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      <title>Portfolio para Relações Étnico-Raciais em Psicologia 2021/2 by ANTONIA MARTINS</title>
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      <description>Para o Curso de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul </description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-05-11 11:49:22 UTC</pubDate>
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         <title>                        Construção de raça como categoria social </title>
         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>             A aula de hoje foi uma daquelas em que calo. Meu primeiro contato com a questão racial foi ainda na escola, durante o ensino fundamental. Contato este que se deu de forma muito superficial (enxergo assim hoje). Antes de quaisquer considerações maiores, acredito que seja fundamental que eu faça um recorte sobre como estas questões compuseram minhas andanças.&nbsp;</div><div>            Sou uma mulher branca, de classe média, do interior do Rio Grande do Sul. Estudei e concluí meu tempo de escola em um colégio particular composto predominantemente por outras pessoas brancas. Dito isso, minha primeira lembrança em relação à discussão sobre racismo, que foi dentro da sala de aula, partiu da leitura do livro intitulado “Pretinha, eu?”, do escritor e ilustrador Júlio Emílio Braz. O livro conta a história de uma menina negra que ganha uma bolsa de estudos em um colégio particular e a sua trajetória neste local, partindo de situações de discriminação vividas pela protagonista. Todos ali dentro daquela sala de aula, e me incluo nisso, não compactuávamos, desde o primeiro momento, com a ideia de discriminação por cor. Lembro de discutirmos sobre a imbecilidade dos apelidos, revoltamo-nos pela falta de humanidade de alguns, mas deixamos de refletir sobre nossa própria realidade: em um colégio de cerca de 500 alunos, somente 4 eram negros. Hoje eu entendo que talvez não estivéssemos preparados para maiores análises acerca do assunto, inclusive os professores que estavam lá também não demonstravam ter tido o contato necessário com o assunto para suscitar tais discussões, mas entendo que precisávamos ter olhado para as situações nas quais reproduzíamos a lógica de discriminação racial. Lembro que na época ligamos a ideia de discriminação racial, erroneamente, a um comportamento desviante, como uma característica de alguém que não respeitava “todas as pessoas”. Nossa discussão parou por ali: a responsabilidade por tais situações discriminatórias seria de responsabilidade individual, “daquele mal caráter”, como se todos nós ali não reproduzíssemos a mesma lógica com violências menos visíveis.&nbsp;</div><div>             Depois desse episódio, somente anos mais tarde estudando sobre feminismos e lendo algumas críticas ao movimento que fui novamente colocada de frente com as questões étnico-raciais. Não lembro com tanta clareza sobre o dia em que li sobre as críticas ao movimento feminista branco, mas lembro e carrego comigo uma ruptura a partir deste dia. Até aquele momento, como grande parte das pessoas brancas, eu não me enxergava como um corpo racializado. Até aquele momento eu nunca havia ouvido falar sobre "branquitude”. E foi a partir de leituras e escutas de feministas negras que eu passei a entender, num processo que está longe do fim, o conceito de “interseccionalidade” e de branquitude. Fica difícil pôr em palavras como está sendo, para mim,&nbsp; a construção dessa nova lente, dessa nova forma de ler e interpretar o mundo em que vivo. Posso dizer, no entanto, que, mais do que nunca, principalmente em função das minhas novas experiências (e aqui cito a oportunidade que tenho de estar cursando esta disciplina incrivelmente esclarecedora), não é possível pensarmos pautas sociais, como desigualdade econômica e violência, aqui no Brasil, sem primeiro fazermos um recorte étnico-racial.&nbsp;</div><div>               A aula de hoje aprofundou aquela ruptura. Hoje tive a oportunidade de ouvir uma professora muito, mas muito bem preparada, tratar de forma tão clara, embasada e cuidadosa sobre questões imprescindíveis a nós futuros profissionais da saúde mental. Tudo o que li, ouvi e aprendi ainda está decantando (e particularmente falando, tenho a certeza de que nunca haverá um momento em que eu poderei dizer “Com certeza entendi”. Cada vez que escuto e aprendo algo novo, como foi sobre a concepção de racismo de atitudes, proposto por Guimarães (1999b), me deparo com a profundidade desse “iceberg”). Hoje sinto uma grande urgência em tomar conhecimento sobre as violências étnico-raciais que posso perpetuar, e isto parte tanto de um lugar pessoal quanto de uma noção de que profissionalmente não posso, de forma alguma, causar ainda mais mal e desconforto a quem poderá vir até mim.&nbsp;</div><div><br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 12:00:10 UTC</pubDate>
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         <author>00333305</author>
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         <pubDate>2022-05-11 12:01:16 UTC</pubDate>
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         <title>Estudos sobre Racismo, Branquitude e Branqueamento no Brasil, Relações Raciais e Constituição Psíquica </title>
         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>Antes dessas aulas, e em especial desta que tratamos sobre branquitude, eu me sentia um tanto quanto perdida em relação à posição que ocupara em relação ao Racismo e ao combate ao Racismo. Nunca me entendi como racista, embora tenha sido criada em um meio no qual atualmente consigo identificar inúmeras falas racistas que lançam luz sobre este projeto de branqueamento iniciado ainda no fim do século XIX. Foi, portanto, a partir desse contato que pude começar a tomar dimensão do lugar que ocupo enquanto branca não racializada em um contexto social estruturalmente racista. Conforme diz Maria Aparecida Silva Bento em “<em>Branqueamento e Branquitude no Brasil</em>” (2002): “No Brasil, o branqueamento é freqüentemente considerado como um problema do negro que, descontente e desconfortável com sua condição de negro, procura identificar-se como branco, miscigenar- se com ele para diluir suas características raciais. Na descrição desse processo o branco pouco aparece, exceto como modelo universal de humanidade, alvo da inveja e do desejo dos outros grupos raciais não-brancos e, portanto, encarados como não tão humanos. Na verdade, quando se estuda o branqueamento constata-se que foi um processo inventado e mantido pela elite branca brasileira, embora apontado por essa mesma elite como um problema do negro brasileiro.”&nbsp; Partindo dessa citação da doutora em psicologia e ativista brasileira Maria Bento podemos observar um fato frequentemente encoberto por este pacto narcísico entre brancos: existiu, de fato, um projeto de branqueamento eugenista da população que correu paralelo a criminalização e periferização da população negra e indígena. E não, não é algo do passado. Essa estrutura colonial que permitiu tais crimes e tantos outros em relação às populações racializadas persiste. Atualizou-se. Encobrindo-se sob o manto da democracia racial, passou a colonizar a psique dos indivíduos, perpetuando as mesmas premissas com novas vestes. É a partir disso que podemos falar em “ideal de ego branco”, conforme estuda Neusa Santos no capítulo IV do livro “<em>Tornar-se Negro</em>”. Neste capítulo a autora trata sobre como o pacto narcísico da branquitude desenrola-se com a assimilação de um Ideal de Ego Branco por sujeitos tidos como racializados. Em outras palavras, partindo da contraposição entre as noções de Ego ideal - instância da psique regida pelo signo da onipotência, caracterizada pela idealização maciça e pelo predomínio das representações fantasmáticas-&nbsp; e Ideal de Ego - instância do domínio do simbólico que estrutura o sujeito psíquico vinculando-o à Lei e à Ordem, estrutura mediante a qual se produz a conexão libidinal com a cultura (Hornstein, 1973, p.214) -,&nbsp; a autora explicita como realizar o Ideal de Ego é uma exigência ao indivíduo que busca encontrar sua posição inserido em um determinado contexto social, e como este processo é permeado pelo projeto de branqueamento que constituiu um aparato social pautado em projetos eugenistas, os quais se revelam na colonização da psique de indivíudos negros, a partir de um Ideal de Ego Branco.&nbsp;</div><div>Segundo a autora supracitada, “O negro de quem estamos falando e aquele cujo Ideal de Ego é branco. O negro que ora tematizamos é aquele que nasce e sobrevive imerso numa ideologia que lhe é imposta pelo branco como ideal a ser atingido e que endossa a luta para realizar este modelo. [...] Na construção de um Ideal de Ego branco, a primeira regra básica que apo negro se impõe é a negação [...]”. Dito isso, esses sujeitos, imersos em uma cultura pautada no privilégio branco que se expressa pelo imaginário de neutralidade, de um sujeito não racializado ao qual o horizonte de futuro apresenta-se próspero, encontram a dupla negação: não podem e nunca serão brancos, assim como também não podem exercer sua negritude plena. São tolhidos do seu direito essencial de ser conforme o são, e conforme o desejam ser. A colonização da psique permite que este projeto colonial eugenista persista em silêncio. O mito da democracia racial permite isso. O pacto narcísico entre brancos que escolhem fechar os olhos para as opressões ainda perpetuadas permite isso: essa negação a possibilidade de ser conforme o desejo do sujeito.</div><div>Foi, por fim, a partir do contato com estes e outros materiais que tratam sobre o Racismo no Brasil, que eu pude me dar conta que por muitas vezes fortaleci este pacto narcísico da branquitude compactuando com a perpetuação de um racismo estrutural. Foi a partir das explanações em aula e da melhor compreensão acerca do privilégio branco que entendi (ou pelo menos acredito que seja por aí) a necessidade de adotar uma postura Antirracista, como diz a antropóloga brasileira Djamila Ribeiro: não basta não ser racista, é necessário que sejamos Antirracistas. Entender meus privilégios e estudar como posso contribuir de forma positiva na luta antirracista são processos que vejo estendendo-se pela minha caminhada. Sou grata por ter tido a oportunidade de aprender com professores tão engajados e sensíveis.&nbsp;</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 12:02:26 UTC</pubDate>
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         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>Recuperado em <a href="https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/1154/o/Neusa_Santos_Souza_-_Tornar-se_Negro.pdf?1599239573">[clique aqui]</a>&nbsp;</div>]]></description>
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         <title>Neusa Santos Souza</title>
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         <title>Djamila Ribeiro </title>
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         <title>Cristal, rapper gaúcha </title>
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         <description><![CDATA[<div>"Look into the sky, esses negros voam<br>É que aqui de cima dá pra ver melhor o jogo<br>Eu sei que eles querem me ver pra baixo<br>Eu digo: "Hm, não vai dar..."<br>Te xingo e ainda faço dançar<br>Foi assim que eu aprendi a jogar"&nbsp;<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;...<br>"Negros falam de notas e morrem por notas e vivem por notas, são versos e drogas<br>São estudo e cotas e cortes sem balas, são essas palavras<br>Tudo isso é tiro em negros vivos, notas são alívio<br>Tudo isso é business, quero meu dinheiro!<br>Negros já nascem em desespero, de querer vencer, mas só volta pro zero<br>Eu quero tua cabeça na minha mesa<br>Eu quero escurecer essas ideia<br>Meu mano sem dinheiro, ele não canta<br>Nós vamo escurecer essa plateia<br>Eu quero tudo que cê tem na mesa<br>Tô indo acabar com tua festa<br>Vou levar tudo que cê tem na ceia<br>Cansei dessas ideia europeia<br>Eu quero tua cabeça na minha mira<br>Não veio me pagar, então me erra<br>Meu mano sem dinheiro não descansa<br>Da onde cê tirou essas ideia?<br>Eu quero acabar com a tua empresa<br>Nós vamo afundar tua caravela<br>Eu quero minhas irmã nessa cadeira<br>Quero ver botar isso na novela"<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;...<br><br></div>]]></description>
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         <title>Ailton Krenak </title>
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         <description><![CDATA[<div>Discurso na Assembleia Constituinte <a href="https://www.youtube.com/watch?v=TYICwl6HAKQ">[clique aqui]&nbsp;</a></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 15:22:55 UTC</pubDate>
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         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>Aqui é possível ouvir um trecho do livro na versão <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bflPwiQ9fFU">[audiobook]</a> disponível no YouTube &nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 15:26:19 UTC</pubDate>
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         <title>Rejane Paféj Kanhgág, da Terra Indígena Sede Nonoai</title>
         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>"A pandemia está trazendo um desafio a mais para os nossos povos. Nós não estamos conseguindo chorar pelos nossos mortos, fazer nosso processo de término e nossos rituais de passagem - nossos cantos, nossas danças ao redor do ente querido que está fazendo a passagem. Para nós, é muito mais que um término; é um processo de passagem que, se não consegue ser feito, pode manter o espírito dos nossos mortos ali. Essa passagem pode levar meses em algumas etnias, e, caso não possa ser feita, isso pode adoecer uma comunidade inteira – e isso vem, de fato, nos adoecendo de formas que a gente nem imaginava que existiam."&nbsp;<br><br></div><div><br>"Por isso é essencial a gente pensar uma forma de fazer Psicologia de modo realmente inclusivo nas aldeias, que entenda nossos processos. A minha psicologia é kaingang, na qual os nossos modos tradicionais de vida, de ser e viver, são terapêuticos. O canto, a dança, a conexão com a floresta e os rios, a permissão com a mãe terra - nós somos a semente dela. Isso é importantíssimo para a nossa construção como sujeitos. Nós somos sujeitos de um coletivo." - <em>Trecho retirado da entrevista de Rejane ao Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul&nbsp; &nbsp;<br><br></em><br>Recuperado em <a href="https://www.crprs.org.br/noticias/19-de-abril---onde-esta-a-luta-dos-povos-indigenas-na-tua-nossa-psicologia">[clique aqui]</a></div><div><em><br></em><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 15:33:56 UTC</pubDate>
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         <title>Orochi, rapper carioca </title>
         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>"Pobre morador com medo até da sombra<br>E do nada uma bala perdida te encontra<br>Menos empregados e mais insegurança<br>Prende um viciado e mata uma criança (Orochi)</div><div>Animais se divertindo manipulando essa massa (Yeah)<br>Pela estrada mais sombria o pobre caminha pro nada (Nada)<br>ParaFAL, AK47, guarda-chuva, chuteira ou G3<br>Que se foda a arma utilizada, foram oitenta tiros de uma vez"<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; ...<br>"Menos vaidade e mais verdade<br>Vivência e realidade<br>Saber usar uma queda difícil<br>Como um trampolim pra prosperidade</div><div>Lembrando sempre que uma dificuldade<br>É apenas um intervalo entre duas felicidades<br>E que um criminoso pro sistema<br>Pode ser um herói pras comunidades</div><div>Nenhuma joia brilha mais que o olhar de um amor sincero<br>Nenhum dinheiro compra felicidade"</div>]]></description>
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         <title>Povos indígenas do Brasil </title>
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         <description><![CDATA[<div>Particularmente falando, cursar psicologia tem significado descortinar meu olhar no que diz respeito a compreender como a cultura - como produto e expressão de uma determinada população - constitui e é constituída pelo indivíduo, neste vai e vem constante. Antes do curso conseguia imaginar, ainda que muito deslocada em relação a como a situação é realmente dada no contexto social, a atual situação dos povos indígenas no Brasil no que diz respeito à demarcação dos seus territórios e a possibilidade de viverem e exercerem seu direito à vida, à sua própria cultura. Como disse anteriormente, as conclusões que outrora chegara em pouco ressoavam com a realidade enfrentada por essas populações. E a isso atribuo o fato de não compreender a extensão e a profundidade da estrutura colonial que sustenta o atual capitalismo neoliberal no Brasil. Nessa cultura eurocentrada, branca, capitalista, pautada na lógica de produção e extração parece não haver vez para aqueles que se pautam pelo ritmo da Terra.&nbsp;</div><div>	Ao ler o <a href="https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/212727">Trabalho de Conclusão de Curso da psicóloga Rejane Paféj Kanhgág</a> sobre a constituição de uma Psicologia Kanhgág parece que diferentes conteúdos que eu já havia lido, como o livro “<em>O amanhã não está a venda</em>” de Ailton Krenak, convergiram e fizeram ainda mais sentido. Lembro-me de estar em pleno isolamento quando li o livro do Ailton, num momento que questionava muito o ritmo de vida que vinha constituindo. Ali lembro de olhar para o paradigma do tempo de forma como nunca havia olhado antes. E ao ler o TCC da Rejane pude novamente viver esse fenômeno. O tempo pautado pela produção é um tempo desalinhado com a própria expressão da vida na Terra. O tempo pautado pela produção engole tudo aquilo que não se encaixa a ele.Tolhe a sensibilidade e demanda rapidez. Esse tempo branco e ocidental nos molda e nos organiza conforme aquilo que o capitalismo neoliberal demanda. E este não é, com toda certeza, o tempo que constitui o universo das culturas indígenas as quais pude conhecer, ainda que brevemente. E muito em virtude disso, desse descompasso essencial entre a cultura branca europeia que tende ao universal e algumas premissas que podem ser observadas nas culturas indígenas as quais tive acesso, que os povos indígenas são por vezes tidos como entraves à economia, principalmente no que diz respeito ao Agronegócio - um dos principais eixos econômicos do país. O Estado atual Brasileiro, como desdobramento de uma política colonial, perpetua inúmeras opressões: a não demarcação e a invasão de territórios demarcados é um dos principais exemplos disso, dessa opressão sistemática que cerceia os povos indígenas brasileiros do seu direito à vida. Nesse ínterim, Rejane ressalta em seu TCC: <em>A incerteza das demarcações de nossas terras é algo que nos adoece espiritualmente, e ao contrário disso, a demarcação de terras possibilita nossa saúde espiritual, pois o território é sagrado para nossos coletivos, é a forma de manter a saúde espiritual. Hoje os povos indígenas lutam pela demarcação de território sim, território que é sagrado, é espírito, é vida, mas o branco trata a Mãe Terra como objeto e busca enriquecer às custas da sua exploração até a exaustão</em>. (2020, pg. 30). Em outras palavras, os povos indígenas no Brasil ainda resistem à opressão sistemática do direito à vida. Ailton Krenak, em seu discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, já demonstrava a importância do território para a possibilidade de vida indígena ao demandar a demarcação dos territórios que foram extirpados dessas populações ao longo dos anos.&nbsp;</div><div>	Retomando a escrita de Rejane Kanhgág, que se desdobra num fazer psi alinhado com o fazer Kanhgág, pensar uma Psicologia Kanhgág, segundo a autora, é: “ [...] falar de uma psicologia que cura pela palavra, cura pelo amor. O amor é muito necessário na psicologia indígena. Vivenciar o amor fortalece o espírito que protege das doenças, como disse o Cacique Mbyá Guarani Cirilo”. Assim como sinaliza Bell Hooks, na constituição de uma Psicologia dos Afetos na qual toma o amor como prática política. Nesse sentido, quando penso no exercício futuro da profissão que escolhi, acredito que o exercício <em>psi</em> deve ser pautado pela responsabilização, pelo respeito, e deve estar alinhado com a noção de direito à livre expressão cultural não só de um indivíduo, como também de uma nação composta por diferentes povos indígenas. É nosso dever, enquanto profissionais, respeitar, acolher e contribuir de forma construtiva. E para isso faz-se essencial aproximar conhecimentos, assim como produzir saberes em conjunto.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 18:04:12 UTC</pubDate>
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         <title>Migrações, Racismo e Xenofobia </title>
         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>Dado o destaque midiático internacional à tensão geopolítica entre Rússia e Ucrânia, a questão das imigrações e dos desdobramentos da xenofobia esteve em evidência nos últimos meses. Mas quando tratamos sobre o assunto em aula partimos de uma retomada histórica inserida no contexto brasileiro. Dito isso, começamos pelo estudo das migrações europeias que ocorreram entre os séculos XIX e XX. Dito isso, é importante ressaltar que este mecanismo serviu ao projeto de branqueamento da população brasileira, que agora passara a ser composta, também, pelos sujeitos libertos da escravidão. Utilizando-se de ideologias eugenistas e racistas, o Estado brasileiro perpetuou através de políticas de incentivo a imigração europeia a noção de que os trabalhadores nacionais, aqui majoritariamente negros e negras que conquistaram sua liberdade, estavam relacionados ao atraso, enquanto os imigrantes europeus eram tidos como sinônimo de progresso.&nbsp;</div><div>	No artigo "Xeno-racismo ou xenofobia racializada? Problematizando a hospitalidade seletiva aos estrangeiros no Brasil" (Faustino &amp; Oliveira, 2022) os autores trazem uma provocação essencial para que possamos compreender a questão da imigração no Brasil: Xeno-racismo ou xenofobia racializada? Nesse ínterim, conforme citam os autores no artigo&nbsp;</div><div>“o conceito de xenofobia é “aversão ao estrangeiro”, não havendo, para sua caracterização, a necessidade de nenhum outro elemento de cor, língua, ou especificação quanto ao país de origem. No entanto, basta uma observação simplória do assunto para se perceber que as ofensas contra estrangeiros noticiadas, em sua grande maioria, são perpetradas contra imigrantes negros vindos do continente africano ou do Haiti. (Mattos, 2016, p. 29) Assim, concordamos com Reinaldo Cruz Neto quando afirma que no Brasil a xenofobia tem cor e alvo17 (Cruz Neto, 2017). Retomando o pensamento de Mattos, os “imigrantes vindos da África e do Haiti, dessa forma, carregam em sua pele o estigma de sua origem e de sua ‘raça’, sendo facilmente distinguidos dos demais devido sua cor, religião e cultura, o que ocasiona numa dificuldade maior de se integrarem plenamente na sociedade” (Mattos, 2016, p. 35).&nbsp;</div><div><br></div><div>	Nesse sentido, evidencia-se, mais uma vez, a centralidade da questão de raça. Os ataques xenofóbicos, na sua grande maioria, são direcionados àquelas populações tidas como “racializadas” quando de frente com o modelo europeu universal de sujeito. Europeus e sujeitos do Norte global são lidos e tratados como imigrantes, enquanto imigrantes do Sul global são lidos e tratados como invasores. Em suma, conforme tratam Faustino e Oliveira (2022): a racialização exerce influência sobre os marcadores sociais de diferença e exclusão ao qual diferentes grupos de imigrantes serão recebidos no Brasil. Esta realidade, no entanto, está longe de ser pautada por um “racismo que não pode ser codificado por cores” (Sivanandan, 2001) e se apresenta como desafio ainda não suficientemente problematizado pelos estudos sobre migração no Brasil.&nbsp;</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 19:52:39 UTC</pubDate>
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         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-05-11 20:01:42 UTC</pubDate>
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         <author>00333305</author>
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         <description><![CDATA[<div>Para acessar a máteria <a href="https://www.politize.com.br/xenofobia-no-brasil-existe/">[clique aqui]</a>&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-12 00:07:25 UTC</pubDate>
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