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      <title>Contos de Artimanha by CLAUDIA REGINA CAMPOS GUARNIERI</title>
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      <description>Made with good vibes</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2016-10-26 12:18:57 UTC</pubDate>
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         <author>claudia_guarnieri</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO</strong></div><div><br></div><div><br></div><div><strong>Histórias de Pedro Malasarte<br></strong><br></div><div><br><br></div><div><br></div><div>Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara.&nbsp;<br><br></div><div><br><br></div><div>Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:<br><br></div><div><br><br></div><div>— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.<br><br></div><div><br><br></div><div>— Não me diga isto, sô!<br><br></div><div><br><br></div><div>— É o que eu lhe digo, patrão!<br><br></div><div><br><br></div><div>— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...<br><br></div><div><br><br></div><div>E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.<br><br></div><div><br><br></div><div>O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:29:24 UTC</pubDate>
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         <author>claudia_guarnieri</author>
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         <pubDate>2016-10-26 12:30:27 UTC</pubDate>
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         <author>claudia_guarnieri</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>O ANIVERSÁRIO MALASARTE</strong></div><div><br></div><div><br></div><div><strong>Histórias de Pedro Malasarte<br></strong><br></div><div><br></div><div>Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:<br><br></div><div>— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.<br><br></div><div>— Broa de milho, primo?<br><br></div><div>— É sim, quer um pedaço?<br><br></div><div><br></div><div>— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.<br><br></div><div><br></div><div>— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.<br><br></div><div><br></div><div>Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:<br><br></div><div><br></div><div>— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?<br><br></div><div><br></div><div>— Não me diga isso! Tem muito mesmo?<br><br></div><div><br></div><div>— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?<br><br></div><div><br></div><div>— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.<br><br></div><div><br></div><div>— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.<br><br></div><div><br></div><div>Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:<br><br></div><div><br></div><div>— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?<br><br></div><div><br></div><div>— E é dá boa?<br><br></div><div><br></div><div>— Da melhor.<br><br></div><div><br></div><div>— Não primo, para mim basta um cafezinho.<br><br></div><div><br></div><div>- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.<br><br></div><div><br></div><div>E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:<br><br></div><div>— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.<br><br></div><div><br></div><div>Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:<br><br></div><div><br></div><div>— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...<br><br></div><div><br></div><div>Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:<br><br></div><div><br></div><div>— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...<br><br></div><div><br></div><div>Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:31:25 UTC</pubDate>
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         <author>claudia_guarnieri</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>MALASARTE E AS JOIAS</strong></div><div><br></div><div><br></div><div><strong>Histórias de Pedro Malasarte<br></strong><br></div><div><br><br></div><div>Viajando sem destino fixo, errante, indiferente aos perigos, Malasarte foi dar na fazenda de um fazendeiro ricaço, que era casado e tinha uma filha. Precisando de uns vinténs, dormindo ao relento, à beira do caminho, Malasarte ofereceu-se para trabalhar na casa, e foi aceito pelo fazendeiro ricaço.<br><br></div><div><br><br></div><div>Como era tempo de chuva, o chiqueiro estava um lameiro que só vendo. Foi aí que Malasarte teve uma ideia.<br><br></div><div><br><br></div><div>Chegando a noite, campeou os porcos para longe e lhes cortou as caudas. Voltando ao chiqueiro, espetou no lameiro as caudas dos porcos.<br><br></div><div><br><br></div><div>De manhã, quando o dono da casa veio ver a porcada, Malasarte lhe apontou o lameiro e disse-lhe que os porcos estavam todos atolados, apenas com os rabos de fora. O fazendeiro, desesperado, mandou Malasarte ir correndo ao celeiro buscar duas enxadas para ver se conseguiriam desenterrar os porcos.<br><br></div><div><br><br></div><div>Pedro Malasarte foi à carreira; lá chegando, viu a dona e a filha colhendo laranjas no pomar e lhes disse:<br><br></div><div><br><br></div><div>- O patrão mandou as senhoras me acompanharem.<br><br></div><div><br><br></div><div>Elas duvidaram; então Malasarte gritou ao fazendeiro, perguntando:<br><br></div><div><br><br></div><div>- As duas, patrão?<br><br></div><div><br><br></div><div>- Sim, as duas, pateta! E sem demora! <br><br></div><div><br><br></div><div>Então, as senhoras não querendo contrariar o fazendeiro, não puseram mais diferença e acompanharam Pedro que tomou, com elas, outra direção.<br><br></div><div><br><br></div><div>Bem longe da fazenda, Malasarte amarrou-as numa árvore, tirou-lhes todas as jóias que eram de grande preço, e fugiu com toda a porcada que tinha ocultado ali perto.<br><br></div><div><br><br></div><div>Quando o fazendeiro, cansado de esperar pelas enxadas, foi ao seleiro e não encontrou Malasarte, saiu a procurá-lo e acabou achando a mulher e a filha, amarradas a uma árvore e nada de Malasarte.<br><br></div><div><br><br></div><div>Quando o fazendeiro voltou ao chiqueiro com a enxada, descobriu que dos porcos só havia os rabinhos, e que ele é que era o verdadeiro pateta.<br><br></div><div><br><br></div><div>A muitas léguas dali, Malasarte negociou a porcada com outro fazendeiro. Com o dinheiro, comprou, no vilarejo, um bom <em>jogo </em>de roupas e caiu no mundo, muito do contente.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:36:13 UTC</pubDate>
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         <title>Atividades</title>
         <author>claudia_guarnieri</author>
         <link>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/133290951</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:38:33 UTC</pubDate>
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         <title>Atividades:</title>
         <author>claudia_guarnieri</author>
         <link>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/133290964</link>
         <description><![CDATA[<div>Após assistir ao vídeo e ler os textos, escreva em seu caderno as principais características do Gênero Contos de Artimanha</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:38:34 UTC</pubDate>
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         <title>VOCÊ SABIA QUE....</title>
         <author>claudia_guarnieri</author>
         <link>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/133291953</link>
         <description><![CDATA[<div><br>os contos de artimanha utilizam-se de ardis (armadilhas ou disfarces), truques, malandragens, gambiarras e espertezas para garantir sua sobrevivência ou mesmo a vitória contra forças maiores que a sua?&nbsp;<br><br>Em tais contos – de artimanha; ou de manhas e artimanhas; ou de astúcia, ou ainda, de esperteza, como costumam ser denominados – a trama é sempre organizada em torno de um personagem que utiliza a esperteza para obter o que deseja, enganando o outro – ou outros – personagem ingênuo ou, pelo menos, não tão esperto como o protagonista. Dessa maneira, os ardis são sempre inesperados e engenhosos, nunca havendo uso de estratégias usuais e previsíveis.&nbsp;<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-10-26 12:41:34 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/133291953</guid>
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         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/348463227</link>
         <description><![CDATA[O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.


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A ÁRVORE QUE
A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO


Histórias de Pedro Malasarte




Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 



Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.

]]></description>
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         <pubDate>2019-04-04 11:55:59 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/348463227</guid>
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      <item>
         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/claudia_guarnieri/v5y3dsa36uw1/wish/354261477</link>
         <description><![CDATA[O ANIVERSÁRIO MALASARTE
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.


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Histórias de Pedro Malasarte




Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 



Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.

VOCÊ SABIA QUE....
VOCÊ SABIA QUE....

os contos de artimanha utilizam-se de ardis (armadilhas ou disfarces), truques, malandragens, gambiarras e espertezas para garantir sua sobrevivência ou mesmo a vitória contra forças maiores que a sua? 

Em tais contos – de artimanha; ou de manhas e artimanhas; ou de astúcia, ou ainda, de esperteza, como costumam ser denominados – a trama é sempre organizada em torno de um personagem que utiliza a esperteza para obter o que deseja, enganando o outro – ou outros – personagem ingênuo ou, pelo menos, não tão esperto como o protagonista. Dessa maneira, os ardis são sempre inesperados e engenhosos, nunca havendo uso de estratégias usuais e previsíveis. 


Atividades:
Atividades:
Após assistir ao vídeo e ler os textos, escreva em seu caderno as principais características do Gênero Contos de Artimanha
Atividades
Atividades
MALASARTE E
MALASARTE E AS JOIAS


Histórias de Pedro Malasarte



Viajando sem destino fixo, errante, indiferente aos perigos, Malasarte foi dar na fazenda de um fazendeiro ricaço, que era casado e tinha uma filha. Precisando de uns vinténs, dormindo ao relento, à beira do caminho, Malasarte ofereceu-se para trabalhar na casa, e foi aceito pelo fazendeiro ricaço.



Como era tempo de chuva, o chiqueiro estava um lameiro que só vendo. Foi aí que Malasarte teve uma ideia.



Chegando a noite, campeou os porcos para longe e lhes cortou as caudas. Voltando ao chiqueiro, espetou no lameiro as caudas dos porcos.



De manhã, quando o dono da casa veio ver a porcada, Malasarte lhe apontou o lameiro e disse-lhe que os porcos estavam todos atolados, apenas com os rabos de fora. O fazendeiro, desesperado, mandou Malasarte ir correndo ao celeiro buscar duas enxadas para ver se conseguiriam desenterrar os porcos.



Pedro Malasarte foi à carreira; lá chegando, viu a dona e a filha colhendo laranjas no pomar e lhes disse:



- O patrão mandou as senhoras me acompanharem.



Elas duvidaram; então Malasarte gritou ao fazendeiro, perguntando:



- As duas, patrão?



- Sim, as duas, pateta! E sem demora! 



Então, as senhoras não querendo contrariar o fazendeiro, não puseram mais diferença e acompanharam Pedro que tomou, com elas, outra direção.



Bem longe da fazenda, Malasarte amarrou-as numa árvore, tirou-lhes todas as jóias que eram de grande preço, e fugiu com toda a porcada que tinha ocultado ali perto.



Quando o fazendeiro, cansado de esperar pelas enxadas, foi ao seleiro e não encontrou Malasarte, saiu a procurá-lo e acabou achando a mulher e a filha, amarradas a uma árvore e nada de Malasarte.



Quando o fazendeiro voltou ao chiqueiro com a enxada, descobriu que dos porcos só havia os rabinhos, e que ele é que era o verdadeiro pateta.



A muitas léguas dali, Malasarte negociou a porcada com outro fazendeiro. Com o dinheiro, comprou, no vilarejo, um bom jogo de roupas e caiu no mundo, muito do contente.

O ANIVERSÁRI
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.

📎 Video
A ÁRVORE QUE
A ÁRVORE QUE DAVA DINHEIRO


Histórias de Pedro Malasarte




Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 



Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.

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         <pubDate>2019-04-25 19:42:13 UTC</pubDate>
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Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.


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VOCÊ SABIA QUE....
VOCÊ SABIA QUE....

os contos de artimanha utilizam-se de ardis (armadilhas ou disfarces), truques, malandragens, gambiarras e espertezas para garantir sua sobrevivência ou mesmo a vitória contra forças maiores que a sua? 

Em tais contos – de artimanha; ou de manhas e artimanhas; ou de astúcia, ou ainda, de esperteza, como costumam ser denominados – a trama é sempre organizada em torno de um personagem que utiliza a esperteza para obter o que deseja, enganando o outro – ou outros – personagem ingênuo ou, pelo menos, não tão esperto como o protagonista. Dessa maneira, os ardis são sempre inesperados e engenhosos, nunca havendo uso de estratégias usuais e previsíveis. 


Atividades:
Atividades:
Após assistir ao vídeo e ler os textos, escreva em seu caderno as principais características do Gênero Contos de Artimanha
Atividades
Atividades
MALASARTE E
MALASARTE E AS JOIAS


Histórias de Pedro Malasarte



Viajando sem destino fixo, errante, indiferente aos perigos, Malasarte foi dar na fazenda de um fazendeiro ricaço, que era casado e tinha uma filha. Precisando de uns vinténs, dormindo ao relento, à beira do caminho, Malasarte ofereceu-se para trabalhar na casa, e foi aceito pelo fazendeiro ricaço.



Como era tempo de chuva, o chiqueiro estava um lameiro que só vendo. Foi aí que Malasarte teve uma ideia.



Chegando a noite, campeou os porcos para longe e lhes cortou as caudas. Voltando ao chiqueiro, espetou no lameiro as caudas dos porcos.



De manhã, quando o dono da casa veio ver a porcada, Malasarte lhe apontou o lameiro e disse-lhe que os porcos estavam todos atolados, apenas com os rabos de fora. O fazendeiro, desesperado, mandou Malasarte ir correndo ao celeiro buscar duas enxadas para ver se conseguiriam desenterrar os porcos.



Pedro Malasarte foi à carreira; lá chegando, viu a dona e a filha colhendo laranjas no pomar e lhes disse:



- O patrão mandou as senhoras me acompanharem.



Elas duvidaram; então Malasarte gritou ao fazendeiro, perguntando:



- As duas, patrão?



- Sim, as duas, pateta! E sem demora! 



Então, as senhoras não querendo contrariar o fazendeiro, não puseram mais diferença e acompanharam Pedro que tomou, com elas, outra direção.



Bem longe da fazenda, Malasarte amarrou-as numa árvore, tirou-lhes todas as jóias que eram de grande preço, e fugiu com toda a porcada que tinha ocultado ali perto.



Quando o fazendeiro, cansado de esperar pelas enxadas, foi ao seleiro e não encontrou Malasarte, saiu a procurá-lo e acabou achando a mulher e a filha, amarradas a uma árvore e nada de Malasarte.



Quando o fazendeiro voltou ao chiqueiro com a enxada, descobriu que dos porcos só havia os rabinhos, e que ele é que era o verdadeiro pateta.



A muitas léguas dali, Malasarte negociou a porcada com outro fazendeiro. Com o dinheiro, comprou, no vilarejo, um bom jogo de roupas e caiu no mundo, muito do contente.

O ANIVERSÁRI
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.

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Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 



Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.


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VOCÊ SABIA QUE....
VOCÊ SABIA QUE....

os contos de artimanha utilizam-se de ardis (armadilhas ou disfarces), truques, malandragens, gambiarras e espertezas para garantir sua sobrevivência ou mesmo a vitória contra forças maiores que a sua? 

Em tais contos – de artimanha; ou de manhas e artimanhas; ou de astúcia, ou ainda, de esperteza, como costumam ser denominados – a trama é sempre organizada em torno de um personagem que utiliza a esperteza para obter o que deseja, enganando o outro – ou outros – personagem ingênuo ou, pelo menos, não tão esperto como o protagonista. Dessa maneira, os ardis são sempre inesperados e engenhosos, nunca havendo uso de estratégias usuais e previsíveis. 


Atividades:
Atividades:
Após assistir ao vídeo e ler os textos, escreva em seu caderno as principais características do Gênero Contos de Artimanha
Atividades
Atividades
MALASARTE E
MALASARTE E AS JOIAS


Histórias de Pedro Malasarte



Viajando sem destino fixo, errante, indiferente aos perigos, Malasarte foi dar na fazenda de um fazendeiro ricaço, que era casado e tinha uma filha. Precisando de uns vinténs, dormindo ao relento, à beira do caminho, Malasarte ofereceu-se para trabalhar na casa, e foi aceito pelo fazendeiro ricaço.



Como era tempo de chuva, o chiqueiro estava um lameiro que só vendo. Foi aí que Malasarte teve uma ideia.



Chegando a noite, campeou os porcos para longe e lhes cortou as caudas. Voltando ao chiqueiro, espetou no lameiro as caudas dos porcos.



De manhã, quando o dono da casa veio ver a porcada, Malasarte lhe apontou o lameiro e disse-lhe que os porcos estavam todos atolados, apenas com os rabos de fora. O fazendeiro, desesperado, mandou Malasarte ir correndo ao celeiro buscar duas enxadas para ver se conseguiriam desenterrar os porcos.



Pedro Malasarte foi à carreira; lá chegando, viu a dona e a filha colhendo laranjas no pomar e lhes disse:



- O patrão mandou as senhoras me acompanharem.



Elas duvidaram; então Malasarte gritou ao fazendeiro, perguntando:



- As duas, patrão?



- Sim, as duas, pateta! E sem demora! 



Então, as senhoras não querendo contrariar o fazendeiro, não puseram mais diferença e acompanharam Pedro que tomou, com elas, outra direção.



Bem longe da fazenda, Malasarte amarrou-as numa árvore, tirou-lhes todas as jóias que eram de grande preço, e fugiu com toda a porcada que tinha ocultado ali perto.



Quando o fazendeiro, cansado de esperar pelas enxadas, foi ao seleiro e não encontrou Malasarte, saiu a procurá-lo e acabou achando a mulher e a filha, amarradas a uma árvore e nada de Malasarte.



Quando o fazendeiro voltou ao chiqueiro com a enxada, descobriu que dos porcos só havia os rabinhos, e que ele é que era o verdadeiro pateta.



A muitas léguas dali, Malasarte negociou a porcada com outro fazendeiro. Com o dinheiro, comprou, no vilarejo, um bom jogo de roupas e caiu no mundo, muito do contente.

O ANIVERSÁRI
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.

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ao
ao 
O ANIVERSÁRIO MALASARTE O
O ANIVERSÁRIO MALASARTE
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte
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Vendo-se apertado com a falta de dinheiro e não querendo ter arenga com o dono da pensão, Malasarte saiu, naquela manhã, bem cedo, para ganhar a vida. Arranjou com o vendedor de mel de jataí um bocado de cera; trocou na mercearia de Seu Joaquim a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas de vintém e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara. 



Não demorou muito, deu de aparecer na estrada um boiadeiro que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um solão esparramado, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Malasarte, fazendo festas, as apanhava. O boiadeiro acercou-se curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Malasarte explicou:



— Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.



— Não me diga isto, sô!



— É o que eu lhe digo, patrão!



— Diacho! Se lhe vai dar tanto trabalho...



E o boiadeiro propôs comprar a árvore encantada. Malasarte, depois de muitas negaças, fechou negócio trocando a árvore pelos boizinhos; em seguida, bateu pé na estrada, vendendo-os na vila por um bom preço.



O boiadeiro mandou alguns de seus peões retirarem, com todo o cuidado, a árvore encantada e a replantou no pomar do seu sítio. Daqueles anos até hoje, está esperando ela dar moedas de vinténs.


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VOCÊ SABIA QUE....
VOCÊ SABIA QUE....

os contos de artimanha utilizam-se de ardis (armadilhas ou disfarces), truques, malandragens, gambiarras e espertezas para garantir sua sobrevivência ou mesmo a vitória contra forças maiores que a sua? 

Em tais contos – de artimanha; ou de manhas e artimanhas; ou de astúcia, ou ainda, de esperteza, como costumam ser denominados – a trama é sempre organizada em torno de um personagem que utiliza a esperteza para obter o que deseja, enganando o outro – ou outros – personagem ingênuo ou, pelo menos, não tão esperto como o protagonista. Dessa maneira, os ardis são sempre inesperados e engenhosos, nunca havendo uso de estratégias usuais e previsíveis. 


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Após assistir ao vídeo e ler os textos, escreva em seu caderno as principais características do Gênero Contos de Artimanha
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MALASARTE E
MALASARTE E AS JOIAS


Histórias de Pedro Malasarte



Viajando sem destino fixo, errante, indiferente aos perigos, Malasarte foi dar na fazenda de um fazendeiro ricaço, que era casado e tinha uma filha. Precisando de uns vinténs, dormindo ao relento, à beira do caminho, Malasarte ofereceu-se para trabalhar na casa, e foi aceito pelo fazendeiro ricaço.



Como era tempo de chuva, o chiqueiro estava um lameiro que só vendo. Foi aí que Malasarte teve uma ideia.



Chegando a noite, campeou os porcos para longe e lhes cortou as caudas. Voltando ao chiqueiro, espetou no lameiro as caudas dos porcos.



De manhã, quando o dono da casa veio ver a porcada, Malasarte lhe apontou o lameiro e disse-lhe que os porcos estavam todos atolados, apenas com os rabos de fora. O fazendeiro, desesperado, mandou Malasarte ir correndo ao celeiro buscar duas enxadas para ver se conseguiriam desenterrar os porcos.



Pedro Malasarte foi à carreira; lá chegando, viu a dona e a filha colhendo laranjas no pomar e lhes disse:



- O patrão mandou as senhoras me acompanharem.



Elas duvidaram; então Malasarte gritou ao fazendeiro, perguntando:



- As duas, patrão?



- Sim, as duas, pateta! E sem demora! 



Então, as senhoras não querendo contrariar o fazendeiro, não puseram mais diferença e acompanharam Pedro que tomou, com elas, outra direção.



Bem longe da fazenda, Malasarte amarrou-as numa árvore, tirou-lhes todas as jóias que eram de grande preço, e fugiu com toda a porcada que tinha ocultado ali perto.



Quando o fazendeiro, cansado de esperar pelas enxadas, foi ao seleiro e não encontrou Malasarte, saiu a procurá-lo e acabou achando a mulher e a filha, amarradas a uma árvore e nada de Malasarte.



Quando o fazendeiro voltou ao chiqueiro com a enxada, descobriu que dos porcos só havia os rabinhos, e que ele é que era o verdadeiro pateta.



A muitas léguas dali, Malasarte negociou a porcada com outro fazendeiro. Com o dinheiro, comprou, no vilarejo, um bom jogo de roupas e caiu no mundo, muito do contente.

O ANIVERSÁRI
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte


Era aniversário de Pedro Malasartes. Ele adorava uma festa, mas estava sem dinheiro para comemorar, com uma festança, o aniversário dele. Resolveu então, visitar o primo que tinha muito dinheiro e, certamente, lhe ofereceria alguma coisa, apesar de ser um pouco pão-duro. Chegando a fazenda do primo, este o recebeu com muito entusiasmado, não pela visita, porém por economizar assim a viagem a casa do aniversariante. Entraram e o primo foi logo oferecendo:

— Ó, primo Pedro! Tenho aqui uma broa que sinhá assou, fresquinha. É tanta que vai durar a semana inteira.

— Broa de milho, primo?

— É sim, quer um pedaço?


— Não, primo - agradeceu Malasartes - basta um cafezinho.


— Mas é seu aniversário primo, eu reconheço que sou um pão-duro, mas um pouco de cortesia ao primo não faz mal! Se quiser é só pedir.


Malasartes novamente agradeceu, porém continuou só com o café. Continuaram proseando e, em meio à prosa, o primo lhe diz:


— Olha Pedro, ontem mandei matar aquele leitão capado que eu vinha engordando. Temos uma porção de torresmo e toucinho frescos que mandei preparar. Quer um pouco, pois tenho bastante?


— Não me diga isso! Tem muito mesmo?


— É o que lhe digo! Tenho bastante, quer?


— Nada primo, pode deixar, basta um cafezinho.


— Seja dito..., mas quando quiser é só pedir.


Continuaram proseando mais e mais, até que o primo fez nova oferta:


— Pedro, faz tempo que guardo umas garrafas de cachaça. Vamos tomar uns goles para comemorar?


— E é dá boa?


— Da melhor.


— Não primo, para mim basta um cafezinho.


- Não se faça de rogado que você tá em casa. Quando ficar com vontade é só pedir.


E assim, o primo de Pedro Malasartes, querendo lhe agradar pela passagem do aniversário e ao mesmo tempo percebendo que Malasartes não estava querendo lhe dar despesa, foi oferecendo um pouco de cada coisa que tinha na despensa. Malasartes ouvia e recusava; contentando-se só com o cafezinho. E foram nessa toada até que ouviram uma tímida batida na porta. O primo de Malasartes se levantou, abriu a porta epegou de espiar; do lado de fora havia uma verdadeira multidão de conhecidos. O primeiro foi logo falando:

— Olha, desculpa a intrusão, mas ficamos sabendo que Pedro Malasartes estava por aqui e passamos somente para dar lhe dar os parabéns.


Desconfiado, mas sem ter como recusar, o primo convidou a todos para entrar, mas foi logo avisando:


— Meus amigos! Gostaria de lhes oferecer alguma coisa, mas... quase nada tenho na despensa...


Malasartes, deixando de lado o cafezinho e interrompendo o primo, falou:


— Primo, sabe aquele torresmo, aquele toucinho, aquela broa, a cachaça, a suco de laranja, a rosca, a linguiça, e tudo mais que você me ofereceu? Agora eu até quero um pouquinho, que já me cansei desse cafezinho que tomava pra modo de esperar o pessoal chegar...


Vosmecê calcule, o primo ficou aturdido, tonteou... parecia inté que estava para dar a alma a Deus; mas, uma vez que o oferecido estava em vigor, acabou bancando toda a festa. Pois foi assim que Pedro Malasartes teve a sua festança.

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O ANIVERSÁRIO MALASARTE
O ANIVERSÁRIO MALASARTE


Histórias de Pedro Malasarte
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