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      <title>Mapa do Mediterrâneo Antigo (Turma 31) by Daniel Lula Costa</title>
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      <description>Mapa desenvolvido pelos discentes do curso de História da UEM (2023) na disciplina de História Antiga II, com base na temática &quot;Mediterrâneo Antigo Global&quot;. Coordenado pelo professor Daniel Lula Costa.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-03-26 14:46:15 UTC</pubDate>
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         <title>c. 1184 a.C.: Guerra de Troia</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>A Guerra de Troia foi um conflito lendário, possivelmente ocorrido no século XII AEC, envolvendo gregos e troianos. É uma das histórias mais famosas da Antiguidade, imortalizada na Ilíada de Homero.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:16 UTC</pubDate>
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         <title>c. 814 a.C.: Fundação de Cartago</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[A fundação de Cartago por colonos fenícios, estabelecendo uma poderosa cidade-estado comercial no norte da África.]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:17 UTC</pubDate>
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         <title>509 a.C.: Surgimento da República de Roma</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>Emergência da República de Roma após o fim da monarquia. Este evento marca o início de um dos impérios da Antiguidade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:19 UTC</pubDate>
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         <title>776 a.C.: Primeiros Jogos Olímpicos</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:20 UTC</pubDate>
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         <title>146 a.C.: Fim das Guerras Púnicas</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>A derrota de Cartago nas Guerras Púnicas estabeleceu a hegemonia de Roma no Mediterrâneo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:20 UTC</pubDate>
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         <title>c. 283 a.C.: Construção da Grande Biblioteca de Alexandria</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[A construção da Grande Biblioteca de Alexandria, um dos maiores centros de conhecimento do mundo antigo.]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:21 UTC</pubDate>
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         <title>336-323 a.C.: Alexandre, o Grande</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>A expansão do Império Macedônio sob o comando de Alexandre, o Grande, alcançou terras longínquas. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:22 UTC</pubDate>
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         <title>594 a.C.: Reformas de Sólon</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[As reformas de Sólon em Atenas estabelecem as fundações para a democracia.]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 14:46:24 UTC</pubDate>
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         <title>Cartago e o comércio no Mar Mediterrâneo</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>CIDADE DE CARTAGO</strong></p><p>&nbsp;</p><p>De origem fenícia e localizada no litoral norte da África, em território atualmente pertencente à Tunísia, Cartago foi o centro do comércio no Mediterrâneo e uma das mais ricas e importantes cidades do período compreendido pela História Antiga: – “O nome Cartago equivale ao nome fenício Kart Hadasht, que significa “cidade nova” (MOKHTAR, 2010, p. 476). “De início, uma monarquia, como sua cidade-mãe, Cartago tornou-se uma oligarquia e, provavelmente, já no século III a.C., uma democracia. A Arqueologia nos mostra os cartagineses controlando, através de cidades e <em>emporia</em>, a maioria dos pontos de tráfego da região” (Guarinello, 2015, p. 268). No auge de seu império, Cartago expandiu seus domínios sobre a margem africana do Mar Mediterrâneo, e conquistou territórios nas penínsulas Itálica e Ibérica, com possessões na Sicília e na Espanha.</p><p>&nbsp;</p><p>No entanto, não há muitos vestígios arqueológicos ou fontes históricas que permitam detalhar a história dessa importante civilização do mundo antigo, pois “quase todas as informações nos vêm de gregos e romanos, povos que tiveram como seus piores inimigos os fenícios do oeste, particularmente aqueles que estavam sob o comando de Cartago” (MOKHTAR, 2010, p. 473). As escassas fontes históricas que restaram estão em documentos epigráficos sobre as Guerras Púnicas e fragmentos literários do historiador romano Cássio Dio, que viveu entre 155 e 235 d.C, ou de Diodoro de Sicília, historiador grego que viveu no século I a.C., sendo que as duas principais fontes que permitem obter informação sobre os eventos que ocorreram entre os séculos III e II a.C. e que envolveram Cartago são as narrativas do historiador grego Políbio, que viveu entre 203 e 120 a.C., e o escritor romano Tito Lívio, que viveu entre 59 e 17 a.C. (Garraffoni, 2006).</p><p>De acordo com Guarinello (2015), Cartago foi organizada na forma de uma pólis, com fortes elementos religiosos em sua cultura, como o sacrifício de bebês aos deuses. Fazendo uso de relatos de gregos que visitaram Cartago, o cronista Diodoro da Sicília<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="#_ftn2">[2]</a> (<em>apud </em>Villarrubia, 2010, p. 1), descreve uma cidade semeada de jardins e pomares, canalizados e regados, com casas de campo que transpareciam a riqueza dos proprietários, com cultivo de vinhedos e oliveiras, pastos ocupados por manadas de bois, ovelhas e cavalos de pastoreiro, povoados ricos e abastecidos com mercadorias que permitiam que os habitantes desfrutassem dos prazeres da vida.</p><p>Devido a destruição causada pelos romanos após a Terceira Guerra Púnica, não é possível reconstituir imagens exatas de como seria a arquitetura da cidade. Os poucos vestígios que restaram permitem atestar que a arquitetura tinha influência egípcia e grega e, segundo Silva (2008), a cidade era protegida por fortificações e muralhas, que deveriam abrigar grandes tropas em sua defesa, além de existirem na cidade áreas destinadas para funções urbanas, como &nbsp;portos, cofre para o tesouro e arquivo público, habitação, santuários com templos, praça de comércio, necrópoles e tribunal para julgamentos, além um distrito aparentemente agrícola e separado do resto por uma muralha, chamado&nbsp;<em>Megara</em>.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>O COMÉRCIO CARTAGINÊS NO MEDITERRÂNEO</strong></p><p>&nbsp;</p><p>Os gregos e os romanos consideravam, segundo Mokhtar (2010, p. 481), que “Cartago era mais dependente do comércio do que qualquer outra cidade, e a ideia que eles faziam do cartaginês típico era a de um negociante”, pois os “cartagineses eram, acima de tudo, comerciantes, e parecem ter centrado sua atenção na mineração e na produção de peixes em conserva. Mas seus navegadores eram polivalentes e aparecem em todo o Mediterrâneo ocidental – e mesmo além” (Guarinello, 2015, p. 268).</p><p>De acordo com Silva (2008, p. 129), “Cartago é o sítio do Mediterrâneo Ocidental que demonstra a maior diversidade no fluxo comercial, desde o século VII até sua destruição em 146 a.C.”. Dentre os produtos comercializados por Cartago, pode-se destacar os tecidos fenícios tingidos na cor púrpura (roxo), que eram tidos como sinal de riqueza e prestígio. Feitos de lã ou de linho, os tecidos eram tingidos a partir de um pigmento extraído de moluscos mediterrânicos encontrados na região do Levante, num processo complicado e demorado, que elevava o preço. Além disso, tinham domínio na metalurgia, fabricavam ligas de ouro e outros metais, fabricavam armas, objetos de vidro e cerâmica, e tinham o monopólio do comércio de algumas das matérias-primas mais valorizadas da época, como marfim e pedras preciosas. A atuação comercial dos cartagineses no Mediterrâneo Ocidental criou canais de comércio lucrativos, como a importação de cerâmicas e exportação do excedente agrícola, e a importação, principalmente da Itália e da Espanha, de produtos como vinho e azeite (Silva, 2008).</p><p>&nbsp;&nbsp;</p><p><strong>GUERRAS PÚNICAS CONTRA ROMA PELO CONTROLE COMERCIAL NO MAR MEDITERRÂNEO</strong></p><p>&nbsp;</p><p>Devido ao domínio que exercia nas rotas comerciais no Mar Mediterrâneo, os cartagineses travaram batalhas com diversos povos pela hegemonia do comércio na região. Uma das disputas travadas pela hegemonia no Mediterrâneo envolveu as duas maiores potências do século III a.C., Cartago e Roma. “Conquistando o sul da península, logo Roma entra em contato com os cartagineses e cerca de uma década depois iniciam-se os primeiros conflitos que desencadeariam as três Guerras Púnicas” (Garraffoni, 2006, p. 52), que, de forma muito resumida, pode-se destacar o seguinte:</p><p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.): resultado da disputa entre Roma e Cartago pelo controle marítimo do Mediterrâneo e da ilha da Sicília. Roma consegue reverter a desvantagem imposta pela poderosa frota marítima de Cartago, e vence o conflito, conseguindo o domínio das rotas de comércio no Mediterrâneo.</p><p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.): motivada pelo ódio e vingança cartaginesa contra Roma em relação aos tributos impostos pela derrota na Primeira Guerra Púnica e a disputa das colônias ibéricas. Um personagem importante deste conflito foi o general cartaginês Anibal, que tentou invadir e conquistar Roma por terra, partindo da península Ibérica e passando pelos montes Pirineus, levando um exército que contava com a utilização de elefantes africanos para a guerra. Anibal chegou a invadir o território romano e obter vitórias, mas teve que recuar para defender Cartago do ataque da frota romana, onde foi vencido.</p><p>·&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C.): com a vitória na Segunda Guerra Púnica, Roma impôs a Cartago uma pesada indenização, que foi paga muito antes do previsto pelos romanos. Isso causou a indignação romana, principalmente entre os membros influentes do Senado, que impuseram novas sanções contra os cartagineses, ocasionando o conflito que trouxe a derrota final de Cartago. A cidade foi destruída e o solo foi salgado pelos romanos, para nada mais fosse produzido naquelas terras.</p><p>&nbsp;</p><p>Apesar de possuir uma frota muito poderosa, Cartago não dispunha de um grande exército, e praticava a contratação de mercenários, principalmente líbios, para compor a sua força militar. Desse modo, o exército cartaginês não tinha a mesma identificação com a pátria e nem desfrutava dos privilégios de cidadania como os membros da elite econômica romana, que “detinham o poder militar e também exerciam funções importantes no governo e na administração dos territórios conquistados. (...) Cabe destacar, ainda, a presença dos tribunos da plebe, magistrados que tinham poder de veto sobre a decisão do Senado” (Garraffoni, 2006, p. 50). Esse fator contribuiu tanto para a derrota contra os romanos quanto para o surgimento de deserções e rebeliões internas, que desviavam a atenção e recursos que poderiam ser utilizados em outras frentes de combate.</p><p>&nbsp;</p><p><em>Alan André Aparecido Bezerra</em></p><p><br/></p><p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p><p>&nbsp;</p><p>GARRAFFONI, Renata Senna. Guerras Púnicas. <em>In: </em>MAGNOLI, Demétrio. História das guerras. 3. ed., São Paulo : Contexto, 2006, p. 47-76.</p><p>&nbsp;</p><p>GUARINELLO, Norberto Luiz. Hegemonias. <em>In: </em><strong>Ensaios sobre História Antiga.</strong> Tese de livre docência. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade de São Paulo/USP. São Paulo, 2015, p.255-282.</p><p>&nbsp;</p><p>MOKHTAR, Gamal (editor). História geral da África II: África antiga. 2. ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010.</p><p>&nbsp;</p><p>SILVA, José G. R. Cartago: arqueologia e representações. Revista Em Tempo de Histórias. Programa de Pós-Graduação em História (PPG-HIS) da Universidade de Brasília (UnB). nº 13., Brasília: UnB, 2008, p. 124-147.</p><p>&nbsp;</p><p>VILLARRUBIA, Pablo. Conheça Cartago, a civilização que rivalizou com gregos e romanos. Revisado por Izabel Duva Rapoport. Revista Aventuras na História. Seção Matérias/civilizações, publicado em 02 nov. 2010. </p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:03:30 UTC</pubDate>
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         <title>Vasos Geométricos Gregos</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>O que é Arte Geométrica?&nbsp;</strong></p><p>&nbsp;</p><p>Define-se como a forma de arte produzida em materiais de cerâmica produzidos na Grécia antiga, em cujas formas utilizadas predominam traços geométricos. A arte geométrica em vasos poderiam ser meras ornamentações, usando traços, círculos ou quadrados, ou representações de coisas da vida cotidiana, como a natureza ou ações humanas. A divisão cronológica desse período de produção de vasos grego é a seguinte: Proto-Geométrico, Geométrico Antigo, Geométrico Médio e Geométrico Recente.&nbsp;</p><p><br/></p><p><strong>Como definimos a idade de um vaso grego?</strong></p><p>&nbsp;</p><p>Para descobrirmos e categorizarmos o período em que a cerâmica foi produzida, podemos analisar de duas maneiras, a primeira é observando os desenhos inscritos no vaso, por exemplo, um vaso com um meandro simples hachurado obliquamente é uma característica de vasos do período Geométrico Antigo, já uma linha com pontos e motivos vegetais como uma característica do Geométrico Médio e a introdução de figuras humanas e espirais como características do Geométrico Recente (Souza, 2015). Outra forma de se identificar o período de fabricação de um vaso é pela análise de sua cor, vasos com tons mais beges e rosados, são típicos do começo da era geométrica, no Proto-Geométrico e Geométrico Antigo, são os tons mais esverdeados ou acinzentados típicos dos períodos do Geométrico Médio e Geométrico Recente.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><strong>O estudo da arte geométrica</strong></p><p>&nbsp;</p><p>A partir dos anos de 1960, há um entusiasmo acerca da compreensão desse período de produção de cerâmica na Grécia e suas representações geométricas, resultando na sua denominação como Período Geométrico, e em seus recortes, como o Proto-Geométrico, Geométrico Antigo, Geométrico Médio e Geométrico Recente.&nbsp;Autores da época, Ahlberg e Coldstream, buscavam na análise desses artefatos, entender a mensagem e as informações não visíveis embutida neles, como os zigue-zagues como representação de ondas ou rios, quadrados e retângulos como rochas e plantas, e nas cerâmicas figuradas, compreender os papeis de gênero e figuras de autoridade e/ou admiração. A partir dessas manifestações culturais do período geométrico é possível compreender a sociedade grega da época. Autores analisaram esse período e trouxeram inúmeras interpretações sobre a arte material produzida na época. Coldstream, importante arqueólogo, afirma&nbsp;que a arte geométrica era apenas representacional e trazia significados gerais acerca do cotidiano da vida grega, e seria uma expressão artística geral e sem personalidade (Coldstream, 1976). Boardman, concordava com Coldstream e também afirmava que as cerâmicas geométricas traziam informações generalizantes, sem marcador de região, porém, reiterou que durante o final do Período Geométrico as cerâmicas traziam já sinais de personalidade. Snodgrass, complementa Coldstream e Boardman, e diz que algumas imagens geométricas, em alguns poucos casos, podem sim formar uma narrativa acerca de um fato ou um mito, mesmo antes do período citado por Boardman (Boardman, 1964). As ideias desses autores podem acabar levando a leituras equivocadas sobre a arte do período, como a comparação de arte geométrica com a arte naturalista micênica, sendo a geométrica uma arte que antecede a arte naturalista, dando um teor evolucionista, o que deve ser problematizado, pois a Arte Geométrica, assim como a naturalista, buscam representar o mundo a sua volta, porém, cada uma a sua maneira.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>A Arte Geométrica</strong></p><p>&nbsp;</p><p>Os estudos acerca dessa forma de decorar vasos, em que predominam figuras geométricas, é dividido de duas formas, a primeira seria as artes não figuradas, que é a classificação dada a cerâmicas que não possuem representações de figuras cotidianas, mas somente ornamentos feitos com linhas, círculos, semicírculos, suásticas, zigue-zague, entre outros. Já as cerâmicas figuradas, seriam aquelas em que há a representação de algo cotidiano, como folhas, árvores, flores, animais e humanos.&nbsp;</p><p>As cerâmicas tinham como objetivo a simples representação da realidade, utilizando de formas simples, porém, complexamente ornamentadas. Por muito tempo eram encontradas somente cerâmicas não figuradas, mas durante o período Geométrico Médio há uma mudança. Cerâmicas figuradas ressurgem, evento interpretado por Boardman e Coldstream, como o retorno da narrativa na produção cerâmica grega.</p><p>A produção dessa arte geométrica está totalmente ligada às manifestações da sociedade da época, durante muito tempo autores privilegiaram as interpretações das cerâmicas pelo viés estético e esqueceram do papel funcional desses objetos e como ele diz muito sobre a vida e hábitos dessa população, assim, menosprezando o ponto de vista social da análise sob o objeto.&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Arte Geométrica e sociedade</strong></p><p>&nbsp;</p><p>As manifestações de uma sociedade, suas demandas e anseios, estão totalmente ligadas à produção material, como é o caso das cerâmicas geométricas gregas, tendo determinados propósitos e funções nessa sociedade, sendo vetor de relações humanas. Para compreender essa arte, é necessário entender o contexto em que a arte é criada, as condições históricas e o contexto social.&nbsp;</p><p>Os vasos poderiam representar paisagens do ambiente onde foi criado, como folhas, rios e animais, e também mitos e estórias épicas, existindo vasos que trazem representações da Ilíada, além de cerâmicas que representavam eventos históricos como batalhas e guerras.</p><p>As técnicas empregadas e os estilos usados são fruto tanto de uma tradição, e suas mudanças, essas que marcam períodos, pode vir de um aprimoramento artístico, quanto da demanda por parte de quem consumia, evidenciando a importância das manifestações sociais por detrás da execução de um vaso, e o quão primordial é dar atenção a esses contextos e não somente as figuras nos vasos, como se elas fossem apenas frutos da imaginação pura.</p><p>&nbsp;</p><p>Duéris Gustavo de Oliveira Zanella</p><p><strong>&nbsp;</strong></p><p><strong>Referências</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong></p><p>DE SOUZA, Camila Diogo. A Arte Geométrica grega: considerações sobre a análise dos motivos figurados do repertório iconográfico geométrico argivo (c. 900 a 700 aC).&nbsp;<strong>CALÍOPE</strong>: <strong>Presença Clássica</strong>, v. 1, n. 29, 2015.</p><p>SARIAN, Haiganuch. Mito e imagística nos Vasos Gregos.&nbsp;<strong>PHOÎNIX</strong>, v. 5, n. 1, p. 163-175, 1999.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:05:20 UTC</pubDate>
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         <title>“FESTIVAL DA EMBRIAGUEZ NO EGITO”</title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934154591</link>
         <description><![CDATA[<p>"A festa da embriaguez foi denominada dessa maneira por alguns estudiosos, Como a egiptóloga americana Betsy Bryan escavou o Templo de Mut Karnak (1470 a.C.) e descobriu evidências de que o Festival da Embriaguez era celebrado no Novo Reino.</p><p>A história que se conta é a seguinte: o grande deus Rá, o deus Sol, era um dos deuses mais importantes na religião dos egípcios. Rá estava descontente com a maldade sem fim da humanidade, e também pelos questionamentos dos homens sobre a sua autoridade como governante, Rá decidiu punir toda a humanidade. Escolhe para a missão a sua filha Hathor. Hathor, tomaria a forma de Sekhmet, que era, corpo de mulher e cabeça de leoa, Sekhmet cumpriu com muito entusiasmo e crueldade, despedaçando as pessoas e bebendo seu sangue.</p><p>Os outros deuses, no entanto, mostraram para Rá que, se Sekhmet persistir, não haverá</p><p>mais humanos para oferecer sacrifícios ou adorar os deuses e, além disso, nenhum para transmitir a lição que a punição de Rá deveria ensinar. O deus Rá temendo não sobrar ninguém para lhe adorar, resolveu voltar atrás, mas Sekhmet já havia tomado gosto pela matança. Rá,</p><p>sabendo do gosto da filha por sangue, tingiu sete mil litros de cerveja de vermelho e depois despejou tudo nos campos. Sekhmet viu a cerveja e achando que era sangue humano começa a beber, embriaga-se, e acaba dormindo, ela acorda como Hathor, uma mulher bela e gentil. Ela</p><p>volta para casa do seu pai Rá, deixando os humanos em paz.</p><p>O Festival da Embriaguez era dedicado a deusa Hathor-Sekhmet, filha do deus Rá. E comemorava o tempo em que a humanidade foi salva pela cerveja. Era realizado logo após o início do ano egípcio — que na antiguidade ocorria no segundo semestre do nosso calendário — porque, de acordo com o mito, a chegada de Hathor-Sekhmet ao Egito correspondia com a Estação Aket, ou seja, a subida das águas do Nilo. Hathor representava para os egípcios</p><p>à música, à dança, à alegria, à embriaguez, e também a fertilidade. Sekhmet a sua outra face, representava guerra e destruição (Sobrenome do autor que corrrobora essas informações, ano de publicação).</p><p>As pessoas se vestiam com suas melhores roupas e joias, se lambuzavam com óleos perfumados, cantavam e dançavam. À beira do Nilo, os fiéis se reuniam para aguardar a chegada de Hathor. Ela era representada em uma pequena barca, acompanhada por um sacerdote que</p><p>oferecia cerveja vermelha em um recipiente para oferecer à deusa.</p><p>No pátio do templo, a cerimônia avançava para o próximo estágio, envolvendo as bolas de barro. Essas bolas, representando os olhos dos inimigos da deusa, não tinham conotação sexual. Figuras importantes, como o faraó, se presente, usava um bastão grande para destruí3</p><p>las ou tocá-las simbolicamente (Sobrenome do autor, ano de publicação).</p><p>Depois de bater nas bolas, o faraó voltava pra casa e a festa de verdade começava. Com pouca comida, muito vinho e cerveja, e um único objetivo: ficar bêbado em homenagem à deusa. E vinha um sacerdote do faraó que dizia: “Sim, vamos beber e comer do banquete! Vamos nos regozijar, regozijar e regozijar de novo! Que Bastet (outro nome de Hathor) esteja a nossos pés. Vamos nos embriagar por ela em seu festival da embriaguez. Deixe-o beber, deixe-o comer, deixe-o “ter relações sexuais”. (Forsyth, 2018, p. 34).</p><p>Ungidos em óleo, sob o céu estrelado e embriagados, eles praticavam sexo ali mesmo no saguão do templo, conhecido como "Salão das Idas ao Charco" (Forsyth,2018, p.33). Estranho para nós, talvez, mas no festival, engravidar não era um problema. As crianças concebidas no caos inebriante eram admiradas e até se orgulhavam de sua origem. Um homem chamado Kenherkhepeshef até mesmo ergueu um monumento a si mesmo para celebrar isso. Ele relatou: "Fui concebido no pátio, próximo a Meniset... Comi o pão dos sacerdotes, caminhei no Vale das Rainhas, passei a noite no saguão". (Forsyth, 2018, p. 34)</p><p>Um problema crônico na orgia era o vômito dos embriagados. Era comum haver muitas poças de vômito, pois para os egípcios, de alguma forma, o vômito era considerado uma necessidade religiosa (sobrenome, ano). Eles até adicionavam ervas eméticas à cerveja para evitar que as pessoas não conseguissem ingerir toda a bebida sem devolvê-la. E após beberem, vomitarem e transararem com desconhecidos, eles dormiam.</p><p>Algumas pessoas no festival não se embebedavam; ao invés disso, esperavam para ajudar os embriagados. Eles começavam a tocar instrumentos, era um crescente de tambores, pandeiros e sistros, com o intuito de acordar todos os foliões enquanto ainda estavam embriagados. Esse momento de epifania mística era a razão do festival, proporcionando uma experiência única e intensa da presença da deusa, impossível de se obter em uma tarde sóbria qualquer. Nesse momento de perfeita comunhão, qualquer desejo dirigido à deusa será concedido, embora muitos possam esquecer o que desejavam pedir.</p><p>E de acordo com o estudioso Forsyth ele afirma que: “Quando estiverem bêbados, vão ver a deusa Por meio do recipiente. Beba muito. Coma muito. beba, coma, cante, embriague-se”. (Forsyth,2018, p.37)</p><p>Após o festival, todos voltavam para casa para lidar com a ressaca, mas a jornada pela sobrevivência ainda não tinha acabado. Outras festas religiosas, buscando por uma boa colheita ou pelo fortalecimento da vida, ainda estavam por vir, e uma delas foi justamente essa tratada neste verbete, denominada pelos estudiosos como “Festival da Embriaguez”.</p><p><br/></p><p>Fábio Rogério Soriano Guimarães </p><p>Natalino Soares Albuquerque</p><p><br/></p><p>Referências</p><p><br/></p><p>FORSYTH, Mark. Uma Breve História da Bebedeira. São Paulo: Companhia das letras, 2018.</p><p>GRAVES-BROWN, C. Dancing for Hathor: Women in Ancient Egypt. Bloomsbury Egypt. Bloomsbury Academic, 2010.</p><p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2023/08/01/sexo-grupal-e-cerveja-a-vontade-como-era-o-festival-da-embriaguez-no-egito.htm">https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2023/08/01/sexo-grupal-e-cerveja-a-vontade-como-era-o-festival-da-embriaguez-no-egito.htm</a></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:08:00 UTC</pubDate>
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         <title>Os Fenícios, Suas Navegações e Impactos no Mediterrâneo</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>Os estudos relativos à expansão marítima, especificamente a fenícia no Ocidente Mediterrânico, seguiram por uma direção diferente, devido uma reanálise dos dados fornecidos pela arqueologia e por fontes textuais, algo que resultou em novas teses sobre a exploração e expansão marítima do povo fenício. Designados como “fenícios” os povos de língua semita norte-ocidental, que habitam a costa sírio-libanesa, assentaram-se posteriormente por toda a bacia do Mediterrâneo, implementando postos comerciais, sendo os mais estrategicamente importantes, os localizados em Cartago no norte da África, e diretamente através dos estreitos na Sicília.</p><p>&nbsp;</p><p>A densidade populacional dos fenícios era significativa, com comunidades dispersas em aldeias que mantinham conexões políticas e econômicas com as cidades onde as sedes das dinastias locais estavam localizadas. As principais cidades eram: Arwad, Biblos, Sidon e Tiro e as cidades consideradas menos importantes eram: Siannu e Usnu no extremo norte, Sumura e Arqa entre Arwad e Biblos, Sarepta entre Sidon e Tiro, Ushu e Akko ao sul de Tiro.</p><p>&nbsp;</p><p>Em que pese o início da história dos fenícios e sua individualidade etnocultural se situem por volta de 1200 AEC, isso não necessariamente demonstra que eles tivessem chegado à região nesse momento, tampouco que tenham iniciado uma nova forma de organização, conforme defendem tradições do período clássico. Pelo contrário, os fenícios do período do Ferro descendem diretamente dos que habitavam a mesma região durante o período do Bronze.</p><p>&nbsp;</p><p>Com a motivação de expandir suas rotas comerciais e garantir recursos valiosos, os fenícios estabeleceram colônias ao longo das costas do Mediterrâneo e a sua habilidade para construir navios, especialmente os galés, permitiu-lhes dominar as rotas comerciais e estabelecer uma rede de intercâmbio que conectava o mundo antigo.</p><p>&nbsp;</p><p>As embarcações fenícias, conhecidas por sua excelência na construção naval, desempenharam um papel primordial na expansão marítima e no comércio dessa civilização antigamente influente. Os fenícios eram mestres na arte de navegar, e suas embarcações eram admiradas por sua robustez, agilidade e capacidade de navegação em águas costeiras e oceânicas.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;Ressalta-se a criação das embarcações intituladas de: Birreme, Mercante, Galeão e Barco de Pesca.</p><p>&nbsp;</p><p>O birreme, embarcação de guerra que dominava os mares na Antiguidade, era caracterizada por seus dois bancos de remos, um de cada lado, que impulsionavam a embarcação com força e velocidade impressionantes. Equipado com velas e um esporão de bronze na proa, o birreme era um verdadeiro monstro marinho, pronto para abalroar e afundar seus inimigos. Com cerca de 30 metros de comprimento e 5 metros de largura, o birreme era uma embarcação imponente para a época. Sua grande tripulação, composta por cerca de 120 homens, incluindo remadores, marinheiros e guerreiros, permitia que a embarcação fosse operada com eficiência e manobras complexas.</p><p>&nbsp;</p><p>O mercante era uma embarcação robusta e espaçosa, com um casco largo e velas imponentes que lhe permitiam transportar grandes quantidades de carga. Navegando sob a benção de Poseidon, o deus dos mares, o mercante era o cavalo de carga do mundo antigo, conectando diferentes culturas e impulsionando a economia. O tamanho do mercante podia variar consideravelmente, mas geralmente ficava entre 20 e 40 metros de comprimento. Sua tripulação, composta por cerca de 20 a 30 homens, incluindo marinheiros e navegadores experientes, era responsável por operar a embarcação com maestria e enfrentar os desafios do mar.</p><p>O galeão era uma embarcação de guerra de grande porte, ostentando múltiplos bancos de remos (até três) que impulsionavam a embarcação com força colossal. Equipado com velas e um esporão de bronze na proa, o galeão era um leviatã dos mares, capaz de afundar navios inimigos com um único golpe. Com tamanho que podia chegar a 50 metros de comprimento e 10 metros de largura, o galeão era uma embarcação imponente que inspirava temor e admiração. Sua tripulação, composta por centenas de homens, incluindo remadores, marinheiros, guerreiros e arqueiros, permitia que a embarcação fosse operada com eficiência e bravura inigualáveis.</p><p>&nbsp;</p><p>Já a embarcação pesqueira ou barco de pesca, com seu tamanho menor e leveza, era um anjo do mar que nutria as cidades fenícias. Movida por velas e remos, essa embarcação era a alma da pesca costeira e da coleta de recursos marinhos, garantindo a subsistência e o desenvolvimento da civilização. O tamanho da embarcação pesqueira variava consideravelmente, mas geralmente ficava entre 10 e 20 metros de comprimento. Essa adaptabilidade permitia que embarcações de diferentes portes operassem em diversos locais, desde enseadas abrigadas até águas mais abertas.</p><p>&nbsp;</p><p>Tais embarcações eram destinadas à expansão marítima fenícia, auxiliando na obtenção de matérias primas como metais preciosos, madeira, tecidos e especiarias, produtos considerados altamente valorizados em toda a região mediterrânea, impactou significativamente na disseminação de ideias, culturas e tecnologias.</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;<em>Gabriella de Oliveira Raimondi <br>Diego Cadasqueves Freitas</em></p><p>&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;</strong></p><p><strong>REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong></p><p>AUBET,&nbsp; M. E. The Phoenicians and the west: Politics, and trade. Cambridge university press. 2001.<br>BARRECA, F. Glass in the ancient world. Novos Publications. 1985.<br>BIKAI, P. M. The Phoenicians. British Museum Press. 1978.<br>CASSON, L. The ancient mariners. Princeton university press. 1965.<br>DREWS, R. The phoenicians of Lebanon. The institute for palestine studies. 1974.<br>FRAHM, E. Phoenicians and other semitic speakers in eastern mediterranean texts from the first millenium B.C.E. Eisenbrauns. 2001.<br>HARRIS, W.V. The ancient egyptian alphabet. Brill. 1995.<br>LIVERANI, M. The phoenicians and the west: phoenician colonies and their cultural impact. Cambridge university press.&nbsp; 2004.<br>MUHLY, J. D. Copperfield and tin: the discovery of the metal age. Princeton university press. 1985.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:10:33 UTC</pubDate>
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         <title>Rômulo e Remo </title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934162490</link>
         <description><![CDATA[<p>Os mitos fazem parte da memória coletiva e criam a identidade cultural da sociedade. Este, em específico, tenta explicar o processo de fundação de Roma. Há várias referências ao fundador e a fundação da cidade de Roma.</p><p>As origens romanas se estabeleceram por volta do século VIII A.C., mas os relatos só foram aparecer pelo menos 5 séculos mais tarde. Um dos grandes historiadores da época, Tito Livio (59 a.C. – 17 d.C) escreveu em a Ab Urbe o mito sobre os irmãos Romulo e Remo e o desenvolvimento da cidade.</p><p>O livro de Lívio Tito, “A História de Roma” quebrou o padrão dos historiadores da antiguidade greco-romana, que escreviam monografias sobre uma única guerra ou apenas um evento. “A história romana é então apenas um capítulo, o capítulo mais glorioso segundo Dionísio de Halicarnasso” (Fromentin e Schnable, 1990, pp. 6-7).</p><p>Conforme a narrativa de Tito Lívio, afirma-se que quando Procas, rei da Alba Longa, faleceu, um de seus filhos, Amúlio, se apoderou do trono que seria de seu irmão, Numitor. Para garantir seu domínio, Amúlio mata seu sobrinho e obriga sua sobrinha a servir como vestal (em outras palavras, foi para um templo servir a Deusa Vesta). Mas Réia, a sobrinha, é estuprada em um bosque pelo Deus da guerra Marte. Do abuso nasceram gêmeos, Rômulo e Remo. Amúlio para não perder seu poder manda matá-los, para não serem pegos, deitaram os bebês em uma cesta e abandonaram no Tibre, que com o curso da água foi parar na zona das 7 colinas, no deságue do rio no mar. Uma</p><p>loba que estava por perto escutou os grunhidos vindo da cesta e gentilmente os amamentou. Mais tarde foram encontrados e criados por um pastor chamado Fáustulo.</p><p>Com o passar do tempo, os irmãos não se contentaram em ficar somente no estábulo com os animais, começaram então a caçar nas florestas, treinando o corpo e a mente. E, em pouco tempo, já não se satisfaziam com a caça aos</p><p>animais. Então começam a lutar contra bandidos, dividiam o saque com os pastores locais.</p><p>Em uma cerimônia de origem estrangeira, em que os corredores fazem o trajeto nus, enquanto todos estavam curtindo a festa, os ladrões fizeram uma armadilha e atacaram os festeiros. Rômulo conseguiu lutar, mas Remo foi detido e encarcerado, e o levaram para o Rei Amúlio fazendo várias reclamações. Uma delas é que o preso já tinha invadido e atacado as terras do Rei Numitor. Fáustulo já pressentia que os dois homens tinham sangue real, e</p><p>com medo de acontecer o pior, contou para Rômulo, que foi resgatar seu irmão e matou Amúlio. O povo então lhes ofereceu a coroa de Alba Longa, mas não aceitaram, deixaram então o trono com avô, Numitor. Os irmãos queriam fundar sua própria cidade, e partiram na busca de um novo local. Chegaram então perto do desaguadouro do rio Tibre, onde havia 7 colinas: os montes Aventino, Celio, Capitólio, Esquilino, Palatino, Quirinal e Viminal. Rômulo escolheu Palatino, e Remo, Aventino. Como não entraram em acordo sobre qual terra escolher, decidiram então buscar algum presságio que pudesse lhes ajudar. Consultaram o voo das aves. Rômulo viu doze urubus</p><p>voando sobre o Palatino, enquanto Remo viu apenas seis em Aventino. A resposta parecia clara, os deuses haviam escolhido Palatino. Rômulo então delimitou sua área construindo uma muralha em volta da sua cidade, disse que</p><p>caso alguém cruzasse os muros seriam mortos imediatamente. Remo, enfurecido por não ser escolhido, debochava de seu irmão. Uma vez ultrapassou os muros e como dito, foi morto por Rômulo. “Remo, para zombar de Rômulo, teria franqueado de um salto as novas muralhas e Rômulo, enfurecido, o teria assassinado pronunciado estas palavras: "Assim acontecerá no futuro a quem saltar sobre minhas muralhas". (LIVIO, Tito História de Roma pg 28)</p><p>Conforme a mitologia romana, os gêmeos Rômulo e Remo teriam fundado Roma. Apesar de Remo não ter participado precisamente da fundação, os dois são retratados como os criadores. Desse mito vem o símbolo de Roma, a loba capitolina. Que amamentou os irmãos e os manteve vivos até a chegada do pai adotivo. A sua relevância é tamanha que já foi estampada na bandeira oficial da Roma e é também o escudo de um time de futebol.</p><p><br/></p><p>GAEL DA COSTA CREPALDI</p><p><br/></p><p>Referências Bibliográficas</p><p><br/></p><p>LIVIO, Tito História de Roma.</p><p><br/></p><p>BUSTAMANTE, Regina Maria da Cunha. Romulo e Remo, </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:13:58 UTC</pubDate>
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         <title>Troia</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>Troia é uma cidade ligada à antiga civilização grega, situada na região da Anatólia (atualmente Turquia), que foi imortalizada por Homero em seu poema <em>Ilíada</em>, onde teria ocorrido a famosa “Guerra de Troia” narrada pelo autor. Para além da literatura homérica com sua narrativa que mistura história e mitologia, a cidade é historicamente compreendida a partir de pesquisas arqueológicas, que permitem observar duas “<em>Troias</em>” distintas: a Troia Mitológica e a Troia Historicamente compreendida. Por muito tempo se considerou que a cidade de Troia poderia ser uma invenção de Homero, e por séculos, pesquisadores buscaram encontrar a mítica cidade em vão, até que o comerciante e arqueólogo alemão Heinrich Schliemann conseguiu confirmar a localização na década de 1870. O sítio arqueológico possui várias cidades construídas sucessivamente uma sob a outra e, atualmente, acredita-se que a chamada Troia VII foi a descrita por Homero na <em>Ilíada </em>(Zanon, 2008, p. 23 - 26).</p><p>Os poemas de Homero como a <em>Ilíada </em>fazem referências diretas aos eventos que ocorreram no período da idade do bronze (3300 AEC à 1200 AEC),est que podem ser mais ou menos fieis ao que realmente foi o período micênico, já que o próprio Homero viveu séculos depois dos acontecimentos por ele narrados, apesar disso&nbsp; existe consenso entre os historiadores que tanto a <em>Ilíada </em>quanto a <em>Odisseia </em>de Homero estão localizadas temporalmente no Séc. VIII AEC, mas é fato que existe um abismo entre a sociedade homérica do mundo micênico que sua obra busca representar, e é possível dizer que a sociedade que Homero viveu era completamente diferente daquela que ele buscou representar em seus poemas. No caso, é possível identificar três níveis históricos na literatura homérica: o mundo micênico que ele pretendia atingir, a época em que ele vivia, e uma ideia obscura que está entre os dois, uma análise histórica das obras de Homero nem sempre será fácil pois acarreta a tarefa de distinguir de qual nível histórico estamos observando dentro da obra de Homero (Austin, 1977, p. 46 - 48).</p><p>A narrativa homérica descreve atos humanos influenciados diretamente pela ação de deuses e traz personagens heroicos de grande complexidade descritos detalhadamente, configurando-se como uma literatura épica que possibilitou que a cidade de Troia fosse amplamente conhecida, bem como buscada posteriormente por arqueólogos e outros pesquisadores interessados em encontrar o local.&nbsp; Troia é trazida na <em>Ilíada </em>como o palco de uma guerra que, conforme descrita, seria de grandes proporções e teria envolvido um grande contingente humano. Mais especificamente, cerca de cem mil gregos teriam sido mobilizados para o ataque contra a cidade, o que decorreu, conforme a narrativa, de uma desavença entre os chefes da diarquia grega (Menelau e Agamêmnon) e o príncipe troiano Páris, por quem a então esposa de Menelau, Helena, teria se apaixonado durante uma missão diplomática, além de fugir para Troia aproveitando-se da partida de volta da comitiva troiana. Helena teria sido acolhida por Príamos, pai de Páris e rei de Troia, que garantiu a segurança e permanência dela apesar da provável guerra que isso provocaria (Homero, 2005).</p><p>Desta forma, conforme a narrativa homérica, os aqueus (gregos sob a liderança de Menelau e Agamêmnon) conquistam as praias troianas, mas não conseguem avançar sobre as fortes muralhas, seguindo-se inúmeras cenas e batalhas em que o personagem heroico Aquiles desponta como figura central em favor dos gregos, sendo descrito como o soldado principal e que, após uma desavença com Agamemnon, deixa o campo de batalha e a partir disso, com o desfalque de Aquiles, os gregos passam a perder continuamente as batalhas contra os troianos. Aquiles retorna para o conflito por fúria após seu companheiro de guerra, Pátroclo, ser morto por outro personagem heroico, Heitor, príncipe que liderava os soldados troianos e que confundiu Pátroclo com Aquiles, por este estar utilizando a armadura do companheiro. Logo, os dois personagens heroicos se enfrentam, sendo que Aquiles vence Heitor e promove um ato de humilhação pública com o cadáver deste, sendo que Príamos depois vai até Aquiles para recuperar o corpo do filho, Heitor (Homero, 2005).</p><p>O empreendimento militar duradouro e custoso conforme Homero termina somente após uma façanha dos gregos, dez anos depois do início do conflito sem que alcançassem a conquista de Troia, principalmente graças à muralha da cidade, que a tornava impenetrável. Para suplantar este fato, os aqueus fingem retirada e forjam uma escultura de cavalo em madeira, que é referência a uma deusa, Atena, adorada pelos troianos, sendo deixada para a eles na praia, como um presente , na forma de demonstração de paz, mas que continha soldados gregos escondidos, mas que teria sido levada para dentro das muralhas de Troia em celebração ao que acreditaram ser o fim da guerra, permitindo que parte do contingente militar aqueu acessasse a cidade e iniciasse o ataque de seu interior, bem como permitissem o acesso do restante do contingente militar a partir da abertura dos portões da cidade, que é então brutalmente atacada e sucateada, findando o conflito (Homero, 2005).</p><p>Esta descrição de Homero criou o que chamamos de narrativa épica, muito além de seus cânticos e poemas, é obra literária que configura uma fonte primária no estudo historiográfico de Troia, desde que compreendida em sua natureza literária, ou seja, como um poema épico, composto por narrativas mitológicas e personagens que podem ter ou não existido de fato, além de ser uma obra produzida cerca de quatro séculos depois do conflito que objetiva narrar (Zanon, 2008, p. 159 - 161). Mas é graças a <em>Ilíada </em>que a memória da existência de tal povo foi guardada, bem como foi esta obra que instigou a humanidade por milênios na busca desta cidade, o que por sua vez possibilitou os estudos arqueológicos hoje essenciais para a investigação histórica, sendo ela fundamental para que se descobrisse o sítio arqueológico onde se localizou a antiga Troia descrita por Homero, em um local hoje dentro das fronteiras da Turquia (Oelze, 2022).</p><p>Heinrich Schliemann, baseado em passagens da <em>Ilíada</em>, como por exemplo: a citação ao Monte Ida, a distância do mar para as muralhas da cidade, a descrição da batalha de Heitor e Aquiles onde eles teriam circulado por três vezes as muralhas da cidade, alguns pequenos achados arqueológicos anteriores, e em opiniões que já indicavam a região como possível localização de Troia, com a junção desses fatores Schliemann consegue fixar na região de Hissarlik a localização da cidade épica e inicia as escavações que revela a existência de Troia. A localidade abrigou diversas ocupações de períodos e povos distintos, que passaram a ser nomeadas de Troia I, fundada no ano 2.920 AEC passando por outras 9 que as sucederam, sendo que cada “nova Troia” era construída sobre a outra, segundo os estudos arqueológicos atuais, a ocupação descrita por Homero foi a Troia VII, que foi governada por Príamo e destruída pelos aqueus (gregos) (Zanon, 2008, p. 23 - 26).</p><p>A cidade de Troia VII se desenvolveu no período de&nbsp; 1250 AEC&nbsp; - 1020 AEC&nbsp; e seria uma grande cidade para os padrões da época, com pelo menos 10.000 habitantes, o que a elevaria a um importante entreposto comercial e marítimo, sendo que existem provas de que o seu ciclo de existência se encerrou por causa de um conflito, com evidências de um incêndio, com alguns restos mortais e poucos resquícios de armamentos como pontas de flechas, o que combinado com o cálculo de datação de especialistas, indicam que a sétima ocupação de Troia foi a homérica, um ponto validado na descrição da <em>Ilíada </em>são as muralhas, foram descobertas ruínas de muralhas com mais de 9 metros de altura e quem determinados momentos chegavam a 18 metros de fundação abaixo do solo (Onça, 2017).</p><p>As construções&nbsp; encontradas no Sítio Arqueológico de Hissarlik datadas do período de Troia VII são sensivelmente mais simples que da cidade anterior (Troia VI). Foi encontrada uma série de cerâmicas de origem micênica, o que indica comércio, e também foram percebidas cópias das cerâmicas micênicas, outro traço cultural percebido foi o de cremação dos mortos, enquanto suas construções internas, apesar de se parecer com as construções ciclopes das cidades micênicas do continente, as fortificações troianas não seguem o mesmo método construtivo, as residências&nbsp; tinham um&nbsp; grande cômodo, que era utilizado como aposento, e outros ambientes e cômodos menores, junto ficava a chamada "Casa dos Pilares" (Ribeiro Jr. 2003).</p><p><br>Jesse Marques Junior</p><p>Joao Pedro Alencar Santini</p><p><br><strong>REFERÊNCIAS:</strong></p><p>AUSTIN, Michel; VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo Homérico. In: <strong>Economia e sociedade na Grécia Antiga</strong>. Lisboa: Edições 70, 1977.</p><p>&nbsp;</p><p>HOMERO. <strong>Ilíada</strong>. Tradução de Frederico Lourenço. Lisboa: Cotovia. 2005.</p><p>&nbsp;</p><p>HOMERE. <strong>Iliade</strong>. Paris: Belle Lettres, 1974.</p><p>&nbsp;</p><p>OELZE, Sabine et al. <strong>Há 200 anos nascia o alemão que descobriu Troia</strong>. 2022. </p><p>&nbsp;</p><p>ONÇA, Fabiano. <strong>Como era a mítica cidade de Tróia?</strong> 2017. </p><p>&nbsp;</p><p>RIBEIRO JR., Wilson A. 2003. <strong>Troia VId-h a VII.</strong> Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0639">greciantiga.org/arquivo.asp?num=0639</a>. Data da consulta: 24/02/2024.</p><p>&nbsp;</p><p>ZANON, Camila Aline.<strong> A Ilíada de Homero e a Arqueologia</strong>. São Paulo: Universidade de São Paulo-USP, 2008.</p>]]></description>
         <enclosure url="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/83/Portion_of_the_legendary_walls_of_Troy_(VII),_Troy_(Ilion),_Turkey_(7446479164).jpg" />
         <pubDate>2024-03-26 15:15:34 UTC</pubDate>
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         <title>Império Hitita</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>Os Hititas tiveram seu auge como império entre os séculos XIV e XIII AEC na Anatólia central (atual Turquia). A região na qual forjaram seu poderio foge um pouco do que comumente é mais visto no estudo da História Antiga, mais voltado para o ocidente e foi um dos motivos da escolha do tema o qual apresentaremos aqui. Assim como comumente não ouvimos muito falar sobre tal povo.</p><p>&nbsp;</p><p>A região da Anatólia também é conhecida por Ásia Menor, e é justamente em tal localidade que um povo indo-europeu - os hititas - foram formando seu território, datando tais acontecimentos da segunda metade do III milênio AEC e início do II. Entre um primeiro assentamento e conexão com diversas redes de comércio com outros povos - os assírios por exemplo - pouco a pouco foram ganhando proeminência e tendo destaque por seus interesses expansionistas. Primeiramente sem uma unidade política, mas que depois formaria unidade no coração da Anatólia onde Hatussa foi concebida capital pelo rei Hatussili I em XVII AEC (SALAZAR, 2003).</p><p><br/></p><p>Tendo formado unidade em Hatussa a sanha expansionista dos hititas se fez muito mais proeminente. Alcançaram as costas do Mar Negro, do Mediterrâneo e até mesmo o Chipre.</p><p>&nbsp;</p><p>Eram conhecidos por seu poderio militar, com um poderoso exército. Destaque para seus carros ligeiros de combate, tracionado por dois cavalos, no qual combatiam um arqueiro, um condutor e um portador de escudo. O escudeiro era seu grande diferencial e ponto de vantagem. Vale destacar que além de seu poderio bélico e competência militar muitas de suas conquistas se deram pela via diplomática em contato com outros povos ao redor.</p><p><br/></p><p>No auge de sua expansão chegaram a rivalizar e enfrentar grandes povos da região como gregos e egípcios. Portanto, vale destacar como tal população indo-europeia conseguiu se manter relevante por um bom tempo sob seus domínios em uma área de grande trânsito e importância entre oriente e ocidente (SALAZAR, 2003).</p><p>&nbsp;</p><p>Matheus Guiné <br></p><p>Referências:</p><p>&nbsp;</p><p>GONZÁLEZ SALAZAR, Juan Manuel. El Imperio Hitita,. <em>Gerión</em> Vol. 21 Núm. 1 Pág. 11-25, 2003.</p><p>&nbsp;</p><p>Lion Gate in Hattusa | Turkish Archaeological News. Disponível em: &lt;<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://turkisharchaeonews.net/object/lion-gate-hattusa">https://turkisharchaeonews.net/object/lion-gate-hattusa</a>&gt;. Acesso em: 27 fev. 2024.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:17:01 UTC</pubDate>
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         <title>Império de Axum</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>O Império de Axum, também chamado de Reino de Axum, Império Axumita ou Cidade-Estado de Axum, foi um reino africano conhecido pelos povos da região em meados</p><p>do século I da Era Comum. Desenvolvido na região Sudeste da África (conhecida hoje como Somália, Eritreia e Etiópia, próximo ao Mar Vermelho), entre os anos 100 a.C e 940 d.C. Além disso, o Império de Axum também teve extensão territorial em uma parte do extremo sudeste da península Arábica. O Reino de Axum se transformou posteriormente em Império e teve um grande desenvolvimento cultural, econômico e social. Isso se deve à sua sociedade complexa e à sua cultura grandiosa. A sociedade da capital, que destacou-se como uma das mais importantes</p><p>potências comerciais da África durante o primeiro milênio, era estruturada por um rei, nobres, comerciantes e militares, com a maioria da população constituída por artesãos, agricultores e pequenos comerciantes, formando a base da pirâmide social, como afirmam Stuart Munro-Hay</p><p>e David W. Phillipson. Destaca-se que essa organização refletia uma diversidade de funções que contribuíam para a estabilidade e o desenvolvimento do império.</p><p>Posteriormente, a mudança da capital do reino para Jarma, no século IX, foi motivada pelo declínio das relações comerciais e pelas constantes invasões externas, como sanciona G.W.B. Huntingford. Durante esse período, o Império de Axum emergiu como uma potência</p><p>comercial significativa, estabelecendo conexões importantes entre Roma e a Índia, dominando</p><p>as rotas comerciais no Oceano Índico. Uma das características marcantes desse reino, descrita</p><p>por Pinto O. L. (2022) em “A diplomacia das feras”, era sua habilidade diplomática, que se manifestava através de acordos estratégicos e trocas de presentes com outras nações. Ressalta-se que no século III d.C., além do Ge'ez, uma antiga língua semítica, também era predominante o uso da língua grega no Reino de Axum. À medida que a influência greco-romana se intensificava, o idioma grego se tornou a principal língua utilizada na região</p><p>de Axum, que não só estava sendo influenciada pela cultura e comércio greco-romanos, mas também estava se tornando parte do mundo mediterrâneo. A escrita Ge'ez, introduzida no século IV e que tornou-se comum no século VI d.C para inscrições, cunhagem e traduções,</p><p>ainda está em uso na atual Etiópia.</p><p>No que diz respeito à religião, o reino de Axum passou por diversas fases. Inicialmente, predominava o politeísmo, desde o século II a.C. até o IV. Posteriormente, no</p><p>final do século IV, o judaísmo começou a exercer influência sobre a região. Finalmente, no século IV, durante o reinado de Ezana, o cristianismo foi adotado como religião oficial,</p><p>desempenhando um papel crucial na disseminação desta fé pela África. Portanto, ao longo de sua história, os axumitas transitaram do politeísmo para a influência judaica e, por fim, para a adesão ao cristianismo, como afirma Taddesse Tamrat.</p><p>A respeito da arquitetura, pode-se dizer que os axumitas construíram diversas estruturas de formas distintas. As residências comuns eram geralmente construídas com barro,  enquanto edificações de maior porte, como igrejas, templos e palácios, empregavam pedra</p><p>com argamassa de barro para garantir estabilidade. Observa-se uma notável técnica arquitetônica nos vestígios deixados ao longo do tempo, evidenciando a habilidade e perícia desse povo. Vale destacar, no âmbito arquitetônico, a presença marcante das estelas</p><p>(obeliscos), torres de pedra erigidas em túmulos de reis e pertencentes à nobreza. Quanto às</p><p>atividades manuais e artesanato, os axumitas possuíam avançada habilidade na confecção de</p><p>cerâmica, produzindo potes, vasos, estátuas e garrafas para armazenar líquidos.</p><p>O Reino de Axum, destacado como uma das quatro principais potências do século III</p><p>por Manes, o profeta persa, prosperou sob líderes como Endúbis e Gedara, como atesta David</p><p>W. Phillipson e .Stuart Munro-Hay. Durante o reinado de Endúbis, Axum expandiu-se monetariamente, cunhando moedas encontradas de grande distância, da Cesareia ao sul da Índia. Gedara, o primeiro rei axumita a se envolver nos assuntos da Arábia do Sul, conquistou</p><p>Najrã e Zafar, a capital do Reino Himiarita, antes de ser expulso por uma aliança interna. Os</p><p>conflitos entre Iêmen e Etiópia persistiram no século III. Ao longo da Antiguidade Tardia, Axum continuou a expandir-se sob o governo de Ezana, conquistando brevemente o Reino de Cuxe, adotando o exônimo grego "Etiópia" e levando, ao apogeu, o reino Axumita, devido o domínio de novos territórios. O domínio axumita, no Mar Vermelho, atingiu seu ápice durante o reinado de Elesbão de Axum, que, com o apoio do imperador bizantino Justino I, anexou o Reino Himiarita para acabar com a perseguição aos cristãos por Dunaas. Após essa expansão, como atesta Stuart</p><p>Munro-Hay, o Reino de Axum alcançou sua maior extensão territorial, aproximadamente</p><p>2.500.000 km², embora tenha perdido território nas guerras contra os persas. O declínio</p><p>gradual iniciou-se no século VII, marcado pelo fim da produção de moedas.</p><p>A presença persa e, posteriormente, muçulmana no Mar Vermelho afetou a economia,</p><p>levando à diminuição da população na cidade de Axum. Fatores ambientais e internos</p><p>contribuíram para o declínio. Os últimos três séculos de Axum são considerados uma época de</p><p>crise, culminando em seu colapso em torno de 960. Apesar de seu destaque como um dos principais impérios da Antiguidade tardia, o Reino de Axum desapareceu enquanto a Etiópia permaneceu isolada durante o final da Idade Média.</p><p>Moeda Aksumita: uma moeda produzida e usada dentro do Reino de Aksum (ou Axum), centrado nas atuais Eritreia e Etiópia. As moedas aksumitas são uma fonte histórica</p><p>fascinante que oferece uma visão detalhada do Império de Axum. Muitas dessas moedas estão</p><p>preservadas em museus ao redor do mundo, onde são cuidadosamente exibidas e estudadas por</p><p>historiadores e arqueólogos. Um exemplo interessante é o Museu Nacional da Etiópia, localizado</p><p>em Addis Abeba. Este museu abriga uma coleção impressionante de artefatos históricos e</p><p>culturais da Etiópia, incluindo várias moedas aksumitas. Essas moedas são exibidas em galerias</p><p>dedicadas à história antiga da Etiópia e do Corno de África, proporcionando aos visitantes uma</p><p>oportunidade única de examinar de perto esses artefatos históricos. Em seu apogeu, nos séculos IV e VI d.C. o reino de Axum expandiu-se (áreas riscadas) e realizou trocas comerciais com o Egito, Europa, o interior da África e as cidades do Vale do Indo, contribuindo assim para a rica herança cultural e histórica da região do Chifre da África.</p><p><br></p><p>BRUNA FERNANDA MARCELINA DE SOUZA</p><p>PRISCILLA MARIA HENRIQUE CERGUEIRA</p><p><br></p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FERNANDES, Cláudio. "O reino de Axum"; Brasil Escola. Disponível em:</p><p><a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-reino-axum.htm">https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-reino-axum.htm</a>. Acesso em 27 de fevereiro de 2024.</p><p>“Império de Axum”; Wikipédia. Disponível</p><p>em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_de_Axum">https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_de_Axum</a>. Acesso em: 27 de fevereiro de</p><p>2024.</p><p>Imagem Moeda Aksumita. Disponível em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Aksumite_currency">https://en.wikipedia.org/wiki/Aksumite_currency</a>.</p><p>Acesso em: 27 de fevereiro de 2024.</p><p>Imagem Mapa Reino de Axum: Disponível</p><p>em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://studhistoria.com.br/resumos-e-mapas/africa-pre-colonial-1-imperio-de-axum/">https://studhistoria.com.br/resumos-e-mapas/africa-pre-colonial-1-imperio-de-axum/</a>.</p><p>Acesso em: 27 de fevereiro de 2024.</p><p>Imagem Alfabeto Axumita: Disponível</p><p>em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="http://ahistoriapresente.blogspot.com/2011/10/axum.html">http://ahistoriapresente.blogspot.com/2011/10/axum.html</a>. Acesso em 26 de fevereiro de</p><p>2024.</p><p>M’BOKOLO, Elikia. África Negra: História e civilizações até o Século XVIII. Tomo I. Lisboa:</p><p>Edições Colibri, 2012, p. 73- 106. Disponível</p><p>em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7897240/mod_resource/content/1/MBokolo.pdf">https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7897240/mod_resource/content/1/MBokolo.pdf</a>.</p><p>Acesso em: 27 de fevereiro de 2024.</p><p>MOKHTAR, G. (ed.). História Geral da África, II. África Antiga. 2 ed. Brasília: UNESCO,</p><p>2010. Disponível em: <a rel="noopener noreferrer nofollow" href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000319.pdf">http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000319.pdf</a>. Acesso</p><p>em: 26 de fevereiro de 2024.</p><p>PINTO, O. L. V. A diplomacia das feras: a África ao sul do Saara, o império de Axum e os</p><p>caminhos para uma Antiguidade Tardia multipolar. Heródoto: Revista Do Grupo De Estudos E</p><p>Pesquisas Sobre a Antiguidade Clássica E Suas Conexões Afro-asiáticas, 6(2), 2022. pp.</p><p>173–196.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:20:09 UTC</pubDate>
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         <title>Pólis Gregas</title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934173403</link>
         <description><![CDATA[<p>O termo pólis, do Grego πόλις, pode ser considerado um dos mais marcantes conceitos surgidos na Grécia Antiga. Em tradução, o termo significa cidade e, devido a suas</p><p>características, é comum que seja utilizado como sinônimo de cidade-estado.</p><p>A pólis grega foi o modelo das antigas cidades da Grécia desde aproximadamente o</p><p>final do período homérico (800 A.E.C) até o domínio romano (168 A.E.C), momento no qual</p><p>suas práticas e maneiras de convívio diminuíram. A nova forma de existência política na área</p><p>civilizacional grega se deu com a instituição da pólis neste período. (VOEGELIN, 2015)</p><p>Existe uma dificuldade por parte</p><p>dos modernos em definir o conceito de</p><p>pólis, visto que, nos dias de hoje, a</p><p>palavra “cidade” remete a uma</p><p>aglomeração urbana. Para os gregos, o</p><p>significado vai além, a pólis, antes de</p><p>mais nada, era uma comunidade humana</p><p>composta por cidadãos que se reuniam</p><p>para debater questões de interesse</p><p>público e que se organizavam em torno</p><p>de um conjunto de leis, práticas e instituições. A ideia de um território delimitado que inclui</p><p>núcleos urbanos fazia sim parte das cidades-estados, porém sua definição não se limitava a</p><p>isso. (MOSSÉ, 2004) 1</p><p>Vale ressaltar que, para os gregos, cidadãos eram aqueles que detinham condições</p><p>para opinar a respeito do rumo da sociedade, ou seja, apenas indivíduos que cumprissem</p><p>alguns requisitos pré estabelecidos poderiam ser considerados cidadãos. Nesses critérios</p><p>excluia-se mulheres, escravizados, comerciantes, artesãos e estrangeiros, de modo que apenas homens nativos proprietário de terras eram, de fato, considerados polítis (FLORENZANO, 2001).</p><p>Uma curiosidade relevante pode ser observada no termo polítis, que dá origem a</p><p>palavra política e que, traduzido, significa “cidadão”, representando aquele que pertence a</p><p>pólis (MOSSÉ, 2004). Sendo assim, fica claro que as cidades-estados gregas possuem</p><p>características marcantes relacionadas principalmente ao âmbito da política.</p><p>Essa questão que diz respeito à política foi amplamente discutida por Aristóteles em</p><p>seus oito livros que compõem sua obra conhecida como A Política. Acredita-se que os textos</p><p>tiveram origem na época em que o filósofo era mentor de Alexandre, O Grande.</p><p>Aristóteles defendia que a natureza política dos seres humanos se manifestava na</p><p>participação ativa na vida da pólis; era o espaço natural para a realização do homem como</p><p>“animal político”. Segundo o filósofo, a vida política não se resumia a obedecer leis, mas</p><p>significava contribuir ativamente nas tomadas de decisões e no aprimoramento da</p><p>comunidade, de forma a exercer plenamente as capacidades racionais, morais e sociais. A</p><p>vida política era considerada o caminho para a plenitude.</p><p>O historiador Vlassopoulos utiliza o termo aristotélico koinonia para se referir às</p><p>polis. O termo grego diz respeito a uma associação ou comunidade de pessoas que</p><p>compartilham interesses, atividades ou propósitos em comum. Por meio desse conceito</p><p>Aristóteles explorou as diferentes formas de interação social, econômica e cultural que</p><p>moldavam a vida na pólis e além dela.</p><p>Vlassopoulos ressalta que uma das vantagens do termo é o seu potencial de ultrapassar polaridades estáticas, o que permite que o foco seja a experiência concreta dos</p><p>indivíduos nos diferentes modos de koinonia nos quais eles se associam. (VLASSOPOULOS, 2017).</p><p>A estrutura política das cidades-estados gregas, em geral, era composta por uma assembleia, um conselho e magistrados. A assembleia abrangia todos os cidadãos, o conselho era formado por um grupo restrito escolhido dentre a assembleia e as magistraturas eram</p><p>cargos com funções específicas.</p><p>Diferente do que comumente se pensa, nem todas as cidades eram adeptas da democracia. Nas que eram democráticas, a assembleia dispunha do papel principal na tomada de decisões, enquanto o conselho tinha seu poder diminuído. Devido a esse fato, as</p><p>democracias são conhecidas como governo do povo ou maioria. (MOSSÉ, 2004)</p><p>Por outro lado, existiam as cidades oligárquicas, nas quais eram os conselhos os</p><p>responsáveis pelo poder de tomar decisões. Como os conselhos eram compostos por uma</p><p>minoria, esse tipo de organização passou a ser chamado de oligarquia ou governo de poucos.</p><p>(MOSSÉ, 2004).</p><p>Um dos maiores exemplos de cidade-estado na Grécia é, sem dúvidas, Atenas, a qual representou um importante modelo democrático. Encontra-se nesse modelo um local de coletividade, um espaço público, um conselho deliberativo e uma assembleia popular vital para o governo democrático. Dentre as características da cidade clássica, estavam as noções de soberania, auto suficiência e urbanização. O cenário cultural ateniense contribuiu fortemente para a expansão do teatro,</p><p>sobretudo o teatro dionisíaco e suas influências políticas, ressaltando, assim, os espetáculos</p><p>ao ar livre como manifestações cívicas e culturais. Atenas retratava o esplendor político,</p><p>econômico e cultural, além da ênfase nos princípios democráticos. (SILVA, 2004)</p><p>Destaca-se que, além da dimensão política, a pólis abrange também aspectos culturais,</p><p>religiosos e sociais. Apesar das diversas características em comum, cada cidade-estado tinha</p><p>sua própria identidade e particularidades.</p><p>Vlassopoulos faz uma abordagem crítica do conceito de pólis, destacando como a</p><p>visão tradicional do termo como um "clube" pode ser limitante. Questiona a ideia de que a</p><p>pólis era a forma grega do estado, da sociedade e da economia, e sugere que essa perspectiva</p><p>pode simplificar demais a complexidade da sociedade grega antiga.</p><p>O historiador argumenta que a unidade da cultura grega não pode ser atribuída apenas</p><p>à emergência e desenvolvimento da pólis, mas sim a uma multiplicidade de grupos dispersos</p><p>pelo Mediterrâneo e Mar Negro, que contribuíram para a formação e progresso do "mundo"</p><p>grego. (VLASSOPOULOS, 2017)</p><p><br/></p><p>Juliana Yoshie Fujii</p><p>Larissa Pinecio Malizan</p><p><br/></p><p>Referências Bibliográficas</p><p>FLORENZANO, M. B. B. 2001. Pólis e oîkos, o público e o privado na Grécia Antiga.</p><p>Rondonópolis: Anais do I Simpósio Regional de História Antiga, 2001, p. 113-118.</p><p>MOSSÉ, C. Dicionário da Civilização Grega. Trad. Carlos Ramalhete. Rio de Janeiro:</p><p>Jorge Zahar Editor, 2004.</p><p>SILVA, L. A Democracia Ateniense Como Projeto De Sociedade Auto Instituída: A</p><p>Descoberta Da Política. Tese (Mestrado em Direito) - Faculdade de Direito, do Centro</p><p>de Ciências Jurídicas, da Universidade Federal de Santa Catarina, 2004, p.154.</p><p>VLASSOPOULOS, Kostas. Abaixo e além da polis: redes, associações e escrita da história</p><p>grega. Mare Nostrum: antiguidade e medievo. Tradução de Bárbara C. L. da Silva. 2017.</p><p>VOEGELIN, E; MOULAKIS, A. Ordem e história volume III: o mundo da pólis. 2.</p><p>ed. São Paulo: Loyola, 2015. 474p</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:22:53 UTC</pubDate>
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         <title>RELIGIOSIDADE ROMANA </title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934178827</link>
         <description><![CDATA[<p>A religiosidade na Roma Antiga se destacou pelo seu <strong>politeísmo</strong>, reunindo influências de diversos cultos ao longo de sua história. Assim, desde seu surgimento, as crenças etruscas, gregas e orientais foram gradualmente integradas aos costumes já estabelecidos, conforme sua pertinência e aceitação.</p><p>É necessário entender durante o entendimento deste tema que a religiosidade se difere da religião, certamente a religião está dentro da religiosidade, entretanto muitas outras formas de crença estão presentes no conceito de religiosidade. A religiosidade se destaca&nbsp; por tratar de expressões e práticas dos crentes que podem refletir o modo como as pessoas expressam seus valores éticos e morais baseado em um teor religioso sem que se ligue diretamente com instituições religiosas organizadas, ligando-se a experiências individuais de vivência e visão da fé no contexto de sua vida.</p><p>A religião é compreendida por um sistema organizado de crenças e práticas ou mesmo com instituições compartilhadas por um grupo. Normalmente com a utilização de textos sagrados, dogmas, doutrinas e geralmente um líder religioso. Além disso, a religião pode incluir aspectos culturais, sociais ou mesmo políticos que ultrapassam o espiritual. As questões de religião em Roma sempre foram muito presentes dentro de estudos que buscavam entender como aquela sociedade funcionava, principalmente nos estudos da Roma Antiga. Quando se pensa em sociedade romana é fácil lembrar da pluralidade de povos que se encontravam naquele território, visto isso, pensar sobre a diversidade de práticas religiosas presentes no Império Romano é essencial para entender a <strong>religiosidade romana</strong>.</p><p>Durante seu período do Império datado entre 27 a.C até 476 d.C, os governantes de Roma buscavam promover e abranger as religiões, cultos e crenças das populações habitantes para que não houvesse a existência de apenas uma crença, já que os romanos eram conhecidos por sua crença em diversas divindades. Nessa perspectiva a religiosidade romana não seguia padrões que são comumente observados nas religiões atuais, como o cristianismo por exemplo, pois a religiosidade romana não era baseada em buscar por uma verdade que se relacionava com livros sagrados (FIGUEIREDO, Daniel,2020)</p><p>Mesmo com a incorporação de muitas crenças dentro do contexto tradicional de religião romana, a relação existente entre os romanos e suas crenças estava muito ligada às práticas e tradições que já eram comuns como uma espécie de acordo entre os humanos e os deuses. O objetivo dos romanos era principalmente&nbsp; agradar os deuses, através de rituais, homenagens, presentes, pouco se pensava em atos de caridade ou mesmo de justiça para conseguir a atenção dos deuses, logo os principais modos para isso eram os rituais e não a fé. Alguns cultos eram realizados de maneira pública, que eram os principais fomentadores do senso de comunidade cívico.</p><p>Outrossim, além dos públicos, os rituais religiosos realizados em ambientes privados eram essenciais para que os indivíduos obtivessem o favor divino para suas questões pessoais, através de oferendas e sacrifícios. Essa prática religiosa, embora não fosse regulada pelas autoridades, não tinha liberdade total, pois não podia rivalizar com a identidade pública e estava vinculada ao contexto social. Para realizar esses cultos, as residências possuíam altares dedicados a diversas divindades, especialmente aos deuses familiares Penates, responsáveis pela proteção do lar, e aos Lares, que cuidavam do bem-estar de toda a família, incluindo servos e escravos.</p><p>No contexto da Roma Antiga, os sacerdotes públicos, especialmente os do colégio dos pontífices, eram os especialistas em rituais e consultados regularmente pelo Senado. Desse modo, eles aconselhavam sobre a lei sagrada, supervisionavam assuntos familiares e mantinham registros estatais. O sacerdócio público era principalmente composto por homens de elite, senadores ou magistrados, mas as decisões sobre os assuntos religiosos ainda eram tomadas pelo Senado.&nbsp; Entretanto, as mulheres eram associadas a poucas funções religiosas, já que normalmente eram relacionadas ao sacerdócio do marido ou a apenas uma divindade específica, como as virgens vestais, as quais eram encarregadas de manter aceso o fogo sagrado do templo da deusa Vesta. O sacerdote era visto como o executor dos rituais e depositário do direito sagrado, exercendo autoridade divina. Assim, era uma função reservada aos membros dos altos estratos sociais, já que os atos religiosos eram realizados em nome da comunidade, não de indivíduos.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As práticas de magia se relacionavam fortemente com a religiosidade romana, e precisariam ser classificadas como parte da sociedade e da cultura de diversas comunidades por tratar principalmente de crenças e práticas que se ligavam ao sobrenatural, por meio de orações e esconjuros. O Império Romano foi cenário de muitas dessas crenças que se ligavam à magia, com evidências presentes na arqueologia, literatura e legislação. Porém, é necessário entender que as práticas de magia dentro do Império Romano se apresentavam de muitas formas e com características distintas, variando principalmente a religião devido ao grande território que o Império ocupava e o grande número de religiões presentes no território romano. Além disso, as práticas mágicas abrangiam uma variedade de conhecimentos e técnicas, incluindo a fabricação de medicamentos, observações astrológicas e astronômicas, bem como o uso de plantas para cura. Diferentes termos, como goes, vates, vaticinium, mathematicus, maleficus, hariolous, philosophus, mantis e caldeus (chaldaeus), eram usados para identificar os praticantes dessas artes místicas. O termo "chaldaeus" destacava uma conexão estrangeira e oriental, associada aos povos caldeus. Na sociedade greco-romana, havia uma distinção entre práticas mágicas populares consideradas ilegais, como a goeteia praticada pelo góes, e práticas aceitas, como a teurgia, incorporada aos rituais religiosos oficiais e aos estudos filosóficos. As práticas consistentes da teurgia eram consideradas legítimas pelos escritores e juristas das elites.</p><p>Em suma, a religiosidade romana apresentou uma notável diversidade, caracterizada pelo seu politeísmo e pela integração gradual de influências culturais diversas ao longo do tempo. Desde os rituais públicos supervisionados pelos sacerdotes até as práticas mágicas privadas, a religião permeava todos os aspectos da vida romana, refletindo tanto os valores cívicos quanto crenças individuais, evidenciando a complexidade e a riqueza da experiência religiosa na Roma Antiga.</p><p><strong><br>Maria Gabriela Arnaldi de Mello</strong></p><p><strong>Kauan Lima Guimarães</strong></p><p><strong>&nbsp;</strong></p><p><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></p><p>FIGUEIREDO, Daniel de; SILVA, Semiránis Corsi. Roma Antiga (religião). In LANGER, Johnni. <strong>Dicionário de História das religiões na Antiguidade e Medievo</strong>. Petrópolis - RJ: Vozes, 2020.</p><p>&nbsp;</p><p>SILVA, Semiránis Corsi. Magia Romana. In LANGER, Johnni. <strong>Dicionário de História das religiões na Antiguidade e Medievo.</strong> Petrópolis - RJ: Vozes, 2020.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:27:42 UTC</pubDate>
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         <title>Império Aquemênida </title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Império Persa Aquemênida foi uma das maiores organizações políticas da Antiguidade, ficando atrás do Império Romano, e a maior organização situada no chamado Oriente Próximo no seu período de auge. O vasto Império Aquemênida abarcou um território que atualmente compreende ao Irã. O império encontrou seu fim no ano de 333 AEC, quando Alexandre Magno venceu o rei Persa, Dario III, na Batalha de Isso e submeteu todo o Império Persa aos seus domínios. Vale ressaltar que a maioria das informações que temos sobre a Pérsia Aquemênida vêm dos relatos gregos, sobretudo das <em>Histórias</em> de Heródoto.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes do surgimento do Império Persa Aquemênida ele foi, de certa forma, precedido pelos impérios neoassírio, neobabilônico e pelo reino da Média. Todos estes impérios exerceram alguma influência sobre o Império Aquemênida. No caso do Império Neoassírio, entre os elementos que foram “importados” pelos Aquemênidas foi a ideia do rei como uma divindade, ou seja, não obedecer à vontade do rei seria um afronto à vontade divina. Outra característica se dá no plano da economia, onde a arrecadação de tributos acontecia a partir de um modelo coercitivo, seja pelo uso da força ou ameaças, o que foi continuado pelos aquemênidas. Mais um elemento neoassírio incorporado pelos aquemênidas é a “titularia real”, onde o rei era posto como “rei dos reis”, dando uma ideia de “universalização” do poder real, assim como sua presença.<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="#_ftn3"><sup> </sup></a>No caso do Império Neobabilônico - o qual surge após se libertarem do Império Neoassírio - o que foi continuado pelos Aquemênidas também foi a “divinização” da figura monárquica, assim como no Império Neoassírio. Já os medos podem acabar sendo vistos como “precursores” do Império Aquemênida, devido a linha de sucessão de reis medos que chegaram até Ciro I, fundador da dinastia e Império Aquemênida. O reino medo surgiu a partir da libertação deles em relação ao Império Neoassírio e constituiu uma importante organização política e militar no Oriente Próximo, tendo em vista que eles podem ter influenciado na queda do Império Neoassírio.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar disso, ver o Império Aquemênida como uma sucessão direta do reino medo é uma concepção errônea, tendo em vista que os aquemênidas também foram influenciados por outro importante reino que existiu na região do Irã, Elam. Os reis de Elam utilizavam o título de reis de Susa e Ashan, e seguindo uma hipótese geralmente aceita, pastores iranianos migraram para Ashan num período de decadência do reino de Elam, onde a região de Ashan se torna independente de Susa e passa a ser controlada pelos Persas.<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="#_ftn5"><sup> </sup></a>Ciro I confirma essa hipótese de que os persas já governavam a região por um tempo antes de dominarem os medos, apropriando-se de um título local.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A partir da figura de Ciro II, neto de Ciro I, a história do Império Persa passa a ser melhor documentada - sendo a maioria das fontes escritas, gregas. Independente de qual biografia escrita sobre ele ser verdadeira, ele conquistou diversas regiões e formou um grande império. Seu filho, Cambises II, anexou parte do Egito e Dario I incorporou a região noroeste da Índia, e a Macedônia, a partir destes 3 monarcas o Império Aquemênida atingiu sua maior taxa de expansão territorial, onde permaneceu assim por aproximadamente 200 anos.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Império não se manteve estável por tanto tempo somente através de aparatos de dominação militar e conquista, os reis persas, começando por Ciro e Cambises, mas continuado por Dario, Xerxes e Artaxerxes, implementaram políticas de governo de “respeito” às tradições locais dos povos dominados, seja no âmbito cultural, religioso - dando liberdade do antigo culto às divindades e não impondo sua religião oficial -, legislativo - respeitando as antigas leis e costumes jurídicos destes povos -, econômico - buscando saber quando cada região poderia produzir e arrecadar de tributos -, dentre outros, com o intuito de assim evitar rebeliões. Os persas antes de dominarem uma região, buscavam conhecê-la para que assim pudessem decidir como seriam utilizadas as estratégias de dominação, assim como fazer alianças com as elites para buscar uma legitimação e uma convivência pacífica após a anexação dos territórios.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Após o reinado de Cambises, durante a transição do governo para Dario I, o Império Aquemênida passou por um momento turbulento e de crise política, com várias insurreições - nove no total - surgindo no território aquemênida, sendo todas elas suprimidas por Dario. Para sanar o problema, Dario “investiu” na retórica imperial, na reforma de instituições administrativas e tributárias já existentes, na construção de importantes/imponentes obras públicas, entre elas a fundação de Persépolis, capital do império, e a formação rochosa “Naqsh-i Rustam”, a qual se tornou a tumba real de Dario e de outros reis aquemênidas. Dario I tinha o plano de invadir toda a Grécia como forma de punição ao auxílio prestado por Atenas na revolta das colônias gregas de Jônia contra o império persa, esse episódio ficou conhecido como Guerras Médicas.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Xerxes (486-465 AEC) é o sucessor de Dario e decidiu dar prosseguimento no plano de seu antecessor, sendo mais conhecido na cultura “pop” pela batalha que travou contra os gregos, a Batalha das Termópilas (480 AEC) - a qual inspirou o filme intitulado “300”. Além da Batalha das Termópilas, a qual Xerxes saiu com uma sofrida vitória, aconteceram batalhas em Salamina (480 AEC) e Plateias (479 AEC), onde o exército de Xerxes saiu derrotado. Apesar do contexto das Guerras Médicas, Heródoto ainda consegue expressar certa “simpatia” com Xerxes devido a sua misericórdia por parte dos embaixadores gregos enviados durante as Guerras Médicas e com os espiões gregos que foram capturados em meio aos persas, enviando todos de volta sãos e salvos, apesar dos gregos não terem tido o mesmo tipo de tratamento com os persas. Xerxes e o sucessor do trono foram assassinados numa conspiração que pode ter sido armada pelo seu sucessor, Artaxerxes I.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Artaxerxes I (465-423 AEC) continuou a campanha contra os gregos. Seu sucessor, Dario II (423-405 AEC) deu apoio à Esparta na Guerra do Peloponeso. O sucessor de Dario II foi seu filho Arses, que adotou o nome de Artaxerxes II, durante seu reinado, seu irmão Ciro armou uma conspiração contra o irmão, juntamente com outros nobres persas e mercenários gregos, mas foi derrotado pelas tropas de seu irmão em 401 AEC, em Cunaxa.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao longo do tempo em que o Império Aquemênida perdurou, como já dito anteriormente, foram criados diversos instrumentos estatais para que tudo se mantivesse em ordem, como a tolerância aos costumes dos povos dominados, as alianças com a aristocracia dominada para “apaziguar”, legitimar e sustentar a dominação e os interesses reais, sendo essa política de “cooperação” uma inovação frente aos impérios que “precederam” o aquemênida. Além disso, houve a “divinização” da figura do imperador, sendo este o representante da autoridade divina na terra.</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outro aspecto dos aquemênidas que é importante ressaltar é a arte, a qual tinha uma importante função. Algumas iconografias enfeitavam o palácio real em Persépolis em locais estratégicos, onde os visitantes do palácio veriam as iconografias, muitas delas registrando caçadas à leões por parte de Dário I. Outro material que mostrava Dario I caçando leões é o selo cilíndrico de Dário, encontrado em Tebas, no Egito. </p><p>     Vale ressaltar que Tebas já se rebelou contra Dario I, assim o selo poderia também indicar a força de Dario para lidar com insurreições, ficando ali sua presença “marcada”.<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="#_ftn21"><sup> </sup></a>Outra arte real feita para exaltar Dario é o relevo de Behistun, que mostra Dario subjugando rebeldes<a rel="noopener noreferrer nofollow" href="#_ftn22"><sup> </sup></a>num contexto da sua ascensão ao trono e as revoltas ocorridas, como já mencionado acima.<br></p><p>Vítor Livrari Figuerôa</p><p>&nbsp;</p><p><strong>BIBLIOGRAFIA:</strong></p><p><br></p><p>ARAUJO, Matheus Treuk Medeiros de. Direito e poder na Pérsia Aquemênida. <strong>Revista Poder &amp; Cultura</strong>, Rio de Janeiro, Vol. 3, Nº 5, p.16-29, Jan.-Jun.2016.</p><p>OLIVEIRA, Alexandra Diez de. <strong>A arte aqueménida na descrição literária de Antonio de Gouveia. </strong>Lisboa: Universidade de Lisboa, 2019. p. 347-362.</p><p>BIAZOTTO, Thiago do Amaral. O grande rei sai à caça: Texto e imagem na cinegética da Pérsia Aquemênida (C.550 - 330 A.C), 2018, p. 851-859. In: <strong>XIII Encontro de História da Arte - Arte em confronto:</strong> embates no campo da história da arte, 2018, UNICAMP.</p><p>BERSÁN, Sebastián Paura. El imperio aqueménida y su relación con las religiones de los otros. Prácticas de Dominación y de Gobierno. <strong>Textos y Contextos desde el sur,</strong> Vol. 3 (2), N° 6, p. 115-132, jul. 2018.</p><p>MÉNDEZ, Israel Campos. Los inicios de la dinastía aqueménida y la formación del Imperio Persa. <strong>Revista Ibero Americana de Historia</strong>, Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, España, p. 19-28, 2006</p><p>ARAUJO, Matheus Treuk Medeiros de. <strong>O Império Aquemênida em Heródoto: </strong>Identidade e Política nas <em>Histórias</em>. 2018. 367 p. </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:34:38 UTC</pubDate>
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         <title>A arte funerária egípcia</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p>A arte funerária egípcia é um testemunho impressionante da riqueza cultural e espiritual da civilização do Antigo Egito. Durante milênios, os egípcios dedicaram suas habilidades artísticas e criativas à elaboração de obras destinadas a acompanhar os mortos em sua jornada para o além, garantindo sua preservação e proteção na vida após a morte. Para os antigos egípcios, a morte não era o fim, mas sim o início de uma jornada transcendental para a vida após a morte. Essa crença fundamentava-se em uma cosmovisão profundamente religiosa, na qual a preservação do corpo físico e a preparação adequada para o além desempenhavam papéis essenciais. A arte funerária, portanto, não era apenas uma expressão estética, mas sim uma parte intrínseca de um sistema de crenças que permeava todos os aspectos da vida egípcia.</p><p>A arte funerária egípcia emergiu em um contexto cultural e religioso profundamente arraigado nas crenças e práticas espirituais do Antigo Egito. Para os antigos egípcios, a morte não representava o fim absoluto, mas sim o início de uma jornada após a vida terrena. Os egípcios acreditavam que o espírito pessoal, ou "ka", continuava a existir após a morte, desde que o corpo físico fosse preservado e os rituais funerários apropriados fossem realizados. A preservação do corpo era alcançada por meio da mumificação, um processo meticuloso que envolvia a remoção dos órgãos internos e o envolvimento do corpo em faixas de linho impregnadas com resinas. Além disso, a jornada da alma após a morte era facilitada por uma série de rituais e textos religiosos, como o Livro dos Mortos, que começou a ser utilizado no período do Novo Império Egípcio (1550–1070 a.C.), contendo instruções e encantamentos para ajudar o falecido a superar os desafios do submundo e alcançar a vida eterna ao lado dos deuses. (Leal &amp; Lima, 2018)</p><p>A funerária artística servia a uma multiplicidade de propósitos interconectados. Além de honrar os mortos e fornecer conforto aos enlutados, suas representações simbólicas e rituais tinham como objetivo assegurar a proteção e o bem-estar do falecido na vida após a morte. Cada obra de arte, desde estátuas até relevos em tumbas, era concebida com grande consideração pelos detalhes e repleta de significados ocultos, destinados a orientar a alma do falecido em sua jornada pelo reino dos mortos. Testemunha não apenas a devoção espiritual dos antigos egípcios, mas também sua maestria técnica e criativa. Artistas habilidosos empregavam uma variedade de materiais, técnicas e estilos para criar obras que resistiram ao teste do tempo. Esculturas, pinturas murais, relevos e objetos rituais eram elaborados com precisão meticulosa, refletindo não apenas a estética da época, mas também a complexidade das crenças e práticas funerárias egípcias.</p><p>Em termos de materiais, os egípcios utilizavam uma variedade de recursos disponíveis em sua região, incluindo pedra, madeira, metal, faiança e tecido. Cada material tinha suas próprias propriedades e significados simbólicos, e os artistas escolhiam cuidadosamente os materiais mais adequados para cada obra. Quanto às técnicas, os egípcios dominavam uma variedade de métodos, desde a escultura em pedra até a pintura mural e o trabalho em relevo. As esculturas funerárias, por exemplo, eram esculpidas com precisão meticulosa para retratar os falecidos em poses realistas e expressões serenas, enquanto os relevos em tumbas e templos eram elaborados em camadas para criar efeitos tridimensionais impressionantes.</p><p>Além disso, a arte funerária egípcia refletia não apenas a estética da época, mas também a complexidade das crenças e práticas funerárias egípcias. Cada obra de arte era cuidadosamente planejada e executada, com atenção aos detalhes mais minuciosos, resultando em obras que continuam a fascinar e inspirar até os dias de hoje.</p><p>Ao longo dos séculos, a arte funerária egípcia exibiu uma notável continuidade, apesar das mudanças políticas e sociais que marcaram a história do Egito antigo. Os temas, símbolos e estilos artísticos associados à morte e ao além persistiram por gerações, deixando um legado duradouro que continua a fascinar e inspirar até os dias de hoje.</p><p>Um dos exemplos mais proeminentes desse legado é o complexo de pirâmides de Gizé, construído durante o Reino Antigo do Egito (2686–2160 a.C.). Essas estruturas monumentais não apenas serviam como túmulos para os faraós, mas também como locais de culto e adoração, simbolizando a crença egípcia na vida após a morte e na eternidade do espírito humano. Além das pirâmides, o Vale dos Reis é outro testemunho impressionante da arte funerária egípcia. Localizado próximo a Tebas, este vale abriga as tumbas de numerosos faraós e nobres do Novo Reino, ricamente decoradas com pinturas murais, relevos e textos religiosos que retratam a jornada do falecido pelo além.</p><p>O legado da arte funerária egípcia estende-se além das fronteiras do Egito antigo, influenciando artistas e pensadores ao longo da história. Desde a antiguidade até os tempos modernos, a arte e a cultura do Egito antigo continuam a exercer um fascínio duradouro sobre o mundo, lembrando-nos da profundidade e da beleza da jornada humana pela vida e pela morte.</p><p>Assim, a arte funerária egípcia permanece como uma janela única para a compreensão da mente e da alma de uma das civilizações mais notáveis da história da humanidade, oferecendo-nos uma visão cativante de um passado distante e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre os mistérios e maravilhas da existência humana.</p><p><br>Euclides Domingos Neto<br><br><strong>Referências Bibliográficas</strong></p><p>SOUSA, Luana Neres de; SANTOS, Bruna de Oliveira. Morte e religiosidade no Egito Antigo: uma análise do Livro dos Mortos.</p><p>DONADONI, Sérgio. <em>O homem egípcio</em>. Lisboa: presença<em>,</em> 1994.</p><p>LEAL, Tito Barros, e LIMA Francisco Wellington Rodrigues . "A morte, os mortos, o julgamento e a salvação no Egito Antigo." <em>Revista M. Estudos sobre a morte, os mortos e o morrer</em> 3.5 (2018): 114-128.</p><p>PROENÇA, Graça. <em>História da arte</em>. Vol. 1. No. 2. Ática, 2007.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:36:58 UTC</pubDate>
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         <title>Guerra do Peloponeso</title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934192062</link>
         <description><![CDATA[<p>A Guerra do Peloponeso foi uma disputa do império de Atenas contra Esparta, Tebas, Corinto e outros membros da Liga do Peloponeso. Entre 431 e 404 A.E.C, ocorreram as batalhas em um amplo espaço geográfico da Sicília, ao ocidente, até a Ásia Menor, ao oriente, do Helesponto e Trácia, ao norte, até Rodes, ao Sul.</p><p>Tucídides, historiador grego e importante nome na historiografia narra a Guerra do Peloponeso como testemunha ocular em sua obra Guerra do Peloponeso, o que possibilitou uma compreensão sobre o período sendo uma fonte histórica importante sobre o evento descrito neste verbete.</p><p>O contexto histórico que apresenta a Grécia no século V A.E.C. pode explicar motivações que levaram a acontecer a Guerra do Peloponeso. Percebe-se que a educação para batalha era presente na sociedade grega, sendo uma atividade importante para a formação e educação dos meninos gregos, assim, o espirito da guerra era considerável na vida em sociedade. Outra questão são as polis gregas (modelo das antigas cidades gregas) que apresentavam suas próprias particularidades, com regras próprias, sendo comum que houvesse conflitos e rivalidades entre essas cidades.</p><p>Apesar de existirem rivalidades entre as cidades-estado havia, também, alianças criadas contra inimigos comuns ou para fortalecimento de comércio. No século V A.E.C, as cidades-estado se aliaram contra a frente persa que estava conquistando regiões próximas à península balcânica. Essa luta contra os persas levou a formação da Liga Helênica em 481 A.E.C., ela constava com as principais cidades gregas, como Atenas e Esparta. Como a liga Helênica combatia os persas, em 478 A.E.C. sobre a liderança do espartano Pausarias, foram em busca de tomar a cidade de Bizâncio. Mais tarde, Pausarias foi acusado pelos atenienses de ter trocado cartas com o rei persa Xerxes. Devido a este conflito e às acusações, naquele ano foi criada a Liga de Delos, entre as cidades membro estavam Lesbos, Quiós e a maioria das cidades gregas a oeste e ao sul da Ásia menor, tendo Atenas como cidade principal. A Liga de Delos tinha como função guardar um tesouro em Atenas, resultado da contribuição de cada cidade-estado que estivesse vinculada. Outra liga criada foi a Liga do Peloponeso, liderada pela cidade de Esparta e outras cidades do interior.</p><p>A primeira Guerra do Peloponeso ocorreu entre 460-455 A.E.C., os principais motivos para este conflito foi a disputa de território entre as cidades vizinhas, seja fronteiras ou acesso a outras regiões. Como já foi citado, a diferença entre as cidades também era motivo de rivalidade pois em muitas delas prevalecia um sistema oligárquico, com oposição popular, enquanto em outras prevalecia o regime democrático, sempre marcado pela oposição oligárquica. A vitória sobre os persas foi outro fator crucial, pois abriu espaço para conflitos</p><p>e divergências entre Atenas e Esparta. A primeira Guerra do Peloponeso apresentou através de</p><p>Atenas, um combate que se baseava em estratégias defensivas usando a rivalidade entre as</p><p>cidades para criar aliados. No entanto, a vencedora foi Esparta, que criou um tradado onde</p><p>segundo o autor Pedro Paulo Funari (2006) reconhecia uma bipartição do mundo grego entre</p><p>uma potência terrestre, Esparta e uma marítima, Atenas.</p><p>O acordo durou um período de 30 anos, em que Atenas e Esparta permaneceram em</p><p>paz. Mais tarde, ele foi quebrado devido ao conflito entre Samos e Mileto, ambos</p><p>participantes da Liga de Delos. Atenas apoia Mileto e Samos recorre ao governador persa da</p><p>Ásia Menor para reagir, ocorrendo uma rebelião mas que no final foi derrotada.</p><p>O conflito ocasionado por cidades menores como Córcira e Corinto fez com que</p><p>ocorressem disputas entre Atenas e a Liga do Peloponeso. Devido a estes conflitos, Atenas em</p><p>busca de dissuadir Mégara a ajudar, impediu a cidade de usar os portos do Império Ateniense,</p><p>devido a queixa de Mégara e a pressão estabelecida. Esparta começa a guerra, decidida pela</p><p>votação da Liga do Peloponeso.</p><p>Iniciada em 431 A.E.C. a Guerra do Peloponeso apresentava a estratégia militar de</p><p>Esparta através de invadir e destruir os campos da Ática, já Atenas liderada por Péricles,</p><p>apostava em uma estratégia defensiva e imperial, buscando respeito aos acordos firmados além</p><p>de um ataque marítimo. Tanto Atenas quanto Esparta apostaram em uma disputa com uma</p><p>vitória rápida. Esparta subestimou o Império Ateniense. Atenas não estava preparada para</p><p>compreender a ofensiva poderosa de Esparta, portanto neste primeiro momento se encontravam</p><p>empatadas.</p><p>Devido a uma peste que ocorreu em Atenas, o líder Péricles falece em 429 A.E.C.</p><p>Como já citado, Atenas e Esparta pensavam que a guerra ocorreria de forma rápida, mas já</p><p>em 426 A.E.C. devido há 5 anos de guerra e a morte de Péricles, Atenas adota uma nova</p><p>ofensiva liderada por Cléon e Demóstenes, que em 425 A.E.C. venceu uma batalha contra os</p><p>espartanos em terra e mar, ocorrendo uma proposta de paz, que foi recusada por Cléon. Já em</p><p>424 A.E.C. os atenienses iniciam um ataque contra Tebas, perdendo para o general Pagondas.</p><p>Em batalha, o general Cléon foi morto, o que deu a oportunidade para um tratado de paz entre</p><p>Atenas e Esparta criado por Nícias em 421 A.E.C.</p><p>Com o tratado de paz percebe-se que a tensão diminuiu pois reféns espartanos foram</p><p>soltos. Porém, Atenas enfrentava uma divisão e enfraquecimento da democracia instalada por</p><p>Péricles, facções que defendiam a oligarquia ganhavam força e mais tarde brigas e</p><p>enfraquecimento levariam a destruição da autoridade ateniense. O tratado de paz instalado por</p><p>Nícias se vê quebrado de fato com a sua morte em 413 A.E.C.</p><p>Com o enfraquecimento visível de Atenas em 413 A.E.C., os persas apoiaram Esparta</p><p>abertamente, e através de um tratado começaram a dominar várias cidades gregas. O movimento</p><p>oligárquico começou a ganhar ainda mais força e a democracia ateniense passou a não ser</p><p>reconhecida como uma possibilidade de governo. Em 411 A.E.C., são assassinados diversos</p><p>líderes populares e os oligarcas mantem Atenas sobre seu domínio.</p><p>Apoiados pelos persas os espartanos formaram uma poderosa frota, enquanto isso os atenienses tinham problemas para conseguir abastecer sua marinha. Com diversos confrontos marítimos, foi em 405 A.E.C. que o abastecimento de grãos foi cortado pelo bloqueio naval enquanto que por terra o rei de Esparta, Pausânias, cercava a cidade. Depois de 6 meses em estado de sitio, Atenas se rende sendo invadida pelos espartano. Assim o império de Atenas foi dissolvido em 404 A.E.C. e a guerra chegou ao fim.</p><p><br/></p><p>Maria Rita Silva</p><p><br/></p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>História das guerras / Demétrio Magnoli, organizador. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:38:15 UTC</pubDate>
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         <title>Antiguidade Tardia</title>
         <author>daniel2309</author>
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         <description><![CDATA[<p><br/></p><p>A História é construída e dividida em formas, estas formas são moldadas, em suma, de acordo com recortes espaciais, temporais e mais recentemente, através de continuidades culturais que resultaram novas formas de se classificar o conhecimento histórico (Guarinello, 2003). Além de toda questão ideológica que advém da subjetividade do historiador, como sua nacionalidade e a maneira de se pensar a história, por exemplo, temos predominantemente, no nosso país uma divisão quadripartite da história: História Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. Influência de uma visão hegemônica criada pela historiografia francesa, que deve sempre ser posta em questão, problematizada e se necessário, substituída por novas formas. Uma destas novas formas é a Antiguidade Tardia, resultado dos paradigmas do conhecimento histórico, que se desvinculou (não definitivamente, pois alguns historiadores não corroboram com tal proposta) da ideia de uma transição da Idade Antiga para a Idade Média a partir do conceito de “queda” ou “declínio” do Império Romano. Ideia que pode ser equivocada, pois o império não caiu definitivamente conforme o pensamento árabe afirma (Silva, 2009, p.85), mas apenas perdeu parte de seu território, assim, o Império Bizantino é visto como a continuidade do império romano, ou até mesmo o Império Carolíngio, pela sua proposta de “Renovatio Imperii”.</p><p>Esta ideia de queda ou declínio do Império Romano é antiga. Há uma presença de ideias semelhantes aos novos paradigmas (Declínio e Queda) em algumas sociedades antigas e alguns pensadores como Políbio, com sua obra “Histórias” (Políbio, 1868). Esse autor acabou por descrever a consolidação do Estado universal Romano, com sua vitória sobre Cartago, onde o mesmo acaba por ter um entendimento da possibilidade de decadência do Império, sendo o primeiro a estabelecer duas divisões de causas para essa decadência, sendo elas internas e externas. Políbio é um dos exemplos de autores que faziam parte de uma elite preocupada com a destruição dos Estados ao qual pertenciam. Mas essas</p><p>perspectivas não eram somente, dentro do aspecto literário, questões ficcionais,</p><p>mas uma real preocupação com o fim de seus Estados. Na era medieval, essa forma</p><p>de destruição estaria associada à noção de Juízo Final. (Silva, 2009. p.84)</p><p>No pós-guerra, existia uma perspectiva dos historiadores da época de que o</p><p>desaparecimento de toda cultura antiga estaria associada às invasões ditas</p><p>“bárbaras”. Alguns historiadores acabariam por se desassociar dessa perspectiva,</p><p>como Peter Brown, Alois Riegl e Henri-Irenne Marrou. Embora há uma</p><p>temporalidade utilizada por Figeredo, há todo um debate acerca da temporalidade</p><p>da Antiguidade Tardia. No caso de Peter Brown, um importante historiador para</p><p>Antiguidade Tardia, o mesmo defende a ideia de tratar a forma da Antiguidade</p><p>Tardia (250 - 800 d.C.) como um período histórico distinto capaz de ser consolidado,</p><p>preparando o debate para introduzir essa nova forma. Brown consolidou essa nova</p><p>forma através dos seus diversos trabalhos, dedicando-se à uma forma de história</p><p>cultural e das práticas culturais, demonstrando diversas transformações desde</p><p>Marco Aurélio até Carlos Magno. Com essa nova forma, alguns conceitos acabam</p><p>por serem revistos, como os de “crise”, “decadência” e “invasões” (Silva, 2009, p.</p><p>77), conceitos que Brown acaba por não enxergar na Antiguidade Tardia. Brown</p><p>iniciou seu trabalho nas relações com o corpo dentro da religiosidade tardo-romana,</p><p>desenvolvendo uma perspectiva de continuidade social e cultural dentro dessa nova</p><p>forma de periodização, considerando um momento de profundas transformações.</p><p>Além disso, Brown acabou por expandir a perspectiva geográfica dentro dessa forma</p><p>ao incluir o Império Persa e a formação do Império Árabe junto com o Império</p><p>Romano do Oriente, ampliando a perspectiva da Antiguidade Tardia. (Silva, 2009.</p><p>p.94-97).</p><p>Marrou acabou por ter uma enorme atuação no surgimento do termo</p><p>L’Antiquité tardive. Em sua obra Retractatio (1949), refutou a sua própria ideia de</p><p>decadência literária antiga. Com sua contribuição com a forma de Antiguidade</p><p>Tardia, abriu espaço para o estudo do período na França. Com Alois Riegl, o termo</p><p>Spätantike (Antiguidade Tardia) com a história da arte do Baixo Império. Seu</p><p>trabalho acabou por valorizar a arte antiga e permitiu que ela fosse julgada a partir</p><p>de critérios próprios. As obras desses três autores foram importantes para a quebra</p><p>do antigo paradigma associado ao processo de transição. (SILVA, 2009. p.94-97)</p><p>Por fim, destaca-se que o conceito de Antiguidade Tardia rompe com a ideia</p><p>de que o Império Romano é superior em termos civilizacionais em comparação aos</p><p>reinos bárbaros, além de dar ênfase na adaptação dos “bárbaros” às políticas e modelos administrativos, econômicos e culturais dos romanos, que tiveram continuidade nos reinos germânicos. De acordo com os atuais defensores do conceito, a exemplo de Renan Frighetto, (Frighetto, 2009, p.115) o período começa por volta do século II, pois foi aí que o momento da crise de Roma começa, que se estende até a metade do III, com a repartição dos poderes imperiais e as concessões desenfreadas de cidadania. Já o seu fim estaria por volta início do século IX, com a coroação de Carlos Magno, em Roma, no ano de 800 (Frighetto, 2009).</p><p>Apesar de diversos autores terem diferentes visões da forma denominada Antiguidade Tardia, vale destacar que ela ainda está em construção, assim como todo conhecimento histórico em si. Todavia ela é um importante aparato para a compreensão da transição da Antiguidade para o Medievo, visto que problematiza várias questões provenientes dos antigos paradigmas estabelecidos e a problematização é um dos aspectos que dá o caráter científico da história e faz com que ela evolua como conhecimento dos homens no tempo.</p><p><br/></p><p>Marcelo Henrique Cordeiro Terolti </p><p>Matheus Santana de Queiroz</p><p><br/></p><p>REFÊRENCIAS:</p><p>Frighetto, Renan. A longa Antiguidade Tardia: problemas e possibilidades de um conceito historiográfico. VII Semana de Estudos Medievais. 2009</p><p>Gebara da Silva, Uiran. Antiguidade Tardia como forma da história. Anos 90 16.30 (2009): 77-108.</p><p>Guarinello, Norberto Luiz. Uma morfologia da História: as formas da História Antiga. Politeia-História e Sociedade, v. 3.n. 1 (2003).</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:40:57 UTC</pubDate>
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         <title>Religiosidade em Pompeia</title>
         <author>daniel2309</author>
         <link>https://padlet.com/daniel2309/fgw64syurlv7e4v/wish/2934196821</link>
         <description><![CDATA[<p>Pompeia, ou Pompeii em italiano, é uma antiga cidade romana localizada na Campânia, Itália, a cerca de 23 km a sudeste de Nápoles. A cidade foi tragicamente soterrada em 79 d.C. por uma violenta erupção do Vesúvio, vulcão adormecido que se ergue nas proximidades. Hoje, Pompeia é um sítio arqueológico de grande importância, preservando de forma única a vida cotidiana da Roma Antiga. As cinzas vulcânicas que cobriram a cidade, atuaram como um conservante natural, congelando no tempo casas, lojas, templos, banhos públicos, e até mesmo corpos de seus habitantes.</p><p>Caminhar pela cidade, pode ser considerado quase como uma viagem no tempo, pois essas ruínas em bom estado de conservação, proporciona aos turistas a experiência de conhecer um pouco de como era a vida, o cotidiano de uma cidade romana antiga através de monumentos como os templos, as casas, os mosaicos, as lojas e tabernas, e os banhos públicos,&nbsp; locais de higiene, os quais eram um grande ponto de socialização da comunidade romana.</p><p>Diante disso, podemos dizer que Pompeia não é apenas um sítio arqueológico, mas um museu a céu aberto e que é essencial no quesito histórico. As ruínas oferecem uma oportunidade única de conhecer a cultura, a arquitetura, a arte e a vida cotidiana da Roma Antiga. A UNESCO reconheceu a importância histórica de Pompeia, declarando-a como Patrimônio Mundial da Humanidade em 1997, que serve também&nbsp; como um lembrete do poder da natureza e da importância de preservar nosso passado.</p><p>Agora que já estamos contextualizados a respeito da cidade de Pompeia, iremos tratar a respeito da religiosidade nesta região durante a Antiguidade, relacionando isso com o Culto de Ísis, e, para isso, utilizaremos o artigo “A religiosidade em Pompeia: memória, sentimentos e diversidade” escrito por Pérola Sanfelicei e Renata Senna Garraffoni (2011).</p><p>O artigo discute sobre quais memórias do passado romano estamos construindo, e qual sua importância para nós em contexto e vivência brasileira no século XXI. Por meio dessa discussão, apresenta-se um debate sobre pinturas parietais de Pompeia, focando em imagens que misturam religiosidade e sexualidade, podendo assim, explorar visões de mundo que foram silenciadas na historiografia, e que desafiam a criação de novas formas de compreendê-las. A reflexão do artigo se dá em três partes: expor as razões do porque os olhares se foram para Pompeia,&nbsp; discutir sobre a importância de suas paredes serem estudadas, e analisar exemplos de pinturas que tenham divindades e representações fálicas.</p><p>O artigo tem como objetivo chamar a atenção para a potência de Pompeia, como lugar de memória, diversidade cultural romana, as relações entre o eu e o outro, e entre presente e passado. Mas porque estudar sobre Pompeia? Percebeu-se que o passado antigo, mesmo que longe, tem presença em nosso cotidiano. Os trabalhos baseados em grafites de parede de Pompeia, traziam temas como: o estudo da cultura material romana e das suas camadas populares, pouco exploradas até então.</p><p>Suas paredes e inscrições nos ofereciam uma grande variedade de &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; sujeitos sociais. Esses estudos procuram transformar tais paredes em importantes meios de reflexão sobre pluralidade no passado e no presente brasileiro. A partir dessa forma crítica de articular memórias, propomos &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; apresentar, uma reflexão sobre a pintura parietal pompeiana relacionada ao culto de Ísis.</p><p>Neste momento, iremos relacionar essas questões acima colocadas, com o Culto de Ísis, o qual está representado na FIGURA 1. A imagem abaixo está relacionada ao sarcófago de Osíris (século I EC), que na cerimônia representa a ênfase dada à figura de Osíris, e à crença na vida após a morte encontrada nos mistérios dedicados a Ísis. Os mistérios de Ísis eram rituais e cerimônias secretas realizadas por seguidores da deusa, que buscavam a interligação espiritual e a promessa de uma vida após a morte. A inclusão do sarcófago na cerimônia de adoração sugere uma ligação simbólica e ritualística entre a morte e a ressurreição de Osíris e as crenças sobre a vida após a morte promovidas pelo culto de Ísis.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>FIGURA 1</strong><br></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>O culto à deusa Ísis floresceu no Antigo Egito, onde ela era reverenciada como a personificação da magia, fertilidade, maternidade e proteção. Seu papel na mitologia egípcia era fundamental, sendo esposa e irmã de Osíris, deus do submundo, e mãe de Hórus, deus do céu. Os devotos a viam como uma figura benevolente que oferecia auxílio e sabedoria aos necessitados. Um dos aspectos mais intrigantes do culto eram os "Mistérios de Ísis", rituais secretos reservados a iniciados que buscavam conhecimento e iluminação espiritual. Estes ritos envolviam provas de purificação, dramatizações míticas e uso de símbolos e alegorias para revelar ensinamentos sobre a natureza divina e a alma humana.</p><p>A partir do século II a.C., o culto de Ísis se espalhou pelo mundo greco-romano, adaptando-se a diferentes culturas e crenças. Ela foi associada a deusas helênicas como Deméter e Perséfone, incorporando seus atributos e simbolismos. Seus mistérios atraíram adeptos de diversas classes sociais, incluindo filósofos, intelectuais e até mesmo membros da elite romana. Com o advento do Cristianismo como religião dominante no Império Romano, o culto de Ísis foi gradualmente oprimido e marginalizado. No entanto, a figura de Ísis e seus símbolos continuaram a fascinar artistas e intelectuais ao longo da história, inspirando obras literárias, pinturas e esculturas.</p><p>O culto de Ísis deixou um legado significativo na cultura ocidental, influenciando a arte, literatura, filosofia e até mesmo a linguagem. A figura da deusa continua a inspirar artistas e movimentos sociais, representando a força feminina, a magia e a busca por conhecimento e transformação.</p><p><br><em>Camila Vitória Corrado</em></p><p><em>Paula Heloisa Figueira de Barros</em></p><p><br><strong>Referências bibliográficas</strong></p><p>&nbsp;GARRAFFONI, Renata Senna; SANFELICE, Pérola. A religiosidade em Pompeia: Memória, sentimentos e diversidade. Mneme-Revista de Humanidades, v. 12, n. 30, 2011.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-03-26 15:41:45 UTC</pubDate>
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