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      <title>Niéde Guidon by Laura Barbosa</title>
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      <description>baseado no podcast &quot;Os caminhos de Niéde Guidon&quot; e mais fontes.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-09-11 18:02:16 UTC</pubDate>
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         <title>Jaú, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nasce Niéde Guidon, dia 12 de março de 1933.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 18:07:38 UTC</pubDate>
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         <title>Universidade de São Paulo - Rua da Reitoria - Butantã, São Paulo - SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Niéde Guidon formou-se em História Natural, na USP em 1959.</p><p><br></p><p><br></p><p>(ref.: usp imagens)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 18:20:52 UTC</pubDate>
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         <title>Itápolis, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Formada, com 26 anos, ela e duas colegas se tornam professoras na escola "Instituto de Educação Estadual Valentim Gentil". </p><p><br></p><p>As professoras foram expulsas da cidade! Na manifestação contra elas, os manifestantes fizeram caixões falsos simulando a morte das professoras. </p><p><br></p><p>As professoras ensinaram sobre teoria da evolução e esse foi o principal motivo da rejeição por parte da população da cidade, que era muito católica.</p><p><br></p><p>Niéde argumentou que, se fossem mortas em Itápolis, gostariam de ser enterradas lá, "só para fazer raiva nos itapolitanos". </p><p><br></p><p>Porém, a Secretaria da Educação fez uma investigação confirmando que elas estavam de acordo com o currículo oficial, mas que não tinha condições de permanecerem na cidade. </p><p><br></p><p>Niéde Guidon, Luciana Palestrini e Lia de Freitas, foram afastadas do cargo, mas sem prejuízo de seus vencimentos.</p><p><br></p><p><br></p><p>(ref. "Os caminhos de Niéde Guidon")</p><p>(imagem: trecho de um convite para a missa contra as materialistas. Ref.: @kel_spinelli, jornalista e roteirista)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 18:42:23 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte, quem ajudou a construir a Universidade de São Paulo em 1934, onde Niéde estudou em 1939, foi exilado e conheceu Paul Rivet que travava uma batalha político-teórica. </p><p>Antes de Darwin, a explicação mais aceita no mundo ocidental para o surgimento do mundo era a narrativa cristã. </p><p>Então a Teoria da Evolução propunha uma explicação de transformação das espécies de umas para as outras, dentro de milhões de anos. </p><p>Assim, o estudo do passado começa a ir muito mais longe, na "história antiga" ou "história profunda" que era conhecida como "pré-história". </p><p>(estudo de cavernas com pinturas rupestres, hominídeos, artefatos...)</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 21:19:02 UTC</pubDate>
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         <title>Lagoa Santa, MG</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Dom Pedro II patrocina a vinda de alguns naturalistas europeus para estudar o Brasil. Tinham a intenção de descrever toda a natureza, tudo que tinha no Brasil. </p><p>(tem mais poder quem conta a história)</p><p>Foi o caso de Darwin (anos antes de publicar a origem das espécies).</p><p><br></p><p>Piter Lund, um naturalista dinamarquês, veio para o Brasil e foi morar na região de Lagoa Santa - MG, pois ficou sabendo de grandes esqueletos de animais que estavam nas cavernas da região. </p><p><br></p><p>Encontrou fósseis de pelo menos 30 humanos e ossos de animais gigantes extintos: tatus do tamanho de carros, preguiças gigantes e tigres dente de sabre.</p><p><br></p><p>Mas tudo isso ele descobriu antes da teoria da evolução das espécies, então não existia a ideia de que havia algo antes de 6000 anos (data do surgimento do mundo segundo o cristianismo).</p><p><br></p><p>Um nó se fez na cabeça do naturalista!</p><p><br></p><p>Será que os humanos e os bichos gigantes conviveram?</p><p><br></p><p>Ele tentou ajustar a sua descoberta a uma ideia chamada "catastrofismo": uma teoria que dizia que o mundo foi criado por Deus, mas que inúmeras catástrofes foram dizimando a vida na Terra, depois da última catástrofe é que Deus teria criado o ser humano.</p><p>Por isso teria fósseis desses animais que datassem antes de 6000 anos.</p><p><br></p><p>Mas não explicava a parte em que os humanos teriam convivido com a megafauna. </p><p>O pesquisador morreu acreditando que os fósseis humanos e os fósseis da megafauna eram da mesma época, ou seja, haviam convivido. </p><p><br></p><p>Ele só não podia comprovar, mas gerou a pulga atrás da orelha: "desde quando existem humanos?"</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 21:40:10 UTC</pubDate>
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         <title>África</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Com a teoria da evolução das espécies, surgiu um "buraco existencial" para a pergunta "de onde nós viemos?"</p><p>Então, um dos ramos da arqueologia passa a se dedicar a buscar quem foram os humanos mais antigos.</p><p>"Como nós surgimos?" e "Como nós nos espalhamos pelo mundo?" passam a ser os principais questionamentos para a arqueologia. </p><p>Hoje, a teoria mais aceita é de que a espécie humana, homo sapiens, surgiu na África (em várias regiões) cerca de 200 mil anos atrás. </p><p>Isso depois de passar por um processo evolutivo de milhões de anos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-11 21:41:41 UTC</pubDate>
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         <title>Itápolis, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3582050185</link>
         <description><![CDATA[<p>reportagem sobre o caso na Folha Tarde.</p><p><br></p><p>(ref.: @kel_spinelli, jornalista e roteirista)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-12 12:33:41 UTC</pubDate>
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         <title>Reino Unido</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3582082425</link>
         <description><![CDATA[<p>Apesar da contribuição de Darwin ter sido considerada um salto gigantesco na ciência, por outro lado, o darwinismo foi também sequestrado por ideias racistas.</p><p>"Darwinismo Social", tentaram aplicar a teoria de evolução numa ideia de evolução de raças humanas. Colocavam os seres humanos brancos no final de uma linha evolutiva. </p><p>Essa ideia deu suporte para regimes totalitários como o nazismo. </p><p>Essas ideias chegaram ao Brasil, e um dos motivos de Paulo Duarte ter sido exilado foi porque ele denunciava a infiltração de nazistas no país.</p><p><br></p><p>(obs: a ideia "evolutiva" e biológica de raças foi totalmente superada com os estudos de genética, pois os seres humanos compartilham 99,9% do DNA e as diferenças fenotípicas se dão pela interação do ser humano com o ambiente em que vive).</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-09-12 12:59:11 UTC</pubDate>
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         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3626961552</link>
         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte teve que sair do país pelas denúncias que estava fazendo, sobre a infiltração de nazistas por aqui. </p><p>Foi "convidado a se retirar". </p><p><br></p><p>Quando Paulo chega na França, em 1938, Paul Rivet estava inaugurando o "Museu do Homem" e tinha como objetivo mostrar cientificamente que a ideia evolucionista aplicada aos humanos não fazia sentido algum.</p><p>Paul Rivet trabalhava com vestígios ósseos em diferentes lugares, relacionando esses vestígios com as culturas dos diferentes lugares, era possível provar que todos os seres humanos possuem capacidades intelectuais semelhantes. </p><p><br></p><p>No Museu, ele expõe esses vestígios ósseos e as culturas produzidas em diferentes lugares, que fundamentam sua tese: de que a capacidade do ser humano de produzir cultura não tem nada a ver com "raça", nem tamanho de crânio, etc. </p><p><br></p><p>A ideia, talvez um pouco ambiciosa demais, era de que toda a humanidade se enxergasse nesse museu.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-10 16:15:46 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643559734</link>
         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte ficou encantado com toda essa discussão e quis colaborar. Em 1941 se torna assistente do Paul Rivet no Museu do Homem.</p><p><br></p><p>Apesar do esforço científico de produzir conhecimento contrário ao "darwinismo social", essa ideia continua criando forças e, em 1939, ano seguinte da fundação do Museu do Homem, inicia a Segunda Guerra Mundial, impulsionada pelo desejo de expansão da Alemanha nazista.</p><p><br></p><p>O Museu se torna uma célula de reuniões clandestinas de resistência à Segunda Guerra.</p><p>Foram denunciados e, por uma questão de horas, Paul Rivet não foi preso e conseguiu fugir.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:02:16 UTC</pubDate>
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         <title>Estados Unidos</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte foge para os Estados Unidos, mas já desejando voltar para o Brasil e fundar uma versão do Museu do Homem aqui: chamado Museu do Homem Americano.</p><p><br></p><p>Para isso, ele precisaria encontrar: vestígios humanos mais antigos aqui no Brasil, da época da povoação das Américas.</p><p>E, para isso, precisava <strong>incentivar a arqueologia e proteger os povos originários brasileiros: os indígenas.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:03:01 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte volta para o Brasil em 1945 (no fim da Segunda Guerra Mundial), em 1950 funda a revista "Anhembi", criou uma comissão de pré-história e começou a se interessar pelos sambaquis (onde estavam aparecendo diversos vestígios arqueológicos dos nossos antepassados originários).</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:12:18 UTC</pubDate>
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         <title>Santa Catarina</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643590147</link>
         <description><![CDATA[<p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.museunacional.ufrj.br/dir/exposicoes/arqueologia/arqueologia-brasileira/sambaquis.html">https://www.museunacional.ufrj.br/dir/exposicoes/arqueologia/arqueologia-brasileira/sambaquis.html</a></p><p><br></p><p>Os Sambaquis são fontes inestimáveis de vestígios arqueológicos. </p><p><br></p><p>Vale pontuar que as pessoas não viviam próximas aos Sambaquis. Não há vestígios de construção e os vestígios humanos são pequenos.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:20:42 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643616014</link>
         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte começa a denunciar que estavam pegando conchas dos sambaquis para construir estradas:</p><p>Passavam o trator e, para não ficar só na terra, pegavam as conchas dos sambaquis e faziam estradas, aeroportos, etc., sobretudo nas regiões costeiras. </p><p><br></p><p>Mas, o governador de São Paulo, Ademar de Barros, havia feito um decreto que permitia a exploração industrial e comercial dos sambaquis. </p><p><br></p><p>Ele e outros intelectuais, começaram a batalhar por uma lei de proteção aos sambaquis. </p><p>Começou a estudar os sambaquis e trazer pesquisadores franceses para estudarem também.</p><p>Pediu recomendação ao Paul Rivet e ele indica Annette Emperaire, mas ela estava grávida e não pode vir. </p><p>Então veio seu marido Joseph Emperaire.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:35:54 UTC</pubDate>
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         <title>Santos, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>1954, Joseph vai escavar um sambaqui, na margem esquerda do pequeno rio Maratuá.</p><p>O sambaqui começou a ser estudado quando já havia sido parcialmente destruído, mas ainda tinha muita coisa nele: cerâmicas, ferramentas, ossadas completas e incompletas, entre elas, a Miss Sambaqui.</p><p>Essa que Paulo Duarte transformou em garota propaganda do Instituto de Pré-História. </p><p>Paulo pode ser reconhecido por ter se tornado um grande divulgador de pesquisa científica.</p><p><br></p><p>Por exemplo: nessa época, a Unesco organizou um evento em São Paulo chamado "congresso dos americanistas". </p><p>Paulo Duarte aproveitou a ocasião, colocou todos os pesquisadores americanistas gringos em um ônibus e os levou para conhecer o sambaqui.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:46:49 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>"Joseph Emperaire, Paulo Duarte e Paul Rivet"</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 17:49:42 UTC</pubDate>
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         <title>Chile</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>O trabalho das escavações era tão perigoso, que alguns anos depois, Joseph Emperaire, morreu em um deslizamento em uma escavação no Chile, aos 46 anos. </p><p>O ano era 1958, em que também morreu Paul Rivet, com mais de 80 anos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:01:10 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643667140</link>
         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte funda o Instituto de pré-história, usando a "miss sambaqui" como garota propaganda.</p><p><br></p><p>Ela era considerada o crânio mais antigo do Brasil. </p><p><br></p><p>Neste ano ele conheceu Niéde Guidon e as duas professoras de Itápolis, Luciana Palestrini e Lia de Freitas. </p><p><br></p><p>O desejo dele era que elas se tornassem as primeiras arqueólogas formadas no Brasil.</p><p><br></p><p>O que era muito revolucionário, pois ainda na década de 70 e 80, a arqueologia era considerada uma área de pesquisa para homens.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:06:35 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643690045</link>
         <description><![CDATA[<p>1961, Niéde, Luciana e Lia começam a trabalhar em um sambaqui, a 8km do rio Maratuá, a primeira pesquisa importante que fizeram parte. </p><p>Ficavam hospedados toda a equipe em uma casa alugada próxima à região e como relatou Niéde, "era um trabalho duro, todo arqueólogo tem que trabalhar duro". </p><p><br></p><p>"Eu me sinto pior no computador...eu passava o dia inteiro trabalhando com pá, com picareta, pegava uma marreta e arrebentava pedra e não tinha dor nenhuma. Hoje fico no computador e fico doente." (Niéde Guidon)</p><p><br></p><p>Até adotaram um cachorrinho para morar com a equipe e deram o nome de "sambaqui".</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:21:22 UTC</pubDate>
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         <title>Brasília - Plano Piloto, Brasília - DF</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Em julho de 1961, foi publicada a lei federal que estabelece que monumentos arqueológicos e pré-históricos em todo o território nacional ficam sob a guarda do poder público. </p><p>Até hoje, essa lei é a lei de referência de proteção dos sambaquis e outros vestígios arqueológicos.</p><p><br></p><p>"Eu ajudei Paulo Duarte a redigir aquela lei." (Niéde Guidon)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:24:02 UTC</pubDate>
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         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643698475</link>
         <description><![CDATA[<p>O trabalho no sambaqui estava rendendo: o sambaqui tinha mais de 3 metros, foram encontrados mais de 3 mil objetos (ferramentas, adornos, conchas, ossos de baleia, ossos de peixes, esqueletos humanos). </p><p><br></p><p>Relatou Paulo Duarte: o trabalho aconteceu sem parar nenhum dia, pois trabalhamos até nos domingos e feriados. Durou exatamente 1 ano e 2 meses. </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:27:02 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643709237</link>
         <description><![CDATA[<p>Aconteceu o segundo encontro de pesquisadores pela Unesco, com ajuda de verba de Francisco Matarazzo Sobrinho, pois o governo não liberou verba suficiente.</p><p>Entre 20 e 26 de agosto de 1961, mais de 200 especialistas nacionais e estrangeiros foram para São Paulo debater as origens do 'homem americano'.</p><p><br></p><p>Paulo Duarte discursou lembrando de Paul Rivet e Joseph Emperaire, também homenageou Anette Emperaire. </p><p><br></p><p>Aproveitou para 'lotar um busão' de cientistas para visitarem o sambaqui do Guarujá e também conhecerem Niéde, Luciana e Lia.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:34:36 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Paulo pediu uma bolsa de estudos para Niéde, Luciana e Lia irem se especializar em arqueologia na França.</p><p><br/></p><p>Anette Emperaire também recomendou que elas fossem escolhidas para as bolsas. </p><p><br/></p><p>Depois da visita da delegação estrangeira no Guarujá, em setembro, elas já partiram para Paris. </p><p><br/></p><p>Mas a relação delas com Paulo Duarte foi por água abaixo!</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:38:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Paris, France</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643740422</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde Guidon já tinha uma forte relação com a França: sua família paterna era francesa, por isso o sobrenome Guidon e seu nome era uma homenagem a um rio francês, o rio Niéd. </p><p>Mas essa era a sua primeira vez morando na Europa.</p><p><br></p><p>As três professoras de Itápolis, que agora eram aprendizes de arqueologia, foram estudar e morar na Sorbonne, numa residência para estudantes e pesquisadores brasileiros que existe até hoje. </p><p><br></p><p>Elas se correspondiam por cartas com Paulo Duarte e sua esposa constantemente. </p><p>E Niéde escrevia com saudades do cachorrinho que tinham adotado no Guarujá e ficou para trás.</p><p><br></p><p>Elas faziam anotações e projeções para a criação do Museu do Homem Americano e Paulo dizia que elas estavam realizando o sonho dele.</p><p><br></p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 18:56:56 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, Brazil</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3643750991</link>
         <description><![CDATA[<p>Paulo Duarte estava com receio em relação às eleições para governador do Estado de São Paulo, pois um dos candidatos ele já havia denunciado diversas vezes por corrupção: Ademar de Barros, sua acessoria o defendia com o bordão "rouba, mas faz".</p><p><br></p><p>Portanto, seu medo era de que o novo governador não financiasse as suas pesquisas.</p><p><br></p><p>Sobre as eleições Paulo dizia: </p><p>"Se vencer José Bonifácio, será um período de vacas gordas, se vencer Jânio, vacas magras e se ganhar o Ademar, vaca nenhuma". </p><p><br></p><p>Além disso, ele começou a sentir uma certa ameaça intelectual:</p><p>Lá da França, as meninas levantavam questões sobre suas técnicas de escavação.</p><p><br></p><p>Niéde estava preocupada com a qualidade das amostras que elas levaram para a França:</p><p>"É preciso colher as amostras com espátulas de vidro, para não contaminar com metais. Colocar em uma placa de vidro, secar, evitar contato com papel, algodão, tecidos que podem contaminar. Seria bom o senhor colher novas amostras, no caso destas terem sido mofadas."</p><p>O Paulo não respondia bem às propostas de rever o método dele. Negava a maior parte das novas ideias. </p><p>E, com certo deboche, dizia a elas que se aparecer um marido "lá se vai tanto sonho pré-histórico". </p><p>(Querendo dizer que elas abandonariam tudo)</p><p><br></p><p>Começa a se criar um clima estranho entre eles e, para piorar, ele deixou o cachorrinho dela para trás no Guarujá e disse que ele não era mais dela.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-21 19:04:53 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Sorbonne Université, Rue de l&#39;École de Médecine, Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Niéde e Luciana resolvem voltar para o Brasil para continuarem trabalhando nos sambaquis porque conseguiram um jeito de voltar à França apenas para defender a tese (trabalho de conclusão do mestrado).</p><p>Lia continua na França mas muda para a área da linguística.</p><p><br></p><p>Então, ao invés de ficarem 3 anos na França, voltaram em 9 meses.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-24 10:55:51 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3649050401</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde e Luciana chegam muito animadas para trabalhar em um novo sambaqui, mas tudo estava muito diferente.</p><p>A Niéde pede para o Paulo contratar uma equipe de pesquisadores que ela conheceu na França, mas não tinham dinheiro para isso.</p><p>Paulo já tinha uma nova estagiária dos sambaquis, a Silvia Maranca, italiana.</p><p><br></p><p>Então Niéde, Luciana e Silvia foram escavar um novo sambaqui, o "sambaqui do buracão". Entre Guarujá e Bertioga.</p><p><br></p><p>Niéde implicava com Silvia no cotidiano do trabalho (no sambaqui e no laboratório que elas tinham criado na casa) e um dia Silvia se irritou e foi embora, ficou na casa de praia de amigos italianos que estava vazia.</p><p>Na primeira noite veio uma tempestade com chuva muito forte e quando Silvia olhou na janela, estava o carro de Niéde e Luciana buscando ela para voltar.</p><p><br></p><p>Desde então ficaram em paz.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-24 11:07:37 UTC</pubDate>
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         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Agora, Niéde e Luciana começam a se desentender com Paulo Duarte e sua esposa Ruanita (que também participava das escavações).</p><p><br></p><p>Mais uma vez elas questionavam a forma como Paulo fazia a escavação, o método "escadinha", o terreno ia descendo num formato de escada.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-24 11:14:21 UTC</pubDate>
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         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3649068177</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde queria usar a técnica de decapagem por níveis naturais, que aprendeu na França.</p><p>Dessa forma, os arqueólogos cercam um terreno bem amplo e o separam em vários quadrículos. </p><p>Então vai escavando lentamente cada camada de solo que aparece: recolhe tudo de uma camada de conchas, por exemplo, depois tudo de uma camada de terra, depois de uma camada de areia e assim vai.</p><p><br/></p><p>O interessante dessa técnica é que as camadas ajudam a delimitar os períodos em que cada vestígio vai sendo encontrado e podendo comparar com outros vestígios desse amplo terreno.</p><p><br/></p><p>A parte negativa dessa técnica é que, em um terreno instável (como é o sambaqui), tudo pode desmoronar. </p><p><br/></p><p>Outro problema é que, com essa técnica, demora-se 20/30 anos para escavar. </p><p><br/></p><p>E Paulo dizia que os sambaquis tinham que ser escavados rápido pois estavam correndo risco de serem destruídos (para fazer estradas, etc). </p><p>Isso é chamado de "Arqueologia de salvamento".</p><p><br/></p><p>De um lado, Niéde e Luciana tentavam impor um conhecimento recém adquirido mesmo que sem certeza se fazia sentido para aquele terreno e, de outro, Paulo não sabia técnica de escavação e se recusava  a aceitar novas ideias.</p><p>Silvia ficava no meio do caminho.</p><p><br/></p><p>Além desses desentendimentos que ficavam cada vez maiores os problemas com financiamento das pesquisas também só aumentavam.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-24 11:27:00 UTC</pubDate>
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         <title>Guarujá, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3650176507</link>
         <description><![CDATA[<p>Então, Niéde, Luciana e Silvia foram impedidas de continuar o trabalho no sambaqui encontrado.</p><p><br></p><p>Paulo recusava todos os pedidos que elas faziam para estudar e escavar novos sambaquis.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-25 13:51:57 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Paulo publica o último número da revista Anhembi em novembro de 1962, o Instituto de pré-história começou a perder financiamento e em janeiro de 1963 Ademar de Barros vence as eleições para governador de São Paulo, vem o período de "vaca nenhuma".</p><p><br></p><p>Paulo teve que devolver um carro que as arqueólogas usavam para trabalhar.</p><p>Os fundos para seguir com as pesquisas não vinham.</p><p><br></p><p>Elas trabalhavam sem carro e quase sem dinheiro. </p><p><br></p><p>No final de abril, Niéde e Luciana foram procuradas pelo diretor do "museu paulista" hoje "museu do Ipiranga", que ofereceu para elas trocarem o instituto de pré-história pelo museu paulista. </p><p><br></p><p>Elas aceitaram e Silvia foi com elas também. </p><p><br></p><p>Esse foi o fim para o Paulo.</p><p><br></p><p>Elas pediram para o Paulo permitir que elas continuassem publicando os resultados do trabalho no sambaqui do buracão e Paulo recusa, dizendo que elas fizeram o trabalho de qualquer jeito. </p><p><br></p><p>Em outubro, uma empresa siderúrgica encontra um sambaqui por acaso e liga para o instituto de pré-história, Paulo não atende, então ligam para o museu paulista que prontamente coloca sua nova equipe (Niéde, Luciana e Silvia) para fazer o "estudo de salvamento" desse sambaqui. </p><p><br></p><p>Paulo só fica sabendo pelo jornal e liga para a empresa pedindo a interrupção do trabalho porque, inclusive, apenas o instituto de pré-história tinha autorização para escavar e estudar os sambaquis.</p><p><br></p><p>Acusou as arqueólogas de se acharem as "donas da pré-história" e de traidoras. </p><p><br></p><p>Escreveu para o reitor da USP para abrir um processo administrativo contra elas.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-25 14:05:54 UTC</pubDate>
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         <title>Petrolina, PE</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Mas havia uma luz no fim do túnel!</p><p><br></p><p>Luiz Augusto Fernandes, então prefeito de Petrolina, nas horas vagas ia com um grupo fazer excursões pelo sertão. </p><p>Ele até tinha em casa alguns fósseis e pedras que ele encontrava nesses passeios. </p><p><br></p><p>Em uma de suas viagens, ele foi até o Piauí e conheceu a Serra da Capivara, lá ele tirou fotos de pinturas rupestres.</p><p>Na época, só se sabia de pinturas rupestres em Minas Gerais, na Lagoa Santa.</p><p><br></p><p>Luiz Augusto foi para São Paulo e aproveitou a ocasião para ir até o Museu Paulista para mostrar as fotos que tirou no Piauí.</p><p>Niéde se interessou, pediu mais detalhes para Luiz Augusto. </p><p>Era abril, em dezembro Niéde pegou seu fusca, chamou Silvia e dois amigos e partiram de São Paulo para o Piauí. </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 19:29:26 UTC</pubDate>
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         <title>Casa Nova, BA</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Chegaram até Casa Nova, um município ribeirinho que fica às margens do rio São Francisco. </p><p>(cidade que posteriormente inundou na construção da barragem de sobradinho e mudou de lugar)</p><p><br></p><p>Mas, em 1962, a cidade ainda estava lá e uma ponte de madeira sobre o rio São Francisco desabou. </p><p>Era o único acesso para seguirem a viagem.</p><p><br></p><p>Só faltavam 250km para chegarem ao destino, mas tiveram que voltar.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 19:38:33 UTC</pubDate>
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         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Já em abril de 1964, com a ditadura acontecendo, Niéde tenta novamente pedir para o Paulo aceitar seu pedido para escavar os sambaquis.</p><p><br></p><p>Ela foi pessoalmente ao Instituto de Pré-história entregar o pedido, mas ele argumentou que o pedido não respeitava normas técnicas mínimas.</p><p><br></p><p>Niéde, muito indignada, escreveu uma carta ao Conselho Científico, alegando que as tais "normas mínimas" eram reflexo de um amadorismo e que esse domínio que o Instituto tinha sobre os sambaquis era ilegal e ditatorial. </p><p><br></p><p>Também escreveu que as escavações para Paulo eram um "hobby de weekend".</p><p><br></p><p>Finalizou dizendo que iria abandonar o campo da arqueologia. </p><p><br></p><p>Assinou: </p><p>Niéde Guidon, ex-arqueóloga do Museu Paulista.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 19:47:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Museu de Arqueologia e Etnologia - Avenida Professor Almeida Prado - Butantã, São Paulo - SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nos anos 80, o Instituto de Pré-história deixou de existir e se tornou parte do Museu de Arqueologia e Etnologia.</p><p><br></p><p>Ainda em 1964, Paulo denunciava as perseguições e prisões que estavam acontecendo com integrantes da USP.</p><p><br></p><p>Inclusive, encarou o reitor da USP: Gama e Silva. Durante a ditadura, ele se tornou Ministro da Justiça e foi um dos maiores repressores dos movimentos estudantis de resistência ao regime.</p><p>Foi também relator do AI-5, que aposentou Paulo compulsoriamente.</p><p><br></p><p>Com 69 anos, Paulo Duarte estava dando uma aula, na USP, quando entraram policiais para levá-lo.</p><p>Ele disse que entendia o que estava acontecendo, mas que só iria com eles se assistissem a sua aula até o final.</p><p><br></p><p>Os policiais assistiram a aula toda e depois o levaram preso. Depois foi exilado e ficou na França até 1972.</p><p><br></p><p>Ele guardou mágoas da Niéde e Luciana para o resto da vida, até falecer em 1984.</p><p><br></p><p>Já Niéde falava de Paulo com carinho, dizendo que foi alguém que a ajudou muito na vida.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 20:03:35 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Sorbonne Université UPMC, place Jussieu, Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651224475</link>
         <description><![CDATA[<p>Voltando para a Niéde, sua ameaça de desistir da arqueologia não foi para frente.</p><p><br></p><p>Um dia, uma tia dela que tinha um amigo general, avisou para Niéde que ela seria presa, pois eles acreditavam que todas as pessoas da USP eram comunistas.</p><p><br></p><p>Então ela decidiu voltar para a França, com uma passagem só de ida, sem data para voltar.</p><p><br></p><p>Luciana e Silvia ficaram em São Paulo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 20:21:19 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Sorbonne, Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651241461</link>
         <description><![CDATA[<p>Na França, Niéde se aproxima de Annette Emperaire, arqueóloga que também tinha muito interesse nas pinturas rupestres do Piauí.</p><p><br></p><p>Profissionalmente, Niéde tinha "saído da sombra do Paulo e ido para a sombra da Annette".</p><p><br></p><p>Niéde disse: "Eu só era uma arqueóloga pequena com a Madame Emperaire, não era ninguém".</p><p><br></p><p>Quando Niéde conheceu Vilma, arqueóloga que estudava uma aldeia indígena no Brasil, aproveitou a oportunidade para voltar ao Brasil com a Vilma e finalmente chegou à Serra da Capivara.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 20:50:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Partiu Capivara!</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651247073</link>
         <description><![CDATA[<p>Era 1970 e Niéde chegou já querendo saber das pinturas.</p><p>"Seu" Durval, dono da única pousada do lugar, sabia onde elas podiam encontrar. </p><p><br></p><p>Para "Seu" Nilson, o mateiro que "Seu" Durval mandou chamar, as pinturas também não eram novidade.</p><p><br></p><p>"Seu" Nilson e mais dois mateiros, levaram a Niéde e a Vilma até uma toca (do Paraguaio) que tinha bem na beira da estrada que cruzava o vilarejo. </p><p><br></p><p>"Toca" é um nome que se dá para abrigos na pedra, largos e rasos, não são tão fundos como as cavernas, e têm só uma entrada.</p><p><br></p><p>A "Toca do Paraguaio" era de fácil acesso por ficar na beira da estrada e era usada como abrigo para viajantes que estavam de passagem. </p><p>Penduravam redes e dormiam ali mesmo.</p><p><br></p><p>Ali Niéde já percebeu que se tratava de muitas pinturas. Só nessa toca havia 900 pinturas. </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 20:59:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Serra da Capivara, São Raimundo Nonato - PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651251655</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde conta que, quando estudou arqueologia, diziam para ela que as pinturas rupestres eram desenhos primitivos e que pareciam "desenho de criança".</p><p><br></p><p>Mas, na verdade, eram impressionantes! Tinham perspectiva, cenas complexas e retratavam figuras humanas, o que é raro nas pinturas de todo o mundo.</p><p><br></p><p>As pinturas estão espalhadas pela região que tem tocas, vales e chapadas. </p><p><br></p><p>E, há +- 225 milhões de anos, essa região ficava no fundo do mar, então têm aspecto de rocha marinha. </p><p><br></p><p>Niéde fez um acordo com os mateiros: cada nova toca que eles encontrassem ela pagaria 200 reais e eles poderiam dar o nome que quisessem para a toca.</p><p><br></p><p>Assim, voltou para a França com os registros de 7 tocas que encontrou.</p><p><br></p><p><br></p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 21:08:06 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651254989</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde convence o "Centro Nacional de Pesquisas Científicas" francês a realizar uma primeira missão oficial arqueológica na Serra da Capivara.</p><p><br></p><p>Então, em 1973, Niéde volta para a Serra da Capivara, agora oficialmente.</p><p><br></p><p>Chama Silvia para ir com ela e Águida (que trabalhava com Luciana). </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 21:13:47 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>São Paulo, SP</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651260607</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde, Silvia e Águida entram em um carro emprestado do "Pronapa" (projeto americano arqueológico no Brasil), colocam no porta-malas: roupas velhas, um baú de mantimentos e "dinheiro vivo" porque lá na Serra não conseguiriam sacar. </p><p><br></p><p>Elas foram preparadas para ficar 3 meses.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 21:25:15 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Coronel José Dias, PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651264599</link>
         <description><![CDATA[<p>Cruzaram o país de carro, chegaram em São Raimundo Nonato, mas a Serra ficava mais próxima de Coronel José Dias, que na época era um vilarejo chamado Várzea Grande, adicionando mais 6 horas de viagem, mesmo que a distância fosse apenas de 30km, pois os caminhos eram praticamente inacessíveis.  </p><p><br></p><p>Em Várzea Grande tudo era de terra batida, tinha poucas casas, não tinha saneamento básico e não tinha eletricidade. </p><p><br></p><p>Niéde disse: "Eu nunca tinha estado em um lugar em que não tinha água, não tinha banheiro, em que se banhava com canequinha de água em um açude que também se banhava porco, bode..."</p><p><br></p><p>"Dormia em rede, sem luz, sem nada, com aquelas lamparinas de querosene..."</p><p><br></p><p>Os ratos andavam nas telhas e elas dormiam rezando para que eles não caíssem em cima delas. (nunca caíram)</p><p><br></p><p>"Telefone não tinham também, então a gente tinha que ir até Petrolina para falar no telefone com a família, dizer que 'tava' tudo bem. Nós ficamos sem comunicação meses"</p><p><br></p><p>A alimentação era: arroz, feijão, carne de bode e farinha. Raramente tinha ovos e, mais raramente ainda, tinha tomates.</p><p><br></p><p>Ali, a Niéde começou a ter também uma preocupação social com as condições em que vivam aquelas pessoas, expostas à miséria da falta de água tratada. </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 21:34:08 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Serra da Capivara, São Raimundo Nonato - PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651275069</link>
         <description><![CDATA[<p>Os desafios naturais que encontravam eram muito grandes.</p><p><br></p><p>Só na primeira missão já foram 55 sítios. </p><p><br></p><p>O problema é que uma toca ficava longe da outra, incluindo lugares em que o carro não passa. </p><p>(A Serra da Capivara engloba o território de 4 municípios)</p><p><br></p><p>A estratégia era começar pelas tocas mais próximas e, então, dividiam as funções: Niéde fazia o 'relevé' (estender um plástico transparente sobre as pinturas e copiar uma por uma com um pincel atômico);</p><p>Águida preenchia o diário de campo e Silvia fotografava com uma câmera laica.</p><p><br></p><p>Algumas pinturas eram mais fáceis de copiar pois estavam na altura de uma pessoa adulta em pé, outras estavam bem mais alto, então tinham que improvisar escadas com pedaços de pau. </p><p><br></p><p>Quase a aventura acaba para Silvia logo na primeira toca: para tirar uma foto ela foi andando de costas até perder o chão e ficar pendurada alguns metros acima do chão. </p><p>Silvia disse: "Eu tava com essas 'camiseta' hering que eu respeito até hoje! Olha, foi um sufoco! Eu falava Niéde, Niéde. Fiquei uns 5 minutos, porque não podia gritar, porque quando você grita, respira forte, pode estragar a camiseta. Aí eu decido falar grosso 'Niéde!'"</p><p><br></p><p>Niéde desce brava e pergunta para Silvia "o que você 'tava' fazendo aí?" </p><p><br></p><p>Silvia em tom de deboche responde "Eu tive um ímpeto de Ícaro e tentei voar!"</p><p><br></p><p>Silvia estava chateada porque Niéde queria salvar a câmera e não ela. </p><p><br></p><p>Dali em diante se tornaram amigas inseparáveis, mas também implicantes. </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-26 21:57:04 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Boqueirão da Pedra Furada, Coronel José Dias - PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3651410000</link>
         <description><![CDATA[<p>Depois de passar por algumas tocas, elas chegaram no Boqueirão da Pedra Furada, hoje cartão postal da Serra da Capivara.</p><p><br/></p><p>É da altura de um prédio de 25 andares!</p><p><br/></p><p>As pinturas ali parecem grafites, umas por cima das outras, de cores diferentes e feitas por pessoas diferentes. </p><p><br/></p><p>Encontra-se mais de 1100 pinturas rupestres e os 4 pigmentos. </p><p><br/></p><p>Para arqueólogos especialistas, tentar interpretar as pinturas não ajuda muito cientificamente, mas elas ajudam a capturar alguma coisa da cultura dos povos indígenas que habitaram essa região.</p><p><br/></p><p>No livro "Imagens da pré-história", de Anne Marie Pessis, ela nos conta que as pinturas rupestres surgiram no mundo por volta de 30 mil anos atrás, em um momento em que o homo sapiens começou a usar instrumentos para se adaptar aos ambientes: caçar, fazer rituais e pintar tudo isso nas paredes de pedra. </p><p><br/></p><p>Registrando e transmitindo todo seu conhecimento, acumulando e compartilhando cultura. </p><p><br/></p><p>As tocas não eram lugar de moradia, eram acampamentos temporários para caça ou rituais.</p><p><br/></p><p>As pinturas variam ao longo do tempo e variam de estilo:</p><p>- algumas mais complexas, com traços finos, outras mais geométricas.</p><p><br/></p><p>Variam também nas cores:</p><p>- avermelhadas;</p><p>- amarelas;</p><p>- marrons;</p><p>- brancas;</p><p>- pretas;</p><p><br/></p><p>Usavam o dedo ou algo como pincel (pelo de animal, planta...)</p><p><br/></p><p>Tem também, na Serra da Capivara, as gravuras: pinturas feitas diretamente na pedra com instrumentos afiados. </p><p><br/></p><p>Nas paredes das tocas têm animais já extintos: antepassados das lhamas, preguiças gigantes e até peixes e caranguejos (certamente de quando tinha mais água naquela região).</p><p>Figuras diferenciadas por gênero (como homens e mulheres) e até figuras humanas mexendo em colmeias de abelhas.</p><p><br/></p><p>As figuras mais antigas da Serra da Capivara têm cerca de 12 mil anos, nas mais recentes começaram a aparecer também cenas de violência, de castigos e execuções.</p><p><br/></p><p>Isso tudo nos faz perceber que havia muita cultura e complexidade em tempos demasiadamente anteriores à chegada de europeus, ou seja, quando os europeus chamam os indígenas de "selvagens", a única intenção era saquear os recursos naturais e promover um genocídio. </p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-27 00:40:07 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Piauí</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3657146043</link>
         <description><![CDATA[<p>Trecho do livro "O paraíso é no Piauí"</p><p><br></p><p>"Como a água era difícil e ninguém queria carregar mais água do que precisava para beber, era comum passarmos 16, 20 dias sem tomar banho, andando na caatinga, no sol, escavando, imundos todos, somente limpeza superficial com aqueles lencinhos de papel com cheiro de lavanda. </p><p>Por isso todos punham suas redes o mais longe possível uns dos outros e talvez por isso nenhum mosquito transmissor de doenças nos picava.</p><p>Combatíamos com o mau cheiro."</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-29 18:29:54 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Antigo Zabelê</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3657167863</link>
         <description><![CDATA[<p>Em 1989, a comunidade do Zabelê, fez uma festa de tristeza. </p><p>"Uma festa é sempre de alegria, mas nossa festa não foi de alegria, foi uma festa de tristeza". (Seu Noca)</p><p><br/></p><p>Era o último dia deles nas terras que eles vinham habitando há gerações. </p><p><br/></p><p>Quando foi fundado o Parque Nacional da Serra da Capivara, toda a comunidade do Zabelê, onde morava Seu Noca e Seu Nilson (primeiro guia da Niéde no Piauí), teve que sair de lá. </p><p><br/></p><p>Para eles, é como se a cultura deles não valesse tanto quanto a que estava pintada nas paredes da Serra da Capivara mas, no dia de sair, fizeram questão de celebrar essa cultura em uma grande festa. </p><p><br/></p><p>Mostraram a eles mesmos que sua cultura tinha valor.</p><p><br/></p><p>Muitas famílias não tinham para onde ir, demoraram muitos anos até se reestabelecerem.</p><p><br/></p><p>"Não foi uma festa de alegria, mas foi pra ficar na História" (Dona Alberta)</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-29 18:44:52 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Serra da Capivara, São Raimundo Nonato - PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3657182808</link>
         <description><![CDATA[<p>Seu Nilson teve a ideia de chamar a equipe para visitar uma toca mais distante, mas que prometia muito, a toca do Gongo, perto do Zabelê, povoado onde Seu Nilson morava. </p><p><br></p><p>Nessa toca, não tinha só pinturas. No livro "Niéde Guidon: uma arqueóloga no sertão" a autora conta que Seu Nilson e uma prima dele já haviam encontrado nessa toca um esqueleto, dentro de um pote de cerâmica.</p><p><br></p><p>Deram os ossos do esqueleto para os cachorros e transformaram o pote em uma panela.</p><p><br></p><p>Então elas foram até lá e perceberam que a urna que havia sido retirada não era a única. </p><p>Elas ficaram lá duas semanas para encontrarem mais duas urnas.</p><p><br></p><p>Depois, enrolaram as urnas em redes e caminharam tudo de volta.</p><p><br></p><p>Chegando no vilarejo, todo mundo queria saber o que elas haviam encontrado, então Niéde resolveu fazer uma exposição.</p><p><br></p><p>Seu Joãozinho disse: "era gente demais, se entrasse todo mundo, quebrava tudo, eu fiquei na porta pra entrar um por um pra ver as coisas. Era osso, era tudo quanto é coisa."</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-29 18:57:11 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Serra da Capivara, São Raimundo Nonato - PI</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3657200142</link>
         <description><![CDATA[<p>Nesse momento, Niéde percebeu que ali teria trabalho para uma vida inteira. </p><p><br></p><p>Depois de 1973, ela começou a planejar uma missão nova a cada ano. </p><p><br></p><p>A Águida não participou muito mais porque se casou com um arqueólogo francês e começaram a pesquisar seus próprios sítios arqueológicos no Brasil, também muito importantes. (Santa Elina, MT)</p><p><br></p><p>Niéde e Silvia continuavam indo ano após ano e cada vez que descobriam mais coisas, ficavam mais preocupadas com a destruição.</p><p>Por um lado, as pinturas já sofriam um desgaste do tempo, mas além disso, aconteciam queimadas provocadas por pessoas na Serra da Capivara, que destruíam a mata e tinha também gente explodindo pedras com pinturas rupestres. </p><p><br></p><p>Apesar de morar na Europa, Niéde ficou encantada com a Serra da Capivara e preocupada, então tomou uma providência:</p><p><br></p><p>Sentou sozinha, no meio daquela imensidão da caatinga, com um caderno e uma caneta, e começou a escrever uma carta ao governador do Piauí:</p><p>"Apesar de trabalhar há quase 10 anos na Europa, eu sou brasileira e meu desejo é que as riquezas culturais do meu país não sejam dilapidadas." </p><p><br></p><p>"Eu, que conheço o Brasil todo, posso lhe afirmar que a beleza da paisagem das serras do sul do Piauí, aliada a existência dessas obras de arte pré-históricas, pode atrair para a região legiões de turistas, desde que hajam estradas, transportes e hotéis." </p><p><br></p><p>Então, Niéde argumenta que a solução seria criar um Parque Nacional.</p><p><br></p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-29 19:10:38 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Só se falava em Niéde!</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658534388</link>
         <description><![CDATA[<p>Entre os(as) pesquisadores(as) franceses, só se falava em Niéde Guidon, porque ela fez do trabalho na Serra da Capivara, sua tese de doutorado. </p><p>Defendeu sua tese, inclusive, para o professor com quem ela aprendeu a técnica de decapagem em níveis naturais nas escavações. E ele ficou impressionado!</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 12:25:03 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Motivos para a criação do Parque Nacional</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658554072</link>
         <description><![CDATA[<p>Nesse momento, os argumentos para a criação de um parque nacional só aumentavam:</p><p><br></p><p>Reportagens mencionavam que funcionários do poder público estavam arrebentando paredes da Serra da Capivara para levar pintura rupestre para casa, a própria Niéde relatou que as comunidades locais faziam fogueiras, dormiam ou cozinhavam nas tocas, deixando a fumaça estragar as pinturas.</p><p><br></p><p>Niéde dizia que não bastava conscientizar a população, que as pessoas ali vivam em miséria e precisavam ver alguma possibilidade de retorno para querer fazer parte da preservação.</p><p><br></p><p>Ela defendia que o Parque Nacional podia ser uma boa opção para preservar e oferecer retorno para a população.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 12:39:40 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Paris, França</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658561763</link>
         <description><![CDATA[<p>Niéde volta para a França e assume como professora assistente na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, lecionando a disciplina de arqueologia pré-histórica da América. </p><p><br></p><p>Niéde só se muda para São Raimundo Nonato nos anos 90. </p><p><br></p><p>Durante todo o processo de construção do parque, entre 1970 e 1980, Niéde dividiu seu tempo entre o Brasil e a França.</p><p><br></p><p>Assim, o Piauí ganhava reconhecimento nacional e internacional, pois Niéde conseguia financiamentos franceses para a pesquisa no Brasil.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 12:44:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Preservação e sucesso da Niéde</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658572267</link>
         <description><![CDATA[<p>Ainda durante a ditadura, Niéde consegue que o presidente Figueiredo, o último militar da ditadura, assinasse um decreto da criação do parque.</p><p><br></p><p>Nesse momento ela se torna uma celebridade, todos começam a chamá-la de doutora Niéde. </p><p><br></p><p>Os primeiros guias de Niéde na Serra se tornaram fiéis escudeiros nas escavações. </p><p><br></p><p>Haviam também muitos estudantes franceses e de outros países que participavam dos trabalhos.</p><p><br></p><p>E até então os pesquisadores e a população local conviviam muito bem. </p><p><br></p><p>Teve até um jantar de gala feito para os pesquisadores em que todo mundo foi muito arrumado e Niéde foi como vivia nas escavações: de calça jeans e blusa rasgada.</p><p><br></p><p>A equipe também sempre montava exposições para a população visitar, na pousada local. </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 12:52:10 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Desconfiança</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658585295</link>
         <description><![CDATA[<p>Com a fama, começaram a desconfiar das pesquisadoras. </p><p><br></p><p>Passaram a acreditar que elas estavam procurando ouro e que havia mesmo ouro e pedras preciosas na Serra. </p><p><br></p><p>Ainda mais que alguns adereços encontrados nas escavações tinham pedrinhas brilhantes, que não eram valiosas, mas chamavam atenção para quem não conhecia.</p><p><br></p><p>Também teve um político que ameaçou Niéde de morte porque acreditava que ela queria se tornar proprietária da Serra da Capivara. </p><p>Pois ela foi na casa dele e o ameaçou de volta e ele se acalmou.</p><p><br></p><p>Um fazendeiro local também começou a dizer em todo canto que mataria Niéde se ela entrasse nas terras dele, então ela foi na rádio local e anunciou que quem quisesse assistir sua morte, esteja amanhã de manhã "tal hora em tal lugar".  </p><p>(na toca do serrote)</p><p><br></p><p>Ela realmente foi, junto com Joãozinho que levou um facão e uma comitiva, encontraram o matador armado mas que não fez nada quando viu eles chegando, então negociaram 8 mil reais para ela poder entrar nas terras.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 13:01:36 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Parque x Comunidade</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658603865</link>
         <description><![CDATA[<p>Com a criação do parque e as burocracias para demarcar o espaço, um embate começou a se formar:</p><p><br/></p><p>Havia uma lei que dizia que a população local não podia nem morar, nem trabalhar dentro de uma unidade de preservação (parques nacionais). </p><p><br/></p><p>E lá havia gente morando, a comunidade do Zabelê. </p><p><br/></p><p>No começo, eles até queriam sair de lá pois era um lugar muito distante e sem estrutura. </p><p><br/></p><p>Mas quando isso foi acontecer de fato, descobriram que os moradores não tinham documentos de posse de terras, então o governo não iria pagar nada para eles saírem.</p><p><br/></p><p>Antes do Zabelê, eles moravam nas tocas, as mesmas que tinham pinturas rupestres. (Mas quando Niéde chegou, só conheceu uma família que morava nas tocas, um casal e 13 filhos).</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 13:13:54 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Fim do Zabelê</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658628144</link>
         <description><![CDATA[<p>O Zabelê era uma comunidade com cultura própria, festejos em que reuniam diversas outras comunidades da região. </p><p>Tinham até jogos próprios, como o da onça e dos cachorros, de origem indígena. </p><p>É tipo um jogo de dama em que a onça joga contra os cachorros, quem joga com a onça, tem que capturar 5 cachorros e quem joga com os cachorros tem que conseguir encurralar a onça. (vamos jogar?)</p><p><br/></p><p>Eram maniçobeiros (apesar de o ciclo da maniçoba já estar chegando ao fim). </p><p>(Depois da maniçoba veio o algodão, a mamona, o fumo...)</p><p><br/></p><p>Entre eles havia os contadores de história (causos de caçadas de onças, fantasmas, almas penadas e almas de indígenas que apareciam nas tocas).</p><p><br/></p><p>Nesse momento, começa o processo de retirada dos moradores do Zabelê. </p><p><br/></p><p>1986: Niéde cria a Fundação Museu do Homem Americano, uma organização criada para preservar o patrimônio cultural e natural da Serra da Capivara. </p><p><br/></p><p>Entre 1987/89: a fundação fazia a mediação entre governo e população e arrecadava verba para o parque.</p><p>A fundação até tentou criar formas de fazer com que a população pudesse ficar lá, mas o código civil não permitia. </p><p>Então conseguiram que, pelo menos, a comunidade fosse indenizada, não pelas terras mas pelas "benfeitorias".</p><p>O pagamento foi feito aos poucos e alguns não acharam o valor justo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 13:28:23 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Antigo Zabelê, Niéde e o Parque Nacional</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658662330</link>
         <description><![CDATA[<p>Como o Estado era muito distante da região, a saída e fim da comunidade do Zabelê ficou personificada na figura da Niéde.</p><p><br/></p><p>Muitos passaram a desgostar dela e não queriam nem visitar o parque. </p><p><br/></p><p>Quando pesquisadores perguntavam a eles sobre o parque, diziam que não conheciam, que só conheciam o antes.</p><p><br/></p><p>Depois de 10 anos, receberam terras em São Raimundo Nonato onde criaram o bairro "Novo Zabelê". </p><p><br/></p><p>Um dos moradores do Antigo Zabelê, que saiu de lá criança, junto de sua mãe, fundou o Muzab (Museu Zabelê) para valorizar a história da comunidade.</p><p><br/></p><p>Os filhos dos antigos moradores se beneficiaram com a mudança: muitos trabalham no parque, são guias, arqueólogos, vivem do turismo e puderam fazer faculdade por causa do desenvolvimento da região.</p><p><br/></p><p>Hoje, seu Noca trabalha contando para os turistas como era a região.</p><p><br/></p><p>E poucos ainda se ressentem da doutora Niéde, geralmente os mais velhos.</p><p><br/></p><p>O parque também é muito importante para a preservação da caatinga. </p><p><br/></p><p>Se fosse hoje, talvez a fundação do parque teria acontecido sem tirar a comunidade ou reduzindo os danos e mudanças de vida.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 13:49:13 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Quando tudo parece ter se resolvido...</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658698133</link>
         <description><![CDATA[<p>Se você pensa que o drama chegou ao fim, algo muito maior estava por vir! </p><p><br/></p><p>Niéde estava na França, quando recebeu uma correspondência do laboratório francês para onde mandou uma amostra de carvão encontrada na Serra da Capivara:</p><p><br/></p><p>Quando ela leu, levou um susto! A amostra de carvão que ela mandou para análise, tinha 18.000 anos. </p><p><br/></p><p>Se o resultado estivesse certo, a Niéde teria que contestar uma das teorias científicas mais estabelecida: a de ocupação humana das Américas. </p><p><br/></p><p>Até ali, acreditava-se que o homo sapiens teria chegado nas Américas no máximo há 13.000 anos. </p><p><br/></p><p>Ela ligou para o laboratório para dar uma bronca na pesquisadora responsável:</p><p>"Olha, você deve ter misturado minhas amostras, porque na América não tem nada de 18.000 anos, é tudo mais recente."</p><p><br/></p><p>Ela respondeu: "Não, a amostra é tua!" </p><p><br/></p><p>Pronto! Niéde havia escavado uma das maiores batalhas científicas da história da arqueologia brasileira.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 14:10:51 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Boqueirão da Pedra Furada</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658716610</link>
         <description><![CDATA[<p>Como funciona a datação de materiais orgânicos pela medição de carbono 14:</p><p><br/></p><p>O carbono 14 é um elemento presente em todos os organismos vegetais e animais.</p><p>Ao longo do tempo, depois de mortos, os organismos vão o perdendo.</p><p><br/></p><p>Então, quanto menos carbono, mais antigo é aquele vestígio. </p><p><br/></p><p>Mas, se tratando de pinturas rupestres, é mais difícil utilizar essa medição, pois não se pode retirar um pedaço da pintura para datá-la.</p><p>Sendo necessário, então, escavar embaixo da pintura, procurando alguma gota de "tinta" natural que tenha caído enquanto pintavam. </p><p><br/></p><p>Niéde escavou o terreno na frente, tentando encontrar algum fragmento de rochas com pinturas enterradas em camadas mais fundas do solo, pela datação da camada, ela poderia deduzir a idade das pinturas, chamada "datação indireta". </p><p><br/></p><p>Mas nessa escavação, encontrou diversos outros vestígios de presença humana ali, como carvões organizados de uma forma que indicava que ali tinha sido feita uma fogueira. </p><p><br/></p><p>Foi esse carvão que ela enviou para o laboratório. </p><p><br/></p><p>Quando ela recebeu a informação de que datavam 18.000 anos, sabia que poderiam encontrar coisas muito mais antigas, pois ainda havia muito para escavar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 14:22:31 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Teoria de Clóvis</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658771308</link>
         <description><![CDATA[<p>Na época, a arqueologia aceitava a <strong>Teoria de Clóvis</strong>, segundo a qual os primeiros humanos teriam chegado à América há cerca de <strong>13.000 anos</strong>, atravessando o <strong>estreito de Bering</strong> durante a Era do Gelo.</p><p><br/></p><p>(Os arqueólogos quando escavavam nos EUA, não encontravam nada mais antigo do que as "pontas de Clóvis", pedras pontiagudas lascadas pelos humanos para usar como ferramenta).</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 14:56:36 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>&quot;Clóvis First&quot;</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658823556</link>
         <description><![CDATA[<p>As ideias de Niéde enfrentaram <strong>forte resistência</strong>, especialmente de pesquisadores norte-americanos, que duvidavam da datação e das interpretações.</p><p><br/></p><p>Motivos: </p><p>Para os norte-americanos estadunidenses, a teoria de que a América havia sido povoada a partir de seu território, era também um símbolo de poder. </p><p><br/></p><p>As pontas de Clóvis eram vistas como "a primeira grande invenção de um norte-americano".</p><p><br/></p><p>O arqueólogo Bernardo Esteves, mais tarde, as chamou de "a coca-cola da era do gelo". </p><p><br/></p><p>Os estadunidenses reafirmam poder global muitas vezes como "os primeiros". </p><p><br/></p><p>Outro exemplo é a corrida espacial. </p><p><br/></p><p>A chamada <strong>cultura de Clóvis</strong> era tão forte, que arqueólogos em diversas partes do continente americano <strong>paravam de escavar</strong> quando chegavam à datação de 13.000 anos, pois admitiam que não haveria nada mais antigo.</p><p><br/></p><p>E não só admitiam, como qualquer coisa anterior era fortemente rejeitada pela chamada "polícia de Clóvis".</p><p><br/></p><p>Além disso, o ambiente da pesquisa científica era muito dominado pelos homens e seria um absurdo, para eles, que uma mulher desafiasse uma teoria tão consolidada.</p><p><br/></p><p>O principal argumento contra Niéde era de que os vestígios podiam não ser de humanos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 15:30:46 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>América do Sul mais antiga ainda! </title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658835303</link>
         <description><![CDATA[<p>Com o tempo, outros estudos na América do Sul e do Norte também encontraram vestígios mais antigos. </p><p><br/></p><p>Diversas equipes de arqueólogos passaram a fazer missões de escavação em vários lugares próximos à Pedra Furada e outras regiões que confirmavam o que Niéde havia sugerido.</p><p><br/></p><p>Hoje, muitos cientistas aceitam que as <strong>Américas foram povoadas por múltiplas rotas</strong>, e não apenas por Bering.</p><p><br>A Serra da Capivara se tornou <strong>Patrimônio Mundial da Humanidade</strong> e um símbolo da <strong>persistência e visão científica de Niéde Guidon</strong>, que ajudou a reescrever a história do povoamento do continente.</p><p><br/></p><p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://revistapesquisa.fapesp.br/ha-30-mil-anos-nas-americas/">https://revistapesquisa.fapesp.br/ha-30-mil-anos-nas-americas/</a></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 15:38:53 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Curiosidades</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658846198</link>
         <description><![CDATA[<p>* <strong>Niéde</strong> argumenta que não estava interessada em encontrar o "humano mais antigo", ela gostava mesmo era das pinturas rupestres.</p><p>Mas, de repente, o Piauí ficou "mais velho". </p><p><br/></p><p>*<strong> Niéde</strong> escavou por quase 10 anos o Boqueirão da Pedra Furada.</p><p><br/></p><p>* <strong>2003:</strong></p><p>Niéde e outros colegas publicam um estudo com uma datação feita por termoluminescência, que chega a 100 mil anos.</p><p>Mas essa é a datação aceita para a saída dos humanos da África.</p><p>Essa é a data mais incrivelmente polêmica da Serra Furada.</p><p><br/></p><p>* <strong>2006: </strong></p><p>Reportagem "A arqueóloga Niéde Guidon riu por último".</p><p>Equipe de outros arqueólogos encontraram vestígios similares aos de Niéde e, ainda, vestígios que foram levados de um lugar para outro por quem os fez.</p><p><br/></p><p>* <strong>2018:</strong></p><p>Fábio publica uma tese com análises estatísticas que não deixam dúvidas de que foram humanos que fizeram as lascas nas pedras encontradas.</p><p><br/></p><p>* <strong>No Museu do Homem Americano</strong>, no Parque Nacional da Serra da Capivara, está escrito: </p><p>"Tudo indica que a região da Serra da Capivara foi povoada a partir de tempos muito recuados que beiram os 100 mil anos."</p><p>Os guias do parque geralmente falam em pelo menos 50 mil anos. </p><p><br/></p><p>* <strong>Hoje temos menos certeza</strong> do que antes, sobre a povoação das Américas.</p><p><br/></p><p>* <strong>Niéde</strong> sentia que essa discussão tirava o foco dela do principal: o parque nacional e o desenvolvimento da região.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 15:46:10 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Boqueirão First</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658878977</link>
         <description><![CDATA[<p>Fábio Parenti: "No começo de 87, a Niéde me fez uma proposta assassina de fazer o doutorado com ela";</p><p>"O sítio pegava no cerne do problema do povoamento americano, então achei aquilo muito interessante";</p><p>Fábio passou 6 anos estudando os vestígios para comprovar que os humanos fizeram tudo aquilo intencionalmente.</p><p><br></p><p>Estudou 2 mil seixos e concluiu, por meio das datações, que não só havia vestígios humanos de 32.000 anos ali, mas estendeu para 50.000 anos atrás.</p><p><br></p><p>Niéde organizou, em dezembro de 1993, um simpósio na Serra da Capivara, para que especialistas fossem visitar o sítio. </p><p><br></p><p>Os pesquisadores gringos se divertiram, foram muito educados, mas não se aproximavam das pedras, não olhavam por muito tempo os artefatos, o que incomodava Niéde e Fábio. </p><p><br></p><p>Fizeram a visita sem deixar clara sua opinião, apenas sorrisos e agradecimentos pela hospitalidade brasileira.</p><p><br></p><p>Quando vão embora, os americanos publicam um artigo "demolidor". </p><p><br></p><p>Niéde sentiu como uma facada nas costas.</p><p><br></p><p>Fábio argumenta que eles observaram no máximo 20 minutos os artefatos e escreveram um artigo muito abstrato.</p><p><br></p><p>Niéde argumentava que deveriam ter feito os questionamentos diante de todos no simpósio, assim se faz uma crítica honesta. </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 16:10:13 UTC</pubDate>
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         <title>Rotas diversas</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658899482</link>
         <description><![CDATA[<p>As descobertas de Niéde indicavam que havia <strong>humanos muito antes disso</strong> na América do Sul, possivelmente <strong>vindos por outras rotas:</strong></p><p><br></p><p> "Nada impede que a gente pense que o homo sapiens possa ter vindo para a América por Bering e pode ter vindo pelas correntes das Aleutas, porque houve momentos em que o mar esteve até 150 metros abaixo do nível atual, então havia muito mais ilhas. </p><p>Existem passagens pelo Pacífico, da Austrália pra cá, que são de mar não muito profundo e que com o mar mais baixo, teria mais ilhas. </p><p>Portanto, nada impede que tenha chegado por esses caminhos pelo Pacífico. Nada impede que tenha vindo também da África do Sul, da região dos Açores, aonde existem correntes que vêm bater aqui no Brasil.</p><p>O importante é preservar os sítios e, mais ainda, escavá-los."</p><p><br></p><p><br></p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 16:24:50 UTC</pubDate>
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         <title>Monte Verde - V-830, Puerto Montt, Chile</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658913358</link>
         <description><![CDATA[<p>Tom Dillehay, 1997, um arqueólogo crítico da Pedra Furada, coordenava uma escavação em Monte Verde e descobriu vestígios de 14.600 anos!</p><p><br/></p><p>Primeiro foi desacreditado, mas Tom continuou escavando, publicou uma tese enorme sobre e finalmente foi aceito pelos norte-americanos, que assinaram um consenso aceitando a datação de 14.600 anos.</p><p><br/></p><p><strong>Estava oficialmente declarada a morte da primazia de Clóvis!</strong></p><p><br/></p><p><strong>A partir dessa aceitação, diversos outros sítios foram aceitos com datações anteriores a Clóvis.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Mas, temos uma diferença:</strong></p><p><br/></p><p><strong>Sítios "pré-clovisinho": com datações um pouco mais antigas e anteriores a Clóvis são mais aceitas.</strong></p><p><br/></p><p><strong>Sítios "pré-clovisão": como a Serra da Capivara, são menos aceitos.</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 16:35:47 UTC</pubDate>
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         <title>Curiosidades 2</title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658981381</link>
         <description><![CDATA[<p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf36aiLiw17_LmPdNGsSUt1YLUukIGWCsmi9wT_bdx_eQTWsw/viewform?usp=publish-editor">https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf36aiLiw17_LmPdNGsSUt1YLUukIGWCsmi9wT_bdx_eQTWsw/viewform?usp=publish-editor</a></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-10-30 17:28:11 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3658981381</guid>
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         <title></title>
         <author>lauraxavierlb</author>
         <link>https://padlet.com/lauraxavierlb/fzvuc1swx8ll48ve/wish/3666274480</link>
         <description><![CDATA[pdnd:android-fallback]]></description>
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         <pubDate>2025-11-04 17:57:49 UTC</pubDate>
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