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      <title>Relatos by Taciane Barbosa Magnon</title>
      <link>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks</link>
      <description>Temática: Afetos</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-01-14 22:04:31 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2022-01-28 02:17:34 UTC</lastBuildDate>
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         <title>É estranho pensar que durante quase toda minha vida eu convivi bem com a ausência de afeto físico...</title>
         <author>tacianemagnon</author>
         <link>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks/wish/1993100242</link>
         <description><![CDATA[<div>É estranho pensar que durante quase toda minha vida eu convivi bem com a ausência de afeto físico, como abraços e beijos, consequência da minha criação, já que a minha família não era fisicamente afetuosa, embora existisse afeto. Logo, acabei crescendo com a ausência desse afeto físico. Me lembro de momentos de estranheza, na minha infância e adolescência, quando via a maneira com que os familiares de vários amigos agiam, o quão normal, e comum, era abraçar, beijar e dizer que amava, uma vez que, para mim, aquilo não era algo comum em casa, apesar de ter crescido num lar afetuoso emocionalmente. Porém, durante a pandemia, comecei a sentir a necessidade de ser uma pessoa mais afetuosa, entregando e recebendo afeto. E, parando para refletir, cheguei à conclusão de que a partir do momento que certa coisa se torna difícil, nós sentimos a necessidade de possuí-la. Mas o que é o afeto?&nbsp;<br><br></div><div>Tenho refletido muito sobre isso, pois, como a pandemia nos fez passar mais tempo em casa do que o normal, me vi obrigada a repensar várias coisas sobre minha vida. Logo, cheguei à conclusão de que o afeto é algo muito amplo. O afeto, às vezes, pode se fazer presente em algo bem simples como uma lembrança. Guardo na memória uma lembrança muito especial de quando era criança. Passava horas deitada no gramado do quintal da minha avó, acreditava ser possível tocar o céu, desejando possuir uma escada gigante ou, até mesmo, subir ao topo de um arranha-céu para confirmar minha teoria. Sinto falta da inocência daquela época, e de como todas as coisas pareciam ser simples, mas, ao mesmo tempo, sinto um grande afeto vindo de lembranças como esta. Ou seja, o afeto nada mais é do que tudo aquilo que traz algo bom para nós. No momento em que me dei conta disso, mudei a minha maneira de interagir, principalmente com a minha família, pois percebi o quanto esse afeto me fez falta. E, se fez falta para mim, talvez tenha feito para eles. É muito “louco” pensar que a mudança ocorreu num momento tão ruim, mas, ao mesmo tempo, o quanto isso me fez repensar sobre minha vida, trazendo evolução. Não vejo a hora de tudo se normalizar para que eu possa entregar e receber o afeto que por tanto tempo foi reprimido e descredibilizado por mim.<br><br></div><div>Taciane Magnon.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-14 22:26:37 UTC</pubDate>
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         <title>Relato da pandemia</title>
         <author>briefiche</author>
         <link>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks/wish/1993156827</link>
         <description><![CDATA[<div>A pandemia mudou muita coisa, não só na maneira como vivemos mas, também na maneira como compreendemos o que vivemos. É inegável que as mudanças dos últimos dois anos afetam todos os aspectos da vida e não nos dá descanso pois basta estabilizar que aparece uma nova variante e uma nova restrição social. Assim, para mim, a pandemia me fez colocar em perspectiva meus sentimentos sobre tudo que via como natural. Me trouxe reflexões sobre meus gostos: eu gosto mesmo de ir para festas grandes? Eu gostava mesmo de fazer academia? Essas reflexões me permitiram abrir mão de coisas da minha vida pré-pandêmica e, desse modo, abriu espaço para me conectar com novas coisas.</div><div><br></div><div>É interessante a forma como a mudança do contexto afeta nossa percepção sobre os lugares. Ao entrar na universidade, via Niterói como meu lugar de possibilidades, o lugar da minha independência, de descobertas, desafios e alegrias. Atualmente, ao voltar a Niterói, minha percepção mudou. A mesma paisagem me traz um sentimento de nostalgia, uma saudade do que eu deixei de viver.&nbsp;</div><div><br></div><div>Uma das mudanças que mais se destacou para mim foi em relação a minhas amizades. Acostumada com uma vida agitada, eu estava sempre repleta de pessoas. Entretanto, com a pandemia, essas relações mudaram. Não existem mais amigos de festa. Meu ciclo de amizade reduziu drasticamente. Em situações críticas, ou você se afasta ou se aproxima bem mais. A pandemia me permitiu criar conexões bem mais profundas com aqueles que importavam. A falta do calor humano faz falta, mas saber que você tem amizades capazes de sobreviver a tudo isso é muito gratificante e aquece o coração.</div><div><br></div><div>A incerteza que a pandemia trouxe nos tirou toda a sensação de segurança que tínhamos antes. Incerteza, solidão, reflexão…Tudo isso nos lembra da importância de valorizar aqueles momentos que vivemos antes: um jantar em família, um abraço apertado. Os afetos podem ser percebidos de maneiras distintas mas são essenciais. Sem a família e meus amigos eu não conseguiria ter passado por isso.&nbsp;<br><br>Gabriela Garcia Fiche</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-15 00:23:36 UTC</pubDate>
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         <title>Afetos </title>
         <author>gabrielaserafim</author>
         <link>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks/wish/1993160290</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Junto da pandemia muita coisa se foi embora e isso não é nenhuma novidade, até porque estamos caminhando para o 3º ano dela. A vida mudou e trouxe à tona sensações singulares, sentimentos novos&nbsp; que são sentidos em coletivo como, por exemplo, a incerteza, solidão, a saudade, nostalgia. Eu mesmo ao andar pelo caminho que fazia para ir para a faculdade nas ruas de Niterói sinto um aperto no coração, ao mesmo tempo que uma sensação gostosa por lembrar dos tempos de sol ensolarado e calor humano que vivia na UFF presencialmente. É engraçado pensar que no ano de 2019 eu reclamava de várias coisas, mas como&nbsp; faz falta, na verdade o que faz falta é a vida normal. A incerteza de saber quando a vida volta ao normal me fez balançar mais os pés, comer mais e sentir o coração acelerado em momentos de preocupação e, acredito que não só eu: as pessoas gostam de achar que tem um certo controle sobre a vida delas. A falta de calor humano e conexão com amigos e familiares queridos também gerou uma grande solidão, o que nos fez repensar sobre a valorização do tempo e das pessoas, o cuidado e as palavras: ‘se cuide’, ‘use máscara direito’, ‘não frequente lugares com muita gente’ são a nova forma de dizer ‘eu te amo’ e ‘me preocupo com você’. Mas da mesma forma que teve cuidado manifestado por palavras, lembro muito bem da minha decepção com amigos que no início da pandemia pareciam não ter consciência da gravidade de tudo e saíam e expunham sua vida e de seus familiares em perigo, com esse fenômeno teve afastamento. Eu me sentia triste e pensava ‘como confiar em alguém que só coloca as suas vontades em primeiro lugar mesmo durante a pandemia?’. Acho que muitas amizades foram deixadas de lado por esse motivo, muitas vezes por isso, outras apenas pela falta de comunicação e interatividade. O que tínhamos de recurso para nos comunicar eram as redes sociais e muitas vezes nos encontrávamos cansados em certos dias&nbsp; até mesmo para iniciar uma conversa.&nbsp;</div><div>&nbsp;Sobre mais sentimentos, não posso esquecer do meu natal de 2020 em que eu chorava e era um choro misturado de saudade dos meus familiares que não podiam estar junto por morar em outra cidade mas, também, chorava de gratidão por não ter perdido ninguém para a doença, eu sentia gratidão por saber que quem eu amava estava bem e com saúde, o que de certa forma era um luxo. O que só mostra que os afetos passaram a ser administrados e sentidos de forma diferente.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-15 00:31:29 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks/wish/1993160290</guid>
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         <title>Minha experiência de um dia na pandemia</title>
         <author>tacianemagnon</author>
         <link>https://padlet.com/tacianemagnon/Bookmarks/wish/1993180435</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;Depois de ouvir o barulho dos pássaros nas árvores do quintal e as tosses e pigarro do meu irmão no quarto ao lado. Pensei, já é hora de levantar para cuidar de Alexandre. Antes da rotina digo: É preciso de&nbsp; alguns minutos para refazer&nbsp; minhas forças . Então&nbsp; consigo apoiar em um dos meus braços e esticando as pernas tento fazer uma ginástica, que anos atrás aprendi com o meu sogro Manoel Roberto. Que me ensinou assim: _Soraya ao acordar deita de costas no chão e&nbsp; vai esticando seu corpo o máximo que conseguir. Imediatamente erga suas pernas para o alto e esticando os braços para cima&nbsp; e tente simular uma tremedeira. E fique nessa "maluquice" por mais ou menos uns dois minutos sem parar.&nbsp;</div><div>&nbsp;Assim ,começo o meu dia . Relaxo, fazendo uma ginástica respiratória que&nbsp; é&nbsp; inspira e respira, por cinco vezes ,levanto bem&nbsp; devagar.&nbsp; Então,caminho para um banho rápido e colocando uma espécie de roupão ,abro o quarto de&nbsp; meu irmão que está com um sorriso no rosto dizendo sempre a mesma frase:&nbsp;</div><div>_ Bom dia, dormiu bem?</div><div>E olhando ao redor uma cama velha de madeira ressecada e com&nbsp; um verniz desbotado&nbsp; e forrado com lençóis desarrumados ,totalmente ensopados por um forte cheiro de urina, lembrando aqueles banheiros públicos durante o carnaval ou outras festividades. É difícil. Mas consigo reunir forças por um afeto que brota dentro do meu ser. Nossos&nbsp; irmãos querem colocar lo em um asilo sem nenhuma compaixão. Pois cada qual tem sua vida particular e jamais poderia exigir&nbsp; algum sentimento deles para como Alexandre.&nbsp; Porém com a pandemia e os noticiários sobre os asilos no exterior foram impactantes e de muita comoção. Por fim meus outros irmãos deram uma trégua.&nbsp; Então, percebi que o afeto é um sentimento que nasce até mesmo sem nenhuma relação de parentesco ou de ter o DNA compatível.&nbsp;Mas  afeto que sinto por ele, vai além do sangue que corre nas minhas veias. Lembro quando nasceu. Foi no quarto com uma parteira chamada às pressas. E pasmem ! O parto normal que durou mais de cinco horas de sofrimento e ranger de dentes de minha mãe. Eu estava outra vez no quarto ao lado deveria ter meus sete anos pois tinha chegado da escola e o bebê não tinha chegado. Não sei explicar em palavras. Mas comecei a ajudar a criar esse menino de cabeça grande, e que não falava. Passou o tempo casei e ele ficou na cidadezinha de Sabará, lá nas Minas gerais. Sei que a vida é muito mais que dar e receber.&nbsp; Voltando aos cuidados de Alexandre&nbsp; todos os dias ao amanhecer lá pelas seis da manhã o cheiro de putrefação no ar invade o corredor da velha casa, devido&nbsp; as condições de saúde em que se encontra&nbsp; o seu ouvido direito Ele tem um dos tímpanos perfurados e não há reversão. &nbsp;</div><div>Respondo:</div><div>_ Bom dia, dormi bem, obrigada e você? Vamos tomar uma chuveirada?</div><div>&nbsp;Abrindo as janelas de madeira que abrem para o quintal bem cuidado. Avisto o pé de Romã, os pássaros e as borboletas amarelas que sobrevoam o quintal.</div><div>Volto para o quarto e contemplo uma satisfação do Alexandre que está se contorcendo todo e esforçando para sair da cama , eu rapidamente puxo a cadeira de banho&nbsp; para auxiliar na sua higiene. Vendo sua alegria de ir para o banho e de estar vivo. O seu otimismo é contagiante ainda que o cenário é repugnante. Não consigo ter outro afeto a não ser de carinho. Fico pensando quantas pessoas estão livres da cadeira de banho e de rodas não querem ir para o banho?</div><div>Ele reage positivamente. Todos os dias. Assim que termino de colocar ele na cama, coloco a fralda e ele vai ajudando mecanicamente. Ele foi um jovem com problemas psíquicos, e ficou paraplégico aos vinte nove anos, quando sofreu um atropelamento que impediu que voltasse a andar. Ficou em coma por meses . Mas sobreviveu. Hoje com seus  cinquenta e seis anos está órfão de pai e mãe. Não casou e não tem filhos e não tem ninguém que queira passar uma tarde com ele. Nem mesmo os quatros irmãos que moram na mesma cidade.&nbsp; Alexandre, é muito risonho e feliz com a vida . Ele gosta de passar creme de barbear Bozzano, para manter um rosto apresentável e assistir o programa favorito na TV. Aquele da rede elitista do país. Sempre de&nbsp; camisa apolo e shorts de alfaiataria, calçando uma sandália de velcro. Está com o perfume Kaiak o "preferido"&nbsp; assim todos os dias parece um domingo ou dia de festa. Quer estar&nbsp; bem apresentável para ver a rua da varanda e as pessoas que ele não conhece, por ter muitos conhecidos e vizinhos exterminados pela COVID. A pandemia não acabou, tomamos vacina e foi com muita alegria  que ele recebeu as profissionais de saúde. Agradeceu e até comemorou. Meu afeto em cuidar e de extrema gratidão principalmente que esse irmão foi um alcoólatra e passou muitas noites na rua nas calçadas e sumido até. Hoje está sobre os meus cuidados, E sei que ele pode contar comigo, ainda que eu tenho meus compromissos universitários e profissionais, marido, filhos e uma neta ele será sempre minha prioridade.</div><div><br></div><div>Soraya Lucena.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-15 01:17:03 UTC</pubDate>
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