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      <title>Entrevista Tammy Tupinambá by </title>
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      <description></description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-05-28 16:34:13 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Sou Tammy, mulher indígena da etnia Tupinambá, orgulhosamente Baiana, Mãe, Erveira, Assistente Social e Produtora Cultural. Desde a infância, sinto o chamado de minha ancestralidade, e essa conexão revelou talentos práticos e espirituais, além de evidenciar a disposição em lutar pela garantia de direitos e bem-estar das pessoas bem como do meio ambiente. </p><p><br/></p><p>Minha força e inspiração vêm da mãe terra, a mais poderosa de todas. Atualmente, desenvolvo o Projeto Serpenteia Bem Viver Ancestral, no qual ofereço Fitocosméticos feitos com a  força e as propriedades das ervas sagradas, oficinas em espaços como SESC, Casas de Cultura, Escolas, equipamentos da Assistência Social e Saúde, entre outros, sempre com respeito, amor e muito Axé. E como Produtora Cultural, busco sempre criar projetos em conjunto com minhas Parentas e Parentes (é como nós Povos Indígenas nos tratamos) para dar visibilidade às nossas formas de existir nessa terra diante de nossos trabalhos.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:46:45 UTC</pubDate>
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         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Cada povo possui uma cultura única e singular, o que implica na existência de múltiplas culturas. Ao abordar a cultura de meu povo Tupinambá, é importante destacar que muitos aspectos dela têm sido parte integrante de minha vivência desde que eu era miúda. No entanto, por muito tempo, eu, como pessoa indígena vivendo fora de um contexto aldeado, não tínha consciência de minha identidade étnica. Embora estivesse imersa em práticas culturais típicas de meus povos através de minha Voínha, nós não tínhamos o reconhecimento de que éramos, de fato, pessoas indígenas, mesmo durante toda vida sendo chamadas, tanto eu quanto ela, de nomes firmados em estereótipos como Tainá, indiazinha, índia, cabocla, etc. Esse desconhecimento é alimentado pelos estereótipos históricos que intencionalmente apagam nossas existências, nos botando em caixas predefinidas, como no caso do pardismo. Assim, a invisibilidade de nossa diversidade cultural e a imposição desses estereótipos contribuem para a perpetuação desse apagamento histórico e para a dificuldade de reconhecimento e afirmação de nossas identidades indígenas.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:51:06 UTC</pubDate>
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         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Atualmente eu moro na periferia de Taboão da Serra, em São Paulo, então nesse caso, apenas um parente ou parenta que more no território é quem pode responder sobre a vivência lá.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:53:01 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Antes de me tornar Assistente Social, atuei como Educadora Social junto à População em Situação de Rua de São Paulo. Em seguida, estagiei por 2 anos no Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO), um serviço de saúde onde a maior parte das atividades eram voltadas para pessoas com questões de saúde mental. Atualmente, minha atuação como Assistente Social se dá dentro da Política Pública de Assistência, no Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência. Embora tenha encontrado oportunidades de ingressar nessas áreas, enfrentei e continuo enfrentando diariamente o racismo e o etnocídio de forma constante. Essas formas de discriminação se manifestam de maneira visual, verbal, implícita ou explícita, sendo uma realidade recorrente em minha vida profissional.</p><p><br/></p><p> Por isso, ressalto a importância crucial de utilizar termos, discursos e abordagens responsáveis ao falar sobre nossas existências em todos os ambientes. Além de implementar políticas públicas voltadas para a garantia de nossos direitos, é essencial promover mudanças significativas na forma como somos percebidos e representados. Através dessas ações, podemos abrir espaço para o debate sobre as questões que envolvem nós, povos originários desta terra e, assim, contribuir para a diminuição dos estereótipos e preconceitos que nos afetam cotidianamente em todas as caminhanças das quais fazemos parte.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:54:36 UTC</pubDate>
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         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Meu projeto, Serpenteia Bem Viver Ancestral, é um presente direto de minha ancestralidade para mim. As minhas e meus ancestrais ecoaram em meus ouvidos, alma e coração a fonte de minha força, que tá nas entranhas da Mãe Terra e nas ervas sagradas. É por meio delas que me sinto inteiramente viva, conectada ao mais profundo de meu ser nessa existência. Minha Guiança me orienta, protege e ensina diariamente sobre o sagrado da sabedoria, do respeito e da reverência no manejo da terra e das ervas. Ter a oportunidade de usar meu dom como uma fonte de sustento não apenas para mim, mas também para alimentar minha cria, minhas parentas e parentes que trago comigo nessa caminhança, é uma honraria sem tamanho pra a minha existência. Criar um empreendimento dentro dos princípios da Economia Solidária, buscando justiça social e valor acessível, é uma missão que ressoa profundamente em mim. Manejar as ervas não é apenas uma atividade, mas sim a essência de minha própria vida.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:55:48 UTC</pubDate>
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         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Na perspectiva de minha visão e conhecimento sobre meu povo Tupinambá que tá em contexto aldeado, um dos principais desafios hoje, para além de sofrerem também com o racismo e etnocídio diário, é enfrentar uma batalha contínua pela demarcação do Território Tupinambá de Olivença, em Ilhéus, minha Bahia. Há mais de 15 anos aguardando o reconhecimento oficial da demarcação das terras através da Portaria Declaratória, mas até o momento, sem nenhuma decisão firmada. Enquanto isso, a parentada sofre com invasões, violência e assassinatos advindos de fazendeiros, grileiros e coroneis, motivados pela especulação imobiliária, sede de destruição da terra e pura ganância destrutiva. Este é um contexto de constante luta pela preservação de nossa terra sagrada. </p><p><br/></p><p>No contexto urbano em que vivo, além de lidar com o etnocídio diário, enfrentamos a dificuldade de fazer a população entender que mesmo não residindo em uma aldeia, somos pessoas indígenas, pois minha identidade não é um objeto, é quem eu sou, ou seja, eu sou indíegna em qualquer contexto que estiver, podendo e devendo lutar pela preservação de meu território ancestral, mesmo que lá eu não esteja fisicamente, mas a alma de minhas e meus ancestrais estão. Nós, povos indígenas, estamos empenhados não apenas na defesa de nossa própria existência, mas também na proteção do meio ambiente e na luta por justiça social, contribuindo assim para o bem-estar de todas as pessoas, indígenas e não indígenas, sendo assim, a preservação da natureza, das terras, biodiversidades não responsabilidade apenas nossa e sim de toda sociedade. </p><p><br/></p><p>A contribuição de pessoas não indígenas pode se dar com a disseminação de informações verdadeiras e respeitosas sobre nossas existências, culturas e realidades diversas. É essencial que nos enxerguem como somos de fato, Povos plurais, diversos e potentes e não como meros mitos ou relíquias do passado. O apagamento de nossas histórias e vivências ocorre quando não são discutidas com a frequência e profundidade necessárias e pra isso pessoas não indígenas precisam nos conhecer através de nós. Busquem informações sobre nós produzidas por nós, leiam nossas próprias narrativas sobre nós e ouçam nossas vozes falando sobre nós. A disposição de desmistificar preconceitos e combater a invisibilidade é uma forma fundamental de contribuição e é através desses diálogos, debates e perpetuação de informações corretas, que podemos construir uma sociedade mais inclusiva e justa para existirmos como realmente somos, povos originários dessa terra”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:57:30 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“Que nossas e nossos Ancestrais, nossos Encantados, se sentem honrados em nos ver ocupando espaço de direito onde quisermos estar, pois somos Originários dessa Terra e nela podemos devemos, se assim quisermos, pisar em cada canto com toda firmeza que nossas Guianças nos dão para sermos quem somos, a própria força de quem nos acompanha em nossas almas.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:58:23 UTC</pubDate>
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         <author>pannajulia</author>
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         <description><![CDATA[<p>“O artesanato e artefatos sagrados servem para identificação de cada povo, na maioria das vezes. Mesmo que troquemos todos os tipos de artesanatos entre nós, sempre ficará a identidade de qual povo pertence. Um exemplo, as grafias que são feitas nas marácas, as penas com que são feitos os Cocas, as sementes ou miçangas utilizadas para fazer colares e pulseiras etc.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-05-28 16:59:16 UTC</pubDate>
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