<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>O homem, a natureza e a Arte: do romantismo ao pré-modernismo by </title>
      <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D</link>
      <description>Projeto pedagógico 2ª etapa 2025 - “Memória, Identidade e Sociedade: narrativas que constroem o passado, o presente e o futuro” - Grupo 5 2°D (Ana Clara Santos, Manuela Bianco, Maria Clara Varela e Moira Sessler)</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-08-22 10:49:45 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2025-08-29 05:58:45 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url>https://padlet.net/icons/8.0/svg/1f5bc.svg</url>
      </image>
      <item>
         <title>Liberdade, Igualdade e Fraternidade</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3552970508</link>
         <description><![CDATA[<p>O contexto histórico do Romantismo na Europa remonta uma época de profundas transformações sociais - representadas pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial.</p><p><br/></p><p>Essas revoluções concederam à burguesia não apenas o protagonismo das relações sociais e econômicas, mas também das produções artísticas.</p><p><br/></p><p>Dessa forma, a êxtase pela oportunidade inédita de expressão das próprias emoções estendeu-se às representações da natureza, que tornou-se um espelho dos sentimentos dos autores e um espaço para desenvolver todo o potencial burguês. </p><p><br/></p><blockquote><p>"A formação geológica é pouca coisa comparada à formação oceânica. Os escolhos, casas de vaga, pirâmides da espuma, pertencem à arte misteriosa que o autor deste livro chamou algures a Arte da Natureza, e têm uma espécie de estilo enorme. Ali o fortuito parece intencional. Essas construções são multiformes. Têm o embaraçado do pólipo, a sublimidade da catedral, a extravagância do pagode, a amplidão da montanha, a delicadeza da joia, o horror do sepulcro." - "Os Trabalhadores do Mar" de Victor Hugo (1866)</p></blockquote><p><br/></p><p>No livro "Os Trabalhadores do Mar", de Victor Hugo - um dos principais expoentes do Romantismo francês e mundial -, a natureza é retratada como uma entidade viva e uma força indomável, sendo crucial para o desenvolvimento da narrativa, que foca no embate de Gilliatt - o personagem principal - contra a natureza imprevisível e grandiosa.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://www.meisterdrucke.pt/kunstwerke/500px/Caspar_David_Friedrich_-_Mondaufgang_am_Meer_-_(MeisterDrucke-23585).jpg" />
         <pubDate>2025-08-24 23:14:43 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3552970508</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Independência, ufanismo e indianismo</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3553213714</link>
         <description><![CDATA[<p>Ao chegar no Brasil, o Romantismo também foi desenvolvido em um contexto de transformações e expectativa pelo futuro, mas, diferentemente das revoluções burguesas que ocorriam na Europa, o país descobria-se enquanto nação durante seus primeiros anos de independência. </p><p><br></p><p>Dessa forma, o nacionalismo foi uma característica marcante da primeira geração romântica, uma vez que buscava-se criar a noção de identidade entre o povo brasileiro. Para consolidar esses ideais, as tradições populares foram valorizadas, com destaque para as manifestações indígenas, que tornaram-se o centro de toda a produção romântica nesse primeiro período. Tendo em vista a proximidade dos povos tradicionais e de seus saberes com a natureza, a descrição da fauna e da flora brasileiras era extremamente detalhada e idealizada, compondo um elemento fundamental das narrativas e das poesias, nas quais o cenário era como um personagem e  determinava o desenvolvimento das obras. </p><p><br></p><blockquote><p><strong>Canção do Exílio</strong></p><p><br>Minha terra tem palmeiras<br>Onde canta o sabiá;<br>As aves que aqui gorjeiam,<br>Não gorjeiam como lá.</p><p><br></p><p>Nosso céu tem mais estrelas,<br>Nossas várzeas têm mais flores,<br>Nossos bosques têm mais vida,<br>Nossa vida mais amores.</p><p><br></p><p>Em cismar, sozinho, à noite<br>Mais prazer encontro eu lá;<br>Minha terra tem palmeiras,<br>Onde canta o sabiá.</p><p><br></p><p>Minha terra tem primores,<br>Que tais não encontro eu cá;<br>Em cismar – sozinho, à noite –<br>Mais prazer encontro eu lá;<br>Minha terra tem palmeiras,<br>Onde canta o sabiá.</p><p><br></p><p>Não permita Deus que eu morra,<br>Sem que eu volte para lá;<br>Sem que desfrute os primores<br>Que não encontro por cá;<br>Sem qu’inda aviste as palmeiras<br>Onde canta o sabiá.</p></blockquote><p><br></p><p>No poema de Gonçalves Dias, escrito durante seu período de exílio, a descrição da natureza é o principal elemento para a construção do saudosismo e do patriotismo que caracterizam os versos, sendo essa poesia uma das mais relevantes para o contexto romântico, uma vez que carrega todo o sentimentalismo direcionado ao Brasil pelos escritores românticos, por meio da ultra valorização dos aspectos naturais, que determina as noções de preservação e enaltecimento dos cenários naturais da nação.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWW0di8-1XxGq8miWa42kxvW0a_q9EZJFrk2ljnd2n8ohOCZHFV-3ni-Mys6W0NuhegDGsxJ9xj2nbNAh-9n5fcSFzOHwRYdfXKT94P_XhtwjrZLlFEaRd-XA4_jh4DDyfQcQL7CuwaF_s/s1600/Independence_of_Brazil_1888.jpg" />
         <pubDate>2025-08-25 02:38:46 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3553213714</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Povos tradicionais, ética ambiental e produção artística</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3556984343</link>
         <description><![CDATA[<p>Arne Naess é um filósofo e ambientalista  que aborda a ética ambiental a partir da perspectiva da ecologia profunda, que defende<strong> </strong>o valor intrínseco da natureza, com base na necessidade de reconexão com o mundo natural e do respeito e da proteção a todos os seres vivos. </p><p><br></p><blockquote><p>"Trata-se de perceber a conexão profunda e intrínseca entre todas as formas de vida, reconhecendo o valor inerente de cada ser vivo, independentemente de sua utilidade para os seres humanos." - Arne Naess</p></blockquote><p><br></p><p>A interconexão, a sustentabilidade e a preservação defendidas por a Naess e pela ética ambiental são princípios inerentes a todos os saberes dos povos tradicionais brasileiros, que orientam suas atividades, suas produções culturais e seus conhecimentos nas noções de ecologia e valorização da natureza. </p><p><br></p><p>Nesse sentido, a idealização do indígena na primeira fase romântica, que retratou os povos tradicionais a partir da perspectiva do bom selvagem - ou seja, da atribuição de características como primitivismo, inocência e irracionalidade -, está equivocada ao desconsiderar toda a complexidade e relevância que caracterizam as produções culturais, artísticas e de conhecimento, principalmente no contexto de preservação e valorização da natureza.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://radioyande.com/wp-content/uploads/2025/03/denilson-baniwa-obra-arqueiro-digital-1.png" />
         <pubDate>2025-08-27 11:57:42 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3556984343</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Ultrarromantismo, spleen e pessimismo</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3558781629</link>
         <description><![CDATA[<p>Na segunda fase do Romantismo, o otimismo e a esperança da primeira geração cederam lugar ao pessimismo e ao sofrimento generalizados, em decorrência de processos históricos que propagaram a desilusão, a morbidez, o tédio e a melancolia. </p><p><br/></p><p>Durante esse período, as produções brasileira e europeia em muito se assemelham, assumindo temáticas e estilos semelhantes e influenciando-se mutuamente. Nesse contexto, o principal autor da segunda geração foi George Gordon Byron, conhecido como Lord Byron, cuja estética e abordagem egocêntrica, melancólica e escapista inspirou todos os artistas do período. Esse estado de tristeza profunda foi chamado de spleen, e inspirou a descrição da natureza como um refúgio e um símbolo da fuga da realidade almejada por eles, tornando-se um espelho do estado de espírito de angústia e de sofrimento dos autores.</p><p><br/></p><blockquote><p>Há um prazer nas florestas desconhecidas;<br>Um entusiasmo na costa solitária;<br>Uma sociedade onde ninguém penetra;<br>Pelo mar profundo e música em seu rugir;<br>Amo não menos o homem, mas mais a natureza.</p></blockquote><p><br/></p><p>Nesse trecho de "A Peregrinação de Childe Harold", de Lord Byron, a relação entre a melancolia da segunda geração romântica e a natureza é evidente, uma vez que o poeta descreve a solidão e a vastidão da natureza como superiores à mediocridade humana e como uma alternativa de escape da realidade social frustrante e tediosa.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f8/Charpentier%2C_Constance_Marie_-_Melancholy_-_1801.jpg/1200px-Charpentier%2C_Constance_Marie_-_Melancholy_-_1801.jpg" />
         <pubDate>2025-08-28 13:59:02 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3558781629</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Ausência de propósito, crise de identidade e sociedade de consumo</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559432832</link>
         <description><![CDATA[<p>Em meio à crise de identidade e à ascensão da burguesia, a segunda geração romântica desenvolveu sua produção artística em um contexto propício para a articulação do que - muitos anos mais tarde - se tornaria uma das principais mazelas sociais e ambientais da contemporaneidade - a sociedade de consumo.</p><p><br/></p><p>A sociedade de consumo é entendida pela sociologia enquanto um sistema do ápice do capitalismo no qual a felicidade, o status e a identidade estão ligados à aquisição e consumo de bens e de serviços em massa. As origens dessa organização social retomam o momento de consolidação da burguesia enquanto classe dominante - no qual a produção romântica desenvolveu-se e popularizou-se -, uma vez que a chegada dos burgueses ao topo da hierarquia social e econômica determinou um novo sistema de produção e consumo orientado pelos ideais de lucro e controle assumidos pelos capitalistas. </p><p><br/></p><p>Dessa forma, ao dominar as relações sociais, as atividades econômicas e as produções artísticas, a burguesia incentivou - por meio do marketing e da produção em massa - uma ideologia que preza pelos bens materiais como principal forma de expressar a identidade e alcançar o prestígio social. Assim, o vazio emocional, a desilusão e a dificuldade para encontrar um sentido para a vida - sentimentos amplamente disseminados pela segunda fase do Romantismo - continuaram reverberando na sociedade e possibilitaram que o consumismo preenchesse as lacunas da vida humana, conforme idealizado pela burguesia.</p><p><br/></p><p>Por conseguinte, para manter os padrões de produção e consumo em larga escala, foi necessário o aumento exponencial da extração de recursos naturais e da produção de lixo, que impactam profundamente os ecossistemas e promovem cada vez mais a degradação da natureza, especialmente quando associadas ao descarte inadequado e à devastação irrestrita. Portanto, a natureza que certa fez fora o refúgio da realidade angustiante e pessimista de uma burguesia perdida, foi cruelmente atacada por aqueles que tanto a estimavam e passou a ser vista como nada além de uma mercadoria.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b9/Caspar_David_Friedrich_-_Wanderer_above_the_sea_of_fog.jpg/330px-Caspar_David_Friedrich_-_Wanderer_above_the_sea_of_fog.jpg" />
         <pubDate>2025-08-29 01:17:28 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559432832</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Condoreirismo, crítica social e busca pela igualdade</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559531367</link>
         <description><![CDATA[<p>No contexto do Segundo Reinado e de crescimento dos movimentos abolicionistas, a terceira - e última - fase do Romantismo é reconhecida pela busca por liberdade, pelo engajamento político-social e pela denúncia das injustiças, que estavam presentes em todas as obras do período. </p><p><br/></p><p>Entendidos como condutores de mudanças, os poetas do período ofereceram uma visão crítica inédita para a literatura brasileira, com destaque para Castro Alves, cuja produção literária buscou retratar o sofrimento dos escravizados de maneira crítica, com o intuito de contribuir para suas libertações.</p><p><br/></p><p>Para consolidar essas críticas e denúncias, a natureza nas obras deixou de ser um refúgio para tornar-se um elemento de suporte que ilustra a devastação e potencializa os sentimentos retratados. Dessa forma, o condoreirismo foi atribuído à terceira geração romântica pois faz referência à ave que voa mais rápido e vê mais longe, destacando-se entre os pássaros da mesma maneira que os poetas desse período destacaram-se ao utilizar a arte como mecanismo de transformação social.</p><p><br/></p><blockquote><p>Senhor Deus dos desgraçados!</p><p>Dizei-me vós, Senhor Deus!</p><p>Se é loucura... se é verdade</p><p>Tanto horror perante os céus?!</p><p>Ó mar, por que não apagas</p><p>Co'a esponja de tuas vagas</p><p>De teu manto este borrão?...</p><p>Astros! noites! tempestades!</p><p>Rolai das imensidades!</p><p>Varrei os mares, tufão!</p></blockquote><p><br/></p><p>Nesse trecho, retirado de " O Navio Negreiro", obra mais importante de Castro Alves e da terceira fase do Romantismo no Brasil, a descrição de fenômenos e de elementos naturais ocorre com o objetivo de contextualizar o terror vivido durante a jornada de africanos escravizados até o Brasil, sendo o mar um símbolo essencial de insegurança, esperança e desespero - sentimentos conflitantes que são intercalados ao longo da obra para consolidar a crítica social e os ideais abolicionistas.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/71/Navio_negreiro_-_Rugendas_1830.jpg" />
         <pubDate>2025-08-29 01:52:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559531367</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Cientificismo, coercitividade e crítica social</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559648340</link>
         <description><![CDATA[<p>Durante a crise do Segundo Reinado e o processo de transição entre Monarquia e República, impulsionado pelo avanço do capitalismo, a urbanização brasileira foi iniciada e, com ela, diversos problemas sociais - como a desorganização urbana e a exploração da classe trabalhadora - abalaram a população do país.</p><p><br></p><p>Portanto, a produção artística assumiu um caráter de denúncia e busca por transformações sociais, inaugurando o Naturalismo enquanto escola literária pautada no cientificismo - análise da realidade para explicar racionalmente os fenômenos sociais -, cujo principal objetivo era compreender o comportamento humano a partir de romances de tese (utilização das obras como mecanismos de experimentação de uma hipótese ou comprovação de um ponto de vista).</p><p><br></p><p>Para construir seus enredos, os naturalistas foram influenciados  por diversas teorias científicas, como o determinismo de Taine e o evolucionismo de Darwin, tendo em vista que defendiam o indivíduo como resultado da influência exercida nele pelo meio no qual está inserido. Dessa forma, a ambientação era essencial para as obras, e as analogias aos fenômenos da natureza foram constantes durante todo o período, sempre com o intuito de analisar o comportamento humano e construir críticas baseadas nos métodos científicos e nas condições sociais. </p><p><br></p><blockquote><p>E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, e esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco.</p></blockquote><p><br></p><p>O excerto retirado de "O Cortiço", obra mais conhecida de Aloísio de Azevedo e de todo o Naturalismo no Brasil, demonstra a importância do espaço para a construção da narrativa e aborda uma das características mais marcantes da produção naturalista: a zoomorfização, ou seja, a comparação dos personagens a animais a partir de seus instintos e impulsos naturais. </p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b1/Van-willem-vincent-gogh-die-kartoffelesser-03850.jpg" />
         <pubDate>2025-08-29 02:19:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559648340</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Industrialização, urbanização e impactos ambientais</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559921321</link>
         <description><![CDATA[<p>O Naturalismo desenvolveu-se em um período de grandes transformações econômicas e sociais, com o crescimento da burguesia e a exploração do proletariado - que vivia em condições degradantes e desumanas nas cidades brasileiras. Nesse contexto, para criticar as injustiças da época, os autores abordavam o ser humano como um animal determinado por forças biológicas e sociais, que seriam impostas sobre ele e retirariam o controle acerca dos rumos de sua própria vida.</p><p><br></p><p>Assim sendo, as mudanças sociais e espaciais promovidas pela nova organização econômica foram muito importantes para a abordagem naturalista - haja vista que, se o homem é produto do meio em que está inserido, transformações no meio são também transformações no homem. A disposição segregadora dos - então recentes - centros urbanos, as condições de higiene precárias ou inexistentes, as habitações precárias e tantos outros problemas urbanos foram alvos das denúncias e das críticas naturalistas durante todo o período de produção literária. No entanto, ao longo do tempo, essas questões não apenas persistiram, como foram agravadas, levando à consolidação da urbanização brasileira como um processo excludente, violento e infame com implicações diversas e abrangentes.</p><p><br></p><p>Considerando que industrialização e urbanização são processos indissociáveis, os primeiros aglomerados urbanos do Brasil - retratados pelos artistas naturalistas - tem origem nas primeiras concentrações industriais brasileiras. Tendo em vista que a industrialização no país foi um processo tardio, os autores do Naturalismo observavam uma forma muito branda de sua manifestação, mas com suficiente importância para a investigação das origens de um fenômeno tão importante e impactante.</p><p><br>Assim, partindo de pequenas industrias pontuais, sustentadas pelo lucro da economia agrícola, a industrialização no país foi potencializada por meio da substituição de importações, na década de 1930, durante a Era Vargas, e, mais tarde, foi aprimorada, potencializada e sofreu crises econômicas graves. Durante todo o seu processo de expansão, as indústrias tiveram grandes impactos ambientais, entre os quais recebem destaque a poluição atmosférica, o esgotamento de recursos naturais, o descarte inadequado de resíduos e a devastação de grandes áreas. </p><p><br/></p><p>Todos esses impactos, associados à urbanização desacompanhada de políticas públicas, ao aumento exponencial nos padrões de produção e consumo e à exploração dos trabalhadores urbanos, geraram transformações profundas e rápidas no espaço brasileiro, distanciando, cada vez mais, a perspectiva da natureza como refúgio e acolhimento, e aproximando a população do determinismo e da abordagem social promovida pelo Naturalismo.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/31/Almeida_J%C3%BAnior_-_A_mendiga.jpg" />
         <pubDate>2025-08-29 03:58:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3559921321</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Nacionalismo, regionalismo e denúncia</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560033335</link>
         <description><![CDATA[<p>O Pré-modernismo é caracterizado pelo abandono das idealizações e do formalismo, adotando uma nova abordagem de exaltação do Brasil real e de visão crítica acerca dos problemas enfrentados pelo país. O movimento foi desenvolvido durante o período conturbado de transição da República Oligárquica, no qual conflitos sociais eram frequentes e a população buscava promover transformações políticas, da mesma maneira que os pré-modernistas tentavam revolucionar a Arte brasileira.</p><p><br/></p><p>Assim sendo, na Literatura, a natureza tornou-se um pano de fundo que refletia as mazelas e as belezas do país, com a valorização de paisagens regionais e a denúncia de problemas sociais como fome, miséria e seca. As obras descreviam a natureza a fim de construir um retrato do país, seja para aprofundar a crítica social. seja para mostrar a pluralidade brasileira e todas as especificidades regionais.</p><p><br/></p><p>Por fim, para elaborar uma representação adequada do Brasil, é fundamental considerar sua diversidade cultural e natural e, portanto, o Pré-modernismo valoriza não apenas o nacionalismo, mas também o regionalismo, com destaque para enredos desenvolvidos nas paisagens interioranas do país. </p>]]></description>
         <enclosure url="https://midias-publicas.enciclopedia.itaucultural.org.br/rx43suf8obaogf6iqa1cftil06ai" />
         <pubDate>2025-08-29 04:52:17 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560033335</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Bahia - &quot;Os Sertões&quot; de Euclides da Cunha</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560066633</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><p>"E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono.</p><p><br/></p><p>Depois tudo isto se acaba. Voltam os dias torturantes; a atmosfera asfixiadora; o empedramento do solo; a nudez da flora; e nas ocasiões em que os estios se ligam sem a intermitência das chuvas - o espasmo assombrador da seca." - "Os Sertões" de Euclides da Cunha (1902)</p></blockquote><p><br/></p><p>Em "Os Sertões" - a obra mais conhecida e emblemática do Pré-Modernismo - Euclides da Cunha narra a Guerra de Canudos, enquanto aborda o homem sertanejo, sua cultura e suas experiências em meio à seca e à miséria.</p><p><br/></p><p>Ao analisar o clima, o solo e a natureza presentes no cenário sertanejo, o autor analisa as características culturais, a resiliência e a condição social do sertanejo, bem como explora a influência do ambiente na vida humana e critica a crueldade do conflito militar ocorrido no final do século XIX. </p><p><br/></p><p>O principal elemento responsável por compor a miséria do sertão nordestino no livro de Euclides da Cunha é a seca. Nesse sentido, é fundamental que a discussão acerca da seca no sertão seja mais efetiva no combate a essa mazela, em especial no contexto atual de crise climática, uma vez que o aquecimento global altera o regime de chuvas de todo o planeta, implicando no agravamento dos episódios de seca e nos prejuízos para a agricultura, intensificando a brutalidade descrita pelo autor de "Os Sertões".</p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2025-08-29 05:16:40 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560066633</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Espírito Santo - &quot;Canaã&quot; de Graça Aranha</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560133032</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><p>"As visões acumuladas nos últimos dias de travessia da mata persistiam em toda a sua força. Ora sentia-se esbraseado com o sol que inflamava as coisas e lhe queimava o sangue; ora sentia-se passar pela sombra úmida da floresta cuja exuberância e vida se filtravam deliciosamente até à sua alma; ora era o rio imenso, pujante que corria para ele, impelido por uma força desse poder misterioso que animava as moléculas mais íntimas de todo aquele mundo novo. E Lentz via por toda parte o homem branco apossando-se resolutamente da terra e expulsando definitivamente o homem moreno que ali se gerara." - "Canaã" de Graça Aranha (1902)</p></blockquote><p><br/></p><p>Em "Canaã", Graça Aranha aborda a imigração alemã no século XX, representando o choque de culturas na forma do conflito entre os dois protagonistas - Lentz, que representa as ideias colonialistas, o racismo e a crença na superioridade da raça ariana, e Milkau, humanista que defende a harmonia e a integração das etnias.</p><p><br/></p><p>O autor descreve a natureza com uma riqueza de detalhes impressionante, para transmitir a idealização e o preconceito de Lentz, que acredita ter encontrado a terra prometida para o seu povo, onde o único obstáculo seriam os povos tradicionais.</p><p><br/></p><p>Assim como o personagem desdenha da resistência e do intelecto das comunidades tradicionais, muitos proprietários agrícolas desdenham dos saberes e da importância dos povos originários para a manutenção dos ecossistemas. Desse modo, esses empresários desmatam áreas de preservação, contribuem para o agravamento da crise climática (maior emissão de poluentes, menor captação de poluentes) e promovem perdas culturais irreparáveis, em função do egoísmo e da ganância, prejudicando, por fim, todos os seres vivos do planeta. </p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2025-08-29 05:38:55 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560133032</guid>
      </item>
      <item>
         <title>São Paulo - &quot;Urupês&quot; de Monteiro Lobato</title>
         <author>manuelabianco100</author>
         <link>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560183008</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><p>"No meio da natureza brasílica, tão rica de formas e cores, onde os ipês derramam feitiços no ambiente e a infolhescência dos cedros, às</p><p>primeiras chuvas de setembro, abre a dança dos tangarás; onde há abelhas</p><p>de sol, esmeraldas vivas, cigarras, sabiás, luz, cor, perfume, vida dionisíaca</p><p>em escachoo permanente, o caboclo é o sombrio urupê de pau podre, a</p><p>modorrar silencioso no recesso das grotas.</p><p><br></p><p>Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.</p><p><br></p><p>Só ele, no meio de tanta vida, não vive..." - "Urupês" de Monteiro Lobato (1918)</p></blockquote><p><br></p><p>Em "Urupês", Monteiro Lobato introduz a figura de Jeca Tatu, um dos personagens mais icônicos e conhecidos da literatura brasileira. Jeca é um caipira paulista que, no primeiro momento, representa uma crítica à miséria, à preguiça e à ingenuidade da população interiorana, tornando-se o símbolo de um país agrário, pobre, injusto e atrasado.</p><p><br></p><p>Para construir sua crítica e consolidar a figura de Jeca Tatu, o autor descreve uma natureza rica, vibrante e florida, em contraste com o personagem indolente, passivo e desleixado. As referências à natureza estendem-se ao título da obra, uma vez que urupê é um cogumelo parasita que destrói madeira e prejudica a harmonia da paisagem. </p><p><br></p><p>Bem como Jeca Tatu, diversos brasileiros vivem em um contexto de insegurança e passividade, pois não conhecem a vida fora do meio rural. Nesse sentido, as alterações climáticas afetam esses grupos de maneira particular, pois a instabilidade na produção agrícola e o aumento de pragas e doenças - efeitos da crise do clima - impedem que esses trabalhadores realizem as únicas funções que conseguem cumprir - uma vez que não têm acesso à instrução - e, então, a insegurança e a vulnerabilidade dessas pessoas crescem junto com a exploração descontrolada. </p>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2025-08-29 05:58:44 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/manuelabianco100/o_homem_a_natureza_e_a_arte_2D/wish/3560183008</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
