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      <title>POEMAS  by Sala de Leitura Educador Pedro Cia - PEI</title>
      <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv</link>
      <description>Poema é um gênero textual dividido em estrofes e versos. Cada estrofe é constituída por versos. Introduzidos pelo sentido das frases e mais raramente em conversa em que a poesia, forma expressão estética através da língua, geralmente se manifesta.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-06-23 16:58:28 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>SONETO DE FELICIDADE   </title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639369629</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:04:30 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639369818</link>
         <description><![CDATA[<div>SONETO DE FELICIDADE  <br>De tudo, ao meu amor serei atento<br>Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto<br>Que mesmo em face do maior encanto<br>Dele se encante mais meu pensamento.<br><br>Quero vivê-lo em cada vão momento<br>E em louvor hei de espalhar meu canto<br>E rir meu riso e derramar meu pranto<br>Ao seu pesar ou seu contentamento.<br><br>E assim, quando mais tarde me procure<br>Quem sabe a morte, angústia de quem vive<br>Quem sabe a solidão, fim de quem ama<br><br>Eu possa me dizer do amor (que tive):<br>Que não seja imortal, posto que é chama<br>Mas que seja infinito enquanto dure.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:04:51 UTC</pubDate>
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         <title>Vou-me embora pra Pasárgada (1930)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639373420</link>
         <description><![CDATA[<blockquote><br>Vou-me embora pra Pasárgada<br>Lá sou amigo do rei<br>Lá tenho a mulher que eu quero<br>Na cama que escolherei<br>Vou-me embora pra Pasárgada<br><br><br>Vou-me embora pra Pasárgada<br>Aqui eu não sou feliz<br>Lá a existência é uma aventura<br>De tal modo inconseqüente<br>Que Joana a Louca de Espanha<br>Rainha e falsa demente<br>Vem a ser contraparente<br>Da nora que nunca tive<br><br><br>E como farei ginástica<br>Andarei de bicicleta<br>Montarei em burro brabo<br>Subirei no pau-de-sebo<br>Tomarei banhos de mar!<br>E quando estiver cansado<br>Deito na beira do rio<br>Mando chamar a mãe - d’água.<br>Pra me contar as histórias<br>Que no tempo de eu menino<br>Rosa vinha me contar<br>Vou-me embora pra Pasárgada<br><br><br>Em Pasárgada tem tudo<br>É outra civilização<br>Tem um processo seguro<br>De impedir a concepção<br>Tem telefone automático<br>Tem alcalóide à vontade<br>Tem prostitutas bonitas<br>Para a gente namorar<br><br><br>E quando eu estiver mais triste<br>Mas triste de não ter jeito<br>Quando de noite me der<br>Vontade de me matar<br>- Lá sou amigo do rei -<br>Terei a mulher que eu quero<br>Na cama que escolherei<br>Vou-me embora pra Pasárgada.<br><br></blockquote><div><br></div><div><br><br></div><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:10:39 UTC</pubDate>
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         <title>Poema sujo (1976)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639376210</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís<br>do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos<br>e pais dentro de um enigma?<br>mas que importa um nome<br>debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre<br>cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de<br>garfos e facas e pratos de louças que se quebraram já<br><br></div><div><br>um prato de louça ordinária não dura tanto<br>e as facas se perdem e os garfos<br>se perdem pela vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos<br>e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:14:59 UTC</pubDate>
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         <title>Saber viver (1965)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639380924</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Não sei…<br>se a vida é curta<br>ou longa demais para nós.<br>Mas sei que nada do que vivemos<br>tem sentido,<br>se não tocarmos o coração das pessoas.<br><br></div><div><br>Muitas vezes basta ser:<br>colo que acolhe,<br>braço que envolve,<br>palavra que conforta,<br>silêncio que respeita,<br>alegria que contagia,<br>lágrima que corre,<br>olhar que sacia,<br>amor que promove.<br><br></div><div><br>E isso não é coisa de outro mundo:<br>é o que dá sentido à vida.<br><br></div><div><br>É o que faz com que ela<br>não seja nem curta,<br>nem longa demais,<br>mas que seja intensa,<br>verdadeira e pura…<br>enquanto durar.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:21:52 UTC</pubDate>
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         <title>Retrato (1939)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639381605</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Eu não tinha este rosto de hoje,<br>Assim calmo, assim triste, assim magro,<br>Nem estes olhos tão vazios,<br>Nem o lábio amargo.<br><br></div><div><br>Eu não tinha estas mãos sem força,<br>Tão paradas e frias e mortas;<br>Eu não tinha este coração<br>Que nem se mostra.<br><br></div><div><br>Eu não dei por esta mudança,<br>Tão simples, tão certa, tão fácil:<br>— Em que espelho ficou perdida<br>a minha face?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:22:54 UTC</pubDate>
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         <title>Dona doida (1991)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639382427</link>
         <description><![CDATA[<div>Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso<br>com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.<br>Quando se pôde abrir as janelas,<br>as poças tremiam com os últimos pingos.<br>Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,<br>decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.<br>Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,<br>trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.<br>A mulher que me abriu a porta riu de dona tão velha,<br>com sombrinha infantil e coxas à mostra.<br>Meus filhos me repudiaram envergonhados,<br>meu marido ficou triste até a morte,<br>eu fiquei doida no encalço.<br>Só melhoro quando chove.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:24:08 UTC</pubDate>
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         <title>Bem no fundo</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639383056</link>
         <description><![CDATA[<div><br>No fundo, no fundo,<br>bem lá no fundo,<br>a gente gostaria<br>de ver nossos problemas<br>resolvidos por decreto<br><br></div><div><br>a partir desta data,<br>aquela mágoa sem remédio<br>é considerada nula<br>e sobre ela — silêncio perpétuo<br><br></div><div><br>extinto por lei todo o remorso,<br>maldito seja quem olhar pra trás,<br>lá pra trás não há nada,<br>e nada mais<br><br></div><div><br>mas problemas não se resolvem,<br>problemas têm família grande,<br>e aos domingos<br>saem todos a passear<br>o problema, sua senhora<br>e outros pequenos probleminhas.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 00:25:10 UTC</pubDate>
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         <title>Invernáculo </title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639421576</link>
         <description><![CDATA[<div>Esta língua não é minha,<br>qualquer um percebe.<br>Quem sabe maldigo mentiras,<br>vai ver que só minto verdades.<br>Assim me falo, eu, mínima,<br>quem sabe, eu sinto, mal sabe.<br>Esta não é minha língua.<br>A língua que eu falo trava<br>uma canção longínqua,<br>a voz, além, nem palavra.<br>O dialeto que se usa<br>à margem esquerda da frase,<br>eis a fala que me lusa,<br>eu, meio, eu dentro, eu, quase.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:23:37 UTC</pubDate>
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         <title>Os três mal-amados (1943)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639422184</link>
         <description><![CDATA[<div><br>O amor comeu meu nome, minha identidade,<br>meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade,<br>minha genealogia, meu endereço. O amor<br>comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos<br>os papéis onde eu escrevera meu nome.<br><br></div><div><br>O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas<br>camisas. O amor comeu metros e metros de<br>gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o<br>número de meus sapatos, o tamanho de meus<br>chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a<br>cor de meus olhos e de meus cabelos.<br><br></div><div><br>O amor comeu meus remédios, minhas receitas<br>médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas,<br>minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus<br>testes mentais, meus exames de urina.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:24:35 UTC</pubDate>
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         <title>O tempo (1980)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639422809</link>
         <description><![CDATA[<div><br>A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.<br><br></div><div><br>Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…<br>Quando se vê, já é 6ª-feira…<br>Quando se vê, passaram 60 anos!<br>Agora, é tarde demais para ser reprovado…<br>E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,<br>eu nem olhava o relógio<br>seguia sempre em frente…<br><br></div><div><br>E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:25:36 UTC</pubDate>
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         <title>Amavisse (1989)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639423739</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Como se te perdesse, assim te quero.<br>Como se não te visse (favas douradas<br>Sob um amarelo) assim te apreendo brusco<br>Inamovível, e te respiro inteiro<br><br></div><div><br>Um arco-íris de ar em águas profundas.<br><br></div><div><br>Como se tudo o mais me permitisses,<br>A mim me fotografo nuns portões de ferro<br>Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima<br>No dissoluto de toda despedida.<br><br></div><div><br>Como se te perdesse nos trens, nas estações<br>Ou contornando um círculo de águas<br>Removente ave, assim te somo a mim:<br>De redes e de anseios inundada.<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:26:58 UTC</pubDate>
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         <title>Rápido e Rasteiro (1997)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639424577</link>
         <description><![CDATA[<div>Vai ter uma festa<br>que eu vou dançar<br>até o sapato pedir pra parar.<br><br>aí eu paro<br>tiro o sapato<br>e danço o resto da vida.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:28:15 UTC</pubDate>
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         <title>AUTOPSICOGRAFIA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639427206</link>
         <description><![CDATA[<div>O poeta é um fingidor.<br>Finge tão completamente<br>Que chega a fingir que é dor<br>A dor que deveras sente.<br><br>E os que lêem o que escreve,<br>Na dor lida sentem bem,<br>Não as duas que ele teve,<br>Mas só a que eles não têm.<br><br>E assim nas calhas da roda<br>Gira, a entreter a razão,<br>Esse comboio de corda<br>Que se chama o coração</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:32:16 UTC</pubDate>
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         <title>Tenho tanto sentimento</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639427619</link>
         <description><![CDATA[<div>Tenho tanto sentimento<br>Que é frequente persuadir-me<br>De que sou sentimental,<br>Mas reconheço, ao medir-me,<br>Que tudo isso é pensamento,<br>Que não senti afinal.<br><br>Temos, todos que vivemos,<br>Uma vida que é vivida<br>E outra vida que é pensada,<br>E a única vida que temos<br>É essa que é dividida<br>Entre a verdadeira e a errada.<br><br>Qual porém é a verdadeira<br>E qual errada, ninguém<br>Nos saberá explicar;<br>E vivemos de maneira<br>Que a vida que a gente tem<br>É a que tem que pensar.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:32:57 UTC</pubDate>
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         <title>POEMA EM LINHA RETA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639428008</link>
         <description><![CDATA[<div>Nunca conheci quem tivesse levado porrada.<br>Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.<br><br>E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,<br>Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,<br>Indesculpavelmente sujo,<br>Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,<br>Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,<br>Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,<br>Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,<br>Que tenho sofrido enxovalhos e calado,<br>Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;<br>Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,<br>Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,<br>Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,<br>Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado<br>Para fora da possibilidade do soco;<br>Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,<br>Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.<br><br>Toda a gente que eu conheço e que fala comigo<br>Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,<br>Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...<br><br>Quem me dera ouvir de alguém a voz humana<br>Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;<br>Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!<br>Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.<br>Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?<br>Ó príncipes, meus irmãos,<br><br>Arre, estou farto de semideuses!<br>Onde é que há gente no mundo?<br><br>Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?<br><br>Poderão as mulheres não os terem amado,<br>Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!<br>E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,<br>Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?<br>Eu, que venho sido vil, literalmente vil,<br>Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:33:31 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Liberdade</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639428511</link>
         <description><![CDATA[<div>Ai que prazer<br>Não cumprir um dever,<br>Ter um livro para ler<br>E não o fazer!<br>Ler é maçada,<br>Estudar é nada.<br>O sol doira<br>Sem literatura.<br><br>O rio corre, bem ou mal,<br>Sem edição original.<br>E a brisa, essa,<br>De tão naturalmente matinal,<br>Como tem tempo não tem pressa...<br><br>Livros são papéis pintados com tinta.<br>Estudar é uma coisa em que está indistinta<br>A distinção entre nada e coisa nenhuma.<br><br>Quanto é melhor, quando há bruma,<br>Esperar por D. Sebastião,<br>Quer venha ou não!<br><br>Grande é a poesia, a bondade e as danças...<br>Mas o melhor do mundo são as crianças,<br>Flores, música, o luar, e o sol, que peca<br>Só quando, em vez de criar, seca.<br><br>O mais do que isto<br>É Jesus Cristo,<br>Que não sabia nada de finanças<br>Nem consta que tivesse biblioteca...</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:34:15 UTC</pubDate>
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         <title>PRECE</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639428946</link>
         <description><![CDATA[<div>Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.<br><br>Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.<br><br>Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.<br><br>[...]<br><br>Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.<br><br>Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.<br><br>Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:34:54 UTC</pubDate>
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         <title>DEVE CHAMAR TRISTEZA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:35:37 UTC</pubDate>
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         <title>Deve chamar-se tristeza      Isto que não sei que seja       Que me inquieta sem surpresa Saudade que não deseja.    Sim, tristeza - mas aquela   Que nasce de conhecer       Que ao longe está uma estrela E ao perto está não a ter.    Seja o que for, é o que tenho. Tudo mais é tudo só.                E eu deixo ir o pó que apanho De entre as mãos ricas de pó.    </title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:35:59 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O OUTRO</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>só quero<br>o que não<br>o que nunca<br>o inviável<br>o impossível<br><br>não quero<br>o que já<br>o que foi<br>o vencido<br>o plausível<br><br>só quero<br>o que ainda<br>o que atiça<br>o impraticável<br>o incrível<br><br>não quero<br>o que sim<br>o que sempre<br>o sabido<br>o cabível<br><br>eu quero<br>o outro</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:42:43 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Pensando em você</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Hoje eu acordei pensando em você,mais um dia em que eu penso no futuro de nossas vidas,futuro que nem eu nem você sabe,sabe <br>Se nóis estaremos juntos como uma família de lobos ou como uma família de pássaros.<br>Que mesmo com todo amor deixa seus filhotes irem embora.<br>Embora seja possível continuarmos essa nossa jornada,com apertos e aflições eu lhe te digo ,não vai ser fácil continuarmos,mais me de a mão que te mostrarei o caminho mais longo da felicidade,mais longo,porque o mais longo sera o que eu vou poder passar mais tempo junto a ti meu amor,amor meu amor que mi tira do normal todos os dias,todos os minutos em que vivo nessa misera vida.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:43:09 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O Ser diferente</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>mi acho tolo de passar dentre pessoas que mi olham com olhares imundos"Parazitas"olhares que por sua vez escondem por traz dos olhos a grande maldade humana,pessoas que tiram proveito de outras achando que são melhores por ter mais dinheiro ou estar bem vestido,esquecendo que todos somos iguais,sentindo prazer de ver um ser sendo humilhado,desprezado,e excluído do meio da sociedade só por ser 1 SER DIFERENTE.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:44:45 UTC</pubDate>
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         <title>O descaso</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639436194</link>
         <description><![CDATA[<div>hoje mi vejo olhando para os lados e vendo a cena que não sai da mente a dias,uma cena que o governo não assume ser culpa dele,pessoas jogadas em todos os cantos<br>"Descaso humano",pessoas sem moradia,sem alimento,crianças sem estudo,sujas,aos olhos dos grandes,são necessitados,mais aos olhos dos menores são pessoas que não tiveram oportunidade de vida melhor,o governo tem tanta verba para construir estadios dentre outras coisas,porem não tem dinheiro para siquer da uma ajuda a esse povos,que não tem chances de vida,enfim o fim deles sera esse.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:45:33 UTC</pubDate>
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         <title>CHACAL</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639436896</link>
         <description><![CDATA[<div>Ó Cerrado! ó velho de bravura!<br>Ó cruel e implacável vastidão!<br>Que propina solidão ao coração<br>E ao silêncio lágrimas mistura!<br><br>Pois a melancolia, onde é chão<br>Abre em secura, arde a tristura<br>Na quietude tal duma sepultura<br>A dor viva de um atroz bordão!<br><br>Tal o contraste! agridoce figura<br>Aridez, e flores na contramão<br>De saudades no vazio em jura!<br><br>Ó Natureza! Ó Divina criação<br>Alegria e tristeza em conjuntura<br>Nasce a privação e brota a ilusão...<br><br>© Luciano Spagnol<br>poeta do cerrado<br>início de setembro, 2018<br>Cerrado goiano<br>Olavobilaquiando<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:46:36 UTC</pubDate>
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         <title>O chacal ou o cordeiro</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639437332</link>
         <description><![CDATA[<div>“Qual dos dois você quer que eu liberte para você?” Eles disseram: “Barrabás!” - Mateus 27:21<br><br>A multidão se reuniu e eles queriam alguém solto. Nos dias de Jesus, era costume durante a Páscoa que um prisioneiro fosse libertado em comemoração à libertação dos judeus do cativeiro no Egito.<br><br>Pilatos não era noviço político. Então ele deu à turba uma escolha: Aquele que ressuscitou Lázaro dos mortos ou aquele cuja espada provavelmente mandou muitos para uma sepultura prematura. A escolha parecia óbvia. Mas o povo escolheu o assassino Barrabás.<br><br>O domínio da multidão sempre prefere o selvagem, o rebelde, o maníaco. Escolhe os chacais: os Barabbases, os Stalins e os Hitlers do mundo. Rejeita os humildes, os humildes, os servos, os cordeiros.<br><br>E se tivéssemos estado lá? Quem nós teríamos escolhido? Nós gostaríamos de acreditar que teríamos escolhido Jesus. Mas nós? A voz da multidão é tão poderosa. Alguns dias antes do julgamento, a multidão havia gritado: “Hosana ao filho de Davi!” Agora as pessoas gritavam: “Crucifica-o!” A pressão da multidão pode nos confundir, nos assustar e nos levar embora.<br><br>Ó Deus, ajuda-nos. Às vezes, na multidão, apesar de tudo o que sabemos, ainda estamos tentados a escolher o chacal. Ajude-nos a escolher o cordeiro.<br><br>O mundo tentará nos pressionar<br>Para se encaixar em seu molde,<br>Mas com a ajuda de Deus, podemos resistir<br>Se a Sua verdade nos mantivermos. —Sesper<br><br>Para resistir às pressões do mundo, confie no poder do Senhor. David C. Egner</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:47:14 UTC</pubDate>
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         <title>Dez Chamamentos ao Amigo</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639437936</link>
         <description><![CDATA[<div>Se te pareço noturna e imperfeita<br>Olha-me de novo. Porque esta noite<br>Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.<br>E era como se a água<br>desejasse.<br><br>Escapar de sua casa que é o rio<br>E deslizando apenas, nem tocar a margem.<br><br>Te olhei. E há um tempo.<br>Entendo que sou terra. Há tanto tempo<br>Espero<br>Que o teu corpo de água mais fraterno<br>Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta<br><br>Olha-me de novo. Com menos altivez.<br>E mais atento.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:48:11 UTC</pubDate>
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         <title>Aflição</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Aflição de ser eu e não ser outra.<br>Aflição de não ser, amor, aquela<br>Que muitas filhas te deu, casou donzela<br>E à noite se prepara e se adivinha<br>Objeto de amor, atenta e bela.<br><br>Aflição de não ser a grande ilha<br>Que te retém e não te desespera.<br>(A noite como fera se avizinha)<br>Aflição de ser água em meio à terra<br>E ter a face conturbada e móvel.<br>E a um só tempo múltipla e imóvel<br>Não saber se se ausenta ou se te espera.<br>Aflição de te amar, se te comove.<br>E sendo água, amor, querer ser terra.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:49:16 UTC</pubDate>
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         <title>Se Te Pertenço</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639439108</link>
         <description><![CDATA[<div>Se te pertenço, separo-me de mim.<br>Perco meu passo nos caminhos de terra<br>E de Dionísio sigo a carne, a ebriedade.<br>Se te pertenço perco a luz e o nome<br>E a nitidez do olhar de todos os começos:<br>O que me parecia um desenho no eterno<br>Se te pertenço é um acorde ilusório no silêncio.<br><br>E por isso, por perder o mundo<br>Separo-me de mim. Pelo Absurdo.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:49:50 UTC</pubDate>
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         <title>Ama-me</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639439349</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Aos amantes é lícito a voz desvanecida.<br>Quando acordares, um só murmúrio sobre o teu ouvido:<br>Ama-me. Alguém dentro de mim dirá: não é tempo, senhora,<br>Recolhe tuas papoulas, teus narcisos. Não vês<br>Que sobre o muro dos mortos a garganta do mundo<br>Ronda escurecida?<br><br>Não é tempo, senhora. Ave, moinho e vento<br>Num vórtice de sombra. Podes cantar de amor<br>Quando tudo anoitece? Antes lamenta<br>Essa teia de seda que a garganta tece.<br><br>Ama-me. Desvaneço e suplico. Aos amantes é lícito<br>Vertigens e pedidos. E é tão grande a minha fome<br>Tão intenso meu canto, tão flamante meu preclaro tecido<br>Que o mundo inteiro, amor, há de cantar comigo.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:50:13 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A Federico García Lorca</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639440010</link>
         <description><![CDATA[<div>Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada<br>quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu<br>pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu<br>que bebi na tua boca a fúria de umas águas<br>eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei<br>porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.<br>Ah! Se soubesses como ficou difícil a Poesia.<br>Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.<br>E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória<br>e cantar de repente: “os arados van e vên<br>dende a Santiago a Belén”.<br><br>Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto<br>a tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:<br>deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.<br>Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:<br>Mas se está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram<br>Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?<br><br>“El passado se pone<br>su coraza de hierro<br>y tapa sus oídos<br>con algodón del viento.<br>Nunca podrá arrancársele<br>un secreto.”<br><br>E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos<br>azuis, braços e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!<br>Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados<br>de infância, de plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.<br>Companheiro. Que dor de te saber tão morto.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:51:17 UTC</pubDate>
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         <title>Toma-me</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639440634</link>
         <description><![CDATA[<div>Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca<br>Austera. Toma-me AGORA, ANTES<br>Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes<br>Da morte, amor, da minha morte, toma-me<br>Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute<br>Em cadência minha escura agonia.<br><br>Tempo do corpo este tempo, da fome<br>Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,<br>Um sol de diamante alimentando o ventre,<br>O leite da tua carne, a minha<br>Fugidia.<br>E sobre nós este tempo futuro urdindo<br>Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida<br>A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.<br><br>Te descobres vivo sob um jogo novo.<br>Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,<br>Antes do muro, antes da terra, devo<br>Devo gritar a minha palavra, uma encantada<br>Ilharga<br>Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar<br>Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo<br>Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 01:52:19 UTC</pubDate>
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         <title>O DEIXADOR</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639449037</link>
         <description><![CDATA[<div>Eu tenho mania de deixar tudo para depois...<br>Depois a contagem das cartas a responder...<br>Depois a arrumação das coisas...<br>Depois, Adalgisa... Ah,<br>Me lembrar mais uma vez de romper definitivamente com Adalgisa!<br>Depois, tanta, tanta coisa...<br>Depois o testamento as últimas vontades a morte.<br>Só porque vai sempre deixando tudo para depois<br>É que Deus é eterno<br>E o mundo incompleto<br>Inquieto...<br>Só é verdadeiramente vida a que tem um inquieto depois!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:05:38 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>O MAPA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639449715</link>
         <description><![CDATA[<div>(...)<br>Quando eu for, um dia desses,<br>Poeira ou folha levada<br>No vento da madrugada,<br>Serei um pouco do nada<br>Invisível, delicioso</div><div>Que faz com que o teu ar<br>Pareça mais um olhar,<br>Suave mistério amoroso,<br>Cidade de meu andar<br>(Deste já tão longo andar!)</div><div>E talvez de meu repouso...</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:06:42 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639450464</link>
         <description><![CDATA[<div>Na mesma pedra se encontram,<br>Conforme o povo traduz,<br>Quando se nasce - uma estrela,<br>Quando se morre - uma cruz.<br>Mas quantos que aqui repousam<br>Hão de emendar-nos assim:<br>"Ponham-me a cruz no princípio...<br>E a luz da estrela no fim!"</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:07:48 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O POEMA ADORMECIDO</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639451035</link>
         <description><![CDATA[<div>De vez em quando<br>Do fumo do sono<br>Surgem os periscópios dos ouvidos:<br>Parece que além, nas margens,<br>Estão acontecendo misérias...<br>(Os dinossauros mergulham, desinteressados...)</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:08:44 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Quem Sabe um Dia</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639451525</link>
         <description><![CDATA[<div>Quem sabe um dia<br>Quem sabe um seremos<br>Quem sabe um viveremos<br>Quem sabe um morreremos!<br><br>Quem é que<br>Quem é macho<br>Quem é fêmea<br>Quem é humano, apenas!<br><br>Sabe amar<br>Sabe de mim e de si<br>Sabe de nós<br>Sabe ser um!<br><br>Um dia<br>Um mês<br>Um ano<br>Um(a) vida!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:09:30 UTC</pubDate>
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         <title>Canção do dia de sempre</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Tão bom viver dia a dia...<br>A vida assim, jamais cansa...<br><br>Viver tão só de momentos<br>Como estas nuvens no céu...<br><br>E só ganhar, toda a vida,<br>Inexperiência... esperança...<br><br>E a rosa louca dos ventos<br>Presa à copa do chapéu.<br><br>Nunca dês um nome a um rio:<br>Sempre é outro rio a passar.<br><br>Nada jamais continua,<br>Tudo vai recomeçar!<br><br>E sem nenhuma lembrança<br>Das outras vezes perdidas,<br>Atiro a rosa do sonho<br>Nas tuas mãos distraídas...</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:10:42 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.                                 Eles não têm pouso nem porto;alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.                                     E olhas, então, essas tuas mãos vazias,no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... </title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639452791</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:11:21 UTC</pubDate>
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         <title>Tecendo a Manhã</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639454423</link>
         <description><![CDATA[<div>Um galo sozinho não tece uma manhã:<br>ele precisará sempre de outros galos.<br>De um que apanhe esse grito que ele<br>e o lance a outro; de um outro galo<br>que apanhe o grito de um galo antes<br>e o lance a outro; e de outros galos<br>que com muitos outros galos se cruzem<br>os fios de sol de seus gritos de galo,<br>para que a manhã, desde uma teia tênue,<br>se vá tecendo, entre todos os galos.<br><br>E se encorpando em tela, entre todos,<br>se erguendo tenda, onde entrem todos,<br>se entretendendo para todos, no toldo<br>(a manhã) que plana livre de armação.<br>A manhã, toldo de um tecido tão aéreo<br>que, tecido, se eleva por si: luz balão.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:13:41 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>(Morte e Vida Severina - Introdução)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639455045</link>
         <description><![CDATA[<div>— O meu nome é Severino,<br>como não tenho outro de pia.<br>Como há muitos Severinos,<br>que é santo de romaria,<br>deram então de me chamar<br>Severino de Maria<br>como há muitos Severinos<br>com mães chamadas Maria,<br>fiquei sendo o da Maria<br>do finado Zacarias.<br><br>Mais isso ainda diz pouco:<br>há muitos na freguesia,<br>por causa de um coronel<br>que se chamou Zacarias<br>e que foi o mais antigo<br>senhor desta sesmaria.<br><br>Como então dizer quem falo<br>ora a Vossas Senhorias?<br>Vejamos: é o Severino<br>da Maria do Zacarias,<br>lá da serra da Costela,<br>limites da Paraíba.<br><br>Mas isso ainda diz pouco:<br>se ao menos mais cinco havia<br>com nome de Severino<br>filhos de tantas Marias<br>mulheres de outros tantos,<br>já finados, Zacarias,<br>vivendo na mesma serra<br>magra e ossuda em que eu vivia.<br><br>Somos muitos Severinos<br>iguais em tudo na vida:<br>na mesma cabeça grande<br>que a custo é que se equilibra,<br>no mesmo ventre crescido<br>sobre as mesmas pernas finas<br>e iguais também porque o sangue,<br>que usamos tem pouca tinta.<br><br>E se somos Severinos<br>iguais em tudo na vida,<br>morremos de morte igual,<br>mesma morte severina:<br>que é a morte de que se morre<br>de velhice antes dos trinta,<br>de emboscada antes dos vinte<br>de fome um pouco por dia<br>(de fraqueza e de doença<br>é que a morte severina<br>ataca em qualquer idade,<br>e até gente não nascida).<br><br>Somos muitos Severinos<br>iguais em tudo e na sina:<br>a de abrandar estas pedras<br>suando-se muito em cima,<br>a de tentar despertar<br>terra sempre mais extinta,<br><br>a de querer arrancar<br>alguns roçado da cinza.<br>Mas, para que me conheçam<br>melhor Vossas Senhorias<br>e melhor possam seguir<br>a história de minha vida,<br>passo a ser o Severino<br>que em vossa presença emigra.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:14:34 UTC</pubDate>
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         <title>O Cão Sem Plumas</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639455607</link>
         <description><![CDATA[<div><br>A cidade é passada pelo rio<br>como uma rua<br>é passada por um cachorro;<br>uma fruta<br>por uma espada.<br><br>O rio ora lembrava<br>a língua mansa de um cão<br>ora o ventre triste de um cão,<br>ora o outro rio<br>de aquoso pano sujo<br>dos olhos de um cão.<br><br>Aquele rio<br>era como um cão sem plumas.<br>Nada sabia da chuva azul,<br>da fonte cor-de-rosa,<br>da água do copo de água,<br>da água de cântaro,<br>dos peixes de água,<br>da brisa na água.<br><br>Sabia dos caranguejos<br>de lodo e ferrugem.<br><br>Sabia da lama<br>como de uma mucosa.<br>Devia saber dos povos.<br>Sabia seguramente<br>da mulher febril que habita as ostras.<br><br>Aquele rio<br>jamais se abre aos peixes,<br>ao brilho,<br>à inquietação de faca<br>que há nos peixes.<br>Jamais se abre em peixes.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:15:30 UTC</pubDate>
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         <title>O Engenheiro</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639456099</link>
         <description><![CDATA[<div>A luz, o sol, o ar livre<br>envolvem o sonho do engenheiro.<br>O engenheiro sonha coisas claras:<br>Superfícies, tênis, um copo de água.<br><br>O lápis, o esquadro, o papel;<br>o desenho, o projeto, o número:<br>o engenheiro pensa o mundo justo,<br>mundo que nenhum véu encobre.<br><br>(Em certas tardes nós subíamos<br>ao edifício. A cidade diária,<br>como um jornal que todos liam,<br>ganhava um pulmão de cimento e vidro).<br><br>A água, o vento, a claridade,<br>de um lado o rio, no alto as nuvens,<br>situavam na natureza o edifício<br>crescendo de suas forças simples.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:16:12 UTC</pubDate>
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         <title>Cuide bem da natureza</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div><br>Hoje acordei cedo, contemplei mais uma vez a natureza.<br>A chuva fina chegava de mansinho.<br>O encanto e aroma matinal traziam um ar de reflexão.<br>Enquanto isso, o meio ambiente pedia socorro.<br>Era o homem construindo e destruindo a sua casa.<br>Poluição, fome e desperdício deixam o mundo frágil e degradado.<br>Dias mais quentes aquecem o “planeta água”.<br>Tenha um instante com a paz e a harmonia.<br>Reflita e preserve para uma consciência coletiva.<br>Ainda há tempo, cuide bem da natureza.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:16:37 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>No alto</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639457068</link>
         <description><![CDATA[<div>O poeta chegara ao alto da montanha,<br>E quando ia a descer a vertente do oeste,<br>Viu uma cousa estranha,<br>Uma figura má.<br><br>Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,<br>Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,<br>Num tom medroso e agreste<br>Pergunta o que será.<br><br>Como se perde no ar um som festivo e doce,<br>Ou bem como se fosse<br>Um pensamento vão,<br><br>Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.<br>Para descer a encosta<br>O outro lhe deu a mão.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:17:45 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Chanson</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Disse a meu peito, a meu pobre peito:<br>- Não te contentas com um só amante?<br>Pois tu não vês que este mudar constante<br>Gasta em desejos o prazer do amor?<br><br>Ele respondeu: - Não! não me contento;<br>Não me contento com um só amante.<br>Pois tu não vês que este mudar constante<br>Empresta aos gozos um melhor sabor?<br><br>Disse a meu peito, a meu pobre peito:<br>- Não te contentas desta dor errante?<br>Pois tu não vês que este mudar constante<br>A cada passo só nos traz a dor?<br><br>Ele respondeu: - Não! não me contento,<br>Não me contento desta dor errante...<br>Pois tu não vês que este mudar constante<br>Empresta às mágoas um melhor sabor?</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:18:20 UTC</pubDate>
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         <title>AMOR</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Amor, então,<br>também, acaba?<br>Não, que eu saiba.<br>O que eu sei<br>é que se transforma<br>numa matéria-prima<br>que a vida se encarrega<br>de transformar em raiva.<br>Ou em rima.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:19:28 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Dor elegante</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639458679</link>
         <description><![CDATA[<div>Um homem com uma dor<br>É muito mais elegante<br>Caminha assim de lado<br>Como se chegando atrasado<br>Andasse mais adiante<br><br>Carrega o peso da dor<br>Como se portasse medalhas<br>Uma coroa, um milhão de dólares<br>Ou coisa que os valha<br><br>Ópios, édens, analgésicos<br>Não me toquem nessa dor<br>Ela é tudo o que me sobra<br>Sofrer vai ser a minha última obra</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:20:18 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A LUA FOI AO CINEMA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639459123</link>
         <description><![CDATA[<div>A lua foi ao cinema,<br>passava um filme engraçado,<br>a história de uma estrela<br>que não tinha namorado.<br><br>Não tinha porque era apenas<br>uma estrela bem pequena,<br>dessas que, quando apagam,<br>ninguém vai dizer, que pena!<br><br>Era uma estrela sozinha,<br>ninguém olhava para ela,<br>e toda a luz que ela tinha<br>cabia numa janela.<br><br>A lua ficou tão triste<br>com aquela história de amor,<br>que até hoje a lua insiste:<br>- Amanheça, por favor!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:20:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Além Alma(uma grama depois)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639463640</link>
         <description><![CDATA[<div>Meu coração lá longe<br>faz sinal que quer voltar<br>Já no peito trago em bronze<br>NÃO HÁ VAGA NEM LUGAR<br>Pra que me serve esse negócio<br>que não cessa de bater?<br>Mais parece um relógio<br>que acabar de enlouquecer<br>Pra que é que eu quero quem chora,<br>se estou tão bm assim,<br>e o vazio que vai lá lá fora<br>cai macio dentro de mim?</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:27:28 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>PROFISSÃO DE FEBRE</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639463923</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:27:53 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>PROFISSÃO DE FEBRE</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639463993</link>
         <description><![CDATA[<div>quando chove,<br>eu chovo,<br>faz sol,<br>eu faço,<br>de noite,<br>anoiteço,<br>tem deus,<br>eu rezo,<br>não tem,<br>esqueço,<br>chove de novo,<br>de novo, chovo,<br>assobio no vento,<br>daqui me vejo,<br>lá vou eu,<br>gesto no movimento</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:27:59 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>ASAS E AZARES</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639465362</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:29:38 UTC</pubDate>
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         <title>ASAS E AZARES</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639465413</link>
         <description><![CDATA[<div>Voar com asa ferida?<br>Abram alas quando eu falo.<br>Que mais foi que fiz na vida?<br>Fiz, pequeno, quando o tempo<br>estava todo do meu lado<br>e o que se chama passado,<br>passatempo, pesadelo,<br>só me existia nos livros.<br>Fiz, depois, dono de mim,<br>quando tive que escolher<br>entre um abismo, o começo,<br>e essa história sem fim.<br>Asa ferida, asa ferida,<br>meu espaço, meu herói.<br>A asa arde. Voar, isso não dói.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:29:42 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A Outra Noite</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639465606</link>
         <description><![CDATA[<div>Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.<br><br>Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:<br><br>-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?<br><br>Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.<br><br>-Mas, que coisa...<br><br>Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.<br><br>-Ora, sim senhor...<br><br>E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:30:01 UTC</pubDate>
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         <title>EU TE AMO… NÃO DIZ TUDO!</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639466083</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?<br><br>A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.<br><br>Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida.<br><br>Que zela pela sua felicidade,<br>Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo.<br><br>Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,<br>E que dá uma sacudida em você quando for preciso.<br><br>Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás.<br><br>É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,<br>E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.<br><br>Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.<br><br>Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.<br>Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.<br><br>Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,<br>Sem inventar um personagem para a relação,<br>Pois, personagem nenhum se sustenta muito tempo.<br><br>Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;<br>Quem não levanta a voz, mas fala;<br>Quem não concorda, mas escuta.<br><br>Agora, sente-se e escute: eu te amo não diz tudo!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:30:50 UTC</pubDate>
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         <title>O importante da amizade</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639466559</link>
         <description><![CDATA[<div>O importante da amizade não é conhecer o amigo;<br>e sim saber o que há dentro dele!...<br><br>Cada amigo novo que ganhamos na vida, nos aperfeiçoa<br>e enriquece, não pelo que nos dá, mas pelo<br>quanto descobrimos de nós mesmos.<br><br>Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras,<br>sentimentos que se solidificam no tempo<br>e não se apagam jamais.<br><br>O amigo revela, desvenda, conforta.<br>É uma porta sempre aberta em qualquer situação.<br><br>O amigo na hora certa, é sol ao<br>meio-dia, estrela na escuridão.<br><br>O amigo é bússola e rota no oceano,<br>porto seguro da tripulação.<br><br>O amigo é o milagre do calor humano<br>que Deus opera no coração.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:31:39 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>O importante da amizade</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639467085</link>
         <description><![CDATA[<div>O importante da amizade não é conhecer o amigo;<br>e sim saber o que há dentro dele!...<br><br>Cada amigo novo que ganhamos na vida, nos aperfeiçoa<br>e enriquece, não pelo que nos dá, mas pelo<br>quanto descobrimos de nós mesmos.<br><br>Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras,<br>sentimentos que se solidificam no tempo<br>e não se apagam jamais.<br><br>O amigo revela, desvenda, conforta.<br>É uma porta sempre aberta em qualquer situação.<br><br>O amigo na hora certa, é sol ao<br>meio-dia, estrela na escuridão.<br><br>O amigo é bússola e rota no oceano,<br>porto seguro da tripulação.<br><br>O amigo é o milagre do calor humano<br>que Deus opera no coração.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:32:30 UTC</pubDate>
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         <title>Tempo Certo</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/639467377</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 02:32:57 UTC</pubDate>
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         <title>Com licença poética</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640062091</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Quando nasci um anjo esbelto,<br>desses que tocam trombeta, anunciou:<br>vai carregar bandeira.<br>Cargo muito pesado pra mulher,<br>esta espécie ainda envergonhada.<br>Aceito os subterfúgios que me cabem,<br>sem precisar mentir.<br>Não tão feia que não possa casar,<br>acho o Rio de Janeiro uma beleza e<br>ora sim, ora não, creio em parto sem dor.<br>Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos<br>— dor não é amargura.<br>Minha tristeza não tem pedigree,<br>já a minha vontade de alegria,<br>sua raiz vai ao meu mil avô.<br>Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.<br><br></div><div><br>Mulher é desdobrável. Eu sou.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:36:38 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Alfândega</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:37:33 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640063807</link>
         <description><![CDATA[O que pude oferecer sem mácula foi
meu choro por beleza ou cansaço,
um dente exraizado,
o preconceito favorável a todas as formas
do barroco na música e o Rio de Janeiro
que visitei uma vez e me deixou suspensa.
‘Não serve’, disseram. E exigiram
a língua estrangeira que não aprendi,
o registro do meu diploma extraviado
no Ministério da Educação, mais taxa sobre vaidade
nas formas aparente, inusitada e capciosa — no que
estavam certos — porém dá-se que inusitados e capciosos
foram seus modos de detectar vaidades.
Todas as vezes que eu pedia desculpas diziam:
‘Faz-se de educado e humilde, por presunção’,
e oneravam os impostos, sendo que o navio partiu
enquanto nos confundíamos.
Quando agarrei meu dente e minha viagem ao Rio,
pronto a chorar de cansaço, consumaram:
‘Fica o bem de raiz pra pagar a fiança’.
Deixei meu dente.
Agora só tenho três reféns sem mácula.]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:38:10 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Momento</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640065095</link>
         <description><![CDATA[<div>Enquanto eu fiquei alegre,<br>permaneceram um bule azul com um descascado no bico,<br>uma garrafa de pimenta pelo meio,<br>um latido e um céu limpidíssimo<br>com recém-feitas estrelas.<br>Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,<br>constituindo o mundo pra mim, anteparo<br>para o que foi um acometimento:<br>súbito é bom ter um corpo pra rir<br>e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo<br>alegre do que triste. Melhor é ser.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:39:00 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>A formalística</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640065594</link>
         <description><![CDATA[<div>O poeta cerebral tomou café sem açúcar<br>e foi pro gabinete concentrar-se.<br>Seu lápis é um bisturi<br>que ele afia na pedra,<br>na pedra calcinada das palavras,<br>imagem que elegeu porque ama a dificuldade,<br>o efeito respeitoso que produz<br>seu trato com o dicionário.<br>Faz três horas que já estuma as musas.<br>O dia arde. Seu prepúcio coça.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:39:28 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title> Fragmento</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640066096</link>
         <description><![CDATA[<div>Bem-aventurado o que pressentiu<br>quando a manhã começou:<br>não vai ser diferente da noite.<br>Prolongados permanecerão o corpo sem pouso,<br>o pensamento dividido entre deitar-se primeiro<br>à esquerda ou à direita<br>e mesmo assim anunciou o paciente ao meio-dia:<br>algumas horas e já anoitece, o mormaço abranda,<br>um vento bom entra nessa janela.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:39:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Motivo</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640067135</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Eu canto porque o instante existe<br>e a minha vida está completa.<br>Não sou alegre nem sou triste:<br>sou poeta.<br><br></div><div><br>Irmão das coisas fugidias,<br>não sinto gozo nem tormento.<br>Atravesso noites e dias<br>no vento.<br><br></div><div><br>Se desmorono ou se edifico,<br>se permaneço ou me desfaço,<br>— não sei, não sei. Não sei se fico<br>ou passo.<br><br></div><div><br>Sei que canto. E a canção é tudo.<br>Tem sangue eterno a asa ritmada.<br>E um dia sei que estarei mudo:<br>— mais nada.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:40:49 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Ou isto ou aquilo</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640067649</link>
         <description><![CDATA[<div>Ou se tem chuva e não se tem sol,<br>ou se tem sol e não se tem chuva!<br><br>Ou se calça a luva e não se põe o anel,<br>ou se põe o anel e não se calça a luva!<br><br>Quem sobe nos ares não fica no chão,<br>quem fica no chão não sobe nos ares.<br><br>É uma grande pena que não se possa<br>estar ao mesmo tempo nos dois lugares!<br><br>Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,<br>ou compro o doce e gasto o dinheiro.<br><br>Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…<br>e vivo escolhendo o dia inteiro!<br><br>Não sei se brinco, não sei se estudo,<br>se saio correndo ou fico tranquilo.<br><br>Mas não consegui entender ainda<br>qual é melhor: se é isto ou aquilo.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:41:15 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Despedida</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640068232</link>
         <description><![CDATA[<div>Por mim, e por vós, e por mais aquilo<br>que está onde as outras coisas nunca estão,<br>deixo o mar bravo e o céu tranquilo:<br>quero solidão.<br><br>Meu caminho é sem marcos nem paisagens.<br>E como o conheces? - me perguntarão.<br>- Por não ter palavras, por não ter imagens.<br>Nenhum inimigo e nenhum irmão.<br><br>Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.<br>Viajo sozinha com o meu coração.<br>Não ando perdida, mas desencontrada.<br>Levo o meu rumo na minha mão.<br><br>A memória voou da minha fronte.<br>Voou meu amor, minha imaginação...<br>Talvez eu morra antes do horizonte.<br>Memória, amor e o resto onde estarão?<br><br>Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.<br>(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!<br>Estandarte triste de uma estranha guerra...)<br><br>Quero solidão.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:41:45 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Retrato</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640068988</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Eu não tinha este rosto de hoje,<br>Assim calmo, assim triste, assim magro,<br>Nem estes olhos tão vazios,<br>Nem o lábio amargo.<br><br></div><div><br>Eu não tinha estas mãos sem força,<br>Tão paradas e frias e mortas;<br>Eu não tinha este coração<br>Que nem se mostra.<br><br></div><div><br>Eu não dei por esta mudança,<br>Tão simples, tão certa, tão fácil:<br>— Em que espelho ficou perdida<br>a minha face?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:42:20 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Encomenda</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640069422</link>
         <description><![CDATA[<div>Desejo uma fotografia<br>como esta — o senhor vê? — como esta:<br>em que para sempre me ria<br>como um vestido de eterna festa.<br><br>Como tenho a testa sombria,<br>derrame luz na minha testa.<br>Deixe esta ruga, que me empresta<br>um certo ar de sabedoria.<br><br>Não meta fundos de floresta<br>nem de arbitrária fantasia...<br>Não... Neste espaço que ainda resta,<br>ponha uma cadeira vazia.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:42:43 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Reinvenção</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640070009</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:43:11 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Reinvenção</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640070134</link>
         <description><![CDATA[<div>A vida só é possível<br>reinventada.<br><br>Anda o sol pelas campinas<br>e passeia a mão dourada<br>pelas águas, pelas folhas...<br>Ah! tudo bolhas<br>que vem de fundas piscinas<br>de ilusionismo... — mais nada.<br><br>Mas a vida, a vida, a vida,<br>a vida só é possível<br>reinventada.<br><br>Vem a lua, vem, retira<br>as algemas dos meus braços.<br>Projeto-me por espaços<br>cheios da tua Figura.<br>Tudo mentira! Mentira<br>da lua, na noite escura.<br><br>Não te encontro, não te alcanço...<br>Só — no tempo equilibrada,<br>desprendo-me do balanço<br>que além do tempo me leva.<br>Só — na treva,<br>fico: recebida e dada.<br><br>Porque a vida, a vida, a vida,<br>a vida só é possível<br>reinventada.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:43:17 UTC</pubDate>
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         <title>A bailarina</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640070734</link>
         <description><![CDATA[<div>Esta menina<br>tão pequenina<br>quer ser bailarina.<br>Não conhece nem dó nem ré<br>mas sabe ficar na ponta do pé.<br><br>Não conhece nem mi nem fá<br>Mas inclina o corpo para cá e para lá<br><br>Não conhece nem lá nem si,<br>mas fecha os olhos e sorri.<br><br>Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar<br>e não fica tonta nem sai do lugar.<br><br>Põe no cabelo uma estrela e um véu<br>e diz que caiu do céu.<br><br>Esta menina<br>tão pequenina<br>quer ser bailarina.<br><br>Mas depois esquece todas as danças,<br>e também quer dormir como as outras crianças.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:43:47 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Elegia</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640071351</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Neste mês, as cigarras cantam<br>e os trovões caminham por cima da terra,<br>agarrados ao sol.<br>Neste mês, ao cair da tarde, a chuva corre pelas montanhas,<br>e depois a noite é mais clara,<br>e o canto dos grilos faz palpitar o cheiro molhado do chão.<br><br></div><div><br>Mas tudo é inútil,<br>porque os teus ouvidos estão como conchas vazias,<br>e a tua narina imóvel<br>não recebe mais notícias<br>do mundo que circula no vento.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:44:17 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>As meninas</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640071983</link>
         <description><![CDATA[<div>Arabela<br>abria a janela.<br><br>Carolina<br>erguia a cortina.<br><br>E Maria<br>olhava e sorria:<br>“Bom dia!”<br><br>Arabela<br>foi sempre a mais bela.<br><br>Carolina,<br>a mais sábia menina.<br><br>E Maria<br>apenas sorria:<br>“Bom dia!”<br><br>Pensaremos em cada menina<br>que vivia naquela janela;<br><br>uma que se chamava Arabela,<br>uma que se chamou Carolina.<br><br>Mas a profunda saudade<br>é Maria, Maria, Maria,<br><br>que dizia com voz de amizade:<br>“Bom dia!”</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:44:49 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Aninha e Suas Pedras</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640074010</link>
         <description><![CDATA[<div>Não te deixes destruir…<br>Ajuntando novas pedras<br>e construindo novos poemas.<br>Recria tua vida, sempre, sempre.<br>Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.<br>Faz de tua vida mesquinha<br>um poema.<br>E viverás no coração dos jovens<br>e na memória das gerações que hão de vir.<br>Esta fonte é para uso de todos os sedentos.<br>Toma a tua parte.<br>Vem a estas páginas<br>e não entraves seu uso<br>aos que têm sede.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:46:33 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Saber Viver</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640074452</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:46:55 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Mulher da Vida</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640075111</link>
         <description><![CDATA[<div>Mulher da Vida,<br>Minha irmã.<br>De todos os tempos.<br>De todos os povos.<br>De todas as latitudes.<br>Ela vem do fundo imemorial das idades<br>e carrega a carga pesada<br>dos mais torpes sinônimos,<br>apelidos e ápodos:<br>Mulher da zona,<br>Mulher da rua,<br>Mulher perdida,<br>Mulher à toa.<br>Mulher da vida,<br>Minha irmã.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:47:27 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Ofertas de Aninha (Aos moços)</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640075638</link>
         <description><![CDATA[<div>Eu sou aquela mulher<br>a quem o tempo<br>muito ensinou.<br>Ensinou a amar a vida.<br>Não desistir da luta.<br>Recomeçar na derrota.<br>Renunciar a palavras e pensamentos negativos.<br>Acreditar nos valores humanos.<br>Ser otimista.<br>Creio numa força imanente<br>que vai ligando a família humana<br>numa corrente luminosa<br>de fraternidade universal.<br>Creio na solidariedade humana.<br>Creio na superação dos erros<br>e angústias do presente.<br>Acredito nos moços.<br>Exalto sua confiança,<br>generosidade e idealismo.<br>Creio nos milagres da ciência<br>e na descoberta de uma profilaxia<br>futura dos erros e violências<br>do presente.<br>Aprendi que mais vale lutar<br>do que recolher dinheiro fácil.<br>Antes acreditar do que duvidar.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:47:55 UTC</pubDate>
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         <title>Becos de Goiás</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640076189</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Becos da minha terra...<br>Amo tua paisagem triste, ausente e suja.<br>Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.<br>Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.<br>E a réstia de sol que ao meio-dia desce fugidia,<br>e semeias polmes dourados no teu lixo pobre,<br>calçando de ouro a sandália velha, jogada no monturo.<br><br></div><div><br>Amo a prantina silenciosa do teu fio de água,<br>Descendo de quintais escusos sem pressa,<br>e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.<br>Amo a avenca delicada que renasce<br>Na frincha de teus muros empenados,<br>e a plantinha desvalida de caule mole<br>que se defende, viceja e floresce<br>no agasalho de tua sombra úmida e calada<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:48:26 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Meu Destino</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640076730</link>
         <description><![CDATA[<div>Nas palmas de tuas mãos<br>leio as linhas da minha vida.<br>Linhas cruzadas, sinuosas,<br>interferindo no teu destino.<br>Não te procurei, não me procurastes –<br>íamos sozinhos por estradas diferentes.<br>Indiferentes, cruzamos<br>Passavas com o fardo da vida…<br>Corri ao teu encontro.<br>Sorri. Falamos.<br>Esse dia foi marcado<br>com a pedra branca<br>da cabeça de um peixe.<br>E, desde então, caminhamos<br>juntos pela vida…</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:48:57 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Ressalva</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640077451</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Este livro foi escrito<br>por uma mulher<br>que no tarde da Vida<br>recria a poetiza sua própria<br>Vida.<br><br></div><div><br>Este livro<br>foi escrito por uma mulher<br>que fez a escalada da<br>Montanha da Vida<br>removendo pedras<br>e plantando flores.<br><br></div><div><br>Este livro:<br>Versos... Não.<br>Poesia... Não.<br>Um modo diferente de contar velhas estórias.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:49:30 UTC</pubDate>
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         <title>Todas as Vidas</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640078013</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Vive dentro de mim<br>uma cabocla velha<br>de mau-olhado,<br>acocorada ao pé do borralho,<br>olhando para o fogo.<br>Benze quebranto.<br>Bota feitiço...<br>Ogum. Orixá.<br>Macumba, terreiro.<br>Ogã, pai de santo...<br><br></div><div><br>Vive dentro de mim<br>a lavadeira do Rio Vermelho.<br>Seu cheiro gostoso<br>d'água e sabão.<br>Rodilha de pano.<br>Trouxa de roupa,<br>pedra de anil.<br>Sua coroa verde de são-caetano.<br><br></div><div><br>Vive dentro de mim<br>a mulher cozinheira.<br>Pimenta e cebola.<br>Quitute benfeito.<br>Panela de barro.<br>Taipa de lenha.<br>Cozinha antiga<br>toda pretinha.<br>Bem cacheada de picumã.<br>Pedra pontuda.<br>Cumbuco de coco.<br>Pisando alho-sal.<br><br></div><div><br>Vive dentro de mim<br>a mulher do povo.<br>Bem proletária.<br>Bem linguaruda,<br>desabusada, sem preconceitos,<br>de casca-grossa,<br>de chinelinha,<br>e filharada.<br><br></div><div><br>Vive dentro de mim<br>a mulher roceira.<br>- Enxerto da terra,<br>meio casmurra.<br>Trabalhadeira.<br>Madrugadeira.<br>Analfabeta.<br>De pé no chão.<br>Bem parideira.<br>Bem criadeira.<br>Seus doze filhos<br>Seus vinte netos.<br><br></div><div><br>Vive dentro de mim<br>a mulher da vida.<br>Minha irmãzinha...<br>Fingindo alegre seu triste fado.<br><br></div><div><br>Todas as vidas dentro de mim:<br>Na minha vida -<br>a vida mera das obscuras.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:50:00 UTC</pubDate>
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         <title>Cora Coralina, Quem É Você?</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640078845</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Sou mulher como outra qualquer.<br>Venho do século passado<br>e trago comigo todas as idades.<br><br></div><div><br>Nasci numa rebaixa de serra<br>entre serras e morros.<br>"Longe de todos os lugares".<br>Numa cidade de onde levaram<br>o ouro e deixaram as pedras.<br><br></div><div><br>Junto a estas decorreram<br>a minha infância e adolescência.<br><br></div><div><br>Aos meus anseios respondiam<br>as escarpas agrestes.<br>E eu fechada dentroda imensa serrania<br>que se azulava na distância<br>longínqua.<br><br></div><div><br>Numa ânsia de vida eu abria<br>o vôo nas asas impossíveis<br>do sonho.<br><br></div><div><br>Venho do século passado.<br>Pertenço a uma geração<br>ponte, entre a libertação<br>dos escravos e o trabalhador livre.<br>Entre a monarquia<br>caída e a república<br>que se instalava.<br><br></div><div><br>Todo o ranço do passado era<br>presente.<br>A brutalidade, a incompreensão,<br>a ignorância, o carrancismo.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:50:36 UTC</pubDate>
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         <title>Homem comum</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640080971</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Sou um homem comum<br>de carne e de memória<br>de osso e esquecimento.<br>Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião<br>e a vida sopra dentro de mim<br>pânica<br>feito a chama de um maçarico<br>e pode<br>subitamente<br>cessar.<br><br></div><div><br>Sou como você<br>feito de coisas lembradas<br>e esquecidas<br>rostos e<br>mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia<br>em Pastos-Bons,<br>defuntas alegrias flores passarinhos<br>facho de tarde luminosa<br>nomes que já nem sei<br><br></div><div><strong><em><br></em></strong><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:52:29 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title> Traduzir-se</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640081803</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Uma parte de mim<br>é todo mundo:<br>outra parte é ninguém:<br>fundo sem fundo.<br><br></div><div><br>Uma parte de mim<br>é multidão:<br>outra parte estranheza<br>e solidão.<br><br></div><div><br>Uma parte de mim<br>pesa, pondera:<br>outra parte delira.<br><br></div><div><br>Uma parte de mim<br>almoça e janta:<br>outra parte<br>se espanta.<br><br></div><div><br>Uma parte de mim<br>é permanente:<br>outra parte<br>se sabe de repente.<br><br></div><div><br>Uma parte de mim<br>é só vertigem:<br>outra parte,<br>linguagem.<br><br></div><div><br>Traduzir uma parte<br>na outra parte<br>– que é uma questão<br>de vida ou morte –<br>será arte?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:53:11 UTC</pubDate>
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         <title>No mundo há muitas armadilhas</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640082376</link>
         <description><![CDATA[<div><br>No mundo há muitas armadilhas<br>e o que é armadilha pode ser refúgio<br>e o que é refúgio pode ser armadilha<br><br></div><div><br>Tua janela por exemplo<br>aberta para o céu<br>e uma estrela a te dizer que o homem é nada<br>ou a manhã espumando na praia<br>a bater antes de Cabral, antes de Troia<br>(há quatro séculos Tomás Bequimão<br>tomou a cidade, criou uma milícia popular<br>e depois foi traído, preso, enforcado)<br><br></div><div><br>No mundo há muitas armadilhas<br>e muitas bocas a te dizer<br>que a vida é pouca<br>que a vida é louca<br>E por que não a Bomba? te perguntam.<br>Por que não a Bomba para acabar com tudo, já que a vida é louca?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:53:43 UTC</pubDate>
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         <title>Uma fotografia aérea</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640082979</link>
         <description><![CDATA[<div>Eu devo ter ouvido aquela tarde<br>um avião passar sobre a cidade<br>aberta como a palma da mão<br>entre palmeiras<br>e mangues<br>vazando no mar o sangue de seus rios<br>as horas<br>do dia tropical<br>aquela tarde vazando seus esgotos seus mortos<br>seus jardins<br>eu devo ter ouvido<br>aquela tarde<br>em meu quarto?<br>na sala? no terraço<br>ao lado do quintal?<br>o avião passar sobre a cidade</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:54:15 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Como dois e dois são quatro</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640083532</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Como dois e dois são quatro<br>sei que a vida vale a pena<br>embora o pão seja caro<br>e a liberdade pequena<br><br></div><div><br>Como teus olhos são claros<br>e a tua pele, morena<br><br></div><div><br>como é azul o oceano<br>e a lagoa, serena<br><br></div><div><br>como um tempo de alegria<br>por trás do terror me acena<br><br></div><div><br>e a noite carrega o dia<br>no seu colo de açucena<br><br></div><div><br>- sei que dois e dois são quatro<br>sei que a vida vale a pena<br><br></div><div><br>mesmo que o pão seja caro<br>e a liberdade, pequena.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:54:39 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Extravio</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640084113</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Onde começo, onde acabo,<br>se o que está fora está dentro<br>como num círculo cuja<br>periferia é o centro?<br><br></div><div><br>Estou disperso nas coisas,<br>nas pessoas, nas gavetas:<br>de repente encontro ali<br>partes de mim: risos, vértebras.<br><br></div><div><br>Estou desfeito nas nuvens:<br>vejo do alto a cidade<br>e em cada esquina um menino,<br>que sou eu mesmo, a chamar-me.<br><br></div><div><br>Extraviei-me no tempo.<br>Onde estarão meus pedaços?<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:55:08 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Maio 1964</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640084575</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Na leiteria a tarde se reparte<br>em iogurtes, coalhadas, copos<br>de leite<br>e no meu espelho meu rosto. São<br>quatro horas da tarde, em maio.<br><br></div><div><br>Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo<br>a vida<br>que é cheia de crianças, de flores<br>e mulheres, a vida,<br>esse direito de estar no mundo,<br>ter dois pés e mãos, uma cara<br>e a fome de tudo, a esperança.<br>Esse direito de todos<br>que nenhum ato<br>institucional ou constitucional<br>pode cassar ou legar.<br><br></div><div><br>Mas quantos amigos presos!<br>quantos em cárceres escuros<br>onde a tarde fede a urina e terror.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:55:33 UTC</pubDate>
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         <title>Cantiga para não morrer</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640085002</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Quando você for se embora,<br>moça branca como a neve,<br>me leve.<br><br></div><div><br>Se acaso você não possa<br>me carregar pela mão,<br>menina branca de neve,<br>me leve no coração.<br><br></div><div><br>Se no coração não possa<br>por acaso me levar,<br>moça de sonho e de neve,<br>me leve no seu lembrar.<br><br></div><div><br>E se aí também não possa<br>por tanta coisa que leve<br>já viva em seu pensamento,<br>menina branca de neve,<br>me leve no esquecimento.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:55:58 UTC</pubDate>
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         <title> A poesia</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640085549</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Onde está<br>a poesia? indaga-se<br>por toda parte. E a poesia<br>vai à esquina comprar jornal.<br><br></div><div><br>Cientistas esquartejam Púchkin e Baudelaire.<br>Exegetas desmontam a máquina da linguagem.<br>A poesia ri.<br><br></div><div><br>Baixa-se uma portaria: é proibido<br>misturar o poema com Ipanema.<br>O poeta depõe no inquérito:<br>meu poema é puro, flor<br>sem haste, juro!<br>Não tem passado nem futuro.<br>Não sabe a fel nem sabe a mel:<br>é de papel.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:56:26 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Os sapos</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640087017</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Enfunando os papos,<br>Saem da penumbra,<br>Aos pulos, os sapos.<br>A luz os deslumbra.<br><br></div><div><br>Em ronco que aterra,<br>Berra o sapo-boi:<br>- "Meu pai foi à guerra!"<br>- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".<br><br></div><div><br>O sapo-tanoeiro,<br>Parnasiano aguado,<br>Diz: - "Meu cancioneiro<br>É bem martelado.<br><br></div><div><br>Vede como primo<br>Em comer os hiatos!<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:57:45 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Pneumotórax</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640087545</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.<br>A vida inteira que podia ter sido e que não foi.<br>Tosse, tosse, tosse.<br><br></div><div><br>Mandou chamar o médico:<br>— Diga trinta e três.<br>— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…<br>— Respire.<br><br></div><div><br>— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.<br>— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?<br>— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:58:13 UTC</pubDate>
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         <title>O último poema</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640088055</link>
         <description><![CDATA[<div>Assim eu queria o meu último poema<br>Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais<br>Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas<br>Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume<br>A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos<br>A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:58:42 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Vou-me embora para Passárgada</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640088477</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Vou-me embora pra Pasárgada<br>Lá sou amigo do rei<br>Lá tenho a mulher que eu quero<br>Na cama que escolherei<br><br></div><div><br>Vou-me embora pra Pasárgada<br>Vou-me embora pra Pasárgada<br>Aqui eu não sou feliz<br>Lá a existência é uma aventura<br>De tal modo inconsequente<br>Que Joana a Louca de Espanha<br>Rainha e falsa demente<br>Vem a ser contraparente<br>Da nora que nunca tive<br><br></div><div><br>E como farei ginástica<br>Andarei de bicicleta<br>Montarei em burro brabo<br>Subirei no pau-de-sebo<br>Tomarei banhos de mar!<br>E quando estiver cansado<br>Deito na beira do rio<br>Mando chamar a mãe-d’água<br>Pra me contar as histórias<br>Que no tempo de eu menino<br>Rosa vinha me contar<br>Vou-me embora pra Pasárgada<br><br></div><div><br>Em Pasárgada tem tudo<br>É outra civilização<br>Tem um processo seguro<br>De impedir a concepção<br>Tem telefone automático<br>Tem alcaloide à vontade<br>Tem prostitutas bonitas<br>Para a gente namorar<br><br></div><div><br>E quando eu estiver mais triste<br>Mas triste de não ter jeito<br>Quando de noite me der<br>Vontade de me matar<br>— Lá sou amigo do rei —<br>Terei a mulher que eu quero<br>Na cama que escolherei<br>Vou-me embora pra Pasárgada.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:59:08 UTC</pubDate>
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         <title>Teresa</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>A primeira vez que vi Teresa<br>Achei que ela tinha pernas estúpidas<br>Achei também que a cara parecia uma perna<br><br>Quando vi Teresa de novo<br>Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo<br>(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)<br><br>Da terceira vez não vi mais nada<br>Os céus se misturaram com a terra<br>E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 14:59:35 UTC</pubDate>
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         <title>O impossível carinho</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo<br>Quero apenas contar-te a minha ternura<br>Ah se em troca de tanta felicidade que me dás<br>Eu te pudesse repor<br>-Eu soubesse repor -<br>No coração despedaçado<br>As mais puras alegrias de tua infância!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:00:00 UTC</pubDate>
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         <title>Poética</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640090728</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Estou farto do lirismo comedido<br>Do lirismo bem comportado<br>Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente<br>protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.<br>Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o<br>cunho vernáculo de um vocábulo.<br>Abaixo os puristas<br><br></div><div><br>Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais<br>Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção<br>Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis<br><br></div><div><br>Estou farto do lirismo namorador<br>Político<br>Raquítico<br>Sifilítico<br>De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora<br>de si mesmo<br>De resto não é lirismo<br>Será contabilidade tabela de co-senos secretário<br>do amante exemplar com cem modelos de cartas<br>e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.<br><br></div><div><br>Quero antes o lirismo dos loucos<br>O lirismo dos bêbados<br>O lirismo difícil e pungente dos bêbedos<br>O lirismo dos clowns de Shakespeare<br><br></div><div><br>– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:00:49 UTC</pubDate>
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         <title>Arte de amar</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.<br>A alma é que estraga o amor.<br>Só em Deus ela pode encontrar satisfação.<br>Não noutra alma.<br>Só em Deus – ou fora do mundo.<br><br>As almas são incomunicáveis.<br><br>Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.<br><br>Porque os corpos se entendem, mas as almas não.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:00:54 UTC</pubDate>
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         <title>Desencanto</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div><br>Eu faço versos como quem chora<br>De desalento… de desencanto…<br>Fecha o meu livro, se por agora<br>Não tens motivo nenhum de pranto.<br><br></div><div><br>Meu verso é sangue. Volúpia ardente…<br>Tristeza esparsa… remorso vão…<br>Dói-me nas veias. Amargo e quente,<br>Cai, gota a gota, do coração.<br><br></div><div><br>E nestes versos de angústia rouca,<br>Assim dos lábios a vida corre,<br>Deixando um acre sabor na boca.<br>— Eu faço versos como quem morre.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:02:08 UTC</pubDate>
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         <title>Consoada</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640093093</link>
         <description><![CDATA[<div>Quando a Indesejada das gentes chegar<br>(Não sei se dura ou caroável),<br>talvez eu tenha medo.<br>Talvez sorria, ou diga:<br>— Alô, iniludível!<br>O meu dia foi bom, pode a noite descer.<br>(A noite com os seus sortilégios.)<br>Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,<br>A mesa posta,<br>Com cada coisa em seu lugar.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:03:05 UTC</pubDate>
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         <title>Porquinho-da-Índia</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/640123405</link>
         <description><![CDATA[<div>Quando eu tinha seis anos<br>Ganhei um porquinho-da-índia.<br>Que dor de coração me dava<br>Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!<br>Levava ele prá sala<br>Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos<br>Ele não gostava:<br>Queria era estar debaixo do fogão.<br>Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…<br><br></div><div>— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-25 15:26:52 UTC</pubDate>
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         <title>Canção Final</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
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         <description><![CDATA[<div>Oh! se te amei, e quanto!<br>Mas não foi tanto assim.<br>Até os deuses claudicam<br>em nugas de aritmética.<br>Meço o passado com régua<br>de exagerar as distâncias.<br>Tudo tão triste, e o mais triste<br>é não ter tristeza alguma.<br>É não venerar os códigos<br>de acasalar e sofrer.<br>É viver tempo de sobra<br>sem que me sobre miragem.<br>Agora vou-me. Ou me vão?<br>Ou é vão ir ou não ir?<br>Oh! se te amei, e quanto,<br>quer dizer, nem tanto assim.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:02:00 UTC</pubDate>
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         <title>Para Sempre</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641272333</link>
         <description><![CDATA[<div>Por que Deus permite<br>que as mães vão-se embora?<br>Mãe não tem limite,<br>é tempo sem hora,<br>luz que não apaga<br>quando sopra o vento<br>e chuva desaba,<br>veludo escondido<br>na pele enrugada,<br>água pura, ar puro,<br>puro pensamento.<br>Morrer acontece<br>com o que é breve e passa<br>sem deixar vestígio.<br>Mãe, na sua graça,<br>é eternidade.<br>Por que Deus se lembra<br>— mistério profundo —<br>de tirá-la um dia?<br>Fosse eu Rei do Mundo,<br>baixava uma lei:<br>Mãe não morre nunca,<br>mãe ficará sempre<br>junto de seu filho<br>e ele, velho embora,<br>será pequenino<br>feito grão de milho.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:04:11 UTC</pubDate>
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         <title>Quadrilha</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641293766</link>
         <description><![CDATA[<div>João amava Teresa que amava Raimundo<br>que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili,<br>que não amava ninguém.<br>João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br>Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br>Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br>que não tinha entrado na história.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:32:43 UTC</pubDate>
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         <title>No Meio do Caminho</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641295241</link>
         <description><![CDATA[<div>No meio do caminho tinha uma pedra<br>tinha uma pedra no meio do caminho<br>tinha uma pedra<br>no meio do caminho tinha uma pedra.<br>Nunca me esquecerei desse acontecimento<br>na vida de minhas retinas tão fatigadas.<br>Nunca me esquecerei que no meio do caminho<br>tinha uma pedra<br>tinha uma pedra no meio do caminho<br>no meio do caminho tinha uma pedra.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:34:57 UTC</pubDate>
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         <title>Poema de Sete Faces</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641296346</link>
         <description><![CDATA[<div>Quando nasci, um anjo torto<br>desses que vivem na sombra<br>disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.<br><br></div><div>As casas espiam os homens<br>que correm atrás de mulheres.<br>A tarde talvez fosse azul,<br>não houvesse tantos desejos.<br><br></div><div>O bonde passa cheio de pernas:<br>pernas brancas pretas amarelas.<br>Para que tanta perna, meu Deus,<br>pergunta meu coração.<br>Porém meus olhos<br>não perguntam nada.<br><br></div><div>O homem atrás do bigode<br>é sério, simples e forte.<br>Quase não conversa.<br>Tem poucos, raros amigos<br>o homem atrás dos óculos e do bigode.<br><br></div><div>Meu Deus, por que me abandonaste<br>se sabias que eu não era Deus<br>se sabias que eu era fraco.<br><br></div><div>Mundo mundo vasto mundo,<br>se eu me chamasse Raimundo<br>seria uma rima, não seria uma solução.<br>Mundo mundo vasto mundo,<br>mais vasto é meu coração.<br><br></div><div>Eu não devia te dizer<br>mas essa lua<br>mas esse conhaque<br>botam a gente comovido como o diabo.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:36:50 UTC</pubDate>
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         <title>Tarde de Maio</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641296637</link>
         <description><![CDATA[<div>Como esses primitivos que carregam por toda parte o<br>maxilar inferior de seus mortos,<br>assim te levo comigo, tarde de maio,<br>quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,<br>outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,<br>surdamente lavrava sob meus traços cômicos,<br>e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes<br>e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma<br>nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza<br>sem fruto.<br><br></div><div>Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,<br>colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.<br>Eu nada te peço a ti, tarde de maio,<br>senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,<br>sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de<br>converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém<br>que, precisamente, volve o rosto e passa…<br>Outono é a estação em que ocorrem tais crises,<br>e em maio, tantas vezes, morremos.<br><br></div><div>Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,<br>já então espectrais sob o aveludado da casca,<br>trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres<br>com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro<br>fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,<br>sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.<br><br></div><div>E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito<br>lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.<br>Nem houve testemunha.<br><br></div><div>Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.<br>Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?<br>Se morro de amor, todos o ignoram<br>e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.<br>O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;<br>não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória<br>das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,<br>perdida no ar, por que melhor se conserve,<br>uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:37:18 UTC</pubDate>
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         <title>Ausência</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/641296910</link>
         <description><![CDATA[<div>Por muito tempo achei que a ausência é falta.<br>E lastimava, ignorante, a falta.<br>Hoje não a lastimo.<br>Não há falta na ausência.<br>A ausência é um estar em mim.<br>E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,<br>que rio e danço e invento exclamações alegres,<br>porque a ausência, essa ausência assimilada,<br>ninguém a rouba mais de mim.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-06-26 18:37:46 UTC</pubDate>
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         <title>108 POESIAS DE JOSÉ CORIOLANO DE SOUZA LIMA</title>
         <author>leiturapedrocia</author>
         <link>https://padlet.com/leiturapedrocia/flhgerqf67211riv/wish/658014398</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-07-20 01:53:19 UTC</pubDate>
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