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      <title>Conceição Evaristo by LEEIUFU</title>
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      <description>Vida e obra</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-07-03 23:46:56 UTC</pubDate>
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         <title>1946: Nascimento</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, em 1946. Filha de&nbsp;Joana Josefina Evaristo, Conceição teve pouco contato com o pai, tendo sido criada pela mãe, uma lavadeira, e pelo padrasto (Aníbal Vitorino), que era pedreiro, numa comunidade da Avenida Afonso Pena.</p><p><br/></p><p>Conceição cresceu na companhia de três irmãs filhas do mesmo pai e da mesma mãe (Maria Inês, Maria Angélica e Maria de Lourdes) e dos cinco irmãos filhos do novo relacionamento da mãe com o padrasto. </p><p><br/></p><p>Quando tinha sete anos foi viver com a tia,&nbsp;Maria Filomena da Silva, a irmã mais velha da mãe, que também era lavadeira e o tio,&nbsp;Antonio João da Silva, que era pedreiro. O casal não tinha&nbsp;filhos. Aos oito anos, Conceição começou a trabalhar como empregada doméstica. </p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>1970: Mudança para o Rio de Janeiro</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>De origem humilde, migrou para o Rio de Janeiro na década de 1970. </p><p><br/></p><p>Em 1976, ela fez o vestibular para o curso de Letras na UFRJ. Nesse mesmo ano também conheceu aquele com quem se casou, Oswaldo Santos de Brito, e teve a sua única filha, Ainá Evaristo de Brito. </p><p><br/></p><p>Graduada em Letras pela UFRJ, trabalhou como professora da rede pública de ensino da capital fluminense. É Mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (1996), e Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, com a tese Poemas malungos, cânticos irmãos (2011), na qual estuda as obras poéticas dos afro-brasileiros Nei Lopes e Edimilson de Almeida Pereira em confronto com a do angolano Agostinho Neto. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>1990: Início da Carreira Literária</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Conceição deu os seus primeiros passos profissionais atuando como docente em escolas do ensino público do Rio de Janeiro.</p><p><br></p><p>Como autora, o seu percurso se iniciou durante a década de 90, publicando obras dos mais variados gêneros literários: desde&nbsp;poesia, passando pela ficção e também pelo ensaio.</p><p><br></p><p>Seus primeiros textos foram lançados na série&nbsp;Cadernos Negros, publicações idealizadas por um grupo de escritores e escritoras negras em São Paulo. Posteriormente essas publicações foram receberam o nome de Quilombhoje. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>2011: Lançamento de &quot;Insubmissas Lágrimas de Mulheres&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Um dos livros mais importantes de Evaristo, onde aborda a vida de mulheres negras em sua luta diária contra a opressão e o racismo.</p><p><br/></p><p>”A antologia Insubmissas lágrimas de mulheres é composta de 13 contos, cujas histórias têm como protagonistas mulheres negras. De dentro da cena, vozes-mulheres explicitam suas dores, anseios, temores, mas, antes de tudo revelam a imensa capacidade de se retirem do lugar do sofrimento e inventarem modos de resistência. Uma intima fusão entre as personagens, a voz ficcional de quem apresenta essas personagens e a autora, marca o processo criativo dos textos e afirma o projeto literário de Conceição Evaristo, o de traçar uma escrevivência.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>2017: Prêmio Jabuti</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Recebeu o prestigiado Prêmio Jabuti pela obra "Olhos d' Água", que reforça sua importância na literatura brasileira contemporânea.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>2018: Candidatura à Academia Brasileira de Letras</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[Conceição Evaristo se candidatou para uma posição na Academia Brasileira de Letras, destacando a importância da representatividade negra nas instituições culturais.]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>2023: Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 2023, foi agraciada com o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano e laureada com o prêmio Elo no Festival Internacional das Artes de Língua Portuguesa.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>2023: Título de Doutora Honoris Causa</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Conceição foi condecorada com o título de Doutora <em>Honoris Causa</em> pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-03 23:46:57 UTC</pubDate>
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         <title>Maria da Conceição Evaristo de Brito</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-07-04 23:47:58 UTC</pubDate>
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         <title>Conceição Evaristo por Conceição Evaristo</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Sou mineira, filha dessa cidade, meu registro informa que nasci no dia 29 de novembro de 1946. Essa informação deve ter sido dada por minha mãe, Joana Josefina Evaristo, na hora de me registrar, por isso acredito ser verdadeira. Mãe, hoje com os seus 85 anos, nunca foi mulher de mentir. Deduzo ainda que ela tenha ido sozinha fazer o meu registro, portando algum documento da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Uma espécie de notificação indicando o nascimento deum bebê do sexo feminino e de cor parda, filho da senhora tal, que seria ela. Tive esse registro de nascimento comigo durante muito tempo. Impressionava-me desde pequena essa cor parda. Como seria essa tonalidade que me pertencia? Eu não atinava qual seria. Sabia sim, sempre soube que sou negra. </p><p><br/></p><p>Quanto a ela ir sozinha, ou melhor, solitária para o cartório me registrar é uma dedução minha tirada de alguns fatos relativos à vida de meu pai. Aliás, de meu pai conheço pouco, pouquíssimo. </p><p><br/></p><p>Em compensação, sei um pouco mais, daquele que considero como sendo meu pai. Dele sei o nome todo. Aníbal Vitorino e a profissão, pedreiro. Meu padrasto Aníbal, quando chegou a nossa casa, minha mãe cuidava de suas quatro filhas sozinha. Maria Inês Evaristo, Maria Angélica Evaristo, Maria da Conceição Evaristo e Maria de Lourdes Evaristo. Bons tempos, o de nós meninas. Minha mãe se constituiu, para mim, como algo mais doce de minha infância. O que mais me importava era a sua felicidade. Um misto de desespero, culpa e impotência me assaltava quando eu percebia os sofrimentos dela. Minha mãe chorava muito, hoje não. Tem uma velhice mais tranquila. Meu padrasto completou 86 anos e vive ao lado dela. </p><p><br/></p><p>Depois das quatro meninas, minha mãe teve mais cinco meninos, meus irmãos, filhos de meu padrasto. </p><p><br/></p><p>A ausência de um pai foi dirimida um pouco pela presença de meu padrasto, mas, sem dúvida alguma, o fato de eu ter tido duas mães suavizou muito o vazio paterno que me rondava. Aos sete anos, fui morar com a irmã mais velha de minha mãe, minha tia Maria Filomena da Silva. Ela era casada com Antonio João da Silva, o Tio Totó, viúvo de outros dois casamentos. Não tiveram filhos. Fui morar com eles, para que a minha mãe tivesse uma boca a menos para alimentar. Os dois passavam por menos necessidades, meu Tio Totó era pedreiro e minha Tia Lia, lavadeira como minha mãe. A oportunidade que eu tive para estudar surgiu muito da condição de vida, um pouco melhor, que eu desfrutava em casa dessa tia. As minhas irmãs enfrentavam dificuldades maiores. </p><p><br/></p><p>Mãe lavadeira, tia lavadeira e ainda eficientes em todos os ramos dos serviços domésticos. Cozinhar, arrumar, passar, cuidar de crianças. Também eu, desde menina, aprendi a arte de cuidar do corpo do outro. Aos oito anos surgiu meu primeiro emprego doméstico e ao longo do tempo, outros foram acontecendo. Minha passagem pelas casas das patroas foi alternada por outras atividades, como levar crianças vizinhas para escola, já que eu levava os meus irmãos. O mesmo acontecia com os deveres de casa. Ao assistir os meninos de minha casa, eu estendia essa assistência às crianças da favela, o que me rendia também uns trocadinhos. Além disso, participava com minha mãe e tia, da lavagem, do apanhar e do entregar trouxas de roupas nas casas das patroas. Troquei também horas de tarefas domésticas nas casas de professores, por aulas particulares, por maior atenção na escola e principalmente pela possibilidade de ganhar livros, sempre didáticos, para mim, para minhas irmãs e irmãos. </p><p><br/></p><p>Conseguir algum dinheiro com os restos dos ricos, lixos depositados nos latões sobre os muros ou nas calçadas, foi um modo de sobrevivência também experimentado por nós. E no final da década de 60, quando o diário de Maria Carolina de Jesus, lançado em 58, rapidamente ressurgiu, causando comoção aos leitores das classes abastadas brasileiras, nós nos sentíamos como personagens dos relatos da autora. Como Carolina Maria de Jesus, nas ruas da cidade de São Paulo, nós conhecíamos nas de Belo Horizonte, não só o cheiro e o sabor do lixo, mas ainda, o prazer do rendimento que as sobras dos ricos podiam nos ofertar. Carentes de coisas básicas para o dia a dia, os excedentes de uns, quase sempre construídos sobre a miséria de outros, voltavam humilhantemente para as nossas mãos. Restos. </p><p><br/></p><p>Minha mãe leu e se identificou tanto com o Quarto de Despejo, de Carolina, que igualmente escreveu um diário, anos mais tarde. Guardo comigo esses escritos e tenho como provar em alguma pesquisa futura que a favelada do Canindé criou uma tradição literária. Outra favelada de Belo Horizonte seguiu o caminho de uma escrita inaugurada por Carolina e escreveu também sob a forma de diário, a miséria do cotidiano enfrentada por ela. </p><p><br/></p><p>Em minha casa, todos nós estudamos em escolas públicas. Minha mãe sempre cuidadosa e desejosa que aprendêssemos a ler, nos matriculou no Jardim de Infância Bueno Brandão e no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, duas escolas públicas que atendiam a uma clientela basicamente da classe alta belorizontina. Ela optou por nos colocar nessas escolas, distantes de nossa moradia, embora houvesse outras mais perto, porque já naquela época, as escolas situadas nas zonas vizinhas às comunidades pobres ofereciam um ensino diferenciado para pior. </p><p><br/></p><p>Foi em uma ambiência escolar marcada por práticas pedagógicas excelentes para uns, e nefastas para outros, que descobri com mais intensidade a nossa condição de negros e pobres. Geograficamente, no Curso Primário experimentei um “apartaid” escolar. O prédio era uma construção de dois andares. No andar superior, ficavam as classes dos mais adiantados, dos que recebiam medalhas, dos que não repetiam a série, dos que cantavam e dançavam nas festas e das meninas que coroavam Nossa Senhora. O ensino religioso era obrigatório e ali como na igreja os anjos eram loiros, sempre. Passei o Curso Primário, quase todo, desejando ser aluna de umas das salas do andar superior. Minhas irmãs, irmãos, todos os alunos pobres e eu sempre ficávamos alocados nas classes do porão do prédio. Porões da escola, porões dos navios. Entretanto, ao ser muito bem aprovada da terceira para a quarta série, para minha alegria fui colocada em uma sala do andar superior. Situação que desgostou alguns professores. Eu, menina questionadora, teimosa em me apresentar nos eventos escolares, nos concursos de leitura e redação, nos coros infantis, tudo sem ser convidada, incomodava vários professores, mas também conquistava a simpatia de muitos outros. Além de minhas inquietações, de meus questionamentos e brigas com colegas, havia a constante vigilância e cobrança de minha mãe à escola. Ela ia às reuniões, mesmo odiando o silêncio que era imposto às mães pobres e quando tinha oportunidade de falar soltava o verbo. </p><p><br/></p><p>Ao terminar o primário, em 1958, ganhei o meu primeiro prêmio de literatura, vencendo um concurso de redação que tinha o seguinte título: “Por que me orgulho de ser brasileira”. Quanto à beleza da redação, reinou o consenso dos professores, quanto ao prêmio, houve discordâncias. Minha passagem pela escola não tinha sido de uma aluna bem-comportada. Esperavam certa passividade de uma menina negra e pobre, assim como da sua família. E não éramos. Tínhamos uma consciência, mesmo que difusa, de nossa condição de pessoas negras, pobres e faveladas. </p><p><br/></p><p>Durante toda a primeira infância, até ali por volta dos 10 ou 11 anos, morou conosco, em um quartinho à parte, um tio materno, Osvaldo Catarino Evaristo. Esse meu tio havia servido à pátria, lutado na Itália, na Segunda Guerra Mundial. Ao retornar ao Brasil, lhe foi oferecido um cargo de servente na Secretaria de Educação. Ao longo dos anos ele estudou, desenvolvendo seus dons de poeta, desenhista e artista plástico. E, mais do que isto, foi sempre um consciente questionador da situação do negro brasileiro. Repito sempre que a ele devo as minhas primeiras lições de negritude. </p><p><br/></p><p>Ao terminar o Primário, fiz um Curso Ginasial cheio de interrupções e, a partir dos meus 17 anos, vivi intensamente discussões relativas à realidade social brasileira. Foi quando me inseri no movimento da JOC, (Juventude Operária Católica) que, como outros grupos católicos, promovia reflexões que visavam comprometer a Igreja com realidade brasileira. Entretanto, as questões étnicas só entrariam objetivamente em minhas discussões na década de 70, quando parti para o Rio de Janeiro. </p><p><br/></p><p>Em 73, com ajuda de amigos, imigrei para o Rio de Janeiro, antigo Estado da Guanabara, depois de ter feito concurso naquele mesmo ano, para professora primária. Eu havia terminado o Curso Normal no Instituto de Educação de Minas Gerais, em 71. Tinha sido um período particularmente difícil para minha família e outras que estavam sofrendo com um plano de desfavelamento, que nos enviava para a periferia da cidade. Ao distanciarmos do centro de Belo Horizonte, não tínhamos nada, a não ser uma pobreza maior. Então, com um diploma de professora nas mãos e sem qualquer possibilidade de dar aulas em Belo Horizonte, parti de “mala e cuia” para o Rio de Janeiro. Entrar para a carreira de magistério, naquela época, dependia de ser indicado por alguém e as nossas relações com as famílias importantes de Belo Horizonte estavam marcadas pela nossa condição de subalternidade. Aliás, nesse sentido, gosto de dizer que a minha relação com a literatura começa nos fundos das cozinhas alheias. Minha mãe, tias e primas trabalharam em casas de grandes escritores mineiros ou nas casas de seus familiares. Digo mesmo que o destino da literatura me persegue... </p><p><br/></p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 01:37:16 UTC</pubDate>
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         <title>Conceição Evaristo por Conceição Evaristo</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Gosto, entretanto, de enfatizar, não nasci rodeada de livros, do tempo/espaço aprendi desde criança a colher palavras. A nossa casa vazia de bens materiais era habitada por palavras. Mamãe contava, minha tia contava, meu tio velhinho contava, os vizinhos e amigos contavam. Tudo era narrado, tudo era motivo de prosa poesia, afirmo sempre. Entretanto, ainda asseguro que o mundo da leitura, o da palavra escrita, também me foi apresentado no interior de minha família que, embora constituída por pessoas em sua maioria apenas semi-alfabetizadas, todas eram seduzidas pela leitura e pela escrita. Tínhamos sempre em casa livros velhos, revistas, jornais. Lembro-me de nossos serões de leitura. Minha mãe ou minha tia a folhear conosco o material impresso e a traduzir as mensagens. E eu, na medida em que crescia e ganhava a competência da leitura, invertia os papeis, passei a ler para todos. Ali pelos meus onze anos, ganhei uma biblioteca inteira, a pública, quando uma das minhas tias se tornou servente daquela casa-tesouro, na Praça da Liberdade. Fiz dali a minha morada, o lugar onde eu buscava respostas para tudo. Escrevíamos também, bilhetes, anotações familiares, orações...</p><p>Na escola eu adorava redações do tipo: ”Onde passei as minhas férias”, ou ainda, “Um passeio à fazenda do meu tio”, como também, “A festa de meu aniversário”. A limitação do espaço físico e a pobreza econômica em que vivíamos eram resolvidas por meio de uma ficção inocente, único meio possível que me era apresentado para viver os meus sonhos. Se naquela época eu não tinha nenhuma possibilidade concreta de romper com o círculo de imposições que a vida nos oferecia, nada, porém freava os meus desejos. Eu menina, dona de uma tenaz esperança e de uma sabedoria precoce, reconhecia que a vida não poderia ser somente aquele pouco que nos era oferecido. Se muito de minha infância pobre, muito pobre, me doía, havia felicidades também incontáveis. As margaridas, as dálias e outras flores de nosso pequeno jardim. As frutas nos pés a matar a nossa fome. Os bolinhos de comida que mãe amassava com as mãos e enfiava em nossas bocas. As bonecas de capim ou bruxas de panos que nasciam com nome e história de suas mãos. O céu, as nuvens, as estrelas, sinais do infinito que minha e mãe e tia nos ensinaram a olhar e a sentir. E desse assuntar a vida, que foi ensinado por elas, ficou essa minha mania de buscar a alma, o íntimo das coisas. De recolher os restos, os pedaços, os vestígios, pois creio que a escrita, pelo menos para mim, é o pretensioso desejo de recuperar o vivido. A escrita pode eternizar o efêmero...</p><p>Nesse sentido, o que a minha memória escreveu em mim e sobre mim, mesmo que toda a paisagem externa tenha sofrido uma profunda transformação, as lembranças, mesmo que esfiapadas, sobrevivem. E na tentativa de recompor esse tecido esgarçado ao longo do tempo, escrevo. Escrevo sabendo que estou perseguindo uma sombra, um vestígio talvez. E como a memória é também vítima do esquecimento, invento, invento. Inventei, confundi Ponciá Vicêncio nos becos de minha memória. E dos becos de minha memória imaginei, criei. Aproveitei a imagem de uma velha Rita que eu havia conhecido um dia. E ainda desses mesmos becos, posso ter tirado de lá Ana e Davenga. Quem sabe Davenga não era primo de Negro Alírio? E por falar em becos da memória, voltei hoje de manhã à Rua Albita. Outra. Dali só reconheci a terra. Sim a terra, o pó, o barranco sobre o qual está edificado o “Mercado Cruzeiro”, no final da rua. Observei que a edificação do prédio conservou na base, parte do barranco sem cimentá-lo. Pude contemplar o solo, base da base da construção. Em um ponto qualquer daquele espaço, literalmente está enterrado o meu umbigo. Sem que ninguém percebesse alisei o chão e catei alguns fragmentos. Tive um desejo louco de tocar as minhas mãos com a boca. Era ali que a minha mãe desenhava o sol para chamá-lo à terra, quando tempo estava encharcado de chuva e as nossas latas vazias de alimento. Mas abaixo está a escultura de dois homens. Eles estão com os braços abertos, meio suspensos, com os gestos largos, insinuando que estão a caminhar em frente. Pensei: se eles derem uns poucos passos chegarão à torneira pública, em que apanhávamos água e as lavadeiras, como minha mãe e tia, desenvolviam seus trabalhos.</p><p>O pequeno monumento que foi erguido, não em memória aos antigos e primeiros da área, se chama “Otimismo”. Não sei por que pensei em nossos mortos, em todas as pessoas que viveram ali. E agradeci à vida o momento que estou vivendo agora. Impliquei com nome dado à escultura e fiquei curiosa. Qual seria o motivo daquela estátua? E porque o nome “Otimismo”? Outros nomes e sentidos me vieram à mente. Um deles insiste: resistência, resistência, resistência...</p><p>Escrevo. Deponho. Um depoimento em que as imagens se confundem, um eu-agora a puxar um eu-menina pelas ruas de Belo Horizonte. E como a escrita e o viver se con(fundem), sigo eu nessa escrevivência a lembrar de algo que escrevi recentemente:</p><p>“O olho do sol batia sobre as roupas estendidas no varal e mamãe sorria feliz. Gotículas de água aspergindo a minha vida-menina balançavam ao vento. Pequenas lágrimas dos lençóis. Pedrinhas azuis, pedaços de anil, fiapos de nuvens solitárias caídas do céu eram encontradas ao redor das bacias e tinas das lavagens de roupa. Tudo me causava uma comoção maior. A poesia me visitava e eu nem sabia...”</p><p>Conceição Evaristo</p><p>Depoimento no I Colóquio de Escritoras Mineiras</p><p>Belo Horizonte, Maio de 2009</p><p>&nbsp;</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 01:39:15 UTC</pubDate>
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         <title>2003: Publicação do romance &quot;Ponciá Vicêncio&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 2003, publicou o romance <em>Ponciá Vicêncio</em>, pela Editora Mazza, de Belo Horizonte. Com uma narrativa não-linear marcada por seguidos cortes temporais, em que passado e presente se imbricam, <em>Ponciá Vicêncio</em> teve boa acolhida de crítica e de público. O livro foi incluído nas listas de diversos vestibulares de universidades brasileiras e vem sendo objeto de artigos e dissertações acadêmicas. </p><p><br/></p><p>”A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.”</p><p><br/></p><p><br/></p><p><br/></p><p>Em 2007, sai nos Estados Unidos a tradução de <em>Ponciá Vicêncio</em> para o inglês, pela Host Publications. Vários lançamentos são realizados, seguidos de palestras da escritora em diversas universidades norte-americanas. </p><p><br/></p><p>Já sua poesia, até então restrita a antologias e à série <em>Cadernos Negros</em>, ganha maior visibilidade a partir da publicação, em 2008, do volume <em>Poemas de recordação e outros movimentos</em>, em que mantém sua linha de denúncia da condição social dos afrodescendentes, porém inscrita num tom de sensibilidade e ternura próprios de seu lirismo, que revela um minucioso trabalho com a linguagem poética.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 01:45:01 UTC</pubDate>
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         <title>2024: Conceição Evaristo é eleita imortal da Academia Mineira de Letras</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Conceição Evaristo é a primeira mulher negra a assumir cadeira na Academia Mineira de Letras. Ela ocupa a 40ª cadeira da AML.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 02:42:59 UTC</pubDate>
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         <title>2008: Poesia Vozes-mulheres</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>Vozes-mulheres</strong></p><p><br/></p><p>A voz de minha bisavó<br>ecoou criança<br>nos porões do navio.<br>ecoou lamentos<br>de uma infância perdida.<br>A voz de minha avó<br>ecoou obediência<br>aos brancos-donos de tudo.<br>A voz de minha mãe<br>ecoou baixinho revolta<br>no fundo das cozinhas alheias<br>debaixo das trouxas<br>roupagens sujas dos brancos<br>pelo caminho empoeirado<br>rumo à favela.<br>A minha voz ainda<br>ecoa versos perplexos<br>com rimas de sangue<br>e<br>fome.<br>A voz de minha filha<br>recolhe todas as nossas vozes<br>recolhe em si<br>as vozes mudas caladas<br>engasgadas nas gargantas.<br>A voz de minha filha<br>recolhe em si<br>a fala e o ato.<br>O ontem – o hoje – o agora.<br>Na voz de minha filha<br>se fará ouvir a ressonância<br>o eco da vida-liberdade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 03:08:04 UTC</pubDate>
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         <title>2006: Publicação do segundo romance &quot;Becos da memória&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 2006, Conceição Evaristo traz à luz seu segundo romance, <em>Becos da memória</em>, em que trata, com o mesmo realismo poético presente no livro anterior, do drama de uma comunidade favelada em processo de remoção. E, mais uma vez, o protagonismo da ação cabe à figura feminina símbolo de resistência à pobreza e à discriminação. </p><p><br></p><p>”Becos da memória é um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. A autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio. Sem perder o lirismo e a delicadeza, a autora discute, como poucos, questões profundas da sociedade brasileira.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:27:15 UTC</pubDate>
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         <title>2017: Publicação &quot;Poemas da recordação e outros movimentos&quot; </title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>”Fazendo uso de variados recursos: uma rica visão poética emotiva e a tematização sentimental, social, familiar e religiosa; com coragem, experiência, estilo bem definido e uso de intertextualidades, são enunciadas pela autora a pobreza, a fome, a dor e a enganosa-esperança de laçar o tempo; assim como há espaço para a paixão, o amor e o desejo. Nada, porém, é superficial, gratuito ou excessivo em Poemas da recordação e outros movimentos, que se sustenta em crítica social e no profundo de cada experiência, a partir da produção de um conjunto de poesias fortes e criativas, de belo senso rítmico, cuja leitura desperta emoções, graças à empatia que se estabelece entre os que leem os poemas e a expressividade emotiva e literária de Conceição Evaristo, quando faz despontar os mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:30:06 UTC</pubDate>
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         <title>2014: Publicação &quot;Olhos d&#39; água&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>”Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:33:24 UTC</pubDate>
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         <title>2016: Publicação &quot;Histórias de leves enganos e parecenças&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>”Conceição evaristo, escritora mineira, poetisa, romancista e contista nos oferece um livro inovador com doze contos e uma novela, nesses tempos de conturbação política, à beira de um inesperado retrocesso das conquistas sociais no brasil. Dizemos inovador porque, mesmo que se comprove a existência de elementos discursivos recorrentes nos livros anteriores, em histórias de leves enganos e parecenças, conceição toma a decisão de percorrer a seara do insólito, do estranho e do imprevisível.”</p><p><br></p><p><em>A capa do livro Histórias de Leves Enganos e Parecenças (2016) foi ilustrada por Ainá, filha de Conceição.</em></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:35:10 UTC</pubDate>
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         <title>Conceição Evaristo e sua filha, Ainá Evaristo de Brito </title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:42:34 UTC</pubDate>
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         <title>Conceição Evaristo e sua mãe, Josefina Evaristo</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Na infância, Conceição Evaristo pode até não ter vivido rodeada de inúmeros livros, mas cresceu cercada por palavras. Muito disso se deve a dona Joana, sua mãe. Mesmo sem estudo, ela colecionava cadernos com muitos escritos. Pensamentos sobre o dia a dia, as dificuldades da vida na favela, poemas e frases soltas, além da cultura da oralidade colocada em prática dentro de casa, formaram uma obra nunca antes publicada, mas que muito inspirou a filha, que viria a se tornar escritora.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 11:43:40 UTC</pubDate>
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         <title>Maternidade</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p><br></p><p>A maternidade é tema constante na obra de Conceição Evaristo. E, na escrevivência dela, foi realmente a vida que começou a moldar essa presença. Mesmo sem estudo, sua mãe, Joana, colecionava cadernos nos quais escrevia pensamentos e poemas. A figura materna como criadora e a cultura da oralidade praticada dentro de casa fizeram com que a autora mineira crescesse cercada por palavras, mesmo que distante dos livros.</p><p>No futuro, já tendo trazido ao mundo a filha Ainá, a escritora confirmou a força da maternidade na sua obra: na contramão da literatura brasileira, que raramente mostra mulheres negras vivenciando essa experiência, Conceição devolveu a elas – como personagens – o “direito” aos filhos, fazendo disso uma das características marcantes do seu trabalho.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 12:27:38 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Cartas de dona Joana para Conceição Evaristo</title>
         <author>leeiufu2024</author>
         <link>https://padlet.com/leeiufu2024/nixxo0euxxjajr4b/wish/3046300414</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 12:34:42 UTC</pubDate>
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         <title>Cartas de dona Joana para Conceição Evaristo... parte 2</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 12:37:31 UTC</pubDate>
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         <title>2019: Homenageada no 61º Prêmio Jabuti</title>
         <author>leeiufu2024</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em 2019, foi a grande homenageada do 61° Prêmio Jabuti como personalidade literária.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 12:53:26 UTC</pubDate>
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         <title>Poema: &quot;De mãe&quot;</title>
         <author>leeiufu2024</author>
         <link>https://padlet.com/leeiufu2024/nixxo0euxxjajr4b/wish/3046347891</link>
         <description><![CDATA[<p>O cuidado de minha poesia<br>aprendi foi de mãe,<br>mulher de pôr reparo nas coisas,<br>e de assuntar a vida.</p><p>A brandura de minha fala<br>na violência de meus ditos<br>ganhei de mãe,<br>mulher prenhe de dizeres,<br>fecundados na boca do mundo.</p><p>Foi de mãe todo o meu tesouro<br>veio dela todo o meu ganho<br>mulher sapiência, yabá,<br>do fogo tirava água<br>do pranto criava consolo.</p><p>Foi de mãe esse meio riso<br>dado para esconder<br>alegria inteira</p><p>e essa fé desconfiada,<br>pois, quando se anda descalço,<br>cada dedo olha a estrada.</p><p>Foi mãe que me descegou<br>para os cantos milagreiros da vida<br>apontando-me o fogo disfarçado<br>em cinzas e a agulha do<br>tempo movendo no palheiro.</p><p>Foi mãe que me fez sentir as flores<br>amassadas debaixo das pedras;<br>os corpos vazios rente às calçadas<br>e me ensinou, insisto, foi ela,<br>a fazer da palavra artifício<br>arte e ofício do meu canto,<br>da minha fala.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-07-05 14:03:40 UTC</pubDate>
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