<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>Representações de resistência dos escravizados no cinema brasileiro: uma análise dos filmes Ganga Zumba, Xica da Silva, Quilombo, Besouro e Doutor Gama; by VALDINE LIMA</title>
      <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1</link>
      <description></description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-12-27 12:48:55 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2024-12-31 02:43:02 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url></url>
      </image>
      <item>
         <title>Introdução</title>
         <author>valdinecarlos710</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272709068</link>
         <description><![CDATA[<p>     O objetivo desta apresentação é analisar como a resistência dos escravizados foi retratada no cinema brasileiro, utilizando cinco filmes como base, produzidos entre a década de 1960 e 2020. Fundamentado na ideia de que o filme é um produto do seu tempo (Bordwell, 2013), o enfoque é perceber como os filmes brasileiros de diferentes épocas abordaram o tema da escravidão e a resistência dos negros, para entender como a sociedade brasileira passou a lidar com o tema em diferentes épocas. </p><p>     O recorte temporal será entre a década de 1960 e 2020, em virtude dos anos de produção dos cinco filmes analisados, sendo eles: Ganga Zumba (1963), Xica da Silva (1976), Quilombo (1987), Besouro (2005) e Doutor Gama (2021). Dessa forma, tais obras serão as fontes trabalhadas na presente análise, pois consoante a Bordwell (2013), filmes são espelhos de cada tempo, podendo ser utilizados como fontes históricas. Além disso, o recorte espacial será o Brasil, a fim de analisar problemáticas sociais e políticas a partir dos filmes de cada época sobre um mesmo tema.</p><p>      Portanto, busca-se responder a seguinte pergunta: "como ocorreram as representações da resistência de pessoas escravizadas no cinema brasileiro nos filmes Xica da Silva (1976), Ganga Zumba (1966), Quilombo (1987), Besouro (2005) e Doutor Gama (2021)?", em razão da importancia de se trabalhar a temática racial, presente na sociedade brasileira em forma de preconceitos, frutos dos processos históricos do país. As análises irão dialogar com bibliografias relacionadas aos filmes e ao tema da escravidão. Do ponto de vista pedagógico, filmes também podem ser usados como objeto de reflexões no ensino básico, por isso, este trabalho também pretende colaborar com professores e professoras.</p><p><br></p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2024-12-27 13:10:52 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272709068</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Doutor Gama (2021)</title>
         <author>valdinecarlos710</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272710708</link>
         <description><![CDATA[<p>     Doutor Gama é um filme lançado em 2021, pela Globo Filmes, disponível na Globoplay, no qual retrata a vida de um personagem real, Luiz Gama, advogado negro e ex-escravizado que lutou pela liberdade de outras pessoas negras por meio da lei. A obra apresenta aspectos da sua vida desde a infância, passando pela fase final da adolescência até a vida adulta, aos quarenta anos, quando já era advogado. </p><p>     O filme mostra como Luiz Gama foi escravizado mesmo tendo nascido livre, o processo em que ele aprendeu a ler dentro da casa do seu senhor, além de como a leitura o ajudou a entender a justiça e buscar sua liberdade por meio dela. Gama foi um autodidata, em um ano já estava alfabetizado, aprendeu sobre sua própria história e coletou provas para sua liberdade (Pinto, 2022).</p><p>     O filme aborda, assim, a resistência de uma pessoa negra e escravizada, em que utilizou o conhecimento e a leitura como forma de resistência, não apenas sua, mas dos seus semelhantes, visto que Luiz Gama se tornou advogado e defendeu pessoas negras e escravizadas. A obra apresenta uma cena na qual Gama fala com grande eloquência na defesa de um jovem escravizado que matou seu senhor devido sua esposa ter sido violentada por ele. Neste caso, Gama consegue um documento provando que o jovem nasceu livre e não poderia ser escravizado, além de ter agido por legítima defesa. Gama vence este caso.</p><p>     A obra apesenta Luiz Gama como um homem de letras, culto, que escolhe a lei acima de tudo. O domínio da leitura e escrita já o tornava um negro atípico, mas Gama não parou por aí, passando também a publicar livros, pois além de advogado era poeta (Souza, 2024). O filme mostra um grupo de negros armados que lutava pela liberdade dos escravizados, outra forma de resistência, no qual eles convidaram Gama para se juntar a equipe, mas o protagonista rejeita dizendo que sempre escolhe a lei. Gama foi o principal representante do grupo de advogados que lutou pela causa abolicionista de modo engajado e combativo (Pinto, 2022).</p><p>     Assim, é evidente que a obra Doutor Gama apresenta elementos de resistência das pessoas negras escravizadas no Brasil, sobretudo durante o século XIX. No entanto, a obra escolhe um caminho de resistência por meio da justiça e da lei, representada na figura de Luiz Gama, um homem negro e ex-escravizado que encontrou nos livros uma porta tanto para sua própria liberdade quanto para outros oprimidos naquele contexto. </p><p>     Desse modo, o filme trabalha a resistência dos escravizados pelas vias legais, o que também era possível, mas difícil, pois eram leis criadas pelos brancos. Gama usava sua posição como advogado e escritor para denunciar as injustiças sociais e a elite que queria manter o sistema escravista, tornando-se um ilustre cidadão (Souza, 2024). Dessa maneira, o filme utiliza este grande brasileiro como meio para representar a resistência de um negro que foi escravizado. </p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/3214827206/c495a0198b61f82ff9936d821f2fb588/dr_gama_cartaz_final_baixa2.webp" />
         <pubDate>2024-12-27 13:16:11 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272710708</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Referências bibliográficas</title>
         <author>valdinecarlos710</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272728089</link>
         <description><![CDATA[<p>ADAMATTI, M. M. (2016). Crítica de cinema e patrulha ideológica: o caso Xica da Silva de Carlos Diegues. Revista FAMECOS.</p><p>(Adamatti, 2016)</p><p><br/></p><p>BORDWELL, David. A importância da forma fílmica. In: Arte do cinema. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2013, p. 109-139.</p><p><br/></p><p>CARVALHO, Marco. Feijoada no paraíso: a saga de Besouro, o capoeira. 1 edição. Rio de Janeiro: Editora Record, 2002.</p><p><br/></p><p>EIRAS, Rafael Garcia Madalen; LEMOS, Anna Paula Soares; OLIVEIRA, Joaquim Humberto Coelho de. "Ganga Zumba" e "Quilombo" de Cacá Diegues: duas utopias para o amplo presente. <strong>C-Legenda</strong>, Duque de Caxias, v. 1, n. 38-38, p. 176-188, 21 maio 2021. Disponível em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://periodicos.uff.br/ciberlegenda/article/view/44455/29209">https://periodicos.uff.br/ciberlegenda/article/view/44455/29209</a>. Acesso em: 29 dez. 2024.</p><p><br/></p><p>PINTO, Fernanda Miler Lima. Entrelaçando direito, cinema e literatura: vida, trabalho e obra de Luiz Gama. Reflexões sobre direito e sociedade: fundamentos e práticas. Fernanda Miler Lima Pinto (org.). Ponta Grossa: Aya, 2022.</p><p><br/></p><p>ROSENSTONE, Robert. <strong>A história nos filmes, os filmes na história</strong>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.</p><p><br/></p><p>SOUZA, Santiago Moreno Araujo. Luiz Gama: escravizado, poeta, advogado, jornalista. 2024.</p><p><br/></p><p>SILVA, Uyara Ribeiro da. <strong>A representação da resistência escravos do Brasil a partir do filme Quilombo de Palmares (1 629-1694)</strong>. 2015. 38 f. Monografia (Especialização) - Curso de História, Unidade Universitária de Pires do Rio, Universidade Estadual de Goiás, Pires do Rio, 2015. Disponível em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://repositorio.ueg.br/jspui/bitstream/riueg/4326/2/MG9%2022006-2015.pdf">https://repositorio.ueg.br/jspui/bitstream/riueg/4326/2/MG9%2022006-2015.pdf</a>. Acesso em: 29 dez. 2024.</p><p><br/></p><p>SANTIAGO JR. Francisco das C F. Imagem, raça e humilhação no espelho negro da nação: cultura visual, política e "pensamento negro" brasileiro durante a ditadura militar. Topoi, v. 13, n. 24, jan.-jun. 2012, p. 94-110.</p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2024-12-27 14:09:13 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3272728089</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Xica da Silva (1976)</title>
         <author>mariamelquiades102</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3275801331</link>
         <description><![CDATA[<p>     O filme <strong>Xica da Silva</strong> (1976), dirigido por Carlos Diegues e produzido pela Embrafilmes, acompanha a trajetória de uma mulher negra, ex-escravizada, que ascende socialmente ao se tornar amante de João Fernandes, um contratador de diamantes enviado ao Brasil pela Coroa Portuguesa para administrar a exploração dos diamantes nas minas do Arraial do Tijuco, atual Diamantina.</p><p>     Após seu lançamento, o filme recebeu críticas quanto à forma como Xica da Silva é retratada, sobretudo no que diz respeito à sexualização da personagem. No entanto, o uso do corpo e da sexualidade por Xica pode ser entendido como uma ferramenta de poder, uma estratégia de resistência utilizada pela personagem para transformar as situações a seu favor. Xica da Silva é apresentada como uma mulher corajosa, inteligente, sedutora e poderosa, disposta a fazer o possível para melhorar sua condição de vida, encontrando maneiras de sobreviver na sociedade escravista do século XVIII.</p><p>     Desde os primeiros momentos do filme, Xica utiliza a sexualidade estrategicamente para conseguir o que deseja, demonstrando, dessa forma, ter controle das situações. É esse poder exercido e controlado por ela que possibilita sua rara ascensão social, considerando o sistema em que está inserida.</p><p>     Ao conquistar João Fernandes e ascender socialmente, Xica burla a hierarquia colonial, ocupando um espaço privilegiado e anteriormente inacessível a uma mulher negra. Nessa posição, ela transforma também o ambiente ao seu redor, impondo suas vontades dentro das possibilidades que surgem para ela. Xica se insere na alta sociedade colonial, veste-se como uma mulher branca, participa de banquetes, manda construir sua própria igreja e também um palácio com um lago artificial, no qual há um barco que apenas negros podem acessar. Tudo isso é também uma forma de resistência simbólica, uma vez que desafia o discurso de superioridade racial que sustentava o regime escravista.</p><p>     Além de Xica da Silva, a resistência negra é representada também pela figura de Teodoro, um negro quilombola. A existência de um quilombo, por si só, já é evidência de resistência negra frente à escravidão naquela sociedade.</p><p>     Teodoro, assim como Xica, é retratado como uma figura astuta, inteligente e corajosa. Quando Teodoro aparece pela primeira vez, logo nos minutos iniciais do filme, encontra o contratador de diamantes que chega ao Arraial do Tijuco. A montagem dessa cena o posiciona em um plano superior em relação ao contratador; ele aparece armado e confiante. Aqueles que acompanham Teodoro o elogiam por sua capacidade de encontrar diamantes. As falas da personagem têm um tom de superioridade e ironia ao conversar com João Fernandes sobre não precisar da autorização do rei para pegar os diamantes que brotam dos cascalhos.</p><p>     Teodoro "sente o cheiro" dos diamantes e sempre os encontra antes do contratador, que, por sua vez, passa a escavar nos locais onde o quilombola já havia coletado os diamantes da superfície. Os dois firmam, dessa forma, uma espécie de "contrato" de paz velado e implícito: Teodoro encontrava os diamantes, e João Fernandes o deixava em paz. Essa trégua pode ser interpretada como uma estratégia de resistência, embora Teodoro não demonstre depender desse acordo. Ele não se submetia às figuras de autoridade que cruzavam seu caminho e encontrava formas de resistir ao sistema, prezando por sua liberdade e a de seus iguais, inclusive em uma cena em que aparece comprando a liberdade de escravizados.</p><blockquote><p>João Fernandes: "E você, é livre?"</p></blockquote><blockquote><p>Teodoro: "O senhor tem alguma dúvida?"</p></blockquote><p>     Com base nessa breve exposição, é possível perceber que tanto Xica da Silva quanto Teodoro são retratos de como as pessoas negras encontravam formas de resistir ao sistema escravista, sobrevivendo e reivindicando dignidade, cada um a sua maneira, o que revela a complexidade das formas de luta diante da opressão.</p><p><br/></p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/3218685830/9d3e475d2df6474f8d7f9346e11d179f/1000276468.jpg" />
         <pubDate>2024-12-30 14:44:39 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3275801331</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Conclusão </title>
         <author>mariamelquiades102</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3275963759</link>
         <description><![CDATA[<p>     Tendo em vista as análises anteriormente expostas, as narrativas apresentadas nos filmes podem ser consideradas retratos complexos e multifacetados da escravidão no Brasil, trazendo também a resistência negra e a crítica ao sistema escravocrata de diferentes formas. No filme <strong>Xica da Silva</strong> (1976), a protagonista emprega sua sexualidade, inteligência e astúcia para elevar o próprio status social e desafiar a hierarquia colonial, tendo um tipo de resistência individual e focada em sua própria sobrevivência dentro do sistema, utilizando dele em seu favor sem questionar a sua estrutura. Enquanto Teodoro reflete a resistência ativa e autônoma, pois ele desafia as autoridades prezando a sua liberdade, vivendo a sua própria maneira sem depender eu se submeter aquele sistema.</p><p>     Nos filmes, <strong>Ganga Zumba</strong> (1963) e <strong>Quilombo</strong> (1984) retratam a resistência social por meio dos quilombos, grupos em que ex-escravizados, após a fuga, se refugiavam e se fortaleciam em comunidades, resistindo e lutando contra a opressão e violência dos portugueses.</p><p>     No filme <strong>Besouro</strong> (2009), há uma profunda resistência nítida que ressalta como o povo negro em seu meio âmbito estrutural social, lutou firmemente para viabilizar seus direitos em meio a um regime escravista totalmente desumano, a presença da capoeira também aparece no filme como um forte símbolo de resistência. Assim, o filme como um todo ressalta essa divisão de liberdade, opressão e injustiças.</p><p>     Outras formas de resistência também são representadas nos filmes brasileiros, como a apropriação da leitura e das leis pelo personagem Luiz Gama, no filme <strong>Doutor Gama </strong>(2021). Apresentar um homem negro e escravizado que conquista sua liberdade por meio do conhecimento é uma forma de abordar a resistência sob outra perspectiva. </p><p>     Segundo Rosenstone (2010), os filmes assim como os livros, podem representar um passado importante e produzir um tipo de história suficientemente complexa para que possamos interpretá-la. Os filmes abordados no presente trabalho possuem abordagens e narrativas distintas sobre a mesma temática da resistência. Dessa forma, é importante notar as múltiplas estratégias utilizadas pelos negros como formas de resistência para lutar contra o sistema escravocrata, e os filmes podem ser vistos como janelas para esse passado, retratando as formas de resistência negra a partir de uma outra abordagem que não a escrita. O cinema também é capaz de produzir uma história séria, com H maiúsculo (Rosenstone, 2010), colaborando com a interpretação do passado a partir de um tipo diferente de comunicação.</p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2024-12-30 15:49:40 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3275963759</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Ganga Zumba (1963)</title>
         <author>beatrizbarbosa707</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276093486</link>
         <description><![CDATA[<p>      O filme "Ganga Zumba", lançado em 1963, retrata a vida de Ganga Zumba, um personagem real, em uma fuga de uma plantação de cana-de-açúcar. Apesar dos poucos registros históricos sobre sua vida, Ganga Zumba é representado no filme como um jovem, que está no início de sua vida adulta, e que busca a liberdade, guiando uma pequena fuga para o quilombo visando libertar e salvar quem o seguiu de seus malfeitores.</p><p>      A obra de Carlos Diegues retrata um Ganga Zumba jovem, líder nato, negro e em contato com sua cultura. Como o próprio Diegues afirmou desejar um "filme simples, objetivo, direto sobre um tema que sempre desejei tocar, a liberdade, através de um instrumento cultural que sempre me interessou, o negro, sua cultura. Creio pelo que temos agora, que estamos alcançando o objetivo. “Ganga Zumba” terá de ser um filme violento (...) fundamental do espírito negro." (MORAES, 1963 apud SANTIAGO JÚNIOR, 2012).</p><p>      A película aborda o contexto histórico e social do Brasil Colônia e traz a tona uma história que muitos não conhecem, que é a história de Ganga Zumba, tão emblemático e conflituoso quanto a história de Zumbi dos Palmares. Podemos perceber pelo fato de que, desde que o filme começa, podemos ver os negros escravizados fugindo por dentro dos canaviais até o momento em que Ganga Zumba e alguns de seus colegas fogem com ele. Uma perseguição se inicia até chegarem na Serra da Barriga, local em que o Quilombo dos Palmares se encontrava.</p><p>      As formas de resistência mostradas no filme acontecem por meio do cunho social, uma vez que não há um foco na questão exploratória econômica da época que era a base do sistema escravocrata. Deste modo, "a politização do debate cultural brasileiro nos anos 1960 em Ganga Zumba permite observar o incômodo sobre o papel do negro e da raça no imaginário nacional." (SANTIAGO JÚNIOR, 2012)</p><p>      Ainda assim, o filme foca bastante em como se precisava lutar para conseguir sobreviver em meio a escravidão no Brasil e, principalmente, quando fugiam para um lugar em que se esconderiam para se sentir seguros e continuar vivendo, mostrando ao final, Ganga Zumba sendo coroado como novo líder dos Palmares. O filme se utiliza da figura emblemática de um ex-escravizado que se libertou fugindo, que ajudou vários escravizados a fugir e se torna um símbolo de resistência juntamente com o quilombo que, após a sua morte, seria um dos maiores e mais conhecidos quilombos do nosso país.</p><p><br/></p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/3221579497/456127225f48235f7127e2230608f80a/Ganga_Zumba.jpg" />
         <pubDate>2024-12-30 23:24:54 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276093486</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Quilombo (1984)</title>
         <author>lillianpimentel086</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276118956</link>
         <description><![CDATA[<p>     O filme Quilombo foi lançado em 1984, dirigido por Cacá Diegues e produzido por Augusto Arraes, nele, é retratada a trajetória e vida de Ganga Zumba e seu afilhado Zumbi, a ascensão de Palmares, sua luta e resistência em meio às tentativas de invasão até a sua destruição em 1694. Nesta obra, são apresentados diversos lapsos de tempo, desde a fuga de Ganga Zumba até Palmares, sua nomeação como rei, o nascimento de seu afilhado Zumbi, sua vida adulta, até suas mortes.</p><p>     Dessa forma, neste filme, vemos a nomeação de Ganga Zumba como rei de Palmares, um local de refúgio e esconderijo para negros que fugiam da escravidão. Também há inúmeras tentativas de invasão, o que ocasiona a morte da mãe de Zumbi, que é raptado e que acaba sendo enviado para ser escravo de um padre, anos depois, ele foge e retorna para Palmares. Além disso, vemos tentativas de acordos e trocas de mercadorias entre o povo de Palmares e os brancos. Nessas tentativas de acordos, o braço direito de Ganga Zumba, Acaiuba, é morto após uma traição por parte do Capitão Fernão Carrilho. Zumbi passa a buscar vingança, liderando rebeliões para libertar escravos, tornando-se um&nbsp; guerreiro de Palmares.&nbsp;</p><p>      Zumbi passa a ser o novo rei de Palmares após a divisão causada por Ganga Zumba, que insistia em aceitar um acordo de paz promovido pelo governo de Pernambuco. Porém há uma discussão, pois o acordo dizia que Palmares deveria mudar do seu lugar de origem, para uma terra cedida pelo governo de Pernambuco, Cucaú, com a falsa promessa de reconhecimento da liberdade. Bem como o fim da guerra liderada por Zumbi. Assim, o povo se divide e Zumbi permanece em Palmares com aqueles que acreditavam em sua palavra, enquanto Ganga Zumba parte com aqueles que o apoiavam.&nbsp;</p><p><br/></p><blockquote><p>“Como é possível ser amigo dos brancos, se a felicidade deles depende da nossa escravidão?”</p></blockquote><p><br/></p><p>     Em 1694, ocorre uma invasão que marcou o fim de Palmares e de Zumbi, um exército português liderado por Domingos Jorge Velho invade Palmares e, apesar da tentativa de retaliação, os portugueses avançam em massa e destroem o quilombo. Zumbi foge, mas é encontrado e morto a tiros por vários portugueses. Apenas Camuanga, um jovem, consegue fugir e se torna responsável por liderar a resistência de Palmares.</p><p>     Assim, percebemos uma resistência social entre os moradores de Palmares. As fugas de ex-escravos que formaram uma comunidade, transformando em um local de refúgio e sobrevivência (SILVA, 2015). Em meio a tentativas de invasão e repressão por parte dos portugueses, o quilombo permaneceu fortalecendo sua cultura, nomes e idiomas de seus ancestrais. Assim como os rituais e festas religiosas, que aparecem como um ícone de grande importância para o filme, fortemente ligado aos personagens de grande destaque como Ganga Zumba e Zumbi, retratado no filme de uma forma mística (EIRAS, LEMOS, OLIVEIRA, 2021).&nbsp;</p><p>     Ademais, também há uma resistência presente no suícidio de Ganga Zumba, após chegar em Cucaú e perceber que estavam como reféns pelos portugueses. Em uma última tentativa de salvar seu povo e sair da condição em que estava, Ganga Zumba e Ana de Ferro orquestram sua morte, para incriminar o Capitão e encorajar o povo a fugir novamente para Palmares (SILVA, 2015). Assim, Quilombo (1984), dirigido por Cacá Guiedes, aborda uma longa trajetória de resistência e resiliência dos negros de Palmares, em busca da sobrevivência e da liberdade.</p><p><br/></p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/3221455788/91a0fed2013d5148bfd527d848622494/Digitalizar0061.jpg" />
         <pubDate>2024-12-31 00:39:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276118956</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Besouro (2009)</title>
         <author>diogo2002cla</author>
         <link>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276166267</link>
         <description><![CDATA[<p>   O filme besouro (2009) dirigido pelo Diretor João Daniel Tikhomiroff, expressa dentro do seu âmbito cinematográfico, um verdadeiro sentimento de resistência e luta perante o sistema opressor escravista em meados de 1920, nesse contexto de resistência existente na obra, temos como ator principal o protagonista e capoeirista órfão (Besouro) assim como era conhecido.</p><p>   O filme é baseado justamente na história de (Ailton Carmo), tendo como seu apelido Besouro Mangará, tendo visibilidade maior dentro do livro Feijoada no Paraíso", de Marco Carvalho, obra esplêndida que garante um grande alicerce na produção do filme.</p><p>   Basicamente, o filme retrata como acontecia essa grande resistência perante as autoridades locais “senhores de engenho e governo” a respeito da escravidão no Brasil, podemos ver no filme, grandes exemplos da repressão através da tortura e violência que demonstram esse teor de violência num contexto estrutural Brasileiro.</p><p>  Besouro, atua fortemente na trama, defendendo seu povo contra opressões e demonstrando os traços culturais e religiosos expressados na Cultura afro, e retratados nitidamente no livro (Carvalho, 2002), como por exemplo na morte do seu mentor e mestre durante as opressões polícias na centralidade do filme.</p><p>   Dentro desse contexto cultural, temos por exemplo a capoeira, principal meio de defesa perante as opressões vividas na obra, a capoeira que em seu meio estrutural quebra o imaginário de um público que não entendia até então como aconteciam essas tentativas de defesa e liberdade perante as diversas atrocidades retradas principalmente no livro (Carvalho, 2002). Ela chega colocando com grande glamour e elegância, movimentos quase que mágicos, utilizando somente a força corporal de cada indivíduo, com uma alta velocidade nos pés.</p><p>   O filme Besouro (2009) é outro exemplo de resistência nos filmes nacionais brasileiros, trazendo de maneira profunda esse tema perante a escravidão, dentro daquele contexto social retratado na obra. A liberdade de expressão e direitos para o povo negro não existiam no período, o suor no rosto, às chibatadas em meio ao sol, as pauladas em praça público e as torturas sensibilizam o público nacional de todas idades sobre o que foi realmente a escravidão no Brasil. O povo negro resistiu e buscou sua liberdade e direitos, principalmente na última cena do filme, quando um cerco da polícia corre atrás do Besouro a cavalos e mesmo cheio de ferimentos pelo corpo, ele luta até sua última gota de sangue até seu último suspiro, um sangue derramado com um verdadeiro símbolo de resistência.</p><p>   </p>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/3214827206/3f76a70650c52a35fc41c1148f6c0a54/19874094.webp" />
         <pubDate>2024-12-31 01:59:51 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/valdinecarlos710/ttbq7qmj4p91irk1/wish/3276166267</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
