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      <title>Rachel de Queiroz (1910 - 2003)- O quinze (1930) by Catarina Carvalho </title>
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      <description>Feito por Catarina Carvalho, Colégio Stella Maris 3 A Ensino Médio</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-04-09 18:57:39 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>Sob a própria vivência da seca de 1915 no nordeste brasileiro, a escritora Rachel de Queiroz, com apenas vinte anos escreveu um livro chamado “O Quinze” em 1930, que conta a seca de uma forma não romantizada. O livro trata-se de três histórias que se cruzam no sertão do Ceará, na região de Quixadá, que buscam um sonho, a chuva, a sobrevivência dos personagens que enfrentam a maior seca das histórias. </div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 18:59:49 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>Cordulina remendava uns panos, quando o vaqueiro chegou. Pelo jeito dele,<br>conheceu logo que o negócio tinha ido mal. Furioso, cuspindo, descompunha a<br>burra enquanto tirava os arreios:<br>— Diaba do chouto duro como o cão! Pior que o alazão velho da fazenda!<br><br>A mulher levantou-se, afastando um menino que lhe repuxava as abas do casaco,<br>pedindo mama. Gritou para a irmã, que estava lá na cozinha:<br>— Ô Mocinha! Vê se tu dás um pirão de peixe a este menino que anda em<br>tempo de me comer os peitos!<br>Depois, indo para o marido:<br>— Como se foi, Chico? Trouxe o dinheiro e as passagens?<br>— Que passagens! Tem de ir tudo é por terra, feito animal! Nesta desgraça quem<br>é que arranja nada! Deus só nasceu pros ricos!<br>Cordulina viu pelo bafo do marido e pela fúria das apóstrofes, tão<br>desacostumadas no seu natural sossegado, que ele tinha bebido demais. E<br>interpelou-o:<br>— Mas, Chico, pra que é que você toma, quando vai no Quixadá? Toda vez que<br>vem de lá é nesse jeito!<br>— Besteira, mulher!... Tomei nada! Matei o bicho! A vontade que eu tinha era<br>estar mesmo bebinho, pra me esquecer de tudo quanto é desgraça!...<br><br>Imagem- <a href="https://www.hypeness.com.br/2015/12/fotos-poeticas-retratam-a-vida-e-a-cultura-do-sertao-nordestino/">https://www.hypeness.com.br/2015/12/fotos-poeticas-retratam-a-vida-e-a-cultura-do-sertao-nordestino/</a> </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 19:00:23 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>Colocou a luz sobre uma mesinha, bem junto da cama — a velha cama de casal<br>da fazenda — e pôs-se um tempo à janela, olhando o céu. E ao fechá-la, porque<br><br>soprava um vento frio que lhe arrepiava os braços, ia dizendo:<br>— Eh! A lua limpa, sem lagoa! Chove não!...<br>Foi à estante. Procurou, bocejando, um livro. Escolheu uns quatro ou cinco, que<br>pôs na mesa, junto ao farol.<br>Aqueles livros — uns cem, no máximo — eram velhos companheiros que ela<br>escolhia ao acaso, para lhes saborear um pedaço aqui, outro além, no decorrer da<br>noite.<br>Deitou-se vestida, desapertando a roupa para estar à vontade.<br>Pegou no primeiro livro que a mão alcançou, fez um monte de travesseiros ao<br>canto da cama, perto da luz, e, fincando o cotovelo neles, abriu à toa o volume.<br>Era uma velha história polaca, um romance de Sienkiewicz, contando casos de<br>heroísmos, rebeliões e guerrilhas.<br>Conceição o folheou devagar, relendo trechos conhecidos, cenas amorosas,<br>duelos, episódios de campanha. Largou-o, tomou os outros — um volume de<br>versos, um romance francês de Coulevain.<br><br>Imagem- OSWALDO GOELDI- 1943</div><div><a href="https://www.tntarte.com.br/leiloes/50/lote/24">https://www.tntarte.com.br/leiloes/50/lote/24</a> </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 19:02:22 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>No mesmo atordoamento chegaram à Estação do Matadouro.<br>E, sem saber como, acharam-se empolgados pela onda que descia, e se viram<br>levados através da praça de areia, e andaram por um calçamento pedregoso, e foram<br>jogados a um curral de arame onde uma infinidade de gente se mexia, falando,<br>gritando, acendendo fogo.<br>Só aos poucos se repuseram e se foram orientando.<br>Cordulina acomodou-se como pôde, ao lado do cajueiro onde tinham parado.<br>Da banda de lá, um velho deitado no chão roncava, e uma mulher de saia e<br>camisa remexia as brasas debaixo de uma panela de barro.<br>Cordulina foi à sua trouxa, e tirou de dentro um resto de farinha e um quarto de<br>rapadura, última lembrança da comadre Doninha.<br>Deitado na areia, calçado com um pano, já o Duquinha dormia. Os outros dois<br>metiam a mão na farinha engolindo punhados.<br>Chico Bento olhava a multidão que formigava ao seu redor.<br>Na escuridão da noite que se fechava, só se viam vultos confusos, ou alguma cara<br>vermelha e reluzente junto a um fogo.<br>Tudo aquilo palpitava de vida, e falava, e zunia em gritos agudos de meninos, e<br>estralejava em gargalhadas e em gemidos, e até em cantigas.<br>E estendendo a vista até muito longe, até aos limites do Campo de<br>Concentração, onde os fogos luziam mais espalhados, o vaqueiro sacudiu na boca<br>uma mancheia de farinha que lhe oferecia a mulher, e procurando quebrar entre os<br>dedos um canto de rapadura, murmurou de certo modo consolado:<br>— Posso muito bem morrer aqui; mas pelo menos não morro sozinho...<br><br>Registros de campos ce concentração do Ceará em 1933 (Arquivo pessoal Valdecy Alves)</div><div><a href="https://marceloauler.com.br/sem-o-estado-caminhada-lembra-mortos-no-campo-de-concentracao/">https://marceloauler.com.br/sem-o-estado-caminhada-lembra-mortos-no-campo-de-concentracao/</a> </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 19:04:54 UTC</pubDate>
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         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>E com a outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste<br>que era mais uma tentativa do que um gesto.<br>Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.<br>E foram andando à toa, devagarinho, costeando a margem da caatinga.<br>Às vezes, o menino parava, curvava-se, espiando debaixo dos paus, procurando<br>ouvir a carreira de algum tejuaçu que parecia ter passado perto deles. Mas o silêncio<br>fino do ar era o mesmo. E a morna correnteza que ventava passava silenciosa como<br>um sopro de morte; na terra desolada não havia sequer uma folha seca; e as árvores<br>negras e agressivas eram como arestas de pedra, enristadas contra o céu.<br>Mais longe, numa volta da estrada, a telha encarnada de uma casa brilhava ao<br>sol. Lentamente, Chico Bento moveu os passos trôpegos na sua direção.<br>De repente, um bé!, agudo e longo, estridulou na calma.<br>E uma cabra ruiva, nambi, de focinho quase preto, estendeu a cabeça por entre a<br>orla de galhos secos do caminho, aguçando os rudimentos de orelha, evidentemente<br>procurando ouvir, naquela distensão de sentidos, uma longínqua resposta a seu<br>apelo.<br>Chico Bento, perto, olhava-a, com as mãos trêmulas, a garganta áspera, os olhos<br>afogueados.<br>O animal soltou novamente o seu clamor aflito.<br>Cauteloso, o vaqueiro avançou um passo.<br>E de súbito em três pancadas secas, rápidas, o seu cacete de jucá zuniu; a cabra<br>entonteceu, amunhecou, e caiu em cheio por terra.<br><br>ALDEMIR MARTINS - Sertão Nordestino<br><a href="https://www.budanoleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=3397595">https://www.budanoleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=3397595</a> </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 19:17:14 UTC</pubDate>
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         <author>limacatarina64</author>
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         <description><![CDATA[<div>Ele contou a história da manipeba. Cordulina levantou-se, assustada:<br>— Meu filho! Pelo amor de Deus! Você comeu mandioca crua?<br>Assombrado, e sentindo a dor mais forte, o pequeno começou a chorar.<br>Cordulina, aturdida, topando no madeirame do chão, andou até o terreiro limpo,<br>procurando na terra varrida umas folhas para um chá. Depois, caindo em si, foi às<br>trouxas, e do fundo de uma lata tirou um punhado ressequido de sene.<br>E enquanto fazia o chá, gritava, num pranto, para o marido, que mais longe<br>trocava algumas palavras com um passante:<br>— Chico! Chico! Valha-me Nossa Senhora! O Josias se envenenou!<br>Agora, esgotadas as mezinhas, findos os recursos, sozinha, o marido longe —<br>Chico Bento saíra de manhãzinha a ver se descobria alguém que ensinasse um<br>remédio — de cócoras junto à criança moribunda, a cabeça quase entre os joelhos,<br>um filho agarrado à saia, Cordulina chorava sem consolo.<br>Um dos outros pequenos, sentado numa trave, chupando o dedo, olhava o<br>irmão. E o Pedro, o mais velho, do lado oposto, de vez em quando tangia com a<br>mão alguma mosca que tentava pousar no rosto do doentinho.<br>A criança era só osso e pele: o relevo do ventre inchado formava quase um aleijão<br>naquela magreza, esticando o couro seco de defunto, empretecido e malcheiroso.<br>Quando o pai chegou trazendo consigo uma negra velha rezadeira, Josias,<br>inconsciente, já com o cirro da morte, sibilava, mal podendo com a respiração<br>estertorosa.<br><br>Imagem- https://www.museudeimagens.com.br/grande-seca-do-nordeste/ </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-09 23:16:46 UTC</pubDate>
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