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      <title>Diário de um detento by Ryan Santos</title>
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      <description>Ryan 
Samuel
Sara</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-11-17 11:42:16 UTC</pubDate>
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         <title>Diário de um Detento</title>
         <author>sarafelisbino2017</author>
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         <description><![CDATA[<div>São Paulo, dia 1º de Outubro de 1992, oito horas da manhã<br>Aqui estou, mais um dia<br>Sob o olhar sanguinário do vigia<br>Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK<br>Metralhadora alemã ou de Israel<br>Estraçalha ladrão que nem papel<br>Na muralha, em pé, mais um cidadão José<br>Servindo o Estado, um PM bom<br>Passa fome, metido a Charles Bronson<br>Ele sabe o que eu desejo<br>Sabe o que eu penso<br>O dia tá chuvoso, o clima tá tenso<br><br></div><div>Vários tentaram fugir, eu também quero<br>Mas de um a cem, a minha chance é zero<br>Será que Deus ouviu minha oração?<br>Será que o juiz aceitou a apelação?<br>Mando um recado lá pro meu irmão<br>Se tiver usando droga, tá ruim na minha mão<br>Ele ainda tá com aquela mina<br>Pode crer, moleque é gente fina<br>Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá<br>Tanto faz, os dias são iguais<br>Acendo um cigarro, e vejo o dia passar<br><br></div><div>Mato o tempo pra ele não me matar<br>Homem é homem, mulher é mulher<br>Estuprador é diferente, né?<br>Toma soco toda hora, ajoelha e beija os pés<br>E sangra até morrer na rua 10<br>Cada detento uma mãe, uma crença<br>Cada crime uma sentença<br>Cada sentença um motivo, uma história de lágrima<br>Sangue, vidas inglórias, abandono, miséria, ódio<br>Sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo<br>Misture bem essa química<br>Pronto, eis um novo detento<br><br></div><div>Lamentos no corredor, na cela, no pátio<br>Ao redor do campo, em todos os cantos<br>Mas eu conheço o sistema, meu irmão, hã<br>Aqui não tem santo<br>Rátátátá preciso evitar<br>Que um safado faça minha mãe chorar<br>Minha palavra de honra me protege<br>Pra viver no país das calças bege<br>Tic, tac, ainda é 9 e 40<br>O relógio da cadeia anda em câmera lenta<br><br></div><div>Ratatatá, mais um metrô vai passar<br>Com gente de bem, apressada, católica<br>Lendo jornal, satisfeita, hipócrita<br>Com raiva por dentro, a caminho do centro<br>Olhando pra cá, curiosos, é lógico<br>Não, não é não, não é o zoológico<br><br></div><div>Minha vida não tem tanto valor<br>Quanto seu celular, seu computador<br>Hoje tá difícil, não saiu o Sol<br>Hoje não tem visita, não tem futebol<br>Alguns companheiros têm a mente mais fraca<br>Não suportam o tédio, arruma quiaca<br>Graças a Deus e à Virgem Maria<br>Faltam só um ano, três meses e uns dias<br>Tem uma cela lá em cima fechada<br>Desde Terça-feira ninguém abre pra nada<br>Só o cheiro de morte e Pinho Sol<br>Um preso se enforcou com o lençol<br><br></div><div>Qual que foi? Quem sabe? Não conta<br>Ia tirar mais uns seis de ponta a ponta<br>Nada deixa um homem mais doente<br>Que o abandono dos parentes<br>Aí moleque, me diz, então, cê quer o quê?<br>A vaga tá lá esperando você<br>Pega todos seus artigos importado<br>Seu currículo no crime e limpa o rabo<br>A vida bandida é sem futuro<br>Sua cara fica branca desse lado do muro<br>Já ouviu falar de Lúcifer?<br>Que veio do Inferno com moral<br>Um dia no Carandiru, não, ele é só mais um<br>Comendo rango azedo com pneumonia<br>Aqui tem mano de Osasco, do Jardim D'Abril, Parelheiros<br>Mogi, Jardim Brasil, Bela Vista, Jardim Ângela<br>Heliópolis, Itapevi, Paraisópolis<br><br></div><div>Ladrão sangue bom tem moral na quebrada<br>Mas pro Estado é só um número, mais nada<br>Nove pavilhões, sete mil homens<br>Que custam trezentos reais por mês, cada<br>Na última visita, o neguinho veio aí<br>Trouxe umas frutas, Marlboro, Free<br>Ligou que um pilantra lá da área voltou<br>Com Kadett vermelho, placa de Salvador<br>Pagando de gatão, ele xinga, ele abusa<br>Com uma nove milímetros embaixo da blusa<br><br></div><div>Aí neguinho, vem cá, e os manos onde é que tá?<br>Lembra desse cururu que tentou me matar?<br>Aquele puta ganso, pilantra corno manso<br>Ficava muito doido e deixava a mina só<br>A mina era virgem e ainda era menor<br>Agora faz chupeta em troca de pó<br>Esses papos me incomoda<br>Se eu tô na rua é foda<br>É, o mundo roda, ele pode vir pra cá<br>Não, já, já, meu processo tá aí<br>Eu quero mudar, eu quero sair<br>Se eu trombo esse fulano, não tem pá, não tem pum<br>E eu vou ter que assinar o 121<br><br></div><div>Amanheceu com Sol, dois de Outubro<br>Tudo funcionando, limpeza, jumbo<br>De madrugada eu senti um calafrio<br>Não era do vento, não era do frio<br>Acertos de conta tem quase todo dia<br>Tem outra logo mais, hãn, eu sabia<br><br></div><div>Lealdade é o que todo preso tenta<br>Conseguir a paz, de forma violenta<br>Se um salafrário sacanear alguém<br>Leva ponto na cara igual Frankestein<br>Fumaça na janela, tem fogo na cela<br>Fudeu, foi além, se pã, tem refém<br>Na maioria, se deixou envolver<br>Por uns cinco ou seis que não têm nada a perder<br>Dois ladrões considerados passaram a discutir<br>Mas não imaginavam o que estaria por vir<br>Traficantes, homicidas, estelionatários<br>Uma maioria de moleque primário<br>Era a brecha que o sistema queria<br>Avise o IML, chegou o grande dia<br>Depende do sim ou não de um só homem<br>Que prefere ser neutro pelo telefone<br>Ratatatá, caviar e champanhe<br><br></div><div>Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe<br>Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo<br>Quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio<br>O ser humano é descartável no Brasil<br>Como modess usado ou Bombril<br>Cadeia? Guarda o que o sistema não quis<br>Esconde o que a novela não diz<br>Ratatatá sangue jorra como água<br>Do ouvido, da boca e nariz<br>O Senhor é meu pastor<br>Perdoe o que seu filho fez<br>Morreu de bruços no Salmo 23<br>Sem padre, sem repórter<br>Sem arma, sem socorro<br>Vai pegar HIV na boca do cachorro<br>Cadáveres no poço, no pátio interno<br>Adolf Hitler sorri no inferno<br>O Robocop do governo é frio, não sente pena<br>Só ódio e ri como a hiena<br>Ratatatá, Fleury e sua gangue<br>Vão nadar numa piscina de sangue<br>Mas quem vai acreditar no meu depoimento?<br>Dia 3 de Outubro, diário de um detento<br><br></div>]]></description>
         <pubDate>2020-11-17 12:07:45 UTC</pubDate>
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