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      <title>padlet Literatura Portuguesa março by Sílvia Anunciação</title>
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      <description>PIL</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>José Tolentino Mendonça</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Poeta, sacerdote, professor nasceu dia 15 de dezembro de 1965, no arquipélago da Madeira na cidade de Machico.</strong>  <strong>Atualmente é Arquivista do Arquivo Apostólico do Vaticano e Bibliotecário da Biblioteca Apostólica Vaticana, na Cúria Romana </strong><br> <br><strong>Murmúrios do mar</strong> <br><br></div><div>Paga-me um café e conto-te a minha vida<br><br>O inverno avançava<br>nessa tarde em que te ouvi<br>assaltado por dores<br>o céu quebrava-se aos disparos<br>de uma criança muito assustada<br>que corria<br>o vento batia-lhe no rosto com violência<br>a infância inteira<br>disso me lembro<br><br></div><div>Outra noite cortaste o sono da casa<br>com frio e medo<br>apagavas cigarros nas palmas das mãos<br>e os que te viam choravam<br>mas tu não, tu nunca choraste<br>por amores que se perdem<br><br></div><div>Os naufrágios são belos<br>sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?<br>e temos saudades desse mar<br>que derruba primeiro no nosso corpo<br>tudo o que seremos depois<br><br></div><div>«Pago-te um café se me contares<br>o teu amor»<br><br></div><div><strong>Beatriz Jeremias</strong></div>]]></description>
         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Sophia de Mello Breyner Andresen</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div> <strong>Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, em 1999. Em 1940 publicou os seus primeiros versos nos</strong><strong><em> Cadernos de Poesia.</em></strong></div><div><br>  <strong>Mar </strong></div><div>Mar, metade da minha alma é feita de maresia</div><div>Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,</div><div>Que há no vasto clamor da maré cheia,</div><div>Que nunca nenhum bem me satisfez.</div><div>E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia</div><div>Mais fortes se levantam outra vez,</div><div>Que após cada queda caminho para a vida,</div><div>Por uma nova ilusão entontecida.</div><div> </div><div>E se vou dizendo aos astros o meu mal</div><div>É porque também tu revoltado e teatral</div><div>Fazes soar a tua dor pelas alturas.</div><div>E se antes de tudo odeio e fujo</div><div>O que é impuro, profano e sujo,</div><div>É só porque as tuas ondas são puras.<br><br></div><div><strong>Diana Silvinha</strong><br> </div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Luís Vaz de Camões</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Nascido em 1525, faleceu em 1580. Considerado  o poeta da nacionalidade, devido à epopeia </strong><strong><em>Os Lusíadas</em></strong><strong>, teve uma existência atribulada, atendendo ao pouco que dela se conhece. </strong></div><div><strong><br> O Céu, A Terra, O Vento Sossegado</strong> </div><div> </div><div>O céu, a terra, o vento sossegado… </div><div>As ondas, que se estendem pela areia… </div><div>Os peixes, que no mar o sono enfreia… </div><div>O noturno silêncio repousado… </div><div> </div><div>O pescador Aónio, que, deitado </div><div>onde co vento a água se meneia, </div><div>chorando, o nome amado em vão nomeia, </div><div>que não pode ser mais que nomeado: </div><div> </div><div>Ondas (dezia), antes que Amor me mate, </div><div>torna-me a minha Ninfa, que tão cedo </div><div>me fizestes à morte estar sujeita. </div><div> </div><div>Ninguém lhe fala; o mar de longe bate; </div><div>move-se brandamente o arvoredo; </div><div>leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita </div><div><br></div><div><strong>Érica Capitão</strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Antero de Quental</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div> <strong>Antero Tarquínio de Quental nasceu na localidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, nos Açores, no dia 18 de abril de 1842.  Entre 1879 e 1886, Antero transfere-se para a cidade do Porto, onde publica sua melhor obra poética "Sonetos Completos", de claro sentido autobiográfico. Faleceu,  na terra que o viu nascer, em setembro de 1891. </strong><br><br><strong>Oceano Nox</strong></div><div><br></div><div>Junto do mar, que erguia gravemente</div><div>A trágica voz rouca, enquanto o vento</div><div>Passava como o vôo do pensamento</div><div>Que busca e hesita, inquieto e intermitente,</div><div> </div><div>Junto do mar sentei-me tristemente,</div><div>Olhando o céu pesado e nevoento,</div><div>E interroguei, cismando, esse lamento</div><div>Que saía das coisas, vagamente...</div><div> </div><div>Que inquieto desejo vos tortura,</div><div>Seres elementares, força obscura?</div><div>Em volta de que ideia gravitais?</div><div> </div><div>Mas na imensa extensão, onde se esconde</div><div>O Inconsciente imortal, só me responde</div><div>Um bramido, um queixume, e nada mais.</div><div><br><strong> Francisco Pinto</strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Fernando Pessoa</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Fernando Pessoa (1888-1935) é um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português. Cultivou, enquanto ortónimo,  uma poesia de cariz tradicional, dominada por reflexões sobre o seu “eu profundo”.</strong><br><br><strong>Água que passa e canta<br></strong><br>Água que passa e canta<br>É água que faz dormir...<br>Sonhar é coisa que encanta,<br>Pensar é já não sentir.<br><br><strong>Maria Inês Parreira</strong></div>]]></description>
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         <title>Mário Cesariny</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div>Mário Cesariny de Vasconcelos foi poeta e pintor, considerado o principal representante do surrealismo português.</div><div>Nasceu a 09 Agosto 1923.<br>Morreu em 26 Novembro 2006 .</div><div><br><strong>Poema</strong><br> Em todas as ruas te encontro<br>em todas as ruas te perco<br>conheço tão bem o teu corpo<br>sonhei tanto a tua figura<br>que é de olhos fechados que eu ando<br>a limitar a tua altura<br>e bebo a água e sorvo o ar<br>que te atravessou a cintura<br>tanto tão perto tão real<br>que o meu corpo se transfigura<br>e toca o seu próprio elemento<br>num corpo que já não é seu<br>num rio que desapareceu<br>onde um braço teu me procura<br><br> Em todas as ruas te encontro<br>em todas as ruas te perco <br><br><strong>Lara Carriço </strong></div>]]></description>
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         <title>António Nobre</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div> <strong>António Pereira Nobre nasceu a 16 Agosto 1867 no Porto.  Publicou o livro de poemas "Só", que ele mesmo definiu como “o livro mais triste que há em Portugal”. Viveu em Paris onde termiou o curso de Direito, na famosa Sorbonne. Morreu em 18 Março 1900, na Foz do Douro.</strong></div><div><br></div><div><strong>Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!)<br></strong><br></div><div>Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!)</div><div>Por este mar de Glória, em plena paz.<br>Terra da Pátria somem-se na treva,<br>Águas de Portugal ficam, atrás.<br><br>Onde vou eu? Meu fado onde me leva?<br>António, onde vais tu, doido rapaz?<br>Não sei. Mas o Vapor, quando se eleva,<br>Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz.<br><br>Ó Lusitânia que te vais à vela!<br>Adeus! que eu parto (rezarei por ela)<br>Na minha Nau Catrineta, adeus!<br><br>Paquete, meu Paquete, anda ligeiro,<br>Sobe depressa à gávea, Marinheiro,<br>E grita, França! pelo amor de Deus! <br><br></div><div><strong>Leandro Vieira</strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Eugénio de Andrade</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div><br><strong>José Fontinhas Neto nasceu na Póvoa de Atalaia, uma pequena vila da Beira Baixa, a 19 de Janeiro de 1923.  Faleceu em 13 de junho de 2005 no Porto, na Foz do Douro na casa que hoje é uma Fundação com o seu nome. <br>  O poeta viveu  longe da vida social e raramente apareceu em público dedicando-se a uma poesia  "lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos"  <br></strong><br> <strong>À beira de água</strong></div><div><br></div><div>Estive sempre sentado nesta pedra </div><div>escutando, por assim dizer, o silêncio. </div><div>Ou no lago cair um fiozinho de água. </div><div>O lago é o tanque daquela idade </div><div>em que não tinha o coração </div><div>magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,</div><div> dói tanto! Todo o amor. Até o nosso, </div><div>tão feito de privação.) Estou onde </div><div>sempre estive à beira de ser água. </div><div>Envelhecendo no rumor da bica </div><div>por onde corre apenas o silêncio<br><br><strong>Ricardo Pacheco </strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-21 22:23:31 UTC</pubDate>
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         <title>Manuel Alegre</title>
         <author>silviacachaco1</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Manuel Alegre de Melo Duarte é um escritor e político português, que nasceu em Águeda no dia 12 de Maio de 1936. Estudou em Coimbra onde se formou em Direito. Poemas seus deram a palavra à luta pela Liberdade.</strong><br> &nbsp;</div><div><br></div><div>&nbsp;<strong>Trova do vento que passa</strong></div><div><br></div><div>Pergunto ao vento que passa</div><div>notícias do meu país</div><div>e o vento cala a desgraça</div><div>o vento nada me diz.</div><div><br></div><div>Pergunto aos rios que levam</div><div>tanto sonho à flor das águas</div><div>e os rios não me sossegam</div><div>levam sonhos deixam mágoas.</div><div><br></div><div>Levam sonhos deixam mágoas</div><div>ai rios do meu país</div><div>minha pátria à flor das águas</div><div>para onde vais? Ninguém diz.</div><div><br></div><div>Se o verde trevo desfolhas</div><div>notícias e diz</div><div>ao trevo de quatro folhas</div><div>que morro por meu país.</div><div><br></div><div>Pergunto à gente que passa</div><div>por que vai de olhos no chão.</div><div>Silêncio - é tudo o que tem</div><div>quem vive na servidão.</div><div><br></div><div>Vi florir os verdes ramos</div><div>direitos e ao céu voltados.</div><div>E a quem gosta de ter amos</div><div>vi sempre os ombros curvados.</div><div><br></div><div>E o vento não me diz nada</div><div>ninguém diz nada de novo.</div><div>Vi minha pátria pregada</div><div>nos braços em cruz do povo.</div><div><br></div><div>Vi minha pátria na margem</div><div>dos rios que vão pró mar</div><div>como quem ama a viagem</div><div>mas tem sempre de ficar.</div><div><br></div><div>Vi navios a partir</div><div>(minha pátria à flor das águas)</div><div>vi minha pátria florir</div><div>(verdes folhas verdes mágoas).</div><div><br></div><div>Há quem te queira ignorada</div><div>e fale pátria em teu nome.</div><div><br><strong>Sérgio Penco</strong><br>&nbsp;</div>]]></description>
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