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      <title>Ana Luísa Amaral by Amália MClara</title>
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      <description>Poesia Contemporânea</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2018-05-07 17:53:55 UTC</pubDate>
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         <title>Avessos contos de fadas</title>
         <author>amaliamc70</author>
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         <description><![CDATA[<div>E se fosse o tempo antigo<br>Em que seduzir princesas<br>era preciso dragões?<br>A sedução do avesso:<br>pelo medo, ocasiões<br>de fingir outras coragens<br><br>E se fosse o tempo antigo<br>de romagens e romeiros,<br>os que se chegam ligeiros<br>dizendo: "Ninguém! Ninguém!"<br>E a tragédia acontecendo<br>como vinda do Além,<br>salpicada, todavia,<br>de suspensas alegrias<br>(e se o Romeiro afinal<br>for mesmo Ninguém - ninguém?)<br><br>E se fosse o tempo antigo <br>em que seduzir dragões <br>fosse preciso princesas?<br>O avesso em sedução:<br>por amor, ocasiões<br>de fingir unhas e presas<br>e fogos devastadores,<br>de fazer campos de trigo<br>em desertos inimigos<br>e transformar mil amores<br>em desamores.<br><br>E se fosse o tempo antigo<br>dos terrores?<br>As bruxas: bruxas a sério,<br>necromancias a sério,<br>como a sério catedrais<br>desabando proibidas<br>sobre os fingidos doutores<br><br>E se fosse o tempo novo<br>dos amores<br>sobre tripés<br>de tantas cores?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-07 18:12:59 UTC</pubDate>
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         <title>Visitações, o poema que se diz manso</title>
         <author>amaliamc70</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>De mansinho ela entrou, a minha filha.<br><br>A madrugada entrava como ela, mas não<br>tão de mansinho. Os pés descalços,<br>de ruído menor que o do meu lápis<br>e um riso bem maior que o dos meus versos.<br><br>Sentou-se no meu colo, de mansinho.<br><br>O poema invadia como ela, mas não<br>tão mansamente, não com esta exigência<br>tão mansinha. Como um ladrão furtivo,<br>a minha filha roubou-me a inspiração,<br>versos quase chegados, quase meus.<br><br>E mansamente aqui adormeceu,<br>feliz pelo seu crime</strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-07 19:54:59 UTC</pubDate>
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         <title>Soneto científico a fingir</title>
         <author>amaliamc70</author>
         <link>https://padlet.com/amaliamc70/ojx4f334c41w/wish/258699643</link>
         <description><![CDATA[<div><br><strong>Dar o mote ao amor. Glosar o tema<br>tantas vezes que assuste o pensamento.<br>Se for antigo, seja. Mas é belo<br>e como a arte: nem útil nem moral.<br><br>Que me interessa que seja por soneto<br>em vez de verso ou linha devastada?<br>O soneto é antigo? Pois que seja:<br>também o mundo é e ainda existe.<br><br>Só não vejo vantagens pela rima.<br>Dir-me-ão que é limite: deixa ser.<br>Se me dobro demais por ser mulher<br>(esta rimou, mas foi só por acaso)<br><br>Se me dobro demais, dizia eu,<br>não consigo falar-me como devo,<br>ou seja, na mentira que é o verso,<br>ou seja, na mentira do que mostro.<br><br>E se é soneto coxo, não faz mal.<br>E se não tem tercetos, paciência:<br>dar o mote ao amor, glosar o tema,<br>e depois desviar. Isso é ciência!</strong></div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-07 20:00:28 UTC</pubDate>
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         <title>Câmara Escura</title>
         <author>amaliamc70</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>São assim as memórias:<br>coisas cheirando a sol,<br>outras a morte,<br>algumas a pequenos sons metálicos<br>que convém afinar<br><br>Em tom de contrabaixo<br>um rouco saxofone<br>devagar,<br>no tempo<br><br>Persistem-se nos cheiros,<br>como nuvens,<br>contas em trança de pequeno terço:<br>a terra ou o assado,<br>o leite ou o suor da maior agonia<br><br>Cofre guardado muito mais que em cor,<br>velocidade em teor<br>do universo,<br>de precisão tão mais<br>que a de fotografia</div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-07 20:27:44 UTC</pubDate>
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         <title>Malmequeres e polígonos</title>
         <author>amaliamc70</author>
         <link>https://padlet.com/amaliamc70/ojx4f334c41w/wish/261696303</link>
         <description><![CDATA[<div><br>A mesma folha.<br>De um lado, analisar,<br>do outro - eu.<br><br>Mas o lado primeiro<br>também eu. Outro eu.<br><br>E o que vacila<br>entre os dois lados<br>(que não é o que escreve, não querendo,<br>nem o que malquerendo, move mão)<br>- eu também. Outro eu.<br><br>Eu, terceiro e secante<br>com os outros dois lados<br>Malmequer. Mequermal.<br><br>No fim das pétalas,<br>é sempre a mesma folha<br>com dois lados<br><br>(e um outro em Purgatório:<br>nem inferno, nem céu)</div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-17 18:04:14 UTC</pubDate>
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         <title>As pequenas gavetas do amor</title>
         <author>amaliamc70</author>
         <link>https://padlet.com/amaliamc70/ojx4f334c41w/wish/261699757</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Se for preciso, irei buscar um sol<br>para falar de nós:<br>ao ponto mais longínquo<br>do verso mais remoto que te fiz<br><br>Devagar, meu amor, se for preciso,<br>cobrirei este chão<br>de estrelas mais brilhantes<br>que a mais constelação,<br>para que as mãos depois sejam tão<br>brandas<br>como as desta tarde<br><br>Na memória mais funda guardarei<br>em pequenas gavetas<br>palavras e olhares, se for preciso:<br>tão minúsculos centros<br>de cheiros e sabores<br><br>Só não trarei o resto<br>da ternura em resto desta tarde,<br>que nem nos foi preciso:<br>no fundo do amor, tenho-a comigo:<br><br>quando a quiseres -</div>]]></description>
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         <pubDate>2018-05-17 18:12:18 UTC</pubDate>
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