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      <title>Parte 1 - 24  a 33 - Marília de Dirceu. by Texugo</title>
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      <description>Made with a wink and a smile</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2016-06-30 13:18:55 UTC</pubDate>
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         <title>Liras 24 a 33</title>
         <author>texugomatoso</author>
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         <description><![CDATA[<div>&nbsp;&nbsp;<br>&nbsp;<br>Lira XXIV<br>Encheu, minha Marília, o grande Jove<br>De imensos animais de toda a espécie<br>As terras, mais os ares,<br>O grande espaço dos salobros, rios,<br>Dos negros, fundos mares,<br>Para sua defesa,<br>A todos deu as armas, que convinha<br>A sábia natureza.<br>Deu as asas aos pássaros ligeiros,<br>Deu ao peixe escamoso as barbatanas;<br>Deu veneno à serpente,<br>Ao membrudo elefante a enorme tromba,<br>E ao javali o dente.<br>Coube ao leão a garra;<br>Com leve pé saltando o cervo foge;<br>E o bravo touro marra.<br>Ao homem deu as armas do discurso,<br>Que valem muito mais que as outras armas;<br>Deu-lhe dedos ligeiros,<br>Que podem converter em seu serviço<br>Os ferros, e os madeiros;<br>Que tecem fortes laços,<br>E forjam raios, com que aos brutos cortam<br>Os vôos, mais os passos.<br>Às tímidas donzelas pertenceram<br>Outras armas, que têm dobrada força,<br>Deu-lhes a Natureza<br>Além do entendimento, além dos braços<br>As armas da beleza.<br>Só ela ao Céu se atreve;<br>Só ela mudar pode o gelo em fogo,<br>Mudar o fogo em neve.<br>Eu vejo, eu vejo ser a formosura,<br>Quem arrancou da mão de Coriolano<br>A cortadora espada.<br>Vejo que foi de Helena o lindo rosto,<br>Quem pôs em campo armada<br>Toda a força da Grécia.<br>E quem tirou o cetro aos reis de Roma?<br>Só foi, só foi Lucrécia.<br>Se podem lindos rostos, mal suspiram,<br>O braço desarmar do mesmo Aquiles;<br>Se estes rostos irados<br>Podem soprar o fogo da discórdia<br>Em povos aliados;<br>És árbitra da terra:<br>Tu podes dar, Marília, a todo o mundo<br>A paz, e a dura guerra.<br>&nbsp;<br>Lira XXV<br>O cego Cupido um dia<br>Com os seus Gênios falava<br>Do modo, que lhe restava<br>De cativar a Dirceu.<br>Depois de larga disputa,<br>Um dos Gênios mais sagazes<br>Este conselho lhe deu:<br>As setas mais aguçadas,<br>Como se em rocha batessem,<br>Dão no peito seu, e descem<br>Todas quebradas ao chão.<br>Só as graças de Marília<br>Podem vencer um tão duro,<br>Tão isento coração.<br>A fortuna desta empresa<br>Consiste em armar-se o laço,<br>Sem que sinta ser o braço,<br>Que lho prepara, de Amor:<br>Que ele vive como as aves,<br>Que já deixaram as penas<br>No visco do caçador.<br>Na força deste conselho<br>O raivoso Deus sossega,<br>E à tropa a honra entrega<br>De o fazer executar.<br>Todos pretendem ganhá-la;<br>Batem as asas ligeiros,<br>E vão as armas buscar.<br>Os primeiros se ocultaram<br>Da Deusa nos olhos belos:<br>Qual se enlaçou nos cabelos,<br>Qual às faces se prendeu.<br>Um amorinho cansado<br>Caiu dos lábios ao seio,<br>E nos peitos se escondeu.<br>Outro Gênio mais astuto<br>Este novo ardil alcança,<br>Muda-se numa criança<br>De divino parecer.<br>Esconde as asas, e a venda;<br>Esconde as setas, e quanto<br>Pode dá-lo a conhecer.<br>Ela que vê um menino<br>Todo de graças coberto,<br>Tão risonho, e tão esperto<br>Ali sozinho brincar,<br>A ele endireita os passos;<br>Finge Amor ter medo, e a Deusa<br>Mais que empenha em lhe pegar.<br>Ela corria chamando;<br>Ele fugia, e chorava:<br>Assim foram onde estava<br>O descuidado Pastor.<br>Este, mal viu a beleza,<br>E o gentil menino, entende<br>A malícia do traidor.<br>Põe as mãos sobre os ouvidos,<br>Cerra os olhos, e constante<br>Não quer ver o seu semblante,<br>Não o quer ouvir falar.<br>Qual Ulisses noutra idade<br>Para iludir as Sereias<br>Mandou tambores tocar.<br>Cupido, que a empresa via,<br>Julga o intento frustrado,<br>E de raiva transportado&nbsp;<br>O corpo na chão lançou.<br>Traçou a língua nos dentes;<br>Meteu as unhas no rosto,<br>E os cabelos arrancou.<br>O Gênio, que se escondia<br>Entre os peitos da Pastora,<br>Ergueu a cabeça fora,<br>E o sucesso conheceu.<br>Deixa o sossego em que estava,<br>E vai ligeiro meter-se<br>No peito do bom Dirceu.<br>Apenas do brando peito<br>Lhe tocou a neve fria,<br>Com o calor, que trazia,<br>Lhe abrasou o coração.<br>Dá o Pastor um suspiro,<br>Abre os seus olhos, e solta<br>Do apertado ouvido a mão.<br>Logo que viram os Gênios<br>Ao triste Pastor disposto<br>Para ver o lindo rosto,<br>Para as palavras ouvir,<br>Cada um as armas toma,<br>Cada um com elas busca<br>Seu terno peito ferir.<br>Com os cabelos da Deusa<br>Lhe forma um Cupido laços,<br>Que lhe seguram os braços,<br>Como se fossem grilhões.<br>O Pastor já não resiste;<br>Antes beija satisfeito<br>As suas doces prisões.<br>&nbsp;<br>Lira XXVI<br>O destro Cupido um dia<br>Extraiu mimosas cores<br>De frescos lírios, e rosas,<br>De jasmins, e de outras flores.<br>Com as mais delgadas penas<br>Usa de uma, e de outra tinta,<br>E nos ângulos do cobre<br>A quatro belezas pinta.<br>Por fazer pensar a todos<br>No seu liso centro escreve<br>Um letreiro, que pergunta:<br>"Este espaço a quem se deve?"<br>Vênus, que viu a pintura,<br>E leu a letra engenhosa,<br>Pôs por baixo "Eu dele cedo;<br>"Dê-se a Marília formosa."<br>&nbsp;<br>Lira XXVII<br>Alexandre, Marília, qual o rio,<br>Que engrossando no inverno tudo arrasa,<br>Na frente das coortes<br>Cerca, vence, abrasa<br>As cidades mais fortes.<br>Foi na glória das armas o primeiro;<br>Morreu na flor dos anos, e já tinha<br>Vencido o mundo inteiro.<br>Mas este bom soldado, cujo nome<br>Não há poder algum, que não abata,<br>Foi, Marília, somente<br>Um ditoso pirata,<br>Um salteador valente.<br>Se não tem uma fama baixa, e escura,<br>Foi por se pôr ao lado da injustiça<br>A insolente ventura.<br>O grande César, cujo nome voa,<br>À sua mesma Pátria a fé quebranta;<br>Na mão a espada toma,<br>Oprime-lhe a garganta,<br>Dá Senhores a Roma.<br>Consegue ser herói por um delito;<br>Se acaso não vencesse, então seria<br>Um vil traidor proscrito.<br>O ser herói, Marília, não consiste<br>Em queimar os Impérios: move a guerra,<br>Espalha o sangue humano,<br>E despovoa a terra<br>Também o mau tirano.<br>Consiste o ser herói em viver justo:<br>E tanto pode ser herói pobre,<br>Como o maior Augusto.<br>Eu é que sou herói, Marília bela,<br>Segundo da virtude a honrosa estrada:<br>Ganhei, ganhei um trono,<br>Ah! não manchei a espada,<br>Não roubei ao dono.<br>Ergui-o no teu peito, e nos teus braços:<br>E valem muito mais que o mundo inteiro<br>Uns tão ditosos laços.<br>Aos bárbaros, injustos vencedores<br>Atormentam remorsos, e cuidados;<br>Nem descansam seguros<br>Nos palácios cercados<br>De tropa, e de altos muros.<br>E a quantos nos não mostra a sábia história<br>A quem mudou o Fado em negro opróbrio<br>A mal ganhada glória.<br>Eu vivo, minha Bela, sim, eu vivo<br>Nos braços do descanso, e mais do gosto:<br>Quando estou acordado<br>Contemplo no teu rosto<br>De graças adornado:<br>Se durmo, logo sonho, e ali te vejo.<br>Ah! nem desperto, nem dormindo sobe<br>A mais o meu desejo.<br>Lira XXVIII<br>Cupido tirando<br>Dos ombros a aljava<br>Num campo de flores<br>Contente brincava.<br>E o corpo tenrinho<br>Depois, enfadado,<br>Incauto reclina<br>Na relva do prado.<br>Marília formosa,<br>Que ao Deus conhecia,<br>Oculta espreitava&nbsp;<br>Quanto ele fazia.<br>Mal julga que dorme<br>Se chega contente,<br>As armas lhe furta,<br>E o Deus a não sente.<br>Os Faunos, mal viram<br>As armas roubadas,<br>Saíram das grutas<br>Soltando risadas.<br>Acorda Cupido,<br>E a causa sabendo,<br>A quantos o insultam<br>Responde, dizendo:<br>"Temíeis as setas<br>"Nas minhas mãos cruas!<br>"Vereis o que podem<br>"Agora nas suas."<br>&nbsp;<br>Lira XXIX<br>O tirano Amor risonho<br>Me aparece e me convida<br>Para que seu jugo aceite;<br>E quer que eu passe em deleite<br>O resto da triste vida.<br>"O sonoro Anacreonte<br>(Astuto o moço dizia)<br>"Já perto da morte estava,<br>"Inda de amores cantava;<br>"Por isso alegre vivia.<br>"Aos negros, duros pesares<br>"Não resiste um peito fraco<br>"Se o amor o não fortalece:<br>"O mesmo Jove carece<br>"De Cupido, e mais de Baco."<br>Eu lhe respondo: "Perjuro,<br>"Nada creio do que dizes;<br>"Porque já te fui sujeito,<br>"Inda conservo no peito<br>"Estas frescas cicatrizes.<br>"Se o mundo conhece males,<br>"Tu os maiores fizeste,<br>"Sim, tu a Tróia queimaste,<br>"Tu a Cartago abrasaste,<br>"E tu a Antônio perdeste."<br>Amor, vendo que da oferta<br>Algum apreço não faço,<br>Me diz afoito que trate<br>De ir com ele a combate<br>Peito a peito, braço a braço.<br>Vou buscar as minhas armas;<br>Cinjo primeiro que tudo<br>O brilhante arnês, e à pressa<br>Ponho um elmo na cabeça,<br>Tomo a lança, e o grosso escudo.<br>Mal no campo me apresento,<br>Marília (oh Céus!) me aparece:<br>Logo que os olhos me fita,<br>O meu coração palpita,<br>A minha mão desfalece.<br>Então me diz o tirano:<br>"Confessa, louco, o teu erro;<br>"Contra as armas da beleza<br>"Não vale a externa defesa<br>"Dessa armadura de ferro."<br>&nbsp;<br>Lira XXX<br>Junto a uma clara fonte<br>A mãe de Amor s assentou,<br>Encostou na mão o rosto,<br>No leve sono pegou.<br>Cupido, que a viu de longe,<br>Contente ao lugar correu;<br>Cuidando que era Marília<br>Na face um beijo lhe deu.<br>Acorda Vênus irada:<br>Amor a conhece; e então<br>Da ousadia, que teve,<br>Assim lhe pede o perdão:<br>"Foi fácil, ó Mãe formosa,<br>"Foi fácil o engano meu;<br>"Que o semblante de Marília<br>"É todo o semblante teu."<br>&nbsp;<br>Lira XXXI<br>Minha Marília,<br>Se tens beleza,<br>Da Natureza<br>É um favor.<br>Mas se aos vindouros<br>Teu nome passa,<br>É só por graça<br>Do Deus de amor,<br>Que tanto inflama<br>A mente, o peito<br>Do teu Pastor.<br>Em vão se viram<br>Perlas mimosas,<br>Jasmins, e rosas<br>No rosto teu.<br>Em vão terias&nbsp;<br>Essas estrelas,<br>E as tranças belas,<br>Que o Céu te deu;<br>Se em doce versos<br>Não as cantasse<br>O bom Dirceu.<br>O voraz tempo<br>Ligeiro corre:<br>Com ele morre<br>A perfeição.<br>Essa, que o Egito<br>Sábia modera,<br>De Marco impera<br>No coração;<br>Mas já Otávio<br>Não sente a força<br>Do seu grilhão.<br>Ah! vem, ó Bela,<br>E o teu querido,<br>Ao Deus Cupido<br>Louvores dar;<br>Pois faz que todos<br>Com igual sorte<br>Do tempo, e morte<br>Possam zombar:<br>Tu por formosa,<br>E ele, Marília,<br>Por te cantar.<br>Mas ai! Marília,<br>Que de um amante,<br>Por mais que cante,<br>Glória não vem!<br>Amor se pinta<br>Menino, e cego:<br>No doce emprego<br>Do caro bem<br>Não vê defeitos,<br>E aumenta quantas<br>Belezas tem.<br>Nenhum dos Vates,<br>Em teu conceito,<br>Nutriu no peito<br>Néscia paixão?<br>Todas aquelas,<br>Que vês cantadas,<br>Foram dotadas<br>De perfeição?<br>Foram queridas;<br>Porém formosas<br>Talvez que não.<br>Porém que importa<br>Não valha nada<br>Seres cantada<br>Do teu Dirceu?<br>Tu tens, Marília,<br>Cantor celeste;<br>O meu Glauceste<br>A voz ergueu;<br>Irá teu nome<br>Aos fins da terra,<br>E ao mesmo Céu.<br>Quando nas asas<br>Do leve vento<br>Ao firmamento<br>Teu nome for:<br>Mostrando Jove<br>Graça extremosa,<br>Mudando a Esposa<br>De inveja a cor;<br>De todos há de,<br>Voltando o rosto,<br>Sorrir-se Amor.<br>Ah! não se manche<br>Teu brando peito<br>Do vil defeito<br>Da ingratidão:<br>Os versos beija,<br>Gentil Pastora,<br>A pena adora,<br>Respeita a mão,<br>A mão discreta,<br>Que te segura<br>A duração.<br>&nbsp;<br>Lira XXXII<br>Num noite sossegado<br>Velhos papéis revolvia,<br>E por ver de que tratavam&nbsp;<br>Um por um a todos lia.<br>Eram cópias emendadas,<br>De quantos versos melhores<br>Eu compus na tenra idade<br>A meus diversos amores.<br>Aqui leio justas queixas<br>Contra a ventura formadas,<br>Leio excessos mal aceitos,<br>Doces promessas quebradas.<br>Vendo sem-razões tamanhas<br>Eu exclamo transportado:<br>"Que finezas tão mal-feitas!<br>"Que tempo tão mal passado!"<br>Junto pois num grande monte<br>Os soltos papéis, e logo,<br>Porque relíquias não fiquem,<br>Os intento pôr no fogo.<br>Então vejo que o Deus cego<br>Com semblante carregado<br>Assim me fala, e crimina<br>O meu intento acertado:<br>"Queres queimar esses versos?<br>"Dize, Pastor atrevido,<br>"Essas Liras não te foram<br>"Inspiradas por Cupido?<br>"Achas que de tais amores<br>"Não deve existir memória?<br>"Sepultando esses triunfos,<br>"Não roubas a minha glória?"<br>Disse Amor; e mal se cala,<br>Nos seus ombros a mão pondo,<br>Com um semblante sereno<br>Assim à queixa respondo:<br>"Depois, Amor, de me dares<br>"A minha Marília bela,<br>"Devo guardar umas liras,<br>"Que não são em honra dela?<br>"E que importa, Amor, que importa,<br>"Que a estes papéis destrua;<br>"Se é tua esta mão, que os rasga,<br>"Se a chama, que os queima, é tua?"<br>Apenas Amor me escuta<br>Manda que os lance nas brasas;<br>E ergue a chama c’o vento,<br>Que formou batendo as asas.<br>Lira XXXIII<br>Pega na lira sonora,<br>Pega, meu caro Glauceste;<br>E ferindo as cordas de ouro,<br>Mostra aos rústicos Pastores<br>A formosura celeste<br>De Marília, meus amores.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Que concurso, meu Glauceste,<br>Que concurso tão ditoso!<br>Tu és digno de cantares<br>O seu semblante divino;<br>E o teu canto sonoroso<br>Também do seu rosto é digno.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Para pintares ao vivo<br>As suas faces mimosas,<br>A discreta natureza<br>Que providência não teve!<br>Criou no jardim as rosas,<br>Fez o lírio, e fez a neve.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>A pintar as negras tranças<br>Peço que mais te desveles,<br>Pinta chusmas de amorinhos<br>Pelos seus fios trepando;<br>Uns tecendo cordas deles,<br>Outros com eles brincando.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>&nbsp;<br>Para pintares, Glauceste,<br>Os seus beiços graciosos,<br>Entre as flores tens o cravo,<br>Entre as pedras a granada,<br>E para os olhos formosos,<br>A estrela da madrugada.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Mal retratares do rosto<br>Quanto julgares preciso,<br>Não dês a cópia por feita;<br>Passa o outros dotes, passa,<br>Pinta da vista, e do riso<br>A modéstia, mais a graça.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Os seus pés, quando passeiam,<br>Pisando ternos amores;<br>E as mesmas plantas calcadas<br>Brotando viçosas flores.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Pinta mais, prezado amigo,<br>Um terno amante beijando<br>Suas douradas cadeias;<br>E em doce pranto desfeito,<br>Ao monte, que temo no peito.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>Nem suspendas o teu canto,<br>Inda que, Pastor, se veja<br>Que a minha boca suspira,<br>Que se banha em pranto o rosto;<br>Que os outros choram de inveja,<br>E chora Dirceu de gosto.<br>Ah! pinta, pinta<br>A minha Bela!<br>E em nada a cópia<br>Se afaste dela.<br>&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-04 19:23:55 UTC</pubDate>
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         <title>Arcadismo</title>
         <author>texugomatoso</author>
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         <description><![CDATA[<div><br>            O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclacissismo, é o movimento que compreende a produção literária brasileira na segunda metade do século XVIII. Profundas mudanças no contexto histórico mundial caracterizam o período, tais como a ascensão do Iluminismo, que pressupunha o racionalismo, o progresso e as ciências. Dentre suas características, destacavam-se o reflorescimento das tendências artístico-científicas que haviam marcado o Renascimento, combate tanto à mentalidade religiosa quanto as formas de expressão do barroco e o resgate do racionalismo do Classicismo do século XVI. As suas obras tinham um vocabulário simples, gosto pelo uso do soneto(decassílabo) e ausentavam quase totalmente de figuras de linguagem. Já ao conteúdo de suas obras, salientavam crítica a vida nas cidades ("fugere urbem" ou "fuga da cidade"), valorização da vida no campo (vida bucólica), vida mais simples e natural, busca de equilíbrio, uso de pseudônimos, antropocentrismo, pastoralismo (vida pastoril no campo), sentimentos mais espontâneos, racionalismo, imitação aos clássicos renascentistas, idealização amorosa, neoplatonismo, convencionalismo amoroso, carpe diem(aproveite o dia), aurea mediocritas(vida medíocre materialmente, mas rica em realizações espirituais), locus amoenus(lugar ameno, agradável), Inutilia truncat(cortar o inútil).<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-09 21:43:06 UTC</pubDate>
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         <title>Música Relacionada</title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
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         <description><![CDATA[<div>A música "Coisa Linda" do cantor Tiago Iorc, está relacionada a obra Marília de Dirceu, pois ambas representam bem uma verdadeira declaração de amor. A música também fala das coisas simplórias e da beleza, identificadas na pessoa&nbsp; amada, assim como na obra Gonzaga.</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-09 21:50:45 UTC</pubDate>
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         <title>Releitura</title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
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         <description><![CDATA[<div>Tomás&nbsp;estava finalmente se declarando para sua amada Marília, porém quando chegou na metade da lira 33 foi interrompido pela jovem dama que anteriormente apenas escutava :<br>&nbsp; — Obrigada por suas doces palavras , mas tudo que ouvi em todas essas liras foi sobre minha aparência , no entanto não sou feita apenas disso. Tenho vários outros valores que devem ser ressaltados e vários defeitos nos quais devem ser percebidos.&nbsp;<br>&nbsp; Me sinto lisonjeada por suas palavras e seus sentimento , toda via não sou esse ser perfeito no qual foi idealizado por você , mas sim uma mulher e como qualquer outra não sou somente delicada , sou forte , corajosa , batalhadora e o mais importante não sou apenas um rosto e um corpo bonito , sou um ser humano assim como você.<br>&nbsp; Devido tais palavras Tomás permaneceu pasmo , porém entendia o lado da jovem, pois sabia que mulheres têm o seu valor e devem ser vistas com todos os defeitos e perfeições, contudo sua paixão por Marília permanecia intacta , levando em conta que mesmo com seus defeitos e valores novos a descobrir ele ainda a amava.</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-10 10:08:25 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2016-08-10 12:07:14 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
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         <pubDate>2016-08-10 12:47:14 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
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         <pubDate>2016-08-10 12:49:10 UTC</pubDate>
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         <title>Interpretação</title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
         <link>https://padlet.com/texugomatoso/eftmhtdwxptw/wish/117921484</link>
         <description><![CDATA[<div>Nas liras relatadas aqui é possível perceber uma grande vassalagem amorosa , pois Dirceu ( o pseudônimo de Tomás Antônio Gonzaga ) relatava diversas vezes como o seu amor por Marília ( o pseudônimo de Maria Doroteia ) era forte e que ele não viveria sem ela. Dirceu adorava Marília como um devoto adora um santo, e a considerava como seu bem mais precioso. Em diversos momentos ele a compara com uma deusa e age como seu subordinado. Ele dizia que apenas um sorriso dela fazia as flores brotarem e a sua presença trazia o ar.<br>No texto, Dirceu relata que na criação foram dadas armas a todos os seres, cabendo ao homem o discuso e habilidades e as mulheres a beleza e a graça.&nbsp;como Helena e Lucrécia, que por serem tão bonitas, foram capazes de desencadear grandes guerras. Então outorga a Marília o poder de trazer paz ou guerra para a Terra.<br>Alem disso figuras mitológicas se mantem presente nas liras, como o Cupido e a deusa Vênus, que são admiradores da beleza de Marília.&nbsp;<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-10 18:21:17 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Tomás Antônio Gonzaga</title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
         <link>https://padlet.com/texugomatoso/eftmhtdwxptw/wish/117924965</link>
         <description><![CDATA[<div>Tomás Antônio Gonzaga foi um poeta árcade. Fazia poemas líricos e satíricos e ficou conhecido pelas obras <em>Marília de Dirceu e Cartas Chilenas</em>. É lembrado ainda por ter participado da Inconfidência Mineira, atuação que lhe rendeu um tempo na prisão e a extradição para Moçambique. Era apaixonado por Maria Doroteia Joaquina de Seixas, identificada como a Marília de seus poemas, mas acabou casado com Juliana de Sousa Mascarenhas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-10 18:52:49 UTC</pubDate>
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         <title>Coisa Linda-Tiago Iorc</title>
         <author>isabella_s_silva14</author>
         <link>https://padlet.com/texugomatoso/eftmhtdwxptw/wish/117939359</link>
         <description><![CDATA[<div>Linda<br>Do jeito que é<br>Da cabeça ao pé<br>Do jeitinho que for<br>É, e só de pensar<br>Sei que já vou estar<br>Morrendo de amor<br>De amor<br><br>Coisa linda<br>Vou pronde você está<br>Não precisa nem chamar<br>Coisa linda<br>Vou pronde você está<br><br>Linda<br>Feito manhã<br>Feito chá de hortelã<br>Feito ir para o mar<br>Linda assim, deitada<br>Com a cara amassada<br>Enrolando o acordar<br>O acordar<br><br>Ah<br>Se a beleza mora no olhar<br>No meu você chegou e resolveu ficar<br>Pra fazer teu lar<br>Pra fazer teu lar</div>]]></description>
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         <pubDate>2016-08-10 22:49:03 UTC</pubDate>
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