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      <title>Jornal do Sol by TARSSO DE SA FREIRE TAVEIRA</title>
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      <description>Registros para Biblioteconomia Infanto-Juvenil 2025.1</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-04-13 20:24:36 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 1 - Dia 10/04/25 - O Sol</title>
         <author>tarssosafreire</author>
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         <description><![CDATA[<p>Bem, esse primeiro registro já nasce totalmente digital, apesar de eu gostar de escrever a mão primeiro. Quando as professoras Ana Amélia e Thalita pediram para criar um diário para registrar nossas experiências, imediatamente gostei da ideia. Eu já uso diários normalmente na minha vida e essa atividade ser uma das avaliações do curso me lembrou o filme "Escritores da Liberdade".</p><p><br/></p><p>Um elemento importante, para mim, nessa atividade é dar um nome a esses registros e pensamentos. Eu sou muito ligado a magia e mística das coisas, principalmente no sentido estético, portanto nomes são importantes pra mim. Escolhi o Jornal do Sol por conta do Arcano XIX do Tarot, O Sol. O Sol é amplamente conectado à vida e ao crescimento, e dentro dos significados do Tarot, ele também se conecta com felicidade, juventude e abundância. O Sol também reflete a luz do intelecto, sendo ele mesmo ligado a Apolo, Deus da Luz e do Intelecto. E também porque durante a aula a figura do Sol me veio muito à mente, talvez porque eu me sinta uma criança diante da luz do Sol.</p><p><br/></p><p>Durante essa primeira aula lemos uma coluna do escritor Luiz Ruffato no El País onde ele conta sua primeira experiência com a leitura e como um bibliotecário praticamente cooptou ele a se tornar um leitor. Dado isso, as professoras lançaram uma questão para compartilhar experiências: Quais as primeiras lembranças com o livro?</p><p>Um grande número de alunos compartilhou seus eventos canônicos relacionados a livros e leituras. Eu lembrei de alguns.</p><p>Acredito que as lembranças mais antigas, que são mais formadas por relatos da minha mãe, começam no gabinete do meu avô onde eu brincava com os antigos livros de direito dele. Lembro de levar alguns pra escola e as professoras acham engraçado eu aparecer um livro de Direito Penal da constituição passada na mochila. Como muitos colegas, as revistas em quadrinhos foram muito importantes para minha formação como leitor, em especial as do Cebolinha da Turma da Mônica. E então veio o grande evento canônico: O Incêndio do Champion.</p><p>Perto da nossa casa tinha um supermercado da rede Champion, já falecida no Brasil atualmente, e era lá onde eu comprava minhas revistinhas do Cebolinha. Sempre que eu ia ao mercado com meus pais, pedia por uma revista do Cebolinha, e com elas fui alfabetizado pela minha mãe. Um dia, voltando da casa dos meus avós maternos, estávamos a caminho de casa e nos deparamos com o Champion pegando fogo. Veja... não era um foguinho à toa, era literalmente ardendo em chamas apocalípticas. Minha reação foi chorar, chorar sem parar, porque sem aquele mercado, como diabos eu teria minhas revistas do Cebolinha?</p><p>Outra lembrança da infância foi quando minha mãe me arrastava para um churrasco regado a cerveja, samba de má qualidade ensurdecedor, carne de churrasco dura e crianças mais ou menos da minha faixa etárias, tudo igualmente insuportável. Ao chegar no limite da minha paciência de criança de 8 ou 9 anos, informei a minha mãe que voltaria pro carro e ficaria lendo "o livro da escola". Na época eu não era um leitor de fato formado em livros. Leia histórias em quadrinho da Mônica ou Mickey Mouse e amigos, mas não livros mesmo. O livro da escola era O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Não me lembro bem da velocidade que li, mas quando dei por mim tinha acabado o livro e me desfazendo em lágrimas porque o Pequeno Príncipe havia morrido.</p><p>A última lembrança não é da infância, mas da adolescência, contudo ela é essencial para a formação do leitor que eu sou hoje. Foi quando minha professora de português me emprestou um livro ilustrado chamado "O Corvo" de Edgar Allan Poe. Eu já tinha criado um perfil de leitor forte naquela época, mas esse momento criou o leitor que eu sou, que ama o gótico, o horror, o fantástico e a poesia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-13 21:11:07 UTC</pubDate>
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         <title>Dia 15/04/25 - O Mundo Perdido</title>
         <author>tarssosafreire</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nessa aula uma das avaliações é criar um diário de leitura de um livro juvenil que escolhemos na BIJU, a biblioteca infanto-juvenil da UNIRIO.</p><p>Como eu nunca uso a BIJU, não conheço muito do acervo, nem a organização. Após consultar a bibliotécaria sobre a localização do acervo juvenil fui procurar o livro. Olhando me deparei com um livro de com um livro verde de nome "Mundo Perdido" de Arthur Conan Doyle, sim, o mesmo autor de Sherlock Holmes. Na capa está um T-rex e dois homens armados. Na hora pensei: É ISSO!!! Ficção pulp, dinossauros, perfeito. Fiz o empréstimo do livro.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-18 00:13:33 UTC</pubDate>
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         <title>02/05/25 - Oportunidades de atos heroicos ocorrem o tempo todo</title>
         <author>tarssosafreire</author>
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         <description><![CDATA[<p>Comecei a ler, enfim, "O Mundo Perdido" e a primeira coisa que me agradou é que os capítulos são curtos, é mais fácil de marcar a leitura assim. Desse jeito posso ler, ou tentat né, um por dia. O primeiro capitulo se chama "Oportunidades de atos heroicos ocorrem o tempo todo", onde conhecemos o protagonista, Ned Malone, e seu interesse amoroso, Gladys. O Malone é um safado bem prático, a primeira frase que me fez rir muito foi: melhor ser um amante rejeitado que um irmão bem aceito. Ri alto lendo isso porque isso é um pensamento tão masculino, mais que isso, é um pensamento de um homem hétero.</p><p>Outra coisa que notei é que o estilo é bem diferente de Sherlock Holmes. Nas aventuras do detetive, descritas pelo dr. Watson, são meio... sem são, provavelmente porque eu acho o Watson sem sal. Conan Doyle já admitiu que via a si mesmo como Watson, e acho que na verdade ele poderia ter um Q de Malone, ou ele gostaria de ser mais assim. Bem ácido, astuto e com um desanamimo muito proveniente de sua profissão (jornalista). Já a srta. Gladys tem uma certa esperteza felina, bem típica das mulheres vitorianas. Nessa época, o homem com que uma jovem se casaria era o evento mais decisivo de sua vida. E não Gladys não quer um homem medíocre e mundano, ela quer um Perseu, um herói. Ser a esposa trófeu de Perseu. Mas convenhamos, se for pra ser esposa trófeu, que seja a esposa trófeu de Perseu né?</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-02 23:22:53 UTC</pubDate>
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         <title>08/05/25 - Sobre crianças</title>
         <author>tarssosafreire</author>
         <link>https://padlet.com/tarssosafreire/v4ee1gccaa8db1n8/wish/3455987608</link>
         <description><![CDATA[<p>O que é uma criança? Acho que essa é a grande questão que tratamos na aula.</p><p><br/></p><p>Lembro-me de ler “Pilares da Terra” de Ken Follett onde a caçula da família, uma menina de 3 ou 4 anos, marchava por vários quilômetros levando o porco da família. Eles teriam ido mais rápido se ela tivesse montado nele. Na Idade Média, as crianças eram só pequenos adultos e que ajudavam nas tarefas do dia-a-dia. Só lá pelo Iluminismo que a ideia da criança como um ser que deve ser educado e protegido começa a surgir ali com Rousseau. É importante notar que as ideias do filósofo se resumiam aos meninos, as meninas, como sempre, eram negadas a educação que não fosse sobre seus papeis de gênero (ter filhos e cuidar da família). A mãe de Mary Shelly, Mary Wollstonecraft, grande filosofa feminista da Inglaterra, rendeu fortes criticas a Rousseau e afirmou que as mulheres precisam de direitos iguais aos homens, principalmente no quesito da educação. Futuramente, Virginia Woolf vai tratar do mesmo assunto em seu ensaio “Um Teto Todo Seu”, onde fala da necessidade de independência financeira feminina está conectada diretamente com sua escolaridade.</p><p>A questão da educação e proteção das crianças sempre foi um assunto de disputa política desde então.</p><p>Fiquei pensando em minha criança interior durante a aula. Quando deixei de ser uma criança?</p><p><br/></p><p>“<em>Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.”</em></p><p><em>- Ghost In The Shell</em></p><p><br/></p><p>Vários eventos na minha vida, talvez, me levaram a crescer mais rápido. O assassinato do meu tio, a ausência do meu pai, a depressão da minha mãe. O mundo perdeu o encanto infantil de forma muito rápida… Rápida demais. Acho que solidão também ajudou, sendo eu uma criança estranha que virou um adulto estranho.</p><p>O livro que peguei na aula para ler foi “Perguntas Inquietantes” de Beatriz Martín, tradução de Márcia Leite. QUE LIVRO LINDO! Basicamente, é um livro que traz questionamentos acerca de vários contos de fadas, e conta com algumas das ilustrações mais lindas que já vi. O livro me mostrou algumas estórias que eu ainda desconhecia, como da Chapeuzinho Branco e Negro, também trouxe outras perspectivas da estória da Madrastra e também de João e Maria. Me lembrou muito os meus quadrinhos favoritos da Vertigo, como Sandman e Fábulas.</p><p>É um livro de uma criança estranha que virou um adulto estranho…</p><p>Um dos livros que tenho é “Casa das Estrelas: O universo contado pelas crianças” com seleção de Javier Naranjo e ilustrações de Lara Sabatier. Esse livro é formado por uma pesquisa de 10 anos onde crianças oferecem definições para algumas palavras, sendo uma delas a palavra Adulto. Duas me chamaram a atenção:</p><p><br/></p><p>“Criança que cresceu muito.”</p><p>(Camilo Aramburo, 8 anos)</p><p><br/></p><p>“Quando uma pessoa está morta.”</p><p>(Héctor Barajas, 8 anos)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-18 21:08:28 UTC</pubDate>
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         <title>15/05/25 - Sobre Contos de Fadas e Literatura Infantil</title>
         <author>tarssosafreire</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Up the airy mountain,</p><p>Down the rushy glen,</p><p>We daren’t go a-hunting</p><p>For fear of little men;</p><p>Wee folk, good folk,</p><p>Trooping all together;</p><p>Green jacket, red cap,</p><p>And white owl’s feather!”<br></p><p>- <em>The Fairies </em>de William Allingham</p><p><br></p><p>Esse é um dos meus poemas favoritos, do irlandês William Allingham, um dos mais proeminentes autores e editores que decidiram registrar a cultura oral das lendas irlandesas. As fadas também são protagonistas da minha peça favorita de Shakespeare “Sonhos de noite de verão”, onde depois Neil Gaiman coloca em <em>Sandman</em> que foi uma peça encomendada como um presente ao Reino das Fadas. Tolkien, em seu ensaio “Sobre estórias de fadas”, diz: Feéria é uma terra perigosa, e nela há armadilhas para os descuidados e masmorras para os audaciosos demais. Ainda no século XX, pessoas deixavam leite e frutas na janela para as Fadas.</p><p>O povo ribeirinho do Norte Amazônico pede ajuda a Curupira, mãe da mata, e a Caipora quando se perdem por entre a Floresta. No Japão, os youkais permeiam todas as ilhas, dos mais simples, que parecem apenas luzes no céu, até os mais horrendos que nascem onde muito sangue é derramado.</p><p>Lendas, folclore, contos de fadas, o povo pequeno… Essas estórias que vem da cultura oral a mais tempo que os velhos dos velhos podem lembrar. Baba Yaga, a velha bruxa dos povos Eslavos, são seus dentes de ferro e suas pernas de madeiras o firmamento onde foi estabelecida a Mãe Rússia? A saga do Anel dos Nibelungos é por si só um épico das fadas. O Ouro do Reno roubado e transformado em um anel amaldiçoado, o maior tesouro do dragão Fafnir, até o príncipe Siegfried surgir para enfrentar a fera.</p><p><br/></p><p>Independente de poemas, épicos ou cantigas de ninar, as fadas ainda pertencem, ou melhor, povoam o mundo das crianças. Os contos de fadas são o coração do que hoje é a Literatura Infantil. Claro que os temas das obras mudam porque a sociedade muda, a moral muda, mas as fadas sempre trazem um teor de eternidade. Da magia antiga que é essencial para criar o encantamento pelo mundo. Mundo esse que cada vez mais carece de encanto. Desde Esopo com suas fábulas, colocando animais falantes em papeis arquetípicos que estão profundamente conectados aos símbolos dos próprios deuses da Grécia. Uma narrativa cheia de encanto criado por um escravo, onde sua própria realidade carecia de encanto.</p><p>Quando eu era criança corria atrás de redemoinhos de folhas procurando pelo Saci ou por um grupo de fadas para brincar comigo. Nunca falar a temida frase “eu não acredito em…” por medo de ter alguma por medo e com isso causar sua morte.</p><p>Claro que não se encerra nas fadas, porque a literatura infantil convida ao fantástico. Outros reinos, outros mundos, mares bravios escondendo tesouros, fantasmas nos cemitérios e trolls que viram pedra ao nascer do sol.</p><p>Por toda literatura infantil há o fantástico, o encantado, o mágico.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-19 03:55:37 UTC</pubDate>
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         <title>21/05/25 - Lobato e as Crianças</title>
         <author>tarssosafreire</author>
         <link>https://padlet.com/tarssosafreire/v4ee1gccaa8db1n8/wish/3492178522</link>
         <description><![CDATA[<p>A produção literária infantil no Brasil foi feita de uma maneira tipicamente brasileira.</p><p>&nbsp;</p><p>No século XVIII o brasileiro estava interessado nele mesmo, no descobrimento de um Brasil independente e do ser brasileiro, e, obviamente o espaço da literatura infantil foi um espaço de disputa política. As crianças começaram a se habilitar como consumidores e também era necessário construir um inconsciente cultural para formar uma ideia de nação para as próximas gerações. Com a proclamação da República, era preciso a criação dos heróis e símbolos nacionais, como Tiradentes, e também da usurpação das figuras folclóricas das culturas indígenas e remodelação dela como heróis e personagens do Brasil, dentro de uma esfera mítica. Essa disputa cresce também no âmbito do Campo VS Cidade, e também de entender onde os indígenas (que não foram dizimados) poderiam ficar nessa nova Teogonia Brasileira.</p><p>Aí entra alguns grandes nomes da literatura nacional, principalmente, o Sobrancelha, ou Monteiro Lobato. Lobato foi um dos responsáveis pela criação de um mercado editorial voltado para a literatura infantil. Ele produziu livros didáticos, as vezes em parceria com Graciliano Ramos e Olavo Bilac. Só que depois, com a visão positivista burguesa do séc. XIX, onde tem uma valorização do processo científico como nova estrela guia para a humanidade se rompe os laços com o Campo e se faz a homogeneização hegemônica do Brasil, como uma coisa só, ignorando por completo as mudanças regionais e culturais que um país continental apresenta.</p><p>Me faz pensar em como, de fato, o pensamento burguês capitalista e das elites moldaram o mundo, e que esse molde agora chega ao seu estado crítico já entrando em decadência. Me pergunto em como as crianças de hoje veem o Brasil, e que adultos eles serão nesse Brasil imaginário.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-16 20:58:52 UTC</pubDate>
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         <title>05/06/25 – O Livro Ilustrado</title>
         <author>tarssosafreire</author>
         <link>https://padlet.com/tarssosafreire/v4ee1gccaa8db1n8/wish/3512042779</link>
         <description><![CDATA[<p>O processo de leitura padrão (não considerando necessidades de acessibilidade) é essencialmente visual, e o livro ilustrado explora tanto o texto visual com arte plástica. Um processo em que tanto a ilustração quanto o texto produzem experiências estéticas por si só, assim como unidas elas criam uma experiência única. A maior diferença entre um livro ilustrado e o livro <em>com </em>ilustrações é justamente essa experiência estética singular. As ilustrações em um livro com ilustrações têm um processo meramente exibitivo, dependendo do livro, ornamental.</p><p>Em “História de dois amores” de Carlos Drummond de Andrade com ilustrações do Ziraldo (uma covardia em termos de literatura colocar esses dois juntos) se tem as ilustrações brincando com o processo interpretativo do leitor, maximizando ainda mais o efeito que o texto terá sobre ele. Essa noção de livro é muito mais contemporânea. Penso que isso vem na onda das histórias em quadrinhos, que começaram sua Era de Ouro na Segunda Guerra Mundial, isso se considerarmos apenas o ocidente. No Japão, os mangás são um modelo de literatura ilustrada usado desde o século XIX, que foi sacramentado mundialmente como um estilo e marco cultural japoneses por volta dos anos 1950.</p><p>Durante a aula li um livro ilustrado chamado “Loba” de Roberta Malta com ilustrações de Paula Schiavon, onde as autoras realizam uma releitura do conto da Chapeuzinho Vermelho trazendo diversas representações do feminino com incríveis ilustrações em aquarela. É um trabalho esplêndido da Companhia das Letrinhas (selo infantil da Companhia das Letras). Outro livro interessantíssimo em que as ilustrações criam uma narrativa em conjunto ao texto é “Dentro do pote” de Deborah Marcero, com tradução de Fabrício Valério, da VR Editora. Nesse livro um coelhinho muito fofo tem o hábito de guardar tudo em potes, tudo mesmo, então ele começa a fazer amigos que também guardam coisas em potes, assim ele não fica mais sozinho (tô resumindo né).</p><p>Ainda pensando em histórias em quadrinhos, algumas das obras mais recentes trazem também uma experiência estética incrível. Me lembrei agora de Arkham Asylum, uma história do Batman, escrito por Grant Morrison e desenhada por Dave Mckean, onde nós temos uma jornada dentro da psiquê do Homem Morcego, envolve uma narrativa esotérica com cartas de Tarot e um estilo artístico surrealista que causa uma experiência profunda.</p><p>Me faz pensar em como a arte é um campo constante de experimentação. “Se a vida é uma fábrica, a cultura é o departamento de testes”.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-07 03:47:28 UTC</pubDate>
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         <title>12/06/25 - O Livro Informativo</title>
         <author>tarssosafreire</author>
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         <description><![CDATA[<p>Existe uma expressão interessante: isso é uma jabuticaba. A jabuticaba é uma fruta que só existe no Brasil, então quando algo só existe em uma região apenas, ou em um lugar só, chamamos de jabuticaba. O livro paradidático é uma jabuticaba. A questão do livro informativo se une com o paradidático porque, teoricamente, é um livro que deveria ser usado dentro de uma disciplina como processo educativo e de incentivo a leitura. Contudo nem todos são informativos. O livro informativo, obviamente, precisa dar algum tipo de informação, como livro ilustrado que narra a biográfica da Elsa Soares, ou então de alguma outra grande figura histórica. Lembro-me de um livro que era louco na infância sobre a biografia do Leonardo Da Vinci. Era um livro da série Mortos de Fama, onde várias figuras históricas ganhavam uma biografia superengraçada voltada para o público Infanto-Juvenil. Pensando agora, me pergunto se o livro “Vozes de Tchernóbil” da autora Svetlana Alexijevich se enquadra nesse modelo de livro informativo... Bom, é um livro que traz a história oral do desastre nuclear de Chernobil no final da década de 1980. O livro informativo ele habita o espaço da não-ficção, afinal de contas a informação precisa estar baseada no real. Pensando dessa forma, qualquer livro biográfico é informativo.</p><p>A questão de o livro paradidático ser uma jabuticaba é que ele vem num movimento político para fomentar tanto o mercado quando o incentivo a leitura, mas me parece que esse método não funciona tão bem, pois a proposta inicial é que todas as disciplinas tivessem o seu livro paradidático, e que eu me lembre, só minha disciplina de português tinha. Pode não ter sido correto ter o Pequeno Príncipe como livro paradidático, mas sem dúvida foi um evento canônico no meu processo como leitor.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-07 04:06:39 UTC</pubDate>
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         <title>26/06/25 - Criação e Acervo</title>
         <author>tarssosafreire</author>
         <link>https://padlet.com/tarssosafreire/v4ee1gccaa8db1n8/wish/3512097691</link>
         <description><![CDATA[<p>Falamos da outra avaliação da disciplina, a criação de uma oficina de mediação de leitura. As professoras deram um roteiro de como criar a oficina e eu me fiz alguns questionamentos do que criar. Crianças ou adolescentes? Poesia ou prosa? Se for prosa, vai ser terror... E se for poesia, vai ser o que? O que escolher? As professoras são bem espertas e logo depois elas deram a aula da formação do acervo.</p><p>A formação do acervo é um dos componentes cruciais da biblioteca, uma biblioteca sem acervo é inútil, tanto quanto uma biblioteca sem usuários não passa de um depósito apodrecendo. A biblioteca é um organismo, citando Ranganathan, mas eu gosto de dizer: A biblioteca é um organismo <em>vivo</em>. E para ser um bom ser vivo ela precisa de bons livros.</p><p>O que é um bom livro? Ou um livro de qualidade? Bem, existe a questão objetiva de qualidade física. Existem livros infestados por pragas, mofados ou com uma estrutura tão precária que não podem entrar no acervo corrente. Existe a questão subjetiva da qualidade do livro, o conteúdo de qualidade. Alguns critérios são mais fáceis que outros, como a bibliodiversidade. É necessário considerar que a construção do acervo deve ser o mais diverso possível, tanto de estilos literários, quanto de culturas, etnias e ideologias. Tal qual Borges descreveu uma biblioteca que era o próprio Universo, todo bibliotecário deveria tentar tornar o seu Universo o mais diverso possível.</p><p>Ainda resta a pergunta: O que é um livro bom? Um bom método é checar os livros que ganharam prêmios na sua área. Alguns prêmios, como o Hans-Christian Andersen ou o Jabuti, podem dar excelentes recomendações para construir um acervo com uma qualidade bem fundamentada. Existem também instituições ligadas a Unesco, como Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil (FNLIJ) que é, literalmente, um selo de qualidade dentro da produção literária infanto-juvenil.... Mas o que é um livro bom?</p><p>“Existe algo na experiência de leitura em que você vai se deparar com um pensamento ou sentimento que tem sentido apenas para você. E ali está... algo escrito por um completo desconhecido, alguém que talvez tenha morrido bem antes de você nascer... é como se essa pessoa estendesse uma mão ao seu encontro”, essa é uma citação do filme History Boys. De que serve a arte? Eu concordo com Oscar Wilde quando ele diz que a arte é inútil. A experiência estética de um livro bom, um livro que consegue te ler tanto quanto você o lê ou que expressa algo sobre você que nem mesmo você tinha consciência disso é o que define um livro como bom. Ítalo Calvino diz que um livro clássico é “um livro que nunca terminou de dizer o que tinha para dizer”, e que também é um livro que sempre vai ser relido e que abre o caminho para que as pessoas criem os seus próprios conceitos do que é um livro clássico, do que é um livro bom.</p><p>Acho que para mim &nbsp;um bom livro é aquele me estende a mão, e no encontro de nossas mãos, temos um breve instantes de certeza de que não estamos sozinhos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-07 04:44:04 UTC</pubDate>
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