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      <title>Teorias Raciais Do Século XIX by Luis Guilherme</title>
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      <description>Feito por Luis Guilherme para um trabalho de história💋</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-10-28 21:52:05 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>O século XIX viu surgir dois movimentos opostos sobre o pensamento racial: o movimento abolicionista, campanha que colaborou para o fim da escravidão no continente americano, e o nascimento de teorias deterministas de cunho racial. Com o crescimento e a consolidação política e econômica da Europa, começaram a aparecer formulações que explicassem seu imenso sucesso. Dentre elas surgiram razões de cunho científico que justificavam a superioridade dos povos do norte. O advento das ciências naturais fez emergir uma concepção de que a superioridade política e econômica dos europeus se deu devido à sua hereditariedade e ao meio físico favorável. Isso supunha que, enquanto os europeus do norte eram melhores por terem um clima ideal, os povos dos climas tropicais seriam aqueles considerados inferiores, incapazes de evoluir no meio político, social e econômico. O racismo, que fora definido como “uma teoria pseudocientífica, mas racionalizada, postulando a inferioridade inata e permanente dos não brancos”, transformou-se numa formidável teoria.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 22:31:48 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>Hoje falar da existência de sociedades superiores ou inferiores pode parecer absurdo, mas nos séculos XIX e XX essa era a ideia dominante. Em inícios do século XIX, foi introduzido pelo naturalista Georges Cuvier o termo raça, o qual compreende que os vários tipos humanos apresentam heranças físicas permanentes, ou seja, cada povo apresenta características hereditárias que serão passadas adiante. Essa introdução levou ao debate sobre as origens da humanidade, opondo duas vertentes sobre as origens do homem. De um lado estava a visão monogenista de cunho religioso, que acreditava que a humanidade era una. Isto é, todos os seres teriam se originado de uma fonte comum. A outra visão era a poligenista que considerava que a humanidade teria surgido de vários centros de criação. Esta explicação contribuiu para o fortalecimento de uma interpretação biológica, pois separava os povos atribuindo a cada um uma procedência distinta. Se existem vários centros de criação, então, algumas sociedades não possuiriam ligação entre si, contribuindo, assim, para a diferenciação das culturas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 22:38:50 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>O embate entre as teorias poligenistas e monogenistas durou vários anos chegando às disciplinas. Enquanto os trabalhos antropológicos faziam uma análise biológica do comportamento humano privilegiando a interpretação poligenista, os trabalhos etnológicos estavam indo por uma perspectiva mais filosófica, construindo uma orientação humanista e tradição monogenista. Desses conflitos surgiram sociedades rivais que reinteravam essas distinções teóricas. As sociedades antropológicas defendiam a imutabilidade dos tipos humanos, sendo defensores das teorias de caráter poligenista; enquanto que as sociedades de cunho etnológico mantinham-se fiéis a uma interpretação monogenista, defendendo o aprimoramento evolutivo das raças.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 22:40:12 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>Foi somente com a publicação, em 1859, do livro A Origem das espécies do naturalista Charles Darwin que essa rivalidade atenuou-se. A teoria de Darwin constitui-se num paradigma para a época. Segundo Lília Schwarcz (1993) os cientistas monogenistas satisfeitos com o suposto evolucionista da origem una da humanidade, continuaram a hierarquizar raças e povos em função de seus diferentes níveis mentais e morais. Do outro lado, porém, cientistas poligenistas, ao mesmo tempo em que admitiam a existência de ancestrais comuns na pré-história, afirmavam que as espécies humanas tinham se separado há tempo suficiente para configurarem heranças e aptidões diversas. Ora, as teorias evolucionistas de Darwin acerca da evolução das espécies serviram para reafirmar as teses deterministas de cientistas monogenistas e poligenistas. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 22:56:06 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>Além disso, o conceito de raça passou a assumir uma nova conotação, deixando de apenas se referir às concepções biológicas e adentrando nas questões de cunho político e cultural. A preocupação com a miscigenação das raças refletia a nova realidade que se apresentava. A miscigenação fortaleceu a tese poligenista da origem diversa da humanidade, abrindo caminho para novas reflexões acerca da mistura das raças, uma vez que, as raças humanas eram consideradas espécies diversas e a hibridização era algo a ser evitado.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 22:57:05 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>A antropologia cultural (os evolucionistas culturais) surgiu e se desenvolveu culturalmente sob uma ótica comparativa. Considerava a civilização e o progresso como modelos universais: o progresso era obrigatório e a humanidade única. A partir dela, duas escolas tornaram-se influentes: a escola determinista geográfica, que acreditava que o meio condicionava o desenvolvimento cultural, e a escola de viés racial, que considerava o processo de miscigenação como sinônimo de degeneração racial e social, enaltecendo os tipos raciais puros. Essa escola determinista de cunho racial gerou um ideal político de submissão das raças inferiores ou mesmo sua eliminação. Tal visão atingiu seu ponto alto quando em 1883 o cientista britânico Fracis Galton sistematizou o conceito de eugenia, que tinha como meta a intervenção na reprodução das populações para o melhoramento das raças.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 23:01:21 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>A eugenia como ciência buscava a compreensão das leis da hereditariedade humana e, enquanto movimento social se preocupava em promover casamentos entre determinados grupos, desencorajando uniões consideradas indesejáveis. Os ditos darwinistas sociais viam o progresso eugênico como algo restrito, alcançado apenas pelas sociedades puras. Com isso, o bom desenvolvimento de uma nação seria resultado da formação de uma sociedade racial pura. Pensadores como Arthur de Gobineau (1816-1882), partidário de um determinismo racial absoluto e favorável à condenação do arbítrio do indivíduo cuja vontade nada pode, acreditavam que a evolução europeia – evolução do tipo ariano – levaria a sociedade à civilização. O conde de Gobineau dizia que a mistura das raças geraria algo danoso, uma vez que, era legado às raças inferiores a impossibilidade ao progresso, já que as populações miscigenadas eram vistas como desequilibradas e decaídas</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 23:08:27 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>As teorias deterministas raciais tiveram bastante respaldo na América do Norte, onde a separação entre negros e brancos era mais sistematizada. Enquanto isso, no Brasil, devido ao alto grau de miscigenação não havia uma linha muito clara da divisão entre negros e brancos, mas as desigualdades raciais não estavam escondidas. Por conta disso, falar em divisões estritamente birraciais, em superiores e inferiores, não era algo muito viável, pois havia um elemento intermediário que compunha a sociedade brasileira: o mestiço. Mesmo assim, a presença desse sujeito não impediu que as teorias deterministas adentrassem no país, e nem que os pensadores brasileiros se espelhassem nelas afim de “resolver” os efeitos da mistura racial, julgando ser indispensável o domínio das teorias científicas para então poder aplicá-las ao país.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 23:11:52 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>A questão da miscigenação foi usada para explicar a realidade brasileira: o mulato ora era visto como problema, ora como solução. Ao longo do século XIX, a escravidão foi a grande questão do Brasil, tratada por alguns como uma instituição arcaica que atrapalhava o desenvolvimento econômico e social, e que era ainda um empecilho à imigração europeia. Findado o sistema escravista, o problema agora não era mais a escravidão como instituição retrógrada, mas os negros e seus descendentes, classificados como raças inferiores. Em sua passagem pelo Brasil, o conde de Gobineau ficou espantado com o que viu. Segundo ele, a população nativa estava condenada ao desaparecimento, devido à sua degeneração genética. A solução para essa adversidade seria evitar o corrompimento da população ainda pura, e para isso, seria necessário o fortalecimento dos valores das raças puras europeias. Então, a raça renasceria, a saúde pública melhoraria, o temperamento moral seria revigorado, e as melhores mudanças possíveis se operariam na condição desse admirável país.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 23:14:04 UTC</pubDate>
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         <author>Luis_Guilherme_</author>
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         <description><![CDATA[<p>Romero concluiu que no Brasil não havia tipos puros. Mesmo que o negro ou o índio fossem puros-sangues, esses não se destacaram na história brasileira. Os anos de miscigenação criaram um povo que sofrera influência desses três elementos, sobressaindo-se os brancos por serem os mais desenvolvidos, já que os índios haviam sido exterminados pelas guerras e doenças, e os africanos foram sujeitados à escravidão. Fundamentada na ideia de superioridade da raça branca, a tese de branqueamento partia da concepção da existência de raças mais adiantadas e menos adiantadas, mas esse argumento de inferioridade não era algo inerente ao indivíduo. Se com a introdução de elementos brancos na sociedade brasileira, visando ao longo do tempo branquear a população e consequentemente deixando de existir negros e mestiços, o Brasil tornar-se-ia, então, uma nação superior, só existindo pessoas de pela clara, a superioridade seria algo adquirível, a miscigenação não produzia seres degenerados, como afirmava os poligenistas, mas sim, uma população capaz de tornar-se branca fisicamente e culturalmente. Para que isso acontecesse, a imigração branca deveria ser reforçada, aumentado a “oferta” de indivíduos brancos. Supunha-se que a miscigenação produziria uma população mais clara, pois o gene branco era mais forte, e as pessoas cada vez mais procurariam parceiros mais claros que eles. Por outro lado, imaginava-se que a população negra diminuiria progressivamente devido as baixas taxas de natalidade, a maior incidência de doenças e a desorganização social.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-28 23:17:36 UTC</pubDate>
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