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      <title>Relações Étnico-Raciais e a Psicologia by </title>
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      <description>Criado com um passe de mágica</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-02-05 14:15:19 UTC</pubDate>
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         <title>Raça como categoria social</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
         <link>https://padlet.com/mariaeduardafuhr/kwfxz501skj07mbl/wish/2030717124</link>
         <description><![CDATA[<div>Raça como categoria biológica é uma falácia. A raça só existe enquanto categoria social, enquanto categoria que privilegia uns e limita outros em razão da cor da pele. Foucault já dizia que todo saber é criado e construído por algum motivo, quase sempre econômico, político e social. A raça foi criada a partir do momento que o homem branco europeu começou a ter contato com a diversidade de povos e culturas nos continentes africano, americano e asiático, e logo tornou-se ferramenta para legitimar o homem branco europeu como a "raça" mais civilizada, mais "evoluída", dotada das melhores características físicas, intelectuais e sociais. Inicialmente fundada nas supostas diferenças biológicas, a raça como categoria biológica logo foi posta como mentira, à medida que se avançaram as pesquisas científicas em torno do assunto. No entanto, o que se herdou foi a raça como categoria social e a construção de toda uma hierarquia racial que coloca pessoas brancas no topo à medida que pisa em pessoas negras para isso. Preconceitos, estigmas, vulnerabilidade social e econômica, negligência e políticas racistas por parte do Estado, discriminação, são alguns dos exemplos que configuram elementos essenciais de um racismo estrutural que está na base da sociedade brasileira e que lega aos negros uma carga enorme de sofrimento, opressão, descaso e invisibilidade. No entanto, alguns elementos do racismo são bem sutis em nossa sociedade. Um deles, que me causou muita reflexão durante a última aula, está relacionado ao racismo como fundamento do campo afetivo. Inicialmente podemos pensar que não tem nada a ver, que o racismo como base das relações em nossa sociedade não interfere nas relações de amor, desejo e atração entre as pessoas. Mas olhando bem, essa frase parece contraditória. Desde que nascemos, temos nossas subjetividades atravessadas por conteúdos midiáticos, e principalmente por padrões de beleza por ele apresentados. Por muito tempo, mulheres brancas e magras, majoritariamente loiras, solidificavam o estereótipo de beleza, assim como homens brancos e fortes. Quando se nasce e se desenvolve acreditando nesses padrões por ser a única coisa que víamos representada nas novelas, revistas e propagandas, acredito ter sim uma relação com a construção de nossas subjetividades e, desse modo, todo o nosso campo do desejo. Preconceitos que marcam corpos negros, como a questão da erotização e da sexualização da mulher negra, como estigma consolidado durante o período escravocrata como forma de justificar o estupro de mulheres negras, ainda repercutem na sociedade e também atuam de forma exponencial no campo da construção do desejo e do amor. Portanto, resolvi trazer um exemplo que me fez refletir muito, especialmente pelo que representa. Durante o BBB, Natália, uma mulher negra, buscou se envolver com Lucas, um homem branco, que logo deixou claro que não queria se envolver com ninguém pois não estava preparado. Um dia depois, Lucas se envolve com Eslovênia, uma mulher branca. A participante, ao ver a cena, começa a chorar, fica tão abalada que até pensa em sair do reality. Mas acredito que Natália não chorou pelo fato de ser rejeitada por Lucas. O que aconteceu com Natália, sua tristeza, foi resultado do acúmulo de situações em que a mulher, por ser negra e ter toda uma bagagem de estigmas refletida em sua cor, foi rejeitada. Essa situação repercutiu muito nas redes sociais, em que muitas mulheres negras se identificaram com o acontecimento e ainda colocaram como ponto de reflexão uma afirmação que para elas fez muito sentido a vida inteira e que diz respeito ao fato da mulher negra ser erotizada, vista como gostosa, mas no fim "Quem ama corpos negros?". O racismo atravessa nossas subjetividades, marca posições e lugares de existência, busca limitar possibilidades de ser, de poder e de existir. O que aconteceu com&nbsp; Natália não teria repercutido tanto se não fosse um assunto sério e que por muito tempo foi banalizado.&nbsp;<br>Carla Akotirene Santos, que pesquisa raça e interseccionalidade, escreveu um texto muito marcante em relação ao que aconteceu.&nbsp;<br><br>''Logo cedo vejo circular nas redes um vídeo da participante Natália, acompanhado do tema Solidão da Mulher Negra, no qual Ela chora em virtude de não ser escolhida como par desse alguém desejado...<br><br>A verdade é que, para nós, a solidão se tornou um posicionamento político. Parcelas significativas estão fora do mercado afetivo devido a cor, a bagagem acadêmica, a corporeidade, o vitiligo, ou, porque recusam relações aonde estejam escondidas, produzindo sofrimento psíquico para outras mulheres que veem o salário do companheiro servir só pra pagar hotel clandestino, ao invés de quitar a escola do menino, e isto, sim, favorece a feminizacão da pobreza, bem como a pauperizacão das mulheres negras.<br><br>Falar de preterimento não se resume ao fato de ter alguém ou não pra transar. O prazer é um espírito ereto, aprendemos com a filósofa Sobofun Somé.<br><br>Amor é construirmos um projeto juntos, juntas, juntes.<br><br>Estar sozinha é não receber visita na prisão, é ter que sabotar a vida intelectual pra corresponder ao calor de um relacionamento, é apanhar hoje e receber flores amanhã.<br><br>Ser sozinha é não ser escolhida pra o amor!!! E ter de encher a sua própria quartinha.<br><br>De boas, não precisamos fortalecer o debate sobre solidão e preterimento de mulheres negras a partir das festas do BBB.<br><br>Respeitemos a pauta política e a produção intelectual sobre o assunto.<br><br>A pensadora bell hooks quem alerta sobre mulheres que dão sexo na expectativa de receber afeto.<br>Eu já confiei tanto na minha bunda na hora de segurar alguém mas não deu certo.<br><br>Então, gente, se algumas de nós achamos que ter uma genitália para tocar responde ao tema, por outro lado, há uma parcela de nós que também crê que a solidão não tem nada a ver com fodas, sexo três vezes por semana, um olá no zap.<br><br>Tem buraco em nós que pau nenhum pode preencher. Cada qual tem sua história, cada qual conhece as necessidades do corpo individual/coletivo e de como as expectativas sexo-amorosas podem ser supridas. "&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-05 15:20:49 UTC</pubDate>
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         <title>Raça como categoria social</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
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         <description><![CDATA[<div>Essas são algumas das últimas notícias dessa semana. Não resta dúvida nenhuma de que a democracia racial é uma grande mentira. Uma frase que me marcou muito nessa aula diz respeito ao fato de que as pessoas brancas podem escolher observar o racismo, enquanto que as pessoas negras não. A desumanização das pessoas negras durante a Modernidade, a serviço da lógica colonial, repercute ainda hoje no país. </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-05 15:56:47 UTC</pubDate>
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         <title>Branqueamento e Branquitude</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
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         <description><![CDATA[<div>Na última aula que debatemos sobre o branqueamento e a branquitude, dois assuntos ganharam destaque. Num momento inicial, discutimos sobre uma questão latente na sociedade brasileira, e que provoca debates fervorosos, especialmente na contemporaneidade. As cotas raciais, por mais estranho que possa parecer, assumem posição de destaque entre os debates sobre privilégios e meritocracia no Brasil.&nbsp; Muitas pessoas brancas consideram as cotas raciais um absurdo e uma injustiça. No entanto, essas mesmas pessoas ignoram os seus privilégios enquanto sujeitos brancos na sociedade, pessoas que, apesar de enfrentarem inúmeros problemas, não tiveram a cor da pele como mais um deles. Além disso, essas pessoas desconsideram vantagens históricas sobre a população negra, uma vez que os imigrantes que chegaram ao Brasil, incentivados por políticas de governo, receberam cotas para comprar terras. Jamais poderíamos falar em meritocracia em um país tão desigual quanto o Brasil. Outro assunto debatido foi o colorismo. Assunto quente na atualidade, o colorismo está intimamente relacionado com os processos de branqueamento no país. Seguindo, portanto, os reflexos de uma lógico de embranquecimento e higienização da população no começo do século XX, o colorismo considera que a diferença na cor de pele entre pessoas negras também marca uma diferença de privilégios e de aceitação na sociedade. Contudo, como diz Sueli Carneiro, o colorismo na verdade é um tiro no pé e uma estratégia para enfraquecer a luta antirracista. Para a filósofa, fracionar a identidade negra é impedir que pretos e pardos se unam no coletivo e, consequentemente, desestabiliza a luta antirracista. Além disso, ela aponta que esse debate contribui para embaraçar a real problematização do racismo no país, em que essa confusão proporcionada pelo colorismo serve para a manutenção dos privilégios de pessoas brancas. Além disso, outra questão que me chamou atenção foi o embranquecimento da história. Por exemplo, Jesus, Machado de Assis, Cleópatra, Nilo Peçanha, Alexandre Dumas, entre outros, foram algumas das personalidades marcantes da história, da literatura e da política no mundo e no Brasil que foram embranquecidos durante os séculos. É como se fosse inconcebível ter pessoas não brancas sendo significativas na História, como se o sujeito negro não pudesse, de forma alguma, ocupar lugares tão marcantes.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-19 16:38:40 UTC</pubDate>
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         <title>Povos indígenas no Brasil</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
         <link>https://padlet.com/mariaeduardafuhr/kwfxz501skj07mbl/wish/2076306493</link>
         <description><![CDATA[<div>Existem influências culturais por todos os lados e culturas, só que em uma relação que não é simétrica. Atualmente, vemos a cultura indígena ser ressaltada dentro da sociedade envolvente não indígena, mas há um reconhecimento diferente de suas culturas e que é tirado do contexto.&nbsp; Nesse sentido, há uma romantização do passado indígena, remetendo aos grandes heróis e guerreiros, como acontece no Dia do Índio. Mas esse dia é um dia de culpa, e a forma como abordamos esse dia é um indicador de como nos relacionamos com a história e a cultura indígena. Além disso, também discutimos em aula como a psicologia no Brasil nasceu com os jesuítas com o intuito de descrever o comportamento indígena, o que se baseou numa lógica que trabalhava a serviço da colonização e da exploração. &nbsp;  Como entendemos as vivências indígenas no nosso cotidiano e como eu vejo isso, como sinto, como represento, como me relaciono com isso? Precisamos ter uma postura de respeito e olhar com crítica para as teorias da psicologia É necessário olhar para o contexto, para as vivências, as dores e os impactos. Outra coisa importante se refere a consolidação da hegemonia euro-americana em todo mundo, especialmente no campo do conhecimento. Comunidades indígenas, por exemplo, somente produzem experiências para aqueles que a partir dessas experiências produzem teorias científicas. Os saberes indígenas apenas são considerados como crenças e conhecimentos tradicionais, não são legitimados e validados pela sociedade envolvente não indígena.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-03 17:27:27 UTC</pubDate>
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         <title>Relações Raciais e Constituição Psíquica</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
         <link>https://padlet.com/mariaeduardafuhr/kwfxz501skj07mbl/wish/2090407582</link>
         <description><![CDATA[<div>No filme "Identidade", que se passa nos anos 1920 em Nova York, uma mulher negra fica chocada ao reencontrar sua amiga e ver que ela finge ser uma mulher branca, escondendo de todos, inclusive de seu marido, sua verdadeira identidade. O filme parece trazer bem a temática dessa aula, despertando discussões a respeito da psicanálise e da raça como marcador social, reflexões também abordadas por Neusa Santos Souza em seu texto "Tornar-se Negro". O Ideal do Ego é uma formação psíquica que representa a substituição do narcisismo pela veneração de um elevado ideal do EU. O Ideal do Ego é um modelo ideal, perfeito em que, a partir dele, o sujeito possa se constituir, e é construído a partir de elementos culturais, simbólicos e afetivos, como os pais, os substitutos e os ideais coletivos. No entanto, em uma sociedade intensamente marcada por um racismo estrutural e sistêmico, o ideal de brancura é colocado de forma muito forte. Assim, muitas pessoas negras acabam elegendo o branco como Ideal do Ego, acabam encarnando o corpo e os ideais de ego de um sujeito branco e, por consequência, recusam, anulam e negam a presença do seu corpo negro, exatamente como o fez a personagem do filme. Adotar um ideal inatingível e extremamente inconsistente com a sua realidade, o seu corpo, gera muito sofrimento. Para Neusa, a única saída é demandar ao negro a construção de um outro ideal de ego, que lhe configure um rosto próprio, seus valores e interesses. Outras reflexões também são feitas referentes à manutenção de um imaginário branco pela sociedade. Entrar na sala de aula e ver que as únicas coisas discutidas sobre a história negra remetem à escravidão, à humilhação e, atualmente, à miséria é extremamente problemático, pois é a história sobre a cultura de povos e nações que atua como elemento fundador da constituição dos ideais no processo identificatório de cada sujeito. Além disso, também discutimos sobre a contribuição de muitos estudos para a psicanálise que sofreram um duplo apagamento durante a história, uma vez que suas autores eram mulheres e negras.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-11 13:17:34 UTC</pubDate>
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         <title>Relações Raciais e Políticas Públicas</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
         <link>https://padlet.com/mariaeduardafuhr/kwfxz501skj07mbl/wish/2113766198</link>
         <description><![CDATA[<div>Eduardo Galeano escreveu em seu livro "Veias Abertas da América Latina" que para erradicar o analfabetismo era mais fácil erradicar o analfabeto do que trazer educação para ele. Essa crítica, apesar de ter sido escrita na década de 70, continua atual. Parece que para acabar com o racismo é mais fácil excluir as pessoas negras da sociedade e dos debates do que promover essas discussões, promover a conscientização e, principalmente, ver que o racismo afeta todos, sem exceção.&nbsp;<br>Sou natural de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, e me vi identificada pela fala da Fernanda (convidada especial) que disse que em cidades de maioria germânica, italiana e açoriana, quando a presença de negros e indígenas é bem menor, parece que essas pessoas não existem e, principalmente, que o racismo não existe. Já escutei vários comentários de pessoas que dizem que aqui, em Arroio do Meio, o racismo não existe, porque nunca presenciaram um episódio de racismo. Contudo, elas não sabem que acabam repercutindo falas e pensamentos racistas cotidianamente, mas negam. Quando praticamente todos os espaços sociais são ocupados por pessoas brancas, quando tanto o dono quanto o empregado são pessoas brancas, fica fácil achar que o racismo não existe. Parece que quando não tem essa presença na sociedade, as pessoas não existem. Além disso, nas escolas também vejo que essas questões não são muito abordadas, à exceção do dia 20 de novembro e 19 de abril, mas que mais parece uma obrigação. </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-25 13:10:21 UTC</pubDate>
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         <title>Migrações, Racismo e Xenofobia</title>
         <author>mariaeduardafuhr</author>
         <link>https://padlet.com/mariaeduardafuhr/kwfxz501skj07mbl/wish/2178236448</link>
         <description><![CDATA[<div>É perceptível que o Brasil é seletivo em relação ao migrante com o qual se torna acolhedor. Se o estrangeiro será tratado com hospitalidade ou aversão, isso dependerá dos marcadores sociais que o atravessam. No Brasil, o principal marcador social que desencadeia a xenofobia é o fenótipo, o que denuncia as marcas deixadas pelo ideal de branqueamento que ainda repercutem torrencialmente na sociedade e demonstra que no Brasil a xenofobia é racializada. Nesse sentido, a cor e a etnia marcam corpos de forma a definir a forma como essa pessoa será recebida e tratada no país. Além disso, a desumanização do migrante racializado também encontra reflexos na diferença da sensibilização das pessoas com as tragédias e conflitos que estão na base de muitos fluxos migratórios. Vemos que há uma permissividade da violência de determinados corpos (corpos racializados), enquanto que, por outro lado, há uma sensibilização por parte da sociedade em relação aos conflitos que envolvem pessoas brancas de origem europeia.    Quais são os corpos que podem sofrer com os conflitos que geram migração? </div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-10 19:55:00 UTC</pubDate>
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