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      <title>Portfólio - Anátale Viana Garcia by </title>
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      <description>Discussões sobre subjetividade e marcadores sociais, sobretudo relações étnico-raciais </description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-05-11 18:45:51 UTC</pubDate>
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         <title>Do início</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Nasci em Pindamonhangaba, no interior do estado de São Paulo, em uma família composta por mãe, pai, vó, vô, tia, e dois meio-irmãos maternos.&nbsp;Crescer numa família grande é sempre uma aventura. Não tínhamos muito dinheiro, então precisávamos nos ajudar. Nessa primeira fase da minha vida, morei nos fundos da casa dos meus avós. Minha mãe já era viúva e tinha dois filhos, com 10 e 14 anos. Eles não moravam conosco, e sinto que isso perturbou um pouco a nossa interação. </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:30:52 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Desde que me entendo por gente, sempre identifiquei o gênero, a faixa etária e a cor dos sujeitos com quem eu interagia. Mas isso era apenas reconhecimento das características. Até que em algum momento, esses elementos biológicos, sociais e estéticos começaram a ser valorados dentro de mim. A hierarquia dos marcadores sociais é veiculada na mídia. Está, por exemplo, no excesso ou na ausência de representatividade. Não tinham muitas meninas como eu nos programas da tv. Também não me lembro de personagens marcantes que eram parecidos comigo nos desenhos. Mais tarde, isso me fez ter alguns diálogos com a minha mãe em que eu me lembro de dizer que eu queria ter nascido menino. Em outros, queria ter nascido com outra cor. Queria ter nascido como ela. Porque eu olhava pras pessoas mais próximas e queridas do meu entorno e via pessoas brancas. Mas eu não era branca. E nunca seria.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:34:07 UTC</pubDate>
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         <title>Avó</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Minha vó, Benedita, ou Dona Dita, é como uma mãe pra mim. Ela é a matriarca da família. Criou 3 filhos e ajudou a cuidar de todos os 6 netos, além de 1 bisneto que nasceu em 2013. Eu fui sua primeira neta. Ela me chamava (e ainda me chama) carinhosamente de "neguinha da vó". Nossa relação foi sempre muito afetuosa. Morei com ela até os 4 anos. Depois, meus pais se mudaram pra uma casa cedida por ela em um bairro vizinho. Eu sentia que tinha duas casas. A dos meus pais, durante a semana, e a dela, durante o fim de semana. Minha vó trabalha desde os 7 anos de idade. Começou como pajem de crianças, empregada doméstica e cozinheira de uma família da elite fluminense que teoricamente "a adotou". Entre as décadas de 1940 e 1970, serviu a esta família em troca de casa e comida (o que é escravidão mesmo?). Nada registrado em carteira ou em cartório, inclusive a suposta adoção. Aos 24 anos, saiu da casa desta família e casou-se com meu avô, seu primo. Trabalhou, então, como caseira, cozinheira, lavadeira e passadeira entre as décadas de 1970 e 1990. </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:35:40 UTC</pubDate>
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         <title>Escola</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Desde o início do meu trajeto acadêmico, busquei excelência nos estudos. Minhas professoras gostavam de mim e costumavam tecer elogios nas reuniões e encontros entre pais e mestres. É digno de nota dizer que, acreditando ser boa em tudo, participei de um concurso de beleza no pré, meu primeiro ano de escola. Perdi feio. A primeira colocada no concurso de garota primavera foi uma amiga minha, para a surpresa de ninguém, uma menina loira dos olhos azuis. Chorei muito e assumi que minha aparência física não me renderia nenhuma vantagem. Mas eu era inteligente, e mostraria meu valor ao mundo por essa perspectiva. Porém, assim como denunciava Santos (1983), ser a melhor não me garantia o êxito. Afinal, o meu Ideal de Ego era construído com base em ideais dominantes que preconizavam o branco como cor. Mas ser branca, como dito anteriormente, nunca me foi uma opção. Eu tentava, todavia, ser a melhor. Para ser aceita. Para ser admirada. Para ser amada.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:39:32 UTC</pubDate>
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         <title>Irmãos</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Eu nasci em julho de 1994. Meus irmãos, em março de 1996. Eu nasci mais parecida com meu pai do que com minha mãe. Minha cor não era branca. A cor dos meus irmãos gêmeos Allan e Renan era branca. Eles eram meninos, eu era menina. Assim, fui assimilando essas diferenças como algo natural. Diferenças normais. Nada que me fizesse melhor ou pior do que eles. Éramos iguais na lógica familiar. E justamente por isso, quando adquiri consciência crítica, caí no fantasioso conto da democracia racial brasileira por alguns anos. Na minha concepção, o fato de meu pai e minha mãe estarem juntos e formarem um casal significava uma espécie de superação do racismo. Com efeito, o fato de eu ter sido gerada por este casal fazia com que a minha existência e a dos meus irmãos representassem, para mim, um indicativo da construção de uma nação essencialmente miscigenada e, em certa medida, justa em relação às oportunidades ofertadas às raças.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:44:13 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:44:43 UTC</pubDate>
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         <title>Avô</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Nas histórias que minha família conta sobre minha infância, sempre frisam o quanto meu avô paterno João me amava. Tenho uma vaga memória dele. Ele faleceu aos 60 anos, pouco depois de eu completar 3 anos. Ainda assim, ele foi uma figura muito importante na minha vida. E eu me sinto muito especial por saber que, apesar de meu vô ter sido um homem com muitos defeitos e dificuldades em demonstrar seus sentimentos, eu fui alguém importante pra ele.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:45:43 UTC</pubDate>
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         <title>Mãe</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Minha mãe tinha 35 anos quando eu nasci. 37, quando meus irmãos gêmeos nasceram. Ela sempre foi uma mulher muito forte. Antes do meu pai, teve um relacionamento conturbado e dessa união nasceram 2 filhos. Thiago, o menino que me segura na foto, é 10 anos mais velho que eu, nasceu em março de 1984. Marcelo, o filho primogênito da minha mãe, nasceu em março de 1980. Thiago era o meu irmão preferido. Ele, junto com meu avô e meu pai, foi uma figura masculina importante pra mim. Ele era engraçado e simpático, conquistava as pessoas ao redor. Mas às vezes exagerava nas brincadeiras. Uma que eu me lembro de mexer com inseguranças minhas era quando ele dizia que eu era adotada. Eu olhava pra minha mãe e realmente não via muitas semelhanças. Mas me via parecida com o meu pai. Minha cor me ajudava a me conectar com a minha identidade e com as minhas origens. Então eu criava coragem e respondia que era mentira! Que a mãe era branca mas meu pai não era. E que ele mesmo também não era branco como minha mãe. Refletindo hoje, vejo que, de fato, eu nunca me reconheci como branca. Pra mim, era óbvio. Mas não sei como o é para o Thiago. Não sei, por exemplo, como ele se autodeclara. O pardo pra nós aparece como uma escolha coringa. Sabemos que não somos brancos. Somos negros? Somos indígenas? Há como sabermos?&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:46:25 UTC</pubDate>
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         <title>Pai</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Meu pai sempre foi tímido e reservado. 9 anos mais jovem do que minha mãe, tinha 26 anos quando eu nasci. Começou a trabalhar aos 9, como ajudante de pedreiro, para ajudar em casa. Saiu da escola antes de concluir a 4ª série. Aparentemente, ficou com trauma de professores, haja vista que os castigos físicos vigoravam como lei na escola na década de 1970 e ele sofreu com isso. Se afastou dos estudos, mas sempre foi muito inteligente. Adulto, conseguiu um emprego em uma indústria metalúrgica de Pinda, foi registrado e até hoje trabalha como operário.&nbsp;<br>Meu pai passou por momentos difíceis na vida. Ele e meu tio passaram fome com minha avó. Ele tinha uma relação muito conturbada com meu avô, que era muito agressivo e ciumento com minha avó. Ainda jovem, meu pai tentou o suicídio algumas vezes, inclusive enquanto minha mãe estava grávida dos meus irmãos gêmeos. Pensar nessa intersecção de elementos que o constitui me faz entender melhor a pressão à qual meu pai se sentiu subjugado e algumas de suas atitudes.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:47:05 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:49:43 UTC</pubDate>
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         <title>O mito da democracia racial</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>O mito da cordialidade e da democracia racial brasileira prega a crença de que no Brasil não há qualquer discriminação racial, diferente de outros países ex-escravistas. Nesse sentido, a miscigenação representaria o elemento central para a formação da nação brasileira, na qual o homem branco agiria como agente civilizador movido por uma moral altruísta (o complexo de "<em>white savior</em>" ou "branco salvador") e a mulher negra, altamente sexual, corromperia este homem. Contudo, a partir dessa ideia, que vai na contramão da história da minha família, anuvia-se o verdadeiro caráter que a miscigenação possui: o de estupro. Além disso, apaga-se o elemento negro masculino nesse processo, como se ele não existisse.<br>O mito veicula uma versão de escravidão brasileira branda, íntima e pacífica, que prescinde de violência física, psicológica e moral para exigir obediência e passividade dos negros escravizados.&nbsp;<br>Todavia, esse mito da democracia racial brasileira não impediu que a frieza da ciência aniquilasse a humanidade das populações negras. Podemos recorrer a um livro crítico ao trabalho do naturalista suíço Louis Agassiz (1807-1873), que dedicou sua vida ao estudo e descrição da suposta inferioridade racial dos negros. “O objetivo precípuo de Agassiz era compor uma documentação visual de todos os tipos raciais existentes no mundo, com especial atenção aos negros e seus descendentes mestiços” (Machado, 2010, p. 30). O intuito desse estudo não era senão a comprovação da nocividade do hibridismo racial e étnico e a defesa das ideias do criacionismo e do poligenismo (Machado, 2010, p. 30).</div><div>Este é um exemplo de como as teorias racialistas persistiram por tantas décadas e, ainda hoje, servem para moldar a forma como os não brancos são representados na mídia.&nbsp;<br>As ideias lançadas por intelectuais dessa pseudociência disseminaram desde os protocolos para conceber na arte as figuras humanas não brancas até os ideais de beleza propagados como representantes psicológicos de inferioridade e superioridade. Com efeito, as mulheres negras eram constantemente reproduzidas e entendidas como seres sexuais, ao mesmo tempo que feias e burras.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:51:27 UTC</pubDate>
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         <title>Marcadores sociais</title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Contudo, mais tarde, sobre a tal democracia racial, percebi que as famílias inter-raciais eram, com muito mais frequência, compostas por pessoas de classes sociais mais baixas. Nas elites, a dinâmica das relações e os lugares de poder continuavam reservados apenas aos brancos. Mas como o Brasil é culturalmente fundamentado no mito da democracia racial, discurso oficial propagado durante toda a ditadura militar brasileira (1964-1985), negamos a existência do racismo no país e mantemos o privilégio branco que subjaz a desigualdade do sistema. Esse privilégio, segundo Bento (2013), protege os interesses concretos e simbólicos dos brancos e reitera persistentemente que as desigualdades raciais no Brasil constituem um problema exclusivamente dos negros.&nbsp;<br>Mas o racismo existe!<br>Somente neste semestre, tomando contato com os textos propostos pelos professores do curso de Psicologia da UFRGS, textos que versam sobre subjetividade, individualidade, marcadores sociais, constituição do sujeito etc., consegui entender o quão perverso esse tipo de racismo velado é para a relação do sujeito consigo próprio. O racismo inscreve marcas, feridas, na psique do negro e do indígena, às vezes de forma explícita, às vezes de forma sutil, sem que eles as identifiquem como perigosas. A negação da existência desse racismo é perniciosa porque provoca uma duplicação do sofrimento no negro e no indígena. Existe uma hierarquização dos sujeitos segundo seus marcadores sociais, mas essa hierarquização é negada. Ou seja, tanto existe a opressão quanto a negação da opressão. Uma violência em dobro que só aumenta a dor. Meu pai é um exemplo desse problema social mal maquiado. Suas atitudes são uma resposta à violência que ele sempre sofreu em silêncio.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:56:35 UTC</pubDate>
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         <title>Negra, indígena ou parda?</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2180065603</link>
         <description><![CDATA[<div>O termo pardo é polêmico. Já ouvi críticas ao termo advindas do movimento negro que diziam que pardo é papel. Mas, da minha confusa e humilde perspectiva, eu, que nunca me enxerguei como uma mulher branca, me declaro até hoje como parda porque considero em pé de igualdade tanto a minha negritude quanto as minhas características indígenas.<br>E meu pai, que desde criança eu enxergava como um homem negro, quando questionado por mim se de fato se via dessa forma, respondeu que se identificava como cafuzo, da cor de jambo. Parece importante pra nós marcar as duas etnias.&nbsp;<br>Assim, penso que me considero parda quando tenho de responder a uma autodeclaração de raça segundo o IBGE porque a outra possibilidade seria marcar as opções negro/preto e indígena, mas na maior parte das vezes o sistema parece não permitir isso. Desse modo, recorro à classificação parda para também indicar a ascendência indígena que me cabe.&nbsp;<br>Porém, não me eximo da autocrítica ao pensar que fugimos da definição de pretos/negros porque, em algum momento, o Brasil começou a considerar essa classificação uma ofensa. Conforme revela Schucman (2017), o termo "pardo" tenta branquear o sujeito, permitindo a fuga dos estereótipos negativos relacionados ao negro em nossa cultura. Lembro da história contada por Schucman no TEDx Talks "Porque queremos olhos azuis?", em que o escrivão não anotou a raça/etnia de uma criança negra, que tinha os pais negros, como negra, mas, sim, como parda, e se justificou dizendo que não queria ofendê-los. O racismo à brasileira nos pega desprevenidos em pequenas atitudes, mas mesmo assim nos destrói.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 20:14:14 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>anatalegarcia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 20:14:40 UTC</pubDate>
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         <title>Conceituação de raça e racismo</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2181744020</link>
         <description><![CDATA[<div>Mas antes de contar minhas histórias, gostaria de salientar alguns pontos. O termo raça é aqui compreendido como um conceito ideológico e social, e não biológico, consoante às explicações de Munanga e Schucman (2014, 2010), bem como com a dinâmica biopolítica descrita por Foucault em "Il faut défendre la société" (1975/6, traduzido para o espanhol como "Genealogia del racismo", 1993, e para o português como "É preciso defender a sociedade", 2005).<br><br>"o racismo é mais especificamente entendido como uma construção ideológica, que começa a se esboçar partir do século XVI com a sistematização de ideias e valores construídos pela civilização europeia, quando estes entram em contato com a diversidade humana nos diferentes continentes, e se consolida com as ideias científicas em torno do conceito de raça no século XIX" (Schucman, 2010, p. 43).<br><br>"o racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, lingüísticos, religiosos, etc. que ele considera naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence" (Munanga, https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59).&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;<br>"consideramos racismo qualquer fenômeno que justifique as diferenças, preferências, privilégios, dominação, hierarquias e desigualdades materiais e simbólicas entre seres humanos, baseado no conceito de raça. Isso porque, mesmo esse critério não tendo nenhuma realidade biológica, o ato de atribuir, legitimar e perpetuar as desigualdades sociais,<br>culturais, psíquicas e políticas em função da 'raça' significa legitimar diferenças sociais" (Schucman, 2014, p. 85).&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-12 18:20:22 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Prefácio</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2181839390</link>
         <description><![CDATA[<div>Minha família é miscigenada. Mas pouco sabemos sobre as nossas origens. O que está estampado na cara - e na pele - é a nossa gradação de cores. Minha mãe é branca. Meu pai, negro e indígena. E num país em que a cor é o principal marcador de etnia/raça, essas discussões sempre permearam meus pensamentos. Por isso fico feliz em produzir esse trabalho para a disciplina de Relações Étnico-Raciais e Psicologia. Vejo aqui a chance de elaborar algumas considerações pessoais relevantes para mim.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-12 19:33:50 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Apresentação</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2181843906</link>
         <description><![CDATA[<div>Pensei em apresentar neste portfólio algumas reflexões sobre marcadores sociais, com ênfase nas relações étnico-raciais, a partir de exemplos meus e da minha família.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-12 19:38:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Psicanálise e relações étnico-raciais</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2182166305</link>
         <description><![CDATA[<div>Na teoria psicanalítica, buscar o Ideal do Ego é estrutural e constitutivo do ser. Todos nós estaríamos imersos nessa modalidade de subjetivação. Contudo, conforme constata Neusa Santos Souza, no capítulo “Narcisismo e Ideal do Ego” de seu livro “Tornar-se negro ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social” (1983), como o ideal que é colocado na base da nossa cultura é o da branquitude, o branco fica como o neutro, o que não é marcado, o normal, e ao negro resta a inatingibilidade do ideal do eu.&nbsp;</div><div>Segundo Isildinha Baptista Nogueira, em seu texto “Cor e Inconsciente” (presente no livro "O racismo e o negro no Brasil: questões para a Psicanálise", 2017), “Sabemos que as condições socioeconômicas e a ideologia moldam as estruturas psíquicas dos homens” (p. 122). Dessa forma, se o sujeito é constituído pelo olhar do outro, e culturalmente o negro é caracterizado como supostamente inferior ao branco, “É, evidentemente, confuso o processo psicológico da ordem do inconsciente pelo qual os negros passam” (p. 124). A discriminação e o preconceito cotidianamente vividos pelos negros os envergonham, os fragilizam e os despersonalizam. Há um processo cultural de desumanização do ideal narcísico do negro, ou seja, do seu Ego Ideal.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-13 01:39:08 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2182166305</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Trabalho análogo à escravidão</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2182454713</link>
         <description><![CDATA[<div>Com a primeira família, para a qual trabalhou dos 7 aos 24 anos, em Barra Mansa (cidade fluminense a cerca de 150 Km da cidade do Rio de Janeiro), não há nenhum registro formal, seja de trabalho, seja de adoção. Sobre este último aspecto, por conta de sua mãe ter morrido em seu parto e de seu pai tê-la abandonada, Benedita foi assumida, informalmente, como “filha de criação” dessa família rica. Mas essa tutela, embora fosse uma “figura jurídica criada para proteger as crianças, tornara-se, no decorrer do século XIX até as primeiras décadas do século XX, um mecanismo de agenciamento do trabalho infantil” (Telles, 2011, p. 122). Isso fez com que pessoas tutelassem crianças e adolescentes com o objetivo de lhes obrigar a realizar serviços domésticos sem remuneração, justamente como aconteceu com minha vó.</div><div>A resistência dos patrões em aceitar “restrições externas que ameaçassem a esfera de dominação doméstica, até aquele momento incontestada” (Telles, 2011, p. 68) – embora a escravidão não fosse mais amparada pela lei –, venceu o debate público e, por muito tempo, desobrigou a formalização dos contratos de trabalho doméstico.&nbsp;</div><div>Sendo assim, “a violação da privacidade doméstica e da autoridade pessoal” (Graham, 1992, p. 147) persistiu, de maneira que os castigos físicos e os enclausuramentos domiciliares de empregados e, sobretudo, de empregadas domésticas permaneceram comuns até meados do século XX. A infância e a adolescência da minha vó mostram que, de fato, não existiu nenhum tipo de apoio legal às populações negras e indígenas exploradas por brancos. Ela lembra que foi “criada sem mordomia. Apanhava muito e trabalhava até doente. Não tinha moleza”. Dessa forma, a violência psicológica praticada contra os trabalhadores pautava-se na sua culpabilização como desculpa para os “corretivos” a eles aplicados. Nesse sentido, minha avó afirma que seus patrões diziam que ela “era muito difícil, porque respondia pra eles, avançava neles, não tinha respeito”. Lamentável é ver que, como resultado dessa “domesticação”, ela diz até hoje que “foi bom apanhar", porque ela aprendeu.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-13 06:38:01 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Referências</title>
         <author>anatalegarcia</author>
         <link>https://padlet.com/anatalegarcia/rn2yhekowopxwcr7/wish/2182462338</link>
         <description><![CDATA[<div>Bento, Maria Aparecida Silva. (2013). Branquitude e Branqueamento no Brasil. <em>Racismo Institucional. Fórum de debates - educação e saúde</em>, 5-39.<br><a href="https://www.nupad.medicina.ufmg.br/arquivos/acervo-cehmob/foruns/racismo-institucional/Caderno-Racismo.pdf">https://www.nupad.medicina.ufmg.br/arquivos/acervo-cehmob/foruns/racismo institucional/Caderno-Racismo.pdf</a><br><br>Foucault, Michel (2005). <em>É preciso defender a sociedade: curso no Collège de France (1975-1976)</em>. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes. <a href="https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2018/05/foucault-michel-em-defesa-da-sociedade.pdf">https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2018/05/foucault-michel-em-defesa-da-sociedade.pdf</a><br><br>Graham, Sandra Lauderdale (1992). <em>Proteção e Obediência</em>: criadas e seus patrões no Rio de Janeiro (1860-1910). Tradução de Viviana Bosi. São Paulo: Companhia das Letras.<br><br>Machado, Maria Helena Pereira Toledo (2010). “Os Rastros de Agassiz nas Raças do Brasil: A Formação da Coleção Fotográfica Brasileira”. Maria Helena Pereira Toledo Machado &amp; Sasha Huber (orgs.). <em>(T)Races of Louis Agassiz: Photography, Body, and Science, Yesterday and Today/Rastros e Raças de Louis Agassiz: Fotografia, Corpo e Ciência, Ontem e Hoje, </em>30-53. <br><br>Munanga, Kabengele (s/d). Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. <em>Inclusão social</em>: um debate necessário? <a href="https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59">https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59</a> <br><br>Santos, Neusa Souza (1983). Narcisimo e Ideal do Ego. <em>Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social</em>, 33-44. Rio de Janeiro: Edições Graal.<br><a href="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1154/o/Neusa_Santos_Souza_-_Tornarse_Negro.pdf?1599239573">https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1154/o/Neusa_Santos_Souza_-_Tornarse_Negro.pdf?1599239573</a>&nbsp; <br><br>Schucman, Lia Vainer (2017). Porque queremos olhos azuis? TEDx Talks, São Paulo, publicado em 4 de jan. de 2017. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=EC-IywB3dEA">https://www.youtube.com/watch?v=EC-IywB3dEA</a><br><br>Schucman, Lia Vainer (2012). <em>Entre o "encardido", o "branco" e o "branquíssimo": raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana</em>. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. <a href="https://doi.org/10.11606/T.47.2012.tde-21052012-154521">https://doi.org/10.11606/T.47.2012.tde-21052012-154521</a><br><br>Schucman, Lia Vainer (2014). Sim, nós somos racistas: estudo psicossocial da branquitude paulistana. <em>Psicologia &amp; Sociedade, 26</em>(1), 83-94. ISSN 1807-0310. <a href="https://doi.org/10.1590/S0102-71822014000100010">https://doi.org/10.1590/S0102-71822014000100010</a>.<br><br>Schucman, Lia Vainer (2010). Racismo e antirracismo: a categoria raça em questão. Revista Psicologia Política, <em>10</em>(19), 41-55. <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-549X2010000100005&amp;lng=pt&amp;tlng=pt.">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1519-549X2010000100005&amp;lng=pt&amp;tlng=pt.</a><br><br>Telles, Lorena Féres da Silva (2011). <em>Libertas entre sobrados: contratos de trabalho doméstico em São Paulo na derrocada da escravidão</em>. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. <a href="https://doi.org/10.11606/D.8.2011.tde-10082012-170442">https://doi.org/10.11606/D.8.2011.tde-10082012-170442</a>.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-13 06:45:21 UTC</pubDate>
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