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      <title>Adeus by Rosa Dias, Marta, Francisca</title>
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      <description>Eugénio de Andrade</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-01-26 11:49:23 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,<br>e o que nos ficou não chega<br>para afastar o frio de quatro paredes.<br>Gastámos tudo menos o silêncio.<br>Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,<br>gastámos as mãos à força de as apertarmos,<br>gastámos o relógio e as pedras das esquinas<br>em esperas inúteis.<br><br></div><div>Meto as mãos nas algibeiras e não encontro<br>nada.<br>Antigamente tínhamos tanto para dar um<br>ao outro;<br>era como se todas as coisas fossem minhas:<br>quanto mais te dava mais tinha para te dar.<br><br></div><div>Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes<br>verdes.<br>E eu acreditava.<br>Acreditava,<br>porque ao teu lado<br>todas as coisas eram possíveis.<br><br></div><div>Mas isso era no tempo dos segredos,<br>no tempo em que o teu corpo era um<br>aquário,<br>no tempo em que os meus olhos<br>eram realmente peixes verdes.<br>Hoje são apenas os meus olhos.<br>É pouco, mas é verdade,<br>uns olhos como todos os outros.<br><br></div><div>Já gastámos as palavras.<br>Quando agora digo: meu amor,<br>já não se passa absolutamente nada.<br>E, no entanto, antes das palavras gastas,<br>tenho a certeza<br>de que todas as coisas estremeciam<br>só de murmurar o teu nome<br>no silêncio do meu coração.<br><br></div><div>Não temos já nada para dar.<br>Dentro de ti<br>Não há nada que me peça água.<br>O passado é inútil como um trapo.<br>E já te disse: as palavras estão gastas.<br><br></div><div>Adeus.<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-26 12:08:29 UTC</pubDate>
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         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>https://ensina.rtp.pt/artigo/adeus-de-eugenio-de-andrade/</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-26 12:10:33 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-01-26 12:13:04 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>Pseudônimo de José Fontinhas Rato. Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.<br>&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-26 12:14:19 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-01-26 12:16:23 UTC</pubDate>
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         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>O título ''Adeus'' indica-nos uma despedida, uma conclusão ou provavelmente um fim. Em relação ao conteúdo do poema transmite-se a ideia de um amor gasto, corrompido pelo tempo, e agora estéril, e se esse amor não existir mais, chegou ao fim.<br>Relativamente ao aspecto do poema, pode-se dizer que se trata de uma relação amorosa que há muito foi perfeita, cheia de magia e bons momentos, mas agora a química acabou e acabaram por cair na realidade. </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-27 18:59:02 UTC</pubDate>
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         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>1ª estrofe:<br>&nbsp;A repetição do verbo gastar revela a inutilidade de palavras trocadas, do barulho e discussões, das lágrimas derramadas, da troca de toques entre ambos, do tempo desperdiçado à espera para reparar os erros cometidos e para salvar a relação. O “Eu” trata esta relação como algo irremediável, e devido a todo o cansaço e frustração gasto nesta relação, deseja calar o “Tu” e afastá-lo de vez.&nbsp;<br>2ª estrofe:<br>Agora não sente nada, não lhe deve nada ao “Tu”, mas antes, quando estava apaixonado, sentia que o “tu” era dele, passaram bons momentos, inesquecíveis, e quanto mais sorrisos, trocas de afectos e um amor em crescimento eles tinham, maiores, mais importantes e felizes momentos . Antes o “Eu” acreditava em tudo o que o “Tu” dizia, como os olhos verdes como peixes, pois ao lado do “Tu” tudo era possível, real, verdadeiro, um mundo só deles.<br>3ª estrofe:<br>O “Eu” deixou de ver no “Tu” um ponto de abrigo, o seu lar, o seu aquário, uma vez que os seus olhos eram peixes verdes. O “Tu” era o paraíso para o sujeito poético, o lugar ou a pessoa com quem podia abandonar a realidade e aventurar-se (mergulhar) no mundo da fantasia. Triste e magoado, olha para si próprio e vê-se novamente humano, é igual a todos os outros. O “Tu” fazia do sujeito poético um ser único, especial, só do “Tu”.&nbsp;<br>4ª estrofe:<br>O excesso de comunicação, nasceu para esquecer a inquietação que o pressentimento do fim faz sentir e os amantes gastaram até à exaustão todos os recursos que tinham para recuperar a felicidade perdida. Mas agora, sabe que nada se passa no coração dele, a relação está destruída, estão separados e entre ambos já não existe mais nada que os una. No entanto, antes da falta de comunicação ou do excesso, os dois estavam muito apaixonados, eram felizes, não se cansavam um do outro, havia uma magia naquele amor, que&nbsp; provocava no sujeito poético um nervosinho miudinho só de ouvir o nome do “Tu”.<br>5ª estrofe:<br>&nbsp;Ao reinventarem o mundo só deles, dia após dia, desgastaram a capacidade limitada das palavras para exprimirem o que estava em transformação permanente. O sujeito poético estava preso naquele paraíso, no “Tu”, na magia que é o amor, e devido a palavras que mascaram sentimentos, o “Eu” e o “Tu” ficaram presos do que diziam e rediziam um ao outro. A magia daquele amor e das palavras desabou, e o paraíso que ambos criaram desapareceu, deixando apenas o frio, e momentos de solidão, tédio, desinteresse e, por fim, o gasto de tudo. O passado agora já não é relevante, ficou para trás, assim como os momentos e palavras usadas.&nbsp;<br>6ª estrofe:<br>O amor que ambos tinham um pelo o outro chegara ao fim, já não há nada a fazer ou dizer e portanto, o sujeito despede-se do “Tu” para sempre, afasta-se.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-27 19:07:48 UTC</pubDate>
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         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>-6 estrofes<br>-30 versos<br>- As estrofes são dispostas de forma irregular e não apresenta esquema rimático uma vez que se trata de versos soltos</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-27 19:28:04 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>Em prosa, publicou os '' Os afluentes do silêncio'' (1968), ''Rosto precário'' (1979) e ''À sombra da memória'' (1993), além das histórias infantis ''História da égua branca'' (1997) e ''Aquela nuvem e as outras'' (1986).<br>Na poesia ''Os amantes sem dinheiro'' (1950), ''As palavras interditas'' (1951), ''Escrita da terra'' (1974), '' Matéria Solar'' (1980), ''Rente ao dizer'' (1992), '' Ofício da paciência'' (1994), ''O sal da língua'' (1995) e ''Os lugares do lume'' (1998)</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-27 19:43:55 UTC</pubDate>
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         <title>Recursos estilísticos</title>
         <author>diasr7031</author>
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         <description><![CDATA[<div>Metáfora: ''Os teus olhos são peixes verdes''; '' (...) no tempo em que o teu corpo era um aquário (...)''<br>Anáfora: ''Gastámos''<br>Comparação: ''O passado é inútil como um trapo''</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-27 19:47:49 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>diasr7031</author>
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