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      <title>Querida Mãe by Marisa Pedrosa</title>
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      <description>És única na tua dádiva,
nascente divina</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-04-29 09:38:11 UTC</pubDate>
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         <title>Minha Mãe</title>
         <author>edicoesmatrioska</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div><strong> <br></strong><br> No mais fundo de ti,<br> eu sei que traí, mãe<br><br></div><div>Tudo porque já não sou<br> o retrato adormecido<br> no fundo dos teus olhos.<br><br></div><div>Tudo porque tu ignoras<br> que há leitos onde o frio não se demora<br> e noites rumorosas de águas matinais.<br><br></div><div>Por isso, às vezes, as palavras que te digo<br> são duras, mãe,<br> e o nosso amor é infeliz.<br><br></div><div>Tudo porque perdi as rosas brancas<br> que apertava junto ao coração<br> no retrato da moldura.<br><br></div><div>Se soubesses como ainda amo as rosas,<br> talvez não enchesses as horas de pesadelos.<br><br></div><div>Mas tu esqueceste muita coisa;<br> esqueceste que as minhas pernas cresceram,<br> que todo o meu corpo cresceu,<br> e até o meu coração<br> ficou enorme, mãe!<br><br></div><div>Olha — queres ouvir-me? —<br> às vezes ainda sou o menino<br> que adormeceu nos teus olhos;<br><br></div><div>ainda aperto contra o coração<br> rosas tão brancas<br> como as que tens na moldura;<br><br></div><div>ainda oiço a tua voz:<br> Era uma vez uma princesa<br> no meio de um laranjal…<br><br></div><div>Mas — tu sabes — a noite é enorme,<br> e todo o meu corpo cresceu.<br> Eu saí da moldura,<br> dei às aves os meus olhos a beber,<br><br></div><div>Não me esqueci de nada, mãe.<br> Guardo a tua voz dentro de mim.<br> E deixo-te as rosas.<br><br></div><div>Boa noite. Eu vou com as aves.<br> <br><br><br></div><div> Eugénio de Andrade, em “Primeiros poemas – As mãos e os frutos – Os amantes sem dinheiro”. eBook. Lisboa: Assírio &amp; Alvim, 2014.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-29 09:38:23 UTC</pubDate>
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         <title>Poema à Minha Mãe</title>
         <author>edicoesmatrioska</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo<br> Tenho medo da vida, minha mãe.<br> Canta a doce cantiga que cantavas<br> Quando eu corria doido ao teu regaço<br> Com medo dos fantasmas do telhado.<br> Nina o meu sono cheio de inquietude<br> Batendo de levinho no meu braço<br> Que estou com muito medo, minha mãe.<br> Repousa a luz amiga dos teus olhos<br> Nos meus olhos sem luz e sem repouso<br> Dize à dor que me espera eternamente<br> Para ir embora. Expulsa a angústia imensa<br> Do meu ser que não quer e que não pode<br> Dá-me um beijo na fronte dolorida<br> Que ela arde de febre, minha mãe.<br> <br> Aninha-me em teu colo como outrora<br> Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas<br> Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.<br> Dorme. Os que de há muito te esperavam<br> Cansados já se foram para longe.<br> Perto de ti está tua mãezinha<br> Teu irmão, que o estudo adormeceu<br> Tuas irmãs pisando de levinho<br> Para não despertar o sono teu.<br> Dorme, meu filho, dorme no meu peito<br> Sonha a felicidade. Velo eu.<br> <br> Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo<br> Me apavora a renúncia. Dize que eu fique<br> Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.<br> Afugenta este espaço que me prende<br> Afugenta o infinito que me chama<br> Que eu estou com muito medo, minha mãe.<br><br></div><div><br>Vinicius de Moraes<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-29 09:40:24 UTC</pubDate>
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         <title>Pequeno Poema </title>
         <author>edicoesmatrioska</author>
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         <description><![CDATA[<div><br></div><div>Quando eu nasci,<br> ficou tudo como estava.<br><br></div><div>Nem homens cortaram veias,<br> nem o Sol escureceu,<br> nem houve estrelas a mais…<br> Somente,<br> esquecida das dores,<br> a minha Mãe sorriu e agradeceu.<br><br></div><div>Quando eu nasci,<br> não houve nada de novo<br> senão eu.<br><br></div><div>As nuvens não se espantaram,<br> não enlouqueceu ninguém…<br><br></div><div>Pra que o dia fosse enorme,<br> bastava<br> toda a ternura que olhava<br> nos olhos de minha Mãe…<br><br></div><div><strong>Sebastião da Gama<br></strong><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-29 09:41:53 UTC</pubDate>
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         <title>Espiral</title>
         <author>edicoesmatrioska</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong><br></strong><br></div><div>No oculto do ventre,<br> o feto se explica como o Homem:<br> em si mesmo enrolado<br> para caber no que ainda vai ser.<br><br></div><div>Corpo ansiando ser barco,<br> água sonhando dormir,<br> colo em si mesmo encontrado.<br><br></div><div>Na espiral do feto,<br> o novelo do afeto<br> ensaia o seu primeiro infinito.<br><br></div><div>Mia Couto, <em>Tradutor de Chuvas<br></em><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-29 09:50:42 UTC</pubDate>
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         <title>De MÃE</title>
         <author>edicoesmatrioska</author>
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         <description><![CDATA[<div><br> O cuidado de minha poesia<br> aprendi foi de mãe,<br> mulher de pôr reparo nas coisas,<br> e de assuntar a vida.<br><br></div><div>A brandura de minha fala<br> na violência de meus ditos<br> ganhei de mãe,<br> mulher prenhe de dizeres,<br> fecundados na boca do mundo.<br><br></div><div>Foi de mãe todo o meu tesouro<br> veio dela todo o meu ganho<br> mulher sapiência, yabá,<br> do fogo tirava água<br> do pranto criava consolo.<br><br></div><div>Foi de mãe esse meio riso<br> dado para esconder<br> alegria inteira<br> e essa fé desconfiada,<br> pois, quando se anda descalço<br> cada dedo olha a estrada.<br><br></div><div>Foi mãe que me descegou<br> para os cantos milagreiros da vida<br> apontando-me o fogo disfarçado<br> em cinzas e a agulha do<br> tempo movendo no palheiro.<br><br></div><div>Foi mãe que me fez sentir<br> as flores amassadas<br> debaixo das pedras<br> os corpos vazios<br> rente às calçadas<br> e me ensinou,<br> insisto, foi ela<br> a fazer da palavra<br> artifício<br> arte e ofício<br> do meu canto<br> da minha fala.<br> <br> <br><br></div><div>Conceição Evaristo, em “Poemas da recordação e outros movimentos”. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.<br><br></div><div> <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-04-29 09:52:38 UTC</pubDate>
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