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      <title>Relações Étnico-Raciais e Psicologia by Ândria</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-08-15 18:14:39 UTC</pubDate>
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         <title>23/06/2022 Primeiro encontro</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2261470551</link>
         <description><![CDATA[<div>Primeira aula da disciplina. Segunda semana de aulas presenciais. Apesar de já conhecer parte dos(as) colegas do Ensino Remoto Emergencial (ERE), passar a fazer parte de uma turma presencial me suscitou bastante ansiedade. Estar no mesmo espaço físico, ver os olhares, ter muito mais espaço para interação.<br>O tema das relações étnico-raciais é muito sensível para mim e eu estava muito ansiosa de começar a cursar essa disciplina. Também com expectativa de aprender, mas muito mais "ansiosa" de ansiedade do que de expectativa.<br>Nessa primeira aula, tivemos que fazer um desenho de nós mesmos e isso já foi ansiogênico para mim. Na mesa, vários lápis de cor de tons de peles. Nessa ansiedade, pensei que gostaria de me desenhar de lapiseira, como que desejando me esconder. Mas eu sabia que o exercício tinha um objetivo e o aceitei. Peguei o lápis com o tom de pele correspondente ao meu e me desenhei. Como de costume, me retratei em tamanho pequeno, o que me dá a impressão de que reflete a minha pouca exposição e pouca expansão. Essa é a forma que me desenho comumente. Mas também é como eu costumo desenhar todas as formas humanas. Não tivemos muitas orientações sobre como nos apresentar, o que me pareceu um exercício intencional interessante de perceber como esse tema aparece ou não na nossa fala. Algumas colegas choraram se apresentando antes de mim. É muito difícil eu chorar em qualquer aula, o que me fez perceber como, de certa forma, eu sou meio fechada, apesar de conversar com facilidade com as pessoas. Talvez fechada quanto aos meus conflitos internos. Apesar disso, nós sabemos que respingos dos nossos conflitos sempre aparecem no dia a dia sem que nos demos conta.<br>Na hora de me apresentar, realmente não sabia o que falar. Então, decidi por falar o semestre em que eu estou, o curso de onde vim e que, depois de 2 anos e meio sem aulas presenciais, minhas habilidades sociais estavam "enferrujadas" e eu estava com dificuldade de me expor nas aulas. Ponto. Depois, me senti muito frustrada comigo mesma por supostamente "não ter cumprido a tarefa, não ter me apresentado de forma adequada". Fiquei ruminando sobre como deveria ter falado que eu sou uma mulher branca ou algo assim, cumprindo o objetivo da apresentação.<br>Depois, tivemos que fazer uma tarefa de delimitar em um mapa o país de onde nossa família descendia. Achei esse exercício difícil, porque as gerações das nossas famílias vêm de tantos lugares, não sabia qual escolher e que critério utilizar pra escolher. Acabei por falar no Uruguai, considerando que parte da minha família materna se criou em Santa Vitória do Palmar, de onde vem muitos hábitos, expressões de linguagem, traumas, sotaque e histórias que influenciam bastante a criação das gerações seguintes. Acho que o bisavô da minha avó veio da Itália, mas isso parecia muito mais distante do que a influência que exercia Santa Vitória nas nossas vidas. Depois, conversando com meu namorado sobre isso (que já fez a disciplina), ele apontou um aspecto que me evidenciou algo interessante. Ele falou que, a não ser que descendamos de etnias indígenas brasileiras, alguém da nossa família veio de algum outro lugar. Era esse lugar que poderíamos escolher, que me remeteu a esse bisavô italiano. A mestranda que participa da disciplina fez uma fala sobre como tinha uma predominância muito grande de escolhas de países europeus no mapa, demonstrando como a universidade ainda era muito branca. Também falou sobre como sofreu atos diários de racismo no Moinhos de Vento, onde exerceu alguma atividade que agora não me recordo. Me senti um pouco ansiosa com essa fala. Fiquei pensando como é impressionantemente doloroso que fossem atos diários. Todos os dias. Fiquei muito ansiosa pensando que eu já fiz coisas sem querer que alguma pessoa pode ter considerado como racismo, algum olhar distraído que a pessoa pensasse que era de julgamento/medo. Alguma vez que eu tenha trocado de calçada ocasionalmente e alguém pensasse que tivesse sido por causa dele. É absurdamente ansiogênico pensar em como a outra pessoa vai interpretar e sentir o que nós fazemos ou dizemos, porque não tenho controle sobre isso. Isso é especialmente angustiante quando se trata de racismo, algo tão doloroso e que influencia de forma tão intensa a identidade da pessoa, a forma que ela se vê e as suas necessidades de pertencer e ser acolhida. Não sei o que fazer. Minhas mãos tremem de ansiedade.<br>Também, antes da disciplina começar, tinha medo que ocorressem brigas na turma. Tudo isso me remete muito a experiências que eu tive no Serviço Social que ainda tenho dificuldade de aceitar.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-15 18:17:26 UTC</pubDate>
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         <title>07/07/2022 Bloco 1: Colonialidade e raça como categoria social</title>
         <author>andriamarins1</author>
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         <description><![CDATA[<div>Hoje tivemos aula no pequeno grupo com o Prof. Damico. Eu estava meio ansiosa, mas menos por ser um professor que eu gosto e já conhecia antes e por ser um grupo menor com algumas pessoas que eu já conhecia. O professor fez uma fala sobre não fazer falas "lacradoras" naquele espaço, porque elas calavam ao invés de gerarem perguntas. Aquilo foi um alento para o meu coração e eu me senti um pouco mais confortável, concordando e me identificando profundamente com a ideia. A lógica moralista que tem sido o tom desses debates nas redes sociais é profundamente tóxica e, na minha visão, se assemelha aos tipos de raciocínio e métodos utilizados pelo bolsonarismo. Compreendo a dor e a indignação que muitas situações suscitam em nós e entendo que as pessoas se sintam muito tocadas pelo que aconteceu. Mas precisamos sustentar uma lógica diferente da reação de demonização e vingança. É essencial que nós busquemos estabelecer outras formas de comunicação e relação que sejam a base de um mundo diferente que queremos construir. Precisamos nos conscientizar de que destruir o outro, abominar a diferença (que aqui não se refere às ideias e comportamentos desumanos) e punir com "penas de morte simbólicas" faz parte de um mundo que está profundamente adoecido e que não se sustenta mais.<br>Me identifiquei bastante com alguns aspectos que o professor falou em aula, sobre a multiplicação das diferenças ou a eliminação das diferenças, sobre a lógica da colonização ser a desumanização e a homogeneização.<br>Em determinado momento da aula, quando falávamos sobre o discurso racista de que brancos e negros teriam cheiros diferentes, um colega falou que, entre os seus clientes, existiam vários cachorros que não gostavam de pessoas negras. Num primeiro momento, eu não consegui entender, imaginei somente o que fazia mais sentido: os tutores provavelmente transmitiram seu próprio racismo ao comportamento dos cachorros, transmitindo a eles que pessoas negras seriam ameaças. No fim da aula, conversei com as colegas e, então, entendi que ele estaria pontuando que essa diferença nos cheiros existe. Uma das colegas estava muito chateada, inclusive por ninguém ter se manifestado em relação àquela fala. Comecei a sentir uma ansiedade muito grande, porque não concordava com a fala dele, achei que teria sido importante que alguém contestasse e eu poderia ter feito isso. A ansiedade custou a passar.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-17 17:07:05 UTC</pubDate>
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         <title>30/06/2022 Bloco 1: Colonialidade e raça como categoria social</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2273941132</link>
         <description><![CDATA[<div>Não compareci a essa aula. Ouvi comentários de que houveram brigas na turma e me senti aliviada por não ter ido. Lendo o artigo indicado para a respectiva aula, achei interessante o seguinte trecho:&nbsp;</div><div><em>"[...] os estudos de Hasenbalg (1979) demonstram que as desigualdades sociais dos grupos de não brancos não podem ser entendidas como uma transposição das injustiças históricas ligadas ao nosso passado escravocrata. O autor demonstra que a raça é componente importante nas estruturas sociais, ou seja, a exploração de classe e a opressão racial se articularam como mecanismos de exploração do povo negro, e esse processo resultou nas desigualdades da população negra. Os negros foram, ao longo do tempo, explorados economicamente e essa exploração foi praticada por classes ou frações de classes dominantes brancas. Para o autor, a abertura da estrutura social em direção à mobilidade está diretamente ligada à cor da pele, e nesse âmbito a raça constitui um critério seletivo no acesso à educação e ao trabalho. Ainda sobre mobilidades social e status, Hasenbalg (1979) demonstra como, através de mecanismos racistas, negros nascidos na mesma condição social que brancos têm menores possibilidades de ascensão social, além de sofrerem uma desvantagem competitiva em todas as fases da sequência de transmissão de status."<br></em>A autora<em> </em>aponta que as desigualdades sociais não resultam apenas de um processo ligado ao passado, mas que opera ainda no presente. Por isso, políticas como as ações afirmativas não se baseiam apenas no passado brasileiro, mas revelam a presença ainda atual da categoria raça permeando as estruturas da sociedade e as relações interpessoais.<br>Evidenciar o racismo presente na nossa sociedade e nos percebermos participantes e integrantes dessa dinâmica faz emergir uma porção de possibilidades de mudança, pois passa a ser reconhecido e falado.<br>Seguindo na leitura do texto, me deparei com algumas reflexões sobre a branquitude. Fiquei pensando no "paradoxo" de que, ao mesmo tempo em que o sujeito branco é visto como universal, modelo, não-racializado, no momento em que, de noite, alguém olha para trás e me vê - uma mulher branca de classe média -, muitas vezes percebe como alguém que "não apresenta perigo". Isto é, nesses momentos é perceptível que há um aspecto racial que perpassa as experiências cotidianas dos brancos, como o aspecto de "parecer confiável, não ser suspeito". Parecem situações camufladas, porque não geram um problema para nós, brancos, então elas permanecem no não-dito e no naturalizado.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-28 20:41:04 UTC</pubDate>
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         <title>Bloco 2: Branquitude e Branqueamento 14/07 e 21/07/2022</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2332100771</link>
         <description><![CDATA[<div>A questão das relações étnico-raciais estão sempre presentes na nossa vida. No entanto, frequentemente o branco não aparece, como se não tivesse raça, como se não fizesse parte dessa dinâmica, sendo considerado um modelo universal, "neutro". Conforme fui refletindo sobre o assunto, percebo como a questão étnico-racial está muito presente em todos os contextos - quando eu entro em lojas e outros estabelecimentos, quando as pessoas olham para trás e me veem, quando eu caminho de noite na rua, quando adentro um restaurante, enfim... em todos esses contextos, é possível observar como eu automaticamente sou considerada "confiável", "inocente", não sou vista como suspeita, não recebo olhares prolongados por ser branca... é muito comum eu caminhar na rua e pessoas olharem para o lado ou para trás, provavelmente para ver quem está próximo delas, e automaticamente ficarem tranquilas ao me ver. É paradoxal, porque essas situações me favorecem, mas fico muito incomodada ao pensar nisso, incomodada por terem pessoas que constantemente são julgadas, recebem olhares desconfiados, são evitadas, são vistas de forma negativa. Me sinto muito machucada com julgamentos e rejeição e me sinto muito triste por terem pessoas que sentem isso cotidianamente. Fico pensando em quais ferramentas de força interior e autoestima essas pessoas encontram para enfrentar essas situações...<br>No encontro de tutoria, o professor falou sobre a metafísica ocidental, que é dualista (natureza vs. cultura, masculino vs. feminino etc.) e um polo é considerado superior ao outro. Ele falou sobre a perspectiva sociológica e histórica da análise das relações étnico-raciais e da perspectiva psicológica, afirmando que precisamos aprender a ocupar um lugar de não-saber, de incertezas em frente às pessoas, atentando para as suas singularidades. Caso contrário, se anteciparmos questões da sua história, corremos risco de não escutá-la realmente. Me identifico muito com essa perspectiva. Acredito na importância de estarmos cientes daquilo que permeia as relações étnico-raciais na nossa sociedade, para podermos reconhecer e validar quando elas aparecem no nosso trabalho, para podermos identificar e refletir sobre as relações de poder que se estabelecem e para não reproduzirmos ou revitimizarmos quem sofreu racismo. No entanto, é preciso aprender a ter uma abertura ao mundo singular daquela pessoa, percebendo as formas singulares de como a afeta tudo o que permeia a nossa sociedade.<br>Sei que nem todas as pessoas concordaram com o professor e me sinto insegura com isso. Enquanto pessoa branca e também enquanto uma pessoa muito sensível, busco ouvir as divergências sobre essa questão com sensibilidade e escuta, reconhecendo como os assuntos relativos a essa temática pode tocar em muitos sofrimentos profundos. Porém, o que me traz insegurança é conseguir manter interiormente a minha visão, poder trazê-la eventualmente quando é solicitada e não escondê-la por medo de ser julgada ou sofrer distanciamento dos outros...</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-10-08 19:05:10 UTC</pubDate>
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         <title>Bloco 3: Relações Raciais e Constituição Psíquica 28/07 e 04/08/2022</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2332800429</link>
         <description><![CDATA[<div>Sabendo das divergências do último encontro e sentindo muita ansiedade, essa aula foi bastante sofrida para mim. Achei o conteúdo bastante pesado, me senti triste em vários momentos por ouvir sobre o profundo sofrimento que permeia o racismo. Quando vimos uma imagem de mulheres negras cuidando de crianças brancas, achei pesado e triste.<br>De acordo com Barreto e Ceccarelli (2018),&nbsp;</div><blockquote>"Não se reconhecendo como tal, o negro não se identifica com seus elementos culturais, não afirma sua estética corporal e não se vê em elementos identificatórios na sociedade (mídia televisiva, propagandas, entre outros)."</blockquote><div>A partir desse trecho, percebo mais ainda a importância para as pessoas terem identificação com elementos culturais que falem sobre elas de forma positiva, integrando um grupo que lhes fortaleça e a qual elas se sintam pertencentes. Como futuras(os) psicólogas(os), acredito que seja muito importante sabermos disso para validarmos os movimentos de resgate de memórias e ancestralidade.<br>De acordo com os mesmos autores citados, acredito ser importante aprendermos a construir</div><blockquote>"Uma escuta mobilizadora para que sujeitos negros, que estejam no consultório ou em qualquer outro espaço resgatem sua narrativa e desenvolvam sua singularidade, tornando-se protagonistas da própria história e adquirindo, com isso, uma consciência crítica capaz de possibilitar que esses corpos negros possam se inserir como sujeitos desejantes e transformadores de uma realidade, que, apesar de antiga, ainda reverbera de forma sistemática e rotineira na contemporaneidade."</blockquote><div><br>O professor falou também sobre o apagamento das figuras negras que fizeram contribuições tão importantes quanto outras figuras brancas que ficaram como referência de determinado assunto, como a situação entre Franz Fanon e Franco Basaglia. Nisso, trouxe a questão sobre diversas mulheres negras que fizeram grande contribuições, que sofreram apagamento e que muitas morreram por suicídio. Depois disso, houve uma fala que entendi como sendo de que "é importante que isso aconteça", no sentido talvez de que era importante que mortes por suicídio acontecessem para pensarmos no sofrimento que toda essa opressão gera. Não sei se entendi bem, mas, pensando nessa perspectiva, me senti preocupada, porque o tema das relações étnico-raciais afetam muito a saúde mental, são temas muito delicados e cheios de dores profundas e coletivas... e senti falta, nessa aula, de que pudéssemos pensar mais em possibilidades de estabelecer movimentos contra-hegemônicos nas nossas relações, no nosso trabalho e no contexto geral da vida, talvez trazendo mais aspectos da cultura negra como forma também de promover saúde mental nesse nosso espaço de sala de aula, construindo fatores de proteção contra o suicídio, inclusive.<br>Em alguns momentos, ouvi de pessoas negras que elas tinham preferência por evidenciar aspectos de força, resistência e saúde da população e cultura negra do que trazer apenas, ou com muita predominância, a questão do racismo e de todo o extermínio envolvido. Isso me fez muito sentido e venho pensando em como é importante evidenciar esse lado como forma de fortalecer a luta antirracista, fomentar mais resistências e promover saúde no seu sentido amplo.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-10-09 22:22:45 UTC</pubDate>
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         <title>Bloco 4: Povos Indígenas no Brasil 11/08, 18/08, 25/08 e 01/09/2022</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2337654776</link>
         <description><![CDATA[<div>A partir desse bloco, comecei a sair melhor das aulas do que nas anteriores, em que saía triste e desolada. Desde a primeira aula sobre os povos indígenas, senti uma energia diferente - vimos artesanatos da cultura indígena que as convidadas trouxeram, conhecemos o trabalho do SUS com os povos indígenas e as suas particularidades. Já estagiei em uma UBS, nessa oportunidade tive contato com vários conceitos da Atenção Básica e da saúde pública e foi muito gratificante conhecer outros aspectos que englobam a saúde integral e a integração da UBS com o território indígena, fazendo trocas sobre os diferentes saberes, adequando aspectos dos atendimentos para os modos de vida daquele povo, aprendendo a trabalhar com outras concepções de cura, doença, saúde e cuidado. Também achei importante que o trabalho varia conforme a cultura de cada etnia, reforçando que o termo "indígena" não é homogêneo e estático, mas cada etnia tem suas características próprias. Também achei muito interessante a diferente relação dos povos indígenas com os segredos e o sigilo. Nos explicaram que, se algum segredo chega à UBS, quer dizer que ele já foi compartilhado na aldeia. Isso é algo bem importante de compreendermos como uma outra forma de lidar com o sigilo, bem diferente da nossa cultura. Como estratégias de promoção de saúde, as convidadas citaram:<br>A valorização da identidade cultural;<br>O incentivo ao autocuidado comunitário;<br>As atividades culturais, esportivas e de geração de renda nas aldeias;<br>E entender que o acesso à terra é fundamental para ter saúde.<br>Nessa aula, falaram brevemente sobre o conceito indígena de Bem-Viver e toda a sua amplitude, em conexão com todos os seres. Pensei como seria importante fazer, em aula, algo semelhante em relação à temática da negritude, de trazer mais elementos culturais e suas riquezas.&nbsp;<br>No encontro de tutoria, o professor nos explicou algo que achei muito importante: o racismo e os problemas ambientais estão relacionados, pois ambos surgiram das separações em que um polo é superior ao outro, como homem e natureza, branco e negro, mente e corpo etc.<br>Em um dos encontros, falaram que a prevenção do suicídio entre os povos indígenas engloba o resgate das memórias e valores da cultura e lembrei dos aspectos discutidos em aulas sobre negritude, pensando que isso é importante para essa população também. Pensando nas relações étnico-raciais, para nós, pessoas brancas, a cultura já fornece vários elementos de valorização, beleza, estima em relação à brancura. Enquanto sujeitos singulares, nos beneficia a todas(os) resgatar memórias e valores da cultura que nos proporcione pertencimento e valorização, mas achei pertinente refletir sobre como especificamente sobre a brancura isso já é bastante presente na nossa cultura.<br>Também achei muito interessante saber que há diferenças entre o feminismo ocidental e o feminismo indígena, como a questão da divisão do trabalho entre mulheres e homens. Na cultura dos povos indígenas, essa divisão não ocorreu por uma desvalorização do gênero feminino e isso faz toda a diferença na forma de estruturar a luta.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-10-12 20:29:06 UTC</pubDate>
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         <title>Panorama Internacional - Psicologias Autóctones, Descoloniais e Indígenas 15/09/2022</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2337715998</link>
         <description><![CDATA[<div>Nessa aula, um ponto que me chamou a atenção foi a fala do professor sobre a diferença entre uma psicologia indígena e uma psicologia sobre os indígenas. Se buscarmos ser psicólogas(os) comprometidas(os) com os direitos dos povos negros e indígenas, é necessário compreender a relevância de criar uma psicologia para, sobre e com os povos.<br>Achei interessante a explicação do professor sobre a psicologia decolonial, que "bebe da fonte" de teorias de povos originários sobre o funcionamento psicológico e as formaliza em teorias psicológicas no debate acadêmico.<br>Também me chamou a atenção o dado de que o Brasil é o país que mais tem psicólogos(as). O professor ressaltou que, majoritariamente, nós somos mais reprodutores de conhecimento do que produtores, me fazendo refletir sobre a importância da produção de conhecimento que fale sobre o contexto brasileiro e seus diferentes povos e culturas.<br>Outro ponto que eu gostaria de destacar é a fala sobre a Psicologia conviver relativamente bem com a diversidade, mas que o desafio é conviver de forma não-hierárquica. Acredito que isso possa se abranger para todo o tipo de diferença em relação a nós, saber escutar e humanizar o interlocutor.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-10-12 21:46:09 UTC</pubDate>
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         <title>Visitas 22/09 e 08/10/2022</title>
         <author>andriamarins1</author>
         <link>https://padlet.com/andriamarins1/ptxggdc93qi33qp1/wish/2337719464</link>
         <description><![CDATA[<div>Para mim, as visitas foram o ponto alto da disciplina. Me senti muito feliz e realizada de visitar o terreiro e o trajeto da cultura negra no centro. Quando cheguei ao terreiro, senti carinho pelas pessoas que encontrei e tive um momento muito especial que aconteceu antes dos diálogos começarem. Quando adentrei o espaço e permaneci em silêncio, contemplando as artes e os diferentes símbolos, senti muita paz, acolhimento, comoção e admiração, sentimentos comuns quando nos encontramos com o sagrado, com a dimensão espiritual da vida. Foi realmente especial. Também fiquei feliz durante o trajeto no centro, sentindo o cuidado, o afeto e a união que se transmitia entre nós todas(os) do grupo.<br>Um ponto que eu gostaria de destacar é sobre uma fala no dia da visita ao centro de que nas obras, ainda hoje, somente consta na fachada os nomes do proprietário ou de quem as projetou, mas não quem as fez, do mesmo modo que no período de escravidão. Pensando nisso, recordei do primeiro turno de nossas eleições em 2022, em que o prefeito Sebastião Melo aderiu à absurda retirada do direito ao passe livre em dia de eleição e, depois de muitas contestações, propor a igualmente absurda proposta de que as pessoas que não pudessem pagar ficassem antes da catraca dos ônibus. Soube por meio das redes sociais do vereador Matheus Gomes que essa medida lembrava a época em que, nos ônibus, havia a parte reservada para os brancos e outra, para os negros, denunciando o caráter segregacionista da medida de Melo. O prefeito não reconheceu esse aspecto. O que pensei em apontar é que nós, pessoas brancas, dificilmente compreendemos como esses exemplos refletem o racismo na sociedade, pois estamos acostumados a não vermos nosso próprio corpo como racializado e como a categoria raça permeia as diversas relações pessoais e institucionais. Me parece muito discrepante a percepção entre pessoas brancas e pessoas negras ou indígenas da raça operando nas diversas situações. Mas ela está constantemente permeando os espaços e pessoas. Por isso, considero tão importante que, juntamente com a educação sobre as relações étnico-raciais, também haja um componente robusto de fortalecimento, cuidado, resiliência, resistência e de possibilidades de transformação, porque acredito que facilmente podemos cair numa sensação muito angustiante de aprisionamento e estagnação...<br>Acredito que esse fortalecimento e promoção de saúde aconteceram nessas visitas, aspecto que eu considerei tão importante e essencial para essa disciplina e para a vida. Numa realidade tão dura e dolorosa, esses momentos nos ajudam a prosseguir com esperança e força. Baba Diba falou do projeto com as crianças no terreiro, transmitindo elementos da cultura negra, possibilitando a construção de uma identidade positiva, de fortalecimento e pertencimento. Senti curiosidade de estar no espaço desse projeto, vendo o sorriso das crianças, sentindo o cuidado trocado entre todas(os), percebendo como esse espaço é fundamental para as crianças, mas também para todos os ciclos da vida. Nós precisamos desses espaços de saúde.<br>Me sinto bastante grata pela disciplina, pois a comecei sentindo muita ansiedade e a termino com muito mais tranquilidade e mais abertura para me expor. Além de tudo o que aprendi, talvez uma das coisas mais importantes tenha sido me sentir mais segura para adentrar nesses assuntos, possibilitando que eu consiga provocar mudanças maiores em mim mesma e, quando possível, ao meu redor.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-10-12 21:50:52 UTC</pubDate>
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