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      <title>EscritACT by Denize Amorim</title>
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      <description>Compartilhamento dos textos das Oficinas de Escrita Criativa sobre diversidade</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-11-27 15:44:19 UTC</pubDate>
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         <title>Liberdade por um fio - Denize</title>
         <author>denizeact</author>
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         <description><![CDATA[<p>Era sexta à noite, ela estava se arrumando para sair. O destino? Alguma Roda de Samba no Centro da Cidade. Depois de sair do banho, usar o difusor para secar os cachos e o pente garfo para dar volume, ela olha no espelho e pensa: “Você tá de mal comigo hoje heim! Preguiça de você!”. Faz um coque, pega o rabo longo e volumoso feito pela trancista, prende no coque e... Agora sim, está ótimo!!!</p><p>Olhando para aquela transformação em seu cabelo feita em minutos, passa um filme na cabeça dela sobre a sua relação com o cabelo e como ela se transformou ao longo da vida. Ela se dá conta de que seu cabelo, em suas variadas versões, hoje é parte da sua identidade e maturidade enquanto mulher e, principalmente, enquanto mulher preta.</p><p>Ela então lembra que cresceu numa relação de indiferença com seu cabelo e/ou de um olhar sob a perspectiva negativa dele. E percebe que hoje só enxerga potência e liberdade em cada fio dele, seja ele natural ou artificial.</p><p>Na primeira cena de sua lembrança ela aparece criança, a menina piolhenta, sua mãe caçando piolho, mas também fazendo lindas tranças (a potência que ela não percebia). Em seguida, já na juventude, ela vê a jovem mulher “morena” (como ela se percebia), dos grandes cachos negros soltos, sem nenhum destaque em sua personalidade ou no seu modo de ser, ela então se dá conta dos anos de indiferença na relação com seu cabelo.</p><p>Até que o filme chega nos últimos anos, ela percebe o início dos fios brancos e se vê uma preta dos cachos dourados, das tranças enormes no alto da cabeça, da lace volumosa que ela ostenta no samba... E ela gosta do que vê!!! Sim, ela troca de cabelo como troca de roupa, gosta disso, gosta do poder que seu cabelo tem, se sente poderosa trançada.</p><p>Mas tem preguiça nessa relação tb. E essa preguiça vira coque e tá tudo bem também. Ela então lembra de uma situação em que ela e 3 colegas de trabalho, pretas, aparecem todas de coque numa reunião às 9h da manhã de segunda-feira e riem da situação. Uma delas então denomina o penteado de “cabelo de segunda”. Sem trocadilhos, sem maldade. O “de segunda” se referia àquele momento em que elas acordam, olham pra eles naturais, armados ao sair da cama e dizem: hoje não tem papo contigo, vamos de coque pra dar tempo de fazer um café e encarar o dia, afinal, coque também é Coroa!!!</p><p>Pensar nas variadas versões de seu cabelo como uma coroa a faz perceber o quanto de empoderamento tem nessa relação atual, de se perceber, se enxergar, se amar, se aceitar e, acima de tudo, se reinventar e se diversificar diante das atribulações da vida.</p><p>Para além da beleza, de uma coisa ela tem certeza, o cabelo da mulher preta em suas variadas versões é resistência e a nossa estética é política.</p><p>Ela então jogou o longo e volumoso rabo do alto da cabeça de um lado pro outro, pegou a sua bolsa e seguiu rumo a liberdade preta, que tá sempre por um fio.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-11-27 15:54:01 UTC</pubDate>
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         <title>Agora não dá - Mônica</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Agora não dá</p><p>Falta de tempo</p><p>Falta de inspiração</p><p>Falta...</p><p>Mas vou, claro</p><p>Devo, Quero</p><p>Mas agora não dá</p><p>O que falta?</p><p>O que não compartilhamos morre conosco</p><p>Não posso deixar</p><p>Mas agora, agora,</p><p>Ainda não dá</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 12:10:44 UTC</pubDate>
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         <title>Mariana 08/12</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Ah, tipo. Não sei. Acabou. Nem vem. Não quero pensar em mais nada, não.</p><p>Só vou pensar no que fazer quando abrir o Sisu. Tipo assim, vou jogar meu nome lá e vejo o que dá. Como num sorteio, sabe?</p><p>Mas na real, tô meio tensa. Eu estudei pra caramba - sei lá quantas horas de aulas particulares. Nunca mais quero estudar na vida. Mas aí fico pensando que ano que vem começa tudo de novo. Tá, é na faculdade, num curso que escolhi, mas tudo de novo. Que saco, né?! Mas acho que pode ser legal. Sei lá.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 14:04:38 UTC</pubDate>
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         <title>Juliana 08/12</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Após muito sonhar, hoje eu cheguei aonde eu queria. Desde menina, o desejo de levar minha arte a muitos lugares me acompanhou nos shows feitos para shampoo e condicionador durante o banho, no cantarolar caminhando pela rua e ao assistir meus ídolos na TV. Hoje sou eu quem brilho na TV e loto estádios.</p><p>Ainda lembro do frio na barriga ao tornar pública meu primeiro trabalho. De como as pernas tremiam ao subir no palco. Do medo de errar, desafinar, cair, enfim... Tudo isso cercado da insegurança de não entregar o que esperavam, do novo lançamento não vingar, do público rejeitar. São tantas nuances que poderiam me levar a desistir, mas o compromisso com quem eu sempre quis ser e com minha arte fez com que eu persistisse até aqui.</p><p>Embora pareça glamuroso e cheio de pompa, há também um lugar de solidão em meio a tantas pessoas, flashes, roupas caras e festas. Existe um interesse latente sobre o que eu represento, mas pouco sobre quem eu realmente sou. Tirando a fama e minha arte, existe um eu aqui também e é esse espaço que tem sido pouco acessado desde que minha vida se tornou pública. Meus passos se tornam manchete, meus erros se tornam notícias, artigos de opinião, análise e seja lá o que for. Isso me leva a buscar o íntimo e a reclusão com maior frequência... Muito maior do que eu gostaria.</p><p>Mas novamente, faz parte do compromisso que assumi ao decidir bancar o meu sonho. Toda escolha, tem uma renúncia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 14:05:36 UTC</pubDate>
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         <title>Rio, 8 de dezembro de 23
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         <author>paulajohns</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 14:06:03 UTC</pubDate>
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         <title>Sojourner travestida de mulher - Bruna (08.12.2023)</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/denizeact/j4vkk1o59aqqwlnk/wish/2818785598</link>
         <description><![CDATA[<p>Ouço o barulho da maçaneta da porta. 7:18h da manhã. Mais um. Ele chega. Tira as calças e pega a camisinha. Eu me viro e começo o meu trabalho. Estou cansada. Hoje é segunda e seria a minha folga, mas Elisa foi parar na emergência ontem depois que um maldito reclamou do serviço dela, segundo ele, mal feito, ficou com raiva e deu uma garrafada na cabeça da menina! A coitada está internada. Tomou 15 pontos na cabeça, está com o rosto todo inchado e roxo e parece que vai ter que operar a clavícula quebrada. </p><p>Mas o serviço não pode parar. Nunca. Essa gente é frenética e insana.&nbsp;</p><p>Enquanto ele faz o que quer eu fico aqui me lembrando do dia em que saí de casa. Quando falei pra minha mãe que eu me via como uma mulher e que gostava de homens, meninos. Disse tudo de uma vez. E ela fez tudo de uma vez. Eu morava num condomínio fechado na Rua Batataes, nos Jardins. Tinha uma vida boa, bem classe média, cochilava de tarde depois da escola, ia pro cursinho de inglês à noite, fumava um com os amigos no play mais tarde, fazia aula de vôlei, desenho e piano... Mas eu quis peitar um sonho. E hoje eu estou aqui...&nbsp;</p><p>- Próximo.</p><p>7:48h da manhã.&nbsp;O cliente reclama.</p><p>&nbsp;- Cadê Lovelace?!&nbsp;</p><p>Eu disse que ela teve uma indisposição e que eu estava substituindo, mas fazia tudo o que ela fazia. Eu não ia dizer que a menina parecia um Picasso e o quarto dela uma cena de um quadro do Pollock, né? </p><p>Saiu puto! - Você é feia! Sai pra lá!</p><p>Bom, ser chamada de feia neste lugar é elogio, né? Favor que ele me faz! Ganho uns 15 minutos de bobeira até o próximo porque já está pago. Ele que não usou, que perdeu!</p><p><br/></p><p>Estou me lembrando de Ceci. Sempre agarrada comigo. Chorou tanto quando eu saí de casa. Uma criança. Ainda não entende essas coisas da vida. Ai, a vida… </p><p>E eu queria tanto fazer faculdade de economia… Tinha a pontuação necessária para passar no Enem… Hoje eu estaria no segundo período. Será que um dia eu consigo? Quem sabe um dia? Não sei se terei tempo com esse tanto de homem aqui. </p><p>Próximo!</p><p>Nossa! Que gostosa você! Você sabe que eu gosto de mulher, né? Mas às vezes é bom dar uma variada. A minha mulher tá um porre esses dias! Ela está no segundo mês de nascença do Renatinho e… </p><p>Ai, mulher, mulher! E eu não sou uma mulher?! </p><p>Mala! E ele não parava de falar! Gosto mais quando eles ficam quietos…&nbsp;</p><p>Ai Ceci, tomara que você seja assexual.&nbsp;</p><p>Próximo!&nbsp;</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 14:14:59 UTC</pubDate>
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         <title>Vida na Vila - Mônica</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/denizeact/j4vkk1o59aqqwlnk/wish/2818789086</link>
         <description><![CDATA[<p>O sino toca. Os primeiros raios de luz já se mostram na janela entreaberta. Resisto em abrir os olhos, pois chegou o tempo de partir.</p><p>Tantas vezes esta rotina, e agora vou deixá-la. Quero aproveitar o máximo deste último dia, sentir na pele cada momento, mesmo aqueles dos quais tanto reclamei.</p><p>Levantar cedo, colocar a água para esquentar no fogão a lenha, em duas chaleiras, uma para o café e outra para o banho. Conto que a lenha já esteja acesa, pois o pai levanta antes do sino. Logo se certifica de que os 9 filhos estejam acordados para a labuta de mais um dia. Há quem ajude com os animais, com afazeres da casa, com a montagem da carroça, com a sapataria.</p><p>Conheço cada trabalho da casa e cada instante de interação nesta família.</p><p>Aos sábados, a bisca. Aos domingos, a missa. Os ovos diários, o frango na panela, o porco em ocasiões especiais. A geléia caseira, que guardamos na viga do teto, o salame ao lado pendurado, o cheiro do pão e da cuca assando.</p><p>Sentirei saudades. Vou para um mundo novo, vou conhecer a praia, os automóveis, dizem que até tontos ficamos com tanto movimento.</p><p>Mas volto, afinal estou deixando aqui minha casa. Estou deixando aqui minha história.</p><p>Mas o mundo se abriu, e não voltei.</p>]]></description>
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         <pubDate>2023-12-08 14:17:56 UTC</pubDate>
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