas para investimentos sociais nos</div><div>bairros pobres paulistanos. A condição imposta é que essas</div><div>ações não assumissem uma postura paternalista e não</div><div>viessem de setores econômicos ligados ao escravismo.</div><div>&nbsp;</div><div>Além disso, o Racionais MC’s, após atingida a</div><div>consagração, passou a investir em artistas iniciantes,</div><div>dentro da política de resgate identitário. Fazia, assim,</div><div>prevalecer o renomado lema de que o <em>rap </em>resgata vidas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-28 22:19:35 UTC</pubDate>
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