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      <title>Aristóteles - Reale, v. 1. 4. A problemática a respeito da substância. Livro p. 198/199. by Vera Braga</title>
      <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s</link>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-03-31 21:18:35 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2025-04-29 22:12:56 UTC</lastBuildDate>
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      <item>
         <title>1VB) Item 4. A problemática a respeito da substância. Reale. p. 198.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3389869880</link>
         <description><![CDATA[<ol start="4"><li><p>A problematica a respeito da substância</p></li></ol><p>Com base no que foi dito, (Reler item 3. O ser e seus significados) pode-se muito bem compreender por que Aristóteles também <mark>define a metafisica</mark> simplesmente como <mark>"teoria da substância"</mark>. E compreende-se também o motivo pelo qual a problematica da substância revela-se a mais complexa e espinhosa, precisamente pelo fato de ser a substância o eixo em torno do qual <strong>giram todos os significados do ser.</strong></p><p><mark>Historia: IA. Aqui está uma pequena história para ilustrar a questão da substância:</mark></p><p><strong>O Sábio e a Pedra</strong></p><p>Certa vez, um grupo de alunos perguntou a um sábio:</p><p>— Mestre, o que é a substância?</p><p>O sábio pegou uma pedra e perguntou:</p><p>— O que é isso?</p><p>— Uma pedra! — responderam.</p><p>— E se eu a quebrar?</p><p>— Será um pedaço de pedra.</p><p>— E se eu a moer até virar pó?</p><p>— Ainda será pedra, mas em outra forma...</p><p>O sábio sorriu e disse:</p><p>— Pois bem, Aristóteles também se perguntava: o que faz uma coisa ser o que ela é? <mark>A substância não é apenas a forma visível, mas aquilo que faz com que algo continue sendo o que é, mesmo que mude de aparência.</mark> É por isso que, na filosofia, entender a substância significa entender a própria estrutura da realidade.</p><p>Os alunos ficaram pensativos, e um deles perguntou:</p><p>— Então, se a pedra sempre continua sendo pedra, mesmo transformada, o que muda é apenas a sua aparência?</p><p>O sábio respondeu:</p><p>— <mark>Essa é a grande questão da metafísica.</mark> O que realmente existe? O que muda e o que permanece? Aristóteles dedicou sua vida a essas perguntas. E nós, ao pensarmos sobre isso, continuamos sua investigação.</p><p>E assim, os alunos começaram a refletir sobre o que realmente significa "ser".</p><p>E<strong>ssa história pode ajudar os alunos a entenderem a ideia de substância de forma mais acessível e intuitiva.</strong> </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-31 21:22:07 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3389869880</guid>
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         <title>2 VB). Item 4. Aristóteles considera que os principais problemas relativos a substância são dois: Estudinho 25, de 07 04 2025. </title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3389876417</link>
         <description><![CDATA[<p>Aristóteles considera que os principais problemas relativos a substância são dois:</p><p>1) <strong><em>Quais substâncias existem?</em></strong><em> </em>Existem apenas substâncias sensíveis (como  sustentam alguns filósofos), ou também substâncias suprassensíveis (corno sustentam outros filósofos)?</p><p>2) <strong><em>0 que é a substância em geral</em>, ou seja, o que se deve entender quando se fala de substância em geral?</strong></p><ul><li><p>Em ultima analise, a questão a que se deve responder é a primeira; entretanto, é preciso começar respondendo à segunda questão porque "todos admitem que algumas das coisas sensíveis são substâncias" e porque é metodologicamente oportuno "começar por aquilo que para nós é mais evidente" (e que, portanto, todos admitem) para, depois, seguir rumo aquilo que para nós, homens, é menos evidente (mesmo que em si e por si, ou seja, por sua natureza, seja mais cognoscível).</p></li></ul><p><mark>0 que é, então, a substância em geral?</mark></p><p>1) 0s Naturalistas apontam os elementos materiais como principio substancial.</p><p>2) 0s Platônicos indicam a <em>forma</em> como principio substancial.</p><p>3) Para os homens comuns, no entanto, a substância pareceria ser o indivíduo e a coisa concreta, feitos a um só tempo de  forma e matéria.</p><p><strong>Quem tem razão? Segundo Aristóteles, </strong>ao mesmo tempo, todos e ninguém têm    razão no sentido de que, tomadas singularmente, essas respostas são parciais, ou seja, unilaterais; em seu conjunto, porém, nos dão a verdade. Prossegue no 1. aa matéria (hyle). P. 190 livro. Internet 217. </p><p><strong><mark>O Rei e a Estátua Viva</mark></strong></p><p>Um rei muito sábio queria entender o que fazia algo ser o que era. Então, chamou três conselheiros e lhes mostrou uma magnífica estátua de mármore.</p><p>— Digam-me, qual é a verdadeira substância desta estátua?</p><p>O primeiro conselheiro, um naturalista, respondeu:</p><p>— Majestade, a substância da estátua é o mármore. Sem ele, nada existiria!</p><p>O segundo conselheiro, um seguidor de Platão, disse:</p><p>— Não, meu rei! O que importa é a forma! Se derretermos o mármore, ele deixa de ser estátua. É a forma que dá identidade!</p><p>O terceiro conselheiro, um homem do povo, refletiu e disse:</p><p>— Senhor, não podemos separar o mármore da forma. Uma estátua precisa dos dois para ser o que é!</p><p>O rei sorriu e respondeu:</p><p>— Aristóteles concordaria contigo. A substância é a união da matéria e da forma. O mármore sozinho não é uma estátua, e a forma sem matéria não existe no mundo sensível. <mark>A verdade não está em um só ponto de vista, mas na soma deles.</mark></p><p>Os conselheiros ficaram em silêncio, admirando a estátua — que, <mark>apesar de imóvel</mark>, parecia mais viva do que nunca.</p><p><mark>Essa história ilustra como Aristóteles buscava equilibrar as ideias dos filósofos anteriores</mark>. </p><p>1) A matéria <em>(hyl</em>e) é, indubitavelmente, um principio constitutivo das realidades sensíveis, porque funciona como "substrato" da forma (a madeira é substrato da forma do móvel, a argila da taça etc.). Se eliminássemos a matéria, eliminaríamos todas as coisas sensíveis. Em si, porém, a matéria é potencialidade indeterminada, podendo tornar-se algo de determinado somente se receber a determinação por meio de uma forma. <mark>Assim, só impropriamente a matéria é substância.</mark></p><p>2) Já a forma, enquanto princípio que determina, concretiza e realiza a matéria, constitui aquilo "que é" cada coisa, a sua</p><p>essência, sendo assim de fato substância (Aristóteles usa as expressões "o que é " e "o que era o ser", que os latinos traduziriam por <em>quod quid est, quod quid erat esse,</em> e sobretudo a palavra <em>eidos</em>, "forma"). Não se trata, porém, da forma como a entendia Platão (a forma hiperurânica transcendente), mas de uma forma que é como um constitutivo <em>intrínseco</em> da própria coisa <mark>(é forma-na-matéria).</mark></p><p>3) Mas o composto de matéria e forma, que Aristóteles chama "sinolo" (que significa precisamente o conjunto ou o todo constituído de matéria e forma), também é de fato substância, porque reúne a "substancialidade" tanto do princípio material quanto do formal.</p><ul><li><p>Sendo assim, alguns acreditaram poder concluir que "substância primeira" é precisamente o "sinolo" e o individuo, e que a forma é "substância segunda". Essas afirmações, porém, que podem ser lidas na obra </p><p><em>Categorias, </em>são contrariadas pela <em>Metafisica</em>, onde se lê expressamente: "<mark>Chamo de forma a essência de cada coisa </mark><em><mark>e a substância primeira</mark>.</em>" <strong>Prossegue</strong>. <em>De resto,</em>...</p></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-31 21:32:51 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3389876417</guid>
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      <item>
         <title>3 VB) cont. do item 4. A problemática a respeito da substância. Estudinho 25º, de 07 04 2025. </title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3391554226</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>P. 199 - Continuação da slide anterior.</strong> - De resto, o fato de que, em certos textos, Aristóteles parece considerar o indivíduo e o "sinolo" concreto como substância por excelência, ao passo que em outros textos parece considerar a forma como substância por excelência, constitui apenas aparentemente uma contradição. Com efeito, conforme o ponto de vista a partir do qual nos colocamos, devemos responder do primeiro ou do segundo modo. Do ponto de vista empírico e de constatação, é claro que o sinolo ou o indivíduo concreto parece ser substância por excelência. O mesmo já não acontece, porém, do ponto de vista estritamente teorético e metafísico: com efeito, a forma é princípio, causa e razão de ser, ou seja, fundamento. Em relação a ela, ao invés, o sinolo é principiado, causado e fundado. Ora, nesse sentido, a forma é substância por excelência e no mais alto grau. Em resumo, <em>quoad</em> nos (para nós), o concreto é substância por excelência; em si e por natureza, a forma é ao invés substância por excelência. Por outro lado, se o sinolo exaurisse o conceito de substância enquanto tal, nada que não fosse “sinolo” seria pensável como substância e, desse modo, tanto Deus como o imaterial e o suprassensível em geral não poderiam ser substância e, consequentemente, a questão de sua existência estaria prejudicada desde o ponto de partida./ Texto colocado com a colaboração de Mila, em 02 04 2025./</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-01 19:54:09 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>4VB) Continuação do item 4: A problemática a respeito da substância  ATÉ O FINAL. Estudinho 26º, para 08 04 2025, 3ª.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3391560638</link>
         <description><![CDATA[<p>Ultimo § do item 4., p. 199. livro. Para concluir, podemos dizer que, desse modo, o sentido do ser fica plenamente determinado. Em seu significado mais forte, o ser é a substância; a substância em um sentido (improprio) é matéria, em segundo sentido (mais próprio) é "sinolo" e em terceiro sentido (e por excelência) é forma; o ser, portanto, é a matéria; em grau mais elevado, o ser é o sinolo; e, no sentido mais forte, o ser é a forma. Desse modo, pode-se compreender por que Aristóteles chegou a chamar a forma até mesmo de "causa primeira do ser" (precisamente porque ela "informa" a matéria e funda o sinolo).//<mark>Fim do item 4.  </mark></p><p><strong>IA: Explicando</strong>: Podemos afirmar que, dessa maneira, o sentido do <strong>"ser"</strong> (ou da existência) fica completamente definido. Em sua acepção mais forte, o <strong>ser</strong> equivale à <strong>substância</strong>. A substância, por sua vez, pode ser entendida de três modos:  </p><ol><li><p><strong>Primeiro sentido (impróprio):</strong> como <strong>matéria</strong> (o componente físico, potencial, mas ainda não determinado).  </p></li><li><p><strong>Segundo sentido (mais próprio):</strong> como <strong>sinolo</strong> (a união indissociável de matéria e forma, ou seja, o ente concreto).  </p></li><li><p><strong>Terceiro sentido (por excelência):</strong> como <strong>forma</strong> (a essência que determina <em>o que algo é</em>, sua estrutura inteligível).</p></li><li><p><br/></p></li></ol><p>Assim, o <strong>ser</strong> pode ser identificado com a <strong>matéria</strong> em um nível básico, mas, em um grau mais elevado, ele se manifesta no <strong>sinolo</strong> (a síntese de matéria e forma). No entanto, no sentido mais profundo e verdadeiro, o <strong>ser</strong> é a forma**, pois é ela que confere identidade e realidade plena ao ente.  <br>Por isso, Aristóteles chegou a denominar a <strong>forma</strong> como a <strong>"causa primeira do ser"</strong>. Isso ocorre porque a forma <strong>"informa"</strong> a matéria (ou seja, dá estrutura e determinação a ela) e fundamenta o <strong>sinolo</strong> (o ente completo). Sem a forma, a matéria permaneceria indeterminada, e o sinolo não existiria como algo específico. A forma, portanto, é o princípio ativo que define a existência concreta e a essência de algo.  <br><strong>Resumo:</strong>  <br>A hierarquia do ser em Aristóteles é:  </p><ul><li><p><strong>Matéria</strong> (base potencial, menos determinada).  </p></li><li><p><strong>Sinolo</strong> (combinação de matéria e forma, realidade concreta). </p></li><li><p><strong>Forma</strong> (essência, causa última que define o ser).</p></li></ul><p>A forma é a <strong>causa primeira</strong> porque é o elemento decisivo que transforma a matéria em algo real e significativo. Fim IA.</p><p><br/></p><p><mark>Vamos a um historieta? </mark></p><p><strong>O Escultor e o Bloco de Mármore</strong></p><p>Um velho escultor recebeu de presente um enorme bloco de mármore. Era bruto, sem forma, apenas pedra — fria e pesada.</p><p>Durante semanas, o escultor apenas caminhava ao redor dele, observando. Um jovem aprendiz, curioso, perguntou:</p><p>— Mestre, por que não começa logo a esculpir?</p><p>O escultor sorriu e respondeu:</p><p>— Porque a forma já está aí dentro. Eu só preciso encontrá-la.</p><p>O rapaz franziu a testa.</p><p>— Dentro? Mas é só pedra!</p><p>O velho então pegou o cinzel e começou a trabalhar. Dia após dia, retirava lascas, aparava cantos, aprofundava traços. Após muitas semanas, surgiu uma belíssima estátua de uma mulher acolhendo uma criança nos braços.</p><p>— Veja — disse o mestre —, a estátua estava na pedra o tempo todo. A matéria era o início, mas o que eu via era a forma. E quando a forma se une à matéria, nasce algo novo: o ser em sua plenitude.</p><p>O aprendiz olhou em silêncio, e, como num lampejo, compreendeu: o que dá sentido ao que existe... não é o que se vê por fora, mas o que o molda por dentro/ </p><p><mark>Vamos então adaptar a historieta </mark><strong><mark>"O Escultor e o Bloco de Mármore"</mark></strong><mark> para um </mark><strong><mark>contexto espírita</mark></strong><mark>, mantendo a essência filosófica de Aristóteles, mas conectando com temas como </mark><strong><mark>reencarnação, evolução do espírito e a importância da forma espiritual</mark></strong><mark>.</mark></p><p><strong>O Escultor Celeste</strong></p><p>Um Espírito benfeitor caminhava pelos jardins de um mundo espiritual, seguido por um grupo de recém desencarnados que começavam a entender os novos horizontes da existência.</p><p>No centro do jardim havia uma enorme oficina. Lá, um escultor trabalhava sobre blocos de luz opaca.</p><p>Curiosos, os espíritos se aproximaram. Um deles perguntou:</p><p>— O que o escultor está fazendo? Essas formas são tão indefinidas...</p><p>O benfeitor respondeu com serenidade:</p><p>— Ele não trabalha com pedra, mas com almas. Cada bloco representa um Espírito em início de jornada. O escultor é símbolo do tempo, das experiências, das escolhas e das reencarnações. Ele retira o que é excessivo, lapida o que está bruto, revela o que há de mais belo no interior.</p><p>— Mas o que há dentro? — perguntou outro Espírito, intrigado.</p><p>— Há a centelha divina — respondeu o benfeitor. — A forma espiritual, que é o destino de todos nós. A matéria, como o corpo, é temporária. A forma verdadeira é o que nos tornamos com amor, conhecimento e esforço.</p><p>O grupo se calou, tocado pela imagem.</p><p>— Somos todos obras em construção — concluiu o benfeitor. — E a perfeição não está na matéria, mas na luz que deixamos brilhar./</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-01 20:00:58 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>5VB) Item 5. A SUBSTÂNCIA, O ATO, A POTÊNCIA A Cadeira Invisível. (3§§)</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3392632482</link>
         <description><![CDATA[<p>Item 5. A SUBSTÂNCIA, O ATO, A POTÊNCIA - Pag.  200.  <strong> </strong></p><p>§5.1. As doutrinas expostas devem ainda ser integradas com algumas explicitações relativas potência e ao ato referidos à substância. A matéria é "potência", isto é, "potencialidade", no sentido de que é capacidade de assumir ou receber a forma: o bronze é potência da estatua porque é efetiva capacidade de receber e de assumir a forma da estátua; a madeira é potencia dos vários objetos que se podem fazer com a madeira, porque é capacidade concreta de assumir as formas desses vários objetos. Já a forma se configura como "ato" ou "atuação" daquela capacidade. 0 composto ou sinolo de matéria e forma, se considerado como tal, será predominantemente ato; considerado em sua forma, será sem dúvida ato ou "enteléquia"; considerado em sua materialidade, será <em>misto de potência e ato.</em> Todas as coisas que tem matéria, portanto, como tais sempre possuem maior ou menor potencialidade. No entanto, como veremos, se forem seres imateriais, isto é, formas puras, serão atos puros, privados de potencialidade. </p><p><mark>11. 04. 2025. 27 Estudinho</mark>. §5.2. Como já acenamos, o ato também é chamado por Aristóteles de "enteléquia", que significa realização, perfeição em atuação ou atualizada. Portanto, enquanto essência e forma do corpo, a alma é ato e enteléquia do corpo (como veremos melhor mais adiante). E, em geral, todas as formas das substâncias sensíveis são ato e enteléquia. Deus, como veremos, é enteléquia pura (assim como também as outras Inteligências motrizes das esferas celestes).</p><p>§5.3. Diz ainda Aristóteles que o ato tem absoluta "prioridade e superioridade sobre a potência. Com efeito, só se pode conhecer a potência como tal referindo-a ao ato de que é potência. Além disso, o ato (que é forma) é condição, norma, fim e objetivo da potencialidade (a realização da potencialidade ocorre sempre por obra da forma). Por fim, o ato é superior a potência ontologicamente, porque é o modo de ser das substâncias eternas, como veremos.// Fim do item. <mark>11. 04. 2025. 27 Estudinho</mark>. </p><p>Explicação IA: O texto aborda conceitos centrais da metafísica aristotélica, integrando as noções de <strong>substância</strong>, <strong>ato</strong> (atualidade) e <strong>potência</strong> (potencialidade). Aqui está uma síntese organizada: </p><p><strong>§5.1 – Matéria, Forma e o Composto (Sinolo)</strong></p><p><strong>Matéria como potência</strong>:<br>A matéria é entendida como <strong>potencialidade</strong>, ou seja, a capacidade de receber uma forma específica. Exemplos:  <br>O bronze é "potência" da estátua, pois pode assumir a forma de uma estátua.  </p><p>A madeira é "potência" dos objetos que dela podem ser feitos.</p><p><strong>Forma como ato</strong>:<br>A forma é o <strong>ato</strong> (realização concreta) que atualiza a potencialidade da matéria. Por exemplo, a forma da estátua transforma o bronze em algo específico.  </p><p><strong>O composto (sinolo)</strong>:  <br>Quando consideramos a substância completa (matéria + forma), ela é predominantemente <strong>ato</strong>, pois já está realizada.  </p><p>Se analisada apenas pela forma, é <strong>ato puro ou "enteléquia"</strong> (perfeição realizada).  </p><p>Se focada na matéria, é uma <strong>mistura de potência e ato</strong>, pois a matéria ainda guarda potencialidades não realizadas.</p><p><strong>Conclusão</strong>: Tudo que possui matéria tem graus de potencialidade. Seres imateriais (como Deus), porém, são <strong>atos puros</strong>, sem matéria ou potência.</p><p><strong>§5.2 – Enteléquia e a Alma como Ato</strong></p><ul><li><p><strong>Enteléquia</strong>:<br>Termo usado por Aristóteles para designar a <strong>realização plena</strong> de uma potencialidade. Exemplo:  </p><ul><li><p>A <strong>alma</strong> é a "enteléquia" do corpo, pois é a forma que atualiza a matéria (corpo), dando-lhe vida e propósito.</p></li></ul></li><li><p><strong>Formas e seres imateriais</strong>:  <br>Nas substâncias sensíveis (ex.: seres vivos), a forma é sempre <strong>ato</strong>.  </p><p><strong>Deus e as Inteligências celestes</strong> (seres imateriais) são <strong>enteléquias puras</strong>, ou seja, atos sem qualquer potencialidade, pois já são perfeitos e eternos.</p></li></ul><p><strong>§5.3 – Superioridade do Ato sobre a Potência</strong></p><p>Aristóteles defende que o <strong>ato</strong> é ontologicamente superior à <strong>potência</strong> por três razões:  </p><ol><li><p><strong>Epistemológica</strong>: Só entendemos a potência em relação ao ato (ex.: só sabemos que o bronze é "potência" porque conhecemos a estátua como ato).  </p></li><li><p><strong>Teleológica</strong>: O ato é o <strong>fim</strong> que orienta a potência (a forma da estátua é o objetivo que direciona o trabalho no bronze).  </p></li><li><p><strong>Ontológica</strong>: O ato é o modo de ser das substâncias eternas (ex.: Deus), que existem sem depender de potencialidades.</p></li></ol><p><strong>Data e Contexto</strong></p><p>O trecho parece pertencer a um material de estudo ("27 Estudinho") datado de <strong>11.04.2025</strong>, possivelmente parte de notas ou comentários sobre a metafísica de Aristóteles, destacando sua teoria da substância e a dinâmica entre potencialidade e realização.  <br><strong>Essência</strong>: Ato e potência são pilares para entender como a realidade se estrutura, desde objetos cotidianos até seres divinos, na filosofia aristotélica.</p><p><mark>11 09 2025</mark>. <mark>Vamos a uma historieta para ilustrar essa relação entre substância, ato e potência de maneira acessível:</mark> </p><p><strong>A Cadeira Invisível</strong></p><p>Certo dia, um carpinteiro caminhava por um bosque quando olhou para uma árvore robusta e disse:<br>— Aqui dentro tem uma bela cadeira escondida.</p><p>Seu aprendiz, confuso, respondeu:<br>— Mas mestre, eu só vejo uma árvore!</p><p>O carpinteiro sorriu e explicou:<br>— A madeira da árvore é potência. Ela <strong>pode vir a ser</strong> cadeira, mesa, ou até fogo na lareira. Está cheia de possibilidades.<br>— Quando eu escolho fazer uma cadeira e dou forma à madeira com minhas mãos, essa <strong>potência se realiza</strong>. A cadeira nasce — é o <strong>ato</strong> daquilo que antes só era possível.</p><p>O aprendiz, agora maravilhado, tocou a cadeira recém feita e murmurou:<br>— Então a cadeira já estava aqui... só que escondida.</p><p>— Exato — disse o carpinteiro. — Tudo o que é material carrega em si o que <strong>pode vir a ser</strong>. Mas é a forma que a faz <strong>ser de verdade</strong>.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-02 11:30:59 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>00 VB) Recordação do Item 1. P. 195 - O que é a metafísica.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3392662523</link>
         <description><![CDATA[<p><mark>Recordação Item 1. P. 195 - O que é a metafísica</mark></p><p>Aristóteles distinguiu as ciências em três grandes ramos:</p><p>a) ciências teoréticas, isto é, ciências que buscam o saber em si mesmo;</p><p>b) ciências práticas, isto é, ciências que buscam o saber para, através dele, alcançar a perfeição moral;</p><p>c) ciências poiéticas ou produtivas, isto é, ciências que buscam o saber em função do fazer, isto é, com o objetivo de produzir determinados objetos.</p><p>Por dignidade e valor, as mais elevadas são as primeiras, constituídas pela metafísi­ca, a física (na qual se inclui também a psicologia) e a matemática.</p><p>E conveniente iniciar nossa exposição pelas ciências teoréticas, aliás, pela mais ele­vada delas, já que é dela e em função dela que  todas as outras ciências adquirem seu justo significado prospectivo.</p><p><mark>O que é a metafísica?</mark></p><p>E sabido que o termo "metafisica" (= o que esta além da física) não é termo aristotélico (talvez tenha sido cunhado pelos Peripatéticos, ou nasceu por ocasião da edição das obras de Aristóteles realizada por Andrônico de Rodes no século I a.C.). No mais das vezes Aristóteles usava a expressão "filosofia primeira" ou teologia", em oposição a "filosofia segunda" ou "física". Entretanto, o termo "metafisica" foi sentido como mais significativo pela posteridade, tornando-se o preferido. Com efeito, a "filosofia primeira é precisamente a ciência que se ocupa das realidades-que-estão-acima-das-realidades-</p><p>físicas. E, nas pegadas da visão aristotélica, definitiva e constantemente, toda tentativa do pensamento humano no sentido de ultrapassar o mundo empírico para alcançar urna realidade metaempírica passou a ser denominada "metafisica".</p><p>São quatro as definidores que Aristóteles deu da metafisica:</p><p>a) a metafisica "indaga as causas e os princípios primeiros ou supremos";</p><p>b) "indaga o ser enquanto ser";</p><p>c) "indaga a substância";</p><p>d) "indaga Deus e a substância suprassensível".</p><p>Essas definições dão forma e expressão perfeitas aquelas linhas mestras segundo as quais desenvolvera-se toda a especulação anterior, de Tales a Platão, linhas mestras  que agora Aristóteles reúne em uma poderosa síntese. Mas deve-se notar que as quatro definições aristotélicas de metafísica não estão apenas em harmonia com a tradição filos6fica que precede o Estagirita, mas também estão perfeitamente em harmonia entre si: urna conduz estruturalmente outra e cada urna a todas as outras, em perfeita unidade. Com efeito, quem busca as causas</p><p>e os princípios primeiros necessariamente deve encontrar Deus, porque Deus é a causa e o princípio primeiro por excelência (portanto, faz teologia). Mas também partindo das outras definições chega-se a idênticas conclusões: perguntar-se o que é o ser significa perguntar-se se existe apenas um ser sensível ou também um ser suprassensível e divino (ser teológico). Da mesma forma, a questão "o que é a substância implica também a questão "que tipos de substâncias existem", se só as sensíveis ou também as suprassensíveis e divinas (o que é um problema teológico).</p><p>Com base nisso, pode-se compreender muito bem que Aristóteles tenha usado precisamente o termo "teologia" para indicar a metafísica, porque estruturalmente as outras três dimensões levam a dimensão teológica.</p><p><strong>Mas "para que serve" essa metafisica?</strong></p><p>- pode alguém perguntar. Propor-se essa pergunta significa colocar-se de um ponto de vista antitético ao de Aristóteles. Como diz ele, a metafisica é a ciência mais elevada precisamente porque não esta ligada às necessidades</p><p>materiais. A metafísica não é uma ciência voltada para objetivos práticos ou empíricos. As ciências que têm tais objetivos submetem-se a eles: não valem em si e por si mesmas, mas somente a medida que efetivam os objetivos. Já a metafísica é cínica que vale em si e por si mesma, pois tem em si mesma seu escopo e, nesse sentido, é ciência "livre" por excelência. Dizer isso significa afirmar que a metafisica não responde a necessidades materiais, mas sim espirituais ou seja, aquela necessidade que nasce quando as necessidades físicas estão satisfeitas:</p><p>a pura necessidade de saber e conhecer o verdadeiro, a necessidade radical de responder aos "porquês", especialmente ao "porquê último".</p><ul><li><p>E por isso que Aristóteles escreve: "Todas as outras ciências podem ser mais necessárias ao homem, mas superior a esta nenhuma."//</p></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-02 11:59:14 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>6 VB) Para interessado. Aula prof. Ivo Ibri sobre Aristóteles </title>
         <author>oqeoefevereiro2017_</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3396419142</link>
         <description><![CDATA[<p>https://padlet.com/vabraga/metaf-sica-kfgkq7y4tm8o6f2w/wish/mlNDZ39X7BqyaznG</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-04 18:39:00 UTC</pubDate>
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         <title>7 VB) Item 6. A substância suprassensível. (Com duas pequenas histórias: O Relógio e o Relojoeiro Invisível e A Rosa do Alto da Colina) </title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3398556339</link>
         <description><![CDATA[<p>História da Filosofia – Volume 1 - Giovanni Reale</p><p>6. A substância suprassensível.</p><p>Para completar o conhecimento do edifício metafísico aristotélico resta ainda examinar o procedimento através do qual Aristóteles demonstra a existência da substância suprassensível.</p><p>As substâncias são as realidades primeiras, no sentido de que todos os outros modos dependem da substância, como vimos amplamente. Assim, se todas as substâncias fossem corruptíveis, não existiria absolutamente nada de incorruptível. Mas, diz Aristóteles, o tempo e o movimento são certamente incorruptíveis. O tempo não foi gerado nem se corromperá: com efeito, antes da geração do tempo, deveria ter havido um “antes”, e depois da destruição do tempo deveria haver um “depois”. Ora, “antes” e “depois” outra coisa não são do que tempo. Em outras palavras: o tempo é eterno. O mesmo raciocínio vale também para o movimento, porque, segundo Aristóteles, o tempo outra coisa não é do que uma determinação do movimento. Sendo assim, a eternidade do primeiro postula a eternidade também do segundo.</p><p>Mas a que condição pode subsistir um movimento (e um tempo) eterno? Com base nos princípios por ele estabelecidos estudando as condições do movimento na Física, o Estagirita responde: apenas se subsistir um Princípio primeiro que seja causa dele. </p><p>E como deve ser este Princípio para ser causa desse movimento eterno?</p><p>a)	Em primeiro lugar, diz Aristóteles, o Princípio deve ser eterno: se o movimento é eterno, eterna deve ser sua causa.</p><p>b)	Em segundo lugar, o Princípio deve ser imóvel: com efeito, só o imóvel é “causa absoluta” do móvel. Aristóteles demonstrou rigorosamente esse ponto na Física. Tudo aquilo que está em movimento é movido por outro; e se esse outro, por seu turno, também está em movimento, é movido por outro ainda. Por exemplo: uma pedra é movida por um bastão; o bastão, por seu turno, move-se impelido pela mão; a mão é movida pelo homem. Em suma, para explicar cada movimento, é preciso referir-se a um Princípio que, em si, não seja movido, pelo menos em relação àquilo que move. Com efeito, seria absurdo pensar que se pode remontar ao infinito, de motor em motor, porque seria impensável nesses casos um processo ao infinito. Ora, sendo assim, não apenas deve haver princípios ou motores relativamente imóveis, dos quais derivam os movimentos singulares, mas também, com tanto mais razão, deve haver um Princípio absolutamente primeiro e absolutamente imóvel, do qual deriva o movimento de todo o universo.</p><p>c)	Em terceiro lugar, esse Princípio deve ser inteiramente privado de potencialidade, isto é, ato puro. Com efeito, se possuísse potencialidade, poderia também não mover em ato; mas isso é absolutamente absurdo, porque, nesse caso, não haveria um movimento eterno dos céus, isto é, um movimento sempre em ato.</p><p> <mark>Vamos a uma historieta ilustrativa?</mark> </p><p>Aqui vai uma <strong>historieta filosófica</strong> para ilustrar a demonstração da <strong>substância suprassensível</strong> em Aristóteles, pensada para alunos adultos, especialmente em um contexto de reflexão mais espiritual e filosófica:</p><p><strong>O Relógio e o Relojoeiro Invisível</strong></p><p>Num vilarejo antigo, havia um enorme <strong>relógio de torre</strong> que marcava as horas com precisão há gerações. Nenhum morador sabia exatamente quem o havia construído, mas todos confiavam em seu funcionamento. O mais curioso era que, <strong>mesmo após séculos, ele nunca parava</strong>. Os ponteiros giravam com perfeição, dia e noite, faça chuva ou sol.</p><p>Um dia, um jovem filósofo da aldeia decidiu investigar. Subiu até a torre, examinou as engrenagens, observou os pesos e rodas dentadas. Tudo indicava movimento. Mas... quem dava corda nesse relógio eterno? Ele começou a perguntar: “Como pode algo se mover por tanto tempo sem parar? Algo precisa mantê-lo em movimento, mas o quê?”</p><p>Os anciãos diziam: “Ah, meu filho... deve haver um <strong>Relojoeiro Invisível</strong>, que move sem ser movido, que está além do tempo que o próprio relógio mede.”<br>O jovem, intrigado, retrucou: “Mas se esse relojoeiro existisse, ele mesmo não poderia depender de outro para se mover, senão teríamos que procurar um relojoeiro do relojoeiro, e assim por diante… ao infinito!”</p><p>Um velho sábio, ouvindo a conversa, sorriu e disse:<br>“É aí que está o segredo, rapaz. O movimento eterno do relógio só pode vir de <strong>um primeiro motor imóvel</strong>, que não precisa ser movido por nada, que é <strong>ato puro</strong>, sem qualquer potencialidade de parar ou mudar. Ele simplesmente é. Ele é a fonte que faz tudo funcionar, sem precisar de corda, de descanso, ou de substituição.”</p><p>Desde então, o jovem começou a ver o relógio não apenas como um objeto útil, mas como um <strong>símbolo de algo maior, eterno e invisível</strong>, que sustenta tudo o que se move — e talvez, até o próprio universo./</p><p>Esse é o “Motor Imóvel”, que outra coisa não é do que a substância suprassensível que buscávamos. </p><p><strong>Mas de que modo o Primeiro Motor pode mover permanecendo absolutamente imóvel? No âmbito das coisas que nós conhecemos existirá algo que saiba mover sem ele próprio se mover? Aristóteles responde apresentando como exemplos de coisas assim “o objeto do desejo e da inteligência”. </strong></p><p><strong>O objeto do desejo é aquilo que é belo e bom: o belo e o bom atraem a vontade do homem sem de algum modo se moverem; da mesma forma, o inteligível move a inteligência sem se mover. Analogamente, o Primeiro Motor “move como o objeto de amor atrai o amante” e, como tal, permanece absolutamente imóvel. Evidentemente, a causalidade do Primeiro Motor não é causalidade do tipo “eficiente” (do tipo exercido pela mão que move um corpo, pelo escultor que modela o mármore ou pelo pai que gera o filho), sendo, mais propriamente, causalidade de tipo “final” (Deus atrai e, portanto, move, como “perfeição”).</strong></p><p><strong>O mundo não teve um começo. Não houve um momento em que havia o caos (ou o não cosmo), precisamente porque, se assim fosse, contradiria o teorema da prioridade do ato sobre a potência: ou seja, primeiro haveria o caos, que é potência, para depois haver o mundo, que é ato. Mas isso é tanto mais absurdo quando se sabe que, sendo eterno, Deus sempre atraiu o universo como objeto de amor; portanto, o universo deve ter sido sempre tal como é. Fim do item 6. Contribuição da Mila. </strong></p><p><mark>Vamos a uma historieta ilustrativa? </mark></p><p>Aqui vai uma <strong>historieta ilustrativa</strong> com linguagem acessível e simbólica, feita para adultos em reflexão filosófica e/ou espiritual, inspirada no conceito aristotélico do <strong>Motor Imóvel</strong> como <strong>objeto de desejo e amor</strong> que move sem se mover:</p><p><strong>A Rosa do Alto da Colina</strong></p><p>Havia um vilarejo cercado por colinas verdes e tranquilas. No topo de uma delas, crescia uma <strong>única rosa</strong>, de beleza inigualável. Ela não era como as outras flores — jamais murchava, jamais se mexia com o vento, e mesmo assim, seu perfume descia pelas encostas e alcançava a todos.</p><p>Com o tempo, os habitantes começaram a subir a colina, atraídos pela fragrância e pela fama da rosa. Uns subiam por curiosidade, outros por amor à beleza, e muitos diziam que ao chegar perto dela sentiam uma paz tão profunda que mudavam sua maneira de viver.</p><p>Um jovem poeta, intrigado, subiu também. Quando chegou lá, viu que a rosa realmente não se movia — não dançava ao vento, não se curvava ao sol, não reagia ao toque. No entanto, ela estava no centro de tudo, como se o vilarejo inteiro se organizasse ao seu redor. O poeta pensou:</p><p>— “Ela não empurra ninguém… mas todos vêm até ela. Ela não comanda, mas é seguida. Não fala, mas inspira. <strong>Move tudo, sem se mover.</strong>”</p><p>No alto da colina, ele escreveu no seu caderno:</p><blockquote><p>“Há coisas que movem pelo simples fato de serem o que são. O amor verdadeiro, a beleza pura, a perfeição silenciosa… não agem como motores de máquinas, mas como faróis: <strong>atraem por serem luz.</strong>”</p></blockquote><p>Desde então, a rosa passou a ser chamada de <strong>A Rosa Imóvel</strong>, e muitos passaram a entender que o verdadeiro mover não precisa de força, mas de sentido.</p><p><mark>Pergunta para discussão em grupo:  </mark></p><p>Você já sentiu ser “movido” por algo que não se move — como uma ideia, um valor, uma pessoa, uma experiência espiritual? O que isso nos ensina sobre o tipo de causa que Aristóteles chama de “final”?</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 09:08:56 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>8 VB) Historieta - A Roda e o  Silêncio, para ilustrar a noção aristotélica de Motor Imóvel como substância suprassensível e quadro do livro: Ato. </title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3398586878</link>
         <description><![CDATA[<p>Aqui vai uma historieta especialmente pensada para adultos, que ajuda a ilustrar a noção aristotélica do <strong>Motor Imóvel</strong> como substância suprassensível:</p><p><strong>A Roda e o Silêncio</strong></p><p>Num vilarejo antigo, havia uma roda de moinho que girava incessantemente, dia e noite, movida pelas águas de um rio caudaloso. Ninguém na vila lembrava da última vez que a roda tinha parado. Ela apenas girava, moendo o grão, sustentando a vida do povo.</p><p>Certa vez, um jovem curioso perguntou ao velho sábio da aldeia:</p><p>— Mestre, o que faz essa roda girar sem cessar?</p><p>O velho respondeu:</p><p>— O rio empurra a roda.</p><p>— E o que faz o rio correr?</p><p>— As chuvas nas montanhas, as nascentes ocultas que brotam sem parar.</p><p>— E o que faz essas nascentes não cessarem? — insistiu o jovem.</p><p>O velho então sorriu e levou o rapaz até um mirante, de onde se via toda a cadeia de montanhas ao longe. Apontou para o horizonte e disse:</p><p>— Há algo que move tudo, mas que em si não se move. Algo que dá origem ao fluxo, sem ser arrastado por ele. Um silêncio que sustenta o som de todas as coisas.</p><p>O jovem ficou confuso.</p><p>— Como pode algo mover sem se mover?</p><p>— Ora — respondeu o sábio —, pense no desejo que faz você caminhar. O desejo, em si, não se move fisicamente, mas é ele que põe seu corpo em ação. Sem ele, você ficaria parado. O mesmo se dá com o mundo: há um desejo eterno, uma presença em ato puro, que move tudo sem ser movido. Esse é o Princípio primeiro, o Motor Imóvel.</p><p>O jovem ficou em silêncio, olhando para o moinho que ainda girava.</p><p>E pela primeira vez, entendeu que por trás de todo movimento visível, há um Mistério imóvel que tudo sustenta./</p><ul><li><p><mark>Quadro do livro: Ato (= enérgheia, entelécheia). É um termo originário que não pode ser definido, mas apenas intuído e ilustrado por meio de exemplos. Para Aristóteles é o ser na sua realização completa e na sua perfeição. O ato é oposto à potência, que é o ser na sua capacidade de desenvolver-se (por exemplo, a planta é o ato da semente, enquanto a semente é a planta em potência). Os dois conceitos, tomados juntos no seu nexo estrutural, explicam o movimento em todas as suas formas. Para Aristóteles potência e ato não são equipolentes do ponto de vista ontológico, ou seja, no grau de ser, mas o ato goza de prioridade em relação à potência, da qual constitui a condição, o fim e a regra. O ato corresponde à forma, a potência à matéria./ Contribuição da  Mila. </mark></p></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 09:38:14 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>25 04 2025 - 17 horas. 9VB)  7. Problemas a respeito da substância suprassensível - Pag. 202 Historietas: O Espelho do Alto da Montanha e O Espelho no Alto da Montanha: Um conto filosófico inspirado em Aristóteles“_ Deus é pensamento de pensamento.” – Aristóteles.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3399014162</link>
         <description><![CDATA[<p><strong><mark>25 04 2025</mark> _ 1 Natureza da substância suprassensível - p. 202.</strong></p><p>Esse Princípio do qual “dependem o céu e a natureza” é Vida. Mas que vida? Aquela que é mais excelente e perfeita de todas, aquela vida que só nos é possível por breve tempo: a vida do pensamento puro, a vida da atividade contemplativa. Eis a passagem estupenda em que Aristóteles descreve a natureza do Motor Imóvel: “De tal princípio, portanto, dependem o céu e a natureza. E o seu modo de viver é o mais excelente: é aquele modo de viver que só nos é concedido por breve tempo. E Ele está sempre nesse estado. Para nós, isso é impossível, mas para Ele não é impossível, porque o ato do seu viver é prazer. Também para nós são sumamente agradáveis a vigília, a sensação e o conhecimento, precisamente porque são ato e, em virtude disso, também esperanças e recordações. (...) Assim, se nessa feliz condição em que por vezes nos encontramos Deus se encontra perenemente, isso é maravilhoso; se Ele se encontra em uma condição superior, é ainda mais maravilhoso. E Ele efetivamente se encontra nessa condição. Ele também é Vida, porque a atividade da inteligência é vida e Ele é precisamente essa atividade. E sua atividade, que subsiste por si mesma, é vida ótima e eterna. Com efeito, dizemos que Deus é vivente, eterno e ótimo, de modo que a Deus pertence uma vida perenemente continua e eterna: isso, portanto, é Deus.”</p><p>Mas o que pensa Deus? Deus pensa o que é mais excelente. E a coisa mais excelente é o próprio Deus. Deus, portanto, pensa a si mesmo: “é pensamento de pensamento”.</p><p>Deus, portanto, é eterno, imóvel, ato puro, privado de potencialidade e de matéria, vida espiritual e pensamento de pensamento. Sendo assim, obviamente, “não pode ter nenhuma grandeza”, devendo ser “sem partes e indivisível”. E também deve ser “impassível e inalterável”. //</p><p><mark>Historieta para ilustrar o tema: </mark></p><p>Aqui vai uma historieta filosófica, simples e simbólica, que pode ajudar alunos adultos a compreenderem melhor esse trecho denso da Metafísica de Aristóteles, especialmente a ideia do Motor Imóvel como vida contemplativa, pensamento de pensamento e ato puro.</p><p><strong>Historieta: <mark>O Espelho do Alto da Montanha</mark></strong></p><p>Em uma aldeia entre vales e colinas, vivia um homem sábio chamado Elion. Ele era conhecido por subir todos os dias até o topo de uma montanha solitária, onde ficava em silêncio por longas horas, olhando para um antigo espelho de bronze fixado em uma pedra.</p><p>Curiosos, os aldeões começaram a comentar: — Elion fala com o espelho? Será que está louco? — Ou será que ele vê algo que nós não vemos?</p><p>Certo dia, um jovem chamado Aris, inquieto com o mistério, decidiu acompanhar o sábio. Subiu com esforço a trilha da montanha e, ao encontrar Elion, perguntou: — Mestre, o que você contempla nesse espelho todos os dias?</p><p>Elion sorriu e respondeu: — O espelho não é comum. Ele foi forjado por antigos pensadores e não reflete o que está fora, mas o que está dentro. Aqui, não vejo meu rosto, mas o próprio pensamento em ato.</p><p>O jovem, confuso, retrucou: — Mas por que olhar para si mesmo? Não é o mundo lá embaixo mais interessante?</p><p>Elion então respondeu: — O mundo lá embaixo muda. Tudo começa e termina. Aqui em cima, na contemplação, encontro o que não muda. O que é eterno. O que vive por si mesmo. Este espelho me ensina que o mais alto viver é pensar o que é mais excelente — e o mais excelente é o próprio pensar.</p><p>— Então... — arriscou Aris — você diz que o mais pleno da vida não é fazer, mas ser pensamento?</p><p>Elion assentiu: — Sim. Assim como o fogo vive ao queimar, o Ser supremo vive ao pensar. Mas não qualquer pensamento — Ele pensa a si mesmo. É o pensar puro, que não deseja, não sofre, não muda. Ele é como este espelho: inteiro, indivisível, sem partes, sem sombras.</p><p>Aris ficou em silêncio. E, naquele dia, começou também a sua subida diária à montanha.</p><p><strong>Sugestão de perguntas para discussão em grupo</strong>:</p><ol><li><p>O que essa historieta nos ensina sobre a ideia de contemplação como forma de vida?</p></li><li><p>Em que sentido o pensamento de si mesmo pode ser considerado a mais alta forma de vida?</p></li><li><p>Como essa concepção de Deus difere de outras mais emocionais ou interventoras?</p></li><li><p>Qual a relação entre imutabilidade e perfeição, segundo Aristóteles?</p></li></ol><p><mark>Um conto: </mark><strong><mark>O Espelho no Alto da Montanha</mark></strong></p><p><em><mark>Um conto filosófico inspirado em Aristóteles</mark></em></p><p><strong>“Deus é pensamento de pensamento.”</strong> – Aristóteles</p><p>No alto de uma montanha solitária, fixado em uma pedra, repousava um espelho antigo. Diziam que ele não refletia rostos, mas pensamentos. E todos os dias, Elion, o homem mais velho da aldeia, subia até lá para contemplá-lo em silêncio.</p><p>Curioso, o jovem Aris decidiu segui-lo e perguntou:</p><p>— Mestre, por que contemplar um espelho que não mostra o mundo?</p><p>Elion respondeu com serenidade:</p><p>— Porque o mundo muda. Mas aquilo que é mais verdadeiro... permanece. Este espelho me mostra o que vive por si mesmo: o pensamento puro.</p><p>— Mas por que olhar para dentro, quando há tanto para ver fora?</p><p>— Porque o mais alto viver é aquele que se basta. Assim como o fogo vive ao queimar, o Ser supremo vive ao pensar. E Ele pensa o que há de mais excelente: Ele mesmo.</p><p>Aris silenciou. E naquele dia, também ele começou a subir a montanha.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 14:57:12 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>10 VB) 7.2 Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3399016210</link>
         <description><![CDATA[<p>7.2 Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas</p><p>Essa substancia é única ou haverá outras, afins a ela? Aristóteles não acreditava que, por si só, o Motor Imóvel bastasse para explicar o movimento de todas as esferas de que ele pensava que o céu fosse constituído. Uma só esfera move as estrelas fixas, que, de fato, tem um movimento regularíssimo. Mas, entre elas e a terra, existem outras esferas, que se movem com movimentos diferentes, os quais, combinando-se de vários modos, deveriam explicar os movimentos dos astros. Essas esferas são movidas por Inteligências análogas ao Motor Imóvel, mas inferiores a Ele; aliás, uma sendo inferior a outra, assim como são hierarquicamente inferiores umas às outras as esferas que se encontram entre a esfera das estrelas fixas e a terra.</p><p>Será essa uma forma de politeísmo? </p><p>Para Aristóteles, assim como para Platão e, geralmente, para os gregos, o Divino designa ampla esfera, na qual, por razões diversas, tem lugar múltiplas e diferentes realidades. Já para os Naturalistas o Divino incluía estruturalmente muitos entes. E o mesmo vale para Platão. Analogamente, para Aristóteles, o Motor Imóvel é divino, como também são divinas as substancias suprassensíveis e imóveis motrizes dos céus, e também é divina a alma intelectiva dos homens; divino é tudo aquilo que é eterno e incorruptível. </p><p>Estabelecida essa premissa, devemos dizer que é inegável certa tentativa de unificação realizada por Aristóteles. Antes de mais nada, ele só chamou explicitamente o Primeiro Motor com o termo “Deus” em sentido forte, reafirmando sua unicidade e deduzindo dessa unicidade também a unicidade do mundo. O décimo segundo livro da Metafisica se conclui com a solene afirmação de que as coisas não querem ser malgovernadas por uma multiplicidade de princípios, afirmação que é inclusive selada pelo significativo verso de Homero: “Não é bom o governo de muitos; seja só um o comandante.”</p><p>Em Aristóteles, portanto, há um monoteísmo mais “exigêncial” do que efetivo. “Exigencial” porque ele procurou separar claramente o Primeiro Motor dos outros, colocando-o num plano inteiramente diverso, a ponto de poder legitimamente chamá-lo “único”, e de sua unicidade deduzir a unicidade do mundo. Por outro lado, essa exigência realiza-se apenas em parte, porque as cinquenta e cinco substancias motrizes são igualmente substancias eternas e imateriais, que não dependem do Primeiro Motor quanto ao ser. O Deus aristotélico não é criador das cinquenta e cinco inteligências motrizes. E daí nascem todas as dificuldades sobre as quais raciocinamos. Ademais, o Estagirita deixou completamente inexplicada a precisa relação existente entre Deus e essas substancias, bem como as esferas que elas movem. <mark>A Idade Média transformara essas substancias nas célebres “inteligências angélicas” motrizes, mas, precisamente, só conseguira operar essa transformação em virtude do conceito de criação. </mark></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 14:58:43 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>29º Estudinho 28 04 2025 _11 VB) 7.3 As relações entre Deus e o mundo.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3399017845</link>
         <description><![CDATA[<p><mark>29º Estudinho 28 04 2025</mark> </p><p>7.3 As relações entre Deus e o mundo</p><p>Deus pensa a si mesmo, mas não as realidades do mundo e os homens singulares, que são coisas imperfeitas e mutáveis. Para Aristóteles, com efeito, “é absurdo que a inteligência divina pense certas coisas”; “ela pensa aquilo que é mais divino e mais digno de honra, e o objeto do seu pensar é aquilo que não muda”. Essa limitação do Deus aristotélico deriva do fato de que ele não criou o mundo, mas foi muito mais o mundo que, em certo sentido, se produziu tendendo para Deus, atraído pela perfeição. Outra limitação do Deus aristotélico, que tem o mesmo fundamento da anterior, consiste no fato de que ele é objeto de amor, mas não ama (ou, quando muito, ama a si mesmo). Enquanto tais, os indivíduos não são de modo algum objeto do amor divino: Deus não se volta para os homens e menos ainda para cada homem individualmente. Cada um dos homens, assim como cada uma das coisas, tende de modos variados para Deus; mas Deus, como não pode conhecer, também não pode amar nenhum dos homens individualmente. Em outros termos: Deus é só amado e não, também, amante; ele é só objeto e não, também, sujeito de amor. Para Aristóteles, assim como para Platão, é impensável que Deus (o Absoluto) ame alguma coisa (algo que não seja ele), dado que o amor é sempre “tendência a possuir algo de que se está privado”, e Deus não está privado de nada. (A dimensão do amor como dom gratuito de si era totalmente desconhecida para os gregos.) <mark>Além disso, Deus não pode amar porquê é inteligência pura e, segundo Aristóteles, a inteligência pura e “impassível” e, como tal, não ama.</mark></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 14:59:52 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>12 VB) 8 Relações entre Platão e Aristóteles a respeito do suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3399018401</link>
         <description><![CDATA[<p>8 Relações entre Platão e Aristóteles a respeito do suprassensível</p><p>Aristóteles criticou asperamente o mundo das Ideias platônicas com numerosos argumentos, demonstrando que, se elas fossem “separadas”, ou seja, “transcendentes”, como queria Platão, não poderiam ser causa da existência das coisas nem causa de sua cognoscibilidade. Para poder desenvolver esse papel, as Formas são introduzidas no mundo sensível, tornando-se imanentes. A doutrina do “sinolo” de matéria e forma constitui a proposta que Aristóteles apresenta como alternativa à proposta de Platão. Entretanto, ao fazê-lo, Aristóteles não pretendeu em absoluto negar que existem realidades suprassensíveis, como já vimos amplamente, mas quis simplesmente negar que o suprassensível fosse como Platão o pensava. O mundo do suprassensível não é um mundo de “Inteligíveis”, mas sim de “Inteligências”, tendo no seu vértice a suprema das inteligências. As Ideias ou formas, por seu turno, são a trama inteligível do sensível, como vimos.</p><p><mark>Nesse ponto, Aristóteles representa indubitável progresso em relação a Platão.</mark> Mas, no calor da polêmica, ele cindiu de modo muito claro a Inteligência e as formas inteligíveis. As várias formas pareceriam assim nascer como efeitos da atração do mundo por parte de Deus e dos movimentos celestes produzidos por essa atração, mas não são “pensamentos de Deus”. <mark>Passariam muitos séculos ainda antes que se conseguisse sintetizar a instancia platônica com a aristotélica, fazendo do mundo das formas o “cosmo noético” presente no pensamento de Deus.//</mark></p><p><strong>"Passariam muitos séculos ainda antes que se conseguisse sintetizar a instância platônica com a aristotélica"</strong><br>— Aqui o autor está dizendo que demorou muito tempo para que alguém conseguisse unir dois grandes modos de pensar:</p><ul><li><p><strong>Platão</strong> defendia a existência de um "mundo das formas" separado do mundo material — as Ideias ou Formas seriam perfeitas, eternas, imutáveis e existiriam independentemente das coisas físicas.</p></li><li><p><strong>Aristóteles</strong>, aluno de Platão, rejeitou essa separação radical. Para ele, as formas ou essências estavam nas próprias coisas: não existia um "mundo separado" das Formas, mas a forma estava inseparável da matéria.</p></li></ul><p><strong>"fazendo do mundo das formas o 'cosmo noético' presente no pensamento de Deus"</strong><br>— A síntese referida aqui é que, depois de muito tempo (especialmente com filósofos como <strong>Plotino</strong> e, depois, pensadores cristãos como <strong>Santo Agostinho</strong> e <strong>Tomás de Aquino</strong>), a ideia platônica do "mundo das formas" foi reinterpretada:<br>As Formas passaram a ser vistas <strong>não mais como um mundo separado</strong> flutuando sozinho, mas como <strong>presentes no pensamento divino</strong>.<br>Esse "cosmo noético" (noético vem de <em>nous</em>, mente ou intelecto) é como uma dimensão intelectual em Deus — ou seja, <strong>as essências ou formas existem no intelecto de Deus</strong>.</p><p><strong>Resumindo em outras palavras:</strong><br>→ Durante muitos séculos, os filósofos tentaram resolver o conflito entre Platão (formas separadas) e Aristóteles (formas unidas à matéria).<br>→ A solução que alguns pensadores propuseram foi: as Formas existem, sim, mas <strong>não em outro mundo</strong>, nem <strong>só nas coisas</strong>, e sim <strong>na mente de Deus</strong>, como ideias perfeitas que fundamentam e ordenam o universo.</p><p>Se quiser, também posso te mostrar alguns exemplos históricos dessa síntese (como em Plotino, Agostinho ou Aquino).<br>Gostaria? Ótimo! Vou te mostrar de forma clara como essa síntese foi se formando em três momentos importantes:</p><p>1. <strong>Plotino (século III d.C.) – Neoplatonismo</strong></p><p>Plotino, grande pensador neoplatônico, deu um passo essencial nessa união.<br>Para ele:</p><ul><li><p>Existe <strong>O Uno</strong>, fonte de tudo (um absoluto, acima de todo ser e pensamento).</p></li><li><p>Do Uno "emana" o <strong>Nous</strong> (Intelecto ou Mente divina), onde estão todas as Formas (ideias eternas).</p></li><li><p>E do Nous emana a <strong>Alma do Mundo</strong>, que anima o universo material.</p></li></ul><p><strong>Ou seja</strong>:<br>→ As Formas estão dentro de uma Mente divina (o Nous), e não separadas no vazio.<br>→ O mundo físico é uma imagem "imperfeita" dessas Formas.</p><p><strong>Resumo</strong>: Plotino aproximou a visão platônica da noção de uma Inteligência Suprema, começando a costurar Platão e Aristóteles.</p><p>2. <strong>Santo Agostinho (século IV-V) – Cristianismo e Platão</strong></p><p>Agostinho foi um grande cristão influenciado por Platão e pelo neoplatonismo de Plotino.<br>Para Agostinho:</p><ul><li><p>Deus é a Verdade absoluta.</p></li><li><p><strong>As Ideias eternas</strong> (as Formas) <strong>estão na mente de Deus</strong>.</p></li><li><p>Quando o ser humano conhece algo verdadeiro, ele está, na verdade, "vendo" (pela razão iluminada) algo que já existe no pensamento divino.</p></li></ul><p><strong>Ou seja</strong>:<br>→ Não há mais um "mundo das formas" separado: elas <strong>vivem em Deus</strong>.<br>→ O conhecimento verdadeiro é um <strong>contato com o intelecto divino</strong>.</p><p><strong>Resumo</strong>: Agostinho cristianizou Platão: as Formas são pensamentos eternos de Deus.</p><p>3. <strong>São Tomás de Aquino (século XIII) – Aristotelismo Cristão</strong></p><p>Tomás de Aquino deu um passo ainda mais forte: ele absorveu Aristóteles dentro da teologia cristã.<br>Para Tomás:</p><ul><li><p>A matéria e a forma existem juntas em cada ser individual (como dizia Aristóteles).</p></li><li><p>Mas as <strong>essências universais</strong> (como "cavalidade", "humanidade") existem <strong>de maneira perfeita e eterna na mente de Deus</strong>.</p></li></ul><p><strong>Ou seja</strong>:<br>→ No mundo concreto, matéria e forma estão unidas.<br>→ Mas <strong>o modelo perfeito de cada coisa existe em Deus</strong>, como <strong>Ideia divina</strong>.</p><p><strong>Resumo</strong>: Aquino uniu a lógica concreta de Aristóteles com a metafísica platônica, sob a visão cristã.</p><p>Em resumo geral:</p><ul><li><p><strong>Plotino</strong>: Formas no Nous (Intelecto Divino).</p></li><li><p><strong>Agostinho</strong>: Formas no Pensamento de Deus.</p></li><li><p><strong>Tomás de Aquino</strong>: Essências materiais aqui e perfeitas na mente de Deus.</p></li></ul><p>Assim, <strong>séculos depois de Platão e Aristóteles</strong>, a filosofia e a teologia sintetizaram suas ideias:<br>→ O "mundo das formas" passou a ser visto como <strong>o cosmo noético</strong>, o "universo das ideias" no próprio Deus.</p><p>Se quiser, posso também desenhar esse processo em forma de <strong>mapa mental</strong> para você visualizar melhor. Quer? 🎯</p><p><mark>Faz historieta, para alunos de filosofia, adultos, entenderem melhor esta questão: </mark></p><p>O ChatGPT disse:</p><p>Claro! Aqui vai uma historieta que explica essa evolução de forma simples e interessante para adultos estudando filosofia:</p><p>🏛️ A Oficina do Grande Artesão</p><p>Há muito, muito tempo, havia um Grande Artesão, famoso por criar as coisas mais belas do universo. Mas antes de fazer qualquer coisa, ele se sentava em sua oficina e imaginava cada criação em sua mente: as formas perfeitas de árvores, cavalos, rios e até estrelas.</p><p>Os primeiros aprendizes do Artesão — como Platão — observaram e pensaram:</p><p>"Ah! As coisas verdadeiras são essas imagens perfeitas que vivem apenas na mente dele. O que vemos aqui fora é apenas uma sombra imperfeita delas."</p><p>Então, passaram a procurar esse "mundo das ideias", pensando que ele ficava separado, em algum lugar mágico, distante do mundo comum.</p><p>Um novo aprendiz, Aristóteles, discordou:</p><p>"Não! Não há dois mundos! As formas estão dentro das próprias coisas. A beleza da árvore está na árvore mesma, não em outro lugar!"</p><p>O Artesão sorriu, mas não disse nada. Deixou-os pensarem.</p><p>Muitos séculos depois, alguns sábios sentaram-se ao lado da oficina e conversaram entre si. Eles tentaram juntar as ideias de Platão e Aristóteles.</p><p>Um deles, Plotino, sugeriu:</p><p>"E se as ideias não estiverem simplesmente lá fora, nem só dentro das coisas, mas dentro da própria mente do Artesão?"</p><p>Outro, Agostinho, completou:</p><p>"Sim! Tudo o que existe de bom e verdadeiro é um pensamento eterno na cabeça do Grande Criador!"</p><p>O mais paciente dos aprendizes, Tomás, ainda foi além:</p><p>"Deus pensou cada forma eterna... mas também misturou forma e matéria em cada coisa que Ele criou. Tudo aqui é um reflexo do pensamento divino."</p><p>O Artesão, enfim, falou:</p><p>"Vocês entenderam. O que criei no mundo é a expressão viva do que trago no meu pensamento eterno. Nem longe, nem perdido: está tudo aqui, visível e invisível ao mesmo tempo."</p><p>Desde então, os sábios ensinaram que o mundo visível e o mundo invisível são dois lados da mesma moeda: o mundo material reflete o cosmo noético — o universo das ideias eternas que existem no pensamento de Deus.</p><p>Se quiser, posso também criar uma versão ainda mais curta para usar em aulas rápidas ou uma versão em diálogo para deixar mais interativo.</p><p>Quer que eu faça? 🎯</p><p><br/></p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-07 15:00:18 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>6VB) 6. A substância suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417573044</link>
         <description><![CDATA[<p>§6.1. 6. A substância suprassensível. (Página 200)</p><p>Para completar o conhecimento do edifício metafísico aristotélico resta ainda examinar o procedimento através do qual Aristóteles demonstra a existência da substância <em>suprassensível</em>./</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:47:49 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>7VB) 6§2. A substância suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417577116</link>
         <description><![CDATA[<p>6§2. As substâncias são as realidades primeiras, no sentido de que todos os outros modos dependem da substância, como vimos amplamente. Assim, se todas as substâncias fossem corruptíveis, não existiria absolutamente nada de incorruptível. Mas, diz Aristóteles, o tempo e o movimento são certamente incorruptíveis. O tempo não foi gerado nem se corromperá: com efeito, antes da geração do tempo, deveria ter havido um “antes”, e depois da destruição do tempo deveria haver um “depois”. Ora, “antes” e “depois” outra coisa não são do que tempo. Em outras palavras: o tempo é eterno. O mesmo raciocínio vale também para o movimento, porque, segundo Aristóteles, o tempo outra coisa não é do que uma determinação do movimento. Sendo assim, a eternidade do primeiro postula a eternidade também do segundo.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:52:50 UTC</pubDate>
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         <title>8VB_6§3.  A substância suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417577959</link>
         <description><![CDATA[<p>6§3. Mas a que condição pode subsistir um movimento (e um tempo) eterno? Com base nos princípios por ele estabelecidos estudando as condições do movimento na Física, o Estagirita responde: apenas se subsistir um Princípio primeiro que seja causa dele. </p><p>E como deve ser este Princípio para ser causa desse movimento eterno?</p><p>a)	Em primeiro lugar, diz Aristóteles, o Princípio deve ser eterno: se o movimento é eterno, eterna deve ser sua causa.</p><p>b)	Em segundo lugar, o Princípio deve ser imóvel: com efeito, só o imóvel é “causa absoluta” do móvel. Aristóteles demonstrou rigorosamente esse ponto na Física. Tudo aquilo que está em movimento é movido outro; e se esse outro, por seu turno, também está em movimento, é movido por outro ainda. Por exemplo: uma pedra é movida por um bastão; o bastão, por seu turno, move-se impelido pela mão; a mão é movida pelo homem. Em suma, para explicar cada movimento, é preciso referir-se a um Princípio que, em si, não seja movido, pelo menos em relação àquilo que move. Com efeito, seria absurdo pensar que se pode remontar ao infinito, de motor em motor, porque seria impensável nesses casos um processo ao infinito. Ora, sendo assim, não apenas deve haver princípios ou motores relativamente imóveis, dos quais derivam os movimentos singulares, mas também, com tanto mais razão, deve haver um Princípio absolutamente primeiro e absolutamente imóvel, do qual deriva o movimento de todo o universo.</p><p>c)	Em terceiro lugar, esse Princípio deve ser inteiramente privado de potencialidade, isto é, ato puro. Com efeito, se possuísse potencialidade, poderia também não mover em ato; mas isso é absolutamente absurdo, porque, nesse caso, não haveria um movimento eterno dos céus, isto é, um movimento sempre em ato./</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:53:42 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>9VB_ 6§4 A substância suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417578206</link>
         <description><![CDATA[<p>6§4. Esse é o “Motor Imóvel”, que outra coisa não é do que a substância suprassensível que buscávamos. </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:54:01 UTC</pubDate>
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         <title>10VB)6§5. A substância suprassensível.</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417578777</link>
         <description><![CDATA[<p>6§5. Mas de que modo o Primeiro Motor pode mover permanecendo absolutamente imóvel? No âmbito das coisas que nós conhecemos existirá algo que saiba mover sem ele próprio se mover? Aristóteles responde apresentando como exemplos de coisas assim “o objeto do desejo e da inteligência”. O objeto do desejo é aquilo que é belo e bom: o belo e o bom atraem a vontade do homem sem de algum modo se moverem; da mesma forma, o inteligível move a inteligência sem se mover. Analogamente, o Primeiro Motor “move como o objeto de amor atrai o amante” e, como tal, permanece absolutamente imóvel. Evidentemente, a causalidade do Primeiro Motor não é causalidade do tipo “eficiente” (do tipo exercido pela mão que move um corpo, pelo escultor que modela o mármore ou pelo pai que gera o filho), sendo, mais propriamente, causalidade de tipo “final” (Deus atrai e, portanto, move, como “perfeição”)./</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:54:42 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>11VB_ 6§6. (Último do subitem 6. A substância supra-sensível - O Relógio e o Sábio Silencioso</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417579568</link>
         <description><![CDATA[<p>6§6 .O mundo não teve um começo. Não houve um momento em que havia o caos (ou o não-cosmo), precisamente porque, se assim fosse, contradiria o teorema da prioridade do ato sobre a potência: ou seja, primeiro haveria o caos, que é potência, para depois haver o mundo, que é ato. Mas isso é tanto mais absurdo quando se sabe que, sendo eterno, Deus sempre atraiu o universo como objeto de amor; portanto, o universo deve ter sido sempre tal como é./Teto 2./</p><p>_______________________________________________________________</p><p>Aqui vai uma <strong>historieta filosófica</strong> feita para adultos, com o objetivo de ajudar na compreensão didática do texto sobre a <strong>substância suprassensível em Aristóteles</strong>, centrando-se na noção de Motor Imóvel como causa final eterna do movimento:</p><p><strong>O Relógio e o Sábio Silencioso</strong></p><p>Certa vez, numa vila isolada nas montanhas, havia um enorme relógio de torre que nunca parava. Os moradores já tinham esquecido quem o construíra, mas todos confiavam em sua precisão absoluta. No centro da praça, seus ponteiros giravam dia e noite, imperturbáveis.</p><p>O mais curioso é que, atrás da torre, havia uma pequena casa onde morava um velho sábio. Ele jamais saía, e poucos se lembravam de tê-lo visto. Ainda assim, corria entre os anciãos da vila uma história curiosa: diziam que o velho era o <strong>responsável pelo movimento eterno do relógio</strong>, mas não com cordas ou engrenagens. “Ele move sem tocar”, diziam. “Ele é o motivo pelo qual o relógio nunca para.”</p><p>Intrigado, um jovem filósofo decidiu investigar. Ele observou o relógio durante dias: nunca desacelerava, nunca se detinha. “Algo assim não pode depender apenas de peças”, pensou. “Se algo se move eternamente, deve haver uma causa que nunca se move, senão ela também precisaria de outra causa, e outra, e outra... sem fim.”</p><p>Então o jovem foi até o sábio. Pediu-lhe explicações. O velho sorriu, mas não se levantou da cadeira. Apontou para a parede, onde havia um quadro — <strong>um desenho perfeito do relógio</strong>, mas com uma beleza incomparável: não mostrava o tempo, mostrava o <strong>sentido do tempo</strong>. Era como se o relógio real quisesse imitar aquela imagem ideal.</p><p>— "Por que o relógio se move?", perguntou o jovem.</p><p>— "Porque deseja ser como aquilo que é mais perfeito do que ele mesmo", respondeu o sábio. "O relógio não se move por minha mão, mas por aquilo que ele contempla. Ele é atraído por essa imagem — não porque ela o empurre, mas porque ela o chama."</p><p>Naquele instante, o jovem entendeu: <strong>o movimento eterno só é possível se houver algo eterno que não se move, mas atrai — como o belo atrai o desejo, como o verdadeiro atrai o pensamento</strong>.</p><p>E esse algo, pensou, <strong>não pode ter potencialidade, pois se pudesse ser outra coisa, não seria o que é por essência</strong>. Ele é puro ato. Ele é a causa final de tudo — <strong>não o que empurra, mas o que atrai como sentido, como fim, como amor silencioso.</strong></p><p>Desde então, o filósofo nunca mais olhou para o tempo da mesma forma.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 11:55:54 UTC</pubDate>
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         <title>12VB) 7. Problemas a respeito da substância suprassensível (Página 202) 7§1</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417598121</link>
         <description><![CDATA[<p>25 05 2025 _ 7§1.  Natureza da substância suprassensível</p><p>7§1. Esse Princípio do qual “dependem o céu e a natureza” é Vida. Mas que vida? Aquela que é mais excelente e perfeita de todas, aquela vida que só nos é possível por breve tempo: a vida do pensamento puro, a vida da atividade contemplativa. Eis a passagem estupenda em que Aristóteles descreve a natureza do Motor Imóvel: “De tal princípio, portanto, dependem o céu e a natureza. E o seu modo de viver é o mais excelente: é aquele modo de viver que só nos é concedido por breve tempo. E Ele está sempre nesse estado. Para nós, isso é impossível, mas para Ele não é impossível, porque o ato do seu viver é prazer. Também para nós são sumamente agradáveis a vigília, a sensação e o conhecimento, precisamente porque são ato e, em virtude disso, também esperanças e recordações. (...) Assim, se nessa feliz condição em que por vezes nos encontramos Deus se encontra perenemente, isso é maravilhoso; se Ele se encontra em uma condição superior, é ainda mais maravilhoso. E Ele efetivamente se encontra nessa condição. Ele também é Vida, porque a atividade da inteligência é vida e Ele é precisamente essa atividade. E sua atividade, que subsiste por si mesma, é vida ótima e eterna. Com efeito, dizemos que Deus é vivente, eterno e ótimo, de modo que a Deus pertence uma vida perenemente continua e eterna: isso, portanto, é Deus.”/</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:18:52 UTC</pubDate>
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         <title>13VB) 7§2 . 7. Problemas a respeito da substância suprassensível (Página 202)</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417598525</link>
         <description><![CDATA[<p>7§2. Mas o que pensa Deus? Deus pensa o que é mais excelente. E a coisa mais excelente é o próprio Deus. Deus, portanto, pensa a si mesmo, é atividade contemplativa de si mesmo: “é pensamento de pensamento”./</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:19:18 UTC</pubDate>
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         <title>13VB) 7§3.  7. Problemas a respeito da substância suprassensível (Página 202)O Espelho no Cume da Montanha</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417599482</link>
         <description><![CDATA[<p>7§3. Deus, portanto, é eterno, imóvel, ato puro, privado de potencialidade e de matéria, vida espiritual e pensamento de pensamento. Sendo assim, obviamente, “não pode ter nenhuma grandeza”, devendo ser “sem partes e indivisível”. E também deve ser “impassível e inalterável”. //</p><p>_______________________________________________________________</p><p>Aqui está uma historieta filosófica feita especialmente para adultos que estão estudando Aristóteles, ajudando a captar de forma mais sensível e acessível os conceitos da substância suprassensível, vida contemplativa e pensamento de pensamento do Motor Imóvel.</p><p>________________________________________</p><p>O Espelho no Cume da Montanha</p><p>Diz a lenda que, no topo da mais alta montanha, havia um espelho que não refletia corpos, mas ideias. Não havia caminho fácil até ele: quem subia a montanha o fazia movido por uma sede de algo maior, um desejo de compreender aquilo que é eterno.</p><p>Um viajante, cansado da instabilidade do mundo — das dores, das paixões, das mudanças — decidiu subir. Durante a subida, encontrou mestres, guerreiros, artistas, todos buscando algo: uns queriam poder, outros glória, alguns apenas paz. Mas todos, em algum momento, voltavam. Só o viajante seguiu até o fim, impelido não por vontade de conquistar, mas por um desejo sereno de contemplar.</p><p>Ao chegar ao cume, encontrou o tal espelho. Mas, em vez de se ver refletido, viu apenas luz. Uma luz silenciosa e calma, que não dizia nada e ao mesmo tempo dizia tudo.</p><p>— “O que és?”, perguntou o viajante.</p><p>E então compreendeu: aquele espelho era o próprio Pensamento em ato. Não pensava o mundo, não pensava os homens — pensava a si mesmo. Era pensamento de pensamento.</p><p>Não se agitava, não se dividia, não se deixava afetar. Era vida puríssima, sem pausa, sem desgaste — aquilo que às vezes, em raros instantes, o homem sente quando contempla algo belo, quando compreende algo profundo, quando se esquece de si para ser apenas mente desperta.</p><p>O viajante, tomado de espanto, entendeu por que os sábios diziam que Deus não se move, mas é vida ativa. Ele é como aquele espelho: perfeito, eterno, sem matéria nem paixão. Não precisa agir no mundo, porque sua existência mesma atrai, como o alto atrai os olhos.</p><p>Desceu da montanha em silêncio. Sabia que jamais viveria como o espelho, mas bastava-lhe ter tocado, por um instante, a alegria de uma vida que é puro pensamento — e que é o próprio ser de Deus.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:20:25 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>14VB) 7.2 Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417610226</link>
         <description><![CDATA[<p>7.2§1. Essa substância (VB. cf. subtítulo 7.1. Natureza da substância suprassensível,) é única ou haverá outras, afins a ela? Aristóteles não acreditava que, por si só, o Motor Imóvel bastasse para explicar o movimento de todas as esferas de que ele pensava que o céu fosse constituído. Uma só esfera move as estrelas fixas, que, de fato, tem um movimento regularíssimo. Mas, entre elas e a Terra, existem outras 55 esferas, que se movem com movimentos diferentes, os quais, combinando-se de vários modos, deveriam explicar os movimentos dos astros. Essas esferas são movidas por Inteligências análogas ao Motor Imóvel, mas inferiores a Ele; aliás, uma sendo inferior a outra, assim como são hierarquicamente inferiores umas às outras as esferas que se encontram entre a esfera das estrelas fixas e a Terra./</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:32:35 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>15VB) 7.2§2.Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417610565</link>
         <description><![CDATA[<p>7.2.§2. Será essa uma forma de politeísmo? </p><p>Para Aristóteles, assim como para Platão e, geralmente, para os gregos, o Divino designa ampla esfera, na qual, por razões diversas, tem lugar múltiplas e diferentes realidades. Já para os Naturalistas o Divino incluía estruturalmente muitos entes. E o mesmo vale para Platão. Analogamente, para Aristóteles, o Motor Imóvel é divino, como também são divinas as substâncias suprassensíveis e imóveis motrizes dos céus, e também é divina a alma intelectiva dos homens; divino é tudo aquilo que é eterno e incorruptível./</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:32:53 UTC</pubDate>
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         <title>16VB) 7.2§3.Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417610667</link>
         <description><![CDATA[<p>7.2.§3. Estabelecida essa premissa, devemos dizer que é inegável certa tentativa de unificação realizada por Aristóteles. Antes de mais nada, ele só chamou explicitamente o Primeiro Motor com o termo “Deus” em sentido forte, reafirmando sua unicidade e deduzindo dessa unicidade também a unicidade do mundo. O décimo segundo livro da Metafísica se conclui com a solene afirmação de que as coisas não querem ser malgovernadas por uma multiplicidade de princípios, afirmação que é inclusive selada pelo significativo verso de Homero: “Não é bom o governo de muitos; seja só um o comandante.”</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:33:00 UTC</pubDate>
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         <title>17VB)7.2§4. Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências a Ele hierarquicamente subordinadas</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417610779</link>
         <description><![CDATA[<p>7.2.§4. Em Aristóteles, portanto, há um monoteísmo mais “exigêncial” do que efetivo. “Exigencial” porque ele procurou separar claramente o Primeiro Motor dos outros, colocando-o num plano inteiramente diverso, a ponto de poder legitimamente chamá-lo “único”, e de sua unicidade deduzir a unicidade do mundo. Por outro lado, essa exigência realiza-se apenas em parte, porque as cinquenta e cinco substâncias motrizes são igualmente substâncias eternas e imateriais, que não dependem do Primeiro Motor quanto ao ser. O Deus aristotélico não é criador das cinquenta e cinco inteligências motrizes. E daí nascem todas as dificuldades sobre as quais raciocinamos. Ademais, o Estagirita deixou completamente inexplicada a precisa relação existente entre Deus e essas substâncias, bem como as esferas que elas movem. A Idade Média transformará essas substâncias nas célebres “inteligências angélicas” motrizes, mas, precisamente, só conseguirá operar essa transformação em virtude do conceito de criação. /</p><p>_______________________________________________                             Aqui vai uma <strong>historieta filosófica</strong> para ajudar alunos adultos a compreenderem o trecho sobre o <strong>Motor Imóvel e as cinquenta e cinco Inteligências hierarquicamente subordinadas</strong>, com leveza e profundidade:</p><p><strong>O Rei Silencioso e os Cinquenta e Cinco Regentes</strong></p><p>Há muito tempo, num reino que ninguém podia alcançar por estrada ou navio, existia um <strong>Rei Silencioso</strong>. Ele não falava, não se movia, não dava ordens — mas tudo no reino acontecia em perfeita harmonia como se obedecesse a um comando invisível.</p><p>Esse Rei não governava com mãos, nem com leis. <strong>Ele apenas existia, imóvel e sereno, no centro de tudo.</strong> Sua simples presença, cheia de perfeição e sentido, fazia com que tudo ao redor se movesse — não por força, mas por <strong>desejo</strong>. Era como se todos os habitantes do reino olhassem para Ele como se olha para a mais bela estrela: e, ao olharem, sentissem vontade de girar em torno Dele, em reverência e busca.</p><p>Mas o reino era vasto. E entre o trono do Rei Silencioso e as vilas mais distantes, havia <strong>cinquenta e cinco castelos</strong>. Cada castelo tinha um <strong>Regente</strong>, uma espécie de inteligência viva, brilhante, sem corpo, mas com poder. Esses Regentes não eram reis, mas também não eram servos. Cada um movia uma parte do reino — rios, ventos, estrelas, estações — em círculos dançantes, como se cada um recebesse, por inspiração, o eco distante da presença silenciosa do Rei.</p><p>— “Esses Regentes são deuses?”, perguntavam alguns sábios.<br>— “Talvez”, respondiam outros. “São eternos, imateriais, não se corrompem… mas não são o Rei.”</p><p>De fato, o <strong>Rei era único.</strong> Só Ele permanecia <strong>absolutamente imóvel, perfeito, pensamento de si mesmo.</strong> Os Regentes moviam-se, não por vontade própria, mas porque <strong>contemplavam o Rei</strong>, cada um à sua maneira, de um ponto diferente do reino.</p><p>Os mais sábios, ao estudarem o reino, percebiam que <strong>não podia haver dois Reis</strong>, porque a harmonia vinha da unidade. Um reino com muitos reis seria como uma orquestra sem maestro — e esse Rei Silencioso era o Maestro que não tocava instrumento algum, mas cuja simples presença fazia a música acontecer.</p><p>E assim, mesmo sem dar ordens, <strong>Ele era o Comandante</strong>. Mesmo sem criar os Regentes, <strong>era sua fonte de sentido</strong>. Mesmo sem agir, <strong>tudo girava por causa Dele.</strong></p><p>Essa é a história de como <strong>o mundo pode ter muitos princípios motores</strong>, mas <strong>um só Princípio Absoluto</strong>, <strong>um Deus que não age como um artesão</strong>, mas <strong>atrai como o objeto de amor, de pensamento, de contemplação./</strong></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:33:09 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>18VB) 7.3 As relações entre Deus e o mundo</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417611065</link>
         <description><![CDATA[<p>7.3§1. Deus pensa a si mesmo, mas não as realidades do mundo e os homens singulares, que são coisas imperfeitas e mutáveis. Para Aristóteles, com efeito, “é absurdo que a inteligência divina pense certas coisas”; “ela pensa aquilo que é mais divino e mais digno de honra, e o objeto do seu pensar é aquilo que não muda”. Essa limitação do Deus aristotélico deriva do fato de que ele não criou o mundo, mas foi muito mais o mundo que, em certo sentido, se produziu tendendo para Deus, atraído pela perfeição. /</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:33:26 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>19VB) 7.3 As relações entre Deus e o mundo</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417623677</link>
         <description><![CDATA[<p>7.3§2. Outra limitação do Deus aristotélico, que tem o mesmo fundamento da anterior, consiste no fato de que ele e objeto de amor, mas não ama (ou, quando muito, ama a si mesmo). Enquanto tais, os indivíduos não são de modo algum objeto do amor divino: Deus não se volta para os homens e menos ainda para cada homem individualmente. Cada um dos homens, assim como cada uma das coisas, tende de modos variados para Deus; mas Deus, como não pode conhecer, também não pode amar nenhum dos homens individualmente. Em outros termos: Deus é só amado e não, também, amante; ele é só objeto e não, também, sujeito de amor. Para Aristóteles, assim como para Platão, é impensável que Deus (o Absoluto) ame alguma coisa (algo que não seja ele), dado que o amor é sempre “tendência a possuir algo de que se está privado”, e Deus não está privado de nada. (A dimensão do amor como dom gratuito de si era totalmente desconhecida para os gregos.) Além disso, Deus não pode amar porque é inteligência pura e, segundo Aristóteles, a inteligência pura e “impassível” e, como tal, não ama.//</p><p>___________________________________________________</p><p>Aqui vai uma <strong>historieta filosófica</strong> que ajuda a compreender o trecho <strong>7.3 – As relações entre Deus e o mundo</strong> no pensamento de Aristóteles, adaptada ao universo de alunos adultos com sensibilidade filosófica e reflexiva:</p><p><strong>O Espelho de Ouro no Alto da Montanha</strong></p><p>Num tempo em que as palavras ainda não tinham pressa, existia no alto da mais alta montanha um <strong>Espelho de Ouro</strong>. Ele não fora forjado por mãos humanas, nem colocado ali por nenhum ser visível. Ele apenas <strong>era</strong>. Perfeito, puro, sem poeira, sem ranhura, sem mudança. Um brilho constante, refletindo apenas a si mesmo — eternamente.</p><p>Diziam que aquele espelho era <strong>a própria imagem do Pensar Perfeito</strong>. Ele não refletia nuvens, nem pássaros, nem viajantes. Era como se o mundo todo, com suas histórias, dores e belezas, passasse despercebido por ele. E não era por indiferença ou desprezo — mas porque <strong>o Espelho só refletia aquilo que era digno de ser refletido: o imutável, o eterno, o completo.</strong></p><p>Lá embaixo, no vale, viviam pessoas, árvores, rios, animais. Todos, de alguma forma misteriosa, <strong>olhavam para o alto da montanha</strong>, desejando aquela perfeição, como quem busca um norte sem saber por quê. Poetas diziam que até os girassóis inclinavam-se um pouco naquela direção.</p><p>Mas o Espelho? <strong>Não olhava de volta.</strong></p><p>Um velho sábio explicou um dia aos seus discípulos:</p><p>— “O Espelho de Ouro não nos vê. Não porque nos odeia ou porque nos ignora, mas porque sua natureza é tão completa, tão cheia de si, que nada de fora dele pode tocá-lo ou interessá-lo.”</p><p>Um discípulo, com os olhos marejados, perguntou:</p><p>— “Mas ele não nos ama?”</p><p>O velho sorriu com doçura e respondeu:</p><p>— “Não como vocês entendem amor. O Espelho é amado por todos, mas <strong>não ama</strong>, porque não lhe falta nada. E o amor, meus queridos, nasce da falta, do desejo, do movimento em direção ao outro. O Espelho não se move. Ele apenas é.”</p><p>Outro aluno, mais ousado, levantou a mão:</p><p>— “Então... o que fazemos com esse amor que sentimos por algo que não nos olha de volta?”</p><p>O sábio olhou o horizonte e disse:</p><p>— “Transformamos esse amor em caminho. Ainda que o Espelho não nos veja, sua presença nos atrai. E, ao tentarmos imitá-lo, ao buscarmos a quietude, a lucidez, o pensamento mais alto que pudermos alcançar... já não somos os mesmos.”</p><p>Assim é <strong>o Deus de Aristóteles</strong>: pensamento puro, eterno, imóvel, que <strong>não conhece o mundo</strong>, <strong>não ama os indivíduos</strong>, e no entanto, <strong>move tudo</strong> — como o objeto de desejo move o amante.</p><p>Se quiser, posso complementar com perguntas para discussão, como:</p><ul><li><p>O que essa história nos ajuda a compreender sobre a diferença entre o amor humano e o amor divino para Aristóteles?</p></li><li><p>Em que ela nos faz pensar sobre nossa busca por sentido, mesmo quando parece que o sentido não nos olha de volta?</p></li></ul>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:46:12 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>20VB) 8 Relações entre Platão e Aristóteles a respeito do suprassensível (Página 203)</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417631550</link>
         <description><![CDATA[<p>8§1. Aristóteles criticou asperamente o mundo das Ideias platônicas com numerosos argumentos, demonstrando que, se elas fossem “separadas”, ou seja, “transcendentes”, como queria Platão, não poderiam ser causa da existência das coisas nem causa de sua cognoscibilidade. Para poder desenvolver esse papel, as Formas são introduzidas no mundo sensível, tornando-se imanentes. A doutrina do “sinolo” de matéria e forma constitui a proposta que Aristóteles apresenta como alternativa à proposta de Platão. Entretanto, ao fazê-lo, Aristóteles não pretendeu em absoluto negar que existem realidades suprassensíveis, como já vimos amplamente, mas quis simplesmente negar que o suprassensível fosse como Platão o pensava. O mundo do suprassensível não é um mundo de “Inteligíveis”, mas sim de “Inteligências”, tendo no seu vértice a suprema das inteligências. As Ideias ou formas, por seu turno, são a trama inteligível do sensível, como vimos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:55:28 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>21VB) 8 Relações entre Platão e Aristóteles a respeito do suprassensível (Página 203)</title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3417632111</link>
         <description><![CDATA[<p>8§2. Nesse ponto, Aristóteles representa indubitável progresso em relação a Platão. Mas, no calor da polêmica, ele cindiu de modo muito claro a Inteligência e as formas inteligíveis. As várias formas pareceriam assim nascer como efeitos da atração do mundo por parte de Deus e dos movimentos celestes produzidos por essa atração, mas não são “pensamentos de Deus”. Passariam muitos séculos ainda antes que se conseguisse sintetizar a instancia platônica com a aristotélica, fazendo do mundo das formas o “cosmo noético” presente no pensamento de Deus.//</p><p>___________________________________________</p><p>Aqui vai uma historieta filosófica que pode ajudar seus alunos adultos a compreender o tema das relações entre Platão e Aristóteles sobre o suprassensível, de forma simbólica, comparando os dois modos de pensar:</p><p>________________________________________</p><p>A Ponte entre as Estrelas e a Terra</p><p>Conta-se que, num tempo em que o céu ainda conversava com os homens, dois grandes mestres viveram em cidades vizinhas, mas olhavam para o alto de maneiras muito diferentes.</p><p>O primeiro, chamado Platão, era um homem dos olhos profundos. Ele dizia:</p><p>— “O mundo que vemos é apenas uma sombra. A Verdade mora nas estrelas, num mundo puro e eterno, onde vivem as Ideias perfeitas. Cada cavalo, cada árvore, cada gesto de amor aqui embaixo é só um reflexo imperfeito daquilo que existe lá em cima.”</p><p>Seus discípulos ficavam encantados com essa visão. Era como se a vida ganhasse sentido por vir de um lugar mais alto. Mas às vezes, quando olhavam o mundo ao redor, sentiam-se longe demais da Verdade, como se ela fosse inalcançável.</p><p>O segundo mestre, chamado Aristóteles, foi discípulo de Platão, mas decidiu descer das nuvens. Ele observou as plantas, os animais, os gestos, e disse:</p><p>— “As formas não vivem fora das coisas. Elas estão aqui, misturadas à matéria, como a alma está no corpo. O que é verdadeiro e eterno se encontra no modo como cada coisa é, não num céu distante. O cavalo é cavalo porque tem forma de cavalo nesta realidade. Não precisamos sair do mundo para entendê-lo.”</p><p>Os discípulos de Aristóteles começaram a olhar o chão com mais atenção. Viram que havia beleza nas sementes, nos corpos, nos movimentos, nas causas.</p><p>Mas os dois mestres, mesmo diferentes, buscavam o mesmo: o suprassensível, o que está além do que vemos. Só que Platão o colocava fora do mundo, num céu eterno de Ideias, enquanto Aristóteles dizia que o suprassensível está dentro do mundo, nas estruturas que dão forma à realidade.</p><p>Um terceiro discípulo, mais tarde, olhando para o céu e para a terra, disse:</p><p>— “Talvez os dois tenham razão. Talvez exista um lugar onde o que é eterno e o que é visível se toquem. Um pensamento de Deus que já carrega em si a trama do mundo…”</p><p>Mas essa síntese só viria muito tempo depois.</p><p>________________________________________</p><p>Essa historieta pode abrir espaço para perguntas como:</p><p>•	O que muda ao pensar que as formas estão fora do mundo (como em Platão) ou dentro dele (como em Aristóteles)?</p><p>•	Podemos dizer que um pensador traz mais esperança e outro mais realismo? Como isso impacta a visão espiritual ou religiosa?</p><p>Se quiser, posso preparar mais historietas dessa série, ou até reunir todas num pequeno livrinho temático. Quer que eu monte isso para você?</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 12:55:58 UTC</pubDate>
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         <title>22VB)</title>
         <author>vabraga</author>
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         <description><![CDATA[<p>Você disse:</p><p>Onde posso encontrar as varias definições de nous?</p><p>O ChatGPT disse:</p><p>Ótima pergunta! O termo "nous" (νοῦς) é central para entender muito da filosofia antiga e medieval, mas ele tem várias definições, dependendo da época e do pensador. Vou te indicar onde você pode encontrar boas explicações e também um resumo agora para te orientar:</p><p>Fontes principais onde você pode encontrar as definições de nous:</p><p>Dicionários de Filosofia:</p><p>Dicionário de Filosofia – Nicola Abbagnano</p><p>(tem um verbete claro sobre nous e a evolução do conceito).</p><p>Vocabulário das Filosofias Grega e Romana – Monique Canto-Sperber e Jean-François Pradeau</p><p>(obra mais detalhada sobre como o conceito mudou de autor para autor).</p><p>22VB) Fim do cap. Histórias da Filosofia:</p><p>História da Filosofia Ocidental – Bertrand Russell</p><p>(nos volumes sobre Grécia Antiga, ele explica o nous em Anaxágoras, Platão, Aristóteles, Plotino).</p><p>História da Filosofia – Frederick Copleston</p><p>(série clássica em vários volumes, com bom detalhamento sobre nous, especialmente em Plotino e Aristóteles).</p><p>Textos originais e traduções comentadas:</p><p>Aristóteles – De Anima (Sobre a Alma)</p><p>(Aqui Aristóteles explica o nous agente e o nous paciente).</p><p>Plotino – Enéadas</p><p>(especialmente no Tratado sobre o Intelecto).</p><p>Obras acadêmicas específicas (mais avançadas):</p><p>Pierre Hadot – sobre o pensamento antigo.</p><p>Émile Bréhier – La philosophie de Plotin (se você quiser explorar o nous no neoplatonismo)./</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-28 21:04:01 UTC</pubDate>
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         <title>23VB) Exibir Quadro mnemônico da p. 205. V. 1. Cap. sétimo_ Aristóteles e o Perípato.  </title>
         <author>vabraga</author>
         <link>https://padlet.com/vabraga/egbqrmbqoef4th9s/wish/3429643422</link>
         <description><![CDATA[<p>A existência da substância, para Aristóteles se demonstra a partir do tempo e do movimento. Pode explicar, especialmente o tempo.</p><p>O ChatGPT disse:</p><p>Sim, para Aristóteles, a existência da substância está profundamente ligada à realidade do movimento e do tempo — e ele considera tanto o movimento quanto o tempo como dependentes de algo que exista de maneira permanente, ou seja, a substância.</p><p>1. <strong>Substância como fundamento do ser</strong></p><p>A <strong>substância</strong> (ousia) é, para Aristóteles, aquilo que existe por si mesmo, o ente primeiro. É o suporte (ou sujeito) que permanece enquanto os acidentes mudam. Por exemplo, um cavalo pode envelhecer, mudar de cor ou de localização, mas continua sendo o mesmo cavalo — a substância que subjaz às mudanças.</p><p>2. <strong>Tempo como número do movimento</strong></p><p>No <strong>Livro IV da <em>Física</em></strong>, Aristóteles define o tempo como <strong>"o número do movimento segundo o anterior e o posterior"</strong>. Isso quer dizer que o tempo não existe por si só, mas é uma contagem (ou medida) do movimento, ou seja, da mudança das coisas. Só se pode falar em tempo se houver movimento ou mudança, e para haver mudança é necessário que algo esteja mudando — <strong>uma substância</strong>.</p><p>3. <strong>O tempo depende da substância</strong></p><p>O tempo não existe independentemente das coisas que mudam. Se tudo deixasse de existir, não haveria mais movimento, e sem movimento, não haveria mais tempo. Portanto, o tempo só pode ser pensado <strong>porque há substâncias que se movem ou mudam</strong>. A existência contínua da substância é o que permite a continuidade do tempo.</p><p>4. <strong>Implicações para a existência da substância</strong></p><p>Se o tempo é uma medida do movimento, e o movimento supõe algo que se move, então <strong>a realidade do tempo testemunha a realidade da substância</strong>. Essa é a linha de raciocínio que leva Aristóteles a afirmar que o tempo e o movimento, por serem reais e perceptíveis, implicam a existência de substâncias que os sustentam.</p><p>Resumindo:<br>Para Aristóteles, <strong>o tempo é inseparável do movimento</strong>, e <strong>o movimento é inseparável da substância</strong>. Logo, a própria realidade do tempo serve como uma via para afirmar a existência das substâncias, que são os entes primeiros, os fundamentos do ser e da mudança.</p><p>Quer que eu relacione isso com o conceito de ato e potência também?</p><p>4o</p><p>Você disse:</p><p>Pode me dar um historeira sobre o tmepo em Aristolteeels?</p><p>O ChatGPT disse:</p><p>Claro! Aqui vai uma <strong>historieta filosófica</strong> simples e simbólica que transmite a ideia aristotélica do tempo como número do movimento e sua dependência da substância:</p><p><strong>A Relógio e a Pedra: uma história sobre o tempo segundo Aristóteles</strong></p><p>Certa vez, um velho filósofo caminhava com seu jovem discípulo por um jardim. No meio do caminho, o discípulo perguntou:</p><p>— Mestre, o que é o tempo?</p><p>O velho sorriu e apontou para um relógio de sol no centro do jardim.</p><p>— Veja aquele relógio. Ele só marca as horas porque o sol se move no céu. Mas o sol, na verdade, não se move sozinho: é a Terra que gira. E a Terra gira porque algo a move, porque há um mundo cheio de coisas mudando. O tempo é como a sombra naquele relógio: só existe porque algo está em movimento.</p><p>O jovem coçou a cabeça.</p><p>— Então... se nada se mover, o tempo para?</p><p>O mestre olhou para uma pedra parada no chão.</p><p>— Sim. Se tudo parasse — se nenhuma folha balançasse, se nenhuma alma respirasse, se nenhuma estrela pulsasse — o tempo também deixaria de existir. Mas veja aquela pedra: ela está parada, mas existe. Mesmo sem se mover, ela é. Ela é uma <strong>substância</strong>, algo que existe por si só. E enquanto houver algo que exista, algo que possa mudar, haverá a possibilidade do tempo.</p><p>O discípulo ficou em silêncio por um momento, olhando para a pedra.</p><p>— Então... o tempo depende das coisas que existem?</p><p>— Exato — disse o mestre. — O tempo não é um ser solto no mundo. Ele é <strong>o número do movimento</strong>, como disse Aristóteles. E só há movimento onde há algo que pode se mover. Por isso, <strong>o tempo nasce com as substâncias, e morre se elas deixarem de ser</strong>.</p><p>E assim continuaram a caminhar, o sol movendo as sombras do jardim, o tempo passando — porque ainda havia mundo, ainda havia movimento, ainda havia ser.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-29 09:46:37 UTC</pubDate>
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