<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>O feminino no cânone literário português — uma construção masculina. by Maria do Céu Couto</title>
      <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim</link>
      <description>Cânone literário &amp; Igualdade de género   </description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2021-12-18 15:53:49 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2026-04-17 00:58:42 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url>https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/293399542/2d84ceb1381e34ae73edf67786c66131/mulher_homem_eterno_infinito.jpg</url>
      </image>
      <item>
         <title>A representação feminina, no cânone literário português:  a Lídia de Reis e a Lídia de Saramago.</title>
         <author>SaraAmaralS2</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114281882</link>
         <description><![CDATA[<div><br></div><div><strong><em>«E assim, Lídia, à lareira, como estando, / Tal seja, Lídia, o quadro, / Não desejamos, Lídia, nesta hora, / Quando, Lídia, vier o nosso outono, / Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira-rio…»</em></strong><strong><br></strong><br></div><div><strong>José Saramago, “</strong><strong><em>O Ano da Morte de Ricardo Reis</em></strong><strong>”<br></strong><br></div><div><strong>&nbsp;<br></strong><br></div><div><strong>&nbsp; As representações da figura feminina no cânone literário português têm essência no imaginário e olhar masculino.&nbsp; <br>&nbsp; As mulheres ficcionadas são frequentemente estereotipadas, na maior parte das vezes sendo submissas à presença masculina, tal como Lídia, a personagem lírica inspiradora das “Odes” de Ricardo Reis e tal como a sua "</strong><strong><em>homónima</em></strong><strong>" no romance de Saramago, “</strong><strong><em>O ano da Morte de Ricardo Reis</em></strong><strong>”.&nbsp;<br>&nbsp; Estas Lídias são apresentadas de forma completamente contrastante pelos respetivos autores, mas no fim ambas têm características em comum, submissas à vontade e desejos do homem.<br></strong><br></div><div><strong>&nbsp; A Lídia das “</strong><strong><em>Odes</em></strong><strong>” de Ricardo Reis é uma figura feminina serena, calma e companheira que tem como função acompanhar silenciosamente Reis na sua viagem. Esta conceção transmite imediatamente a ideia da mulher submissa que não tem nenhuma autonomia nem poder de palavra e que só tem de ouvir a palavra do amante. Mesmo que em suas “</strong><strong><em>Odes</em></strong><strong>” Reis mantenha uma relação que foge às emoções violentas e às desilusões amorosas, para que caso ele ou Lídia partem nenhum deles sofra, mantendo-se entre eles uma relação desprendida à dimensão erótica do amor, no meu ponto de vista, além da submissão de Lídia, ainda há a privação da escolha da mulher ter uma vida erótica ou não, pois Lídia não age nem fala ao longo desta viagem de Reis que representa a sua vida.<br></strong><br></div><div><strong>&nbsp; Por outro lado, temos a Lídia, personagem criada e parodiada por Saramago, uma mulher apresentada como fisicamente atraente, que ao longo da intriga mantém com Reis uma relação amorosa, onde é destacada a dimensão sensual, erótica e fecunda do amo. Neste caso Lídia é quem toma a iniciativa de se encontrar com Reis, mas ao longo do livro, para mim, é evidente que Lídia é submissa a um homem que unicamente quer o seu corpo, que quando gera fruto, tem de assumir a maternidade sozinha, evidenciando o facto de a mulher ter de ser submissa ao homem e o homem não assumir as responsabilidades de seus atos.<br></strong><br></div><div><strong>&nbsp; O frequente estereótipo da mulher submissa só surgiu devido à presença de um homem zelador e dominador, o que levou várias mulheres aos movimentos feministas para mostrarem a sua verdadeira face e personalidade.<br></strong><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614319602/2f4734267ade6cde2106d5e0c5917486/arte_pt_CAPA_1.png" />
         <pubDate>2022-03-25 18:15:33 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114281882</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino no universo saramaguiano — Blimunda, uma personagem revolucionária.</title>
         <author>a12260</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114909531</link>
         <description><![CDATA[<div><strong><em>O verdadeiro nome da mulher é «Sim». Alguém manda: «não vais». E ela diz: «Eu fico». Alguém ordena: «Não fales». E ela permanecerá calada. Alguém comanda: «Não faças». E ela responde: «Eu renuncio». </em></strong>(Provérbio do Senegal)<br><br></div><div>Na minha opinião, a personagem Blimunda, criada por José Saramago no <em>Memorial do Convento</em>, tem um poder imenso pois com o seu aparecimento a perceção do homem em relação à mulher mudou radicalmente.<br><br></div><div>A mulher no cânone literário português resulta da imaginação e do olhar masculino e acaba por ser estereotipada pela mente machista, mas felizmente existem personagens femininas que são exceções a estas construções masculinos, como é o caso de Blimunda.<br><br></div><div>Blimunda é uma mulher corajosa, fiel, determinada, intuitiva, perspicaz, inteligente e que cede aos seus desejos mais eróticos e profundos refutando assim a ideia de uma mulher de amor puro, “se a ele apetecer, a ela apetecerá, e se ela quis, quererá ele”. Possui também um poder misterioso, a capacidade de ver por dentro (eco visão) que, visualizando a essência dos que estão à sua volta, consegue observar a hipocrisia e as mentiras que se encontram debaixo dos comportamentos estereotipados, condicionados pelas regras estabelecidas que corporizam os falsos conceitos morais montados ao longo do tempo.<br><br></div><div>Ela é independente e não se prende aos estatutos e regras sociais pois casa-se com Baltasar por vontade e iniciativa própria, apenas com a bênção do padre Bartolomeu sem uma cerimónia religiosa, o que era mal visto na época: “<em>o padre Bartolomeu Lourenço esperou que Blimunda acabasse de comer da panela as sopas que sobejavam, deitou-lhe a bênção</em>”.<br><br></div><div>A meu ver, a mulher sempre foi vista e imaginada pelo género masculino como um ser cuja única função é ouvir, obedecer e agradar mas Saramago apresenta-nos Blimunda, uma mulher que representa esta mudança na visão masculina.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614315638/e3d5640d9c2c78f64d1e0f8858aca1aa/blimunda.jpg" />
         <pubDate>2022-03-26 15:26:32 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114909531</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A mulher na novela camiliana — uma construção masculina.</title>
         <author>mafaldacscarolino</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114925604</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;<strong>O cânone literário português era, até meados do século vinte, constituído quase exclusivamente por autores do sexo masculino, sendo por isso, na minha opinião, quase inevitável que as personagens femininas surgissem estereotipadas e distorcidas pela enviesada visão masculina. <br>&nbsp; &nbsp; É por isso impossível não reconhecer a notória perspetiva masculina na representação feminina das obras literárias portuguesas. Ela é tão evidente!...<br></strong><br>&nbsp; &nbsp;Ainda na época do romantismo persistia esse preconceito. As mulheres camilianas de "Amor de Perdição" são um exemplo claro disso, ainda que, mais revolucionárias e com traços de personalidade representativas de mudança da visão retrógrada masculina. O amor é representado na obra como sendo o agente transformador da vida das personagens femininas, nomeadamente Mariana. Esta tem um fim trágico devido a não poder ficar com o homem que ama, mostrando assim a suposta indispensabilidade à vida do homem. Considero que este é um exemplo flagrante da dita "soberania" que os homens acreditavam que tinham. Teresa é descrita como frágil e emotiva. Tadeu, seu pai, representa a visão masculina autoritária e que impõe a total submissão da mulher, quando obriga Teresa a fazer um casamento arranjado com o seu primo "<em>Hás de casar! Quero que cases!</em>".&nbsp;<br><br>&nbsp; &nbsp;Este é um outro exemplo da idealização da mulher pelo homem, resignada e submissa, sem questionar o que lhe é imposto. No entanto, Teresa revela uma faceta feminina não antes vista, impondo-se ao casamento.&nbsp;<br><br>   Na minha perspetiva, as personagens femininas têm sido alvo de uma condenável estereotipia ao longos dos séculos, uma vez que são uma construção masculina. Os autores procuram eternizar a mulher com características que estes consideram ser o "ideal feminino" por eles fantasiado.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614317583/e346d7bb4221e283424e3b3436be7123/p146_zhuravlyov.jpg" />
         <pubDate>2022-03-26 15:48:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2114925604</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no universo saramaguiano — Blimunda, uma personagem transgressora.</title>
         <author>LourencoRodriguesRochaSilva</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115013313</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; A mulher tem servido de grande inspiração para diversas obras literárias, ao longo de diversas estéticas literárias. Não ignorando o facto de que, grande parte dos autores são masculinos, a mulher surge por vezes representada através de um olhar contaminado por essa masculinidade. Por vezes, infelizmente, a mulher surge estereotipada negativamente. Porém, em “Memorial do Convento”, Blimunda é alvo de um estereotipo que é na minha opinião, extremamente positivo.<br><br></div><div>&nbsp; Em “Memorial do Convento”, Blimunda é uma personagem transgressora, contrariando totalmente a visão negativa da mulher retratada em movimentos literários anteriores <strong>—</strong> um objeto, ou figura sem escrúpulos, adúltera e repugnante. Em Blimunda, não existem tais valores, mas sim outros de caráter bem mais honorável, visíveis na relação fidedigna que estabelece com Baltasar, homem que verdadeiramente ama, independentemente da sua condição, e com quem partilha a sua vida e afeto.<br><br></div><div>&nbsp; Mesmo dentro do romance, consegue ser uma personagem transgressora, indo contra as ideologias sociais da época tratada na obra, onde o casamento é condição necessária para relações carnais, e a mulher carece de direitos, sendo a sua função obedecer ao marido, e ser dona de casa. Blimunda é o oposto da mulher do séc. XVIII: tem relações com Baltasar no dia em que se conhecem (ainda que não casados), estabelecendo com este também uma outra relação, marcada pelo respeito mútuo e igualdade de género, mostrando-se capaz de trabalhar na "Passarola" em pé de igualdade com Baltasar. Estes são valores característicos do século presente, marcados pelo olhar de um autor moderno e mais adequado.<br><br></div><div>&nbsp; O olhar artístico incidente sobre a mulher tem-se alterado positivamente mediante a evolução dos ideais sociais. Em contraste com outros estereótipos negativos, onde a mulher é meramente vista como quem desgraça o homem, Saramago representa Blimunda através de um olhar mais moderno e positivo, representando a mulher como uma pessoa melhor, tão capaz quanto o homem, e que tem como papel complementar a vida deste, em vez de a destruir. É um exemplo a seguir, um olhar de igualdade que representa o desejo de uma sociedade sem discriminação.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614317365/bd588dc6f2ba4dfad04a4cf525673c20/nunca_te_olharei_por_dentro.jpg" />
         <pubDate>2022-03-26 18:06:52 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115013313</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no romance “Memorial do Convento” — Blimunda.</title>
         <author>a12273</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115128001</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; O <em>Memorial</em>, sendo embora de um convento, é sobretudo de uma época na qual se esqueceram os protagonistas populares anónimos cuja importância o narrador quer perpetuar. Exemplo disso: encontramos uma ação paralela à principal que envolve Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas. Na minha opinião, esta personagem, rica de simbolismo e firmeza interior, está envolta numa história de espiritualidade, ternura, misticismo e magia a que se liga a construção da "passarola".</div><div>&nbsp; Blimunda de Jesus é uma mulher do povo, a quem o padre Bartolomeu Lourenço, batiza de “Sete-Luas”. Tem o dom de, em jejum, ver o interior das pessoas e das coisas. Ao visualizar a essência dos que a rodeiam, Blimunda transgride os códigos existentes e perceciona a hipocrisia e a mentira. Detentora de grande densidade psicológica e de uma perseverança sem limites, procura “o seu homem” durante nove anos, unindo-se ao mesmo numa comunhão espiritual ao resgatar a sua “vontade” quando finalmente o reencontra num auto-de-fé em que este está a ser queimado no fogo da Inquisição. O nome de Blimunda, estranho e raro tal como a personagem que a veste, teria surgido ao narrador, talvez pela musicalidade que ele encerra ou pela magia das suas três sílabas, símbolo da perfeição. Esta figura representa a força que permite ao povo a sua sobrevivência, assim como contestar o poder e resistir. Simbolicamente, o nome da personagem acaba por funcionar como uma espécie de reverso do de Baltasar. Para além da presença do sete, Sol e Lua completam-se: são a luz e a sombra que compõem o dia <strong>—</strong> Baltasar e Blimunda são, pelo amor que os une, um só e contrastam com o artificialismo da relação de D. João V e D. Maria Ana Josefa. A relação entre os dois é também subversiva porque não existe casamento oficial e porque os dois têm os mesmos direitos, facto inverosímil em pleno século XVIII.</div><div>&nbsp; Como outras personagens femininas de Saramago, também Blimunda tem uma grande força interior, uma forma de oferecer-se em silêncio e de aceitar a vida e os seus desígnios sem orgulho nem submissão, com a naturalidade de quem sabe onde está e para quê.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614304698/04c331860243401489f4305be36870b8/Blimunda.png" />
         <pubDate>2022-03-26 22:07:52 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115128001</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O “eterno feminino”...</title>
         <author>Afonso_Freire</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115180814</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; A igualdade de género é algo que ao longo do tempo se tem vindo a aproximar da realidade, mas ainda falta muito para alcançar esse ideal. Na época medieval, a figura da mulher era bastante desvalorizada. Até hoje a ideia que o homem é superior à mulher prevalece, sendo isto eticamente inaceitável. A meu ver, a ideia de um género ser superior ao outro é completamente absurda. Nenhum indivíduo deve ser considerado superior a outro pelo simples acaso de ser um homem ou mulher.</div><div>&nbsp; A personagem de Inês Pereira da farsa de Gil Vicente é um excelente exemplo deste estereótipo da mulher. Após o seu primeiro casamento, o marido vai ganhar controle sobre ela. Infelizmente, este tipo de situação acontece na atualidade, sobretudo nos países menos desenvolvidos, em que a vida social da mulher é determinada pelo marido. Numa relação entre iguais, o homem não impõe qualquer proibição sobre a mulher, após o casamento, estando ambos num nível de igualdade. Ambos têm os mesmos direitos e deveres perante a sociedade, que na atualidade tem vindo a acontecer cada vez mais.&nbsp;</div><div>&nbsp; Inês Pereira era considerada preguiçosa, detestando fazer a "lida" da casa considerada dever feminino. Mas que poderia ela fazer? Isto foi o que lhe tinham ensinado a fazer desde pequena, este era o trabalho da mulher na época, a tarefa destinada pela sociedade, ensinada pela mãe e imposta pelo marido. Na atualidade, a ideia que ambos os homens e as mulheres são igualmente capazes em qualquer campo profissional ainda não foi completamente aceite pela sociedade, existindo um pensamento retrógrado promotor de discriminação.</div><div>&nbsp; A igualdade de género é uma ideia que na época medieval era impensável. Esta ideia de “<em>agradar e obedecer ao marido</em>” é ridícula atualmente, mas continua a ter uso nos países subdesenvolvidos e em certas mentalidades retrógradas. A meu ver, numa sociedade justa, todos os indivíduos são iguais, independentemente do seu género!... <br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614305432/a79aa6d2e713e658e1bac99e644cfbdf/Mulheres_medievais_ambiente_dome_stico.png" />
         <pubDate>2022-03-27 00:57:30 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115180814</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no romance de Eça — Maria Eduarda Runa.</title>
         <author>diogoluis550</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115450850</link>
         <description><![CDATA[<div>Na minha opinião, a mulher de um modo geral, e neste caso em particular, sempre sofreu algumas distorções de carácter provocado pelo olhar do homem e pela escrita masculina. No entanto não podemos culpar exclusivamente os escritores dado que estes espelham a sociedade em que vivem ou viveram, e são eles próprios um produto dessa sociedade.<br><br>No caso concreto e em análise, e no meu entender, a escrita realista de Eça de Queirós plasmada no romance "Os Maias" apresenta alguns estereótipos femininos, como por exemplo a Maria Monforte que representa a perdição e sedução ou a Maria Eduarda que representa a elegância e a beleza, já Maria Eduarda Runa é a típica mulher portuguesa, pequenina, morena, medrosa e muito religiosa.<br>Na minha perspetiva, Maria Eduarda Runa é o reflexo da educação tradicional portuguesa e do ambiente lisboeta onde nasceu e foi criada. É muito religiosa, devota, doente e&nbsp; infeliz...&nbsp;<br>Não se adapta ao modelo de vida inglês em Newcastle para onde é obrigada a exilar-se com o marido e filho. Não aceita a educação tipicamente inglesa porque quer transmitir ao filho, Pedro Maia, uma educação tradicional e católica, impondo assim a sua vontade e as suas ideias ao marido, fazendo das suas vulnerabilidades, a sua força.<br>No meu entender, Maria Eduarda Runa tem as características de uma heroína romântica, sentimental, frágil e devota, em oposição ao retrato realista de outras mulheres fúteis, como por exemplo a Condessa de Gouvarinho.<br>Concluindo, as mulheres da nossa literatura sempre foram modeladas por estereótipos impostos pelos autores masculinos, sendo por sua vez eles próprios formatados pela sociedade em que viveram. Muitos destes estereótipos, como a submissão feminina, continuam ainda presentes na mentalidade masculina.&nbsp;<br>No caso concreto de Maria Eduarda Runa, uma mulher passiva e medrosa, representa bem, na minha opinião, uma típica mulher portuguesa supersticiosa, beata e tradicional.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/887735417/a5d9e9e317f7473d8a6e9362b79817f8/portrait_of_elizabeth_lady_croft.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 10:41:15 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115450850</guid>
      </item>
      <item>
         <title>REPRESENTAÇÕES DO FEMININO</title>
         <author>mceu_couto</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115500595</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;<strong>Tal como na literatura, também na pintura a representação do feminino teve como base os arquétipos do imaginário masculino, autor dessa representação...<br>&nbsp; &nbsp;Ao longo dos séculos a figura feminina manteve-se como modelo artístico predileto do artista masculino: da mulher medieval à renascentista, da mulher romântica à moderna...&nbsp; &nbsp;&nbsp;</strong></div><pre>https://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs</pre><div><strong>&nbsp; &nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;A representação da mulher sempre foi estereotipada, feita através de um olhar masculino tendencialmente machista.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A narrativa masculina sobre o universo feminino transporta pois diversos preconceitos. As personagens femininas do cânone literário português são paradigmáticas desta construção masculina, uma construção que reflete o olhar do homem sobre o idealizado “eterno feminino” (assim designado intencionalmente, como se houvesse o propósito de cristalizar e eternizar uma imagem feminina por eles "</strong><strong><em>objetificada</em></strong><strong>" ao longo dos séculos e dos vários movimentos estético-literários). São construções tendencialmente machistas e fortemente enraizadas na sociedade e na tradição cultural portuguesa...<br><br>&nbsp; &nbsp; Numa época de afirmação do feminino, em que muito se fala da igualdade de géneros, constata-se porém, na prática e no quotidiano, que esta afirmação plena e equitativa ainda está longe de ser uma realidade, continuando a aguardar por uma profunda mudança de mentalidades e consciências, constituindo uma luta diária de afirmação social e profissional para as mulheres em todo o mundo.&nbsp;</strong></div><div>&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp;<strong>A reflexão que se pretende fomentar, procura fazer uma "</strong><strong><em>desconstrução</em></strong><strong>" crítica do discurso literário produzido pelo imaginário masculino ao longo de séculos de literatura.<br></strong><br></div><blockquote><strong><em>Uma notável escritora afirmou: “sempre fomos o que os homens disseram o que nós éramos. Agora somos nós que vamos dizer o que nós somos...” &nbsp;</em></strong></blockquote><div><strong><em><br>______________________<br></em></strong><em>(</em>Lygia Fagundes da Silva Telles, escritora brasileira, considerada uma das mais importantes e notáveis escritoras de língua portuguesa do século XX).&nbsp;</div><div>&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/293399542/11cfb0b82c71b98d19dc0f413af0429e/Representac_o_es_do_Feminino.png" />
         <pubDate>2022-03-27 12:04:35 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115500595</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino na poesia trovadoresca portuguesa</title>
         <author>catarina_carvalho09</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115504587</link>
         <description><![CDATA[<div>Desde o início da literatura portuguesa foram nos sendo apresentadas diversas visões, principalmente masculinas, em relação à mulher.&nbsp;<br>&nbsp;</div><div>Um bom exemplo disso são as representações femininas na poesia trovadoresca: nas cantigas de amor, as damas da corte, “senhoras” nobres e bem casadas e nas cantigas de amigo, as “amigas”, donzelas, raparigas simples do povo. Em ambos os géneros líricos trovadorescos a mulher é vista de uma maneira positiva, mesmo superior ao próprio homem. No entanto, existem também as cantigas de escárnio e maldizer, que diferente das cantigas de amor e de amigo, procuram distorcer a imagem feminina.</div><div>&nbsp;</div><div>Nas cantigas de amigo, o trovador descreve e apresenta a mulher como a donzela, apaixonada, ingénua e saudosa que se dirige à mãe, amigas e elementos da natureza como confidentes dos seus sentimentos face à ausência do amado. Apesar de frágil e sensível perante qualquer desilusão que enfrente, também é determinada pois não deixa que nada interfira com os seus sentimentos. “<em>Ai flores, ai flores do verde pino</em>” ou “<em>Bailemos nós ja todas tres, ai amigas</em>”, são bons exemplos, o primeiro demonstra a confissão da donzela aos elementos da natureza e o segundo a confissão feita às amigas.</div><div>&nbsp;</div><div>Em contraste, nas cantigas de escárnio e maldizer, o trovador faz uma representação satirizada e negativa da mulher medieval, ridicularizando a sua superioridade, respeito e dignidade moral, sendo caricaturada como leviana e adúltera, sem escrúpulos. Assim o trovador expõe e critica os comportamentos viciosos e libidinosos femininos, utilizando um vocabulário vernáculo e muitas vezes disfémico. “<em>Ai dona fea, fostes-vos queixar</em>” e “<em>Roi Queimado morreu com amor</em>”, procuram distorcer as qualidades da mulher, e parodiar o "<em>cliché"</em> da morte por amor, o famoso "<em>morrer de amor</em>"...</div><div>&nbsp;</div><div>Considero que o contraste existente entre este tipo de cantigas da poesia trovadoresca demonstra que talvez o elogio e a "superiorização" das qualidades da mulher não agradavam a todos os trovadores. O papel da mulher na sociedade da época, sendo ela do povo ou nobreza, era sempre de certo modo inferior ao do homem, aparecendo sempre desvalorizada em relação ao homem. A forma que alguns trovadores arranjaram para “mascarar” esta desigualdade foi através das suas criações poéticas, colocando a mulher numa posição de superioridade ilusória.&nbsp;</div><div>&nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614315450/3afa006130a29e730556982422ec709e/a_mulher_no_discurso_poe_tico_dos_trovadores_co_pia.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 12:11:09 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115504587</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino no drama romântico de Garrett — Maria de Noronha, uma rapariga diferente.                                                              </title>
         <author>LucasNeto11</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115546132</link>
         <description><![CDATA[<div>Num mundo realmente edificado sobre os valores masculinos em que, quer a ordem do pensamento, quer as práticas de delimitação social dos papéis atribuídos à mulher, se restringem muitas vezes a construir variações em torno da supremacia masculina. <br>A representação do feminino na literatura implica reconhecer sinais e figuras da posição masculina dominante sobre o feminino e a mulher. Na obra de Garrett “<em>Frei Luís de Sousa</em>” podemos encontrar uma representação do feminino algo diferente para a época: a personagem Maria de Noronha.<br><br></div><div>Em “<em>Frei Luís de Sousa</em>”, Maria é a mais estimulante figuração do feminino. Motivo de frequente ligação entre o drama e a biografia de Garrett, por permitir ler na ficção o caso verídico do nascimento ilegítimo da sua filha, visto que Maria também é “fruto” do amor proibido dos pais. Maria evidencia características próprias de uma heroína: é adulta para a idade (treze anos), bondosa, culta, visionária, perspicaz e nacionalista. E não sendo ela ainda adulta mas apenas uma adolescente, deixa em suspenso a sua ligação ao sexo feminino permitindo uma “angelização” da personagem correspondendo desta forma plenamente à visão masculina da mulher ideal, inocente, virgem e pura.<br><br></div><div>As figuras femininas na literatura parecem muitas vezes possuir uma autonomia e um poder sobre o homem, o que contraria os reais papéis e lugares que lhes cabem fora da ficção naquela época. Maria tem essa autonomia, consegue ser livre e fazer o que quer e gosta, sendo que essa distinção de género e sexo na personagem Maria só é possível porque a ideologia e representação trabalham sobre valores que assimilam a sua inocência infantil, pureza e "representação angélica" e os opõem à sexualidade feminina ameaçadora.<br><br></div><div>Esta personagem Maria consegue representar os vários pensamentos sobre o feminino ao possuir todas aquelas características algo “diferentes”, que apenas são aceites por ser uma jovem, visto que, se fosse mulher/senhora passaria de <em>anjo</em> para <em>demónio</em>. Maria acaba por ser a única personagem que morre querendo simbolizando o caráter irreconciliável entre o “eu” e a sociedade.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614311081/8e12cc58cb2821a3cb02d1bfe0f9b37c/pintura_mulher.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 13:12:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115546132</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Representação do feminino em “Os Maias” — Maria Monforte</title>
         <author>a130717</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115549841</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp; Na minha opinião, as representações femininas no cânone literário português são moldadas de acordo com estereótipos sociais da época, não retratando, veridicamente, a verdadeira identidade do feminino.</div><div>&nbsp; &nbsp; Eça de Queiroz seguia estéticas literárias que defendiam uma abordagem objetiva da realidade, expondo e analisando o estado da sociedade, tendo, por esse motivo, caráter subjetivo. Nas suas obras o adultério feminino é retratado como um fenómeno social para o qual o autor adota uma postura descritiva e crítica. Este facto pode ser corroborado com o exemplo de Maria Monforte, uma mulher bela, sensual e sedutora, todavia, adúltera, induzindo o suicídio de Pedro da Maia, após a sua fuga com Tancredo.</div><div>&nbsp; &nbsp; Maria Monforte foi socialmente ostracizada pela sua ascendência: “<em>Em todo o caso quando Lisboa descobriu aquela legenda de sangue e negros, o entusiasmo pela Monforte calmou. Que diabo! Juno tinha sangue assassino, a 'beltá' do Ticiano era filha de negreiro! As senhoras deliciando-se em vilipendiar uma mulher tão loira, tão linda e com tantas jóias, chamaram-lhe logo a negreira.</em>”</div><div>     O seu pai era um assassino e traficante de escravos, ilustrando a influência da educação e do meio na formação do caráter, representando o estereótipo de uma mulher sedutora, manipuladora e leviana, que idealizava a sua vida baseando-a nos enredos românticos que lia. Maria Monforte era uma mulher fria, calculista e perversa, que utilizava o seu encanto e capacidade sedutora para satisfazer os seus desejos e caprichos: “<em>Pedro voltara à sua cadeira, e de braços cruzados contemplava Maria. Ela conservou algum tempo a sua atitude de deusa insensível; mas depois...duas vezes os seus olhos azuis e profundos se fixaram nele gravemente e muito tempo.”</em></div><div>&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp;Penso que as representações femininas presentes na obra “<em>Os Maias</em>” não representam de forma acertada a essência da mulher. Constituem uma representação retrógrada do feminino.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Existe um claro contraste entre a representação atual da mulher e a representação da mulher daquela época.<br>&nbsp; &nbsp;Provavelmente Eça fez as suas construções femininas&nbsp; com base nos modelos observados de certas classes sociais e nos exemplos femininos presentes na sua vida familiar.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614317886/fc1915afcd1cfe60ecd321f32f857719/Mulher.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 13:18:21 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115549841</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina na narrativa de Eça — Maria Monforte.</title>
         <author>diogoliveira2004</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115561650</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>O adultério feminino n’ </strong><strong><em>Os Maias.</em></strong><em><br></em><br></div><div>&nbsp; &nbsp;De um modo geral considero que o universo feminino n’ <em>Os Maias</em> representa a mulher que, ao romper as convenções sociais e os predeterminismos de uma sociedade oitocentista, revela uma personalidade forte, expressando claramente a sua vontade, mesmo que a sua imagem social fique comprometida. Na minha opinião, Maria Monforte espelha isto mesmo, já que toma decisões ousadas relativamente ao amor, não pensando nas consequências que este pode causar.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Num primeiro momento, o narrador apresenta-nos uma imagem curiosa de Maria Monforte, uma imagem de superioridade, como se não pertencesse ao género humano, que é evidenciada, não apenas pelos seus traços físicos, mas principalmente pelas palavras utilizadas pelo mesmo “<em>magnífica criatura</em>” e “<em>deusa</em>”. À medida que a ação avança descobrimos segredos peculiares da família desta personagem, entre eles, e o mais chocante, o tráfico de negros do seu pai, que vive uma vida luxuosa à conta disto mesmo. Do meu ponto de vista, isto mostra uma tentativa de esconder o seu passado, de arrependimento, evidenciando um lado egoísta e fútil.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Por causa de uma paixão leviana e passageira, Maria Monforte abandona Pedro da Maia e o seu filho. Ao fugir&nbsp; com Tancredo leva consigo a filha contribui para uma série de acontecimentos trágicos que ocorrem numa espécie de efeito dominó: a morte de Pedro da Maia, a desgraça da filha, o posterior incesto dos filhos e a morte de Afonso da Maia, vítima do amor trágico dos netos.&nbsp;<br><br>Assim, na minha opinião, embora prometesse ser uma boa esposa e uma boa mãe, tal não vem a acontecer pois semeia a destruição na família Maia, mostrando bem o seu caráter maléfico.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Através do adultério praticado, Maria Monforte reflete a liberdade de ação da mulher, bem como os seus sentimentos e emoções, indo contra as normas discriminatórias da sociedade oitocentista que ao homem tudo permite mas à mulher não.&nbsp;<br><br>Assim verificamos que o tema do adultério feminino tem sido uma fonte de inspiração masculina desde os tempos mais remotos até aos dias de hoje, sendo sempre a mulher responsabilizada pelas suas consequências nefastas.<br><br></div><blockquote>“Sem o adultério, que seria de todas as nossas literaturas?”</blockquote><div><br>Denis de Rougemont, in <em>O Amor e o Ocidente</em> <br><br>(Denis de Rougemont, escritor suíço autor da obra <em>O Amor e o Ocidente</em>, considerada como um dos <em>100 Melhores Livros Não-Fictícios do Século</em>, pela revista <em>National Review</em>)</div><div><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614309566/e623253e09d611f5f52e625fe7ba8652/maria_monforte.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 13:33:53 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115561650</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Condessa de Gouvarinho — um estereótipo da leviandade feminina. </title>
         <author>MartimMacedo</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115604355</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;“<em>Carlos não conhecia os Gouvarinhos.</em>” (cap. V de “<em>Os Maias</em>”) e eu também não! <br>&nbsp; &nbsp; Contudo, na minha opinião, é de notar após a leitura desta obra a irreverência desta personagem feminina, que através de atitudes pouco habituais por parte de uma mulher oitocentista <strong>—</strong> época onde a mulher era educada para a submissão total ao poder masculino não lhe sendo por isso permitido enfrentá-lo <strong>—</strong> enfrenta o marido de igual para igual, discutindo com ele. <br><br>&nbsp; &nbsp;De maneira oposta à minha, Eça não descreve a Condessa como irreverente, limitando-se a referir apenas características físicas, revelando assim, de acordo com a minha perspetiva, uma visão insensível e superficial da mulher, o que pessoalmente considero injusto, pois, esta personagem merece ser lida com olhos mais benevolentes e despreconceituosos. <br><br>&nbsp; &nbsp;O caráter misógino do autor face às personagens femininas está bem visível na construção desta personagem pois ao apresentar a Condessa, fá-lo apenas com características físicas “<em>muito bem feita</em>…” (cap. V de “Os Maias), o que me deu logo uma perceção muito clara do tratamento "<em>objetificado</em>" que o narrador vai dar a esta personagem ao longo da ação <strong>—</strong>&nbsp; um tratamento erotizado <strong>—</strong>&nbsp; mencionando-a sempre de forma bastante superficial e associando-a sempre ao marido pelo apelido, o que a remete para um plano de total dependência, inferiorizando-a socialmente. Mas a Condessa de Gouvarinho apesar desta escolha por parte do narrador, revela-se insubmissa traindo o marido com frieza e elegância.&nbsp;<br><br>Em suma, a audácia da Gouvarinho faz dela uma personagem singular e extremamente curiosa pela sua&nbsp; transgressão, ao contrário do que seria de esperar por parte de uma mulher da alta sociedade oitocentista. Todavia a misoginia de Eça de Queiroz face a esta personagem feminina, injustamente tratada de forma tão negativa e preconceituosa, é bastante óbvia e criticável. &nbsp;&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614312845/b8c1f157fe8cab8c9371e2d0181f0d2d/unnamed.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 14:27:29 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115604355</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina na narrativa de Eça de Queirós — Maria Eduarda da Maia.</title>
         <author>Madalena_vida</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115644541</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><strong>"</strong><strong><em>Os estereótipos são verdades cansadas”</em></strong><em> - George Steiner</em></blockquote><div><em><br>&nbsp; &nbsp; </em>A mulher, na literatura europeia, sempre foi retratada e fantasiada segundo a ótica masculina. Eça de Queirós “construiu” as suas personagens femininas de uma forma minuciosa, tendo a imagem da mulher sido fortemente criticada através de diversas personagens. Quase todas as mulheres da sociedade burguesa são expostas, ou como beatas ou como adúlteras e com uma influência altamente negativa e mesmo destruidora sobre os homens. <br><br>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Maria Eduarda da Maia é porém, em parte, uma exceção a este retrato misógino de Eça apresentado ao longo dos seus romances. "<em>Os Maias</em>" apresenta uma galeria de caricaturas femininas, uma perspetiva muito pessoal sobre o papel da mulher na sociedade. <br>&nbsp; &nbsp; Todavia, Maria Eduarda da Maia não é colocada, logo de início, na mesma “caixa” que as restantes personagens femininas. Inicialmente, Maria Eduarda é vista como uma deusa, “<em>Vimos agora lá em baixo [...] uma esplêndida mulher [...] Os Castro Gomes.</em>”, quase sem defeitos, mas ao longo da obra observamos o deterioração da sua imagem, chegando mesmo a ser considerada, “<em>a mulher desse Castro Gomes&nbsp; [...] uma amante [...] aquela senhora não é minha mulher</em>”, tornando-se igual às outras.&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp; No entanto, o autor não conseguiu o retrato “perfeito” e humilhante que procurava pois Maria Eduarda continuava a ser a mais inocente das pecadoras, apresentando características distintas das restantes personagens femininas: não era vulgar e fútil, mas sim sensata e corajosa, com pensamento próprio e altos princípios morais, tal como se comprova no<em> explicit </em>narrativo. <br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Assim, na minha opinião, Maria Eduarda é uma personagem queirosiana que “foge à regra” do padrão idealizado por Eça do que é a mulher, uma vez que o seu percurso e características são diferentes, não podendo esta ser comparada a outras personagens, como a Condessa de Gouvarinho, pois não é leviana. Contudo, apesar de ser uma das personagens mais fascinantes do romance, por ser tão tipicamente feminina, serve para retratar a decadência da sociedade portuguesa, pois todas as mulheres d’<em>Os Maias</em> cumprem destinos semelhantes por não se comportarem “corretamente”. Eça tinha uma opinião sólida da mulher e via-a como o oposto do homem, sendo esta projetada com uma imagem degradante, culpada das “desgraças”, enquanto que os homens eram sempre "desculpabilizados". Devemos, portanto, refletir: será que a mulher do século XXI conseguiu de facto reabilitar e reconstruir a sua imagem perante o olhar masculino?...&nbsp;</div><div>&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614311866/54a95958f0ce8db1dade3cb037f9a97f/maria_eduarda_padlet.png" />
         <pubDate>2022-03-27 15:15:44 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115644541</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O feminino caricaturado por Saramago em &quot;Memorial do Convento&quot;.</title>
         <author>andreclaromacedo</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115670197</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;As personagens femininas são frequentemente construções masculinas caricaturadas. O autor não consegue ir além da superficialidade, da "objetificação" e do exagero dos traços mais óbvios... &nbsp;<br><br>&nbsp;Um caso paradigmático é a personagem D. Maria Ana Josefa do romance de Saramago, “Memorial do Convento”.<br>&nbsp;Um grande número de vezes em que a mesma é referida, é referida também a sua função de gerar herdeiros ao seu marido, D. João V. Para a época em que a obra se insere a objetificação da mulher era bastante comum, até pela sua função reprodutora, com o objetivo de gerar herdeiros.&nbsp;<br>&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp;Logo na primeira sequência desta obra, deparamo-nos com pelo menos duas demontrações desta "objetificação" da rainha D. Maria Ana Josefa: uma delas é quando esta se encontra no seu quarto à espera do rei que irá cumprir o seu dever conjugal com o objetivo de gerar herdeiros ao trono, sendo bastante evidente a insatisfação e o desconforto da rainha, talvez por aqueles encontros não estarem a resultar, ou porque se sentia escrutinada; a segunda demonstração é logo em seguida, quando o rei, após cumprir o seu dever abandona a rainha sozinha no seu quarto, o resto da noite, como se a sua companhia não lhe interessasse, apenas a sua funcionalidade reprodutora.<br><br>&nbsp; &nbsp;D. Maria Ana Josefa tem todavia sonhos e anseios bem femininos como fica aliás bem comprovado através dos seus sonhos com o cunhado.&nbsp;<br>Nestes sonhos D. Maria Ana sente-se feminina e desejada e não apenas uma “reprodutora”, fornecedora de herdeiros à coroa portuguesa, embora essa fosse a realidade esmagadora das mulheres na sua posição e na sua época.<br><br>&nbsp; &nbsp;Não deixa de ser chocante porém, o modo como as mulheres eram vistas e eram tratadas, como meros objetos. No caso de D. Maria Ana, um objeto “reprodutor”, mas no caso de muitas outras mulheres que não pertenciam à realeza e/ou à nobreza, também um “instrumento” útil e funcional para a realização de todas as tarefas domésticas.&nbsp;<br><br>Felizmente, cada vez mais a sociedade se encaminha para a igualdade entre géneros e para a emancipação feminina!&nbsp; &nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/574760830/c35cc7cd7a13cc69eb0c513908025f7e/D__Maria_Ana_Josefa.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 15:48:31 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115670197</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino nas cantigas trovadorescas de amigo. </title>
         <author>Joao_Nunes_</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115699402</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;A meu ver, ao longo dos séculos, as mulheres foram consideradas como inferiores aos homens, muitas vezes rotuladas como bruxas, prostitutas e hereges aos olhos da Igreja, apesar de, na minha perspetiva, a mulher ser tratada com bastante sensibilidade pelo poeta trovador nas cantigas de amigo.<br><br></div><div>&nbsp; É a partir do século XII que a influência dos clérigos e do espírito cristão se torna mais forte, o que leva à criação de dois tipos de mulher: a mulher perfeita, quase divinal e a mulher pecadora. Neste século a mulher é descrita como um ser sedutor, quase um representante do Diabo, capaz de levar o homem a pecar. Nas cantigas de amigo o trovador assume uma voz feminina que canta o seu amor proibido, transferindo assim o lado pecador de tal amor para a mulher, ao escrever como se fosse a própria. Então, o “eu” lírico é feminino, mas é um homem que está por detrás de tais criações, já que nesta altura as mulheres eram maioritariamente analfabetas.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Neste tipo de poesia a mulher canta sobre várias temáticas como o desgosto amoroso e o facto de ser abandonada, a mulher também canta sobre as suas paixões e os seus desabafos com a natureza, evidenciando a sua tristeza, o amor idealizado, ou mesmo as dificuldades em estar com o seu amor. A temática gira em torno do tema da saudade do amigo e as confissões da donzela. O seu estado de espírito é fortemente marcado pela saudade que sente na ausência do homem, da demora no regresso das suas obrigações militares ou de outra natureza. A donzela dirige-se quase sempre aos elementos da natureza, como os pássaros as árvores e flores que se situam no cenário da cantiga.&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp;Nas cantigas de amigo, a representação da mulher é mais humanizada e real pois é criada uma relação entre a religiosidade da época e a sensualidade da donzela.&nbsp;<br><br>&nbsp; &nbsp;Em suma, constata-se uma visão dicotómica da mulher no trovadorismo medieval, por um lado o feminino idealizado é elogiado hiperbolicamente e até divinizado, por outro lado o feminino é diabolizado, retratado em linguagem disfémica e até "mal falado" nas cantigas de maldizer. Saliente-se porém que a mulher idealizada não é real, dado que as mulheres medievais são consideradas como sendo as que mais sofreram devido à rigidez das normas eclesiásticas que as consideravam como inferiores aos homens.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</div><div>&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614310816/4e17dc79cd714cb4f3ed681aa0edfc22/20684490_0dqOf.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 16:24:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115699402</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O “eterno feminino” pecaminoso — a misoginia de Eça de Queirós.</title>
         <author>matildeaferreira2004</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115701312</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><strong>"</strong><strong><em>A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem."</em></strong><em><br></em><br><em>John Lennon</em></blockquote><div><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Ao longo dos tempos a mulher tem sido representada de múltiplas maneiras na literatura portuguesa, sendo por vezes caracterizada como frágil, mas sendo também vista quase como a encarnação do demónio. Em “Os Maias” Eça de Queirós criou a personagem Maria Monforte com o objetivo de criticar o sexo feminino como sendo fútil, frio e manipulador. Eça projetou a mulher como a causa de todas as desgraças e problemas dos homens, devido às suas más experiências vividas com o sexo feminino, mas por vezes é demais. As mulheres não são monstros!<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Na obra o autor apresenta Maria como sedutora, interesseira, oportunista e manipuladora, dado que através da sua beleza faz com que Pedro da Maia se apaixone por ela, somente com o interesse de posteriormente se casar com ele pelo seu estatuto social. Esta crítica é evidente no parágrafo do Capítulo II, em “Fora um conselho […] suas barbas de vizo-rei.”. Eça critica Maria, mas de que outra forma seria ela alguém na vida? No século XIX as mulheres dependiam dos homens. Primeiro dos seus pais e mais tarde dos seus maridos. Maria simplesmente encontrou um homem que seria capaz de cumprir todos os seus caprichos, fornecendo-lhe um certo sentimento de liberdade.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Em “Os Maias”, Maria é também vista como fria e adúltera, dado que deixou Pedro e seu filho para fugir com um príncipe italiano, por quem dizia ter-se apaixonado. Esta crítica é observável no segmento do Capítulo II, em “Estive fora […] aqui estou!”. Maria é criticada pela sua fuga dos seus deveres de esposa e mãe, mas esta só o fez porque queria viver um grande amor.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;No geral, Eça condena Maria por todos os males acontecidos à família Maia. Maria é considerada leviana e caprichosa, tanto pelas "<em>soirées</em>" que participava, como pela fuga em busca de amor, contudo esta não fez nada que um homem não faria. A única diferença é que estes não condenados pelos seus atos. As mulheres é que são pecaminosas!<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/572753317/faea0cbdf71bf1d7858736025932160c/renoir.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 16:26:15 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115701312</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino em &quot;Memorial do Convento&quot; — Blimunda.</title>
         <author>mafaldacls</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115707482</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;No meu ponto de vista, a personagem Blimunda é o oposto da mulher no século XVIII, isto, porque as mulheres eram consideradas inferiores aos indivíduos do sexo masculino e também porque eram desvalorizadas. No entanto, Saramago constrói a personagem Blimunda na sua obra “Memorial do Convento” de modo ímpar, conferindo-lhe poderes sobrenaturais pois esta tem a capacidade de ver as entranhas do ser humano. Este poder de Blimunda faz com que a personagem seja valorizada, numa época em que as&nbsp; mulheres eram consideradas inferiores.<br><br>&nbsp; &nbsp;Na minha opinião, Blimunda é uma mulher emancipada. No seu relacionamento com Baltasar existe&nbsp; igualdade e partilha, ao contrário do padrão considerado normal na época, em que a mulher era inferior e não tinha opinião nos assuntos políticos, sociais e económicos, dedicando-se apenas aos deveres domésticos e à família.</div><div>&nbsp; &nbsp;O episódio em que Blimunda se defende da tentativa de violação por parte de um frade, demonstra a sua coragem uma vez que teve a bravura de conseguir defender-se e matar o frade com a ajuda do espigão que pertencia ao seu companheiro Baltasar.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Assim sendo, Saramago, na sua obra “Memorial do Convento”, constrói uma personagem feminina de um&nbsp; tempo histórico recuado mas que é precursora da mulher moderna, autónoma e independente. Blimunda é uma mulher "adiantada" tendo em consideração a época em que vivia. &nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614312083/99128c1a3eb6d31180361fe8ee921684/sete_sois.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 16:33:14 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115707482</guid>
      </item>
      <item>
         <title>D. Maria Ana Josefa – A representação do feminino na narrativa de Saramago </title>
         <author>RodrigoOliveiraMacau</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115712805</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><strong><em>“Deus, quando quer, não precisa de homens, embora não possa dispensar-se de mulheres...” </em></strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em><sub>José Saramago, “Memorial do Convento” &nbsp;</sub></em></blockquote><div>&nbsp;</div><div><br>&nbsp; &nbsp;Considero que, no romance “Memorial do Convento” de José Saramago, apesar de D. Maria Ana ser uma personagem histórica, a meu ver também é alvo de imensas juízos de valor preconceituosos por parte do autor/narrador. &nbsp;<br>&nbsp; Logo na primeira sequência narrativa do romance sentimos um desprezo acentuado em relação a esta personagem, sendo constantemente caricaturada e ridicularizada pelo narrador. É possível constatar ainda que a mulher está sempre em segundo plano e é a menos compreendida, sendo esta desvalorização ainda mais acentuada com a mentalidade cristã bastante presente na época.<br><br></div><div>&nbsp; A objetificação da mulher é também uma constante. E a personagem D. Maria Ana Josefa não é exceção a este paradigma “(...) <em>sendo a mulher, naturalmente, vaso de receber (</em>...)”. Num ambiente social, cultural e religioso onde as proibições e repressões ditadas pela Coroa e pela Igreja interferem diretamente no seu comportamento, ela é obrigada a ser um símbolo da mulher da época: submissa, simples procriadora e objeto da vontade masculina do Rei.</div><div>&nbsp; &nbsp;A personagem de D. Maria Ana, na minha perspetiva, é desvalorizada e criticada em relação à sua incapacidade reprodutora e, sendo rainha, todo o propósito da sua existência, é gerar descendência à coroa portuguesa “<em>Que caiba a culpa ao rei, nem pensar, primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim (...)</em>”.&nbsp;<br>    D. Maria Ana vive pressionada pela responsabilidade de dar herdeiros ao marido, já que a culpa de tal ainda não ter acontecido e seria sempre e apenas dela, pois esterilidade como o narrador lembra, ironicamente, não é problema dos homens.&nbsp;</div><div>&nbsp; &nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Assim, penso que ainda hoje na nossa literatura continua a haver estereótipos na representação da figura feminina, verificando-se que estas são silenciadas e ridicularizadas pelos homens, apesar da evolução da mentalidade na sociedade atual.</div><div>&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614313378/635f8bb63c8bc36f499c47db493a280b/D_Maria_Ana_Josefa2.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 16:39:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115712805</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Uma visão masculina da mulher no cânone literário português — Maria Eduarda da Maia</title>
         <author>Beatriz_Nasciment0</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115745624</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;Ao longo deste ciclo foram estudadas obras, escritas por homens, que ilustravam a figura feminina e o seu papel na sociedade, sendo esta uma sociedade, no meu entender, opressora já que a mulher era vista como um mero objeto sem valor e sem vontade própria, sendo este o exemplo das personagens femininas da obra “<em>Os Maias</em>” da Eça de Queirós. Assim, parece-me que a imagem feminina era retratada de uma maneira bastante realista no que diz respeito ao modo como estas viviam, sendo esta realidade a meu ver muito conservadora e ilógica quando transposta para os dias de hoje.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Nesta perspetiva podemos observar a personagem Maria Eduarda da Maia, presente na obra referida anteriormente, que é ilustrada como uma mulher forte, inteligente, belíssima e corajosa, sendo estas características contrárias às de outras personagens da obra. No entanto, esta mulher está condicionada pelas regras vigentes na sociedade da época.<br><br>&nbsp; &nbsp;Desta forma a personagem é “empurrada”, pela segunda vez, para “os braços” de um homem demonstrando que a mulher não era livre na escolha do próprio marido, o que se verificava não deixando de ser um acontecimento bastante retrógrado na atualidade.<br><br>&nbsp; &nbsp;Outra característica conservadora representada por Maria é a dependência do marido, tanto social quanto económica, uma vez que esta ia casar com Castro Gomes apenas para retomar a sua condição social e ter algum sustento. A visão de que a mulher tinha que ser apenas dona de casa e educadora dos filhos, sendo sustentada na totalidade pelo marido, é mais uma das visões retrógradas representadas pelo masculino. Felizmente esta situação não se aplica na atualidade, já que as mulheres conseguiram adquirir a sua independência.<br><br>&nbsp; &nbsp;Em suma, Maria Eduarda é retratada como uma mulher forte em relação a muitas outras mulheres ficcionadas por homens. No entanto, continua a ser retratada de forma preconceituosa e conservadora relativamente ao seu papel na sociedade sendo que o feminino ultrapassou as fronteiras do espaço doméstico e conquistou o espaço público e profissional. &nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614306485/6253bc32fda4a985c6ebd1af22043398/IMG_maria_eduarda_.png" />
         <pubDate>2022-03-27 17:19:49 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115745624</guid>
      </item>
      <item>
         <title>D. Madalena de Vilhena — uma representação do feminino romântico.</title>
         <author>a122902</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115760519</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;O drama romântico “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, tem lugar no século XVI época em que a religião estava altamente presente em Portugal. Nesta altura, a mulher e o seu corpo simbolizavam o pecado, tal como a mulher tinha o dever de ser submissa à figura masculina, seja este pai ou marido. Considero assim que a mulher era vítima de um machismo com dimensões absurdas, embora paralelamente apresentasse uma imagem idealizada da mulher.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;É, na minha opinião, o caso da personagem D. Madalena de Vilhena, uma mulher caracterizada como bela, no entanto vive em angústia e preocupação com o passado e o que deste pode regressar.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Nada nos é dito acerca da sua infância, além de que ainda em criança foi mantida num convento, por se encontrar prometida a um homem de uma família aristocrata de grande importância, a de D. João de Portugal. Através deste casamento, símbolo do dever que uma mulher nobre tem que cumprir,&nbsp; D. Madalena conhece Telmo, homem sensato e devoto a D. João. É à personagem Telmo que D. Madalena sente necessidade de agradar, mostrando a sua submissão, no entanto é este o seu maior opressor, que, vendo D. Madalena como pecadora, não aprova do seu segundo casamento: “<em>Mas os ciúmes que meu amo não teve nunca (...) tenho-os eu...aqui está a verdade nua e crua...tenho-os eu por ele: não posso, não posso ver..</em>.”&nbsp; (ato I, cena II).<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Outra personagem que ilustra a submissão de D. Madalena às figuras masculinas é D. Manuel, o seu amor e marido. A heroína romântica é devota à sua grande paixão, D. Manuel, “<em>estou pronta a obedecer-te sempre, cegamente em tudo</em>.” (ato I, cena VIII). É possível verificar a sua submissão ao marido através da cena em que este quer fugir para o castelo de D. João e ignora os receios da mulher, tal como D. Madalena acaba por ceder ao desejo de D. Manuel.<br><br></div><div>   A escrita de Almeida Garrett acaba por contribuir para a perda da identidade de D. Madalena, ao longo da obra, acabando mesmo por destruí-la através de uma morte para o mundo, através da entrada no convento.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1233923713/22b986820237f627e6b8cefe27de2ccd/D__Madalena_de_Vilhena.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 17:37:33 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115760519</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina em Saramago — Blimunda, uma mulher atual.</title>
         <author>a123051</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115771550</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;Na literatura portuguesa é possível observar diferentes representações da figura feminina, mesmo entre contemporâneos, mas, maioritariamente uma visão estereotipada da mulher. Na minha opinião, os autores portugueses apresentam, assim, uma visão misógina sobre a mulher, generalizando e caricaturando-a como lhes convém para a sua obra. Saramago, na minha perspetiva, apresenta uma diferente visão sobre a mulher.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Na obra "O Memorial do Convento" são propostas duas personagens contrastantes, D. Maria Ana Josefa, propositadamente estereotipada, e Blimunda, livre de preconceitos. Ao conceber contrastivamente estas duas personagens, Saramago difere dos outros autores, expondo os seus preconceitos e desconsideração pela mulher.<br>&nbsp; &nbsp;Sendo um escritor do século XX, Saramago tem outra mentalidade bem diferente dos autores clássicos.&nbsp;<br>   Blimunda é, portanto, uma personagem diferente de todas as outras figuras femininas de cânone literário português. É apresentada como uma mulher do século XX a viver no século XVIII por não ser condicionada pelas crenças da igreja, ter pensamento próprio, ser livre de normas sociais, não ligar às formalidades da época e não deixar que estas a escravizem. Contrasta, desta forma, com D. Maria Ana, que foi intencionalmente estereotipada como mulher do século XVIII, com o objetivo de expor as diferenças no papel da mulher no século XX e no século XVIII.<br>&nbsp; O Nobel da Literatura português projeta em Blimunda os seus próprios ideais, pois, tal como Saramago, Blimunda é livre de pensamento, questiona a igreja e as suas práticas, vê as pessoas na sua verdadeira essência e não se deixa influenciar pelos dogmas da sociedade. É utilizada uma personagem feminina para este efeito de forma a contrariar os clássicos e mostrar que a mulher pode também ser portadora da ideologia do autor.<br>&nbsp; Em conclusão, a escrita de Saramago permite-nos averiguar as diferenças de ideais entre o passado e a atualidade. A mulher sempre foi vista de uma forma misógina,&nbsp; mas, recentemente, essa ideia errada da mulher tem vindo a mudar e a ser criticada, não apresentando a figura feminina como ícone de beleza e da estética mas conferindo-lhe inteligência e liberdade de atuação na sociedade.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1212017717/aa6beefa2b8256868ac8650eaff3ea6b/Blimunda___pintura.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 17:51:19 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115771550</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino em &quot;Memorial do Convento&quot; — Blimunda, uma mulher do futuro.</title>
         <author>LucasPTerlica</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115777181</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;Infelizmente, ainda hoje subsistem no cânone literário português algumas construções de personagens femininas&nbsp; feitas de forma machista, na qual a mulher é “objetificada” e desvalorizada.&nbsp;Mas não é o caso de Blimunda. Considero a personagem Blimunda, do romance “Memorial do Convento” de José Saramago, uma personagem forte e bastante interessante. É representada de uma forma distinta das outras personagens femininas da literatura. Blimunda é uma mulher à frente do seu tempo porque, embora a narrativa se passe no século XVIII, o modo como ela age e vive apresenta características de uma mulher do presente, opondo-se à Rainha D. Maria Ana Josefa.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Blimunda “Sete-Luas” é uma mulher feminina, sensual, astuta, perspicaz e corajosa, o que não é comum numa personagem feminina do século XVIII. Por norma, as mulheres dessa época são representadas como mulheres de casa, submissas, cujo principal dever é continuar a linhagem de sangue do marido. E é exatamente assim que a Rainha foi representada, causando um enorme contraste entre as duas principais personagens femininas desta obra.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Blimunda é também uma vidente, portadora de uma capacidade sobre-humana, a ecovisão. Saramago deu-lhe esse dom, não para fazer críticas às mulheres desse século, que eram vistas como bruxas, muitas vezes injustamente, e punidas por causa disso, mas para mostrar a realidade da Igreja (uma Igreja cruel e corrupta). Na minha opinião, toda a simbologia de Blimunda torna-a a personagem mais importante da obra. Esta importância dada a uma personagem feminina é algo raro na literatura, mostrando assim que José Saramago diferencia-se de muitos autores relativamente à representação da mulher nas suas obras.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;A meu ver, a mentalidade das pessoas e também dos autores está constantemente a evoluir no que toca à igualdade de género, o que acaba por se notar, se compararmos algumas obras de autores da antiguidade que descrevem a mulher de uma forma misógina com obras de autores do século XXI.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Ao contrário da personagem Rainha D. Maria Ana Josefa,&nbsp; Blimunda tem liberdade. Tem direito à sua autonomia, ao amor e a construir a sua própria felicidade.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614311385/efc4192b9a0700b81af6bc54ff4e016e/Blimunda_3.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 17:58:48 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115777181</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no cânone literário português — Inês Pereira — uma personagem do teatro de Gil Vicente.</title>
         <author>Margarida_Mata</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115788874</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; Na época medieval, as mulheres não eram nada valorizadas. Hoje em dia já não é bem assim, porém ainda existem diversos homens que se acham superiores às mulheres. Na minha opinião, ninguém é melhor, nem superior a ninguém, independentemente do género ser feminino ou masculino.<br><br></div><div>&nbsp; Inês Pereira, personagem da farsa de Gil Vicente é um bom exemplo de estereótipo feminino. Inês Pereira quis casar-se para se tentar livrar das tarefas e obrigações domésticas, porém o matrimónio foi dececionante e o marido não foi o que ela esperava que fosse!... &nbsp;<br>&nbsp; Ainda atualmente há imensos homens que tratam as suas mulheres como "escravas", existindo também bastantes situações de violência doméstica.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; Inês Pereira é uma personagem que detesta fazer as tarefas domésticas, todos os dias. No entanto, naquele tempo não havia grande opção. Hoje em dia, sim. Embora ainda se veja algum preconceito, se as mulheres tiverem força de vontade conseguem atingir os seus objetivos!... </div><div><br>&nbsp; Na minha opinião todos merecem ser tratados com o mesmo respeito. Todos, independentemente do seu género, podem atingir os seus objetivos e os seus sonhos.&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614312437/6401229fdd7dee5734a972409d7a2c17/image.png" />
         <pubDate>2022-03-27 18:13:35 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115788874</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação da mulher no teatro vicentino — Inês Pereira</title>
         <author>hugoroque11</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115801414</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;A imagem da mulher construída por Gil Vicente é de uma mulher adúltera e irresponsável. Na minha opinião o retrato da mulher medieval traçada por Gil Vicente é negativo e muito tendencioso impondo inúmeras restrições às pessoas do sexo feminino, realçando porém que as mulheres que se mostravam infiéis, fúteis e ambiciosas, tinham razão para assim serem.<br>&nbsp; &nbsp;Na minha perspetiva, Inês Pereira nesta obra é bem representativa do estatuto da mulher entre os séculos XVI e XXI pois mostra uma mulher que exaustivamente tenta fugir às tarefas domésticas que lhes eram obrigatoriamente implícitas, isto levou Inês a casar-se com um escudeiro a pensar que se ia livrar dos maus-tratos porém mais tarde o escudeiro revela-se tirano e enganador.<br>&nbsp; &nbsp;Gil Vicente produziu esta obra inspirado num ditado popular ''<em>Mais vale um asno que me leve do que um cavalo que me derrube''</em>, o que a meu ver é bastante significativo pois significa que mais vale um homem simples ou inculto que trate bem a sua mulher do que um nobre que a maltrate e a faça sofrer. Certas mulheres nestes tempos eram representadas como levianas e adúlteras, infiéis aos maridos, o que constitui uma caricatura abusivamente generalizada.<br>&nbsp; &nbsp;A obra vicentina é uma ótima representação da repressão social da mulher na época medieval. </div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614317014/994800113188fe77d05a75c7316cab2a/99bb3469b619c540f12d934d25beb295.png" />
         <pubDate>2022-03-27 18:30:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115801414</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Cristalizações do feminino — reflexos misóginos.</title>
         <author>ramalhoalex04</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115813079</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Perante uma consciência coletiva cada vez mais progressista dentro da comunidade literária, surge uma questão universal referente aos autores "<em>Será esta a história dele para contar</em>?..."<br>O género em "dele" é mais que propositado, na minha perspetiva, este revisionismo ao cânone dos séculos passados, evidencia mormente a misoginia flagrante, em obras cujas inclinações ideológicas são delineadas e condicionadas pelo patriarcado. Do meu ponto de vista, esta demonstração involuntária de perspetiva é inerente à criação artística e estes princípios retrógrados, ainda que editados e publicados, nada mais são que manifestações de ideias em tempos institucionalizados.<br><br>A ilustração deste meu ponto é exequível através de D. Maria Ana Josefa, personagem proveniente da obra de Saramago, um romancista que não é propriamente criticado com o pretexto de misoginia. O escritor foi no seu tempo, um homem progressista de valores feministas que a sua obra transporta, não através de caricaturas baseadas em frustrações pessoais, ou demarcações históricas de visões machistas, mas veiculando críticas a estes mesmos valores. Quando no primeiro capítulo de "<em>Memorial do Convento</em>", o narrador menciona rumores de que os problemas de infertilidade do casal real, se devem certamente à rainha e não ao rei "<em>porque a esterilidade não é mal dos homens</em>", este ironiza o conceito retrógrado de infertilidade, incentivado por uma sociedade que vê a mulher como o elemento submisso que deve ser culpabilizado.<br>Também proveniente dos comentários do narrador, o componente da obra que considero que melhor representa a manifestação de princípios do autor é a abordagem valorativa que tece relativamente aos sonhos eróticos da rainha com o seu cunhado. Em nenhum momento Saramago deixa que estes sejam paralelos aos casos de adultério luxurioso do rei, pelo contrário, enquanto no início do romance, a <em>diegese</em> introduz os sonhos do rei como fruto do seu temperamento banhado em megalomania, os da rainha são expressões oníricas da sua sexualidade reprimida. O autor demonstra compreensão para com a rainha, limitada por costumes conservadores impostos por códigos morais da religião, sendo até esta assim representada como uma instituição preconceituosa, que Saramago denuncia através de uma personagem culturalmente forçada à submissão.<br><br>Considero que a necessidade de cristalizar um arquétipo de feminilidade, pode tentar ser justificada com o pretexto do romance, ou de críticas generalizadas, no entanto, tem sempre origem na condescendência para com a mulher, uma visão que instrumentaliza representações e a <em>nuance</em> da experiência feminina, para expressar pensamentos impostos durante séculos pelo patriarcado. Se as representações femininas de Saramago soam mais reativas, ou até menos uniformes no que toca às suas motivações, na minha opinião, é porque de facto o são. Menos unidimensionais e redutoras, mais humanas, escritas numa época mais humana, por um autor que delineou a necessidade de mais empatia e progresso no cânone literária.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/574644343/c664e910511d24f4adfaa7657b12c44e/52ef3811467fe644e262f7b87db8ab23.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 18:43:43 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115813079</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino no teatro vicentino — Inês Pereira. </title>
         <author>marianacmestre</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115817563</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; Inês Pereira é a protagonista desta "Farsa de Inês Pereira" e toda a intriga se desenvolve em torno dos seus desejos e ambições. A meu ver, Gil Vicente tenta retratar e ridicularizar as mulheres daquela época. <br><br>&nbsp; Gil Vicente transmite-nos a frustração de Inês ao descobrir que a tão esperada liberdade não vinha afinal com o casamento. A personagem feminina acreditava que a única maneira de uma mulher, daquela época, ser "livre" e&nbsp; ascender socialmente, seria a partir do casamento... Mas o casamento nem sempre é "<em>um mar de rosas</em>"!... Nem sempre se encontra tudo o que se deseja...<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; No início, Inês mostra-se uma jovem fantasiosa, inconsciente, preguiçosa e idealista, que queria acima de tudo a sua liberdade, libertando-se quer da mãe, quer das tarefas domésticas a que estava sujeita. Devido à frustração sofrida com o seu primeiro casamento, Inês acaba por aprender à sua própria custa. Depois de ter sido enganada pelo escudeiro Brás da Mata e pela sua aparência, Inês acaba por perceber a má escolha que fizera e arrepende-se por ter optado pelo pretendente mais galante, porém, mais dominador.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Constata-se assim uma mudança de atitude da parte de Inês. Após este casamento, Inês torna-se uma pessoa mais calculista e até vingativa.</div><div><br></div><div>&nbsp; &nbsp; Penso assim que as mulheres desta época eram vistas como ingénuas, inconscientes e inocentes, apesar de na minha perspetiva Inês ser uma personagem forte e destemida que, apesar do desgosto que teve, não baixou a cabeça e não desistiu, nem dos seus sonhos nem do casamento ideal que tanto desejava.&nbsp; &nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614312678/5f901bdc180139d43d66cac74e7b3684/In_s_Pereira.JPG" />
         <pubDate>2022-03-27 18:49:36 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115817563</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino na “Farsa de Inês Pereira” de Gil Vicente.</title>
         <author>Francisco_Loja</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115822698</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;A mulher nas obras literárias portuguesas tem sido bastante mal representada pelos autores masculinos. Inês Pereira não é exceção. Esta personagem é também criticada negativamente pelo dramaturgo, Gil Vicente, na farsa que a apresenta como protagonista feminina.<br><br>&nbsp; Inês Pereira é uma moça bonita e solteira mas condicionada ao espaço doméstico, numa época em que a mulher era fortemente inferiorizada em relação ao homem.<br>&nbsp; A mulher era obrigada a obedecer ao seu marido, caso contrário era espancada. Também não tinha liberdade.&nbsp;<br>&nbsp; Naquela época a mulher ficava sempre com o encargo das tarefas domésticas como cozinhar, costurar, bordar. No início da obra é referido que Inês Pereira é obrigada a passar o dia a praticar estas tarefas domésticas, conforme as diretrizes da sua mãe, tendo ela o dever de obedecer à sua mãe.<br>&nbsp; Na farsa vicentina a mãe de Inês tinha o sonho de a casar e   Inês casa-se com o escudeiro Brás mas este maltrata-a, submetendo-a à sua vontade, aprisionando-a em casa, exigindo até que Inês fique trancada o dia inteiro e proibindo-a até de olhar pela janela.<br>&nbsp;&nbsp;<br>&nbsp; Concluindo, é possível perceber que o estatuto social da mulher, em tempos passados, era reduzido. As decisões eram tomadas pelo pai enquanto fosse solteira, e depois de casada pelo marido.<br>&nbsp; Estas atitudes já não são toleradas nos dias de hoje e felizmente as mentalidades evoluíram e também a qualidade de vida da mulher na sociedade. Assim, também a representação do feminino na literatura está a acompanhar essa mesma evolução.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614310157/908ef18d22f557251cce0da9103ffb9b/images.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 18:56:30 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115822698</guid>
      </item>
      <item>
         <title>O cânone literário português — Blimunda — uma representação feminina do universo narrativo de Saramago.</title>
         <author>Sminth</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115825613</link>
         <description><![CDATA[<div>José Saramago quis dessacralizar as personagens históricas através da paródia e da ironia e homenagear as personagens do povo, mais em concreto, uma mulher do povo, Blimunda.<br>&nbsp;<br>Blimunda era dotada de um dom sobrenatural, capaz de observar o interior, as entranhas dos seres.&nbsp;<br>Saramago realmente quis fazer uma crítica à sociedade, pois enquanto nós julgamos as mulheres pela sua aparência, pelo estatuto que elas têm e que é exteriormente observável, esta personagem consegue ver para além da simples aparência exterior.&nbsp;<br>Saramago constrói assim, a meu ver, uma personagem desvinculada de qualquer ideologia, apenas com a sua extraordinária visão e com o seu apurado sexto sentido.<br>Saramago criou assim uma mulher forte, sábia, até mesmo superior ao seu parceiro masculino, porque a meu ver, não é pelo facto de alguém ser mulher, que tem de ser inferior, e penso que é essa a mensagem que Saramago transmite através de Blimunda, de que não devemos avaliar ou julgar alguém pela sua simples aparência ou pelo seu género, que devemos ver o seu interior, quem realmente essa pessoa é, antes que fazermos juízos de valor.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://th.bing.com/th/id/R.84dbae4f0eaa9028c12c7451dac80e4b?rik=pS%2fGFEm32QECcg&amp;riu=http%3a%2f%2f2.bp.blogspot.com%2f-aNwhsZqVqWM%2fTdV9SP7--kI%2fAAAAAAAAASo%2fy9gx2ThxExk%2fw1200-h630-p-k-no-nu%2fBLIM.jpg&amp;ehk=k4BvIT45LBBsKQ7Bw9ndjWEdv7yyE5545iRkHhYg%2fYM%3d&amp;risl=&amp;pid=ImgRaw&amp;r=0" />
         <pubDate>2022-03-27 19:00:12 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115825613</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação da mulher no teatro de Gil Vicente — Inês Pereira.</title>
         <author>samuelssf22</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115843048</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Gil Vicente usa a “Farsa de Inês Pereira” para apontar alguns defeitos femininos e constrói uma personagem, Inês Pereira, para os encarnar e protagonizar, transmitindo assim, na minha opinião, uma imagem bastante negativa da mulher medieval, a de uma mulher rebelde e determinada que se recusava a aceitar as regras impostas pela mãe e pela sociedade.<br><br>&nbsp; O dramaturgo procurou demonstrar assim que outro traço marcante desta personalidade feminina era a irreverência, questionando sempre os valores morais e sociais na sua determinação em alcançar os seus objetivos.&nbsp;<br><br>   Inês Pereira não procurava um homem pelos seus dotes físicos ou financeiros, mas procurava sim um homem divertido e educado, o que demonstra que Inês não era materialista, apenas queria ser livre e feliz. O destino encarrega-se de castigar Inês, dando-lhe um primeiro marido bastante dominador e repressor de quem ela ficou refém. Para alívio de Inês, este marido acaba por morrer na guerra. Viúva, casa-se novamente escolhendo desta vez um marido que era o oposto do anterior, um homem fraco e facilmente manipulável que Inês explora, passando assim Inês, de uma mulher dominada a uma mulher dominadora, o que é uma representação feminina bastante arrojada para a época medieval.<br><br>&nbsp; Na minha perspetiva, Inês Pereira aspirava por casamento feliz e libertador, uma fantasia e uma idealização do matrimónio que não se concretiza, o que acaba por a dececionar. Ansiando sempre por liberdade e um marido que a fizesse feliz, a personagem não desiste de tentar atingir os seus objetivos com um segundo casamento. Esta personagem feminina é um bom exemplo da imagem estereotipada da mulher medieval que tem mantido alguma atualidade até ao século XXI.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/576190842/cee6f0bd33b7081ec05bce0d625db7de/1_VDGhmhjbjlvt2Xz2hW51lw.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 19:21:35 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115843048</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino nas obras literárias do século XIX — a mulher na novela camiliana — Mariana.</title>
         <author>Joana_Batista</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115844053</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;As mulheres são muitas vezes representadas negativamente em várias obras literárias.<br>&nbsp; &nbsp;No caso da novela camiliana "Amor de Perdição", a personagem Mariana entrega-se completamente a um amor impossível. É uma construção tipicamente romântica.<br><br>&nbsp; &nbsp;Ainda hoje não é fácil ser mulher. Há dois séculos atrás com certeza que seria muito mais difícil. Mariana pertencia à classe popular, a classe com menos direitos. Provavelmente foi ensinada que teria de encontrar alguém da sua própria classe social&nbsp; para casar. Mariana é assim uma mulher forte que se apaixonou por alguém com quem jamais terá qualquer tipo de relação apesar de ser apaixonada por Simão.<br>&nbsp; &nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;A meu ver, o autor valoriza a personagem pelas suas boas qualidades morais e também porque lhe confere alguma autonomia. É uma personalidade forte com traços de humildade, mesmo quando recusa altivamente o anel que Teresa lhe oferece como recompensa pelos seus serviços.<br>Na minha opinião, o facto de ela ter conseguido aceitar a relação amorosa entre Teresa e Simão, ajudando-os até e sofrendo em silêncio, mostra a generosidade do seu caráter.<br><br>&nbsp; &nbsp;Em suma, Mariana resulta valorizada pela dimensão trágica que o autor lhe confere, suicidando-se no final.&nbsp;Mostra assim que a mulher tem todo o direito de se apaixonar e seguir a sua paixão, sofrendo e assumindo as decisões em relação à sua vida.&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614310598/0328c0285e134519b8e421042a03721a/Mulher_rom_ntica__Imagem.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 19:22:58 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115844053</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Uma representação feminina no universo narrativo de Saramago — Blimunda.</title>
         <author>a135625</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115849588</link>
         <description><![CDATA[<div><br>&nbsp; &nbsp;Blimunda, personagem do "Memorial do Convento", tal como foi concebida é, na minha opinião, enquanto figura feminina, uma forte representação do feminino.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Apesar de apenas ser uma mulher do povo, Saramago demonstra que esta é uma mulher livre, forte, fiel, destemida e inteligente, sendo ela uma das personagens essenciais nesta narrativa saramaguiana, ou seja, uma excelente representação da mulher, especialmente na sua época.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Blimunda está bastante à frente do seu tempo, pelos seus pensamentos e questionamentos, o que possibilita a Saramago "utilizá-la” para comunicar e refletir, algo que não conseguiria com outro personagem, sendo Blimunda uma personagem ímpar, única...<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp;Uma das suas principais qualidades é a sua fidelidade e lealdade a Baltasar. Por exemplo, quando Baltasar desaparece, "<em>Nove anos procurou Blimunda. Começou por contar as estações, depois perdeu-lhes a o sentido."</em>.<br><br></div><div>   Outro motivo, pelo meu ponto de vista, é por ter uma imagem muito poderosa, visto que é Blimunda quem dá "poder" e significado ao povo. Aqueles que de nada serviam agora, graças a esta personagem feminina, seriam extremamente essenciais, uma vez que as suas vontades iriam ser recolhidas por ela, vontades estas que irão fazer com que a "Passarola" consiga voar, daí a sua extrema importância e valor nesta narrativa.<br><br></div><div>   Por fim, achei bastante interessante a forma como o autor representa a mulher, na personagem de Blimunda, demonstrando a sua superioridade pela sua calma e inteligência, usando-a para transmitir a importância de olharmos e vermos o mundo a seu todo, de forma pura e nua.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614308240/ff25e24d6dec35c1b599d57bb7365c58/WhatsApp_Image_2022_03_29_at_14_10_28__1_.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 19:29:37 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115849588</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação da mulher no cânone literário português — Inês Pereira.</title>
         <author>a122771</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115859075</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;A personagem Inês Pereira é na minha perspetiva uma representação feminina paradigmática, retrata a mulher de antigamente. Na obra também são descritos vários aspetos em relação à mulher dessa época, como por exemplo os seus deveres e o seu trabalho, que da minha perspetiva seriam mais árduos e injustos para com a figura feminina.<br><br></div><div>&nbsp;A representação de Inês Pereira é feita de forma satírica uma vez que na obra a personagem seria caracterizada como ociosa e preguiçosa pois detesta os trabalhos domésticos, descontente e insatisfeita com a sua vida, pois pretende casar com um homem da corte, para fugir à vida que tem e viver alegre e livre. Inês Pereira é representada de forma realista pois, de facto, as tarefas domésticas eram pesadas e os direitos da mulher seriam escassos ou nulos.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp;A representação da mulher no cânone literário português é bem tipificada por Inês Pereira pois esta figura de mulher medieval sonha já com a emancipação feminina, embora pretenda conseguir a liberdade através de um bom "contrato" matrimonial, estratégia possível mas bastante arriscada para aquela época...<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/871361289/3957ba69da83a19e3406b056cd4470fa/ultima.png" />
         <pubDate>2022-03-27 19:42:29 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115859075</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina em &quot;Amor de Perdição&quot; — nem todas as personagens são estereótipos. </title>
         <author>a122621</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115877033</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp; Lendo a obra “Amor de Perdição” sem ligar ao contexto, fica-nos a impressão que a personagem Mariana da Cruz é apenas mais outro estereótipo da mulher do século XIX, uma figura feminina sentimental e romântica da imensa galeria camiliana. Eu não acho. No fundo, a obra conta uma história verídica, que aconteceu ao tio do autor, segundo o prefácio escrito por Camilo. Portanto, do meu ponto de vista, Mariana é uma representação verdadeira da mulher daquela época.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;É compreensível que a personagem Mariana seja vista como um estereótipo da mulher do século XIX, mas isso só acontece pois ela representava uma típica mulher daquele tempo. Camilo confidencia relatar factos verídicos, acontecidos no tempo do seu tio materno, sendo então todos os comportamentos e esforços de Mariana genuínos, uma projeção de uma verdadeira personalidade.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;A razão pela qual a personagem Mariana é como é, dever-se-á à sociedade daquele tempo, que moldava mentalidades e enraizava certos preconceitos, como o de que a mulher tinha que ser submissa ao homem <strong>—</strong>característica essa que Mariana demonstra diversas vezes, por exemplo, ao cuidar de Simão enquanto este está doente, ou até por efetuar a troca de cartas entre ele e Teresa, esforçando-se ao máximo, com gestos generosos, em ser notada por ele.&nbsp;<br>     Infelizmente esta história acaba de forma trágica com Mariana a suicidar-se após a morte do único homem que realmente amava, sofrendo até ao último momento da sua triste vida por Simão e pelo seu amor não correspondido.<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Concluindo, do meu ponto de vista, Mariana não passa de uma mulher moldada pelos princípios da sociedade do século XIX, que tem a sua vida de sofrimento apresentada ao leitor por parte de Camilo, não havendo então qualquer estereótipo feito por parte do mesmo.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614311638/a896db306b341974093656e9394a9f1c/mulher_trsite.jfif" />
         <pubDate>2022-03-27 20:06:49 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115877033</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina n´&quot;Os Maias&quot; — Maria Eduarda vista pela &quot;luneta&quot; de Eça</title>
         <author>ana_leonor141</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115893745</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; Na literatura portuguesa, a figura feminina é frequentemente retratada segundo uma perspetiva masculina. Eça de Queirós, na sua obra "<em>Os Maias</em>", critica a sociedade do seu tempo, não deixando de apontar o dedo às mulheres, fortemente e injustamente estereotipadas enquanto tentação do mal para o homem. Maria Eduarda é, no meu ponto de vista, um exemplo que ilustra a misoginia do autor.<br>&nbsp; Em primeiro plano, é fundamental sublinhar o imaginário masculino como principal culpado da errada ideologia associada às mulheres. A concepção de Maria Eduarda é abalada ao longo da narrativa essencialmente pelo facto de ser introduzida pelo olhar de Carlos da Maia. Numa primeira aparição, a personagem é descrita como sendo uma senhora alta, loira e de uma brancura pálida, correspondendo aos padrões irrealistas de beleza da época. É comum o uso do termo "deusa" para ilustrar o seu encanto: este provocaria em Carlos um enorme desejo e desespero, intensificado pelo facto de ser casada, tornando-a num "fruto proibido". Esta personagem, porém, uma vez dita como musa de poemas, é posteriormente considerada prosaica.<br>&nbsp; Eça explora profundamente a dicotomia "ser e parecer". Neste contexto destaco a queda da figura feminina, cuja imagem antes transparecera de esposa dedicada e mulher afetuosa. Carlos da Maia, após a oportunidade de conhecer Maria Eduarda, reconhece estas suas facetas, julgando-a séria e casta. No entanto, não só a personagem passa a apresentar-se como adúltera e sensual, como também é revelado o seu passado: ela seria uma mulher a quem Castro Gomes pagava. Carlos agora considera-a desmoralizada, sem virtudes e indigna do seu amor. Maria Eduarda é caracterizada por Eça de acordo com falsos pressupostos que distorcem a realidade: esta&nbsp; seria apenas mais uma vítima do escritor. Refém da sua condição de mulher, sofre um destino trágico. Com a descoberta de que seria irmã de Carlos, com quem estaria envolvida, Maria Eduarda parte para Paris, sem poder concretizar os seus sonhos.<br>&nbsp; Através da sua escrita irónica, Eça de Queirós caricaturou as mulheres, constantes alvos da sua crítica social. Maria Eduarda não escapou a esse processo: é inicialmente ilustrada como heroína romântica, ser sublime e, a meu ver, objetificada pelo seu físico (constantemente pormenorizado e descrito como maravilhoso). Surge, portanto, a sua <em>cliché </em>transformação em símbolo de destruição de lares. Contudo, reconheço que a misoginia presente na obra se pode refletir nos valores e morais do século XIX: o conceito de mulher seria outro quando comparado ao seu papel atual.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1225647786/5e0b706e0879080fc303d6a16466d43f/20220327_202449.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 20:30:09 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115893745</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino na poesia trovadoresca.  </title>
         <author>catia_fidalgo</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115900941</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;Considero que a representação da mulher enquanto visão do homem é assunto de reflexão e debate. Consequentemente, o papel da mulher na sociedade e a sua projeção na literatura também.&nbsp; <br><br>&nbsp; &nbsp;A mulher na poesia trovadoresca, mais especificamente nas cantigas de amor, é sobrevalorizada pela sua beleza, elegância, pelo seu estatuto social e diversos dotes morais&nbsp; <strong>—</strong>&nbsp; uma imagem idealizada, projetada pela voz masculina do trovador.<br><br>&nbsp; &nbsp;A mulher amada é descrita nas cantigas de amor como sendo de uma classe social elevada, ou seja, tem um título e um papel importante na corte medieval, é casada, descrita como perfeita, igualada a uma deusa e por isso completamente inatingível ao trovador. Por exemplo, o poeta ou trovador refere-se à sua amada como a sua "<em>Senhor</em>" e descreve-a como sendo superior a todas as outras belezas terrenas.<br>&nbsp; &nbsp;A mulher apresenta ter, na perspetiva do trovador, uma beleza e perfeição únicas mas também uma superioridade e altivez. Nas cantigas de amor é muito comum o trovador expressar o seu sentimento de sofrimento (<em>coita d'amor</em>) pois o seu amor não é correspondido e o trovador sente que a mulher amada o ignora, sendo assim fria, distante e insensível.<br><br>&nbsp; &nbsp;Conclui-se pois que o trovador valoriza o feminino, a mulher de condição social elevada, elogiando as suas características perfeitas e únicas, mas por outro lado retrata -a como cruel pois não corresponde sentimentalmente ao seu amor <strong>—</strong> uma paixão infeliz que leva o trovador a "<em>morrer de amor</em>" por uma mulher que afinal não passa de uma representação por ele próprio idealizada.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614307160/954ac44bdd3d568bb1ce68568da7ee69/Trovadorismo.webp" />
         <pubDate>2022-03-27 20:39:56 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115900941</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino no romance de Eça de Queirós &quot;Os Maias&quot; — Maria Monforte.</title>
         <author>a134572</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115925563</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>&nbsp; &nbsp;Na minha opinião a representação feminina na literatura portuguesa não faz uma correta </strong><strong><em>interpretação</em></strong><strong> do feminino, dando-lhe a sua verdadeira dimensão, uma vez que muitos das representações são modeladas por estereótipos sociais de cada época e corrente estético-literária.</strong><br><br></div><div>&nbsp; Eça de Queirós quis representar a realidade nas sua obra literária, expondo e criticando o estado da sociedade. O adultério feminino sendo uma dessas criticas, utilizando personagens como Maria Monforte.<br><br></div><div>&nbsp; Maria Monforte era uma mulher bela e sedutora, mas ela também foi marginalizada socialmente, uma vez que o pai dela era um traficante de escravos assim ela ficou&nbsp; conhecida como “a negreira”: “<em>Em todo o caso quando Lisboa descobriu aquela legenda de sangue e negros, o entusiasmo pela Monforte calmou</em>”.<br><br></div><div>&nbsp; Maria Monforte é uma personagem sedutora, calculista e fria que utiliza a sua manipulação para obter aquilo que ela quer, provocando assim o suicídio de Pedro da Maia após a sua fuga com Tancredo.<br><br></div><div>&nbsp; Na minha opinião as representações femininas de Eça de Queirós não são representações corretas do feminismo porque representar as mulheres só de uma maneira negativa não representa o lado positivo do feminino.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1217357521/0e94b8e45ab5a131dda88be96a63de3f/Mulher_do_s_culo_XIX.PNG" />
         <pubDate>2022-03-27 21:15:40 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115925563</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação do feminino no romance de Eça — Maria Monforte.</title>
         <author>a124002</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115938138</link>
         <description><![CDATA[<div>Na minha opinião Maria Monforte é criticada e atacada pelo machismo de Eça que muitas vezes se torna excessivo.&nbsp;</div><div>&nbsp;</div><div>Maria Monforte é uma mulher de caráter excêntrico. É adúltera, excessiva e leviana e por isso caem sobre ela todas as desgraças.&nbsp; É uma mulher bela, sensual, de cabelos “<em>cabelos loiros, de um oiro fulvo, que ondeavam de leve”</em>, pele clara “<em>uma carnação de mármore</em>” e tem uns “<em>olhos maravilhosos</em>”. A sua representação física é divinizada.&nbsp;<br><br></div><div>Maria Monforte acabará por fugir do marido, Pedro da Maia, após o nascimento dos seus dois filhos, Maria Eduarda e Carlos Eduardo, para se juntar ao italiano Tancredo, levando porém a filha com ela:&nbsp;<em>“É uma fatalidade, parto para sempre com Tancredo, esquece-me, que não sou digna de ti, e levo a Maria, que me não posso separar dela.</em>”<br><br></div><div>Maria Monforte foge também da sombra de seu pai. Por causa dele era chamada "negreira" pois o pai era um traficante de escravos negros: “<em>Em todo o caso quando Lisboa descobriu aquela legenda de sangue e negros, o entusiasmo pela Monforte calmou. Que diabo! Juno tinha sangue de assassino, a beltà do Ticiano era filha de negreiro!”</em></div><div>&nbsp;</div><div>Penso que Eça através do romance “Os Maias” não esteja a representar a mulher da forma mais justa fazendo com que os leitores pensem que a mulher é um ser volúvel, excêntrico e pouco confiável.&nbsp;Eça tem genericamente uma imagem negativa das mulheres, talvez tenha ficado para sempre ressentido pelo desamor e distanciamento da sua própria mãe.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614316587/3529a120208f0f6feb2d12989d20c113/portrait_of_elizabeth_lady_croft.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 21:38:05 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115938138</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no universo narrativo de Saramago — Blimunda</title>
         <author>a135842</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115953208</link>
         <description><![CDATA[<div>   Na minha opinião, Blimunda Sete-Luas, personagem ficcional do romance "Memorial do Convento" de José Saramago, é uma das personagens femininas mais interessantes do nosso cânone literário. Porém, apesar de apresentar características bem femininas, apresenta também outras que nos surpreendem pois divergem da ideia do feminino frágil e submisso.<br><br>&nbsp; &nbsp;Os traços tradicionalmente femininos de Blimunda podem ser detetados através do seu nome, Sete-Luas, que indica uma representação da mulher como tendo um lado lunar, obscuro e difícil de prever, sendo esta caracterização oposta ao facto de o seu parceiro, Baltasar Sete-Sóis, representar a estabilidade do sol que nasce todos os dias em vez da escuridão das luas que têm várias fases. Contudo, estas características não são as únicas que definem Blimunda, sendo também muito relevante para a sua caracterização a relação que esta tem com o seu parceiro Baltasar, sendo ela a personagem dominante e cerebral, contrariando a visão tradicional da mulher submissa e indefesa.<br><br>&nbsp; &nbsp;Blimunda é portanto uma das personagens femininas mais completas da literatura portuguesa, tendo Saramago não só criado uma personagem forte e determinada atribuindo-lhe características poderosas que quebram o estereótipo da mulher frágil e vulnerável, cujo único papel é apoiar o homem, seu eterno protetor. &nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614316036/7bee5eec8e0c74e3cdfe0ff988caae52/Blimunda3.jpeg" />
         <pubDate>2022-03-27 22:08:01 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115953208</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina na poética trovadoresca.</title>
         <author>Duarte_Matos</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115989245</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;A mulher sempre foi o centro da inspiração artística masculina, da pintura à literatura, ao longo de séculos e séculos...&nbsp;<br><br>&nbsp; &nbsp;Em relação à literatura, desde o século XII até ao século XV, o lirismo trovadoresco inspirou-se na mulher, quer para as louvar, quer para as maldizer, nas cantigas de amigo, de amor, de escárnio e de maldizer.&nbsp;<br>   A mulher era então, maioritariamente, retratada como um ser inferior. Aos meus olhos, apesar de extremamente triste e injusto, eu diria que é compreensível, dada a época em que se vivia, a época medieval.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;A sociedade da altura era distorcida, preconceituosa e ignorante, onde a mulher apenas cuidava dos filhos ou servia como objeto de negociação matrimonial. Acredito que a falta de conhecimento juntamente com maus princípios, foram uma das principais razões para esta representação do feminino. Como por exemplo, na cantiga de Fernão Rodrigues de Calheiros, que fala de uma dona que se vela a si própria, servindo assim como crítica às liberalidades paternas e como deveriam ser desencorajadas, mostrando mais uma vez a injustiça, uma vez que, com os filhos, os pais não impunham nem metade das restrições. &nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Por outro lado, o facto de que o homem como macho da espécie é que caçava, explorava e ainda era responsável pela segurança familiar, fez com que este passasse uma imagem de superioridade. Considero que o fator psicológico é igualmente relevante neste debate. Por exemplo, a cantiga de Gonçalo Anes do Vinhal, serve como sátira a uma abadessa em forma de agradecimento pelo acolhimento e afeto sexual, mostrando assim que a mulher nesta altura servia apenas para ajudar o homem a descansar e a se distrair, sendo que a sua utilidade seria na cama a não no campo de batalha.<br>&nbsp; &nbsp;Por fim, gostaria de clarificar que existe atualmente uma gratificante mudança de mentalidades quanto à igualdade de género relacionada com a evolução das mentalidades. Esta evolução fortalece naturalmente a essência humana. Temos, pois que lutar por esta mudança!...&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614309890/4785023e6be00f0e8fd0c7bbdb841339/R.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 23:15:03 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2115989245</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Mariana — uma representação do feminino na novela camiliana.</title>
         <author>a143125</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2116012256</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; Na minha opinião, a mulher sempre foi desvalorizada, sendo alvo de estereótipos e objetificações através de um olhar masculino, o dos autores.<br><br>&nbsp; Mariana, a personagem camiliana da novela "Amor de Perdição", contraria alguns desses estereótipos, sendo uma personagem romântica e feminina, numa época que o homem dominava e a mulher e esta não tinha autonomia.&nbsp;<br>&nbsp; Mariana é uma personagem com um papel secundário na intriga. Era serviçal mas embora a sua obrigação fosse servir, Mariana conseguia ter autonomia e conciliar a sua obediência filial com a sua determinação.&nbsp;<br>&nbsp;&nbsp;<br>Mariana, mesmo nunca tendo recebido amor de Simão, apenas gratidão, sempre o ajudou a conseguir alcançar o seu amor proibido por Teresa Albuquerque, controlando as suas emoções e nunca demostrando ciúme, chegando mesmo a levar as cartas de Simão para Teresa pois esta era a sua única forma de comunicação. Na minha opinião Mariana não é um estereótipo. É uma personagem feminina forte, independente e madura.&nbsp;<br><br>&nbsp; Esta novela acaba por ter um tom trágico e com muitos obstáculos para encontrar o amor, mesmo assim Mariana nunca desistiu desse amor que mais tarde irá ser fatal. Ela acaba por demonstrar ser capaz de fazer as suas próprias escolhas. Logo após a morte de Simão, Mariana suicidou-se, abraçada ao seu cadáver. Mariana consegue assim demonstrar a sua força, maturidade e independência.&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;<br>&nbsp; &nbsp;Pessoalmente sinto uma grande admiração por Mariana pois esta figura feminina conseguiu quebrar vários estereótipos da estética literária romântica, a mulher frágil e emotiva dominada pelos sentimentos e pelo homem.<br>&nbsp; Penso que a mulher tem os mesmos direitos que o homem. Pode e deve decidir a sua vida amorosa e social da forma que desejar, lutando sempre pela sua independência.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614310366/254f56e7fa9692e6718cfb26045d8231/padlet_1.jpg" />
         <pubDate>2022-03-27 23:51:12 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2116012256</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação da mulher no cânone literário português — a figura feminina nas cantigas de amigo.</title>
         <author>a135991</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2117637079</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp;No cânone da literatura portuguesa, a figura feminina tem-se mostrado extremamente importante, sendo quase sempre uma componente essencial. Na literatura portuguesa, existe um vasto número de personagens femininas icónicas com caracterizações únicas. <br><br>&nbsp; Um exemplo dessa representação emblemática da figura feminina na literatura portuguesa é a "donzela" das cantigas de amigo. Nessas cantigas de amigo, a mulher é habitualmente de caráter rural e doméstico e costuma esperar a chegada de um amigo. Essas cantigas indicam a necessidade da mulher de ser feliz, amando e sendo amada. <br>&nbsp; &nbsp;Noutras cantigas ela sente-se aflita, magoada ou preocupada com a ausência do amigo. Um de muitos exemplos desta caracterização é a cantiga de amigo "<em>Agora vem o meu amigo</em>" <sup>&nbsp;</sup>onde o amigo chega a ir ter com a mulher, mas não fica com ela muito tempo o que a deixa em desespero pois ele vem vê-la mas permanece com ela muito tempo, por mais que ela lho peça e que o seu desejo seja intenso... <br><br>&nbsp; &nbsp;Apesar da presença masculina fazer falta à mulher não considero que esta presença seja o único motivo da felicidade feminina. <br><br>&nbsp; &nbsp;Em conclusão, a figura feminina é alvo de múltiplas representações na poesia medieval, veiculando as suas qualidades e os seus defeitos, de acordo com a perspetiva masculina dos autores, os trovadores e jograis medievais. <br><br>-------------------------<br><a href="https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=649&amp;pv=sim"><br></a><strong><em><sub>Agora vem o meu amigo<br>e quer-se log'ir e nom quer migo<br>&nbsp; &nbsp;estar;<br>&nbsp; &nbsp;havê-l'-ei já sempr'a desejar.</sub></em></strong><strong><sub><br>&nbsp; <br></sub></strong><strong><em><sub>Nunca lho posso tanto dizer<br>que o comigo possa fazer<br>&nbsp; &nbsp;estar;<br>&nbsp; &nbsp;havê-l'-ei já sempr'a desejar.</sub></em></strong><strong><sub><br>&nbsp; <br></sub></strong><strong><em><sub>Macar lho rogo, nom mi há mester,<br>mais que farei, pois migo nom quer<br>&nbsp; &nbsp;estar?<br>&nbsp; &nbsp;Havê-l'-hei já sempr'a desejar.</sub></em></strong><em><br><br></em><strong><sub>Fernão Rodrigues de Calheiros</sub></strong></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614307631/f2fa9bcd7346ce0db6f3f4d31da23c31/220px_Codex_Manesse_Bernger_von_Horheim.jpg" />
         <pubDate>2022-03-28 17:10:45 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2117637079</guid>
      </item>
      <item>
         <title>A representação feminina no universo narrativo saramaguiano — Blimunda.</title>
         <author>RodrigoNetoPinto</author>
         <link>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2122377603</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Na minha opinião, Blimunda é uma personagem essencial no universo saramaguiano. Saramago criou uma figura feminina forte e determinada provando que o género feminino não é inferior ao masculino.<br><br>Em muitas das relações da atualidade, ainda é possível observar-se que o homem age como se fosse superior à mulher, o que provoca um mal-estar no relacionamento.<br>&nbsp;Em “Memorial do Convento” Blimunda mantém um relacionamento com Baltasar à margem das convenções. Não era um típico casamento tradicional pois este casal era transgressor dos códigos estabelecidos, vivendo um amor verdadeiro sem regras nem limites, e embora tivessem sido abençoados pelo padre Bartolomeu Lourenço não estavam casados nem tencionavam procriar.&nbsp;<br>Com este casal Saramago ilustrou a partilha e a cumplicidade sem machismos... <br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1614319383/3b9151453a33d9bfe530956afa50a588/dxdh84_bc065517_a4aa_4251_ac72_f86b9ded9ea7.jpg" />
         <pubDate>2022-03-30 22:35:47 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/mceu_couto/o_feminino_100fim/wish/2122377603</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
