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      <title>DIOGO DE SINES by Rui Moura</title>
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      <pubDate>2025-05-30 20:28:35 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>ruimoura110</author>
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         <description><![CDATA[<p>Diogo de Sines é o alter ego possível de um ente vibrátil e intrépido lutador pela decência e justiça intransigente com a intransigência, intolerante com a intolerância..</p><p>Transmontano nascido na foz do Zaire, baptizado pelo rito dos Ibindas ainda antes do seu baptismo católico, fez a ponte aérea, ao som dos verdes anos do Paredes, chegou a Portela de Sacavém no dia 10 de novembro de 1975, exatamente um dia antes da independência de Angola, lugar de atribulada proveniência com uma mão à frente e outra atrás.</p><p>Exilado numa remota aldeia dos contrafortes do Marão, criado por dois anos, entre os 3 e os 5 anos de idade, pelos avós maternos, nascidos na primeira década do século XX, Armando, 1906, Ana, 1908, que marcaram de modo indelével a sua personalidade. Nesse período, os pais emigrados, sem "papéis", em Paris. </p><p>Os circunvoluções dos dias seguiam os ciclos das cestas e das lareiras, os frios e os ciclones, as canicolas por sob frondosas e frescas figueiras, em jogos da infância e da descoberta.</p><p>Mais tarde, as minhas férias de verão eram passadas, quase integralmente, nessa aldeia fronteira à serrania, qual onda petrids, cristalizada imediatamente antes de se desfazer pelas encostas do baixo Corgo.</p><p>Com 5 anos  para 6 anos frequentou a pré-primária, no Colégio Moderno de S. José, período do qual tenho vagas memórias multi-sensoriais: o intenso cheiro a plasticina, a agulha dos picotados, os rápidos almoços no pátio exterior, assistido, pelas primas Marria Goreti e Isménia da Conceição, entre prantos e petições, de um pobre rapaz vindo do campo, sem regras, nem imposições, que agora se debate com o adestramento preconizado pela Irmã Celeste, mestra e condutora daquelas almas irrequietas e moleirinhas recem-cerradas.</p><p>A escola primária foi um terror eternamente adiado, pela ameaça dos castigos físicos que via as freiras infligir diariamente aos colegas. Aprendi a ler em meados de novembro. O extenso texto de Natal era um verdadeiro  rito de passagem, que decorou e verteu nos olhos da freira e da turma boquiaberta com tão abtacadabrante efeito, todo feito de inflexões de voz e pausas bem medidas, e uma dramaticidade intencional que não quis esconder. Devo à irmã Orlanda a magia leitura. Porém, a rigidez dos processos e da régua de madeira, a veemência dos actos e do pronto par-de-estalos, tornavam-na um terror.</p><p>Felizmente que era pobre, e aos pobres que pudessem rivalizar com os filhos de morgados e barões, deste muito bem etiquetado ecossistema, atribuiam-lhes, se pudessem, uma professora civil. Assim, que, a minha segunda e terceira classes foram feitas com a sra. D. Ana Licínia, que tinha o atractivo de não ser freira, o que por si só, funcionava  como lenitivo, naquela espécie de estabelecimento prisional para os filhos da classe média, e para os filhos da D. Tina, governanta da Residência n.2  da 31 de Janeiro, onde fora colocada, na condição de retornada, e que via na educação dos filhos, um investimento com, lá está... "retorno" garantido</p><p> (É a lei do eterno retorno aplicada aos filhos do império. Portugal é um país em looping...)!</p><p>A meio do segundo trimestre da terceira classe, a D. Ana Licínia, que tinha a turma dividida em duas alas, os da quarta e os da terceira, resolveu passar-me para a ala da quarta classe, o que muito entristeceu o Valério, parceiro de tantas aventuras extragalacticas , nas nossas naves espaciais insufláveis, com as quais nos evadiamos do tédio de qualquer coisa parecida com uma aula, ou à noite, antes de dormir, quando regressava da jornada inter-estelar, e aterrava docemente no terraço da 31 de Janeiro, esvaziavamos o ar das nossas naves pneumáticas e guardavamo-las meticulosamente dobradas pelas costuras, guardando-as em seguida, com o fato de cosmonauta, no compartimento secreto, longe dos olhares proibitivos dos adultos.</p><p>Chegado ao fim do ano lectivo, submetido a severo escrutínio, sobretudo na Matemática. Enganei a professora na tabuada e senti-me culpado! </p><p>No exame de Português, realizado na sala de projecções, austera e intimidadora, voei da interpretação para a gramática, da divisão da frase em orações, à conjugação do tempo verbal mais inusitado, até desaguar na redacção. O texto escrito, mítica praia de que me não distingo, e já não distinguia. Fui o segundo melhor da turma, atrás da Carmen.</p><p>De uma forma que não estava à espera, havia antecipado em um ano o ciclo preparatório.</p><p>Ainda com 9 anos, fui parar ao 1.⁰ 11. Uma turma toda feita de contrastes. Tinha um colega com.16 anos, o Luís Esteves, Mocho com 15 anos, o Tó Mané, com 14</p><p><br></p><p>Ah, e a Carmen, com </p><p><br></p><p><br></p><p><br></p><p>No mais, um alunno discreto, como discretas primeira classe, </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-01 00:16:39 UTC</pubDate>
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         <title>Fotografia </title>
         <author>ruimoura110</author>
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         <pubDate>2025-06-01 02:11:43 UTC</pubDate>
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         <author>ruimoura110</author>
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         <description><![CDATA[<p>A vida toda </p>]]></description>
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         <description><![CDATA[<p>O pão que a terra come </p>]]></description>
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         <title>ESTADO</title>
         <author>ruimoura110</author>
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         <description><![CDATA[<p>Esta modorra imensa,</p><p>Este lago de águas fétidas, </p><p>onde o tempo que apodrece </p><p>por entre os limos e as lamas tépidas dos mares parados de uma eterna prece,</p><p>Lodo da mesma lesma ancestral</p><p>e do seu lento rasto ritual,</p><p>Secreção onde a existência rasteja o seu destino congelado,</p><p>lento movimento que transforma</p><p>uma essência num estado.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-06-01 12:09:06 UTC</pubDate>
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         <title>SOLIS INVICTUS</title>
         <author>ruimoura110</author>
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         <pubDate>2025-06-09 22:54:04 UTC</pubDate>
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         <title>Retratos de polé</title>
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