<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>O legado de Lélia Gonzalez para o feminismo: uma reflexão sobre gênero, raça e resistência by Yasmin Mello</title>
      <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc</link>
      <description>Ensaio acadêmico que aborda a influência e a importância de Lélia Gonzalez no contexto do feminismo brasileiro e das lutas sociais.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-05-05 17:37:41 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2023-05-29 21:54:21 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url>https://padlet.net/icons/png/1f4cc.png</url>
      </image>
      <item>
         <title>3. Quem foi Lélia Gonzalez e como sua trajetória e ideias influenciaram o desenvolvimento do movimento negro e feminista no Brasil?</title>
         <author>meloyasmin123</author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2579848741</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Lélia Gonzalez (1935-1994) foi uma intelectual, autora, política, professora, filósofa e antropóloga brasileira. Ela nasceu em Belo Horizonte em uma família humilde, seu pai era operário ferroviário e sua mãe, uma indígena analfabeta, que era empregada doméstica. Veio de uma família de 18 irmãos, sendo a penúltima, décima sétima irmã. Esta indaga em uma fala que depois aparece na coletânea Primavera para as Rosas Negras, que não era moleza nascer em uma família da classe trabalhadora com dezessete irmãos. Aos sete anos se muda para o Rio de Janeiro. Lá, ela continuou os estudos e então fez faculdade de história e filosofia na atual UERJ. Trabalhou como professora da rede pública de ensino. Fez o mestrado em comunicação social. No doutorado se especializou em antropologia política, dedicando sua pesquisa em gênero e etnia. Começou então a se dedicar a pesquisas sobre relações de gênero e etnia. Foi professora na PUC do Rio de Janeiro, onde chefiou o departamento de Sociologia e Política.&nbsp;<br>Lélia foi de extrema importância sobre a criação da sociologia brasileira e do entendimento da pessoa negra como sujeito histórico. Um dos escritos mais clássicos dela foi O Racismo e o Sexismo na Cultura Brasileira. Ela procura abordar o fato da morte epistêmica, da qual, faz um apagamento da intelectualidade negra e usa a neurose brasileira, que se projeta branca. Para o brasileiro, se apoiar e se referenciar em nossos intelectuais negros, é um processo de emancipação intelectual.&nbsp;<br>Gonzalez iniciou o primeiro curso de cultura negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, em 1976, porque acreditava que era importante resgatar a cultura como ferramenta política de conscientização, além de entender a importância dessas ideias estarem dentro das instituições. Lélia se candidatou a deputada federal e estadual, ela não foi eleita em nenhuma das vezes, porém teve uma votação expressiva e se tornou suplente. Gonzalez era muito crítica a academia mesmo sendo acadêmica, também era crítica ao movimento negro mesmo sendo uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado. Durante a ditadura militar, Lélia criticava expressivamente o mito da democracia racial, que era um símbolo da identidade nacional e almejado pelos brasileiros, da qual era a visão armênica da nação, o que em sua essência só faz apagar a opressão racial e violência sofrida pela população negra. Com isso e mais, Lélia teve grande influência no movimento negro e feminista brasileiro.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/2040872720/4e8564afb1362d455a6c6e039edd3b33/L_lia_Gonzalez_by_Cezar_Loureiro.jpg" />
         <pubDate>2023-05-05 17:49:21 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2579848741</guid>
      </item>
      <item>
         <title>4. Que conceitos de Jacques Lacan Lélia Gonzalez utiliza para relacionar a formação do indivíduo brasileiro ao racismo e como essa análise contribui para uma compreensão crítica das relações raciais no país?</title>
         <author>meloyasmin123</author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2579862022</link>
         <description><![CDATA[<div>Gonzalez mostra que o racismo como sintoma na cultura brasileira articula-se com o sexismo, produzindo violência especialmente sobre a mulher negra. Ela tenta explicar essa relação do racismo com a formação do indivíduo brasileiro, e para isso recorre à psicanálise para realizar essa discussão; e indaga se o racismo é uma neurose brasileira. Para auxiliá-la, Lélia usa Jacques Lacan, psicanalista francês de apoio teórico, para pensar o que é neurose e o quanto esse traço da condição moderna está presente dentro da sociedade brasileira em sua formação cultural. Para isso ela utiliza o complexo de Édipo que é uma das teorias da psicanálise que descreve a atração que os filhos sentiriam pelo genitor do sexo oposto, ao mesmo tempo, em que rivalizaria com o do mesmo sexo.&nbsp;<br>Lélia pensa em relação ao patriarcado e sexismo, e então faz essa análise a partir da figura do homem branco. Como o sujeito na sua infância deseja sua mãe e para a psicanálise o cuidado materno não é feito necessariamente pela figura biológica do indivíduo, Lélia argumenta que, já que a figura materna e feminina que cuidou do homem branco na infância foi a mulher negra, mediante babás e empregadas domésticas. De uma perspectiva psicanalítica, segundo Lélia, o desejo do homem branco não seria pela mãe, e sim pela mulher negra que o cuidou.&nbsp;<br>Indo mais além, ela argumenta que o racismo torna esse desejo proibido, já que o menino não pode desejar a mulher negra porque o racismo no Brasil também não permite a construção dessa relação de uma forma não violenta, já que o passado da escravidão coloca essa relação em uma marcação violenta. Então esse desejo é negado e se reverte naquilo que é o racismo no Brasil, do qual não é explícito, mas está o tempo todo dentro da dinâmica das relações. Lélia chama isso de neurose cultural brasileira a partir dessa relação de poder entre o patriarcado e a mulher negra.&nbsp;<br>Essa análise ajudou a compreender como funciona a dinâmica do racismo estrutural no Brasil, essa neurose se transmuta dentro das relações e cria a estrutura social e política que não permite que pessoas negras acessem outros lugares, inclusive de poder, além de estar no inconsciente das pessoas no Brasil. Porque, essa herança patriarcal que o Brasil herdou e que continua sendo reproduzida já que não foi superada a escravidão e não há espaços de discussão sobre ela e seus impactos históricos, econômicos e culturais. Ao utilizar esses conceitos, Gonzalez argumenta que o racismo no Brasil é estrutural e se enraíza em processos psicológicos e sociais complexos. Para ela, a compreensão crítica das relações raciais no país deve considerar não apenas fatores econômicos e políticos, mas também questões psicológicas e culturais. Ao examinar as maneiras pelas quais o racismo é internalizado pelos indivíduos, Gonzalez propõe uma análise mais profunda e abrangente das relações raciais no Brasil, contribuindo para uma luta mais efetiva contra o racismo e a discriminação.&nbsp;<br>Todavia, podemos dizer que atualmente essas problemáticas são mais discutidas do que na época de Lélia, mas ainda não mudaram a realidade brasileira, apesar de trazer muitos impactos sociais e mais representatividade negra.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://youtu.be/X2ruqJntOWc" />
         <pubDate>2023-05-05 18:03:35 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2579862022</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580019338</link>
         <description><![CDATA[<div>O campo das Relações Internacionais (R.I.) tem visto um aumento nas contribuições feministas. Durante o final da década de 1980, houve uma mudança significativa na perspectiva que reconheceu o gênero como uma categoria empírica importante e uma ferramenta analítica útil.<br><br></div><div>O estudo da dinâmica do poder global envolve uma análise aprofundada.&nbsp; No entanto, as metodologias feministas ainda precisam fazer progressos significativos nesse campo. Não foi como um evento solitário, foi parte de um movimento pós-positivista mais extenso que encontrou tração.<br><br></div><div>A partir do final da década de 80, a disciplina passou a ser comumente chamada de Terceiro Debate. O terceiro debate se configurou como uma grande crítica ao “mainstream” científico, em que muitas vezes ficava focado somente no debate Neo x Neo (realismo e liberalismo), e não dava margem de espaço para que outras teorias tivessem um lugar perante a mesa. O debate feminista já estava presente na academia desde os anos 60, principalmente nas disciplinas de sociologia e antropologia, o que permitiu com que as mulheres academicas da época utilizassem essa base para a construção da escola feminista de RI.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/2040872720/ef792770d3f222eee695003f1ecc6440/feminismo_afro_latino_americano.pdf" />
         <pubDate>2023-05-05 22:31:07 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580019338</guid>
      </item>
      <item>
         <title>5. Como a Economia pós-abolição da escravatura ajudou a institucionalização de um racismo estrutural, que prejudicou principalmente as mulheres negras?</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580022422</link>
         <description><![CDATA[<div>Conforme encontrado na obra de Lélia Gonzalez, da qual, cita Louis Althusser, filósofo francês e marxista, em uma sociedade de classes, a ideologia é uma representação da verdade, mas é necessariamente falsa porque é necessariamente direcionada e tendenciosa – é tendenciosa porque seu propósito não é dar às pessoas uma compreensão objetiva de seus sistemas sociais de vida, mas, em vez de, mantêm têm seu "lugar" no sistema operacional.&nbsp;<br><br></div><div>Seguindo essa linha de raciocínio, podemos ver um Brasil que após a abolição da escravatura continuou a permear o pensamento racista, mas com outras roupagens, demonstrado principalmente nas relações de trabalho. A população negra não teve amparo socioeconômico, e mesmo com o discurso pautado pelo economicismo, em que brancos pobres e negros pobres sofrem na mesma medida, a raça ainda é como um atributo socialmente elaborado, estando relacionado principalmente ao aspecto subordinado da reprodução das classes sociais.&nbsp;<br><br></div><div>As Mulheres pretas brasileiras se tornaram as principais mantenedoras de suas casas nesse período, trabalhando principalmente em serviços relacionados ao lar, como doméstica e cozinheira, e em horários e tratamentos análogos a escravidão, como o recorrente “quartinho da empregada”, onde se há um quarto separado da casa, geralmente aos fundos, onde a empregada doméstica dorme durante a semana para só voltar a sua casa no fim de semana. Ou seja, a subserviência que era imposta antes da república continuou a ser aplicada e até hoje vemos casos do tipo, o que fez com que as mulheres negras continuassem numa situação marginalizada em que tem de lutar cada vez mais para superar esses desafios<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.youtube.com/watch?v=D_-j32_Ryc0" />
         <pubDate>2023-05-05 22:41:51 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580022422</guid>
      </item>
      <item>
         <title>6.	Como as mulheres pretas ajudaram a construir a identidade cultural brasileira?</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580022701</link>
         <description><![CDATA[<div>Lélia Gonzalez explicava que, as mulheres negras são responsáveis pela criação da base da cultura nacional, seja na culinária, altamente inspirada pelas raízes africanas, que vão do sarapatel até a feijoada, ou até mesmo na medicina, com unguentos, emplastos e banhos, vindos de uma sabedoria compartilhada entre séculos e que segundo a pesquisadora Maria da Fé da Silva Viana, ainda faz parte da contribuição das muitas babás, empregadas domésticas que ainda hoje encontramos nas periferias, preferencialmente nos lugares mais pobres, sempre predominantemente negros.<br><br></div><div>Na música popular brasileira, samba e até no rock, as fontes de inspiração vem de mulheres pretas que ajudaram a revolucionar os padrões de suas épocas, como a Dona Ivone Lara, conhecida como Rainha do Samba e Dama do Samba, que é cantora, compositora e instrumentista. Foi a primeira mulher a assinar o Samba-Enredo e a fazer parte da escola de compositores Império Serrano. Suas composições são conhecidas por suas melodias e harmônicos complexos. É notável a participação das mulheres pretas na “cultura pop” brasileira e suas marcas fazem o Brasil ser o que ele é.<br><br></div><div>&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.youtube.com/watch?v=yktrUMoc1Xw" />
         <pubDate>2023-05-05 22:42:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2580022701</guid>
      </item>
      <item>
         <title>2. Como o feminismo decolonial latino-americano se junta ao movimento das mulheres negras e não brancas na reivindicação de que a questão do racismo é central no eixo da opressão patriarcal-capitalista?</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2581138163</link>
         <description><![CDATA[<div>O feminismo surge como um movimento europeu-americano de libertação das mulheres da opressão patriarcal. Mas de quais mulheres se está falando? O conceito universal de mulher não tem o mesmo significado para todas as raças, visto que esse conceito já serviu para ocultar outras formas de opressão, como a de raça e de classe. Mulheres sofrem além das opressões “convencionais”, passam por opressões de classe, sexuais e raciais.&nbsp;<br><br></div><div>Entretanto, a opressão da mulher branca para a mulher preta é diferente. A mulher branca, apesar da subjugação com o marido ou o patrão, ainda assim participava do racismo estrutural que a favorecia pelo seu tom de pele e sua sexualidade. O feminismo abrangia mais as mulheres héteros que lutavam por elas mesmas, ao invés de um acolhimento total. Por conta disso, mulheres brancas se alçavam como representantes e se tornavam porta-voz de “todas as mulheres”.<br><br></div><div>Não há uma identidade única de mulher que represente todas. A contribuição feminista das mulheres pretas e não brancas foi fundamental para a identificação de outras mulheres. As pautas abordadas por mulheres não brancas são por vezes questões culturais. Se para muitas mulheres brancas a maternidade e o casamento não podem ser mais o destino das mulheres, para muitas mulheres negras e indígenas a maternidade é expressão central de suas identidades como mulheres e como líderes na comunidade – e não está associada diretamente à relação de gênero e de casamento.&nbsp;<br><br></div><div>Se a segurança pública racista é pautada pelo encarceramento em massa da população negra, as mulheres negras vão se solidarizar com seus companheiros não brancos, e não com o feminismo branco que procura seus próprios interesses.<br><br></div><div>O feminismo decolonial latino-americano se junta ao movimento das mulheres negras e não brancas na reivindicação de que a questão do racismo é central no eixo da opressão patriarcal-capitalista.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1974494894/3961dc80b0300a5ca2d6a02e44a63b68/10229032019174635.jpg" />
         <pubDate>2023-05-07 23:29:52 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2581138163</guid>
      </item>
      <item>
         <title>1. Como o feminismo negro contribuiu na política internacional?</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2581186851</link>
         <description><![CDATA[<div>O feminismo negro tem sido uma importante força na política internacional, trazendo a perspectiva e a voz das mulheres negras para questões globais de direitos humanos, justiça social e igualdade de gênero. Algumas das contribuições do feminismo negro na política internacional incluem:<br><br>Desafiando o racismo e o sexismo nas relações internacionais: O feminismo negro tem destacado como o racismo e o sexismo se entrelaçam nas políticas internacionais e como isso afeta as mulheres negras em todo o mundo. Ao chamar a atenção para essa intersecção, o feminismo negro tem desafiado as formas dominantes de pensar sobre a política internacional.<br><br>Liderando movimentos por justiça global: O feminismo negro tem liderado movimentos internacionais por justiça social e igualdade de gênero, trabalhando em parceria com outros grupos marginalizados. Por exemplo, o movimento Black Lives Matter tem se espalhado para outros países, destacando a violência policial e o racismo sistêmico em todo o mundo.<br><br>Ampliando a compreensão da violência sexual como uma ferramenta de guerra: O feminismo negro tem sido fundamental em ampliar a compreensão da violência sexual como uma ferramenta de guerra e destacando a necessidade de justiça para as mulheres afetadas por conflitos armados. O movimento "Say Her Name" também tem chamado a atenção para a violência policial e a morte de mulheres negras nos Estados Unidos e em outros lugares.<br><br>Desafiando o patriarcado branco em organizações internacionais: O feminismo negro tem sido fundamental em desafiar o patriarcado branco nas organizações internacionais, exigindo que as vozes e necessidades das mulheres negras sejam ouvidas e incluídas nas políticas internacionais. Por exemplo, o movimento #MeToo e outras iniciativas de justiça de gênero têm destacado como a violência sexual e o assédio estão presentes em todas as esferas da sociedade, incluindo a política internacional.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1974494894/6d3c9b1a2cfd1e5b938a602ba0acc377/womensliberatio.png" />
         <pubDate>2023-05-08 00:30:49 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/meloyasmin123/hqel18zjb710xhgc/wish/2581186851</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
