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      <title>Período Helenístico  by ANA JULIA SOARES</title>
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      <description>Ana Júlia Soares, Gabrielly Leticia Russi e Pâmela Regina Bagattoli.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-08-31 19:46:27 UTC</pubDate>
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         <title>O desaparecimento da pólis e a reinvenção do homem grego </title>
         <author>800434420</author>
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         <description><![CDATA[<div>Após a filosofia Grega Clássica ter seu ápice em Atenas com os filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles, ela passa por uma grande transformação nos séculos posteriores sob o domínio de Alexandre Magno. Esse domínio aconteceu pois as cidades-estado gregas lutavam contra os persas no período de 490 a.C., e com a vitória dos gregos, Esparta e Atenas iniciaram uma disputa entre si para maior domínio militar de outras cidades-estado. Em 431 a.C. essa disputa virou uma guerra, o que acabou abalando os gregos, deixando a Grécia vulnerável e com poucos recursos. Ao ver isso, o rei da Macedônia, um país sem grande importância econômica situado no norte da Grécia, iniciou uma expansão de seu território, assim dominando as cidades-estado da Grécia pouco a pouco até obter um grande Império. Os reis que governaram a Macedônia logo depois, que foram: Amintas, depois Filipe e o Alexandre que construíram um império que dominava toda a Grécia, Egito e Oriente Médio. Nesse momento de auge a cultura grega influenciou predominantemente a política, compreensão da realidade, universo e ser humano e em IV a.C. a cultura grega clássica tem uma mudança transformadora por conta desse contexto político histórico e cultural ter tomado outro rumo. Esse rumo foi o helenismo, que consiste numa fusão da cultura grega com as além da da Grécia. A filosofia sofreu uma mudança de paradigma já que as filosofias de Platão e Aristóteles não se encaixaram mais no contexto, após tantas mudanças. Logo depois, a cultura helenística foi utilizada por intelectuais nobres de Roma e foi espalhada por toda a Europa ocidental e essa nova fase da cultura ocidental se estende até o século V depois de Cristo. Por isso a filosofia do Império Romano é derivada da iniciada na Grécia, nos tempos de Alexandre. Ao ter a cultura helenística, a pólis grega, como política, deixa de existir. Com esse contexto o homem grego precisou mudar seus conceitos e se transformar.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 19:41:21 UTC</pubDate>
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         <title>Os cínicos</title>
         <author>800434420</author>
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         <description><![CDATA[<div>A partir da criação da filosofia com Tales de Mileto, até seu auge em Atenas com Sócrates, Platão e Aristóteles, a filosofia era exclusiva para elites gregas.<br>Muitos filósofos tiveram uma vida pobre, sem ostentação, mas sempre tiveram intimidade com os aristocratas.<br>O primeiro exemplo que fez isso foi Antístenes de Atenas.<br><br>Antístenes (444 - 371 a.C.) um discípulo de Sócrates. Após a morte do mestre e submisso de Atenas a Esparta, Antístenes cria uma controvérsia aos valores da aristocracia de Atenas. <br>Então passa a radicalizar ideias antes sugeridas por Sócrates e as usa como pontos fundamentais de um novo conceito filosófico.<br>Sua primeira ideia é de autarcia, a capacidade de bastar-se, não depender dos outros ou depender de posses e bens materiais para obter felicidade. A outra ideia, complementa a primeira, é a de autodomínio: a tolerância à dor, cansaço e a privação. <br>Tais ideias já eram defendidas por Sócrates e Platão, mas de maneira mínima. Já antístenes as radicaliza. Sua ética se baseia na privação de prazeres, combate aos desejos e esforço voltado a alcançar a indiferença ao sofrimento.<br>Antístenes criticava Platão, por julgar aspectos práticos da vida mais essênciais.<br>Um fato importante é que antístenes e seus seguidores não eram cínicos no<br>sentido atual da palavra. Pelo contrário, eles tinham questão de ser o exemplo das idéias que defendiam.<br>Antístenes teve diversos discípulos mas um que se destaca é Diógenes de Sínope, também conhecido como Diógenes o cínico. Diógenes tinha atitudes radicais e por isso se tornou mais conhecido que o próprio Antístenes. <br>Dizia-se que Diógenes o cínico vivia e morava em um antigo barril.<br>Diógenes era dedicado a mostrar que "a natureza nos coloca à disposição tudo o que precisamos para vivermos felizes."<br>Era um apoiador da liberdade sexual e abolia as normas. As leis, o estado, dinheiro, casamento e etc. Só afastariam o humano da felicidade. A proposta cínica da busca da autarcia e do autodomínio influenciou escolas filosóficas do período helenístico. No entanto o radicalismo a tornou fraca após a morte de seu mestre e mais fiel discípulo.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 19:45:19 UTC</pubDate>
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         <title>O cetisismo</title>
         <author>800434420</author>
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         <description><![CDATA[<div>O ceticismo surgiu no período helenístico, com a finalidade de se encontrar a tranqüilidade da alma. <br>A principal tese dos filósofos céticos é: "para alcançar a tranquilidade, é preciso controlar nosso desejo de ter certezas absolutas."Ainda que jamais alguém alcançará a certeza absoluta, o filósofo não poderia deixar de ir à busca da verdade. Então a própria filosofia pode ser interrompida de duas formas, quando alguém: perde a esperança de encontrar a verdade e passa a considerar essa busca como irracional; ou, pensa que finalmente encontrou a verdade e que a busca não é necessária.<br>Aristóteles havia propôs em sua ética o meio-termo. Entre o excesso e pouco, para a felicidade.<br>Os céticos buscam esse meio-termo também ao nosso saber.<br>A proposta do ceticismo é essa: diminuir e orientar a nossa necessidade de certeza e, não se iludir por falsas certezas.<br>O ceticismo, enquanto escola filosófica do período helenístico, não prega a impossibilidade do conhecer. Mas é ingenuidade ou falta de senso se <br>contentar com os resultados já obtidos. Ou seja, os céticos estão em constante busca de conhecimento.<br>A escola cética fundou-se por Pirro de Élis em 365 – 270 a.C. Pirro, filósofo e pintor, esteve com Alexandre em sua campanha de conquista ao Oriente. Nessa viagem, teve contato com os sábios nus, que provavelmente eram mestres iogues. Ao voltar da viagem, viveu de forma simples, afastado de preocupações. Pirro defendia três princípios para a obtenção da tranquilidade: a apraxia (inação), a aphasia (ausência de discurso), apathia,(insensibilidade frente ao prazer e à dor). Através de praticar esses fundamentos, haveria a possibilidade de alcançar a imperturbabilidade e a felicidade.<br>Dos cínicos, Pirro mantém a rejeição à abstração teórica desvinculada da utilidade prática. Se o objetivo da filosofia é a busca da felicidade, o caminho fo ceticismo é o da moderação e da manutenção do senso crítico.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 19:54:07 UTC</pubDate>
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         <title>O Epicurismo</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>A ética epicurista A ética é a parte central da filosofia epicurista. Para Epicuro a filosofia deveria servir como via de acesso à verdadeira felicidade. Então, a filosofia deve libertar a alma humana do medo provocado por crenças infundadas, deveria proporcionar a serenidade de espírito, construída através da autarcia, e também a filosofia deveria auxiliar o homem a alcançar uma vida agradável através de uma orientação racional, para a obtenção do prazer.<br>O epicurismo, também denominada como hedonismo ou filosofia do jardim, é uma doutrina filosófica que surge no período helenístico, voltada para a o processo da paz interior.<br><br></div><div>A principal tese dos filósofos epicuristas é que para alcançar a tranquilidade, é preciso cultivar o prazer. Os principais fundamentos dos epicuristas são a amizade, a moderação, o livre arbítrio e a indiferença á morte e aos Deuses.<br><br></div><div>Epicuro é o fundados da escola que tomou o seu próprio nome, nasceu em Samos, em 341 a.C, e morreu em Atenas em 270 a.C aos 70 anos de idade.<br><br></div><div>Em 306 a.C, Epicuro transfere-se para Atenas onde funda sua escola. Embora fosse situada no centro econômico e cultural da época, em que funcionava as duas maiores escolas de filosofia ( a Academia e o Liceu), a escola de Epicuro era situada em um local afastado da urbanização, era uma lugar natural que favorecia a introspecção. A escola abrigava um lugar de beleza natural, que passou a ser chamada de jardim, por isso, Epicuro e seus seguidores são referidos como <strong>filósofos do jardim.<br></strong><br></div><div>Epicuro escreveu diversas obras, mas a maioria não chegou até nós, apenas algumas cartas, coleções de frases e alguns fragmentos de seus tratados. A principal obra do epicurismo é a <strong>Natureza das Coisas, </strong>escrita por Tito Lucrécio.<br><br></div><div>Para o epicurismo existem 3 partes que se articulam, a primeira é <strong>teoria do conhecimento, </strong>que permitiria identificar nossas crenças infundadas e reconhecer a verdade. A segunda é a <strong>Física</strong> que deveria mostrar a realidade na qual o homem se insere. E a terceira é a Ética que deveria indicar o caminho para a felicidade. <br><br></div><div>A teoria do epicurista é um empirismo radical. Epicurismo propõe a sensação fundamental para o conhecimento da verdade.<br><br></div><div>Para Epicuro a sensação é o único conhecimento legitimo. Só ela capta, de forma infalível, o ser.<br><br></div><div>Nossos juízos poderiam ser avaliados de duas formas:<br><br></div><div>·         Quando o juízo se refere a algo observável através dos sentidos, o critério é a concordância entre o juízo e os fenômenos sensíveis;</div><div>·         Quando o juízo se refere a fenômenos não-observáveis, o critério passa a ser a ausência de contradição com os dados fornecidos pela experiência.<br><br></div><div>Influenciada pelas ideias de Demócrito, a física epicurista é atomista e materializada. Epicuro defende a teoria atomista. Como os átomos de Demócrito e Leucipo, os átomos da física epicurista se diferenciam uns dos outros pelo tamanho, forma, posição e ligação, no entanto Epicuro induz duas distinções: os átomos seriam diferentes também quanto ao peso e teriam uma capacidade intrínseca de provocar desvios em seu movimento.<br><br></div><div>É o peso, e não a forma, que faz com que os átomos estejam eternamente caindo dentro de um vazio cósmico. Nessa queda, os átomos podem sofrer desvios de direção (clinámen). Os choques entre átomos, decorrentes desses desvios, é que possibilitariam a formação de aglomerados, gerando a matéria.  Assim, o clinámen seria a fonte primordial do devir. <br> Epicuro vê nela as seguintes vantagens nessa teoria: respeita o critério de não-infirmação; é uma teoria essencialmente materialista, totalmente purificada de qualquer conotação mítica ou sobrenatural; não reduz o cosmos a um mecanicismo determinista, o que deixa espaço para o livre arbítrio e para a ética.<br><br>A ética epicurista A ética é a parte central da filosofia epicurista. Para Epicuro a filosofia deveria servir como via de acesso à verdadeira felicidade. Então, a filosofia deve libertar a alma humana do medo provocado por crenças infundadas, deveria proporcionar a serenidade de espírito, construída através da autarcia, e também a filosofia deveria auxiliar o homem a alcançar uma vida agradável através de uma orientação racional, para a obtenção do prazer.<br>A ética epicurista é hedonista é a ideia de que o prazer é um bem a ser buscado pela ação virtuosa. Vazquez (1984, p. 242) resume a ética epicurista assim:<br>Para os epicuristas, tudo o que existe incluindo a alma, é formado de átomos materiais que possuem certo grau de liberdade, na medida que se podem desviar ligeiramente na sua queda. Não há nenhuma intervenção divina nos fenômenos físicos nem da vida do homem. Libertado assim do temor religioso, o homem pode buscar o bem neste mundo (o bem, para Epicuro, é o prazer). Mas há muitos prazeres, e nem todos são igualmente bons.É preciso escolher entre eles para encontrar os mais duradouros e estáveis, que não são os corporais, mas os espirituais; isto é, os que contribuem para a paz da alma.A busca do prazer é um dos pontos mais fundamentais da ética epicurista. No entanto, como nos explica Pessanha (1980, p. XII), o ser humano precisa saber escolher os seus prazeres:<br>Enquanto ser natural, o homem pauta sua vida, pela procura do prazer e pela fuga da dor. Mas a verdadeira sabedoria está além desse comportamento natural e espontâneo: sábio é reconhecer que há diferentes tipos de prazer, para saber selecioná-los e, dosá-los. [...] Epicuro considera que todo prazer é basicamente um prazer corpóreo. Mas o prazer que o homem deve buscar não é o da pura satisfação física imediata e mutável, o “prazer do movimento”. Para Epicuro, o prazer que deve nortear a conduta humana - o prazer com dimensão ética e não apenas natural - é o “prazer do repouso”, constituído pela ataraxia (ausência de perturbação) e pela aponia (ausência de dor). Ambas podem ser alcançadas na medida que o homem, através do autodomínio, busque a autossuficiência que o torne um ser que tem em si mesmo sua própria lei, um ser autárquico, capaz de ser feliz e sereno independentemente das circunstâncias.Outro ponto fundamental da ética epicurista é a importância atribuída à amizade. É só a partir do convívio e da amizade que se pode alcançar a verdadeira felicidade obtida através do compartilhamento dos pequenos prazeres da alma. A filosofia de Epicuro exerceu grande influência já em sua época e até hoje pauta a reflexão ética e sobre o sentido da existência humana. O epicurismo é uma filosofia da vida e, uma filosofia que mais compreendida, surgiu para ser vivenciada.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 20:04:54 UTC</pubDate>
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         <title>O Estoicismo </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div>Estoicismo foi a mais influente das escolas helenísticas, a que teve maior número de seguidores e a que perdurou como tradição intelectual por mais tempo. Foi também a mais universalista das escolas helenísticas. A história do Estoicismo inicia em 300 a.C., quando Zenão de Cítio funda uma escola em Atenas. Sem ter onde estabelecer sua escola, Zenão dava suas aulas em locais públicos de Atenas. O local preferido era um pórtico (estoá) e, por esse motivo, Zenão e seus seguidores passaram a ser chamados de filósofos do pórtico ou filósofos estoicos. A escola estoica se desenvolveu em três períodos bem distintos.<br><br></div><div>1 Antiga Estoá – protagonizada por Zenão de Cítio (332 – 262 a.C.), Cleantes de Assos (331 – 232 a.C.) e Crísipo de Solis (280 – 206 a.C.). Nesse período, a filosofia estoica é elaborada como um sistema completo. Foi o período de maior esplendor do estoicismo, e nenhuma outra escola teve tanto sucesso durante esse período. Após a morte de Crísipo, a escola aos poucos, foi perdendo o seu prestígio em Atenas.<br><br></div><div>2 Média Estoá – protagonizada por Panécio de Rhodes (185 – 129 a.C.) e Possidônio de Apanca (c.135 – 51 a.C.). Ao assumir a direção da escola, Panécio introduz no estoicismo algumas idéias de outros filósofos. Essa versão eclética da doutrina estoica faz a escola reviver seus dias de glória. Possidônio, discípulo de Panécio, funda uma nova escola em Rhodes, que também obteve grande sucesso.<br><br></div><div>3 Estoá romana ou Nova Estoá – protagonizada por Sêneca ( 2 a.C. – 65 d.C.) e Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) difundem, principalmente, a ética do estoicismo.<br><br></div><div>O estoicismo surge como uma supervalorização da razão. A idéia de que nada no universo pode ser superior à razão é o núcleo do estoicismo. <br><br></div><div>A filosofia estóica constitui-se num sistema baseado em duas teses fundamentais: tudo no universo é dotado de razão; nada existe no universo que não seja matéria. Os estóicos propõem uma metáfora aplicável a qualquer objeto da natureza: Tudo no universo se assemelha a um ser vivo, no qual existe um sopro vital (pneuma) que produz a junção e a interdependência das suas partes. O próprio universo, como um todo, pode ser pensado como um grande organismo, dotado de uma alma racional que atua em cada uma de suas partículas. E assim como os seres vivos possuem um ciclo vital, tudo no universo passa por fases de geração, crescimento e corrupção.<br><br></div><div>A ética estóica tudo na natureza é governado pela Razão. Essa Razão pode ser chamada de alma do mundo ou mesmo de Deus. Tudo existe e acontece segundo uma predeterminação rigorosa. Concebida desta forma, a natureza é, em si mesma, justa e divina. Já o homem é justo apenas quando consegue estar em acordo consigo mesmo, com a sua própria natureza. Assim, de acordo com os estóicos, tudo o que extrapola o domínio puramente racional é antiético. Aqui surge a grande diferença entre estóicos e epicuristas. o estoicismo caracteriza-se principalmente por opor-se à busca do prazer. Para alcançarmos a tranquilidade, é preciso que nos tornemos insensíveis ao prazer e à dor. Essa é a tese fundamental da ética estóica. Na relação com o corpo, a alma humana é capaz de agir de forma intencional, mas também está submetida a interferências não-intencionais, provocadas pela percepção sensível. Eu posso dar um soco em uma parede: afinal de contas, eu controlo os meus músculos (atividade). No entanto, após ter dado o soco, não depende de uma escolha minha sentir, ou não, a dor (paixão) provocada pelo choque da minha mão contra a parede. Nossas ações voluntárias são atividades da alma. Os prazeres e as dores que vivenciamos são paixões. As paixões não dependem apenas da razão. Elas trazem, portanto, uma dose de irracionalidade que precisa ser evitada o máximo possível. Pessanha (1980, p. XVI) explica essa necessidade de supressão das paixões da seguinte forma:<br><br></div><div>As paixões são consideradas pelos estóicos como desobediências à razão e podem ser explicadas como resultantes de causas externas às raízes do próprio indivíduo; como já haviam mostrado os cínicos, devidas a hábitos de pensar adquiridos pela influência do meio e da educação. É necessário ao homem desfazer-se de tudo isso e seguir a natureza, seguir a Deus e à Razão Universal, aceitando o destino e conservando a serenidade em qualquer circunstância, mesmo na dor e na adversidade. Viver em conformidade com a razão torna o homem feliz, porque o liberta da escravidão das paixões. O sábio é aquele que não se deixa enganar pelos prazeres, nem se deixa modificar pela dor. Para o pleno exercício da racionalidade, o prazer é tão pernicioso quanto a dor. Tornar-se insensível tanto ao prazer quanto à dor é uma condição necessária à vida ética.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 21:04:32 UTC</pubDate>
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         <title>O sentido geral do período helenístico</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<div><br> As filosofias do helenismo representam um desenvolvimento tardio da mentalidade racionalizadora dos gregos.<br>  Diversas escolas buscam seus fundamentos teóricos nos clássicos (Sócrates, Platão e Aristóteles) ou mesmo nos pré-socráticos. A grande mudança fica por conta do abandono da política e da reformulação da ética.  No período helenístico, apesar de todas as diferenças entre as diversas escolas, surge uma nova concepção de filosofia  compartilhada: a filosofia como uma arte do viver. Mais importante que a teoria passa a ser a prática, a vivência.<br> Apesar de todas as discordâncias, as várias escolas tinham em comum: a negação da existência de qualquer ser transcendente à matéria;<br> a busca da felicidade através do autodomínio, da autarcia, do desapego à propriedade, à riqueza e ao luxo e da busca da serenidade da alma. Com o surgimento do cristianismo, essas concepções passam a enfrentar uma concorrência. Alguns filósofos tentam conciliar com o cristianismo alguns dos elementos das éticas helenísticas.<br><br> Aos poucos, o pensamento dos gregos foi perdendo espaço para a mentalidade religiosa judaico-cristã. O golpe final veio em 529, quando o imperador Justiniano, em defesa do cristianismo, proibiu o ensino da filosofia em todo o Império Romano, provocando o fechamento de todas as escolas pagãs. <br> Na história ocidental, o período helenístico inicia com a difusão da cultura grega nos países conquistados por Alexandre, o Grande, e termina com a queda do Império Romano.  Na filosofia, este período é marcado por uma reformulação do ato de filosofar, tornando-o numa arte do viver. A ética e a política, antes indissociáveis, passam a receber tratamentos opostos: enquanto a reflexão sobre a ação humana, a liberdade e a felicidade ganha uma posição de destaque. O indivíduo passa a ser a principal referência na problematização da realidade, e a autarcia e a ataraxia tornam-se temas fundamentais para a filosofia. As principais escolas desse período foram a cínica, a cética, a epicurista e a estóica.  Os cínicos se destacaram por desprezar todas as convenções sociais; os céticos, por reconhecerem a impossibilidade da obtenção da episteme; os epicuristas, por valorizarem o prazer como um bem a ser buscado; e os estóicos, por pregarem a indiferença tanto ao prazer quanto à dor. As filosofias helenísticas eram, originalmente, profundamente materialistas. Mas, após o surgimento do cristianismo, alguns filósofos tentaram conciliar a filosofia com a religião. Na história da filosofia, o período helenístico termina em 529, com a proibição do ensino de filosofia em todo o Império Romano. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-08-31 22:04:54 UTC</pubDate>
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