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      <title>A importância dos traços distintivos na descrição e análise fonológica das línguas. by SUELENA MARIA SALES</title>
      <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8</link>
      <description>Traços de Fonte</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-11-11 17:32:36 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2024-11-19 19:36:35 UTC</lastBuildDate>
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         <title>1. Teoria da Linguagem e Instrumentos Formais</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3211611194</link>
         <description><![CDATA[<ul><li><p><strong>Objetivo de uma Teoria da Linguagem</strong>:</p><ul><li><p>Uma boa teoria da linguagem precisa explicar como as línguas funcionam e ser capaz de fazer <strong>generalizações significativas</strong>.</p></li><li><p>Além disso, ela precisa diferenciar entre <strong>generalizações verdadeiras</strong> (padrões linguísticos que realmente existem) e <strong>generalizações falsas</strong> (padrões que não se aplicam na prática).</p></li></ul></li><li><p><strong>Traços Distintivos na Fonologia</strong>:</p><ul><li><p>Na fonologia, os traços distintivos são usados para descrever e diferenciar os sons das línguas de forma precisa.</p></li><li><p>Eles ajudam a mostrar como certos padrões e regras são naturais e comuns entre os falantes.</p></li></ul><p><br></p></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-11 17:42:53 UTC</pubDate>
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         <title>2. Por que os Traços Distintivos são Importantes?</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3211845944</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>1. O que são Traços Distintivos?</p><ul><li><p><strong>Definição</strong>:</p><ul><li><p>Traços distintivos são características que identificam como os sons são produzidos.</p></li><li><p>Eles descrevem atributos como:</p><ul><li><p><strong>Sonoridade</strong></p></li><li><p><strong>Lugar de articulação</strong></p></li><li><p><strong>Modo de articulação</strong></p></li></ul></li></ul></li><li><p><strong>Exemplo Prático</strong>:</p><ul><li><p>Compare os sons “p” e “b” em português. Ambos são <strong>bilabiais</strong> (produzidos com os lábios) e <strong>oclusivos</strong> (com obstrução do ar), mas diferem quanto à <strong>sonoridade</strong>:</p><ul><li><p>“p” é [-sonoro] (não vibrante).</p></li><li><p>“b” é [+sonoro] (vibrante).</p></li></ul></li></ul></li></ul><p>2. Traços Distintivos e a Formação de Classes Naturais</p><ul><li><p><strong>Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>Sons que compartilham traços distintivos podem ser agrupados em <strong>classes naturais</strong>. Essas classes são úteis porque as regras linguísticas normalmente se aplicam a grupos de sons que compartilham traços.</p></li></ul></li><li><p><strong>Por que são Importantes?</strong></p><ul><li><p><strong>Economia e Precisão</strong>: Em vez de criar uma regra separada para cada som, podemos aplicar uma regra geral para todos os membros de uma classe natural, o que torna a descrição mais clara e econômica.</p></li></ul></li><li><p><strong>Exemplo</strong>:</p><ul><li><p>No português, as consoantes surdas “p”, “t” e “k” formam uma classe natural porque compartilham o traço [-sonoro]. Se criamos uma regra para as consoantes surdas, ela pode aplicar-se a todas essas ao mesmo tempo, sem precisar repetir o processo.</p></li></ul></li></ul><p>3. Exemplo Prático: A Regra de Palatalização</p><ul><li><p><strong>O que é a Regra de Palatalização?</strong></p><ul><li><p>No português, existe uma regra onde as consoantes “t” e “d” se transformam nos sons palatais “tʃ” e “dʒ” (como em “tia” ou “dia”) quando estão antes da vogal “i”.</p></li></ul></li><li><p><strong>Como a Regra é Explicada com Traços Distintivos</strong>:</p><ul><li><p>Sem traços distintivos, a regra simplesmente diria: “os sons ‘t’ e ‘d’ viram ‘tʃ’ e ‘dʒ’ antes da vogal ‘i’.”</p></li><li><p>Com traços distintivos, podemos ver o que realmente está acontecendo: a transformação ocorre porque a vogal “i” é palatal (produzida perto do céu da boca). Esse som influencia a consoante que o precede, fazendo-a também se tornar um som palatal.</p></li></ul></li><li><p><strong>Detalhamento da Regra</strong>:</p><ul><li><p>A regra com traços distintivos diria que o traço [-alto] se torna [+alto] diante de um som que é [+alto] (a vogal “i”). Isso mostra que a mudança é “natural”, pois os sons ajustam-se para ficarem mais parecidos entre si quando estão próximos.</p></li></ul></li></ul><p>4. Por que Isso Demonstra a Naturalidade dos Traços Distintivos?</p><ul><li><p><strong>Naturalidade das Regras</strong>:</p><ul><li><p>Os traços distintivos permitem entender que a regra de palatalização não é aleatória. Ela se baseia em características fonéticas reais dos sons, que tendem a se modificar para tornar a pronúncia mais fácil.</p></li><li><p><strong>Exemplo de Naturalidade</strong>: A transformação de “t” em “tʃ” antes de “i” mostra que a língua se ajusta naturalmente, tornando sons semelhantes mais próximos entre si.</p></li></ul></li></ul><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-11 21:32:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3211845944</guid>
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         <title>3- Algumas revisões da proposta teórica</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3211855999</link>
         <description><![CDATA[<p>1. A Importância da Segmentação dos Traços Distintivos</p><ul><li><p><strong>Divisão em Traços Distintivos</strong>:</p><ul><li><p>A segmentação dos sons em traços distintivos foi um grande avanço na teoria fonológica.</p></li><li><p>Os sons foram classificados em termos de “ponto de articulação” (onde são formados), “modo de articulação” (como são formados) e “sonoridade” (se são sonoros ou surdos).</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: O som /p/ é bilabial (produzido com os lábios), oclusivo (o ar é bloqueado), e surdo (não há vibração das cordas vocais).</p></li></ul></li></ul><p>2. Primeiras Tentativas de Classificação de Sons</p><ul><li><p><strong>Trubetzkoy e a Escola de Praga</strong>:</p><ul><li><p>Trubetzkoy fez a primeira tentativa de organizar uma classificação dos contrastes distintivos dos fonemas.</p></li><li><p>Essa tentativa foi uma das primeiras a reconhecer que os sons podem ser agrupados em classes com propriedades compartilhadas.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: Os sons /p/, /t/ e /k/ compartilham traços de oclusão e surdez, formando uma classe natural.</p></li></ul></li></ul><p>3. Modelo de Jakobson, Fant e Halle (1952)</p><ul><li><p><strong>Formalização dos Traços Distintivos</strong>:</p><ul><li><p>Jakobson, Fant e Halle criaram um modelo que usava um sistema de 12 a 15 traços para representar contrastes nas línguas.</p></li><li><p><strong>Sistema Binário</strong>: Todos os traços eram representados de forma binária (ou seja, um som ou tem ou não tem determinado traço).</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: O som /p/ seria descrito com traços [-sonoro] (não vibrante) e [+consonantal] (consoante), enquanto /b/ seria [+sonoro].</p></li></ul></li></ul><p>4. Revisão do Modelo por Chomsky e Halle (1968)</p><ul><li><p><strong>The Sound Pattern of English (SPE)</strong>:</p><ul><li><p>Chomsky e Halle revisaram o modelo para incluir tanto as funções fonéticas quanto fonológicas dos traços.</p></li><li><p>Os traços passaram a incluir características de articulação específicas (ex. nasalidade, sonoridade).</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: Traços como [nasal] são introduzidos para explicar diferenças entre sons como /n/ e /t/.</p></li></ul></li><li><p><strong>Mudança de Traço [Vocálico] para [Silábico]</strong>:</p><ul><li><p>Para representar melhor a estrutura silábica, substituíram o traço [vocálico] por [silábico].</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: O traço [silábico] diferencia sons que podem ou não ser o núcleo de uma sílaba, como vogais (que são [+silábicas]) e obstruintes ([-silábicas]).</p></li></ul></li></ul><p>5. Limitações do Modelo de Chomsky e Halle e Propostas de Modificação</p><ul><li><p><strong>Problemas de Classificação com Traços Binários</strong>:</p><ul><li><p>O modelo binário limitava a descrição de línguas com mais de três alturas vocálicas, como o dinamarquês e o sueco, que têm até quatro.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: Traços binários como [alta] e [baixa] não conseguem expressar uma altura intermediária entre as vogais médias e baixas.</p></li></ul></li><li><p><strong>Soluções Propostas</strong>:</p><ul><li><p><strong>Traço [Médio]</strong>: Foi sugerido para línguas que exigem uma altura vocálica intermediária.</p></li><li><p><strong>Traços Plurivalentes e Monovalentes</strong>: Modelos posteriores, como o de Ladefoged e Clements, propuseram traços com mais valores ou de valor único, melhorando a descrição de sons.</p></li></ul></li></ul><p>6. Críticas e Evolução para Modelos Não Lineares</p><ul><li><p><strong>Bijetividade e Desordem dos Traços</strong>:</p><ul><li><p>Críticas foram feitas sobre a forma como o modelo tradicional caracterizava os segmentos como “colunas” fixas de traços, levando ao desenvolvimento de modelos não lineares, como a <strong>Fonologia Autossegmental</strong>.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: Nos modelos não lineares, os traços podem ser organizados em camadas e separados, ajudando a representar traços prosódicos como o acento.</p></li></ul></li></ul><p>Essas revisões e modelos sucessores permitiram um entendimento mais detalhado da fonologia, auxiliando a descrever com mais precisão os padrões fonológicos das línguas.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-11 21:48:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3211855999</guid>
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      <item>
         <title>4- Classes naturais</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213113947</link>
         <description><![CDATA[<ol><li><p><strong>Definição de Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>Classes naturais são grupos de segmentos (sons) que compartilham um conjunto de traços distintivos. Esses traços são mínimos e suficientes para caracterizar todos os membros da classe como um grupo.</p></li></ul></li><li><p><strong>Traços Distintivos como Base das Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>Traços distintivos são usados para caracterizar propriedades específicas dos segmentos, como sonoridade, ponto de articulação, entre outras. Eles são a base para definir classes naturais, agrupando segmentos que compartilham características fonéticas ou fonológicas.</p></li><li><p>Exemplo: Os sons /t/ e /d/ constituem uma classe natural, pois compartilham características articulatórias e fonológicas (por exemplo, ambos são plosivos alveolares). Para descrever a classe, podemos usar 5 traços distintivos que caracterizam ambos. Isoladamente, precisaríamos de mais traços para definir cada som.</p></li></ul></li><li><p><strong>Critérios para Identificação de Classes Naturais</strong> (segundo Hyman, 1975):</p><ul><li><p>Dois segmentos são considerados uma classe natural se:</p><ul><li><p><strong>a)</strong> sofrem juntos as mesmas regras fonológicas </p></li><li><p><strong>b)</strong> funcionam de forma similar em certos contextos fonológicos;</p></li><li><p><strong>c)</strong> podem ser convertidos um no outro por uma regra fonológica;</p></li><li><p><strong>d)</strong> um dos segmentos aparece no contexto do outro por assimilação.</p></li></ul></li><li><p>Exemplo: Os sons /t/ e /d/ formam uma classe natural porque ambos sofrem a regra de palatalização em português brasileiro. Já /t/ e /m/ não formam uma classe natural, pois não compartilham traços suficientes e não sofrem as mesmas regras fonológicas.</p></li></ul></li><li><p><strong>Aplicação de Regras em Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>Regras fonológicas aplicam-se geralmente a classes naturais, e não a conjuntos arbitrários de segmentos. Isso ocorre porque segmentos que pertencem a uma mesma classe natural tendem a reagir de maneira semelhante a processos fonológicos.</p></li><li><p>Exemplo: Na regra de vozeamento, a classe das consoantes surdas pode ser vozeada em certos contextos. Essa mudança ocorre em todos os membros da classe, e a descrição da regra é simplificada pelo uso de uma classe natural.</p></li></ul></li><li><p><strong>Segmentos em Múltiplas Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>Um mesmo segmento pode fazer parte de mais de uma classe natural, dependendo do contexto.</p></li><li><p>Exemplo: O segmento /p/ pode estar na classe das consoantes labiais [p, b, m] em uma regra e, em outra, na classe das consoantes plosivas surdas [p, t, k].</p></li></ul></li><li><p><strong>Variabilidade entre Línguas</strong>:</p><ul><li><p>As classes naturais podem ser utilizadas de maneiras diferentes em cada língua. Uma língua pode ter regras fonológicas que afetem a classe das plosivas surdas, enquanto outra língua pode ter regras que afetam as labiais.</p></li></ul></li><li><p><strong>Significado Teórico das Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>O conceito de classes naturais contribui para uma análise mais simples e sistemática das regras fonológicas, pois as classes naturais permitem que as línguas apresentem padrões previsíveis de comportamento sonoro.</p></li><li><p>Conforme argumentado por Kenstowicz (1994), a organização de classes naturais mostra como a Gramática Universal (GU) organiza a informação fonológica de acordo com a maneira como os sons são percebidos e articulados nas línguas humanas.</p></li></ul></li><li><p><strong>Conclusão sobre a Importância das Classes Naturais</strong>:</p><ul><li><p>As classes naturais permitem uma análise eficiente das regularidades fonológicas, contribuindo para que a teoria fonológica descreva e explique o comportamento dos sons nas línguas.</p></li></ul></li></ol>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-12 13:07:03 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213113947</guid>
      </item>
      <item>
         <title>5- Traços distintivos versus traços redundantes</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213239917</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>1. O que são Traços Distintivos?</strong></p><p>Traços distintivos são aqueles que ajudam a diferenciar um fonema de outro na língua. Eles têm um papel fundamental na distinção de significados, pois marcam a diferença entre fonemas que mudam o sentido de uma palavra.</p><ul><li><p><strong>Exemplo</strong>: Em português, os sons /p/, /t/, e /k/ são fonemas distintos porque suas diferenças no ponto de articulação (lábios, alvéolos, e véu palatino) causam alterações de significado. Em palavras como <em>pala</em>, <em>tala</em>, e <em>cala</em>, a troca de /p/, /t/ e /k/ muda o sentido da palavra. Esses sons possuem traços distintivos, como:</p><ul><li><p><strong>[anterior]</strong> (produzido na frente da boca) distingue /p/ e /t/ de /k/.</p></li><li><p><strong>[coronal]</strong> (produzido com a ponta da língua) distingue /t/ dos outros dois.</p></li></ul></li></ul><p><strong>2. O que são Traços Redundantes?</strong></p><p>Traços redundantes, ao contrário, não servem para diferenciar fonemas. Eles são previsíveis dentro do sistema da língua e aparecem apenas em contextos específicos, sem afetar o significado da palavra. São traços adicionais que não afetam a identidade fonêmica dos sons.</p><ul><li><p><strong>Exemplo</strong>: Em dialetos do português, os sons [t] e [tʃ] (o "t" palatalizado) não têm diferença de significado quando substituídos um pelo outro; a mudança é previsível e ocorre antes da vogal /i/.</p><ul><li><p><strong>[metástase retardada]</strong>: Esse é o traço que faz [t] se transformar em [tʃ] antes da vogal /i/. Como é uma variação previsível e não altera o significado da palavra (por exemplo, <em>time</em> [tʃime] e não [time]), o traço [metástase retardada] é considerado redundante. Ele não distingue fonemas, mas indica uma adaptação contextual que ocorre apenas em alguns dialetos.</p></li></ul></li></ul><p><strong>3. Exemplos de Como Traços Redundantes e Distintivos Operam</strong></p><ul><li><p><strong>Traço Distintivo</strong>: /p/, /t/ e /k/ são diferenciados pelos traços [anterior] e [coronal], o que muda o significado das palavras (<em>pala</em>, <em>tala</em>, <em>cala</em>).</p></li><li><p><strong>Traço Redundante</strong>: O traço [metástase retardada] entre [t] e [tʃ] em português brasileiro apenas modifica a pronúncia, mas não altera o sentido (ex.: <em>tinta</em> pode ser dita como [tʃinta] em certos dialetos). Como essa variação é previsível e depende do contexto fonológico, é um traço redundante.</p></li></ul><p><strong>4. Redundâncias Universais e Específicas</strong></p><ul><li><p><strong>Redundâncias Universais</strong>: Certas combinações de traços não ocorrem em nenhuma língua. Por exemplo:</p><ul><li><p>Nenhuma vogal pode ser [+alto] e [+baixo] ao mesmo tempo, pois é articulatoriamente impossível levantar e abaixar simultaneamente a língua. Assim, esse é um traço redundante universal.</p></li></ul></li><li><p><strong>Redundâncias Específicas</strong>: Algumas redundâncias dependem da estrutura específica de cada língua.</p><ul><li><p>Em português, [metástase retardada] é redundante, pois só se aplica em contextos específicos de palatalização, sem mudar o significado da palavra.</p></li></ul></li></ul><p><strong>5. Consequências dos Traços Redundantes</strong></p><p>Os traços redundantes são internalizados pelos falantes, o que significa que eles os aplicam inconscientemente. Um falante de português que aprenda outra língua pode aplicar a regra de palatalização [t] -&gt; [tʃ] em contextos semelhantes (como no espanhol <em>timba</em> [tʃimba] em vez de [timba]), por já possuir essa regra em sua gramática mental do português.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-12 14:14:30 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213239917</guid>
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      <item>
         <title>6-  Regras fonológicas</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213496461</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>Símbolos e Notação Fonológica</strong></p><ul><li><p><strong>Letras Maiúsculas</strong>: Representam classes de sons, como:</p><ul><li><p><strong>C</strong> = Consoantes</p></li><li><p><strong>V</strong> = Vogais</p></li><li><p><strong>N</strong> = Nasais</p></li><li><p><strong>G</strong> = Glides (semivogais)</p></li></ul></li><li><p>As regras fonológicas são expressas utilizando símbolos que mostram como os sons de uma língua mudam em contextos específicos.</p></li></ul><p>2. <strong>Estrutura das Regras Fonológicas</strong></p><ul><li><p><strong>Input (à esquerda da seta)</strong>: Representa o som ou o segmento da palavra que sofre a alteração.</p></li><li><p><strong>Output (à direita da seta)</strong>: Representa o resultado após a aplicação da regra.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: A regra de dessonorização das sibilantes finais em português pode ser representada como:</p><ul><li><p>/S/ → [–son] / # (final da palavra)</p></li><li><p>Exemplo Prático de Dessonorização das Sibilantes</p><ol><li><p><strong>Palavra "luz"</strong>:</p><ul><li><p>Escrito: <strong>luz</strong> /luz/</p></li><li><p>Pronúncia com dessonorização: <strong>[lus]</strong></p></li><li><p>Explicação: A sibilante sonora <strong>/z/</strong> é transformada em <strong>/s/</strong> no final da palavra, resultando em uma pronúncia surda <strong>[lus]</strong>.</p></li></ul></li></ol></li></ul></li></ul><p>3. <strong>Ambiente e Determinante</strong></p><ul><li><p>O <strong>ambiente</strong> (à direita da barra inclinada) mostra onde a regra se aplica.</p></li><li><p>O <strong>determinante</strong> (indicado pelo símbolo #) indica o contexto onde ocorre a alteração (no caso, no final da palavra).</p></li><li><p><strong>Marca</strong> (––––) mostra a posição específica do segmento afetado pela regra.</p></li></ul><p>4. <strong>Domínios das Regras Fonológicas</strong></p><ul><li><p>As regras fonológicas se aplicam dentro de <strong>domínios</strong> como palavras, morfemas ou sílabas, e são delimitadas por junções externas, como o limite de uma sentença ou palavra.</p></li><li><p><strong>Exemplo de domínio</strong>:</p><ul><li><p>Sentença: “O jogador comemorou o gol.”</p></li><li><p>O domínio da palavra seria limitado por ##, como em: "O## jogador ## comemorou ## gol##"</p></li></ul></li></ul><p>5. <strong>Apagamento e Inserção de Sons</strong></p><ul><li><p><strong>Símbolos ∅</strong>: Usados para representar <strong>apagamento</strong> (desaparecimento) ou <strong>inserção</strong> de sons.</p></li><li><p><strong>Exemplo de simplificação</strong> (regra 14): Quando uma vogal e um glide formam uma sequência, o glide pode ser apagado, como na palavra "falou", pronunciada como /fα‘lo/.</p></li></ul><p>6. <strong>Regra de Assimilação</strong></p><ul><li><p><strong>Assimilação</strong>: Quando um som modifica suas características para se alinhar com o som vizinho.</p></li><li><p><strong>Exemplo de nasalização</strong>: Uma vogal se torna nasal quando está próxima de uma consoante nasal, como em "bom" (/bõ/), onde a vogal /o/ se torna nasalizada.</p></li></ul><p>7. <strong>Uso de Variáveis (α, β, γ)</strong></p><ul><li><p>As variáveis são símbolos usados para representar generalizações de traços, ou seja, categorias que podem ter diferentes valores.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: A assimilação do ponto de articulação em consoantes nasais:</p><ul><li><p>Se a consoante nasal vem antes de uma consoante vozeada, ela assumirá as características de ponto de articulação dessa consoante seguinte.</p></li><li><p>Exemplo prático: <strong>"concordo"</strong></p><ul><li><p><strong>Forma subjacente:</strong> /konkordu/</p></li><li><p><strong>Forma resultante (após assimilação):</strong> <strong>[kõŋˈkordu]</strong></p></li></ul><p><strong>Explicação com Variável α:</strong> Neste caso, <strong>α</strong> representa o ponto de articulação velar, pois <strong>/k/</strong> é uma consoante velar. A consoante nasal <strong>/n/</strong>, que normalmente é alveolar, adapta-se ao ponto de articulação de <strong>/k/</strong>, transformando-se em <strong>[ŋ]</strong> (a nasal velar). O resultado é <strong>[kõŋˈkordu]</strong>.</p></li></ul></li></ul><p>8. <strong>Notação de Subescrito e Superescrito</strong></p><ul><li><p><strong>O subescrito </strong>indica o número <strong>mínimo</strong> de elementos que podem ocorrer em um determinado contexto.</p><p><strong>Exemplo de Regra de Acentuação com Subescrito:</strong></p><p>Na palavra <strong>"cantar"</strong>, uma regra de acentuação pode ser representada assim:</p><ul><li><p><strong>V₁ C V</strong> → Isso significa que, entre a <strong>vogal acentuada (V)</strong> e a última vogal da palavra, pode haver <strong>pelo menos uma consoante (C)</strong>.</p></li></ul><p>Aplicando a regra:</p><ul><li><p><strong>"Cantar"</strong> tem a estrutura <strong>V C V</strong>: [kan-'tar], onde há uma consoante <strong>"t"</strong> entre as duas vogais.</p></li></ul><p>Esse subescrito <strong>₁</strong> indica que ao menos uma consoante pode estar entre as duas vogais.</p></li><li><p><strong>Superescritos</strong>: Indicam o número máximo de elementos possíveis.</p></li><li><p>Exenplo prático: Na palavra <strong>"transportar"</strong>, podemos aplicar uma regra de acentuação onde o superescrito indica o número máximo de consoantes entre a vogal acentuada e a última vogal da palavra.</p><p>A regra seria representada como:</p><ul><li><p><strong>V³ C V</strong>, onde <strong>³</strong> indica que, no máximo, três consoantes podem aparecer entre as vogais.</p></li></ul><p><strong>Aplicação da regra</strong>:</p><ul><li><p><strong>"Transportar"</strong> tem a estrutura <strong>V C C C V</strong>: [trãns-'por-tar]. Entre as vogais "ã" e "a", existem três consoantes, "n," "s," e "p".</p></li></ul><p>Esse superescrito <strong>³</strong> indica que até três consoantes podem estar entre as vogais da palavra antes da aplicação da acentuação..</p></li></ul><p>9. <strong>Generalizações com Colchetes Angulados</strong></p><ul><li><p>Os <strong>colchetes angulados</strong> são usados para indicar traços fonológicos que se alteram dentro de um ambiente.</p></li><li><p>Exemplo 1: Elevação de <strong>/e/</strong> para <strong>[i]</strong></p><ul><li><p><strong>/leite/</strong> → <strong>[leitʃi]</strong></p></li><li><p><strong>/pobre/</strong> → <strong>[pobɾi]</strong></p></li></ul><p>Aqui, o som <strong>/e/</strong> átono final eleva-se para <strong>[i]</strong>.</p><p>Exemplo 2: Elevação de <strong>/o/</strong> para <strong>[u]</strong></p><ul><li><p><strong>/falo/</strong> → <strong>[falu]</strong></p></li><li><p><strong>/amigo/</strong> → <strong>[amigu]</strong></p></li></ul><p>Nesse caso, <strong>/o/</strong> átono em final de palavra eleva-se para <strong>[u]</strong>.</p><p>Notação com Colchetes Angulados</p><p>A elevação dessas vogais pode ser indicada com colchetes angulados para demonstrar que tanto <strong>/e/</strong> quanto <strong>/o/</strong> compartilham o traço de vogal alta <strong>[+alto]</strong> no ambiente átono:</p><ul><li><p><strong>/V/ ⟶ [V]</strong> ⟶ <strong>[+alto]</strong></p></li></ul></li></ul><p>10. <strong>Aplicação Cíclica das Regras</strong></p><ul><li><p><strong>Derivação Cíclica</strong>: As regras fonológicas são aplicadas de forma cíclica, começando do interior da palavra e se estendendo para as formas derivadas.</p></li><li><p><strong>Exemplo</strong>: A palavra "estofádo" tem a regra de acentuação aplicada primeiro na forma base ("estófo"), e depois reaplicada nos derivados ("estofádo", "estofaría").</p></li></ul><p>11. <strong>Iteração vs. Aplicação Cíclica</strong></p><ul><li><p><strong>Aplicação Cíclica</strong>: A regra se aplica novamente a formas derivadas de uma palavra.</p></li><li><p><strong>Iteração</strong>: A regra se aplica várias vezes a uma única forma enquanto encontrar o contexto apropriado.</p></li></ul><p>12. <strong>Exemplo de Derivação de Formas</strong></p><ul><li><p>Uma palavra pode passar por várias etapas de transformação para chegar à sua forma final.</p></li><li><p>Exemplo: A derivação de "kA)tu" a partir de "/KaNto/" envolve várias regras:</p><ol><li><p><strong>Forma subjacente</strong>: /kaNt+o/</p></li><li><p><strong>Regra de acentuação</strong>: Ajusta o acento.</p></li><li><p><strong>Regra de nasalização</strong>: Nasaliza a vogal.</p></li><li><p><strong>Outras regras</strong>: Supressão da consoante nasal e elevação das vogais nasalizadas..</p></li></ol></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-12 16:25:46 UTC</pubDate>
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         <title>7- Ordenamento de regras </title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3213741955</link>
         <description><![CDATA[<p>Para entender o conceito de <strong>ordenamento de regras</strong> em fonologia, que explica como uma língua transforma sons abstratos em sons pronunciados, vamos analisar o exemplo fornecido do Zuni, uma língua indígena americana. Os principais pontos sobre ordenamento de regras são:</p><p>1. Ordem de Aplicação de Regras Fonológicas</p><ul><li><p>As regras fonológicas não são aplicadas aleatoriamente; seguem uma sequência fixa.</p></li><li><p>Cada regra transforma a forma linguística recebida, criando um novo "nível" de representação sonora.</p></li></ul><p>2. Exemplo de Ordenamento no Zuni: Regras de Elisão e Palatalização</p><ul><li><p>No Zuni, temos duas regras:</p><ul><li><p><strong>Regra de Elisão (apagamento)</strong>: uma vogal final desaparece quando a próxima palavra começa com uma vogal.</p></li><li><p><strong>Regra de Palatalização</strong>: a consoante <strong>/k/</strong> é pronunciada como <strong>[kj]</strong> quando vem antes de vogais não arredondadas.</p></li></ul></li></ul><p>Aplicação Prática:</p><ul><li><p><strong>Palavra</strong>: /nisa#elo/ (com # indicando uma pausa ou fronteira entre palavras)</p></li><li><p><strong>Processo de Aplicação</strong>:</p><ul><li><p><strong>Passo 1</strong>: Aplica-se a Regra de Elisão. <strong>/nisa#elo/</strong> → <strong>[niselo]</strong></p></li><li><p>A vogal final /a/ é eliminada, pois a palavra seguinte começa com uma vogal.</p></li></ul></li><li><p><strong>Palavra</strong>: /suka#tewa/ e /suka#owi/</p><ul><li><p><strong>Passo 1</strong>: Aplica-se a Regra de Palatalização antes da Elisão.</p><ul><li><p>/suka#tewa/ → <strong>[sukjatewa]</strong></p></li><li><p>/suka#owi/ → <strong>[sukjowi]</strong></p></li></ul></li></ul></li></ul><p>3. Importância da Ordem das Regras</p><ul><li><p>A Regra de Palatalização deve ocorrer antes da Regra de Elisão, pois:</p><ul><li><p>Se aplicássemos a Elisão primeiro, o contexto para Palatalização se perderia, levando a um resultado incorreto.</p></li></ul></li><li><p>Exemplo Errado:</p><ul><li><p><strong>Palavra</strong>: /suka#owi/</p><ul><li><p>Se a Elisão fosse aplicada primeiro: <strong>[sukowi]</strong></p></li><li><p>Isso impediria a aplicação da Palatalização e daria um som incorreto.</p></li></ul></li></ul></li></ul><p>4. Tipos de Ordenamento de Regras</p><ul><li><p><strong>Ordenamento Extrínseco</strong>: A ordem é estabelecida para garantir a sequência correta e não depende das propriedades internas das regras.</p></li><li><p><strong>Ordenamento Intrínseco</strong>: A ordem é determinada naturalmente, pois uma regra só faz sentido depois de outra.</p></li></ul><p>5. Conceitos de Alimentação e Sangramento</p><ul><li><p><strong>Alimentação</strong>: Quando uma regra A cria o contexto necessário para que uma regra B possa se aplicar. Exemplo: a Palatalização no Zuni fornece contexto para a Elisão.</p></li><li><p><strong>Sangramento</strong>: Quando a aplicação de uma regra A remove o contexto para a aplicação de uma regra B. Exemplo: Se a Elisão ocorresse antes da Palatalização, a palatalização não poderia acontecer. O ordenamento de regras acontece no caso da <strong>assimilação de nasais</strong> e da <strong>palatalização de consoantes</strong> antes de vogais altas, como em alguns dialetos do português brasileiro. </p></li></ul><p>1. Ordem das Regras: Assimilação de Nasais e Palatalização</p><ul><li><p>Vamos analisar duas regras comuns em português brasileiro:</p><ul><li><p><strong>Regra de Assimilação de Nasal</strong>: Uma consoante nasal, como /n/, ajusta seu ponto de articulação conforme o som seguinte. Por exemplo, antes de uma consoante bilabial como /p/, /n/ passa a ser pronunciado como [m].</p></li><li><p><strong>Regra de Palatalização de Consoantes</strong>: Em certos contextos, o som /d/ seguido de /i/ pode ser pronunciado como o som palatalizado [dʒ] (como em "di", que soa como "ji" em algumas falas).</p></li></ul></li></ul><p>2. Exemplo com Palavra: <em>"mandioca"</em></p><ul><li><p><strong>Forma subjacente</strong>: /mandioka/</p></li><li><p><strong>Processo de Aplicação</strong>:</p><ul><li><p><strong>Passo 1</strong>: Aplicamos a <strong>Regra de Assimilação de Nasal</strong>.</p><ul><li><p>/mandioka/ → [mandʒoka]</p></li><li><p>Aqui, o /n/ se adapta ao ponto de articulação da consoante seguinte, /d/, tornando-se mais próximo a um [m] quando palatalizada.</p><p><br></p></li></ul></li></ul></li></ul><p>Após a <strong>assimilação nasal</strong>, aplicamos a <strong>regra de palatalização</strong>. Vamos continuar o processo passo a passo para o exemplo do português brasileiro:</p><p>3. Continuando com a Palavra "mandioca"</p><ul><li><p><strong>Passo 2</strong>: Aplicamos a <strong>Regra de Palatalização de Consoantes</strong>.</p><ul><li><p>A sequência /di/ na palavra "mandioca" pode ser palatalizada, resultando em [dʒ] (como no som "ji").</p></li><li><p>Assim: /mandioka/ passa a [mandʒoka].</p></li></ul></li></ul><p>4. Ordem das Regras: Importância</p><p>Para que o output final seja [mandʒoka] (a forma fonética), é essencial que:</p><ul><li><p>A <strong>palatalização</strong> ocorra após a <strong>assimilação nasal</strong>, pois essa sequência garante que o som nasal esteja corretamente ajustado antes de modificar o som /di/ para [dʒ].</p><p><br></p></li></ul><p>Resumo do Ordenamento:</p><ul><li><p><strong>Ordem Correta</strong>:</p><ol><li><p><strong>Assimilação Nasal</strong> (ajustando o ponto de articulação da nasal)</p></li><li><p><strong>Palatalização</strong> (alterando o som de /di/ para [dʒ])</p></li></ol></li></ul><p>Este tipo de ordenamento é chamado de <strong>ordenamento extrínseco</strong> porque a ordem das regras é importante para produzir a forma correta.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-12 18:58:09 UTC</pubDate>
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         <title>8- Modelos não lineares</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3214260880</link>
         <description><![CDATA[<p>Para explicar o conceito de <strong>modelos não lineares</strong> em fonologia, vamos seguir um caminho didático em tópicos, destacando o contexto histórico e o desenvolvimento das ideias de traços distintivos, passando pelo modelo de Chomsky e Halle e chegando às fonologias não lineares, como a Fonologia Autossegmental e a Métrica.</p><p>1. <strong>Traços Distintivos como Base da Análise Fonológica</strong></p><ul><li><p>Na teoria fonológica, o <strong>traço distintivo</strong> é visto como a unidade mínima e indivisível para representar sons.</p></li><li><p>Cada som é composto por <strong>traços distintivos</strong>, que são propriedades acústicas e articulatórias específicas, como <strong>sonoridade</strong>, <strong>continuidade</strong>, <strong>altura</strong> e <strong>anterioridade</strong>.</p></li><li><p>Esses traços se combinam de diferentes formas para criar todos os sons das línguas humanas.</p></li></ul><p>2. <strong>Modelo Binário de Chomsky e Halle (1968)</strong></p><ul><li><p>No livro <em>The Sound Pattern of English</em>, <strong>Chomsky e Halle</strong> propuseram uma matriz binária de traços distintivos, onde cada som é representado por um conjunto de valores de traços.</p></li><li><p>Cada traço pode ter um valor positivo <strong>(+)</strong> ou negativo <strong>(−)</strong>, indicando a presença ou ausência de uma característica.</p></li><li><p>Exemplo:</p><ul><li><p><strong>/d/</strong> seria representado como [+sonoro, +consonantal, −silábico], onde esses traços o caracterizam de forma única.</p></li><li><p>O som /a/ é [+silábico, −consonantal] e o som /r/ possui sua própria matriz de traços, especificando-o como um som distinto.</p></li></ul></li><li><p>Esse modelo permite que as regras se apliquem a <strong>classes de sons</strong> (conjuntos de sons com características comuns), em vez de atuar apenas em sons individuais.</p></li></ul><p>3. <strong>Exemplo de Regras Fonológicas Aplicadas a Classes de Sons</strong></p><ul><li><p>As <strong>regras fonológicas</strong> no modelo de Chomsky e Halle operam sobre <strong>classes naturais de sons</strong> com características comuns.</p></li><li><p>No espanhol, por exemplo, as <strong>consoantes plosivas sonoras</strong> (/b/, /d/, /g/) tornam-se <strong>fricativas</strong> ([β], [ð], [ɣ]) quando aparecem entre vogais.</p><ul><li><p>Regra: <strong>b, d, g → β, ð, ɣ / V __ V</strong></p></li><li><p>Traços que representam essa transformação:</p><ul><li><p>Consoantes plosivas (exemplo: <strong>/b/, /d/, /g/</strong>) têm os traços [+sonoro, −contínuo, +consonantal].</p></li><li><p>Consoantes fricativas (exemplo: <strong>[β], [ð], [ɣ]</strong>) são representadas com [+sonoro, +contínuo, +consonantal].</p></li></ul></li></ul></li><li><p>Essa capacidade de agrupar sons por traços em uma <strong>classe natural</strong> foi uma das grandes contribuições desse modelo.</p></li></ul><p>4. <strong>Limitações do Modelo Linear de Chomsky e Halle</strong></p><ul><li><p>O modelo não representava bem certas relações mais complexas, como as <strong>relações prosódicas</strong> e a estrutura hierárquica de sílabas e palavras.</p></li><li><p>Ele tratava cada som isoladamente e de forma linear, sem considerar que certos traços poderiam ter <strong>níveis de organização</strong> diferentes dentro de uma mesma palavra.</p></li></ul><p>5. <strong>A Transição para Modelos Não Lineares</strong></p><ul><li><p>Os <strong>modelos não lineares</strong> foram desenvolvidos para superar as limitações do modelo linear, introduzindo camadas e representações hierárquicas.</p></li><li><p>Fonologias <strong>não lineares</strong> incluem a <strong>Fonologia Autossegmental</strong>, <strong>Fonologia Métrica</strong>, <strong>Fonologia Lexical</strong>, <strong>Fonologia da Sílaba</strong> e <strong>Teoria Prosódica</strong>.</p></li><li><p>Cada modelo oferece uma forma de analisar a estrutura e a organização dos sons em diferentes níveis e contextos.</p></li></ul><p>6. <strong>Fonologia Autossegmental</strong></p><ul><li><p>A <strong>Fonologia Autossegmental</strong> introduz a ideia de que certos traços, como <strong>tons</strong> ou <strong>nasalidade</strong>, podem ser representados em uma camada independente da sequência de segmentos.</p></li><li><p>Isso permite que um traço específico se associe a várias unidades segmentais, ou que um segmento se associe a múltiplos traços, facilitando a representação de processos fonológicos mais complexos.</p></li></ul><p>7. <strong>Fonologia Métrica</strong></p><ul><li><p>A <strong>Fonologia Métrica</strong> aborda a estrutura rítmica e o acento, organizando sons em uma estrutura hierárquica de <strong>pés métricos</strong>, o que ajuda a entender como o acento e a prosódia afetam a pronúncia.</p></li></ul><p>8. <strong>Outros Modelos Não Lineares</strong></p><ul><li><p><strong>Fonologia Lexical</strong>: Examina como as regras fonológicas podem variar entre níveis diferentes de análise dentro do léxico, como entre palavras isoladas e em fala contínua.</p></li><li><p><strong>Fonologia da Sílaba</strong>: Estuda a estrutura interna das sílabas, considerando posições como <strong>coda</strong> e <strong>ataque</strong>, que influenciam processos fonológicos específicos.</p></li><li><p><strong>Teoria Prosódica</strong>: Explora as camadas prosódicas maiores, como palavras, frases e enunciados, para capturar fenômenos de entonação e acentuação em níveis mais altos.</p></li></ul><p>Resumo das Conquistas dos Modelos Não Lineares</p><ul><li><p>Os modelos não lineares permitem:</p><ul><li><p>Representar as <strong>camadas hierárquicas</strong> e <strong>relações complexas</strong> entre segmentos.</p></li><li><p>Explicar fenômenos como <strong>assimilação</strong>, <strong>prosódia</strong> e <strong>acento</strong> com mais precisão.</p></li><li><p>Expressar de forma eficaz <strong>generalizações linguísticas</strong> por meio de traços e estruturas hierárquicas.</p></li></ul></li></ul><p>Em resumo, a evolução para os <strong>modelos não lineares</strong> trouxe uma visão mais complexa e precisa das relações entre sons e traços fonológicos, enriquecendo a análise e possibilitando o estudo detalhado de fenômenos que o modelo linear não conseguia capturar completamente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-13 02:01:09 UTC</pubDate>
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         <title>9- Fonologia Autossegmental</title>
         <author>suelena_maria_s</author>
         <link>https://padlet.com/suelena_maria_s/jmd1k0qka2hs4qr8/wish/3214398582</link>
         <description><![CDATA[<p>1<strong>. A Fonologia Autossegmental e os Autossegmentos</strong></p><p>Definição de Autossegmentos:</p><ul><li><p>A <strong>Fonologia Autossegmental</strong> introduz a ideia de que um som pode ser segmentado em partes independentes. Em vez de tratar os segmentos fonológicos (como consoantes e vogais) como unidades fixas e indivisíveis, a fonologia autossegmental permite que certas <strong>propriedades</strong> de um som (como <strong>nasalidade</strong>, <strong>tonalidade</strong> ou <strong>sonoridade</strong>) sejam tratadas de forma independente, ou seja, como "autossegmentos".</p></li></ul><p>Exemplos:</p><ul><li><p>Em uma língua tonal, um tom pode ser <strong>desvinculado</strong> de uma sílaba e espalhar-se para outra sílaba, o que significa que o <strong>tom</strong> (ou outro traço) não está necessariamente associado a um segmento específico. Esse fenômeno pode ser observado em línguas como o <strong>Mandarim</strong>, onde a tonalidade de uma palavra pode se espalhar para sílabas adjacentes.</p></li></ul><p><strong>2. O Princípio da Não Bijetividade</strong></p><p>Definição:</p><ul><li><p>A fonologia autossegmental rejeita a ideia de uma relação <strong>bijetiva</strong> (de um-para-um) entre um <strong>segmento</strong> e os <strong>traços</strong> que o caracterizam. Isso significa que um segmento fonológico (como uma consoante ou vogal) não está rigidamente associado a um conjunto único de traços.</p></li></ul><p>Consequências:</p><ul><li><p><strong>Traços podem se estender além de um segmento</strong>: Um traço de um som pode se espalhar para outro segmento.</p></li><li><p><strong>O apagamento de um segmento não implica no desaparecimento de todos os seus traços</strong>: Em algumas situações, a <strong>identidade fonêmica</strong> de um segmento pode ser apagada (por exemplo, por elisão ou omissão), mas os traços que o caracterizavam podem ser preservados ou transferidos para outro segmento.</p></li></ul><p>Exemplos:</p><ul><li><p><strong>Em línguas tonais</strong>, como o <strong>Yoruba</strong>, a tonalidade pode se espalhar de uma sílaba para outra. Mesmo que a sílaba original tenha sido apagada (por exemplo, ao ser omitida na fala rápida), o tom que estava associado a ela pode continuar a afetar a sílaba seguinte.</p></li></ul><p><strong>3. Hierarquização de Traços</strong></p><p>Definição:</p><ul><li><p>A <strong>Fonologia Autossegmental</strong> propõe que os <strong>segmentos fonológicos</strong> possuem uma <strong>estrutura interna</strong> hierarquizada. Ou seja, os traços que compõem um segmento não são tratados de forma linear, mas sim em camadas ou <strong>tiers</strong>. Cada tier contém um conjunto de traços que podem operar de forma independente ou em conjunto.</p></li></ul><p>Consequências:</p><ul><li><p><strong>Os traços podem operar isoladamente ou em conjunto</strong>: A forma como os traços funcionam em uma palavra pode depender de sua organização hierárquica. Alguns traços podem ser manipulados de forma independente, enquanto outros exigem uma combinação de traços para gerar uma mudança fonológica.</p></li></ul><p>Exemplos:</p><ul><li><p><strong>A segmentação de traços</strong> pode ser observada em processos de assimilação. Por exemplo, quando a nasalidade de uma consoante se espalha para a vogal que a segue (exemplo: "campo" [ˈkãpu]), isso pode ocorrer sem que outros traços como <strong>sonoridade</strong> ou <strong>continuidade</strong> sejam alterados.</p></li></ul><p><strong>4. Análise em Camadas ou Tiers</strong></p><p>Definição:</p><ul><li><p><strong>Tiers</strong> são camadas que representam diferentes aspectos de um segmento fonológico. Cada tier é uma camada independente onde certos traços (como <strong>nasalidade</strong>, <strong>sonoridade</strong>, <strong>continuidade</strong>) podem ser manipulados ou analisados separadamente. A fonologia autossegmental permite que regras fonológicas atuem em <strong>tiers específicos</strong>, afetando apenas certos aspectos do segmento.</p></li></ul><p>Exemplo:</p><ul><li><p>Em um morfema, podemos ter diferentes tiers para representar as características de diferentes partes do segmento. O tier da <strong>raiz</strong> contém informações sobre o <strong>ponto de articulação</strong>, enquanto o tier <strong>laryngeal</strong> (da laringe) pode conter informações sobre a sonoridade.</p></li><li><p><strong>Exemplo de representação</strong>: No modelo de <strong>Clements</strong> (1985), segmentos como <strong>[a]</strong> podem ser representados em camadas tridimensionais (tiers) que mostram a distribuição das características fonológicas de uma palavra.</p><ul><li><p><strong>Tier da raiz</strong>: informação sobre a raiz da palavra.</p></li><li><p><strong>Tier da cavidade oral</strong>: informações sobre a articulação na boca.</p></li><li><p><strong>Tier dos pontos de consoante</strong>: detalha a articulação específica das consoantes.</p></li></ul></li></ul><p><strong>5. Geometria de Traços Fonológicos</strong></p><p>Definição:</p><ul><li><p><strong>Geometria de traços fonológicos</strong> é um modelo que usa <strong>representações tridimensionais</strong> para organizar os traços de um segmento fonológico, criando diferentes camadas (ou tiers). Essas camadas podem interagir de formas complexas, permitindo a análise detalhada dos sons.</p></li></ul><p>Exemplo:</p><ul><li><p>No caso da palavra <strong>[ata]</strong>, a representação pode ser dividida em várias camadas:</p><ul><li><p><strong>Tier da raiz</strong>: Mostra o núcleo da palavra (como a vogal).</p></li><li><p><strong>Tier de nasalidade</strong>: Mostra a nasalização (se presente).</p></li><li><p><strong>Tier de continuação</strong>: Mostra a continuidade da articulação.</p></li></ul></li></ul><p>Esses tiers são adjacentes e podem formar <strong>planos</strong> que permitem a análise dos segmentos em múltiplas dimensões, como mostrado na figura de Clements (1991).</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-13 03:16:53 UTC</pubDate>
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         <author>suelena_maria_s</author>
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         <pubDate>2024-11-13 13:24:15 UTC</pubDate>
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         <author>suelena_maria_s</author>
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         <pubDate>2024-11-13 13:49:17 UTC</pubDate>
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