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      <title>NARRATIVAS by Andrea Luciano</title>
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      <description>Devaneios de uma mente inquieta</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-11-13 13:11:47 UTC</pubDate>
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         <title>Agora ouço a voz</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div><br>Mudei de emprego em meio a pandemia e no início de uma pesquisa. Uma loucura! Era diretora de escola na rede municipal agora sou auxiliar docente na rede privada de ensino. Minha nova função consiste em apoiar o trabalho dos professores e da coordenação pedagógica. Na pandemia auxilio os alunos que não conseguem acompanhar o ensino remoto, nestes casos atendemos presencialmente na escola.</div><div>A primeira vez que vi a Camila* ela estava com a mãe. A criança não estava acompanhando as atividades remotas, as aulas sincronas e nem entregando as atividades. Só a mãe respondia as questões, nem se ouvia a voz da criança. </div><div>Combinamos que ela viria para a escola duas vezes na semana para colocar as atividades em ordem e auxiliar na última etapa do ano letivo.</div><div>Nos primeiros encontros a timidez era tanta que nem conseguia ouvir a sua voz. Minha primeira ação pedagógica foi construir entre nós uma relação de confiança. Agora ouço a voz, escuto as perguntas e uma vez já consegui tirar um sorrisinho tímido daquele rosto lindo.</div><div>Uma das perguntas que busco resposta no Mestrado Profissional é: Como transformar a nossa prática para transformar a Educação? Hoje fui indagada sobre qual prática quero mudar. Respondo: a prática cotidiana, a prática da indiferença frente às necessidades do educando a prática do ensino em massa, a prática do desrespeito às diversidades, é esta que quero mudar. <br>*nome fictício<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-13 13:14:00 UTC</pubDate>
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         <title>Eu ganhei um pirulito</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>Nesta nova fase, como auxiliar docente tenho auxiliado as crianças que estão com dificuldades em acompanhar as atividades remotas. A Helô chegou quietinha, mas rapidamente mostrou sua arma, um lindo sorriso. <br>Toda sexta-feira a tarde ela chega com aquele sorriso e diz estar com saudades da escola, dos profesores, dos colegas.<br>Percebo que além do auxilio pedagógico também ajudo a sair do isolamento obrigatório, possibilito o contato com o outro, ainda que mascarado e cheio de álcool gel. O silêncio que havia entre nós já não existe mais. Aliás, agora tem momentos que a conversa se estende demais e o relógio nos lembra que a irmã a espera, entediada no andar de baixo. <br>Na última sexta-feira, antes de ir embora ela se vira e me dá um presente, eu ganhei um pirulito. Como não amar esse trabalho?</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-13 13:28:16 UTC</pubDate>
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         <title>Sem fala</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>Minha companheira nas tardes de sexta é uma menina linda, sorridente e falante.<br>Dia desses ela diz: - Prô, eu quero vir para a escola.<br> Eu, provocadora digo: <br>- Mas você está na escola.<br>Ela para, me olha séria e responde:<br>- Estou com saudades dos amigos, de vir de perua, de sair correndo para ver se da tempo de comprar fini no portão. <br>O silêncio retorna entre nós. Fico sem saber o que falar, afinal também sinto as minhas saudades.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-13 20:32:52 UTC</pubDate>
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         <title>Presente de aniversário </title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>2013</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-14 12:26:40 UTC</pubDate>
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         <title>Fiquei sem chão</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>Toda mudança é difícil, chegar em um lugar novo é sempre um desafio, dá um frio na barriga, muitas expectativas e até um certo medo do desconhecido, mas para mim começou a ficar melhor no dia que recebi uma mensagem alegre e feliz no Whatsapp com animadas boas-vindas e orientações.<br>Cheguei no emprego novo e fui recepcionada pela linda, sorridente e acolhedora coordenadora, a dona da voz alegre.<br>Foram menos de dois meses de convivência e de aprendizado, mas a sensação era de que já pertencia aquele lugar. <br>Quando penso que está tudo bem vem a notícia bombástica, fiquei sem chão, ela se foi, deixou a empresa para alçar voos maiores e melhores. Como tudo que é bom dura pouco, eu fico com a sensação que devia ter aproveitado mais, se eu soubesse teria ficado com ela a dia todo, ao invés do meio período da minha jornada. Se eu pudesse fazer o tempo voltar teria estendido o tempo.<br>Para ela foram 30 anos de história, 30 anos dedicados a docência, 30 anos semeando a Pedagogia do Amor e do Acolhimento. Penso no privilégio que tive de ser, pelo menos neste espaço-tempo, a última semente. Penso também na responsabilidade que terei em acolher, nutrir e germinar esta semente no docorrer da minha carreira docente, pois ela concluiu um caminho que eu mal comecei.<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-17 21:09:18 UTC</pubDate>
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         <title>2020</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1004464003</link>
         <description><![CDATA[<div>O ano letivo de dois mil e vinte começou como todos os outros. Recebi uma sala multisseriada com seis alunos matriculados. Cada aluno com sua história, porém um desejo os conectava: a sede pelo conhecimento e o domínio da leitura e da escrita. Elaine, 38 anos, dona de casa, mãe de 4 filhos, é uma jovem avó, foi mãe aos quatorze anos, parou de estudar na 2ª série, agora com os filhos crescidos sentiu a necessidade de voltar à escola. Francisco, 35 anos, pintor, casado, veio do Maranhão em 2012, não teve acesso à escola na infância, filho de pai alcoólatra tinha que trabalhar para ajudar a família. Sebastião, 60 anos, separado. Mudou-se ainda pequeno para o Paraguai, não pode estudar, pois não existia escola pública na região. Voltou para o Brasil com 21 anos de idade, se casou, criou seus filhos construindo casas, voltou à escola para realizar o sonho de tirar carteira de habilitação. Bernarda, não gosta do nome, prefere ser chamada de Neta, 47 anos, diarista, nasceu no Piauí. Seu sonho: cursar direito, seu objetivo de curto prazo é dominar a leitura e a escrita, visto que já superou o analfabetismo. Leonilda, 38 anos, faxineira, nasceu em Maceió, veio para São Paulo há sete anos, trabalha no mesmo emprego desde que chegou. Dona Edite, 72 anos, é viúva, veio da Bahia, não pode estudar quando criança, pois o pai dizia que mulher não precisava estudar. Ler e escrever é o seu sonho. Seus filhos se revezam diariamente para trazê-la até a escola. Já consegue juntar as letrinhas e lê bem devagarinho.<br><br></div><div>Começamos o ano letivo animados, após as análises diagnósticas, definimos os planos de trabalho para cada aluno. O Francisco, a Leonilda e o Sebastião precisavam desvendar os segredos da escrita alfabética, a Dona Edite, a Bernarda e a Elaine precisavam aprimorar a compreensão leitora e a produção de textos. O Francisco e o Sebastião possuem raciocínio lógico matemático bom, porém precisam se apropriar do vocabulário matemático. A Bernarda precisa se aprimorar nos cálculos matemáticos relativos à multiplicação e divisão, a Leonilda, a Elaine e a Dona Edite necessitam de situações problemas que desenvolvam o cálculo mental. Um mês e sete dias depois (16/03/2020) surge uma pandemia no nosso caminho. Infelizmente nossas atividades escolares forma suspensas em março de 2020. Consegui manter a rotina até o dia 17/03, a partir de 18/03 eles já aderiram a quarentena. Combinamos de montar um grupo no Whatsapp e assim manter o contato, seria um canal para tirar dúvidas e dentro do possível continuar os estudos.<br><br></div><div>Combinamos de às 20h estarmos online no aplicativo eu informava a atividade e cada um, na sua casa, faria a atividade e tiraria dúvida comigo no grupo. A única aluna que não está no grupo é a Dona Edite, para esta as atividades eram enviadas no contato particular, para que as notificações de movimento no grupo não atrapalhassem sua rotina. Iniciamos com atividades simples, para escrita e leitura de palavras. No meu primeiro registro manuscrito (18/03) anotei: <em>Francisco: relatou que conseguiu ler a maioria das palavras. Bernarda/Sebastião/Leonilda: relararam que não encontraram dificuldades. No último mês eles tiveram avanços significativos na escrita e na leitura. As sílabas simples já é, em sua maioria reconhecida. O Sebastião tem mais dificuldade na escrita do que na leitura, o mesmo acontece com o Francisco e com a Leonilda. A Bernarda já consegue ler tranquilamente as palavras com sílabas simples, tem algumas dúvidas nas sílabas complexas e muita dificuldade na produção de texto.<br></em><br></div><div>Na atividade do dia 19/03/2020 registrei<em>: O aluno Sebastião conseguiu escrever a maioria das palavras. Confundiu alguns desenhos: caracol escreveu LESMA/ avental escreveu BOLCA/ peteca escreveu PETERCU. Bernarda confundiu PETECA com abacaxi e perguntou se calça era com “Ç” no final. Francisco perguntou se cenoura é com “C” de sapo ou “C” de ... A Bernarda interveio e disse ser com C de cebola. Me senti na sala de aula. Em casa eles recebem auxílio dos familiares. O Francisco postou a atividade já corrigida pela esposa, mas sinalizou as correções: CARACOL= esqueceu o L, BOLSA= esqueceu o L, CENOURA= tinha escrito SENORA/CANORA e corrigiu depois. Leonilda: recebeu auxílio da filha para fazer a atividade. A filha relatou que ajuda a mãe a identificar os sons e a procurar no “silabário” a sílaba correta.<br></em><br></div><div><em>Na atividade do dia 20/03 registrei: Francisco fez corretamente com a intervenção da esposa em casa. Sebastião: postou a atividade completa com sinais de correção prévia. <br></em><br></div><div><em>No dia 23/03 lancei um desafio: postei uma imagem da Cora Coralina em pé e de braços cruzados e pedi para analisar e relatar o que a imagem nos diz. Instiguei: é uma mulher? qual idade? o que ela faz?</em> <br><br></div><div>Sebastião: <em>Esta senhora é uma italiana, tem 82 anos, é uma escritora, uma pessoa que escreve livros. Ela deve ser moradora da Itália. Questionei por que ela é italiana e escreve livros, a resposta foi: <br></em><br></div><div>- <em>Por causa do porte dela né? O tipo dela, o porte dela é de uma pessoa estudada, da parte do estrangeiro, é da Itália e Espanha, né?  Os dois tipos de gente que tem esse porte aí e gosta de escrever livro. Tem uma pista do lado aí que eu deixei passar, tem uma escriturazinha do lado dela. Eu vi e foi assim que mandei a resposta pra você</em>.<br><br></div><div>Após a conversa passei o link do documentário: Cora Coralina – todas as vidas, de Renato Barbieri, na época o filme completo estava disponível no You Tube. Após assistir ele retornou: <em>Eu achei legal, ela escreve, só que ela escreve, como é o nome? Eu esqueci... Ela escreve, é escritora mesmo, escreve história. Eu gostei de ver. Perguntou se foi eu quem escrevi no filme, porque parece o que eu faço na lousa. (</em>escrita manuscrita que aparece no filme, contei que já tinha lido poesia dela). <em>Eu tinha lembrança dela sim, que tinha ouvido um texto dela na sala</em>.<br><br></div><div>Bernarda: <em>Vou responder pra você o que eu acho desta jovem: Olha, eu  não analisei muito bem essa foto não, mas dá para ver que é uma mulher, muito bem. Eu acho que deve ter uns 85 anos e aparentemente está em casa de braços cruzados, sem nenhuma preocupação com a vida. Acredito que deve ser uma artista, não sei muito bem do quê, pode ser que seja uma escritora, pode ser que seja uma atriz, não sei, talvez não seja brasileira, deve ser do exterior, mas brasileira não é não. É o que achei dela</em>. Enviei o link do vídeo. <br><br></div><div>Esses retornos foram enviados no contato particular de cada um, os demais não responderam. No dia seguinte enviei no grupo um áudio contando a biografia da Cora Coralina, reli o texto lido na sala de aula (Semente) e a poesia Assim eu vejo a vida. A Bernarda comentou: <em>E eu achando que essa mulher nem era brasileira e a bicha é logo de Goiás. Então aquele verso da sementinha é dela, hum! Que beleza, né?<br></em><br></div><div>Trabalhamos diversos conteúdos neste período: base alfabética (leitura e escrita), ortografia M ou N, R ou  RR, NH, números naturais, antecessor e sucessor, situações problema de adição, subtração, multiplicação e sistema monetário. Também enviava áudios de leitura deleite de diversos livros, poemas e biografia dos autores. <br><br></div><div>No dia 02/04 pedi que fizesse a atividade que consistia no preenchimento de uma ficha cadastral com os dados pessoais e me enviasse. No dia seguinte enviei uma apresentação em Power Point da cidade de Buriti dos Lopes, Piauí (cidade da Bernarda) com as informações da cidade, fiz um vídeo usando o Google Maps com a localização da cidade no mapa do Brasil. Segue a transcrição do áudio recebido após a Bernarda ter assistido o vídeo produzido com a narração dos slides:<br><br></div><div>- <em>Nossa, professora! Como que você consegue? Você conseguiu como, mulher? Descobrir tanta coisa sobre a minha cidade só pelo nome, Buriti dos Lopes. É realmente o nome da cidade é por causa dessa fruta mesmo, eu acho que é um tipo de uma fruta, buriti, lá tem bastante, agora Lopes eu nem sabia por que era, agora que eu fiquei sabendo, eu sabia que o nome da cidade era Buriti dos Lopes, mas por causa da fruta buriti e lá tem muita e o suco dela é uma delícia e você descobriu tudo. A Parnaíba também é a cidade maior que tem ao redor de Buriti dos Lopes, é Parnaíba mesmo. Nossa que legal, gostei, viu! Depois a gente discute sobre isso viu? Muito bom!<br></em><br></div><div>Enviei também um vídeo comemorativo pelo aniversário da cidade disponível no Youtube. Segue retorno da Bernarda:<br><br></div><div><em>Legal! Eu assisti o vídeo de aniversário da cidade e a padroeira de lá é Nossa Senhora dos Remédios mesmo. E as lagoas de lá, é a cidade que produz mais arroz, lá sempre tem a festa do arroz, a famosa Festa do Arroz, na lagoa do Buriti dos Lopes, já fui visitar também a lagoa uma vez, nunca tinha visto plantação de arroz, uma vez fui lá conhecer e realmente as pessoas que trabalham com isso é uma vida sofrida, viu! Tem que trabalhar dentro da lama quente, nossa é muito sofrimento, mas é realmente o povo vive lá mais do arroz mesmo, é onde vive os plantadores de arroz e a cidade que produz arroz. Ai que legal! Obrigada, professora! Gostei viu! Até me emocionei um pouquinho fiquei com saudade.<br></em><br></div><div>Transcrição do áudio recebido após a apresentação do vídeo no qual gravei acessando o Google Maps, no vídeo mostrei a distância entre São Paulo e a cidade de Buriti dos Lopes, depois aproximei as imagens de satélite dentro da cidade, conseguimos visualizar ruas e até pessoas nas calçadas.<br><br></div><div><em> - Aí que legal viu, Professora! Cidadezinha pacata, né? Nossa eu acho que até conheço essa rua, eu conheço quase todas as ruas. Acho que esta foto é bem antiga, né? Acho que é mais antiga. Eu só não sei se eu consigo ver a rua que a minha mãe mora. A gente sai da BR e pega um pouco de estrada de chão.<br></em><br></div><div>Nas minhas anotações sobre este dia estão: <em>Com esta atividade procurei explorar os objetos do conhecimento em Geografia e História de forma contextualizada com a realidade dos alunos. Várias ideias surgiram a partir dela: Como foi a infância de cada um na cidade natal? O que mudou na cidade da infância até o retorno na vida adulta? Como se planta arroz? Quais são as condições de trabalho dessas pessoas?<br></em><br></div><div>No dia 06/04 foi a vez de apresentar Sandovalina – SP, cidade natal do Sebastião, eis a transcrição do áudio recebido após a visualização do vídeo: <em>Obrigado, professora! Por você ter trazido a minha cidade até mim. Que eu não conhecia ela. Igual a Neta falou a gente nasce na cidade e sai, some, não conhece. Eu não conheço a minha cidade Sandovalina, nem sabia que ela produzia erva mate, que era produzido aí, porque eu pensava que era produzido na roça, lavoura de algodão, milho, soja, amendoim, que era na época que o meu pai trabalhava lá era isso que tinha. Eu não sabia que lá era próximo do Rio Paranapanema. É bem próximo do rio sim. Pois achei legal! Não conhecia nada, agora conheço um pouco. Obrigado!<br></em><br></div><div>A cidade natal da Elaine é Jundiaí, também preparei uma apresentação, mas não teve repercussões. No dia 13/04 apresentei a cidade de Arame – MA, cidade natal do Francisco. Além dos slides com a apresentação das características da cidade compartilhei um vídeo produzido com informações sobre a página da prefeitura no Facebook com notícias sobre o coronavirus, imagens da cidade, também exploramos o Google Maps (localização geográfica e imagens de satélite). Pedi ao Francisco que acrescentasse com os dados que ele conhece sobre a cidade. Ele disse: - <em>Não tem muita informação, só aquelas mesmas. A única informação que tem é aquela que você puxou no mapa. </em>No dia 15/04 eu enviei resultados do Censo/2010 sobre a população de Arame com taxas de analfabetismo, divisão da população, religião, etc.<br><br></div><div>Nesta fase a Leonilda, a Elaine e a Dona Edite já demonstravam dificuldades em conciliar a vida cotidiana com os estudos fora da escola. No dia 22/04 foi oficializado o ensino remoto no município de Várzea Paulista e os alunos passaram a receber atividades impressas. Todos conseguiram retirar a 1º fase das atividades e eu gravei vídeos com a leitura das atividades e continuava a disposição para eventuais dúvidas. No primeiro semestre a Dona Edite fez apenas a 1ª e a 2ª fase das atividades, cheguei a ir até a casa da educanda para retirar essas atividades, pois a família estava vivenciando momentos de muita dificuldade, pois o genro estava muito doente. O aluno Sebastião fez atividades até 15/06, após esta data também não realizou mais nenhuma atividade, pois retomou o trabalho e a filha não conseguia ajudar, pois estava também atarefada. A Elaine também estava com dificuldade, mas no 1º semestre ainda conseguiu realizar a maior parte delas. O Francisco e a Bernarda realizaram todas as atividades do período. Para ajudá-los eu ia retirar na casa deles as atividades prontas, pois todos retornaram ao trabalho e estavam com dificuldades de comparecer na Unidade Escolar com o horário reduzido.<br><br></div><div>O segundo semestre foi ainda mais difícil, as incertezas da pandemia, o retorno ao trabalho foram os grandes responsáveis pela desmotivação do grupo. Mantive contato diário com os alunos, continuei enviando vídeos, áudios de leitura, fazia chamada individual, em grupo, marcava de ir buscar as atividades na casa dos alunos, tudo com a intenção de motivá-los, mas tive poucos retornos. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-09 23:56:26 UTC</pubDate>
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         <title>Narrativa 1 - Apresentação</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <author>andreanicolas2610</author>
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         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:04:11 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:04:55 UTC</pubDate>
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         <title>Oficinas EI</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:05:14 UTC</pubDate>
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         <title>Visitas ilustres (inventário)</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:05:39 UTC</pubDate>
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         <title>Fugindo do Memorial</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:06:02 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:06:17 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:06:36 UTC</pubDate>
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         <title>Memorial </title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>(em construção)</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 00:11:38 UTC</pubDate>
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         <title>Narradores de Javé</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:18:16 UTC</pubDate>
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         <title>Por que nos calam?</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <pubDate>2020-12-10 00:32:52 UTC</pubDate>
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         <title>O outro mostra quem somos?</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1004543787</link>
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         <pubDate>2020-12-10 00:37:23 UTC</pubDate>
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         <title>Começo pelo fim</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
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         <description><![CDATA[<div>Esta foi a narrativa mais difícil de escrever... eu gestora. Inicio pelo fim, pois não sou mais gestora. Esta fase começou em 2014 e terminou em 2020.<br>A gestão aconteceu acidentalmente e muito rápido. Ainda no estágio a vice diretora da escola me encontrava nos corredores e dizia: você será coordenadora, eu sei das coisas, confia em mim. Eu sorria e seguia meu caminho pensando, não sou nem professora ainda. Daqui uns cinco anos penso nisso.<br>Dois anos no estágio, dois anos na sala de aula e surge o convite para a coordenação, sabia que não estava pronta, mas aceitei o desafio.<br>Foram três anos intensos, muito bons, desafiadores, sofridos, suados, mas ótimos. Atuei também na formação de professores, achei fascinante ter a oportunidade de escutar, seus medos, suas angústias, suas queixas, ter a oportunidade de falar também, dialogar. Foi perfeito? nem chegou perto, mas foi muito bom, fiz muitas amizades, ganhei o respeito de muitos colegas, foi uma fase muito boa.<br>Depois surge o convite para a direção, eu sabia que não ia gostar, mas tinha que experimentar. Detestei tudo, a rotina, a papelada, o fato de estar mais afastada do processo de ensino e aprendizagem. <br>Há tempos busco histórias que mereçam ser narradas na fase de gestora, ainda não consegui.<br>A gestão é solitária, você não atua diretamente, você é a responsável indireta por tudo, se der errado você planejou mal, se der certo não fez nada. <br>Deixar o serviço público me machucou muito, talvez seja este o bloqueio que enfrento. Hoje só consigo ver o que não consegui fazer. Talvez outro dia consiga ver tudo isso com outros olhos. <br>Talvez esta mudança seja necessária para que eu pudesse amadurecer, ganhar repertório, ter mais experiências para compartilhar, talvez agora eu esteja vivendo aqueles cinco anos que eu deveria ter vivido no início da minha trajetória.<br>Não sei o que o destino me reserva, mas hoje nove de dezembro de dois mil e vinte eu sou professora e neste momento só consigo sentir o alívio de não precisar carregar o "mundo" nas costas. Senti novamente a sensação prazerosa que experimentei quando saí do trabalho novo e não era eu a responsável pela chave e pelo alarme do prédio. Se temos que viver uma coisa de cada vez, vou aproveitar este momento. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 01:11:33 UTC</pubDate>
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         <title>III Seminário</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1031311322</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-12-18 14:34:55 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Enfim, renasci</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1139172565</link>
         <description><![CDATA[<div>Dois mil e vinte foi um ano ímpar. Até agora eu não consigo definir o que vivi e senti. Foram muitas emoções, muitas mudanças. Terminei o ano de 2019 cheia de esperanças, aprovada no Sesi, no processo seletivo da EJA e com a vaga no Mestrado Profissional da Unicamp. Mas o ano começou com muitos desafios, dentre eles uma pandemia. Nunca na vida imaginei viver tudo isso.<br>Como ser gestora de uma escola de Educação Infantil na quarentena? Como ser professora da EJA na quarentena? A única coisa que encaixou perfeitamente foi o Mestrado, rapidamente nos organizamos e nos adaptamos às aulas online.<br>Já eu fui me desgastando nesse período, passei a questionar tudo ao meu redor. Todas as minhas relações, minhas escolhas e decisões.<br>Uma coisa tenho certeza: em 2020 eu morri. Parece trágico, mas não é.</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-01-29 01:47:48 UTC</pubDate>
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         <title>Pare</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1213527493</link>
         <description><![CDATA[<div>Alfabetização é lindo...<br>Alfabetizar adulto é ainda mais lindo.<br>F., 35 anos, não pode estudar quando criança, pois precisava trabalhar. Ainda tem dificuldade com as sílabas, mas já busca os sons. Eu disse que a partir de agora era para perder o medo de ler e ler tudo que visse pela frente, placas de lojas, rótulos de alimentos, busquem reconhecer as letras e o som delas foi o que eu disse.<br>No dia, digo na noite seguinte, ele me relata: - Professora, estava andando na rua e vi escrito no chão PARA, mas passei reto e não li, na outra rua vi de novo escrito no chão e falei vou ler... Você não acredita! Não estava escrito PARA estava escrito PARE, tinha um E.<br>É pra se emocionar ou não com uma narrativa dessa???<br>#ProfessoraDaEJA<br>Fevereiro de 2020</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-02-18 01:52:31 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Descobertas</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1223196062</link>
         <description><![CDATA[<div>Descobrindo o mundo letrado:<br>- Professora, hoje eu li PIÃO, lá perto do Maxi Shopping.<br>Parecia PIAO, mas tinha o "til", daí fica PI-Ã-O.<br><br>#ProfessoraDaEJA 20/02/2020</div>]]></description>
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         <pubDate>2021-02-21 12:08:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>1º Encontro do Grupo de Estudos - Narrativas Docentes</title>
         <author>andreanicolas2610</author>
         <link>https://padlet.com/andreanicolas2610/tpx66the7gp0insu/wish/1325456530</link>
         <description><![CDATA[<div>Iniciamos o encontro com os sorrisos dos reencontros on-line durante a pandemia. Sorrisos seguidos das perguntas e aí como vocês estão e em seguida diversas narrativas orais dos desafios de ser professor na pandemia. Após a conversa inicial apresentei oficialmente o projeto de pesquisa, o TCLE e a dinâmica dos encontros.<br>Nas conversas pelo grupo do Whatsapp eu havia pedido para as professores separem uma memória docente, poderia ser uma relíquia, uma foto ou até mesmo uma lembrança.<br>Fiz uma breve apresentação de Walter Benjamin e começamos a discussão sobre memória.<br>Pedi que registrassem o que pensam sobre memória. As sentenças escolhidas foram: <br>Infância/ vivência:<br>lembranças /sentimentos:<br>Oportunidade:<br>Reviver:<br>Saudade:<br>Aprendizado:<br>Mergulho:<br>Vida:<br>Segui o assunto falando um pouco sobre a relação memória, identidade, história e tempo até chegar a ideia de memória individual e memória coletiva e a reflexão de Walter Benjamin em relação à quem conta a história? como ir contra a memória dos dominantes? Quais outras possibilidades da história?<br>E que a memória coletiva na verdade é uma construção de diversas memórias individuais que dão indícios de como foram os fatos. Para ilustrar este pensamento usei a imagem de um professor tranquilamente sentado em frente ao seu computador trabalhando durante a pandemia e do outro lado uma professora, literalmente se descabelando, para dar conta das diversas funções que adquiriu durante o mesmo período, o celular, os serviços domésticos, os prazos à cumprir, etc. A pergunta foi: O fato principal é o mesmo, ambos estão vivenciando a pandemia de COVID 19, mas eles contam a mesma narrativa? <br>Após esta reflexão passamos para o compartilhamento das memórias.<br>A Bel trouxe um caderno com recado dos alunos de 32 anos atrás.<br>A Hilda trouxe a lembrança de um aluno, especificamente que a marcou ao entregar um cartão, há mais de 20 anos atrás.<br>A Marilda trouxe uma relíquia: seu vestido de formatura no Magistério e uma atividade que a marcou, pois a fez lembrar o porque sempre sentiu dificuldade em matemática (lembrança de um professor muito bravo). Ela escreveu esta memória em forma de um texto visual no qual o texto formava a letra X e foi intitulado: o X da questão.<br>A Regiane trouxe a memória da sua primeira turma na EMEI Ana Neri e os medos e angústias do início e disse que está sentindo as mesmas sensações nesse momento de pandemia.<br>A Denise trouxe a memória de em uma roda de conversa, após uma aluna informar que era seu aniversário e todos cantarem parabéns ela informou aos pequenos que no dia seguinte seria o seu aniversário. E que após o intervalo, no dia seguinte, os alunos sumiram do pátio, ela foi para sala para ver se tinham ido até la e não via ninguém, até que percebeu movimentos estranhos em baixo das mesas e todos saíram cantando parabéns e também relatou uma aula na qual apresentou a música Aquarela do Toquinho e uma criança começou a chorar e que ao perguntar a razão o aluno disse que lembrava sua avó que havia falecido, ela pergutou se queria que tirasse a música ele respondeu que não, que era bom lembrar dela.<br>A Amanda trouxe uma memória dela, que é minha também, pois tinha um aluno muito difícil, que batia nos amigos e ao levá-lo para mim, diretora na época, ele surtou e começou a bater a cabeça no chão, naquele dia ela se sentiu muito mal, sente que errou na tratativa com ele, mas vê que ainda terá a oportunidade de agir de outra forma no futuro.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2021-03-18 13:39:19 UTC</pubDate>
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