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      <title>Seleção de poemas: LAGAR e Educação Ambiental by </title>
      <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8</link>
      <description>Curadoria de poemas da língua portuguesa, que possam ser utilizados como recurso educativo no tema &quot;Educação Para o Meio Ambiente&quot;, com base na Lei nº 9.795/99. A Lei nº 14.926/24 foi sancionada, alterando aquela para que sejam incluídos temas como a biodiversidade e as mudanças climáticas. Alguns desses poemas podem apresentar um tipo de ambiguidade semântica. Nosso objetivo é fugir de tradicionalismos, não enxergando o poema como uma estrutura fechada em sim. Foram escolhidos 30 autores brasileiros para a construção deste acervo.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-07-30 00:37:01 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2026-06-26 02:53:03 UTC</lastBuildDate>
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      <item>
         <title>Capela Sistina
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531455465</link>
         <description><![CDATA[<p>Expropriando a palavra<br>do ‘r’ impossível à sua língua gentia,<br>o padre falava perturbado de pânico:<br>‘Eternidade! Palavra horível! Preparai-vos!’<br>Circundava-o e a nós no apertado redil<br>a própria mão de Deus.<br>Então o que fazer com pastos,<br>grinalda de nuvens sobre os morros,<br>neblina criando abismos,<br>inefáveis belezas entre véus?<br>Que palavras escuras eram aquelas<br>sopesadas de raios?<br>Eternidade? E a relva?<br>E repousar nela sem interdições,<br>sem ninguém me gritar: ô preguiçosa.<br>Céu de estrelas, sustos novos,<br>calores bons e esquisitos à vista de meninos.<br>As axilas da mãe me protegiam,<br>virtuoso amuleto o cinto com que o pai me batia.<br>Eles não iam morrer.<br>Estávamos seguros contra Deus e a eternidade horrível.<br>Até que dormiram pela última vez<br>e pela primeira vez eu fiquei velha.<br>Minha casamata agora,<br>as axilas do Deus de Michelangelo,<br>profundas, musculosas, bravas,<br>abundantes do suor de quem trabalha duro.<br>— Uma doutrina severa faz sofrer,<br>mas a ninguém perderá se for doutrina bela.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:38:52 UTC</pubDate>
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         <title>Meditação À Beira de Um Poema
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531455553</link>
         <description><![CDATA[<p>Podei a roseira no momento certo<br>e viajei muitos dias,<br>aprendendo de vez<br>que se deve esperar biblicamente<br>pela hora das coisas.<br>Quando abri a janela, vi-a,<br>como nunca a vira,<br>constelada,<br>os botões,<br>alguns já com o rosa-pálido<br>espiando entre as sépalas,<br>joias vivas em pencas.<br>Minha dor nas costas,<br>meu desaponto com os limites do tempo,<br>o grande esforço para que me entendam<br>pulverizaram-se<br>diante do recorrente milagre.<br>Maravilhosas faziam-se<br>as cíclicas, perecíveis rosas.<br>Ninguém me demoverá<br>do que de repente soube<br>à margem dos edifícios da razão:<br>a misericórdia está intacta,<br>vagalhões de cobiça,<br>punhos fechados,<br>altissonantes iras,<br>nada impede ouro de corolas<br>e acreditai: perfumes.<br>Só porque é setembro.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:39:02 UTC</pubDate>
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         <title>Leitura</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531455638</link>
         <description><![CDATA[<p>Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.<br>As macieiras tinham maçãs temporãs, a casca vermelha<br>de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coisas<br>fora do seu tempo desejadas.<br>Ao longo do muro eram talhas de barro.<br>Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo<br>que lá fora o mundo havia parado de calor.<br>Depois encontrei meu pai, que me fez festa<br>e não estava doente e nem tinha morrido, por isso ria,<br>os lábios de novo e a cara circulados de sangue,<br>caçava o que fazer pra gastar sua alegria:<br>onde está meu formão, minha vara de pescar,<br>cadê minha binga, meu vidro de café?<br>Eu sempre sonho que uma coisa gera,<br>nunca nada está morto.<br>O que não parece vivo, aduba.<br>O que parece estático, espera.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:39:10 UTC</pubDate>
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         <title>Adélia Prado (1935)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531460781</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:47:10 UTC</pubDate>
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         <title>O amor No Éter</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531467242</link>
         <description><![CDATA[<p>Há dentro de mim uma paisagem<br>entre meio-dia e duas horas da tarde.<br>Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,<br>entram e não neste lugar de memória,<br>uma lagoa rasa com caniços na margem.<br>Habito nele, quando os desejos do corpo,<br>a metafísica, exclamam:<br>como és bonito!<br>Quero escavar-te até encontrar<br>onde segregas tanto sentimento.<br>Pensas em mim, teu meio-riso secreto<br>atravessa mar e montanha,<br>me sobressalta em arrepios,<br>o amor sobre o natural.<br>O corpo é leve como a alma,<br>os minerais voam como borboletas.<br>Tudo deste lugar<br>entre meio-dia e duas horas da tarde.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:56:24 UTC</pubDate>
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         <title>O Homem Humano</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531467956</link>
         <description><![CDATA[<p>Se não fosse a esperança de que me aguardas com a mesa<br>[posta<br>o que seria de mim eu não sei.<br>Sem o Teu Nome<br>a claridade do mundo não me hospeda,<br>é crua luz crestante sobre ais.<br>Eu necessito por detrás do sol<br>do calor que não se põe e tem gerado meus sonhos,<br>na mais fechada noite, fulgurantes lâmpadas.<br>Porque acima e abaixo e ao redor do que existe<br>[permaneces,<br>eu repouso meu rosto nesta areia<br>contemplando as formigas, envelhecendo em paz<br>como envelhece o que é de amoroso dono.<br>O mar é tão pequenino diante do que eu choraria<br>se não fosses meu Pai.<br>Ó Deus, ainda assim não é sem temor que Te amo,<br>nem sem medo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:57:13 UTC</pubDate>
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         <title>Bucólica Nostálgica

</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531468444</link>
         <description><![CDATA[<p>Ao entardecer no mato, a casa entre<br>bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,<br>aparece dourada. Dentro dela, agachados,<br>na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,<br>rápidos como se fossem ao Êxodo, comem<br>feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,<br>muitas vezes abóbora.<br>Depois, café na canequinha e pito.<br>O que um homem precisa pra falar,<br>entre enxada e sono: Louvado seja Deus!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:57:40 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Desenredo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531468828</link>
         <description><![CDATA[<p>Grande admiração me causam os navios<br>e a letra de certas pessoas que esforço por imitar.<br>Dos meus, só eu conheço o mar.<br>Conto e reconto, eles dizem ‘ahn’.<br>E continuam cercando o galinheiro de tela.<br>Falo da espuma, do tamanho cansativo das águas,<br>eles nem lembram que tem o Quênia,<br>nem de leve adivinham que estou pensando em Tanzânia.<br>Afainosos me mostram o lote: aqui vai ser a cozinha,<br>logo ali a horta de couve.<br>Não sei o que fazer com o litoral.<br>Fazia tarde bonita quando me inseri na janela, entre meus<br>[tios,<br>e vi o homem com a braguilha aberta,<br>o pé de rosa-doida enjerizado de rosas.<br>Horas e horas conversamos inconscientemente em<br>[português<br>como se fora esta a única língua do mundo.<br>Antes e depois da fé eu pergunto cadê os meus que se<br>[foram,<br>porque sou humana, com capricho tampo o restinho de<br>[molho na panela.<strong><br></strong>Saberemos viver uma vida melhor que esta,<br>quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos?<br>Sofrer não é em língua nenhuma.<br>Sofri e sofro em Minas Gerais e na beira do oceano.<br>Estarreço de estar viva. Ó luar do sertão,<br>ó matas que não preciso ver pra me perder,<br>ó cidades grandes, estados do Brasil que amo como se os<br>[tivesse inventado.<br>Ser brasileiro me determina de modo emocionante<br>e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,<br>descansa meu bem-querer.<br>Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.<br>Valha-me noite que me cobre de sono.<br>O pensamento da morte não se acostuma comigo.<br>Estremecerei de susto até dormir.<br>E no entanto é tudo tão pequeno.<br>Para o desejo do meu coração<br>o mar é uma gota.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:58:19 UTC</pubDate>
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         <title>Morte Morreu</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531469218</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando o ano acinzenta-se em agosto<br>e chove sobre árvores<br>que mesmo antes das chuvas já reverdeceram,<br>da mesma estação levantam-se<br>nossos mortos queridos<br>e os passarinhos que ainda vão nascer.<br>“Ó morte, onde está tua vitória?”<br>Eh tempo bom, diz meu pai.<br>A mãe acalma-se,<br>tomam-se as providências sensatas.<br>Todos pra janela, espiar as goteiras:<br>“Chuva choveu, goteira pingou<br>Pergunta o papudo se o papo molhou.”<br>Pergunta a menina se a vida acabou.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:58:51 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Legenda Com a Palavra Mapa</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531469526</link>
         <description><![CDATA[<p>Tebas, Madian, Monte Hor,<br>esfingéticos nomes.<br>Idumeia, Efraim, Gilead,<br>histórias que dispensam meu concurso.<br>Os mapas me descansam,<br>mais em seus desertos que em seus mares,<br>onde não mergulho porque mesmo nos mapas são<br>[profundos,<br>voraginosos, indomesticáveis.<br>Como pode o homem conceber o mapa?<br>Aqui rios, aqui montanhas, cordilheiras, golfos,<br>aqui florestas, tão assustadoras quanto os mares.<br>As legendas dos mapas são tão belas<br>que dispensam as viagens. Você está louca, dizem-me,<br>um mapa é um mapa. Não estou, respondo.<br>O mapa é a certeza de que existe O LUGAR,<br>o mapa guarda sangue e tesouros.<br>Deus nos fala no mapa com sua voz geógrafa.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 00:59:22 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Metamorfose</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531469966</link>
         <description><![CDATA[<p>Foi assim que meu pai me disse uma vez:<br>Você anda feito cavalo velho, procurando grota.<br>As cigarras atrelavam as patas nos troncos<br>e zuniam com decisão os seus chiados.<br>As árvores cantavam no quintal,<br>refolhadas de novíssimo verde.<br>Arregacei as narinas e fui pastar<br>com minha cabeça minúscula.<br>O que mais quente e amarelo pode ser,<br>era o sol, um dia de pura luz.<br>Mugi entre as vacas, antediluviana,<br>sei de moitas, água que achei e bebi.<br>Na volta sacudi pescoço e rabo.<br>Só dois sinais restaram:<br>um modo guloso de cheirar os verdes;<br>um modo de pisar, só casco e pedras.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:00:07 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Solo de Clarineta</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531470210</link>
         <description><![CDATA[<p>As pétalas da flor-seca, a sempre-viva,<br>do que mais gosto em flor.<br>Do seu grego existir de boniteza,<br>sua certa alegria.<br>É preciso ter morrido uma vez e desejado<br>o que sobre as lápides está escrito<br>de repouso e descanso, pra amar seu duro odor<br>de retrato longínquo, seu humano conter-se.<br>As severas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:00:37 UTC</pubDate>
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         <title>Genesíaco</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531470450</link>
         <description><![CDATA[<p>Um homem na campina olhava o céu. As estrelas<br>pareciam aumentadas, de tamanho brilho.<br>Estrela, ó estrela, estrelas,<br>ele suplicou como se injuriasse.<br>Os que alimentavam o fogo<br>aproximaram-se admirados:<br>nós também queremos, repeti para nós.<br>Ó noite de mil olhos, reluzente.<br>Os vocativos<br>são o princípio de toda poesia.<br>Ó homem, ó filho meu,<br>convoca-me a voz do amor,<br>até que eu responda<br>ó Deus, ó Pai.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:01:01 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Lirial</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531470936</link>
         <description><![CDATA[<p>Lírios, lírios,<br>a vida só tem mistérios.<br>Destruo os lírios,<br>eles me põem confusa.<br>Os finados se cobrem deles,<br>os canteiros do céu,<br>onde as virgens passeiam.<br>Como cabeças de alho,<br>os bulbos ficam na terra<br>esperando novembro para que eu padeça.<br>Como pessoas, esta flor espessa;<br>branca, d’água, roxo-lírio,<br>lírio amarelo — um antilírio —,<br>lírio de nada, espírito de flor,<br>hausto floral do mundo,<br>pensamento de Deus inconcluído<br>nesta tarde de outubro em que pergunto:<br>para que servem os lírios,<br>além de me atormentarem?<br>Um lírio negro é impossível.<br>Inocente e voraz o lírio não existe<br>e esta fala é delírio.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:01:45 UTC</pubDate>
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         <title>Fosse o Céu Sempre Assim</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531471196</link>
         <description><![CDATA[<p>Como num insuspeitado aposento<br>em casa que se conhece,<br>uma janela se abre para cascalho e areia,<br>pouca vegetação resistindo nas pedras,<br>esmeraldas à flor da terra.<br>Nada exubera. É Minas,<br>um homem com seu cavalo<br>se abeberando no córrego.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:02:08 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Constelação</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531471776</link>
         <description><![CDATA[<p>Olhava da vidraça<br>derramar-se a Via Láctea<br>sobre a massa das árvores.<br>Por causa do vidro, da transparência do ar,<br>ou porque me nasciam lágrimas,<br>tinha a impressão de que algumas estrelas<br>mergulhavam no rio,<br>outras paravam nos ramos.<br>Passageiros dormiam,<br>eu clamava por Deus<br>como o cachorro que sem ameaça aparente<br>latia desesperado na noite maravilhosa:<br>Ó Cordeiro de Deus, ó Cruzeiro do Sul,<br>ó Cordeiro, ó Cruzeiro!<br>Como o cão, minha língua ladrava<br>à aterradora beleza.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:02:49 UTC</pubDate>
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         <title>Pomar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531472005</link>
         <description><![CDATA[<p>Os açúcares das frutas<br>me arrombaram um jardim<br>a meio caminho de trincar nos dentes<br>a doce areia, seus cristais de mel.<br>À vibração do que chamamos vida,<br>onde os adjetivos todos desintegram-se,<br>o Senhor da vida olhava-me<br>como olham os reis<br>as servas com quem se deitam.<br>Desde agora, pensei, basta dizer<br>‘os açúcares das frutas’<br>e o jardim se abrirá<br>sob o mesmo poder da antífona sagrada:<br>“Ó portas, levantai vossos frontões!”</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:03:11 UTC</pubDate>
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         <title>Inverno</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531472650</link>
         <description><![CDATA[<p>A árvore na montanha<br>me chama a ver do alto<br>o sol derreter a bruma.<br>Sob o que parece um oceano cinzento<br>não se enxerga o vergel, os bois.<br>Lanternas criam halos maravilhosos,<br>de um navio parado em alto-mar.<br>O onipresente vapor evanesce as imagens,<br>exsuda, pela respiração do criador das coisas,<br>a beleza linfática do mundo.<br>Provada no corpo é fria.<br>Na alma expandida é gozo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:04:10 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Com Licença Poética</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531472909</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando nasci um anjo esbelto,<br>desses que tocam trombeta, anunciou:<br>vai carregar bandeira.<br>Cargo muito pesado pra mulher,<br>esta espécie ainda envergonhada.<br>Aceito os subterfúgios que me cabem,<br>sem precisar mentir.<br>Não sou tão feia que não possa casar,<br>acho o Rio de Janeiro uma beleza e<br>ora sim, ora não, creio em parto sem dor.<br>Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.<br>Inauguro linhagens, fundo reinos<br>— dor não é amargura.<br>Minha tristeza não tem pedigree,<br>já a minha vontade de alegria,<br>sua raiz vai ao meu mil avô.<br>Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.<br>Mulher é desdobrável. Eu sou.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:04:38 UTC</pubDate>
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         <title>Alphonsus de Guimaraens (1870-1921)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531475487</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:08:09 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>XXXIII - Ismália</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531475885</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando Ismália enlouqueceu,<br>Pôs-se na torre a sonhar...<br>Viu uma lua no céu,<br>Viu outra lua no mar.<br><br>No sonho em que se perdeu,<br>Banhou-se toda em luar...<br>Queria subir ao céu,<br>Queria descer ao mar...<br><br>E, no desvario seu,<br>Na torre pôs-se a cantar...<br>Estava perto do céu,<br>Estava longe do mar...<br><br>E como um anjo pendeu<br>As asas para voar...<br>Queria a lua do céu,<br>Queria a lua do mar...<br><br>As asas que Deus lhe deu<br>Ruflaram de par em par...<br>Sua alma subiu ao céu,<br>Seu corpo desceu ao mar...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:08:42 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>XIV - Ária do Luar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531476778</link>
         <description><![CDATA[<p>XIV - Ária do Luar</p><p>O luar, sonora barcarola,<br>Aroma de argental caçoula,<br>Azul, azul em fora rola...<br><br>Cauda de virgem lacrimosa,<br>Sobre montanhas negras pousa,<br>Da luz na quietação radiosa.<br><br>Como lençóis claros de neve,<br>Que o sol filtrando em luz esteve,<br>É transparente, é branco, é leve.<br><br>Eurritmia celestial das cores,<br>Parece feito dos menores<br>E mais transcendentes odores.<br><br>Por essas noites, brancas telas,<br>Cheias de esperanças de estrelas,<br>O luar é o sonho das donzelas.<br><br>Tem cabalísticos poderes<br>Como os olhares das mulheres:<br>Melancoliza e enerva os seres.<br><br>Afunda na água o alvo cabelo,<br>E brilha logo, algente e belo,<br>Em cada lago um sete-estrelo.<br><br>Cantos de amor, salmos de prece,<br>Gemidos, tudo anda por esse<br>Olhar que Deus à terra desce.<br><br>Pela sua asa, no ar revolta,<br>Ao coração do amante volta<br>A Alma da amada aos beijos solta.<br><br>Rola, sonora barcarola,<br>Aroma de argental caçoula,<br>O luar, azul em fora, rola...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:10:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Hão de chorar por ela os cinamomos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531482850</link>
         <description><![CDATA[<p>Hão de chorar por ela os cinamomos,</p><p>Murchando as flores ao tombar do dia.</p><p>Dos laranjais hão de cair os pomos,</p><p>Lembrando-se daquela que os colhia.</p><p>As estrelas dirão — "Ai! nada somos,</p><p>Pois ela se morreu silente e fria..."</p><p>E pondo os olhos nela como pomos,</p><p>Hão de chorar a irmã que lhes sorria.</p><p><br/></p><p>A lua, que lhe foi mãe carinhosa,</p><p>Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la</p><p>Entre lírios e pétalas de rosa.</p><p>Os meus sonhos de amor serão defuntos</p><p>E os arcanjos dirão no azul ao vê-la, </p><p>Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:17:48 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Augusto dos Anjos (1884-1914)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531485704</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:21:21 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>A árvore da serra</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531488870</link>
         <description><![CDATA[<p>As árvores, meu filho, não tem alma!<br>E esta árvore me serve de empecilho...<br>É preciso cortá-la, pois, meu filho,<br>Para que eu tenha uma velhice calma!<br><br>- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!<br>Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!<br>Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...<br>Esta árvore, meu pai, possui minh'alma!...<br><br>- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:<br>"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"<br>E quando a árvore, olhando a pátria serra,<br><br>Caiu aos golpes do machado bronco,<br>O moço triste se abraçou com o tronco<br>E nunca mais se levantou da terra.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:25:32 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A Noite</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531489509</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A nebulosidade ameaçadora<br>Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios<br>E urde amplas teias de carvões sombrios<br>No ar que alacre e radiante, há instante, fora.<br><br>A água transubstancia-se. A onda estoura<br>Na negridão do oceano e entre os navios<br>Troa bárbara zoada de ais bravios,<br>Extraordinariamente atordoadora.<br><br>À custódia do anímico registro<br>A planetária escuridão se anexa...<br>Somente, iguais a espiões que acordam cedo,<br><br>Ficam brilhando com fulgor sinistro<br>Dentro da treva onímoda e complexa<br>Os olhos fundos dos que estão com medo!</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:26:26 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O Mar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531490144</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>O mar é triste como um cemitério;<br>Cada rocha é uma eterna sepultura<br>Banhada pela imácula brancura<br>De ondas chorando n'um albor etéreo.<br><br>Ah! dessas vagas no bramir funéreo<br>Jamais vibrou a sinfonia pura<br>Do amor; lá, só descanta, dentre a escura<br>Treva do oceano, a voz do meu saltério!<br><br>Quando a cândida espuma dessas vagas,<br>Banhando a fria solidão das fragas,<br>Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma,<br><br>Reflete a luz do sol que já não arde,<br>Treme na treva a púrpura da tarde,<br>Chora a Saudade envolta nesta espuma!</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:27:10 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531494326</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:32:34 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Lagoa</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531495025</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu não vi o mar.<br>Não sei se o mar é bonito,<br>não sei se êle é bravo.<br>O mar não me importa.<br><br>Eu vi a lagoa.<br>A lagoa, sim.<br>A lagoa é grande<br>e calma também.<br><br>Na chuva de cores<br>da tarde que explode<br>a lagoa brilha<br>a lagoa se pinta<br>de todas as cores.<br>Eu não vi o mar.<br>Eu vi a lagoa. . .</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:33:41 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Elegia a Um Tucano Morto</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531495688</link>
         <description><![CDATA[<p><em>Ao Pedro</em></p><p><strong><br>O sacrifício da asa corta o voo<br>no verdor da floresta. Citadino<br>serás e mutilado,<br>caricatura de tucano<br>para a curiosidade de crianças<br>e indiferenças de adultos.<br>Sofrerás a agressão de aves vulgares<br>e morto quedarás<br>no chão de formigas e de trapos.<br><br>Eu te celebro em vão<br>como à festa colorida mas truncada,<br>projeto da natureza interrompido<br>ao azar de peripécias e viagens<br>do Amazonas ao asfalto<br>da feira de animais.<br>Eu te registro, simplesmente,<br>no caderno de frustrações deste mundo<br>pois para isto vieste:<br>para a inutilidade de nascer.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:34:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Infância
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531496395</link>
         <description><![CDATA[<p><em>A Abgar Renault</em><br><br><strong>Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.<br>Minha mãe ficava sentada cosendo.<br>Meu irmão pequeno dormia.<br>Eu sozinho menino entre mangueiras<br>lia a história de Robinson Crusoé,<br>comprida história que não acaba mais.<br><br>No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu<br>a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu<br>chamava para o café.<br>Café preto que nem a preta velha<br>café gostoso<br>café bom.<br><br>Minha mãe ficava sentada cosendo<br>olhando para mim:<br>- Psiu... Não acorde o menino.<br>Para o berço onde pousou um mosquito.<br>E dava um suspiro... que fundo!<br><br>Lá longe meu pai campeava<br>no mato sem fim da fazenda.<br><br>E eu não sabia que minha história<br>era mais bonita que a de Robinson Crusoé.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:35:37 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Águas E Mágoas do Rio São Francisco</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531500850</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Está secando o velho Chico.<br>Está mirrando, está morrendo.<br><br>Já não quer saber de lanchas-ônibus,<br>nem de chatas e seus empurradores.<br>Cansou-se de gaiolas<br>e literatura encomiástica<br>e mostra o leito pobre,<br>as pedras, as areias desoladas<br>onde nenhum caboclo-d’água,<br>nenhum minhocão ou cachorrinha-d’água,<br>cativados a nacos de fumo forte,<br>restam para semente<br>de contos fabulosos e assustados.<br><br>Ei, velho Chico,<br>deixas teus barqueiros e barranqueiros na pior?<br>Recusas pegar frete em Pirapora<br>e ir levando pro Norte as alegrias?<br>Negas teus surubins, teus mitos e dourados,<br>teus postais alucinantes de crepúsculo<br>à gula dos turistas?<br>Ou é apenas<br>seca de junho-julho para descanso<br>e volta mais barrenta na explosão<br>da chuva gorda?<br><br>Já te estranham, meu Chico. Desta vez,<br>encolheste demais. O cemitério<br>de barcos encalhados se desdobra<br>na lama que deixaste. O fio d’água<br>(ou lágrimas?) escorre<br>entre carcaças novas: é brinquedo<br>de curumins, os únicos navios<br>que aceitas transportar com desenfado.<br>Mulheres quebram pedra<br>no pátio ressequido<br>que foi teu leito e esboça teu fantasma.<br><br>Não escutas, ó Chico, as rezas músicas<br>dos fiéis que em procissão imploram chuva?<br>São amigos que te querem,<br>companheiros que carecem<br>de teu deslizar sem pressa<br>(tão suave que corrias,<br>embora tão artioso<br>que muitas vezes tiravas<br>a terra de um lado e a punhas<br>mais adiante, de moleque).<br>É gente que vai murchando<br>em frente à lavoura morta<br>e ao esqueleto do gado,<br>por entre portos de lenha<br>e comercinhos decrépitos;<br>a dura gente sofrida<br>que carregas (carregavas),<br>no teu lombo de água turva,<br>mas afinal água santa,<br>meu rio, amigo roteiro<br>de Pirapora a Juazeiro.<br>Responde, Chico, responde!<br><br>Não vem resposta de Chico,<br>e vai sumindo seu rastro<br>como o rastro da viola<br>se esgarça no vão do vento.<br>E na secura da terra<br>e no barro que ele deixa<br>onde Martius viu seu reino,<br>na carranca dos remeiros<br>(memória de outras carrancas<br>há muito peças de living),<br>nas tortas margens que o homem<br>não soube retificar<br>(não soube ou não quis? paciência),<br>nos pilares sem serviço<br>de pontes sobre o vazio,<br>na negra ausência de verde,<br>no sacrifício das árvores<br>cortadas, carbonizadas,<br>no azul, que virou fumaça,<br>nas araras capturadas<br>que não mandam mais seus guinchos<br>à paisagem de seca<br>(onde o tapete de finas<br>gramíneas, dos viajantes antigos?),<br>no chão deserto, na fome<br>dos subnutridos nus,<br>não colho qualquer resposta,<br>nada fala, nada conta<br>das tristuras e renúncias,<br>dos desencantos, dos males,<br>das ofensas, das rapinas<br>que no giro de três séculos<br>fazem secar e morrer<br>a flor de água de um rio.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:41:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Tempo de Ipê</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531501087</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Não quero saber de IPM, quero saber de IP.<br>O M que se acrescentar não será militar,<br>será de Maravilha.<br>Estou abençoando a terra pela alegria do ipê.<br>Mesmo roxo, o ipê me transporta ao círculo da alegria,<br>onde encontro, dadivoso, o ipê-amarelo.<br>Este me dá as boas-vindas e apresenta:<br>— Aqui é o ipê-rosa.<br>Mais adiante, seu irmão, o ipê-branco.<br>Entre os ipês de agosto que deveriam ser de outubro,<br>mas tiveram pena de nós e se anteciparam<br>para que o Rio não sofresse de desamor, tumulto, inflação,<br>mortes.<br>Sou um homem dissolvido na natureza.<br>Estou florescendo em todos os ipês.<br>Estou bêbado de cores de ipê, estou alcançando<br>a mais alta copa do mais alto ipê do Corcovado.<br>Não me façam voltar ao chão,<br>não me chamem, não me telefonem, não me deem<br>dinheiro,<br>quero viver em bráctea, racemo, panícula, umbela.<br>Este é tempo de ipê. Tempo de glória.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:41:33 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531501087</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Tempo ao Sol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531503318</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Não aguento mais este tempo, este sol,</strong></p><p><strong>esta chuva, este vento.</strong></p><p><strong>Não aguento mais o homem</strong></p><p><strong>que me olha e não me vê.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Não aguento mais a máquina</strong></p><p><strong>que me move e não me entende.</strong></p><p><strong>Não aguento mais a vida</strong></p><p><strong>que me arrasta e me prende.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Ah, se eu pudesse voar,</strong></p><p><strong>como a nuvem no céu!</strong></p><p><strong>Se eu pudesse sonhar,</strong></p><p><strong>como o rio no véu!</strong></p><p><br/></p><p><strong>Mas sou pedra, sou chão,</strong></p><p><strong>sou muro, sou prédio.</strong></p><p><strong>E o tempo passa,</strong></p><p><strong>e o sol me castiga.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:44:57 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Montanha Pulverizada</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531506334</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Não é mais a montanha inerte,</strong></p><p><strong>o volume puro de pedra.</strong></p><p><strong>Agora, na serra, é poeira,</strong></p><p><strong>pó solto no vento que sopra</strong></p><p><strong>sobre as casas, as árvores, as gargantas.</strong></p><p><br/></p><p><strong>A montanha foi dinamitada,</strong></p><p><strong>dinamitada pelos homens</strong></p><p><strong>que pensam em aço, em concreto,</strong></p><p><strong>em estradas, em lucros.</strong></p><p><br/></p><p><strong>A montanha era silêncio,</strong></p><p><strong>era força, era beleza.</strong></p><p><strong>Agora é um monte de lixo,</strong></p><p><strong>um cadáver de pedra,</strong></p><p><strong>uma ferida na paisagem.</strong></p><p><br/></p><p><strong>E o homem que a destruiu</strong></p><p><strong>não sabe que destruiu a si mesmo,</strong></p><p><strong>que pulverizou sua própria alma,</strong></p><p><strong>que enterrou sua vida</strong></p><p><strong>sob a poeira da montanha.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:48:38 UTC</pubDate>
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         <title>Passagem da Noite</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531510397</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A noite desceu sem aviso. </strong></p><p><strong>Ninguém a viu, ninguém a soube. </strong></p><p><strong>Era um tempo de sol, de riso,</strong></p><p><strong>e de repente a escuridão encobriu.</strong></p><p><br/></p><p><strong>As ruas vazias, as casas fechadas.</strong></p><p><strong>Os sonhos adormecidos, a vida suspensa.</strong></p><p><strong>Apenas o silêncio, as estrelas acesas,</strong></p><p><strong>e a alma à deriva, sem defesas.</strong></p><p><br/></p><p><strong>A noite é longa, e o pensamento tece</strong></p><p><strong>no fio da memória, fios de ausência.</strong></p><p><strong>E cada estrela que no escuro aparece,</strong></p><p><strong>é uma lágrima, uma prece, uma demência.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Mas a noite passa, e a luz renasce, </strong></p><p><strong>Trazendo consigo a esperança do novo. </strong></p><p><strong>E no ciclo do tempo, a vida acontece,</strong></p><p><strong>no eterno ir e vir, no eterno renovo.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:54:06 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Tríptico de Sônia Maria do Recife</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531512550</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>I<br><br>Meu Santo Antônio de Itabira<br>ou de Apipucos<br>ensina-me um verso<br>que seja brando e fale de amanhecer<br>e se debruce à beira-rio<br>e pare na estrada<br>e converse com a menina<br>como se costuma conversar com formigas<br>besouros<br>folhas de cajueiro de ingazeiro de amendoeira<br>esses assuntos importantíssimos<br>que não adianta o rei escutar<br>porque não entende nossa linpin-guapá-gempém.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:56:19 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Flora Mágica Noturna</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531513417</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A casa de dr. Câmara é encantada.<br>No jardim cresce a árvore-de-moedas.<br>As pratinhas reluzem entre folhas.<br>O menino ergue o braço e fica rico<br>ao luar.<br>Dr. Câmara sorri sob os bigodes<br>de bom padrinho. Sente-se criador<br>de uma espécie botânica sem par.<br>A crença do menino agora é dele,<br>ao luar.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:57:32 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Gosto de Terra</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531515011</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Gosto de terra. De água, de ar.</strong></p><p><strong>Gosto de vento que sopra e que leva.</strong></p><p><strong>Gosto de sol que queima e que eleva.</strong></p><p><strong>Gosto de chuva que lava e que rega.</strong></p><p><strong>Gosto da vida que nasce e que nega.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Gosto da pedra onde o musgo se aninha.</strong></p><p><strong>Da raiz que se prende, da seiva que escorre.</strong></p><p><strong>Da terra que acolhe, que gera, que morre.</strong></p><p><strong>Da terra que guarda minha história mesquinha.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Gosto da mão que amassa, que planta, que colhe.</strong></p><p><strong>Do olhar que se fixa na planície sem fim.</strong></p><p><strong>Da voz que murmura, da dor que me escolhe.</strong></p><p><strong>Gosto da terra que mora em mim.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 01:59:29 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Parque Municipal</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531516422</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>I</strong></p><p><strong><br>O portão do colégio abre-se em domingo.<br>Toda a cidade é tua e verde.<br>O Parque o barco o banco o leque<br>do pavão em grito e cor fremindo o lago<br>sem que as estruturas de silêncio<br>desmoronem.<br>Quem passa? Nada passa. Aqui o tempo<br>aqui o ramo aqui o caracol<br>em ar benigno se entrelaçam, duram<br>eternamente a vez de contemplá-los.<br>Voltar? Para onde e quê, se existe onde<br>além deste? se em vão as matemáticas,<br>as químicas, preceitos…<br>És o Parque, total.<br>Nem desejas ser planta, estás embaixo<br>de toda planta, simples terra.<br>Por que se destaca da palmeira<br>o pederasta<br>e faz o gesto lúbrico, sorri?<br></strong></p><p><strong>II</strong></p><p><strong><br>A natureza é imóvel.<br>A natureza, tapeçaria<br>onde o verde silente se reparte<br>entre caminhos que não levam a nenhum lugar.<br>São caminhos parados. De propósito.<br>O lago, tranquilidade oferecida.<br>A pontezinha rústica de cimento<br>não é feita para ninguém passar<br>de um ponto a outro.<br>Feita para não passar.<br>A pontezinha sou eu ficar imóvel<br>por cima da água imóvel<br>na tapeçaria imóvel para sempre.<br>O barquinho da margem devia ser queimado.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:01:20 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Estes Crepúsculos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531516921</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Concordo plenamente.<br>Estes crepúsculos são admiráveis.<br>Nada no mundo iguala estes crepúsculos.<br>O sol é um pintor bêbado reformulando o céu<br>e até as montanhas e as árvores.<br>Convida a gente a viver em estado de pedraria,<br>de sonho, incêndio, milagre.<br><br>Estes crepúsculos sublimes criam outra Belo Horizonte,<br>não a dos tristes funcionários seriados,<br>outra Minas, outro Brasil.<br>Estes crepúsculos…<br>Mas eu não tomo conhecimento deles.<br>Estou triste.<br>Estou sepultado em mina de carvão.<br>Ela passou de bonde e não me olhou.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:02:12 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Flor Experiente</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531518809</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Uma flor matizada<br>entreabre-se em meus dedos.<br>Já sou terra estrumada<br>— é um de meus segredos.<br><br>Careceu vida lenta<br>e, mais que lenta, peca,<br>para a cor que ornamenta<br>esta epiderme seca.<br><br>Assino-me no cálice<br>de estrias fraternais.<br>O pensamento cale-se.<br>É jardim, nada mais.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:05:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A rosa é um jardim</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531520984</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A rosa é um jardim concentrado</strong></p><p><strong>um clarim de cor,</strong></p><p><strong>anunciando a alvorada fogosa</strong></p><p><strong>e o tempo iluminado.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Ela é o resumo da beleza,</strong></p><p><strong>a síntese do aroma,</strong></p><p><strong>a promessa da vida</strong></p><p><strong>em cada pétala que toma.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Não é só uma flor,</strong></p><p><strong>é a totalidade em miniatura,</strong></p><p><strong>a essência do amor</strong></p><p><strong>em sua forma mais pura.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:07:59 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Tânatos Tanajura</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531521708</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>I</strong></p><p><strong><br>Tanajura<br>flor de chuva<br>chuviflor<br>em revoo<br>de arco-íris.<br><br>Erráticas<br>no ar escuro<br>que se aclara<br>ao sol da caça.<br><br>Foi o trovão,<br>tanajura,<br>tempo de amar,<br>tanajura,<br>tempinho de botar ovo<br>e de morrer,<br>tanajura.<br><br>II</strong></p><p><strong><br>Corre-corre na rua<br>a colher na enxurrada<br>a chuvatanajura.<br><br>Na tonta procura,<br>qual a mais gordinha<br>rainha do reino obscuro?<br>Oi, tana, tana, tanajura,<br>morte bailante<br>na tarde impura.<br><br>Esta hei de guardá-la,<br>esta hei de querer-lhe<br>como ao gato, ao caramujo<br>de minha estimação.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:08:55 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Nova Canção do Exílio</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531522831</link>
         <description><![CDATA[<p><em>A Josué Montello</em><br></p><p><strong>Um sabiá<br>na palmeira, longe.<br>Estas aves cantam<br>um outro canto.<br><br>O céu cintila<br>sobre flores úmidas.<br>Vozes na mata,<br>e o maior amor.<br><br>Só, na noite,<br>seria feliz:<br>um sabiá,<br>na palmeira, longe.<br><br>Onde é tudo belo<br>e fantástico,<br>só, na noite,<br>seria feliz.<br>(Um sabiá<br>na palmeira, longe.)<br><br><br>Ainda um grito de vida e<br>voltar<br>para onde é tudo belo<br>e fantástico:<br>a palmeira, o sabiá,<br>o longe.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:10:11 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Jardim

</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531523585</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Negro jardim onde violas soam<br>e o mal da vida em ecos se dispersa:<br>à toa uma canção envolve os ramos,<br>como a estátua indecisa se reflete<br><br>no lago há longos anos habitado<br>por peixes, não, matéria putrescível,<br>mas por pálidas contas de colares<br>que alguém vai desatando, olhos vasados<br><br>e mãos oferecidas e mecânicas,<br>de um vegetal segredo enfeitiçadas,<br>enquanto outras visões se delineiam<br><br>e logo se enovelam: mascarada,<br>que sei de sua essência (ou não a tem),<br>jardim apenas, pétalas, presságio.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:11:16 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Flor e a Náusea</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531525567</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Preso à minha classe e a algumas minúcias,</strong></p><p><strong>como voto de minerva e palito de fósforo,</strong></p><p><strong>misturo-me à multidão, mas sem participar.</strong></p><p><strong>A vida me repele, e o amor me deserta.</strong></p><p><br/></p><p><strong>A flor nasceu na rua,</strong></p><p><strong>no asfalto, no chão sem poeira.</strong></p><p><strong>Era uma flor feia, sem perfume, mas era uma flor.</strong></p><p><strong>Abri os olhos, não vi nada.</strong></p><p><strong>O mundo estava em trevas.</strong></p><p><strong>A esperança morreu, a fé esmoreceu. </strong></p><p><strong>Só me restou a náusea.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Mas a flor insiste em viver,</strong></p><p><strong>em crescer, em florecer.</strong></p><p><strong>Ela é o milagre, a resistência,</strong></p><p><strong>a vida que não cede à morte.</strong></p><p><br/></p><p><strong>E eu, que já não tinha mais forças,</strong></p><p><strong>nem razões para lutar,</strong></p><p><strong>olho para a flor e me pergunto:</strong></p><p><strong>será que a vida ainda vale a pena?</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:14:07 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Consolo na Pedra</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531526987</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>O meu consolo é a pedra.</strong></p><p><strong>Não tem lágrimas, não tem voz.</strong></p><p><strong>Não tem memória, não tem nós.</strong></p><p><strong>É dura, fria, silenciosa.</strong></p><p><br/></p><p><strong>A pedra não julga, não condena.</strong></p><p><strong>Não promete, não ilude.</strong></p><p><strong>Não sente dor, não tem pena.</strong></p><p><strong>É a verdade nua, rude.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Nela me deito, nela me perco.</strong></p><p><strong>Nela descanso meu olhar.</strong></p><p><strong>É o fim da viagem, o porto,</strong></p><p><strong>o abrigo para o cansaço de amar.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Ah, pedra, minha irmã,</strong></p><p><strong>minha velha amiga,</strong></p><p><strong>ensina-me a paz, a calma,</strong></p><p><strong>a força que não abriga.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:16:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Elegia do Mar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531532438</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>O mar, que eu amei e que hoje esqueço,</strong></p><p><strong>guarda meu segredo, meu desejo.</strong></p><p><strong>As ondas, as algas, os navios que passam,</strong></p><p><strong>levam consigo um pouco do que eu teço.</strong></p><p><br/></p><p><strong>É a vida que se perde, que se desfaz,</strong></p><p><strong>no horizonte azul, sem fim, sem paz.</strong></p><p><strong>O mar é um espelho que não reflete</strong></p><p><strong>o olhar que se afoga, a dor que me invade.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Os peixes nadam, os pássaros voam,</strong></p><p><strong>e eu, na areia, sozinho, me consumo.</strong></p><p><strong>O vento traz lembranças, murmura nomes,</strong></p><p><strong>e o sal da lágrima se mistura ao espuma.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Ah, mar, meu velho amigo, meu eterno algoz,</strong></p><p><strong>que levas contigo meus sonhos, meus medos.</strong></p><p><strong>Deixa-me um pouco de azul, um pouco de voz,</strong></p><p><strong>para que eu não me perca nos teus segredos.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:22:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Castro Alves (1847-1871)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531536804</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:27:37 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Baile na Flor</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531539990</link>
         <description><![CDATA[<p>QUE BELAS as margens do rio possante,<br>Que ao largo espumante campeia sem par!<br>Ali das bromélias nas flores doiradas<br>Há silfos e fadas, que fazem seu lar...<br>E, em lindos cardumes,<br>Sutis vaga-lumes<br>Acendem os lumes<br>Pra o baile na flor.<br>E então — nas arcadas<br>Das pet’las doiradas,<br><strong><br></strong>Os grilos em festa<br>Começam na orquesta<br>Febris a tocar...<br>E as breves<br>Falenas<br>Vão leves,<br>Serenas,<br>Em bando<br>Girando,<br>Valsando,<br>Voando<br>No ar! ...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:31:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Crepúsculo Sertanejo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531540525</link>
         <description><![CDATA[<p>A tarde morria! Nas águas barrentas<br>As sombras das margens deitavam-se longas;<br>Na esguia atalaia das árvores secas<br>Ouvia-se um triste chorar de arapongas.<br><br>A tarde morria! Dos ramos, das lascas,<br>Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,<br>As trevas rasteiras com o ventre por terra<br>Saíam, quais negros, cruéis leopardos.<br><br>A tarde morria! Mais funda nas águas<br>Lavava-se a galha do escuro ingazeiro...<br>Ao fresco arrepio dos ventos cortantes<br>Em músico estalo rangia o coqueiro.<br><br>Sussurro profundo! Marulho gigante!<br>Tal vez um silêncio!... Tal vez uma orquestra...<br>Da folha, do cálix, das asas, do inseto ...<br>Do átomo à estrêla... do verme - à floresta!...<br><br>As garças metiam o bico vermelho<br>Por baixo das asas - da brisa ao açoite;<br>E a terra na vaga de azul do infinito<br>Cobria a cabeça coas penas da noite!<br><br>Somente por vezes, dos jungles das bordas<br>Dos golfos enormes daquela paragem,<br>Erguia a cabeça surpreso, inquieto,<br>Coberto de limos - um touro selvagem.<br><br>Então as marrecas, em torno boiando,<br>O vôo encurvavam medrosas, à toa...<br>E o tímido bando pedindo outras praias<br>Passava gritando por sobre a canoa!...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:32:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Volta da Primavera
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531542594</link>
         <description><![CDATA[<p><em>Aime, et tu renaítras; fais-toi fleur pour éclore,<br>Après avoir souffert, il faut souffrir encore;<br>Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.<br>A. DE MUSSET</em><br><br>AI! Não maldigas minha fronte pálida,<br>E o peito gasto ao referver de amores.<br>Vegetam louros — na caveira esquálida<br>E a sepultura se reveste em flores.<br><br>Bem sei que um dia o vendaval da sorte<br>Do mar lançou-me na gelada areia.<br>Serei... que importa? o D. Juan da morte<br>Dá-me o teu seio — e tu serás Haidéia!<br><br>Pousa esta mão — nos meus cabelos úmidos!...<br>Ensina à brisa ondulações suaves!<br>Dá-me um abrigo nos teus seios túmidos!<br>Fala!... que eu ouço o pipilar das aves!<br><br>Já viste às vezes, quando o sol de maio<br>Inunda o vale, o matagal e a veiga?<br>Murmura a relva: "Que suave raio!"<br>Responde o ramo: "Como a luz é meiga!"<br><br>E, ao doce influxo do clarão do dia,<br>O junco exausto, que cedera à enchente,<br>Levanta a fronte da lagoa fria...<br>Mergulha a fronte na lagoa ardente ...<br><br>Se a natureza apaixonada acorda<br>Ao quente afago do celeste amante,<br>Diz!... Quando em fogo o teu olhar transborda,<br>Não vês minhalma reviver ovante?<br><br>É que teu riso me penetra nalma —<br>Como a harmonia de uma orquestra santa —<br>É que teu riso tanta dor acalma...<br>Tanta descrença!... Tanta angústia!... Tanta!<br><br>Que eu digo ao ver tua celeste fronte,<br>"O céu consola toda dor que existe.<br>Deus fez a neve — para o negro monte!<br>Deus fez a virgem — para o bardo triste!"</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:35:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Voluntário do Sertão</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531543681</link>
         <description><![CDATA[<p><em>(FRAGMENTO)</em></p><p><br/></p><p>ERA AO CAIR do sol no viso das montanhas!</p><p>Era ao chegar da noite as legiões estranhas. . .,</p><p><br/></p><p>Ao farfalhar das sombras — a tribo sussurrante —</p><p>Aves da escuridão que descem do levante.</p><p><br/></p><p>Do vale no turíbulo embala-se a neblina...</p><p>Soam no bosque as harpas em trêmula surdina.</p><p><br/></p><p>Como nas mãos do padre, o monte que transluz</p><p>No braço ergue o sol — hóstia imensa de luz.</p><p><br/></p><p>Ouve-se um desdobrar de telas e de véus...</p><p>No espaço arma-se a noite —a tenda azul de Deus.</p><p><br/></p><p>Era ao cair do sol! Por íngreme caminho</p><p>Em fundo refletir, a galopar sozinho,</p><p><br/></p><p>Eu subia de um cerro o cimo alcantilado</p><p>Donde melhor se avista a aldeia... o campo... o prado.</p><p><br/></p><p>Ali a Pronta Aguda o espaço invade franca!</p><p>Ergue-se calcinada ao longe a Pedra Branca.</p><p><br/></p><p>Lá vai monte após monte... o olhar vaga perdido</p><p>Nessas ondas titães de um mar arrefecido ...</p><p><br/></p><p>Que outrora as sacudiu como bordas macedônicas</p><p>Ao estridor das forças ignívomas, plutônicas,</p><p><br/></p><p>Quando ainda a lutar rebelde alçava um combro</p><p>De um ciclone tombado a mão o braço o ombro!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:36:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Queima</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531545700</link>
         <description><![CDATA[<p>MEU NOBRE perdigueiro! vem comigo.<br>Vamos a sós, meu corajoso amigo,<br>Pelos ermos vagar!<br>Vamos Já dos gerais, que o vento açoita,<br>Dos verdes capinais nagreste moita<br>A perdiz levantar!...<br><br>Mas não!... Pousa a cabeça em meus joelhos...<br>Aqui, meu cão! ... Já de listrões vermelhos<br>O céu se iluminou.<br>Eis súbito da barra do ocidente,<br>Doudo, rubro, veloz, incandescente,<br>O incêndio que acordou!<br><br>A floresta rugindo as comas curva...<br>As asas foscas o gavião recurva,<br>Espantado a gritar.<br>O estampido estupendo das queimadas<br>Se enrola de quebradas em quebradas,<br>Galopando no ar.<br><br>E a chama lavra qual jibóia informe,<br>Que, no espaço vibrando a cauda enorme,<br>Ferra os dentes no chão...<br>Nas rubras roscas estortega as matas....<br>Que espadanam o sangue das cascatas<br>Do roto coração!...<br><br>O incêndio — leão ruivo, ensangüentado,<br>A juba, a crina atira desgrenhado<br>Aos pampeiros dos céus!...<br>Travou-se o pugilato e o cedro tomba...<br>Queimado..., retorcendo na hecatomba<br>Os braços para Deus.<br><br>A queimada! A queimada é uma fornalha!<br>A irara — pula; c cascavel — chocalha...<br>Raiva, espuma o tapir!<br>... E às vezes sobre o cume de um rochedo<br>A corça e o tigre — náufragos do medo —<br>Vão trêmulos se unir !<br><br>Então passa-se ali um drama augusto...<br>Núitimo ramo do pau-darco adusto<br>O jaguar se abrigou...<br>Mas rubro é o céu... Recresce o fogo em mares...<br>E após tombam as selvas seculares...<br>E tudo se acabou!...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 02:38:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O São Francisco</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531563893</link>
         <description><![CDATA[<p>LONGE, bem longe, dos cantões bravios,<br>Abrindo em alas os barrancos fundos;<br>Dourando o colo aos perenais estios,<br>Que o sol atira nos modernos mundos;<br>Por entre a grita dos ferais gentios,<br>Que acampam sob os palmeirais profundos;<br>Do São Francisco a soberana vaga<br>Léguas e léguas triunfante alaga!<br><br>Antemanhã, sob o sendal da bruma,<br>Ele vagia na vertente ainda,<br>— Linfa amorosa — coa nitente espuma<br>Orlava o seio da Mineira linda;<br>Ao meio-dia, quando o solo fuma<br>Ao bafo morto de lia calma infinda,<br>Viram-no aos beijos, delamber demente<br>As rijas formas da cabocla ardente.<br><br>Insano amante! Não lhe mata o fogo<br>O deleite da indígena lasciva...<br>Vem — à busca talvez de desafogo<br>Bater à porta da Baiana altiva.<br>Nas verdes canas o gemente rogo<br>Ouve-lhe à tarde a tabaroa esquiva...<br>E talvez por magia à luz da lua<br>Mole a criança na caudal flutua.<br><br>Rio soberbo! Tuas águas turvas<br>Por isso descem lentas, peregrinas...<br>Adormeces ao pé das palmas curvas<br>Ao músico chorar das casuarinas!<br>Os poldros soltos — retesando as curvas, —<br>Ao galope agitando as longas crinas,<br>Rasgam alegres — relinchando aos ventos —<br>De tua vaga os turbilhões barrentos.<br><br>E tu desces, ó Nilo brasileiro,<br>As largas ipueiras alagando,<br>E das aves o coro alvissareiro<br>Vai nas balças teu hino modilhando!<br>Como pontes aéreas — do coqueiro<br>Os cipós escarlates se atirando,<br>De grinaldas em flor tecendo a arcada<br>São arcos triunfais de tua estrada!...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:01:26 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cecília Meireles (1901-1964)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531566287</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:05:13 UTC</pubDate>
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         <title>A chuva chove</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531567241</link>
         <description><![CDATA[<p>A chuva chove mansamente... como um sono</p><p>Que tranquilize, pacifique, resserene...</p><p>A chuva chove mansamente... Que abandono!</p><p>A chuva é a música de um poema de Verlaine...</p><p><br/></p><p>E vem-me o sonho de uma véspera solene,</p><p>Em certo paço, já sem data e já sem dono...</p><p>Véspera triste como a noite, que envenene</p><p><br/></p><p>... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,</p><p>Com muita névoa pelos ombros da montanha...</p><p>Paço de imensos corredores espectrais,</p><p><br/></p><p>Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,</p><p>Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,</p><p>Revira in-fólios, cancioneiros e missais...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:06:29 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Pescaria</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531567583</link>
         <description><![CDATA[<p>Cesto de peixes no chão.</p><p>Cheio de peixes, o mar.</p><p>Cheiro de peixe pelo ar.</p><p>E peixes no chão.</p><p><br/></p><p>Chora a espuma pela areia,</p><p>na maré cheia.</p><p><br/></p><p>As mãos do mar vêm e vão,</p><p>as mãos do mar pela areia</p><p>onde os peixes estão.</p><p><br/></p><p>As mãos do mar vêm e vão,</p><p>em vão.</p><p>Não chegarão</p><p>aos peixes do chão.</p><p><br/></p><p>Por isso chora, na areia,</p><p>a espuma da maré cheia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:07:01 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Pássaro</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <description><![CDATA[<p>Aquilo que ontem cantava</p><p>já não canta.</p><p>Morreu de uma flor na boca:</p><p>não do espinho na garganta.</p><p><br/></p><p>Ele amava a água sem sede,</p><p>e, em verdade,</p><p>tendo asas, fitava o tempo,</p><p>livre de necessidade.</p><p><br/></p><p>Não foi desejo ou imprudência:</p><p>não foi nada.</p><p>E o dia toca em silêncio</p><p>a desventura causada.</p><p><br/></p><p>Se acaso isso é desventura:</p><p>ir-se a vida</p><p>sobre uma rosa tão bela,</p><p>por uma tênue ferida.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:07:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Mar absoluto</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531569177</link>
         <description><![CDATA[<p>Foi desde sempre o mar,</p><p>E multidões passadas me empurravam</p><p>como o barco esquecido.</p><p><br/></p><p>Agora recordo que falavam</p><p>da revolta dos ventos,</p><p>de linhos, de cordas, de ferros,</p><p>de sereias dadas à costa.</p><p><br/></p><p>E o rosto de meus avós estava caído</p><p>pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,</p><p>e pelos mares do Norte, duros de gelo.</p><p><br/></p><p>Então, é comigo que falam,</p><p>sou eu que devo ir.</p><p>Porque não há ninguém,</p><p>tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.</p><p><br/></p><p>E tenho de procurar meus tios remotos afogados.</p><p>Tenho de levar-lhes redes de rezas,</p><p>campos convertidos em velas,</p><p>barcas sobrenaturais</p><p>com peixes mensageiros</p><p>e cantos náuticos.</p><p><br/></p><p>E fico tonta.</p><p>acordada de repente nas praias tumultuosas.</p><p>E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.</p><p>"Para adiante! Pelo mar largo!</p><p>Livrando o corpo da lição da areia!</p><p>Ao mar! - Disciplina humana para a empresa da vida!"</p><p>Meu sangue entende-se com essas vozes poderosas.</p><p>A solidez da terra, monótona,</p><p>parece-mos fraca ilusão.</p><p>Queremos a ilusão grande do mar,</p><p>multiplicada em suas malhas de perigo.</p><p><br/></p><p>Queremos a sua solidão robusta,</p><p>uma solidão para todos os lados,</p><p>uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo,</p><p>e faz o tempo inteiriço, livre das lutas de cada dia.</p><p><br/></p><p>O alento heróico do mar tem seu pólo secreto,</p><p>que os homens sentem, seduzidos e medrosos.</p><p><br/></p><p>O mar é só mar, desprovido de apegos,</p><p>matando-se e recuperando-se,</p><p>correndo como um touro azul por sua própria sombra,</p><p>e arremetendo com bravura contra ninguém,</p><p>e sendo depois a pura sombra de si mesmo,</p><p>por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.</p><p><br/></p><p>Não precisa do destino fixo da terra,</p><p>ele que, ao mesmo tempo,</p><p>é o dançarino e a sua dança.</p><p><br/></p><p>Tem um reino de metamorfose, para experiência:</p><p>seu corpo é o seu próprio jogo,</p><p>e sua eternidade lúdica</p><p>não apenas gratuita: mas perfeita.</p><p><br/></p><p>Baralha seus altos contrastes:</p><p>cavalo, épico, anêmona suave,</p><p>entrega-se todos, despreza ritmo</p><p>jardins, estrelas, caudas, antenas, olhos, mas é desfolhado, cego, nu, dono apenas de si,</p><p>da sua terminante grandeza despojada.</p><p><br/></p><p>Não se esquece que é água, ao desdobrar suas visões:</p><p>água de todas as possibilidades,</p><p>mas sem fraqueza nenhuma.</p><p><br/></p><p>E assim como água fala-me.</p><p>Atira-me búzios, como lembranças de sua voz,</p><p>e estrelas eriçadas, como convite ao meu destino.</p><p><br/></p><p>Não me chama para que siga por cima dele,</p><p>nem por dentro de si:</p><p>mas para que me converta nele mesmo. É o seu máximo dom.</p><p>Não me quer arrastar como meus tios outrora,</p><p>nem lentamente conduzida.</p><p>como meus avós, de serenos olhos certeiros.</p><p><br/></p><p>Aceita-me apenas convertida em sua natureza:</p><p>plástica, fluida, disponível,</p><p>igual a ele, em constante solilóquio,</p><p>sem exigências de princípio e fim,</p><p>desprendida de terra e céu.</p><p><br/></p><p>E eu, que viera cautelosa,</p><p>por procurar gente passada,</p><p>suspeito que me enganei,</p><p>que há outras ordens, que não foram ouvidas;</p><p>que uma outra boca falava: não somente a de antigos mortos,</p><p>e o mar a que me mandam não é apenas este mar.</p><p><br/></p><p>Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,</p><p>mas outro, que se parece com ele</p><p>como se parecem os vultos dos sonhos dormidos.</p><p>E entre água e estrela estudo a solidão.</p><p><br/></p><p>E recordo minha herança de cordas e âncoras,</p><p>e encontro tudo sobre-humano.</p><p>E este mar visível levanta para mim</p><p>uma face espantosa.</p><p><br/></p><p>E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.</p><p>E é logo uma pequena concha fervilhante,</p><p>nódoa líquida e instável,</p><p>célula azul sumindo-se</p><p>no reino de um outro mar:</p><p>ah! do Mar Absoluto.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:08:57 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Depois do Sol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531570343</link>
         <description><![CDATA[<p>Fez-se noite com tal mistério,</p><p>Tão sem rumor, tão devagar,</p><p>Que o crepúsculo é como um luar</p><p>Iluminando um cemitério . . .</p><p><br/></p><p>Tudo imóvel . . . Serenidades . . .</p><p>Que tristeza, nos sonhos meus!</p><p>E quanto choro e quanto adeus</p><p>Neste mar de infelicidades!</p><p><br/></p><p>Oh! Paisagens minhas de antanho . . .</p><p>Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .</p><p>— As nuvens passam desiguais,</p><p>Com sonolência de rebanho . . .</p><p><br/></p><p>Seres e coisas vão-se embora . . .</p><p>E, na auréola triste do luar,</p><p>Anda a lua, tão devagar,</p><p>Que parece Nossa Senhora</p><p><br/></p><p>Pelos silêncios a sonhar . . .</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:10:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Noturno</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531570681</link>
         <description><![CDATA[<p>Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa?</p><p>E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte?</p><p><br/></p><p>Que vale o pensamento humano,</p><p>esforçado e vencido,</p><p>na turbulência das horas?</p><p><br/></p><p>Que valem a conversa apenas murmurada,</p><p>a erma ternura, os delicados adeuses?</p><p><br/></p><p>Que valem as pálpebras da tímida esperança,</p><p>orvalhadas de trêmulo sal?</p><p><br/></p><p>O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis,</p><p>no profundo diagrama.</p><p><br/></p><p>E o homem tão inutilmente pensante e pensado</p><p>só tem a tristeza para distingui-lo.</p><p><br/></p><p>Porque havia nas úmidas paragens</p><p>animais adormecidos, com o mesmo mistério humano:</p><p>grandes como pórticos, suaves como veludo,</p><p>mas sem lembranças históricas,</p><p>sem compromissos de viver.</p><p><br/></p><p>Grandes animais sem passado, sem antecedentes,</p><p>puros e límpidos,</p><p>apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos</p><p>e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas</p><p>e na seda longa das crinas desfraldadas.</p><p><br/></p><p>Mas a noite desmanchava-se no oriente,</p><p>cheia de flores amarelas e vermelhas.</p><p>E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes,</p><p>erguiam no ar a vigorosa cabeça,</p><p>e começavam a puxar as imensas rodas do dia.</p><p><br/></p><p>Ah! o despertar dos animais no vasto campo!</p><p>Este sair do sono, este continuar da vida!</p><p>O caminho que vai das pastagens etéreas da noite</p><p>ao claro dia da humana vassalagem!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:11:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>De um Lado Cantava o Sol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531571735</link>
         <description><![CDATA[<p>De um lado cantava o sol,</p><p>do outro, suspirava a lua.</p><p>No meio, brilhava a tua</p><p>face de ouro, girassol!</p><p><br/></p><p>Ó montanha da saudade</p><p>a que por acaso vim:</p><p>outrora, foste um jardim,</p><p>e és, agora, eternidade!</p><p>De longe, recordo a cor</p><p>da grande manhã perdida.</p><p>Morrem nos mares da vida</p><p>todos os rios do amor?</p><p><br/></p><p>Ai! celebro-te em meu peito,</p><p>em meu coração de sal,</p><p>Ó flor sobrenatural,</p><p>grande girassol perfeito!</p><p><br/></p><p>Acabou-se-me o jardim!</p><p>Só me resta, do passado,</p><p>este relógio dourado</p><p>que ainda esperava por mim . . .</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:12:31 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531571735</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O canteiro está molhado</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531572000</link>
         <description><![CDATA[<p>O canteiro está molhado.</p><p>Trarei flores do canteiro,</p><p>Para cobrir o teu sono.</p><p>Dorme, dorme, a chuva desce,</p><p>Molha as flores do canteiro.</p><p>Noite molhada de chuva,</p><p>Sem vento, nem ventania,</p><p>Noite de mar e lembranças..."</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:12:57 UTC</pubDate>
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         <title>Canção de Primavera</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <description><![CDATA[<p>Primavera, primavera,</p><p>já te sinto em todo o ar.</p><p>O perfume da campina</p><p>vem de longe me saudar.</p><p><br/></p><p>Os pássaros cantam hinos</p><p>à alegria de viver.</p><p>As flores abrem seus hinos</p><p>para a vida renascer.</p><p><br/></p><p>Tudo é novo, tudo é festa,</p><p>tudo é luz e cor.</p><p>O coração desperta</p><p>para a dança do amor.</p><p><br/></p><p>Primavera, primavera,</p><p>tão fugaz e tão gentil.</p><p>Leva a tristeza da espera,</p><p>traz a doçura de abril.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:15:00 UTC</pubDate>
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         <title>A Chuva</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531577651</link>
         <description><![CDATA[<p>Cai a chuva miúda, fina.</p><p>O céu se tinge de um cinza profundo.</p><p>Lá fora, a vida se inclina,</p><p>e o silêncio se faz no mundo.</p><p><br/></p><p>Gotas de água na vidraça,</p><p>um canto lento e constante.</p><p>A alma que se desfaça,</p><p>num sonho brando e distante.</p><p><br/></p><p>A chuva lava as árvores, as pedras,</p><p>os telhados, os corações.</p><p>Apaga as mágoas, as sombras,</p><p>dissolve as tensões.</p><p><br/></p><p>E quando a chuva passa,</p><p>deixa no ar um cheiro de terra.</p><p>A esperança que renasce,</p><p>a paz que a vida encerra.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:21:09 UTC</pubDate>
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         <title>Canção</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531578486</link>
         <description><![CDATA[<p>Pus o meu sonho num navio</p><p>e o navio em cima do mar;</p><p>- depois, abri o mar com as mãos,</p><p>para o meu sonho naufragar</p><p><br/></p><p>Minhas mãos ainda estão molhadas</p><p>do azul das ondas entreabertas,</p><p>e a cor que escorre de meus dedos</p><p>colore as areias desertas.</p><p><br/></p><p>O vento vem vindo de longe,</p><p>a noite se curva de frio;</p><p>debaixo da água vai morrendo</p><p>meu sonho, dentro de um navio...</p><p><br/></p><p>Chorarei quanto for preciso,</p><p>para fazer com que o mar cresça,</p><p>e o meu navio chegue ao fundo</p><p>e o meu sonho desapareça.</p><p><br/></p><p>Depois, tudo estará perfeito;</p><p>praia lisa, águas ordenadas,</p><p>meus olhos secos como pedras</p><p>e as minhas duas mãos quebradas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:22:19 UTC</pubDate>
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         <title>Canção do Viajante</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531579206</link>
         <description><![CDATA[<p>Onde estou? Que caminho</p><p>Hei de seguir? Por que</p><p>A saudade me aperta</p><p>E a voz me quer morrer?</p><p><br/></p><p>Não vejo o meu país,</p><p>Não vejo a pátria amada.</p><p>Só vejo a longa estrada,</p><p>Por mim trilhada, sem fim.</p><p><br/></p><p>E o peito bate, e a alma geme,</p><p>Por ti, oh terra, que deixei!</p><p>Por ti, oh lar, que um dia tive,</p><p>Por ti, oh amor, que amei!</p><p><br/></p><p>Cansado, enfermo, solitário,</p><p>Vagueio sem ter um abrigo.</p><p>Apenas o meu calvário,</p><p>Apenas meu triste fado comigo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:23:29 UTC</pubDate>
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         <title>Canção para Navegar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531580879</link>
         <description><![CDATA[<p>Para que o mar seja mar,</p><p>para que o vento seja vento,</p><p>para que a vela seja vela,</p><p>e o barco vá, sem tormento.</p><p><br/></p><p>Para que o caminho seja caminho,</p><p>para que a vida seja vida,</p><p>para que o sonho seja sonho,</p><p>e a alma seja colorida.</p><p><br/></p><p>Para que a mão seja mão,</p><p>para que o olhar seja olhar,</p><p>para que o amor seja amor,</p><p>e o coração possa amar.</p><p><br/></p><p>Para que a terra seja terra,</p><p>para que o céu seja céu,</p><p>para que o silêncio seja silêncio,</p><p>e o mistério tenha seu véu.</p><p><br/></p><p>Para que a paz seja paz,</p><p>para que a luz seja luz,</p><p>para que o tudo seja tudo,</p><p>e a eternidade nos conduz.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:26:11 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Canção III</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531581247</link>
         <description><![CDATA[<p>Que ninguém me leve deste chão,</p><p>que ninguém me tire deste mar,</p><p>que ninguém me arranque do coração</p><p>o desejo de amar.</p><p><br/></p><p>Que a vida seja leve,</p><p>que o sonho seja brando,</p><p>que o tempo se revele</p><p>e o amor continue cantando.</p><p><br/></p><p>E se o fim chegar,</p><p>e a sombra me encontrar,</p><p>que eu possa me deitar</p><p>no silêncio do mar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:26:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531582978</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:29:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>VIII (Sonetos) Este é o rio</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531584448</link>
         <description><![CDATA[<p>Este é o rio, a montanha é esta,</p><p>Estes os troncos, estes os rochedos;</p><p>São estes inda os mesmos arvoredos;</p><p>Esta é a mesma rústica floresta.</p><p><br/></p><p>Tudo cheio de horror se manifesta,</p><p>Rio, montanha, troncos, e penedos;</p><p>Que de amor nos suavíssimos enredos</p><p>Foi cena alegre, e urna é já funesta.</p><p><br/></p><p>Oh quão lembrado estou de haver subido</p><p>Aquele monte, e às vezes, que baixando</p><p>Deixei do pranto o vale umedecido!</p><p><br/></p><p>Tudo me está a memória retratando;</p><p>Que da mesma saudade o infame ruído</p><p>Vem as mortas espécies despertando.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:31:52 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Conceição Evaristo (1946)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531586938</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:36:04 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Na esperança, o homem</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531587231</link>
         <description><![CDATA[<p>Da cabeceira do rio, as águas viajantes</p><p>não desistem do percurso. Sonham.</p><p>A seca explode no leito vazio.</p><p>e a pele enrugada da terra seca e</p><p>sonha.</p><p><br></p><p>O barco espera.</p><p>O sábio contemplativo aguarda.</p><p>O homem, ao peso de qualquer lenho,</p><p>Não se curva. Sonha.</p><p><br></p><p>Sonha e faz.</p><p>com o suor de seu rosto,</p><p>com a água de seus olhos,</p><p>com a fluidez de sua alma,</p><p>cospe e cospe no solo</p><p>amolecendo a pedra bruta.</p><p><br></p><p>Faz e sonha.</p><p>E no outro dia, no amanhã de muitos</p><p>outros dias, a vida ressurge fértil,</p><p>úmida, alimentada pelo seu hálito.</p><p>E que venham todas as secas, o homem esperançoso</p><p>há de vencer.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:36:33 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cora Coralina (1889-1985)

</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531590001</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:41:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Poema das Pedras</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531593186</link>
         <description><![CDATA[<p>Sou feita de pedras.</p><p>Pedra do caminho,</p><p>Pedra do rio,</p><p>Pedra do muro,</p><p>Pedra do moinho.</p><p><br/></p><p>Sou feita de pedras.</p><p>Pedra que rola,</p><p>Pedra que fica,</p><p>Pedra que espera,</p><p>Pedra que indica.</p><p><br/></p><p>Sou feita de pedras.</p><p>Pedra que resiste,</p><p>Pedra que quebra,</p><p>Pedra que existe,</p><p>Pedra que vibra.</p><p><br/></p><p>Sou feita de pedras.</p><p>Das pedras de minha casa,</p><p>Das pedras de minha rua,</p><p>Das pedras que a vida me lança,</p><p>E das pedras de minha alma nua.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:46:06 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Cântico da Terra</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531593818</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu sou a terra, eu sou a vida.</p><p>Do meu barro primeiro veio o homem.</p><p>De mim veio a mulher e veio o amor.</p><p>Veio a árvore, veio a fonte.</p><p>Vem o fruto e vem a flor.</p><p><br/></p><p>Eu sou a fonte original de toda vida.</p><p>Sou o chão que se prende à tua casa.</p><p>Sou a telha da coberta de teu lar.</p><p>A mina constante de teu poço.</p><p>Sou a espiga generosa de teu gado</p><p>e certeza tranqüila ao teu esforço.</p><p>Sou a razão de tua vida.</p><p>De mim vieste pela mão do Criador,</p><p>e a mim tu voltarás no fim da lida.</p><p>Só em mim acharás descanso e Paz.</p><p><br/></p><p>Eu sou a grande Mãe Universal.</p><p>Tua filha, tua noiva e desposada.</p><p>A mulher e o ventre que fecundas.</p><p>Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.</p><p><br/></p><p>A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.</p><p>Teu arado, tua foice, teu machado.</p><p>O berço pequenino de teu filho.</p><p>O algodão de tua veste</p><p>e o pão de tua casa.</p><p><br/></p><p>E um dia bem distante</p><p>a mim tu voltarás.</p><p>E no canteiro materno de meu seio</p><p>tranqüilo dormirás.</p><p><br/></p><p>Plantemos a roça.</p><p>Lavremos a gleba.</p><p>Cuidemos do ninho,</p><p>do gado e da tulha.</p><p>Fartura teremos</p><p>e donos de sítio</p><p>felizes seremos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:47:15 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Trem de Gado</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531594442</link>
         <description><![CDATA[<p>E as boiadas vêm descendo do sertão!<br>Safra, entressafra...<br>Mato Grosso. Minas. Goiás.<br>Caminhos recruzados. Pousos espalhados.<br>Estradas boiadeiras. Aguada...<br>Pastos e gerais.<br>Cerrados. Cerradões.<br>Compáscuos...<br>Cercados. Aramados.<br>Corredores.<br>Nhecolândia. Pantanal.<br>Cochim.<br>Campos de Vacaria. Dourados. Maracaju.<br>Rio Verde.<br>Santana do Paranaíba. Serras do Amambaí.<br>Criatório...<br>Boiadeiros. Fazendeiros.<br>Comissários. Criadores.<br>Invernistas. Recria.<br>Trem de gado ronceiro...<br>jogando, gingando<br>nos cilindros, nos pistões, nas bielas e nos truques.<br>Rangendo, chocalhando,<br>estrondando nas ferragens.<br><br>(...)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 03:48:24 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Floresce </title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531611031</link>
         <description><![CDATA[<p><em>Últimos Sonetos</em></p><p><br/></p><p>Floresce, vive para a Natureza,</p><p>para o Amor imortal, largo e profundo.</p><p>O Bem supremo de esquecer o mundo</p><p>reside nessa límpida grandeza.</p><p><br/></p><p>Floresce para a Fé, para a Beleza</p><p>da Luz, que é como um vasto mar sem fundo,</p><p>amplo, inflamado, mágico, fecundo,</p><p>de ondas de resplendor e de pureza.</p><p><br/></p><p>Andas em vão na Terra, apodrecendo</p><p>à toa pelas trevas, esquecendo,</p><p>a Natureza e os seus aspectos calmos.</p><p><br/></p><p>Diante da luz que a Natureza encerra</p><p>andas a apodrecer por sobre a Terra,</p><p>antes de apodrecer nos sete palmos!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:12:34 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cruz e Sousa (1861-1898)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531611838</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:13:57 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Flor do Mar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531612390</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>És da origem do mar, vens do secreto,</strong></p><p><strong>Do estranho mar espumaroso e frio</strong></p><p><strong>Que põe rede de sonhos ao navio</strong></p><p><strong>E o deixa balouçar, na vaga, inquieto.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Possuis do mar o deslumbrante afecto</strong></p><p><strong>As dormencias nervosas e o sombrio</strong></p><p><strong>E torvo aspecto aterrador, bravio</strong></p><p><strong>Das ondas no atro e proceloso aspecto.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Num fundo ideal de púrpuras e rosas</strong></p><p><strong>Surges das águas mucilaginosas</strong></p><p><strong>Como a lua entre a névoa dos espaços...</strong></p><p><br/></p><p><strong>Trazes na carne o eflorescer das vinhas,</strong></p><p><strong>Auroras, virgens musicas marinhas</strong></p><p><strong>Acres aromas de algas e sargaços...</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:14:49 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Sinfonias do Ocaso</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531613964</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Musselinosas como brumas diurnas</strong></p><p><strong>Descem do Ocaso as sombras harmoniosas,</strong></p><p><strong>Sombras veladas e musselinosas</strong></p><p><strong>Para as profundas solidões noturnas.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Sacrários virgens, sacrossantas urnas,</strong></p><p><strong>Os céus resplendem de sidéreas rosas,</strong></p><p><strong>Da Lua e das Estrelas majestosas</strong></p><p><strong>Iluminando a escuridão das furnas.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Ah! por estes sinfônicos ocasos</strong></p><p><strong>A terra exala aromas de áureos vasos,</strong></p><p><strong>Incenso de turíbulos divinos.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Os plenilúnios mórbidos vaporam</strong></p><p><strong>E como que no Azul plangem e choram</strong></p><p><strong>Cítaras, harpas, bandolins, violinos.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:16:27 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>No Campo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531614245</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Acordo de manhã cedo.</strong></p><p><strong>Da luz aos doces carinhos:</strong></p><p><strong>Que rosas pelos caminhos!</strong></p><p><strong>Que rumor pelo arvoredo!</strong></p><p><br/></p><p><strong>Para o azul</strong></p><p><strong>Do céu, o meu olhar se estende.</strong></p><p><strong>O sol, no seu fulgor, se acende,</strong></p><p><strong>E o campo, que beleza!</strong></p><p><br/></p><p><strong>Pelo arvoredo o vento brando</strong></p><p><strong>Passa, e as folhas vão cantando</strong></p><p><strong>A melodia da floresta.</strong></p><p><br/></p><p><strong>E a alma, que se desabrocha,</strong></p><p><strong>Sente a vida que se aprocha</strong></p><p><strong>Na paz que o campo lhe empresta.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:16:53 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Dora Ferreira da Silva (1918-2006)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531614818</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:17:48 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Mulher e Pássaro</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531616373</link>
         <description><![CDATA[<p>Linha invisível</p><p>liga-me àquela andorinha:</p><p>tato percorrendo</p><p>um trajeto</p><p>de comunhão. O pássaro</p><p>debate-se em meu peito.</p><p>Ou coração? A andorinha</p><p>se esvai na tarde. Leva consigo</p><p>o que não sei de mim.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:19:58 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Elegia dos Golfinhos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531617113</link>
         <description><![CDATA[<p>Viu (porque só ver podia)</p><p>sem interferir: eles feriam</p><p>o cardume denso dos golfinhos, armadura azulada</p><p>protegendo atuns. Eram estes o alvo cobiçado</p><p>para as latarias de consumo. Tudo servia</p><p>aos velhacos: matemática, um navio branco</p><p>— noivo da Morte —, redes atiradas</p><p>em círculo perfeito e nefasto perto do cardume.</p><p>Tiros ecoavam no ar, encapelando</p><p>a ordem bela dos golfinhos no caos turbilhonante.</p><p>Aprisionados, eles se contorciam em desespero.</p><p><br/></p><p>Lamentem-se os coros sagrados de Netuno</p><p>acorram Nereidas, Anfitrite em lágrimas com</p><p>seus cavalos marinhos em torno das malévolas mandalas</p><p>de redes sobre o mar. Ó Nova Idade, não vês tantas</p><p>formas desfeitas, não vês que o rei Midas</p><p>tudo transforma agora no ouro do negócio?</p><p>Os golfinhos tranqüilos começam a morder.</p><p>Ah, cascata iridiscente no limiar da morte</p><p>em dança fúnebre! É o anti-Cristo no coração dos homens,</p><p>o usurpador, o peixe voltado para a esquerda, involutivo.</p><p><br/></p><p>Mercância vil contaminando cabeças</p><p>e corações! Vociferem as pitonisas</p><p>de cabelos soltos, pálpebras emaciadas!</p><p>São os golfinhos os novos educadores</p><p>com sua graça natural, com sua dança</p><p>que a morte não detém. Eles propõem música.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:20:48 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Valsas de Esquina de Mignone</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531617455</link>
         <description><![CDATA[<p>Só um pássaro</p><p>e seu peso de orvalho tocando</p><p>o chão como se foram teclas.</p><p>Passa onde a graça</p><p>ilumina a cidade de ferro</p><p>subitamente atenta a essa beleza.</p><p><br/></p><p>Nos jardins teimam rosas</p><p>delicadamente.</p><p>Violetas africanas</p><p>salpicam de ouro</p><p>muros escuros</p><p>e as princesas purpúreas</p><p>espiam dos balcões verdes</p><p>nas paredes florescidas:</p><p>dançam pétalas</p><p>dança a vida</p><p>nos jardins contentes</p><p>não termina a partitura</p><p>que se repete</p><p>sempre.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:21:24 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ao Sol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531621784</link>
         <description><![CDATA[<p>Naufragas na noite</p><p>em pompas de luz e imensidade</p><p>todo germe palpita na semente</p><p>e da nova manhã ressurges</p><p>clara divindade</p><p>nua a carnação sob o manto escarlate.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:28:23 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cidade</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531622297</link>
         <description><![CDATA[<p>Aqui se cava um túnel:</p><p>poço sem água, serpente do vazio.</p><p>Passos na terra negra.</p><p>Homens golpeiam, dorso arqueado,</p><p>braços de veia túmidas.</p><p>O mundo se aperta, a vida engorda,</p><p>muito. A erva insiste nas frestas,</p><p>no capim nascem estrelas de ouro.</p><p>Dois velhos serram um tronco,</p><p>longo trabalho, um de cada lado.</p><p>No espaço, a mesma lua, magro perfil.</p><p>Gente rente ao chão, tristeza nos farrapos.</p><p>Faróis ferem a tarde que se abate.</p><p>Iminente a noite e as frias luzes</p><p>de tantas possíveis palavras.</p><p>Silêncio: muda é a melancolia e sua ronda.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:29:10 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Chuva</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531622925</link>
         <description><![CDATA[<p>Estendida a mão,</p><p>obrigou-te a chuva</p><p>a ser quem és:</p><p>a do relento,</p><p>em vésperas,</p><p>pássaro de beira</p><p>o pulo no ar</p><p>realçando o instante.</p><p>A chuva te abrigou,</p><p>em concha a palma cheira</p><p>de estrias,</p><p>marcando a terra</p><p>a que pertences.</p><p>Sua fome devorou-te</p><p>o excesso</p><p>e batizou-te: única.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:29:58 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Música III</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531623370</link>
         <description><![CDATA[<p>Várias espécies de canto:</p><p>o outono rompe o fruto,</p><p>sementes se constelam.</p><p>Trilam oblíquos três pássaros.</p><p>Pulsando o coração à sombra:</p><p>o passado aflora,</p><p>brilha o presente num ímpeto</p><p>mais claro.</p><p>Tantas bocas cantando</p><p>num sol futuro.</p><p>No reverso do canto</p><p>que vibra, na hora,</p><p>mergulha calada um raiz</p><p>profunda.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:30:40 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Noturno II</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531624412</link>
         <description><![CDATA[<p>Nossos olhos nos pertencem —</p><p>não o dia.</p><p>Amor não nos pertence</p><p>nem a morte.</p><p>Apenas pousam na pérola mais fina.</p><p>Desce o luar</p><p>No flanco de rios precipitados</p><p>folhas se alongam</p><p>caules estremecem.</p><p><br/></p><p>A noite já desfere</p><p>seu punhal de trevas.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:32:25 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Maduro Para o Canto</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531624875</link>
         <description><![CDATA[<p>Maduro para o canto</p><p>vertes, cântaro,</p><p>a água pura</p><p>e suas sete cores</p><p>unindo lago e lago.</p><p>Barco em flor</p><p>rio correndo da prece</p><p>promessa em silêncio</p><p>da messe.</p><p><br/></p><p>Sem pressa</p><p>o agapanto floresce.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:33:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Ferreira Gullar (1930-2016)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531628775</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:38:29 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Trabalho das Nuvens</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531629855</link>
         <description><![CDATA[<p>Olha as nuvens.</p><p>Não são todas iguais.</p><p>Umas são brancas, outras escuras.</p><p>Umas passam depressa,</p><p>outras ficam horas no mesmo lugar.</p><p>Umas parecem algodão,</p><p>outras parecem fumaça.</p><p>Umas formam figuras,</p><p>outras são só manchas no azul.</p><p><br/></p><p>Mas todas, sem exceção,</p><p>estão fazendo um trabalho.</p><p>Estão carregando a chuva,</p><p>estão mudando de forma,</p><p>estão preparando o céu</p><p>para o sol que virá.</p><p><br/></p><p>Como as nuvens,</p><p>nós também estamos sempre</p><p>em movimento,</p><p>sempre mudando,</p><p>sempre trabalhando.</p><p>Mesmo quando parados,</p><p>estamos por dentro nos transformando.</p><p><br/></p><p>Somos como as nuvens,</p><p>que não sabem para onde vão,</p><p>mas vão.</p><p>Não sabem o que fazem,</p><p>mas fazem.</p><p>Não sabem que são,</p><p>mas são.</p><p><br/></p><p>E é desse não saber</p><p>que nasce a beleza</p><p>e o mistério da vida,</p><p>o trabalho invisível</p><p>que nos leva e nos traz,</p><p>que nos faz ser e vir a ser.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:40:11 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Recado</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531630659</link>
         <description><![CDATA[<p>Não te desejo mal,</p><p>não desejo que o mal te venha.</p><p>Desejo que a vida te seja</p><p>o que for, mas que seja.</p><p><br/></p><p>Que haja sol e que haja chuva.</p><p>Que haja pão e que haja fome.</p><p>Que haja amor e que haja ódio.</p><p>Que haja calma e que haja assombro.</p><p><br/></p><p>Não te desejo a morte,</p><p>não desejo que ela te alcance.</p><p>Desejo que vivas, que a mão</p><p>segure a outra mão.</p><p><br/></p><p>Que a noite não seja mais que a noite.</p><p>Que o dia não seja mais que o dia.</p><p>Que o coração te bata,</p><p>sempre, e te mantenha</p><p>vivo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:41:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Meu povo, meu poema</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531631080</link>
         <description><![CDATA[<p>Meu povo, meu poema</p><p>não me representa</p><p>nem me convence</p><p>que minha gente é tão desvalida</p><p>quanto se pensa.</p><p><br/></p><p>Meu povo, meu poema</p><p>não tem corpo,</p><p>não tem nome,</p><p>não tem nada.</p><p>Só a força</p><p>de quem caminha,</p><p>a mão que planta,</p><p>a boca que canta,</p><p>a alma que espera.</p><p><br/></p><p>Meu povo, meu poema</p><p>está em toda parte.</p><p>No sertão e na cidade.</p><p>No morro e no asfalto.</p><p>Na escola e na fábrica.</p><p>Na dor e na alegria.</p><p><br/></p><p>Meu povo, meu poema</p><p>é a coragem</p><p>de quem não se dobra,</p><p>a luta de quem não desiste,</p><p>a fé de quem acredita.</p><p><br/></p><p>Meu povo, meu poema</p><p>é o grito</p><p>que rompe o silêncio,</p><p>a voz que não se cala,</p><p>a luz que ilumina</p><p>o caminho à frente.</p><p><br/></p><p>Meu povo, meu poema</p><p>é a vida</p><p>que nasce e renasce,</p><p>que resiste e avança,</p><p>que se inventa</p><p>a cada passo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:42:03 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Cheiro da Tangerina</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531632210</link>
         <description><![CDATA[<p>Quando a gente descasca uma tangerina,</p><p>não é só o cheiro da fruta</p><p>que se desprende no ar:</p><p>é a infância que volta,</p><p>a casa da avó,</p><p>o quintal de terra,</p><p>o sol da tarde.</p><p><br/></p><p>É a memória do tempo</p><p>que se desdobra</p><p>em cada gomo,</p><p>em cada fibra branca.</p><p>É a simplicidade da vida,</p><p>o doce e o ácido</p><p>que se misturam.</p><p><br/></p><p>O cheiro da tangerina.</p><p>Uma pequena explosão</p><p>de lembranças,</p><p>um passado que retorna,</p><p>que nos abraça</p><p>com sua doçura e sua força.</p><p><br/></p><p>Quando a gente descasca uma tangerina,</p><p>não é só um fruto o que se come:</p><p>é o tempo que se come,</p><p>o tempo em que se esteve vivo,</p><p>a vida inteira</p><p>que nos volta à boca</p><p>no cheiro, na cor, no sumo,</p><p>nas sementes.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:44:00 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Gonçalves Dias (1823-1864)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531633325</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:45:45 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Canção do Exílio</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531634728</link>
         <description><![CDATA[<p><em>Kennst du das Land, wo die Citronen bluhen,</em></p><p><em>Im dunkeln Laub die Gold-Orangen gluhen?</em></p><p><em>Kennst du es wohl? — Dahin, dahin!</em></p><p><em>Mocht' ich.... ziehn.</em></p><p><em>GOETHE</em></p><p><br/></p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá;</p><p>As aves, que aqui gorjeiam,</p><p>Não gorjeiam como lá.</p><p><br/></p><p>Nosso céu tem mais estrelas,</p><p>Nossas várzeas têm mais flores,</p><p>Nossos bosques têm mais vida,</p><p>Nossa vida mais amores.</p><p><br/></p><p>Em cismar, sozinho, à noite,</p><p>Mais prazer encontro eu lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p><br/></p><p>Minha terra tem primores,</p><p>Que tais não encontro eu cá;</p><p>Em cismar — sozinho, à noite —</p><p>Mais prazer encontro eu lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p><br/></p><p>Não permita Deus que eu morra,</p><p>Sem que eu volte para lá;</p><p>Sem que desfrute os primores</p><p>Que não encontro por cá;</p><p>Sem qu'inda aviste as palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:47:24 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>I-Juca-Pirama</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531635122</link>
         <description><![CDATA[<p>Meu canto de morte,</p><p>Guerreiros, ouvi:</p><p>Sou filho das selvas,</p><p>Nas selvas cresci;</p><p>Guerreiros, descendo</p><p>Da tribo tupi.</p><p><br/></p><p>Da tribo pujante,</p><p>Que agora anda errante</p><p>Por fado inconstante,</p><p>Guerreiros, nasci:</p><p>Sou bravo, sou forte,</p><p>Sou filho do Norte;</p><p>Meu canto de morte,</p><p>Guerreiros, ouvi.</p><p><br/></p><p>(...)</p><p><br/></p><p>Andei longes terras,</p><p>Lidei cruas guerras,</p><p>Vaguei pelas serras</p><p>Dos vis Aimorés;</p><p>Vi lutas de bravos,</p><p>Vi fortes — escravos!</p><p>De estranhos ignavos</p><p>Calcados aos pés.</p><p><br/></p><p>E os campos talados,</p><p>E os arcos quebrados,</p><p>E os piagas coitados</p><p>Já sem maracás;</p><p>E os meigos cantores,</p><p>Servindo a senhores,</p><p>Que vinham traidores,</p><p>Com mostras de paz.</p><p><br/></p><p>Aos golpes do imigo</p><p>Meu último amigo,</p><p>Sem lar, sem abrigo</p><p>Caiu junto a mi!</p><p>Com plácido rosto,</p><p>Sereno e composto,</p><p>O acerbo desgosto</p><p>Comigo sofri.</p><p><br/></p><p>Meu pai a meu lado</p><p>Já cego e quebrado,</p><p>De penas ralado,</p><p>Firmava-se em mi:</p><p>Nós ambos, mesquinhos,</p><p>Por ínvios caminhos,</p><p>Cobertos d'espinhos</p><p>Chegamos aqui!</p><p><br/></p><p>(...)</p><p><br/></p><p>Então, forasteiro,</p><p>Caí prisioneiro</p><p>De um troço guerreiro</p><p>Com que me encontrei:</p><p>O cru dessossego</p><p>Do pai fraco e cego,</p><p>Enquanto não chego,</p><p>Qual seja, — dizei!</p><p><br/></p><p>Eu era o seu guia</p><p>Na noite sombria,</p><p>A só alegria</p><p>Que Deus lhe deixou:</p><p>Em mim se apoiava,</p><p>Em mim se firmava,</p><p>Em mim descansava,</p><p>Que filho lhe sou.</p><p><br/></p><p>Ao velho coitado</p><p>De penas ralado,</p><p>Já cego e quebrado,</p><p>Que resta? — Morrer.</p><p>Enquanto descreve</p><p>O giro tão breve</p><p>Da vida que teve,</p><p>Deixai-me viver!</p><p><br/></p><p>Não vil, não ignavo,</p><p>Mas forte, mas bravo,</p><p>Serei vosso escravo:</p><p>Aqui virei ter.</p><p>Guerreiros, não coro</p><p>Do pranto que choro;</p><p>Se a vida deploro,</p><p>Também sei morrer.</p><p><br/></p><p>(...)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:48:05 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Tempestade</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531635582</link>
         <description><![CDATA[<p>Quem porfiar contigo... ousara</p><p>Da glória o poderio;</p><p>Tu que fazes gemer pendido o cedro,</p><p>Turbar-se o claro rio?</p><p>A. HERCULANO</p><p><br/></p><p>Um raio</p><p>Fulgura</p><p>No espaço</p><p>Esparso,</p><p>De luz;</p><p>E trêmulo</p><p>E puro</p><p>Se aviva,</p><p>S’esquiva</p><p>Rutila,</p><p>Seduz!</p><p><br/></p><p>Vem a aurora</p><p>Pressurosa,</p><p>Cor de rosa,</p><p>Que se cora</p><p>De carmim;</p><p>A seus raios</p><p>As estrelas,</p><p>Que eram belas,</p><p>Tem desmaios,</p><p>Já por fim.</p><p><br/></p><p>O sol desponta</p><p>Lá no horizonte,</p><p>Doirando a fonte,</p><p>E o prado e o monte</p><p>E o céu e o mar;</p><p>E um manto belo</p><p>De vivas cores</p><p>Adorna as flores,</p><p>Que entre verdores</p><p>Se vê brilhar.</p><p><br/></p><p>Um ponto aparece,</p><p>Que o dia entristece,</p><p>O céu, onde cresce,</p><p>De negro a tingir;</p><p>Oh! vede a procela</p><p>Infrene, mas bela,</p><p>No ar s’encapela</p><p>Já pronta a rugir!</p><p>Não solta a voz canora</p><p>No bosque o vate alado,</p><p>Que um canto d’inspirado</p><p>Tem sempre a cada aurora;</p><p>É mudo quanto habita</p><p>Da terra n’amplidão.</p><p>A coma então luzente</p><p>Se agita do arvoredo,</p><p>E o vate um canto a medo</p><p>Desfere lentamente,</p><p>Sentindo opresso o peito</p><p>De tanta inspiração.</p><p><br/></p><p>Fogem do vento que ruge</p><p>As nuvens aurinevadas,</p><p>Como ovelhas assustadas</p><p>Dum fero lobo cerval;</p><p>Estilham-se como as velas</p><p>Que no alto mar apanha,</p><p>Ardendo na usada sanha,</p><p>Subitâneo vendaval.</p><p><br/></p><p>Bem como serpentes que o frio</p><p>Em nós emaranha, — salgadas</p><p>As ondas s’estanham, pesadas</p><p>Batendo no frouxo areal.</p><p>Disseras que viras vagando</p><p>Nas furnas do céu entreabertas</p><p>Que mudas fuzilam, — incertas</p><p>Fantasmas do gênio do mal!</p><p><br/></p><p>E no túrgido ocaso se avista</p><p>Entre a cinza que o céu apolvilha,</p><p>Um clarão momentâneo que brilha,</p><p>Sem das nuvens o seio rasgar;</p><p>Logo um raio cintila e mais outro,</p><p>Ainda outro veloz, fascinante,</p><p>Qual centelha que em rápido instante</p><p>Se converte d’incêndios em mar.</p><p><br/></p><p>Um som longínquo cavernoso e ouco</p><p>Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre;</p><p>Eis outro inda mais perto, inda mais rouco,</p><p>Que alpestres cimos mais veloz percorre,</p><p>Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco</p><p>Do Norte ao Sul, — dum ponto a outro corre:</p><p>Devorador incêndio alastra os ares,</p><p>Enquanto a noite pesa sobre os mares.</p><p><br/></p><p>Nos últimos cimos dos montes erguidos</p><p>Já silva, já ruge do vento o pegão;</p><p>Estorcem-se os leques dos verdes palmares,</p><p>Volteiam, rebramam, doudejam nos ares,</p><p>Até que lascados baqueiam no chão.</p><p><br/></p><p>Remexe-se a copa dos troncos altivos,</p><p>Transtorna-se, tolda, baqueia também;</p><p>E o vento, que as rochas abala no cerro,</p><p>Os troncos enlaça nas asas de ferro,</p><p>E atira-os raivoso dos montes além.</p><p><br/></p><p>Da nuvem densa, que no espaço ondeia,</p><p>Rasga-se o negro bojo carregado,</p><p>E enquanto a luz do raio o sol roxeia,</p><p>Onde parece à terra estar colado,</p><p>Da chuva, que os sentidos nos enleia,</p><p>O forte peso em turbilhão mudado,</p><p>Das ruínas completa o grande estrago,</p><p>Parecendo mudar a terra em lago.</p><p><br/></p><p>Inda ronca o trovão retumbante,</p><p>Inda o raio fuzila no espaço,</p><p>E o corisco num rápido instante</p><p>Brilha, fulge, rutila, e fugiu.</p><p>Mas se à terra desceu, mirra o tronco,</p><p>Cega o triste que iroso ameaça,</p><p>E o penedo, que as nuvens devassa,</p><p>Como tronco sem viço partiu.</p><p><br/></p><p>Deixando a palhoça singela,</p><p>Humilde labor da pobreza,</p><p>Da nossa vaidosa grandeza,</p><p>Nivela os fastígios sem dó;</p><p>E os templos e as grimpas soberbas,</p><p>Palácio ou mesquita preclara,</p><p>Que a foice do tempo poupara,</p><p>Em breves momentos é pó.</p><p><br/></p><p>Cresce a chuva, os rios crescem,</p><p>Pobres regatos s’empolam,</p><p>E nas turvam ondas rolam</p><p>Grossos troncos a boiar!</p><p>O córrego, qu’inda há pouco</p><p>No torrado leito ardia,</p><p>É já torrente bravia,</p><p>Que da praia arreda o mar.</p><p><br/></p><p>Mas ai do desditoso,</p><p>Que viu crescer a enchente</p><p>E desce descuidoso</p><p>Ao vale, quando sente</p><p>Crescer dum lado e d’outro</p><p>O mar da aluvião!</p><p>Os troncos arrancados</p><p>Sem rumo vão boiantes;</p><p>E os tetos arrasados,</p><p>Inteiros, flutuantes,</p><p>Dão antes crua morte,</p><p>Que asilo e proteção!</p><p><br/></p><p>Porém no ocidente</p><p>S’ergue de repente</p><p>O arco luzente,</p><p>De Deus o farol;</p><p>Sucedem-se as cores,</p><p>Qu’imitam as flores</p><p>Que sembram primores</p><p>Dum novo arrebol.</p><p><br/></p><p>Nas águas pousa;</p><p>E a base viva</p><p>De luz esquiva,</p><p>E a curva altiva</p><p>Sublima ao céu;</p><p>Inda outro arqueia,</p><p>Mais desbotado,</p><p>Quase apagado,</p><p>Como embotado</p><p>De tênue véu.</p><p><br/></p><p>Tal a chuva</p><p>Transparece,</p><p>Quando desce</p><p>E ainda vê-se</p><p>O sol luzir;</p><p>Como a virgem,</p><p>Que numa hora</p><p>Ri-se e cora,</p><p>Depois chora</p><p>E torna a rir.</p><p><br/></p><p>A folha</p><p>Luzente</p><p>Do orvalho</p><p>Nitente</p><p>A gota</p><p>Retrai:</p><p>Vacila,</p><p>Palpita;</p><p>Mais grossa</p><p>Hesita,</p><p>E treme</p><p>E cai.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:48:51 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Concha e a Virgem</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531635945</link>
         <description><![CDATA[<p>Linda concha que passava,</p><p>Boiando por sobre o mar,</p><p>Junto a uma rocha, onde estava</p><p>Triste donzela a pensar,</p><p><br/></p><p>Perguntou-lhe: — "Virgem bela,</p><p>Que fazes no teu cismar?"</p><p>— "E tu", pergunta a donzela,</p><p>"Que fazes no teu vagar?"</p><p><br/></p><p>Responde a concha: — "Formada</p><p>Por estas águas do mar,</p><p>Sou pelas águas levada,</p><p>Nem sei onde vou parar!"</p><p><br/></p><p>Responde a virgem sentida,</p><p>Que estava triste a pensar:</p><p>— "Eu também vago na vida,</p><p>Como tu vagas no mar!</p><p><br/></p><p>"Vais duma a outra das vagas,</p><p>Eu dum a outro cismar;</p><p>Tu indolente divagas,</p><p>Eu sofro triste a cantar.</p><p><br/></p><p>"Vais onde te leva a sorte,</p><p>Eu, onde me leva Deus:</p><p>Buscas a vida, — eu a morte;</p><p>Buscas a terra, — eu os céus!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:49:27 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Leito de Folhas Verdes</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3531636722</link>
         <description><![CDATA[<p>Minha amada, a flor mais linda,</p><p>Não te esqueças de mim,</p><p>Nem do campo em que a vês,</p><p>Nem do rústico jardim.</p><p><br/></p><p>Vem, ó vem, comigo ao bosque,</p><p>Que o verão está em flor,</p><p>Vem gozar o doce ócio,</p><p>Vem gozar o nosso amor.</p><p><br/></p><p>E no leito de folhas verdes,</p><p>Que a floresta nos teceu,</p><p>Dorme, em teus braços, comigo,</p><p>No regaço plácido meu.</p><p><br/></p><p>Entre os ramos balouçantes,</p><p>Que o vento faz sussurrar,</p><p>Ouve as vozes das aves,</p><p>No seu trino singular.</p><p><br/></p><p>Alegremos, alma minha,</p><p>Nossa vida de prazer,</p><p>Pois que a juventude passa</p><p>E não torna a aparecer.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 04:50:39 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Gregório de Matos (1636-1696)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532316726</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:14:13 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title> À margem de uma fonte que corria</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532317592</link>
         <description><![CDATA[<p>A uma dama dormindo junto a uma fonte.<br><br>À margem de uma fonte, que corria,<br>Lira doce dos pássaros cantores<br>A bela ocasião das minhas dores<br>Dormindo estava ao despertar do dia.<br><br>Mas como dorme Sílvia, não vestia<br>O céu seus horizontes de mil cores;<br>Dominava o silêncio entre as flores,<br>Calava o mar, e rio não se ouvia,<br><br>Não dão o parabém à nova Aurora<br>Flores canoras, pássaros fragrantes,<br>Nem seu âmbar respira a rica Flora.<br><br>Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,<br>Tudo a Sílvia festeja, tudo adora<br>Aves cheirosas, flores ressonantes.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:16:08 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>No Fluxo e Refluxo das Marés</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532318041</link>
         <description><![CDATA[<p>Seis horas enche e outras tantas vaza<br>A maré pelas margens do Oceano,<br>E não larga a tarefa um ponto no ano,<br>Depois que o mar rodeia, o sol abrasa.<br><br>Desde a esfera primeira opaca, ou rasa<br>A Lua com impulso soberano<br>Engole o mar por um secreto cano,<br>E quando o mar vomita, o mundo arrasa.<br><br>Muda-se o tempo, e suas temperanças.<br>Até o céu se muda, a terra, os mares,<br>E tudo está sujeito a mil mudanças.<br><br>Só eu, que todo o fim de meus pesares<br>Eram de algum minguante as esperanças,<br>Nunca o minguante vi de meus azares.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:17:03 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>João Cabral de Melo Neto (1920-1999)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532319105</link>
         <description><![CDATA[<p>A poesia de Cabral é muito rica. Por isso, vamos considerar a importância de sua poesia. A seleção de poemas será devidamente trabalhada futuramente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:19:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Manuel Bandeira (1886-1968)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532319883</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:20:38 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Evocação do Recife</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532320293</link>
         <description><![CDATA[<p>Recife<br>Não a Veneza americana<br>Não a Mauritssatd dos armadores das Índias Ocidentais<br>Não o Recife dos Mascates<br>Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois —<br>Recife das revoluções libertárias<br>Mas o Recife sem história nem literatura<br>Recife sem mais nada<br>Recife da minha infância<br><br>A Rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de Dona Aninha Viegas<br>Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincené na ponta do nariz<br>Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras, mexericos, namoros, risadas<br>A gente brincava no meio da rua<br>Os meninos gritavam:<br><br>Coelho sai!<br>Não sai!<br><br>A distância as vozes macias das meninas politonavam:<br><br>Roseira dá-me uma rosa<br>Craveiro dá-me um botão<br>(Dessas rosas muita rosa<br>Terá morrido em botão...)<br><br>De repente<br>nos longes da noite<br>um sino<br><br>Uma pessoa grande dizia:<br>Fogo em Santo Antônio!<br>Outra contrariava: São José!<br>Totônio Rodrigues achava sempre que era São José.<br>Os homens punham o chapéu saíam fumando<br>E eu tinha raiva se ser menino porque não podia ir ver o fogo<br><br>Rua da União...<br>Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância<br>Rua do Sol<br>(Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)<br>Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...<br>... onde se ia fumar escondido<br>Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...<br>... onde se ia pescar escondido<br>Capiberibe<br>— Capibaribe<br>Lá longe o sertãozinho de Caxangá<br>Banheiros de palha<br>Um dia eu vi uma moça nuinha no banho<br>Fiquei parado o coração batendo<br>Ela se riu<br>Foi o meu primeiro alumbramento<br><br>Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redomoinho sumiu<br>E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras<br><br>Novenas<br>Cavalhadas<br><br>Eu me deitei no colo da menina e ela começou a passar a mão nos meus cabelos<br><br>Capiberibe<br>— Capibaribe<br><br>Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas com o xale vistoso de pano da Costa<br>E o vendedor de roletes de cana<br>O de amendoim<br>que se chamava midubim e não era torrado era cozido<br>Me lembro de todos os pregões:<br>Ovos frescos e baratos<br>Dez ovos por uma pataca<br>Foi há muito tempo...<br>A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros<br>Vinha da boca do povo na língua errada do povo<br>Língua certa do povo<br>Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil<br>Ao passo que nós<br>O que fazemos<br>É macaquear<br>A sintaxe lusíada<br>A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem<br>Terras que não sabia onde ficavam<br>Recife...<br>Rua da União...<br>A casa de meu avô...<br>Nunca pensei que ela acabasse!<br>Tudo lá parecia impregnado de eternidade<br>Recife...<br>Meu avó morto.<br>Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:21:40 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paisagem Noturna</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532320939</link>
         <description><![CDATA[<p>A sombra imensa, a noite infinita enche o vale...<br>E lá no fundo vem a voz<br>Humilde e lamentosa<br>Dos pássaros da treva. Em nós,<br>— Em noss'alma criminosa,<br>O pavor se insinua...<br><br>Um carneiro bale.<br>Ouvem-se pios funerais.<br>Um como grande e doloroso arquejo<br>Corta a amplidão que a amplidão continua...<br>E cadentes, metálicos, pontuais,<br>Os tanoeiros do brejo,<br>— Os vigias da noite silenciosa,<br>Malham nos aguaçais.<br><br>Pouco a pouco, porém, a muralha de treva<br>Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça<br>Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva<br>A sombria massa<br>Das serranias.<br><br>O plenilúnio vai romper... Já da penumbra<br>Lentamente reslumbra<br>A paisagem de grandes árvores dormentes.<br>E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,<br>Tintas deliquescentes<br>Mancham para o levante as nuvens langorosas.<br><br>Enfim, cheia, serena, pura,<br>Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,<br>Fazendo levantar a fronte<br>Dos poetas e das almas amorosas,<br>Dissipando o temor nas consciências medrosas<br>E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,<br>— À Lua<br>Assoma à crista da montanha.<br>Em sua luz se banha<br>A solidão cheia de vozes que segredam...<br>Em voluptuoso espreguiçar de forma nua<br>As névoas enveredam<br>No vale. São como alvas, longas charpas<br>Suspensas no ar ao longo das escarpas.<br>Lembram os rebanhos de carneiros<br>Quando,<br>Fugindo ao sola pino,<br>Buscam oitões, adros hospitaleiros<br>E lá quedam tranquúilos ruminando...<br>Assim a névoa azul paira sonhando...<br>As estrelas sorriem de escutar<br>As baladas atrozes<br>Dos sapos.<br>E o luar úmido... fino...<br>Amávico... tutelar...<br>Anima e transfigura a solidão cheia de vozes...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:23:36 UTC</pubDate>
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         <title>Enquanto a Chuva Cal…</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532321638</link>
         <description><![CDATA[<p>A chuva cai. O ar fica mole...<br>Indistinto... ambarino... gris...<br>E no monótono matiz<br>Da névoa enovelada bole<br>A folhagem como a bailar.<br><br>Torvelinhai, torrentes do ar!<br><br>Cantai, ó bátega chorosa,<br>As velhas árias funerais.<br>Minh'alma sofre e sonha e goza<br>À cantilena dos beirais.<br><br>Meu coração está sedento<br>De tão ardido pelo pranto.<br>Dai um brando acompanhamento<br>À canção do meu desencanto.<br><br>Volúpia dos abandonados...<br>Dos sós... — ouvir a água escorrer,<br>Lavando o tédio dos telhados<br>Que se sentem envelhecer...<br><br>Ó caro ruído embalador,<br>Terno como a canção das amas!<br>Canta as baladas que mais amas,<br>Para embalar a minha dor!<br><br>A chuva cai. À chuva aumenta.<br>Cai, benfazeja, a bom cair!<br>Contenta as árvores! Contenta<br>As sementes que vão abrir!<br><br>Eu te bendigo, água que inundas!<br>Ó água amiga das raízes,<br>Que na mudez das terras fundas<br>Às vezes são tão infelizes!<br><br>E eu te amo! Quer quando fustigas<br>Ao sopro mau dos vendavais<br>As grandes árvores antigas,<br>Quer quando mansamente cais.<br><br>É que na tua voz selvagem,<br>Voz de cortante, álgida mágoa,<br>Aprendi na cidade a ouvir<br><br>Como um eco que vem na aragem<br>A estrugir, rugir e mugir,<br>O lamento das quedas d'água!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:26:00 UTC</pubDate>
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         <title>Murmúrio D&#39;água</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532321904</link>
         <description><![CDATA[<p>Murmúrio d'água, és tão suave a meus ouvidos...<br>Faz tanto bem à minha dor teu refrigério!<br>Nem sei passar sem teu murmúrio a meus ouvidos,<br>Sem teu suave, teu afável refrigério.<br><br>Água de fonte... água de oceano... água de pranto...<br>Água de rio...<br>Água de chuva, água cantante das lavadas...<br>Têm para mim, todas, consolos de acalanto,<br>À que sorrio...<br><br>À que sorri a minha cínica descrença.<br>À que sorri o meu opróbrio de viver.<br>A que sorri o mais profundo desencanto<br>Do mais profundo e mais recôndito em meu ser!<br>Sorriem como aqueles cegos de nascença<br>Aos quais Jesus de súbito fazia ver...<br><br>A minha mãe ouvi dizer que era minh'ama<br>Tranquila e mansa.<br>Talvez ouvi, quando criança,<br>Cantigas tristes que cantou à minha cama.<br>Talvez por isso eu me comova a aquela mágoa.<br>Talvez por isso eu me comova tanto à mágoa<br>Do teu rumor, murmúrio d'água...<br><br>A meiga e triste rapariga<br>Punha talvez nessa cantiga<br>A sua dor e mais a dor de sua raça...<br>Pobre mulher, sombria filha da desgraça!<br><br>— Murmúrio d'água, és a cantiga de minh'ama.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:26:49 UTC</pubDate>
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         <title>Mar Bravo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532324572</link>
         <description><![CDATA[<p>Mar que ouvi sempre cantar murmúrios<br>Na doce queixa das elegias,<br>Como se fosses, nas tardes frias<br>De tons purpúreos,<br>A voz das minhas melancolias:<br><br>Com que delícia neste infortúnio,<br>Com que selvagem, profundo gozo,<br>Hoje te vejo bater raivoso,<br>Na maré-cheia de novilúnio,<br>Mar rumoroso!<br><br>Com que amargura mordes a areia,<br>Cuspindo a baba da acre salsugem,<br>No torvelinho de ondas que rugem<br>Na maré-cheia,<br>Mar de sargaços e de amuragem!<br><br>As minhas cóleras homicidas,<br>Meus velhos ódios de iconoclasta,<br>Quedam-se absortos diante da vasta,<br>Pérfida vaga que tudo arrasta,<br>Mar que intimidas!<br><br>Em tuas ondas precipitadas,<br>Onde flamejam lampejos ruivos,<br>Gemem sereias despedaçadas,<br>Em longos uivos<br>Multiplicados pelas quebradas.<br><br>Mar que arremetes, mas que não cansas,<br>Mar de blasfêmias e de vinganças,<br>Como te invejo! Dentro em meu peito<br>Eu trago um pântano insatisfeito<br>De corrompidas desesperanças!...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:34:05 UTC</pubDate>
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         <title>Estrada</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532325826</link>
         <description><![CDATA[<p>Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,</p><p>Interessa mais que uma avenida urbana.</p><p>Nas cidades todas as pessoas se parecem.</p><p>Todo o mundo é igual. Todo o mundo é toda a gente.</p><p>Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.</p><p>Cada criatura é única.</p><p>Até os cães.</p><p>Estes cães da roça parecem homens de negócios:</p><p>Andam sempre preocupados.</p><p>E quanta gente vem e vai!</p><p>E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:</p><p>Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.</p><p>Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,</p><p>Que a vida passa! que a vida passa!</p><p>E que a mocidade vai acabar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:38:20 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Comentário Musical</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532326263</link>
         <description><![CDATA[<p>O meu quarto de dormir a cavaleiro da entrada da barra.</p><p>Entram por ele dentro</p><p>Os ares oceânicos,</p><p>Maresias atlânticas:</p><p>São Paulo de Luanda, Figueira da Foz, praias gaélicas da Irlanda...</p><p><br/></p><p>O comentário musical da paisagem só podia ser o sussurro sinfônico da vida civil.</p><p><br/></p><p>No entanto o que ouço neste momento é um</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:39:51 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>À Sombra das Araucárias</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532327359</link>
         <description><![CDATA[<p>Não aprofundes o teu tédio.</p><p>Não te entregues à mágoa vá.</p><p>O próprio tempo é o bom remédio:</p><p>Bebe a delícia da manhã.</p><p><br/></p><p>A névoa errante se enovela</p><p>Na folhagem das araucárias.</p><p>Há um suave encanto nela</p><p>Que enleia as almas solitárias...</p><p><br/></p><p>As cousas têm aspectos mansos.</p><p>Um após outro, a bambolear,</p><p>Passam, caminho d'água, os gansos.</p><p>Vão atentos, como a cismar...</p><p><br/></p><p>No verde, à beira das estradas,</p><p>Maliciosas em tentação,</p><p>Riem amoras orvalhadas.</p><p>Colhe-as: basta estender a mão.</p><p><br/></p><p>Ah! fosse tudo assim na vida!</p><p>Sus, não cedas à vã fraqueza.</p><p>Que adianta a queixa repetida?</p><p>Goza o painel da natureza.</p><p><br/></p><p>Cria, e terás com que exaltar-te</p><p>No mais nobre e maior prazer.</p><p>A afeiçoar teu sonho de arte,</p><p>Sentir-te-ás convalescer.</p><p><br/></p><p>A arte é uma fada que transmuta</p><p>E transfigura o mau destino.</p><p>Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta.</p><p>Cada sentido é um dom divino.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:42:26 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Berimbau</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532327982</link>
         <description><![CDATA[<p>Os aguapés dos aguaçais<br>Nos igapós dos Japurás<br>Bolem, bolem, bolem.<br>Chama o saci: — Si si si si!<br>— Uiui ui ui ui! viva a iara<br>Nos aguaçais dos igapós<br>Dos Japurás e dos Purus.<br><br>A mameluca é uma maluca.<br>Saiu sozinha da maloca —<br>O boto bate — bite bite...<br>Quem ofendeu a mameluca?<br>— Foi o boto!<br>O Cussaruim bota quebrantos.<br>Nos aguaçais os aguapés<br>— Cruz, canhoto! —<br>Bolem... Peraus dos Japurás<br>De assombramentos e de espantos!...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:44:08 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cantiga</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532328557</link>
         <description><![CDATA[<p>Nas ondas da praia</p><p>Nas ondas do mar</p><p>Quero ser feliz</p><p>Quero me afogar.</p><p><br/></p><p>Nas ondas da praia</p><p>Quem vem me beijar?</p><p>Quero a estrela-d'alva</p><p>Rainha do mar.</p><p><br/></p><p>Quero ser feliz</p><p>Nas ondas do mar</p><p>Quero esquecer tudo</p><p>Quero descansar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:45:38 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Pensão Familiar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532328787</link>
         <description><![CDATA[<p>Jardim da pensãozinha burguesa.<br>Gatos espapaçados ao sol.<br><br>A tiririca sitia os canteiros chatos.<br>O sol acaba de crestar os gosmilhos que murcharam.<br>Os girassóis<br>amarelo!<br>resistem.<br>E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.<br>Um gatinho faz pipi.<br>Com gestos de garçom de restaurant-Palace<br>Encobre cuidadosamente a mijadinha.<br>Sai vibrando com elegância a patinha direita:<br>— É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:46:28 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Boi Morto</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532329154</link>
         <description><![CDATA[<p>Como em turvas águas de enchente,<br>Me sinto a meio submergido<br>Entre destroços do presente<br>Dividido, subdividido,<br>Onde rola, enorme, o boi morto,<br><br>Boi morto, boi morto, boi morto.<br><br>Árvores da paisagem calma,<br>Convosco — altas, tão marginais! —<br>Fica a alma, a atônita alma,<br>Atônita para jamais.<br>Que o corpo, esse vai com o boi morto,<br><br>Boi morto, boi morto, boi morto.<br><br>Boi morto, boi descomedido,<br>Boi espantosamente, boi<br>Morto, sem forma ou sentido<br>Ou significado. O que foi<br>Ninguém sabe. Agora é boi morto,<br><br>Boi morto, boi morto, boi morto!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:47:08 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Canção do Vento e da Minha Vida</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532329478</link>
         <description><![CDATA[<p>O vento varria as folhas,</p><p>O vento varria os frutos,</p><p>O vento varria as flores...</p><p>E a minha vida ficava</p><p>Cada vez mais cheia</p><p>De frutos, de flores, de folhas.</p><p><br/></p><p>O vento varria as luzes,</p><p>O vento varria as músicas,</p><p>O vento varria os aromas...</p><p>E a minha vida ficava</p><p>Cada vez mais cheia</p><p>De aromas, de estrelas, de cânticos.</p><p><br/></p><p>O vento varria os sonhos</p><p>E varria as amizades...</p><p>O vento varria as mulheres...</p><p>E a minha vida ficava</p><p>Cada vez mais cheia</p><p>De afetos e de mulheres.</p><p><br/></p><p>O vento varria os-meses</p><p>E varria os teus sorrisos...</p><p>O vento varria tudo!</p><p>E a minha vida ficava</p><p>Cada vaz mais cheia</p><p>De tudo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:47:59 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Cotovia</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532329666</link>
         <description><![CDATA[<p>Alô cotovia!<br>Aonde voaste,<br>Por onde andaste,<br>Que tantas saudades me deixaste?<br><br>— Andei onde deu o vento.<br>Onde foi meu pensamento.<br>Em sítios, que nunca viste,<br>De um país que não existe...<br>Voltei, te trouxe a alegria.<br>— Muito contas, cotovia!<br>E que outras terras distantes<br>Visitaste? Dize ao triste.<br><br>— Líbia ardente, Cítia fria,<br>Europa, França, Bahia...<br>— E esqueceste Pernambuco,<br>Distraída?<br><br>— Voei ao Recife, no Cais<br>Pousei da Rua da Aurora.<br><br>— Aurora da minha vida,<br>— Que os anos não trazem mais!<br><br>— Os anos não, nem os dias,<br>Que isso cabe às cotovias.<br>Meu bico é bem pequenino<br>Para o bem que é deste mundo:<br>Se enche com uma gota de água.<br>Mas sei torcer o destino,<br>Sei no espaço de um segundo<br>Limpar o pesar mais fundo.<br>Voei ao Recife, e dos longes<br>Das distâncias, aonde alcança<br>Só a asa da cotovia,<br>— Do mais remoto e perempto<br>Dos teus dias de criança<br>Te trouxe a extinta esperança,<br>Trouxe a perdida alegria.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:48:37 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Peregrinação</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532329852</link>
         <description><![CDATA[<p>O córrego é o mesmo.</p><p>Mesma, aquela árvore,</p><p>A casa, o jardim.</p><p><br></p><p>Meus passos a esmo</p><p>(Os passos e o espírito)</p><p>Vão pelo passado,</p><p>Ai tão devastado,</p><p>Recolhendo triste</p><p>Tudo quanto existe</p><p>Ainda ali de mim</p><p>— Mim daqueles tempos!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:49:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Velha Chácara</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532330496</link>
         <description><![CDATA[<p>A casa era por aqui...<br>Onde? Procuro-a e não acho.<br>Ouço uma voz que esqueci:<br>É a voz deste mesmo riacho.<br><br>Ah quanto tempo passou!<br>(Foram mais de cinquenta anos.)<br>Tantos que a morte levou!<br>(E a vida... nos desenganos...)<br><br>A usura fez tábua rasa<br>Da velha chácara triste:<br>Não existe mais a casa...<br>— Mas o menino ainda existe.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:51:10 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Elegia de Verão</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532330906</link>
         <description><![CDATA[<p>O sol é grande. O coisas</p><p>Todas vas, todas mudaves!</p><p>(Como esse "mudaves",</p><p>Que hoje é "mudáveis"</p><p>E já não rima com "aves".)</p><p><br/></p><p>O sol é grande. Zinem as cigarras</p><p>Em Laranjeiras.</p><p>Zinem as cigarras: zino, zino, zino...</p><p>Como se fossem as mesmas</p><p>Que eu ouvi menino.</p><p><br/></p><p>Ó verões de antigamente!</p><p>Quando o Largo do Boticário</p><p>Ainda poderia ser tombado.</p><p>Carambolas ácidas, quentes de mormaço;</p><p>Água morna das caixas-d'água vermelha de ferrugem;</p><p>Saibro cintilante...</p><p><br/></p><p>O sol é grande. Mas, ó cigarras que zinis,</p><p>Não sois as mesmas que eu ouvi menino.</p><p>Sois outras, não me interessais...</p><p><br/></p><p>Dêem-me as cigarras que eu ouvi menino.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 18:52:49 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Manoel de Barros (1916-2014)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:35:15 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Maria Firmina dos Reis (1822-1917)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:36:47 UTC</pubDate>
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         <title>Mário de Andrade (1893-1945)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:37:31 UTC</pubDate>
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         <title>Mário Quintana (1906-1994)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:38:14 UTC</pubDate>
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         <title>Olavo Bilac (1865-1918)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:39:07 UTC</pubDate>
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         <title>Orides Fontela (1940-1998)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:40:16 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Oswald de Andrade (1890-1954)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:42:04 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Paulo Setúbal (1893-1937)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:43:54 UTC</pubDate>
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         <title>Vargas Neto (1902-1980)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:48:02 UTC</pubDate>
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         <title>Vinicius de Moraes (1913-1980)</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <pubDate>2025-07-31 01:48:51 UTC</pubDate>
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         <title>Infância</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532502418</link>
         <description><![CDATA[<p>Coração preto gravado no muro amarelo.</p><p>A chuva fina pingando... pingando das árvores...</p><p>Um regador de bruços no canteiro.</p><p><br/></p><p>Barquinhos de papel na água suja das sarjetas...</p><p>Baú de folha-de-flandres da avó no quarto de dormir.</p><p>Réstias de luz no capote preto do pai.</p><p>Maçã verde no prato.</p><p><br/></p><p>Um peixe de azebre morrendo... morrendo, em</p><p>dezembro.</p><p>E a tarde exibindo os seus</p><p>Girassóis, aos bois.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:01:26 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Bernardo é quase uma árvore</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532503102</link>
         <description><![CDATA[<p>Bernardo é quase árvore.</p><p>Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem</p><p>de longe</p><p>E vêm pousar em seu ombro.</p><p>Seu olho renova as tardes.</p><p>Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho;</p><p>1 abridor de amanhecer</p><p>1 prego que farfalha</p><p>1 encolhedor de rios - e</p><p>1 esticador de horizontes.</p><p>(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três</p><p>Fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)</p><p>Bernardo desregula a natureza:</p><p>Seu olho aumenta o poente.</p><p>(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua</p><p>Incompletude?)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:02:22 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>As Comparações</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532503844</link>
         <description><![CDATA[<p>Comparar é um dom do delírio.</p><p>A gente compara uma árvore com uma igreja</p><p>porque as duas são grandes e têm passarinhos.</p><p>Ou compara uma pedra com uma nuvem</p><p>porque as duas são lentas e têm a cor do silêncio.</p><p><br/></p><p>A gente compara um rio com um menino</p><p>porque os dois são puros e não têm malícia.</p><p>Ou compara um sapo com um filósofo</p><p>porque os dois são pensativos e vivem no lodo.</p><p><br/></p><p>A gente compara uma formiga com um elefante</p><p>porque as duas são fortes e têm a mesma paciência.</p><p>Ou compara uma borboleta com um poema</p><p>porque as duas são leves e têm a cor do espanto.</p><p><br/></p><p>Comparar é um vício de poeta.</p><p>A gente compara o que não tem com o que tem.</p><p>A gente compara o que não vê com o que sente.</p><p>A gente compara o que não sabe com o que imagina.</p><p><br/></p><p>Comparar é um jeito de inventar o mundo.</p><p>De dar nome às coisas que não têm nome.</p><p>De dar voz às coisas que não têm voz.</p><p>De dar vida às coisas que não têm vida.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:03:29 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Gramática Explicada</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532504234</link>
         <description><![CDATA[<p>O que as coisas são</p><p>não é o que as coisas são.</p><p>As coisas são</p><p>o que as coisas parecem ser.</p><p><br/></p><p>Uma pedra é um tempo.</p><p>Um sapo é uma voz.</p><p>Uma árvore é um pensamento.</p><p>Um rio é um movimento.</p><p><br/></p><p>A gramática das coisas</p><p>não é a gramática dos homens.</p><p>As coisas têm a sua própria gramática.</p><p>Uma gramática de silêncios e de cheiros.</p><p><br/></p><p>Uma gramática de cores e de formas.</p><p>Uma gramática de asas e de raízes.</p><p>Uma gramática de águas e de terras.</p><p>Uma gramática de vazios e de plenitudes.</p><p><br/></p><p>A gente aprende a gramática das coisas</p><p>não nos livros, mas na vida.</p><p>Na vida que se esconde</p><p>nas miudezas do mundo.</p><p><br/></p><p>Na vida que se revela</p><p>nos olhos do menino.</p><p>Na vida que se inventa</p><p>na boca do poeta.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:03:51 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Menino e o Rio</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532504772</link>
         <description><![CDATA[<p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a não ter pressa.</p><p>A esperar a chuva.</p><p>A esperar o sol.</p><p>A esperar a vida.</p><p><br/></p><p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a ser transparente.</p><p>A mostrar o que tem.</p><p>A não esconder nada.</p><p>A ser puro.</p><p><br/></p><p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a ser forte.</p><p>A derrubar as pedras.</p><p>A contornar os obstáculos.</p><p>A seguir em frente.</p><p><br/></p><p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a ser humilde.</p><p>A se curvar à terra.</p><p>A se misturar com o barro.</p><p>A não ter vaidade.</p><p><br/></p><p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a ser generoso.</p><p>A dar de beber.</p><p>A dar de comer.</p><p>A dar vida.</p><p><br/></p><p>O menino aprendeu com o rio</p><p>a ser eterno.</p><p>A não ter fim.</p><p>A continuar sempre.</p><p>A ser infinito.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:04:38 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Uma Tarde no Cuman</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532507360</link>
         <description><![CDATA[<p>Aqui minh'alma expande-se, e de amor</p><p>Eu sinto transportado o peito meu;</p><p>Aqui murmura o vento apaixonado,</p><p>Ali sobre uma rocha o mar gemeu.</p><p>E sobre a branca areia - mansamente</p><p>A onda enfraquecida exausta morre;</p><p>Além, na linha azul dos horizontes,</p><p>Ligeirinho baixel nas águas corre.</p><p><br/></p><p>Quanta doce poesia, que me inspira</p><p>O mago encanto destas praias nuas!</p><p>Esta brisa, que afaga os meus cabelos,</p><p>Semelha o acento dessas frases tuas.</p><p><br/></p><p>Aqui se ameigam de meu peito as dores,</p><p>Menos ardente me goteja o pranto;</p><p>Aqui, na lira maviosa e doce</p><p>Minha alma trina melodioso canto.</p><p><br/></p><p>A mente vaga em solidões longínquas,</p><p>Pulsa meu peito, e de paixão se exalta;</p><p>Delírio vago, sedutor quebranto,</p><p>Qual belo íris, meu desejo esmalta.</p><p><br/></p><p>Vem comigo gozar destas delícias,</p><p>Deste amor, que me inspira poesia;</p><p>Vem provar-me a ternura de tu'alma,</p><p>Ao som desta poética harmonia.</p><p><br/></p><p>Sentirás ao ruído destas águas,</p><p>Ao doce suspirar da viração,</p><p>Quanto é grato o amor aqui jurado,</p><p>Nas ribas deste mar, - na solidão.</p><p><br/></p><p>Vem comigo gozar um só momento,</p><p>Tanta beleza a me inspirar poesia!</p><p>Ah! vem provar-me teu singelo amor</p><p>Ao som das vagas, no cair do dia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:08:04 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Meditação sobre o Tietê</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532513942</link>
         <description><![CDATA[<p>O Tietê!</p><p>Rio de São Paulo,</p><p>cidade de pedra e de ferro,</p><p>cidade de homens e de máquinas.</p><p>O Tietê corre,</p><p>o Tietê avança,</p><p>o Tietê não para.</p><p><br/></p><p>Ele viu a fundação da cidade,</p><p>viu os bandeirantes subindo as serras,</p><p>viu o ouro rolar nas suas margens,</p><p>viu a escravidão e a liberdade.</p><p>Ele viu o progresso, a riqueza,</p><p>e também a miséria, a poluição.</p><p><br/></p><p>O Tietê é a memória de São Paulo,</p><p>um rio que não esquece,</p><p>que guarda em suas águas</p><p>as histórias, as lutas, os sonhos.</p><p>Ele é a vida que flui,</p><p>a força que move,</p><p>a esperança que renasce.</p><p><br/></p><p>O Tietê não tem mais a pureza de antes,</p><p>suas águas estão manchadas,</p><p>sua corrente está pesada.</p><p>Mas ele ainda é o Tietê,</p><p>o coração que pulsa</p><p>no peito de São Paulo.</p><p><br/></p><p>E a gente olha para o Tietê</p><p>e vê a nossa própria história,</p><p>nossas vitórias, nossos fracassos,</p><p>nossas alegrias, nossas dores.</p><p>O Tietê é um espelho,</p><p>um reflexo de nós mesmos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:16:42 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Poema da Concha</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532514209</link>
         <description><![CDATA[<p>Ouvi o mar</p><p>na concha vazia,</p><p>e o mar que ouvi</p><p>era o silêncio.</p><p><br/></p><p>O silêncio do mar</p><p>que se esconde na concha,</p><p>o silêncio que mora</p><p>nas coisas pequenas.</p><p><br/></p><p>A concha é um ouvido</p><p>que guarda o segredo do mar,</p><p>um segredo que só se revela</p><p>a quem sabe escutar.</p><p><br/></p><p>É a voz do infinito</p><p>num objeto tão pequeno,</p><p>a imensidão do mundo</p><p>no limite do tempo.</p><p><br/></p><p>A concha é um poema</p><p>que o mar escreveu,</p><p>um mistério que a vida</p><p>em suas ondas teceu.</p><p><br/></p><p>E a gente põe a concha</p><p>no ouvido e sonha,</p><p>e o silêncio do mar</p><p>se transforma em canção.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:17:04 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paisagem N.º 1</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532516876</link>
         <description><![CDATA[<p>Na cidade</p><p>aqui no Rio de Janeiro</p><p>os bondes passam</p><p>e levam os corações</p><p>e os carros</p><p>e os automóveis</p><p>e os árvores e as árvores</p><p>os bondes passam</p><p>e levam os corações.</p><p><br/></p><p>Os sinos das igrejas</p><p>tocam a tarde</p><p>e a névoa que sobe</p><p>da Baía de Guanabara</p><p>e o vento que passa</p><p>e o vento que passa</p><p>o vento que passa.</p><p><br/></p><p>Os morros estão verdes</p><p>e a floresta está lá</p><p>e a pedra e a rocha</p><p>e a água que corre</p><p>e a água que corre</p><p>a água que corre.</p><p><br/></p><p>As casas se juntam</p><p>e as ruas se cruzam</p><p>e a vida que segue</p><p>e a vida que segue</p><p>a vida que segue.</p><p><br/></p><p>E a gente olha</p><p>para a cidade</p><p>e vê a nossa própria vida</p><p>e a nossa própria morte</p><p>e a nossa própria esperança</p><p>e a nossa própria saudade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:20:24 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Morro do Cruzeiro</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <description><![CDATA[<p>Lá no alto do morro do cruzeiro</p><p>onde o vento assobia e a nuvem passa,</p><p>há uma cruz de madeira</p><p>que o tempo e a chuva não apagam.</p><p><br/></p><p>E a gente olha lá de baixo</p><p>e vê a cruz a brilhar no sol,</p><p>e pensa na vida que passa</p><p>e na morte que chega.</p><p><br/></p><p>O morro do cruzeiro é um lugar de paz,</p><p>onde a natureza se encontra com a fé.</p><p>É um lugar de silêncio,</p><p>onde a gente pode ouvir a voz de Deus.</p><p><br/></p><p>E a gente sobe o morro</p><p>e sente o coração bater mais forte.</p><p>E quando chega lá em cima,</p><p>a alma se alegra e o espírito se ilumina.</p><p><br/></p><p>O morro do cruzeiro é um farol</p><p>que guia os caminhos da vida.</p><p>É uma estrela que brilha</p><p>no céu da existência.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:21:02 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Serra do Mar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532517666</link>
         <description><![CDATA[<p>A serra do mar</p><p>é um dragão adormecido.</p><p>Sua pele de rochas</p><p>e mata cerrada.</p><p>Seus dentes são picos,</p><p>suas garras, os vales.</p><p><br/></p><p>Ela guarda segredos antigos,</p><p>de tempos em que a terra</p><p>ainda era virgem.</p><p>Ela viu os índios</p><p>caminhando em suas trilhas,</p><p>e os colonos abrindo caminhos.</p><p><br/></p><p>A serra do mar é um muro</p><p>que separa o litoral do interior.</p><p>É um desafio para os homens,</p><p>e um refúgio para a vida selvagem.</p><p><br/></p><p>Ela é mistério e grandeza,</p><p>beleza e poder.</p><p>Ela é a força da natureza,</p><p>que se impõe e se renova.</p><p><br/></p><p>E a gente olha para a serra do mar</p><p>e sente a imensidão do mundo.</p><p>E percebe que somos pequenos</p><p>diante da majestade da criação.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:21:24 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>As Janelas</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532518447</link>
         <description><![CDATA[<p>As janelas são os olhos da casa.</p><p>Elas olham o mundo que passa,</p><p>os pássaros que voam,</p><p>as nuvens que dançam,</p><p>o sol que brilha,</p><p>a chuva que cai.</p><p><br/></p><p>As janelas são a alma da casa.</p><p>Elas guardam segredos,</p><p>contam histórias,</p><p>espiam a vida,</p><p>sonham com o infinito.</p><p><br/></p><p>As janelas são a liberdade da casa.</p><p>Elas abrem para o vento,</p><p>para o cheiro da terra,</p><p>para o canto da vida,</p><p>para o abraço do céu.</p><p><br/></p><p>As janelas são poemas</p><p>escritos na parede,</p><p>versos de luz e sombra,</p><p>rimas de tempo e espaço,</p><p>estrofes de silêncio e som.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:22:24 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A Chuva</title>
         <author>hadassainez</author>
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         <description><![CDATA[<p>A chuva</p><p>não é só água que cai.</p><p>É cheiro de terra molhada,</p><p>é música no telhado,</p><p>é silêncio que molha a alma.</p><p><br/></p><p>A chuva</p><p>não é só tristeza que escorre.</p><p>É lágrima do céu que lava a dor,</p><p>é esperança que brota na semente,</p><p>é vida que rega o coração.</p><p><br/></p><p>A chuva</p><p>não é só cinzento no ar.</p><p>É verde que renasce,</p><p>é azul que se anuncia,</p><p>é arco-íris que promete.</p><p><br/></p><p>A chuva</p><p>é um poema que a natureza escreve</p><p>no vidro da janela,</p><p>com gotas de mistério</p><p>e versos de saudade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:22:44 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Canção da Rua dos Cataventos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532519189</link>
         <description><![CDATA[<p>Na Rua dos Cataventos,</p><p>o vento não tem direção.</p><p>Ele dança com os telhados,</p><p>ele canta com os sinos,</p><p>ele brinca com as nuvens.</p><p><br/></p><p>Na Rua dos Cataventos,</p><p>os cataventos giram sem parar.</p><p>Eles apontam para o nada,</p><p>eles marcam o tempo que passa,</p><p>eles refletem a vida que voa.</p><p><br/></p><p>Na Rua dos Cataventos,</p><p>o sol e a lua se encontram.</p><p>O dia e a noite se abraçam.</p><p>O começo e o fim se confundem.</p><p>O sonho e a realidade se misturam.</p><p><br/></p><p>Na Rua dos Cataventos,</p><p>a poesia mora em cada esquina,</p><p>em cada passo, em cada olhar.</p><p>É a simplicidade que encanta,</p><p>a melancolia que abraça,</p><p>a beleza que liberta.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:23:18 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O Jardim</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532519459</link>
         <description><![CDATA[<p>O jardim é um livro</p><p>escrito pela natureza.</p><p>Suas páginas são as folhas,</p><p>seus capítulos, as flores,</p><p>suas histórias, os frutos.</p><p><br/></p><p>No jardim,</p><p>o tempo não tem pressa.</p><p>Ele flui no crescimento das plantas,</p><p>no perfume das rosas,</p><p>no canto dos pássaros.</p><p><br/></p><p>O jardim é um refúgio</p><p>para a alma cansada.</p><p>Um lugar de silêncio,</p><p>onde a paz floresce,</p><p>e o coração encontra repouso.</p><p><br/></p><p>É um espelho da vida,</p><p>com seus ciclos de nascimento e morte,</p><p>com suas cores vibrantes e seus tons discretos,</p><p>com sua harmonia e seu mistério.</p><p><br/></p><p>O jardim é um poema vivo,</p><p>onde cada flor é um verso,</p><p>cada folha uma sílaba,</p><p>e o conjunto, uma canção</p><p>que a natureza nos oferece.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:23:41 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>O Dia e a Noite</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532520158</link>
         <description><![CDATA[<p>O Sol acorda e canta</p><p>Na crista do galo.</p><p>A manhã estende um pano</p><p>Cheio de orvalho.</p><p><br/></p><p>A árvore balança</p><p>E o vento ri.</p><p>A flor se abre e dança</p><p>E a gente sai daqui.</p><p><br/></p><p>A Noite chega devagar,</p><p>Trazendo o silêncio</p><p>E a lua a brilhar</p><p>No céu tão denso.</p><p><br/></p><p>As estrelas piscam</p><p>Um pisca-pisca de luz.</p><p>E os sonhos que buscam</p><p>A paz que nos conduz.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:24:39 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Cor do Amor</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532520349</link>
         <description><![CDATA[<p>Se o amor tivesse cor,</p><p>Seria o verde da árvore,</p><p>Que nunca se acaba,</p><p>Que sempre se renova.</p><p><br/></p><p>Seria o azul do céu,</p><p>Que não tem fronteiras,</p><p>Que abraça o infinito,</p><p>Que acolhe todas as orações.</p><p><br/></p><p>Seria o amarelo do sol,</p><p>Que ilumina o dia,</p><p>Que aquece a alma,</p><p>Que espanta a melancolia.</p><p><br/></p><p>Seria o vermelho da rosa,</p><p>Que apaixona o olhar,</p><p>Que perfuma a vida,</p><p>Que faz o coração vibrar.</p><p><br/></p><p>Se o amor tivesse cor,</p><p>Seria todas as cores</p><p>Da natureza,</p><p>Em um só brilho,</p><p>Em uma só beleza.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:24:52 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Os Poemas e os Pássaros</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532520609</link>
         <description><![CDATA[<p>Os poemas são como os pássaros:</p><p>Voam, voam... e de repente</p><p>Pousam na árvore mais alta,</p><p>Ou no telhado da gente.</p><p><br/></p><p>E a gente olha para o céu,</p><p>E vê o azul sem fim,</p><p>E escuta o canto que veio</p><p>De algum jardim bem pertinho de mim.</p><p><br/></p><p>Os poemas são como os pássaros:</p><p>Constroem ninhos no ar,</p><p>Chocam versos de esperança,</p><p>E voam para outro lugar.</p><p><br/></p><p>Não se prendem em gaiolas,</p><p>Não se calam com a dor.</p><p>São a liberdade em asas,</p><p>São a vida em flor.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:25:12 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Pássaro Cativo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532521928</link>
         <description><![CDATA[<p>Oh! Quem me dera o voo</p><p>Da ave que emudece o canto,</p><p>E sente a dor que sobe</p><p>No peito que não tem pranto!</p><p><br/></p><p>Quem me dera o espaço</p><p>Para abrir as asas leves,</p><p>E ir buscar nos céus</p><p>A paz que a vida me negues!</p><p><br/></p><p>Mas sou cativo, sou escravo,</p><p>Nesta jaula que me prende.</p><p>Meu canto é triste, é amargo,</p><p>E a liberdade não me estende.</p><p><br/></p><p>Assim é a alma que se fecha</p><p>Na prisão do corpo e da vida.</p><p>Voa em sonhos, mas na terra</p><p>Sente a dor que nunca é esquecida.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:26:35 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Pátria</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532522173</link>
         <description><![CDATA[<p>Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!</p><p>Criança! não verás nenhum país como este!</p><p>Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!</p><p>A Natureza aqui, perpetuamente em festa,</p><p>É um hino de amor!</p><p><br/></p><p>Ah! se tu pudesses, com o coração que vibra,</p><p>Sentir toda a beleza que este chão encerra;</p><p>Se tu pudesses ver a luz que nos inunda,</p><p>A força que nos vem da raça mais fecunda,</p><p>Da gente que te ama!</p><p><br/></p><p>Não tenhas nunca o coração pequeno,</p><p>Para amar tua pátria, teu berço, teu céu.</p><p>Sê forte, sê justo, sê bravo, sê leal,</p><p>Sê o orgulho e a glória deste chão natal.</p><p>Sê o amor que te guia!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:26:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>As Velhas Árvores</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532522372</link>
         <description><![CDATA[<p>As velhas árvores, de grossos troncos,</p><p>Que o vento curva e o tempo não corrói,</p><p>São como mestres, de semblantes francos,</p><p>Que a cada novo dia nos ensina e acolhe.</p><p><br/></p><p>Seus ramos estendem-se, em mil tentáculos,</p><p>A buscar o sol, a buscar a luz,</p><p>E as raízes fundas, fortes e firmes,</p><p>A vida da terra silenciosa lhes conduz.</p><p><br/></p><p>Quanta história guardam! Quanta sabedoria!</p><p>De chuvas e estiagens, de verões e invernos.</p><p>Testemunhas mudas de tanta alegria,</p><p>E de tantos segredos eternos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:27:12 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Rio</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532522837</link>
         <description><![CDATA[<p>O rio é uma serpente de água,</p><p>Que se arrasta, sinuosa, pelo chão.</p><p>Em seu leito, a vida se esquadra,</p><p>E em seu curso, a alma e a canção.</p><p><br/></p><p>Ele corre, sem parar, para o mar,</p><p>Levando consigo os sonhos e as dores.</p><p>É um caminho que não tem lugar,</p><p>É a esperança que tece seus flores.</p><p><br/></p><p>Às suas margens, a natureza se inclina,</p><p>As árvores se espelham em sua vastidão.</p><p>O vento sussurra, a brisa acende a luz,</p><p>E o canto das aves é um eterno hino de gratidão.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:27:27 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532522837</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O Caçador de Esmeraldas</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532523206</link>
         <description><![CDATA[<p>Esta é a lenda dos caçadores de esmeraldas,</p><p>Que subiram as montanhas e desceram os vales,</p><p>Em busca do brilho verde, da pedra que encanta,</p><p>Que promete a riqueza, mas esconde os males.</p><p><br/></p><p>Com paciência e coragem, eles procuravam,</p><p>Em cada rocha, em cada fenda da terra.</p><p>A esperança os guiava, a fé os abraçava,</p><p>E a paixão pelo ouro não os desterra.</p><p><br/></p><p>Mas a esmeralda é um sonho, uma miragem,</p><p>Que seduz os olhos, mas ilude o coração.</p><p>Ela mostra a beleza, mas oculta a dor,</p><p>E a fortuna que ela traz é uma ilusão.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:27:52 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Via Láctea XIII</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532523554</link>
         <description><![CDATA[<p>"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,</p><p>Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,</p><p>Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto</p><p>E abro as janelas, pálido de espanto...</p><p><br/></p><p>E conversamos toda a noite, enquanto</p><p>A Via Láctea, como um pálio aberto,</p><p>Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,</p><p>Inda as procuro pelo céu deserto.</p><p><br/></p><p>Direis agora: "Tresloucado amigo!</p><p>Que conversas com elas? Que sentido</p><p>Tem o que dizem, quando estão contigo?"</p><p><br/></p><p>E eu vos direi: "Amai para entendê-las!</p><p>Pois só quem ama pode ter ouvido</p><p>Capaz de ouvir e de entender estrelas."</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:28:25 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Sonho da Floresta</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532523789</link>
         <description><![CDATA[<p>No coração da floresta,</p><p>Onde o silêncio é rei,</p><p>Sonha a vida, sonha a festa,</p><p>Sonha a paz da minha lei.</p><p><br/></p><p>As árvores se entrelaçam,</p><p>Em um abraço sem fim.</p><p>Os raios de sol se disfarçam,</p><p>E a sombra me acolhe em mim.</p><p><br/></p><p>O canto dos pássaros ecoa,</p><p>Uma melodia sem igual.</p><p>A brisa suave que voa,</p><p>Traz perfumes do natal.</p><p><br/></p><p>E eu me perco nesse sonho,</p><p>Nesse reino de mistério.</p><p>Onde a alma se abandona,</p><p>E o espírito encontra o seu império.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:28:44 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paisagem Noturna</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532524120</link>
         <description><![CDATA[<p>A noite desce, calma e serena,</p><p>Cobrindo o mundo com seu véu escuro.</p><p>As estrelas surgem, em luz pequena,</p><p>Pontilhando o céu, um misterioso muro.</p><p><br/></p><p>O silêncio se faz, profundo e denso,</p><p>Apenas o vento sussurra em canção.</p><p>A lua ascende, em prata e incenso,</p><p>Iluminando a alma e o coração.</p><p><br/></p><p>As sombras dançam, em um balé sem fim,</p><p>As árvores dormem, em paz e quietude.</p><p>A vida se recolhe, em seu jardim,</p><p>E o sonho se revela em sua virtude.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:29:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Como a floresta secular</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532526377</link>
         <description><![CDATA[<p>IV</p><p><br/></p><p>Como a floresta secular, sombria,</p><p>Virgem do passo humano e do machado,</p><p>Onde apenas, horrendo, ecoa o brado</p><p>Do tigre, e cuja agreste ramaria</p><p><br/></p><p>Não atravessa nunca a luz do dia,</p><p>Assim também, da luz do amor privado,</p><p>Tinhas o coração ermo e fechado,</p><p>Como a floresta secular, sombria...</p><p><br/></p><p>Hoje, entre os ramos, a canção sonora</p><p>Soltam festivamente os passarinhos.</p><p>Tinge o cimo das árvores a aurora...</p><p><br/></p><p>Palpitam flores, estremecem ninhos, . .</p><p>E o sol do amor, que não entrava outrora,</p><p>Entra dourando a areia dos caminhos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:31:44 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Rio Abaixo</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532528360</link>
         <description><![CDATA[<p>Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...</p><p>Quase noite. Ao sabor do curso lento</p><p>Da água, que as margens em redor alaga,</p><p>Seguimos. Curva os bambuais o vento.</p><p><br/></p><p>Vivo, há pouco, de púrpura, sangrento,</p><p>Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga</p><p>A derradeira luz do firmamento...</p><p>Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.</p><p><br/></p><p>Um silêncio tristíssimo por tudo</p><p>Se espalha. Mas a lua lentamente</p><p>Surge na fímbria do horizonte mudo:</p><p><br/></p><p>E o seu reflexo pálido, embebido</p><p>Como um gládio de prata na corrente,</p><p>Rasga o seio do rio adormecido.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:34:07 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Pedra de Transposição</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532529951</link>
         <description><![CDATA[<p>A pedra</p><p>é um tempo.</p><p>Não se move.</p><p>Não se rende.</p><p>É só existir.</p><p><br/></p><p>A pedra</p><p>é um limite.</p><p>Entre o céu e a terra.</p><p>Entre o dia e a noite.</p><p>Entre o silêncio e a voz.</p><p><br/></p><p>A pedra</p><p>é um segredo.</p><p>Que guarda a memória</p><p>de tudo que foi.</p><p>E de tudo que será.</p><p><br/></p><p>A pedra</p><p>é uma ponte.</p><p>Que nos leva</p><p>ao outro lado</p><p>do olhar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:36:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Árvore</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532530128</link>
         <description><![CDATA[<p>A árvore</p><p>é uma coluna</p><p>de silêncio.</p><p>Erguida entre o céu</p><p>e a terra.</p><p><br/></p><p>Seus braços</p><p>se estendem</p><p>para o infinito.</p><p>Suas raízes</p><p>se aprofundam no tempo.</p><p><br/></p><p>A árvore</p><p>é um ser</p><p>que respira luz.</p><p>Que filtra o vento.</p><p>Que canta com o passarinho.</p><p><br/></p><p>A árvore</p><p>é uma escada</p><p>para o mistério.</p><p>Onde a alma</p><p>encontra o seu lugar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:36:32 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Noite</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532530249</link>
         <description><![CDATA[<p>A noite</p><p>não é só escuridão.</p><p>É um espaço</p><p>onde a luz se esconde.</p><p>E a sombra se revela.</p><p><br/></p><p>A noite</p><p>é um silêncio</p><p>que fala sem voz.</p><p>Que escuta o inexprimível.</p><p>Que acolhe o sono.</p><p><br/></p><p>A noite</p><p>é um espelho</p><p>onde a alma se vê.</p><p>Onde os sonhos se formam.</p><p>Onde a verdade aparece.</p><p><br/></p><p>A noite</p><p>é um abismo</p><p>onde o medo se esconde.</p><p>Mas também um útero</p><p>onde a estrela nasce.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:36:43 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Poema sobre um Pássaro</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532530373</link>
         <description><![CDATA[<p>Um pássaro.</p><p>Pequena asa.</p><p>Leva o céu</p><p>no olhar.</p><p><br/></p><p>Um pássaro.</p><p>Pequeno canto.</p><p>Leva o silêncio</p><p>no ar.</p><p><br/></p><p>Um pássaro.</p><p>Pequeno voo.</p><p>Leva o tempo</p><p>no além.</p><p><br/></p><p>Um pássaro.</p><p>Pequeno ser.</p><p>Leva a vida</p><p>no instante.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:36:55 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Canto de Regresso à Pátria</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532535742</link>
         <description><![CDATA[<p>Minha terra tem palmeiras</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>As aves que aqui gorjeiam</p><p>Não gorjeiam como as de lá.</p><p><br/></p><p>A terra mais formosa</p><p>Das que já vi, sem mentir.</p><p>Minha terra é bem grandiosa,</p><p>Tem frutos, plantas, flores mil.</p><p><br/></p><p>A saudade é que nos faz amar.</p><p>A ausência nos faz lembrar.</p><p>Mas o presente nos faz lutar.</p><p>E o futuro nos faz sonhar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:43:50 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Árvores Tristes</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532544617</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu, nestes campos, longe do tumulto,</p><p>Amo essas tristes árvores que crescem</p><p>Por sobre as margens dum arroio oculto,</p><p>Ouvindo as águas que cantando descem...</p><p><br/></p><p>Gosto de vê-las à tardinha, envoltas</p><p>Numa suave e mística tristeza,</p><p>Olhando os rolos das espumas soltas</p><p>Que encrespam o lençol da correnteza.</p><p><br/></p><p>Tristonhas plantas! Árvores sombrias!</p><p>Como se as torturasse estranha mágoa,</p><p>E as compungissem fundas nostalgias,</p><p>— Procuram consolar-se à beira d'água.</p><p><br/></p><p>Oh! vós que amais os campos, nunca as vistes?</p><p>— Desconsoladas, trêmulas, chorosas,</p><p>Pelas barrancas dos arroios tristes</p><p>Debruçam as ramagens silenciosas...</p><p><br/></p><p>Que importa o sol, que importa a chuva e o vento,</p><p>Se sempre as mesmas ânsias as consomem?</p><p>Talvez — quem sabe? — nesse desalento,</p><p>Palpite e sofra o coração dum homem!</p><p><br/></p><p>Talvez nessas folhagens, nesses ramos,</p><p>Torturados de angústia e desconforto,</p><p>— Sem que a vejamos, sem que a compreendamos,</p><p>Soluce a alma de algum poeta morto.</p><p><br/></p><p>Ai, não turbeis a misteriosa mágoa,</p><p>A imensa nostalgia em que se abismam;</p><p>Deixai-as em silêncio, à beira dágua,</p><p>Essas tristonhas árvores que cismam...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 02:54:20 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Meio-dia</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532550832</link>
         <description><![CDATA[<p>Todo o ar treme sob o sol do meio-dia!</p><p>O capim se dobrou sobre si mesmo, trepidando...</p><p>A gente olhando o campo</p><p>tem a impressão que derramam sobre ele</p><p>qualquer coisa derretida !</p><p><br/></p><p>O gado invadiu as restingas e os capões,</p><p>para fugir à graxa quente, que o sol derrama</p><p>derretida</p><p>sobre a grama.</p><p><br/></p><p>No lombo da coxilha</p><p>só um cavalo velho bate o casco,</p><p>varado de sede,</p><p>porque teve preguiça de fugir do sol,</p><p>porque tem preguiça de descer à sanga</p><p>Debaixo dos cinamomos da fazenda</p><p>a peonada dorme, estirada de costas, com o chapéu nos olhos.</p><p><br/></p><p>Um guaipeca, deitado aos pés de um peão</p><p>erra bocadas nas moscas, estalando os dentes.</p><p>Depois cocoricoca uma galinha que botou</p><p>e tudo volta ao silêncio porque o calor tonteia.</p><p><br/></p><p>Até o vento tem preguiça de ventar!...</p><p>Apenas se ouve, zunindo, longo, infindo,</p><p>o monótono zunzum das moscas vagabundas...</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:04:05 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>As Borboletas</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532551451</link>
         <description><![CDATA[<p>Brancas</p><p>Azuis</p><p>Amarelas</p><p>E pretas</p><p>Brincam</p><p>Na luz</p><p>As belas borboletas.</p><p><br/></p><p>Borboletas brancas</p><p>São alegres e francas.</p><p>Borboletas azuis</p><p>Gostam muito de luz.</p><p><br/></p><p>As amarelas</p><p>São tão bonitas!</p><p>E as pretas, então...</p><p>Oh, que escuridão!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:05:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Girassol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532551689</link>
         <description><![CDATA[<p>O girassol é o sol que se move.</p><p>É a luz que se inclina.</p><p>É a esperança que tece.</p><p>É a vida que ilumina.</p><p><br/></p><p>Ele segue o caminho do sol,</p><p>Do nascer ao pôr.</p><p>Um exemplo de fé,</p><p>De persistência, de amor.</p><p><br/></p><p>No campo que se estende,</p><p>Ele se ergue, gigante.</p><p>Um farol de alegria,</p><p>Um símbolo constante.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:05:28 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paisagem</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532551875</link>
         <description><![CDATA[<p>O silêncio da tarde</p><p>é um velho que dorme.</p><p>O vento que passa</p><p>é um sonho que foge.</p><p><br/></p><p>A árvore que balança</p><p>é uma canção sem voz.</p><p>O rio que corre</p><p>é um tempo que nos faz.</p><p><br/></p><p>O sol que se deita</p><p>é um adeus que se diz.</p><p>A lua que nasce</p><p>é um mistério que seduz.</p><p><br/></p><p>A paisagem é a alma</p><p>que se expande em olhar.</p><p>É a vida que abraça</p><p>o infinito do ar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:05:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Estrela Polar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532552038</link>
         <description><![CDATA[<p>A estrela polar</p><p>é um ponto no céu.</p><p>Um guia para o navegante,</p><p>um segredo para o véu.</p><p><br/></p><p>Ela brilha constante,</p><p>na escuridão da noite.</p><p>Um símbolo de esperança,</p><p>um farol de luz que afoite.</p><p><br/></p><p>Não se move, não se esconde,</p><p>sempre lá, a indicar.</p><p>A direção do norte,</p><p>o caminho para o mar.</p><p><br/></p><p>Assim é a fé na vida,</p><p>uma estrela a guiar.</p><p>Mesmo na noite mais escura,</p><p>ela nos faz sonhar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:06:01 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Floresta</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532552215</link>
         <description><![CDATA[<p>A floresta é um tempo.</p><p>Não se mede em anos.</p><p>Mede-se em silêncios,</p><p>em cheiros, em encantos.</p><p><br/></p><p>São árvores gigantes,</p><p>que alcançam o céu.</p><p>Com suas folhas verdes,</p><p>que cobrem o véu.</p><p><br/></p><p>O canto dos pássaros</p><p>é uma sinfonia.</p><p>O rugido do leão</p><p>é uma melodia.</p><p><br/></p><p>A floresta é a vida</p><p>em sua mais pura forma.</p><p>É a alma da terra,</p><p>que a natureza transforma.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:06:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Murilo Mendes (1901-1975)</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532557859</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:15:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Jorge de Lima (1893-1953)
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532558747</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:17:15 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Gilka Machado (1893-1980)
</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532559692</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:18:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Visão da Manhã</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532561834</link>
         <description><![CDATA[<p>Levanta o Sol as cortinas</p><p>Do Oriente, devagar.</p><p>Cantam aves matutinas</p><p>E a flor acorda a sonhar.</p><p><br/></p><p>No campo, o orvalho brilha,</p><p>Como pérolas miúdas,</p><p>E a brisa, leve e sigilosa,</p><p>Beija as folhas ainda mudas.</p><p><br/></p><p>O céu é um lenço de azul,</p><p>Que se estende em infinitos,</p><p>E a luz que inunda o mundo</p><p>Desperta os sentidos.</p><p><br/></p><p>É a manhã que nasce,</p><p>Cheia de vida e mistério,</p><p>A promessa de um novo dia,</p><p>Um caminho para o etéreo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:22:19 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Sol</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532562114</link>
         <description><![CDATA[<p>Sol, rei do dia,</p><p>Dourado e forte,</p><p>Trazes alegria,</p><p>Afastas a morte.</p><p><br/></p><p>Tua luz me incendeia,</p><p>Teu calor me abraça,</p><p>Em tua ardente ideia,</p><p>Minha alma se desfaça.</p><p><br/></p><p>És a vida que pulsa,</p><p>A energia que flui,</p><p>Em cada raio que impulsiona,</p><p>O ser que em ti se inclui.</p><p><br/></p><p>Sol, eterno e divino,</p><p>Em teu esplendor me prostro,</p><p>E em teu amor genuíno,</p><p>Encontro o meu rosto.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:22:39 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Olhando o mar</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532565693</link>
         <description><![CDATA[<p>Sempre que fito o mar</p><p>tenho a ilusão de achar-me diante</p><p>de um silêncio amplo, ondulante,</p><p>de um silêncio profundo,</p><p>onde vozes lutassem por gritar,</p><p>por lhe fugirem do invisível fundo.</p><p><br/></p><p>Diante do mar eu fico triste,</p><p>nessa mudez de quem assiste</p><p>reproduções do próprio dissabor;</p><p>diante do mar eu sou um mar,</p><p>a outro de apor</p><p>e a se indeterminar.</p><p><br/></p><p>O mar é sempre monotonia,</p><p>na calmaria</p><p>ou na tempestade.</p><p>Fujo de ti, ó mar que estrondas!</p><p>porque a tristeza que me invade</p><p>tem a continuidade</p><p>das tuas ondas...</p><p><br/></p><p>Mas te amo, ó mar, porque minha alma e a tua</p><p>são bem iguais: ambas profundamente</p><p>sensíveis, e amplas, e espelhantes;</p><p>nelas o ambiente</p><p>atua</p><p>apenas superficialmente...</p><p><br/></p><p>Calma de cismas, de êxtases, de sonhos,</p><p>desesperos medonhos,</p><p>ânsias de azul, de alturas...</p><p>- Longos ou rápidos instantes</p><p>em que me transfiguro, em que te transfiguras...</p><p>Nos nossos sentimentos sem represa,</p><p>nas nossas almas, quanta afinidade!</p><p>- Tu sentindo por toda a natureza!</p><p>- Eu sentindo por toda a humanidade!</p><p><br/></p><p>Nos dias muito azuis, o meu olhar,</p><p>atento,</p><p>a descer e a se elevar,</p><p>supõe o mar um espreguiçamento</p><p>do céu e o céu um êxtase do mar.</p><p><br/></p><p>Há nos ritmos da água</p><p>marinha uma poesia, a mais completa,</p><p>essa poesia universal da mágoa.</p><p><br/></p><p>O mar é um cérebro em laboração,</p><p>um cérebro de poeta;</p><p>nas suas ondas, vêm e vão</p><p>pensamentos, de roldão.</p><p><br/></p><p>O mar,</p><p>imperturbavelmente, a rolar, a rolar...</p><p>O mar... - Concluo sempre que metido</p><p>em sua profundeza e em sua vastidão:</p><p>- o mar é o corpo, é a objetivação</p><p>do espaço, do infinito.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:28:23 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Chuva de Cinzas</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532566820</link>
         <description><![CDATA[<p>Chuva de cinzas...Cai a tarde lá por fora</p><p>na estática mudez da Terra triste e viúva;</p><p>e, da tarde ao cair, sinto, minha alma, agora,</p><p>embuça-se na cisma e no torpor se enluva.</p><p><br/></p><p>Hora crepuscular, hora de névoas, hora</p><p>em que de bem ignoto o humano ser enviúva;</p><p>e, enquanto em cinza todo o espaço se colora,</p><p>o tédio, em nós, é como uma cinérea chuva.</p><p><br/></p><p>Hora crepuscular - concepção e agonia,</p><p>hora em que tudo sente uma incerteza imensa,</p><p>sem saber se desponta ou se fenece o dia;</p><p><br/></p><p>hora em que a alma, a pensar na inconstância da sorte,</p><p>fica dentro de nós oscilando, suspensa</p><p>entre o ser e o não ser, entre a existência e a morte.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:30:34 UTC</pubDate>
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         <title>Verão</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532567874</link>
         <description><![CDATA[<p>A Primavera veio</p><p>e se foi, mas deixou tremendo em cada seio</p><p>um rebento de amor. O Verão se acentua,</p><p>e, de manhã, bem cedo,</p><p>vêm dos silêncios amplos e sombrios</p><p>dos versudos moitais,</p><p>vêm do arvoredo,</p><p>murmúrios</p><p>macios</p><p>de cicios...</p><p>Há um mistério, um segredo</p><p>que sai dos íntimos refolhos</p><p>da alma dos animais,</p><p>das plantas, do minério,</p><p>– amoroso mistério</p><p>que as mulheres relatam pelos olhos.</p><p><br/></p><p>Parece mais redonda</p><p>a curva da montanha, a curva da onda...</p><p>Por onde quer que a luz dos olhos entre</p><p>estranha tumescência encontra em cada ventre;</p><p>o claro e escampo céu, sobre as coisas aberto</p><p>da terra está mais perto</p><p>e está mais lindo,</p><p>como que pesado, como que caindo,</p><p>das entranhas contendo nos profundos</p><p>desvãos a gravidez de novos mundos.</p><p><br/></p><p>Verão!</p><p>Que maravilha!</p><p>– a luz fervilha</p><p>em tudo:</p><p>nota-se do silêncio no veludo</p><p>uma palpitação</p><p>de existência no embrião;</p><p>partículas de Sol a água envolve, rolando,</p><p>partículas de Sol tremem, de quando em quando,</p><p>na fronderia, no ar;</p><p>partículas de Sol pululam pela estrada</p><p>que trilho, iluminada...</p><p>Creio que a luz esteja a desovar,</p><p>sinto-a vivendo, sinto-a vibrando</p><p>na minha pele, em cada membro, a cada</p><p>instante, e vago contaminada,</p><p>pelo gérmens vitais da procriação solar.</p><p><br/></p><p>O dia lembra uma exaustão de amor...</p><p>Verão! Que acídia, que langor!...</p><p>Quem me dera também me desdobrar assim</p><p>como esse azul etéreo</p><p>que paira sobre mim</p><p>num lírico elastério!...</p><p>Por ti, Verão, todo meu corpo sente</p><p>ânsia de se expandir indefinidamente,</p><p>ânsia de se esticar, de se esticar</p><p>como as montanhas, como o mar,</p><p>em curvas lentas, no semiústo ambiente;</p><p>ânsia de distender</p><p>uma serpente</p><p>que carrego enroscada no meu ser.</p><p><br/></p><p>Quero amor, quero ardência! A ti me exponho.</p><p>Verão, sou toda fecundidade!</p><p>– O calor me penetra, o Sol me invade</p><p>o senso,</p><p>e tudo em torno a mim se torna mais extenso,</p><p>tudo em que os olhos ponho:</p><p>o céu, o oceano, a mata...</p><p>E enquanto em gestação a Terra se dilata,</p><p>Dilata-se minha alma à gestação do Sonho.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:32:15 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Poema à Pátria</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532568525</link>
         <description><![CDATA[<p>Ó grande</p><p>país</p><p>Tu aderiste também.</p><p>Teus urubus são inquietados</p><p>Nos teus ares altíssimos pelos aviões.</p><p>Nos teus céus os anjos já não podem solfejar,</p><p>Sufocados de fumaça, importunados pelo pessoal</p><p>Do Limbo.</p><p><br/></p><p>Tu vais ficar irremediavelmente</p><p>Toda a América</p><p>Irremediavelmente gêmeo,</p><p>Irremediavelmente comum.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:33:24 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Inverno</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532570543</link>
         <description><![CDATA[<p>Zefa, chegou o inverno!</p><p>Formigas de asas e tanajuras!</p><p>Chegou o inverno!</p><p>Lama e mais lama</p><p>chuva e mais chuva, Zefa!</p><p>Vai nascer tudo, Zefa,</p><p>Vai haver verde,</p><p>verde do bom,</p><p>verde nos galhos,</p><p>verde na terra,</p><p>verde em ti, Zefa,</p><p>que eu quero bem!</p><p>Formigas de asas e tanajuras!</p><p>O rio cheio,</p><p>barrigas cheias,</p><p>mulheres cheias, Zefa!</p><p>Águas nas locas,</p><p>pitus gostosos,</p><p>carás, cabojés,</p><p>e chuva e mais chuva!</p><p>Vai nascer tudo</p><p>milho, feijão,</p><p>até de novo</p><p>teu coração, Zefa!</p><p>Formigas de asas e tanajuras!</p><p>Chegou o inverno!</p><p>Chuva e mais chuva!</p><p>Vai casar, tudo,</p><p>moça e viúva!</p><p>Chegou o inverno</p><p>Covas bem fundas</p><p>pra enterrar cana:</p><p>cana caiana e flor de Cuba!</p><p>Terra tão mole</p><p>que as enxadas</p><p>nelas se afundam</p><p>com olho e tudo!</p><p>Leite e mais leite</p><p>pra requeijões!</p><p>Cargas de imbu!</p><p>Em junho o milho,</p><p>milho e canjica</p><p>pra São João!</p><p>E tudo isto, Zefa...</p><p>E mais gostoso</p><p>que tudo isso:</p><p>noites de frio,</p><p>lá f ora o escuro,</p><p>lá fora a chuva,</p><p>trovão, corisco,</p><p>terras caídas,</p><p>córgos gemendo,</p><p>os caborés gemendo,</p><p>os caborés piando, Zefa!</p><p>Os cururus cantando, Zefa!</p><p>Dentro da nossa</p><p>casa de palha:</p><p>carne de sol</p><p>chia nas brasas,</p><p>farinha dágua,</p><p>café, cigarro,</p><p>cachaça, Zefa...</p><p>...rede gemendo...</p><p>Tempo gostoso!</p><p>Vai nascer tudo!</p><p>Lá fora a chuva,</p><p>chuva e mais chuva,</p><p>trovão, corisco,</p><p>terras caídas</p><p>e vento e chuva,</p><p>chuva e mais chuva!</p><p>Mas tudo isso, Zefa,</p><p>vamos dizer,</p><p>só com os poderes</p><p>de Jesus Cristo!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:36:29 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Onde Estais, Amadas Horas?</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532573434</link>
         <description><![CDATA[<p>Onde estais, amadas horas,</p><p>do campo e do ar,</p><p>onde a rosa se debruça</p><p>e o vento faz bailar?</p><p><br/></p><p>Onde estais, doces manhãs,</p><p>do orvalho e do sol,</p><p>onde a vida se revela</p><p>e a alma encontra o seu farol?</p><p><br/></p><p>Onde estais, quietas tardes,</p><p>da sombra e do céu,</p><p>onde o coração descansa</p><p>sob o seu suave véu?</p><p><br/></p><p>Onde estais, mansas noites,</p><p>da lua e da estrela,</p><p>onde o silêncio é um abraço</p><p>e o sono a vida vela?</p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2025-07-31 03:40:22 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Poema da Criação</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532573784</link>
         <description><![CDATA[<p>E Deus criou o mundo.</p><p>Criou a luz e a sombra.</p><p>Criou a terra e o céu.</p><p>Criou a água e o fogo.</p><p><br/></p><p>Criou as plantas e os animais.</p><p>Criou o homem e a mulher.</p><p>E em tudo que criou</p><p>pôs a sua mão,</p><p>a sua voz,</p><p>o seu amor.</p><p><br/></p><p>E o mundo se encheu de vida.</p><p>De cores, de sons, de cheiros.</p><p>De mistérios e de milagres.</p><p>De alegrias e de dores.</p><p><br/></p><p>E o homem olhou o mundo</p><p>e viu a beleza.</p><p>E ouviu a canção.</p><p>E sentiu a paz.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:40:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>A Árvore</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532582693</link>
         <description><![CDATA[<p>A árvore</p><p>é um olho</p><p>que vê o céu.</p><p>É uma mão</p><p>que toca o vento.</p><p>É um coração</p><p>que pulsa silêncio.</p><p><br/></p><p>Ela respira</p><p>o ar que me sustenta.</p><p>Ela abriga</p><p>o passarinho que canta.</p><p>Ela guarda</p><p>o tempo que me assusta.</p><p><br/></p><p>A árvore</p><p>é uma ponte</p><p>entre o visível</p><p>e o invisível.</p><p>Entre a terra</p><p>e o infinito.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:49:22 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>As Mãos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532583017</link>
         <description><![CDATA[<p>As mãos</p><p>são o vento</p><p>que sopra o barco.</p><p>São a terra</p><p>que planta a semente.</p><p>São a água</p><p>que rega a vida.</p><p><br/></p><p>As mãos</p><p>constroem cidades.</p><p>As mãos</p><p>destroem mundos.</p><p>As mãos</p><p>acariciam sonhos.</p><p><br/></p><p>As mãos</p><p>são a ferramenta</p><p>da alma.</p><p>O instrumento</p><p>do coração.</p><p>O símbolo</p><p>da criação.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 03:49:45 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Poema das Pedras</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532600449</link>
         <description><![CDATA[<p>Ajuntei todas as pedras</p><p>que vieram sobre mim.</p><p>Levantei uma escada muito alta</p><p>e no alto subi.</p><p>Teci um tapete floreado</p><p>e no sonho me perdi.</p><p><br/></p><p>Uma estrada,</p><p>um leito,</p><p>uma casa,</p><p>um companheiro.</p><p>Tudo de pedra.</p><p>Entre pedras</p><p>cresceu a minha poesia.</p><p><br/></p><p>Minha vida</p><p>Quebrando pedras</p><p>e plantando flores.</p><p>Entre pedras que me esmagavam</p><p>levantei a pedra rude</p><p>dos meus versos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 04:16:13 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532600449</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O Rio Vermelho</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532601058</link>
         <description><![CDATA[<p>Tenho um rio que fala em murmúrios.</p><p>Tenho um rio poluído.</p><p>Tenho um rio debaixo das janelas.</p><p>Da Casa Velha da Ponte.</p><p>MEU RIO VERMELHO.</p><p><br/></p><p>Águas da minha sede</p><p>Meus longos anos de ausência.</p><p>Identificados no retorno:</p><p>Rio Vermelho – Aninha.</p><p>Meus sapos cantantes</p><p>Eróticos, chamando, apelando,</p><p>Cobrindo suas gias.</p><p>Seus girinos – pretinhos, pequeninos,</p><p>Inquietos no tempo do amor.</p><p>Sinfonia, coral, cantoria.</p><p>MEU RIO VERMELHO.</p><p><br/></p><p>Debaixo das janelas tenho um rio.</p><p>Correndo desde quando?</p><p>Lavando pedras, levando areias.</p><p>Desde quando?</p><p>Aninha nascia, crescia, sonhava.</p><p><br/></p><p>Água – pedra.</p><p>Eternidades irmanadas.</p><p>O paciente deslizar,</p><p>O chorinho a lacrimejar.</p><p>Sutil, dúctil.</p><p>na pedra, na terra.</p><p>Duas perenidades – sobreviventes.</p><p>No tempo.</p><p>Lado a lado – conviventes,</p><p>diferentes, juntas, separadas.</p><p>Coniventes.</p><p>MEU RIO VERMELHO.</p><p><br/></p><p>Meu Rio Vermelho é longínqua.</p><p>Manhã de agosto.</p><p>Rio de uma infância mal-amada.</p><p>Meus barquinhos de papel.</p><p>Onde navegavam meus sonhos;</p><p>Sonhos navegantes de um barco:</p><p>Pescadora, sonhadora.</p><p>do peixe-homem.</p><p><br/></p><p>Um dia caiu na rede.</p><p>Meu peixe-homem todo de escamas luzidias,</p><p>todo feito de espinhos e espinhas.</p><p><br/></p><p>Rio Vermelho, líquido amniótico.</p><p>Onde cresceu da minha poesia, o feto,</p><p>Feita de pedras e cascalhos.</p><p>Água lustral que batizou de novo</p><p>meus cabelos brancos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 04:17:13 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O Cântico da Terra</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532601211</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu sou a terra, eu sou a vida.</p><p>Do meu barro primeiro veio o homem.</p><p>De mim veio a mulher e veio o amor.</p><p>Veio a árvore, veio a fonte.</p><p>Vem o fruto e vem a flor.</p><p><br/></p><p>Eu sou a fonte original de toda a vida.</p><p>Sou o chão que se prende à tua casa.</p><p>Sou a telha da coberta de teu lar.</p><p>A mina constante de teu poço.</p><p>Sou a espiga generosa de teu gado</p><p>e certeza tranquila ao teu esforço.</p><p><br/></p><p>Sou a razão de tua vida.</p><p>De mim vieste pela mão do Criador</p><p>e a mim tu voltarás no fim da lida.</p><p>Só em mim acharás descanso e paz.</p><p><br/></p><p>Eu sou a grande Mãe Universal.</p><p>Tua filha, tua noiva e desposada.</p><p>A mulher e o ventre que fecundas.</p><p>Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.</p><p><br/></p><p>A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.</p><p>Teu arado, tua foice, teu machado.</p><p>O berço pequenino de teu filho.</p><p>O algodão de tua veste</p><p>e o pão de tua casa.</p><p>E um dia bem distante</p><p>a mim tu voltarás.</p><p>E no canteiro materno de meu seio</p><p>tranquilo dormirás.</p><p><br/></p><p>Plantemos a roça.</p><p>Lavremos a gleba.</p><p>Cuidemos do ninho, do gado e da tulha.</p><p>Fartura teremos</p><p>e donos de sítio</p><p>felizes seremos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 04:17:27 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Todos os Caminhos</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532602185</link>
         <description><![CDATA[<p>Todos os caminhos me levam para a poesia...</p><p>Os caminhos da terra, os caminhos do céu,</p><p>os caminhos do mar, os caminhos do vento.</p><p>Os caminhos da vida, os caminhos da morte.</p><p><br/></p><p>Todos os caminhos me levam para a poesia...</p><p>O caminho da luz, o caminho da sombra,</p><p>o caminho da alegria, o caminho da dor.</p><p>O caminho do amor, o caminho da fé.</p><p><br/></p><p>Todos os caminhos me levam para a poesia...</p><p>O caminho do silêncio, o caminho do som,</p><p>o caminho do tempo, o caminho da eternidade.</p><p>O caminho do infinito, o caminho do ser.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 04:19:00 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532602185</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Poema do Milho</title>
         <author>hadassainez</author>
         <link>https://padlet.com/hadassainez/m69pbn7mbzuzuyk8/wish/3532603503</link>
         <description><![CDATA[<p>(...)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-31 04:21:20 UTC</pubDate>
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      </item>
   </channel>
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