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      <title>Portfólio de Relações Étnico-Raciais e Psicologia by NATHALI BOEIRA DALZOCHIO</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-01-24 19:01:55 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 1: Raça como categoria social</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Para dar início a esse portfólio, que reúne os aprendizados e as impressões em mim suscitados pelas aulas dessa disciplina, quero falar de minha ignorância e do que eu espero que seja a gradual desconstrução dela.<br>Gostei muito de ler o artigo "Racismo e Antirracismo: a categoria raça em questão" (Schucman, 2010), pois através dele conheci termos e conceitos dos quais nunca tinha ouvido falar em minha formação escolar e acadêmica, como o Mito da Democracia Racial e as razões que justificam a apropriação da categoria "raça" pela luta antirracista. Ademais, a aula expositiva me instigou a buscar mais informações sobre as estratégias da política genocida de branqueamento vigente no Brasil no século XX.&nbsp;<br>Acredito que a lacuna de conhecimento acerca desses temas é uma prova clara de que o racismo estrutural e sua história são pouco debatidos pela sociedade brasileira, em escolas, na academia e em outros locais públicos de fala.<br>Para entender mais sobre infra-humanização, branqueamento e racismo, busquei títulos no IndexPsi e realizei a leitura do artigo "A cor do sucesso: efeitos da performance social e econômica no branqueamento e na infra-humanização dos negros no Brasil" (Lima &amp;, Vala, 2005).<br>https://www.scielo.br/j/pusp/a/Mm4RbQB5vP3DBd9kMV9PhJP/?lang=pt#<br><br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-01-30 19:27:14 UTC</pubDate>
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         <title>Por que o quadro &quot;Operários&quot; (1933)?</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>O quadro escolhido como plano de fundo desse Padlet faz referência ao contexto histórico-cultural do Brasil no início do século XX, quando ocorria a industrialização do país. A diversidade de raças dos rostos retratados evidencia o processo em curso de abertura das fronteiras nacionais e de incentivo à imigração. É, precisamente, esse incentivo feito com a intenção de que a população brasileira se miscigenasse com imigrantes brancos que revela a dimensão do que foram as políticas de branqueamento no país. Por essa razão, esse quadro é o plano de fundo desse espaço de reflexão.&nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-04 11:36:39 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 2: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Após a leitura de um trecho do livro "Mãe Sereia", de autoria de Teresa Cárdenas, dediquei-me a refletir o por quê de não falarmos sobre a subjetividade e a história daqueles negros que foram vitimados no genocídio promovido pela escravidão. Em conversa com a professora Luciana e com as colegas, entendi que isso ocorre pela infra-humanização do negro, em detrimento da valorização do modelo branco e europeu de humanidade.&nbsp;<br>Prova disso é, como mencionado durante nosso encontro, o fato de que a Declaração Universal dos Direitos Humanos só foi elaborada após a Segunda Guerra Mundial, quando o choque promovido pelo Holocausto e pela devastação do continente europeu era generalizado. Um texto capaz de estabelecer os direitos do ser humano só foi produzido quando o modelo de humanidade, o branco europeu, foi ameaçado.&nbsp;<br>Nesse sentido, falas como a de Chimanda Ngozi Adichie, escritora negra, nigeriana e feminista, sobre "O perigo de uma história única" são essenciais para repensarmos o que se sabe sobre grandes eventos da humanidade, visto que essa história tem sido contada, desde o início, por brancos.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-04 11:37:15 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 3: Branquitude e Branqueamento</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Com essa aula, pude pensar sobre o meu papel, enquanto branca, em uma estrutura social pautada pela hierarquia racial. Entendi que não posso silenciar frente à discussão das relações raciais ou qualquer manifestação de racismo, porque o silêncio e a omissão implicam na perpetuação dessa hierarquia e na manutenção dos privilégios dos brancos. Aliás, um dos mais importantes privilégios brancos é observável justamente no silêncio: o privilégio de não precisar pensar na questão racial, de rotulá-la como um problema exclusivo de pessoas racializadas. Escolhi uma tirinha do Armando para ilustrar essa dinâmica. No Brasil, os inúmeros relatos de violência policial por motivações racistas nos mostram que negros têm de se preocupar em provar quem são e o que fazem em determinados lugares de circulação pública, numa clara violação do direito de ir e vir, o que não é nem de longe uma preocupação para brancos.<br>Sinto que o questionamento da branquitude, a identidade racial branca, é de suma importância para a construção da identidade racial branca não-racista proposta por Janet Helms (1990) e mencionada no texto "Branquitude e Branqueamento no Brasil" (2013) de Maria Aparecida Silva Bento. Nesse sentido, gostaria de elogiar os professores dessa disciplina por terem abordado esse conceito já na segunda aula expositiva.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-18 12:59:48 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 4: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Nesse encontro, discutimos como a branquitude reveste-se do discurso de paz para evitar a discussão das relações étnico-raciais, o que contribui com a manutenção da hierarquia racial que garante privilégios aos brancos. Através do ideal de paz entre as raças e outros grupos, a omissão é validada e as vozes de movimentos sociais que reivindicam seus direitos mais básicos são silenciadas. O movimento negro, por exemplo, clama pelo direito à vida através do bordão "Black Lives Matter", que foi corrompido pelo discurso de paz da branquitude e transformou-se em "All Lives Matter". Fica evidente que a paz é uma construção do homem branco europeu, quando consideramos que ele é o modelo universal de humanidade, de beleza e de bondade, enquanto o negro é subjetivado como um "tipo" agressivo e degenerado, essencialmente predisposto ao crime e à violência, tal qual pressupunham as teorias do racismo científico. Outra prova muito contundente dessa organização de pensamento racista é a ideia de que o branco colonizador é um salvador que trouxe a civilidade para povos inferiores. Nesse sentido, é importante que a Psicologia, enquanto uma área de cuidado desenvolvida primordialmente sobre teorias eurocêntricas, incentive seus profissionais a evitarem a conduta do "white savior", que tenta apaziguar a dor de um projeto colonial violento e genocida através do uso do discurso científico. Como dito por Marcelino Freire no poema "DA PAZ", mencionado pela professora Luciana durante a aula: "A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue".<br>Aproveito para deixar aqui o link de uma música que me lembrou essa discussão, chamada "A Paz É uma Pomba Branca" da Facção Central.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-18 13:00:16 UTC</pubDate>
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         <title>Quem sou eu?</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Meu nome é Nathali, tenho 19 anos e me considero uma mulher cisgênero, branca.&nbsp;</div><div>Nasci e cresci em Caxias do Sul, uma cidade do interior do Rio Grande do Sul muito marcada pela imigração italiana. Minha família paterna tem ascendência italiana e a família materna tem ascendência espanhola. Sou a caçula das 5 filhas que meus pais tiveram. Também sou tia de 3 meninas.</div><div>No momento, estou cursando o segundo semestre de Psicologia.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-02-18 13:02:38 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 5: Povos indígenas no Brasil</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Os vídeos do programa Multiponto, da TV UFRGS, sobre povos indígenas, que foram apresentados nessa aula, forneceram evidências muito pertinentes dos resquícios do projeto colonizador genocida e violento do homem branco europeu. Em primeiro lugar, fala de um dado alarmante: os cerca de 5 milhões de indígenas que habitavam o território brasileiro antes da colonização, hoje são aproximadamente 897 mil. Em segundo lugar, nos traz exemplos mais concretos dos efeitos do projeto, como por exemplo: um certo ponto do vídeo em que um jovem adulto de uma tribo indígena reflete sobre a necessidade que seu povo tem de aprender a ler e escrever em língua portuguesa e de conhecer a legislação brasileira, dado o fato de que as organizações concebidas pelo colonizador branco valorizam mais o papel do que a palavra. O menino demonstra como isso é estranho ao seu povo, que preza muito por honrar as próprias palavras e juramentos, sem a necessidade de um documento que garanta isso. Além disso, o mesmo jovem menciona as críticas que recebe de não-índios, que alegam que ele não devia ser considerado um índio por estar usando roupas e falando ao celular. O jovem argumenta sobre isso, demonstrando a ironia dessas falas ao justificar que caso optasse por andar sem roupa na cidade, seria preso por lei. Ele diz que o povo branco não conhece sua própria cultura. Para mim, esses pequenos exemplos demonstram como o homem branco e suas organizações eurocentradas são tidas como um modelo universal de civilização. Não nos preocupamos em conhecer nossa própria cultura, pois entendemos que ela é universal, é dada. Nesse sentido, temos forçado, há séculos, que outros povos, etnias e culturas assimilem nossas práticas, a fim de se aproximarem do modelo universal que concebemos, pois somos incapazes de conviver com a diferença. Quando esses povos incorporam alguma de nossas práticas, somos eficientes em apagar suas origens e negar o reconhecimento delas, como no caso dos índios que deixam de ser considerados índios por usarem roupas e celular. Só validamos e garantimos seus direitos quando eles próprios são capazes de se adequar às nossas organizações, de falar nos nossos termos, como demonstrado pela necessidade que indígenas têm de aprender sobre a legislação e a língua brasileira. Penso que, nesse contexto, são muito necessários os esforços que têm sido feitos pela construção de uma Psicologia Indígena, capaz de deslocar-se do lugar do colonizador para o lugar do índio e de sua cosmologia.<br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-04 12:23:45 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 6: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2077808901</link>
         <description><![CDATA[<div>A partir da leitura do texto "Caminhos para a cultura do Bem Viver", de Ailton Krenak, pensamos as diferenças entre o Bem Viver, que representa a cosmovisão indígena, e o bem estar. Foi possível concluir que o bem estar é um conceito muito influenciado pelo projeto colonial, enquanto que o Bem Viver é decolonial. Os indígenas entendem que o viver com plenitude depende do estabelecimento de relações harmoniosas com a natureza e o universo. Não se concebem como uma espécie superior aos outros organismos vivos que compõem a natureza, mas como parte fundamental dela. Por essa razão, condenam as práticas de exploração e dominação da natureza. O bem estar, por sua vez, está muito associado com o domínio do homem sobre a natureza, uma perspectiva do projeto colonizador capitalista, que visa a exploração dos recursos naturais e humanos em nome do progresso e do desenvolvimento.<br><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-04 12:25:27 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>Aula 7: Relações raciais e constituição psíquica</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2101135447</link>
         <description><![CDATA[<div>Em uma sociedade pautada pela hierarquia racial, a construção das representações sociais e midiáticas baseia-se no modelo universal de humanidade, que concebe o homem branco, europeu, de classe média alta, cisgênero e heterossexual como uma síntese do que é bom, belo, normal e desejável. Nesse sentido, o/a negro/a é lido e representado como o "Outro", um infra-humano, um subalterno cujas características físicas, morais, psicológicas e intelectuais são inferiores.&nbsp;<br>Assim sendo, ao constituir-se psiquicamente o negro entende que o desejável é aproximar-se da brancura e seu Ideal de Ego assume o modelo universal de humanidade como meta. O que decorre disso, no entanto, é o sofrimento gerado pela impossibilidade de algum dia ser branco.&nbsp;<br>Nesse sentido, fiquei a pensar o quão difícil é, para o negro que adoece psiquicamente, reconhecer sua necessidade e seu direito de receber ajuda qualificada. Vítimas de violência racial não se reconhecem enquanto seres humanos portadores de direitos, pois o modelo de humanidade e o Ideal de Ego são brancos. Também, sentem-se invisíveis frente à exigência social de embranquecer ou sumir.&nbsp;<br>Tendo isso em mente, essa aula foi muito importante para que eu pudesse pensar como a Psicologia, enquanto oferta de cuidado, deve ser capaz de criar espaços de escuta genuína, onde o negro não encontre a patologização e a individualização de seu sofrimento, mas sim o reconhecimento da estrutura social de hierarquia racial. Só assim é que se pode romper com o Ideal de Ego branco, para florescer enquanto uma vivência política, de resistência.<br>O link que deixo é de uma matéria que alerta sobre a importância do estudo das relações étnico-raciais na formação em Psicologia, visto que o racismo é uma realidade nos sistemas públicos de saúde.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/relatos-de-psicologos-mostram-casos-de-racismo-no-cotidiano/?fbclid=IwAR2TxFNvZO8rLYbBm6WvWH4goQCShTGtlOmaiSqsVzG_8karo3-mLUmaX3g" />
         <pubDate>2022-03-18 02:05:23 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 8: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2101749986</link>
         <description><![CDATA[<div>Essa aula me sensibilizou sobremaneira, pois lembrei-me de uma vivência pessoal em que me omiti frente à possibilidade de meu melhor amigo estar sofrendo os efeitos da violência racial. Na época, eu tinha 15 anos e ele tinha 16. Éramos colegas de turma em uma escola particular, de maioria branca e classe média alta. Meu amigo era beneficiário de um programa filantrópico que ofertava bolsas de estudo naquele colégio.&nbsp;<br>Lembro que ele morava sozinho com a mãe e preocupava-se muito em cuidar dela, pois ela estava adoecida psiquicamente. Mesmo sendo tão novo, ele era alcoolista, o que, possivelmente, estava associado com a busca de um subterfúgio para a carga de sofrimento enfrentada por ele.&nbsp;<br>Apesar de todas essas questões, nunca cheguei a me questionar como o racismo o atravessava e afetava sua condição psíquica. Sinto que falhei por não perguntar a ele como isso o afetava e por não oferecer a escuta genuína nesse sentido. &nbsp;<br>Hoje, sei que isso é resultado do mito da democracia racial, que silencia as discussões sobre racismo, e que preciso pensar na minha branquitude. Percebo, dessa forma, como estudo das relações étnico-raciais tem sido frutífero para mim.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-18 11:25:36 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Aula 9: Relações raciais e políticas públicas</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2124047338</link>
         <description><![CDATA[<div>Ouvir a convidada Fernanda Landim falar sobre sua trajetória de vida e como ela se articula com a luta antirracista e a Psicologia me alertou não só para a necessidade de oferecer escuta atenta às relações étnico-raciais no âmbito profissional, mas também para a necessidade de ser um cidadão atento a isso. Comecei a pensar em quais figuras de destaque negras eu conhecia ou tinha ouvido falar em minha cidade (Caxias do Sul - RS). Lembrei-me de uma vereadora negra eleita em 2020 chamada Estela Balardin, cuja história pude conhecer mais de perto, a partir da leitura de uma matéria de jornal (https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/politica/noticia/2020/11/vereadora-mais-jovem-eleita-na-historia-de-caxias-estela-balardin-promete-atencao-a-bairros-e-defesa-a-mulheres-e-jovens-14238895.html) e por suas redes sociais. Fiquei feliz em saber que minha cidade tem sido representada por uma mulher negra, jovem, da periferia, estudante de Serviço Social e professora da rede pública. Mais ainda por tomar conhecimento do projeto de lei elaborado pela Estela, intitulado Julho das Pretas. A partir de atividades culturais realizadas em julho de 2021, voltadas para o debate dos desafios que mulheres enfrentam pelo racismo estrutural em nossa cidade, a vereadora elaborou o projeto que visa instituir o Julho das Pretas como uma política pública de cuidado.&nbsp;<br>Penso ser de suma importância o trabalho da Estela, mas também que eu, enquanto cidadã e eleitora, possa visibilizar e apoiar o que ela tem desenvolvido em nossa cidade. Creio que essa aula me instigou a agir nesse sentido e fico feliz por saber que tomei consciência disso em um ano eleitoral, quando a minha participação enquanto cidadã é tão necessária.&nbsp;<br>Para finalizar, deixo o link de um vídeo publicado pela Estela em sua página do Facebook falando sobre o Julho das Pretas: https://pt-br.facebook.com/balardinestela/videos/precisamos-mesmo-de-julho-das-pretas/809988869691459/.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-03-31 17:22:29 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Aula 10: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2142902246</link>
         <description><![CDATA[<div>Nesta aula, pensamos como a Psicologia pode engajar-se com a formulação, a implementação e a fiscalização de políticas públicas destinadas a atender as demandas das populações negras e indígenas. Concluímos que é de suma importância que psicólogos possam ocupar espaços em serviços de saúde públicos, na rede de ensino pública e em demais serviços de assistência social. Também, que possam envolver-se em projetos, grupos e coletivos voltados para a discussão das relações étnico-raciais com demais setores da sociedade e para a oferta de cuidado em saúde mental. Ademais, que a classe profissional mantenha-se articulada com o Conselho Federal de Psicologia e com seus respectivos Conselhos Regionais, a fim de garantir e exigir que esses órgãos fomentem a atuação politicamente implicada de psicólogos nas mais diversas esferas.&nbsp;<br>Acredito ser essencial que todo psicólogo comprometa-se em pelo menos algum desses níveis com a questão das relações étnico-raciais, independentemente de como ele se autodeclare. Como visto em outros momentos da disciplina, é necessário que a omissão própria à branquitude seja questionada. Além disso, não é possível pensar o ser humano enquanto uma unidade psíquica constituída de forma alheia ao meio social hierarquicamente racializado em que vive. Portanto, que possamos, mesmo que em microcontextos, estar engajados com essa luta. Nesse sentido, deixo aqui uma frase de Eduardo Galeano que muito me inspira: " A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-04-13 19:28:00 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Aula 11: Migrações, racismo e xenofobia </title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>A leitura do artigo "Xeno-racismo ou xenofobia racializada? Problematizando a hospitalidade seletiva aos estrangeiros no Brasil" (Faustino &amp; Oliveira, 2022) me levou a pensar a xenofobia a partir de sua articulação com o racismo no Brasil. As políticas de branqueamento baseadas no incentivo à imigração europeia para terras brasileiras, que foram levadas à cabo nos séculos XIX e XX, nos levaram a conceber um tipo ideal de imigrante: aquele que é branco e que migra de países desenvolvidos. Esse tipo é ideal, pois remete ao modelo universal de humanidade refletido na figura do colonizador, do homem branco que traz ao Novo Mundo a civilidade e a salvação. Assim sendo, o tratamento destinado a imigrantes não-brancos, oriundos de países de Terceiro Mundo, se reveste não só de xenofobia, mas encontra outro eixo de subordinação: o de raça. Essa intersecção produz realidades demasiadamente marginalizadas, as quais carecem de intervenções de assistência social e psicológica sensíveis.&nbsp;<br>Ouvir sobre a tese de mestrado do professor Pedro me alegrou, pois mostrou que há pessoas se debruçando sobre o assunto muito perto de mim, já que Caxias do Sul é minha cidade natal. Também, me incentivou a buscar conhecer qual a realidade em que eles vivem na serra gaúcha, local de forte imigração italiana. Essa busca me surpreendeu. Descobri que, desde 2020, a cidade de Caxias do Sul conta com um Centro de Informações ao Imigrante que é referência para as políticas públicas de Assistência Social ao Imigrante e que foi iniciativa da Coordenadoria de Promoção de Igualdade Étnico-Racial. Ainda, que o IFRS de Bento Gonçalves oferece, desde 2013, cursos de extensão em língua portuguesa gratuitos para imigrantes e refugiados, com o objetivo de auxiliá-los a se comunicar em solo brasileiro, a fim de que possam acessar serviços públicos e exercer sua cidadania. É gratificante saber desses avanços, os quais produzem efeitos sociais que espero poder observar de perto tão logo quanto possível.&nbsp;<br>Deixo aqui o link para acesso às duas reportagens que falam sobre o assunto:<br>- https://leouve.com.br/ultimas/ifrs-bento-oferece-curso-de-lingua-portuguesa-para-imigrantes-e-refugiados<br><br>- https://caxias.rs.gov.br/noticias/2020/03/inaugurado-o-centro-de-informacoes-ao-imigrante</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-06 19:01:48 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 12: Migrações, racismo e xenofobia</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>O professor Diego nos apresentou, nesta aula, o tema de sua pesquisa de mestrado em Psicologia: o genocídio armênio. Me alarmou perceber que, em 16 anos de ensino formal, essa foi a primeira vez que ouvi falar sobre um acontecimento histórico que é considerado o primeiro genocídio promovido por um Estado moderno e que matou cerca de 1,5 milhão de pessoas. Também, fiquei consternada em saber que a estratégia de extermínio do povo armênio foi friamente planejada pelo governo turco. O fato de que 600 intelectuais armênios foram sequestrados antes que se desse início à deportação da população, a fim de que o povo fosse privado de seus referenciais culturais, me parece cruel demais para ser ignorado. Lembrei-me que, em uma de nossas últimas aulas de Neuroanatomia, a professora nos ensinou que a espécie humana é privada de sua agressividade predatória por mecanismos cerebrais específicos. Essa privação, no entanto, não nos faz menos agressivos. Pelo contrário, é aterrador pensar que usamos nosso córtex pré-frontal, nossa razão e nossa consciência, para tecer estratégias de extermínio tão complexas. O homem racional, justo e fraterno concebido pelo projeto da Modernidade é um mito. Mais de um milhão de pessoas morreram no século XX e, até hoje, esse fato não é reconhecido globalmente. Levou 33 anos, desde o genocídio armênio, para que uma Declaração Universal dos Direitos Humanos fosse elaborada. Isso só aconteceu em virtude do Holocausto, pois as pessoas vitimadas por esse genocídio eram brancas e europeias. Diante desses fatos, é impossível negar que existem vidas e corpos que são mais valorizados do que outros e que essa valorização está intimamente ligada com questões étnico-raciais. Por exemplo, desde que o conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia eclodiu, a imprensa tem se mostrado muito solidária com as vidas que estão sendo vitimadas. Isso não deve ser questionado, mas há uma nítida diferença entre a comoção causada por um conflito que faz brancos e europeus de vítimas e a comoção causada pelas guerras e disputas geopolíticas sangrentas que vigoram há anos no Oriente Médio. Quantas mortes estão sendo silenciadas e apagadas por essa dinâmica? O genocídio da população negra e dos povos indígenas, no Brasil, são exemplos de acontecimentos que se perdem em nossa história, em virtude da omissão. Como dito pela professora Luciana, é essencial que a Psicologia possa retomar as narrativas esquecidas nesse processo por meio de trabalhos como o do professor Diego. É somente por meio da escuta e da validação do sofrimento causado por essa políticas de extermínio que podemos caminhar para a cura.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-12 23:22:32 UTC</pubDate>
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         <title>Aula 13: Encontro de tutoria</title>
         <author>00329808</author>
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         <description><![CDATA[<div>Como não pude participar desse encontro de tutoria, optei por debruçar-me, neste espaço, sobre a discussão de um&nbsp; caso que ganhou grande visibilidade na mídia brasileira nas últimas semanas. Para mim, essa situação evidencia quais as políticas genocidas em curso no nosso país e quais são as vidas que estão sob seu alvo.&nbsp;<br>No dia 25 de abril de 2022, foi divulgada a denúncia de que uma menina de 12 anos teria morrido após ser estuprada por garimpeiros ilegais dentro do Território Indígena Yanomami e que outra criança teria desaparecido no rio em um episódio relacionado ao caso. Nos dias 27 e 28 de abril, órgãos federais visitaram a aldeia para apurar as denúncias, mas encontraram o antigo local de ocupação queimado e os 25 indígenas que ali viviam, desaparecidos. Esse fato deu origem à campanha "CADÊ OS YANOMAMI?", que pedia pela apuração do paradeiro da tribo. Apesar de eles terem sido encontrados no dia 6 de maio e de o Ministério Público Federal (MPF) ter alegado não encontrar indícios dos crimes de estupro e assassinato, esse acontecimento chama a atenção para o sofrimento do povo Yanomami, em virtude do avanço do garimpo ilegal na região.<br>Em 2011, a população Yanomami, no Brasil, era de 19.338 pessoas ocupando 96.650 quilômetros quadrados de terra indígena demarcada. Hoje, estima-se que mais de 16 mil indígenas são afetados pelo garimpo ilegal na região e que o número de garimpeiros em atividade ultrapassa os 20 mil. De fato, os Yanomami sofrem com esse problema desde 1986, quando a entrada de garimpeiros na região foi facilitada pelo governo brasileiro, a partir da ampliação de uma pista de pouso na área. Os relatos de violência sexual, violência armada e ameaças contra o povo indígena Yanomami não são poucos. Em 1993, o acirramento da tensão entre indígenas e garimpeiros gerou um massacre, chamado de Massacre de Haximu, em que 12 indígenas foram mortos. Trata-se da primeira vez, na história do Brasil, que alguém foi condenado pelo crime de genocídio. Além desses relatos de confronto direto, sabe-se que a população local sofre com a contaminação por mercúrio, um metal tóxico utilizado no garimpo do ouro para aglutinar o metal.&nbsp;<br>O fato de que o garimpo na região foi incentivado por uma iniciativa governamental, de que a fiscalização dessa atividade é precária e de que a pena para a prática do garimpo ilegal não ultrapassa os 4 anos de reclusão demonstra como estrutura-se a necropolítica de um governo que dá continuidade ao genocídio indígena.&nbsp;<br>Penso ser de grande importância que possamos envolver-nos em campanhas e movimentos que dão visibilidade ao tema. Deixarei, aqui, o link para acesso ao documento "Yanomami sob Ataque", um relatório que compila informações sobre a destruição provocada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, que foi divulgado no dia 11 de abril de 2022 pela Hutukara Associação Yanomami.</div>]]></description>
         <enclosure url="https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/yanomami-sob-ataque-garimpo-ilegal-na-terra-indigena-yanomami-e-propostas-para" />
         <pubDate>2022-05-12 23:23:47 UTC</pubDate>
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         <title>Encerramento da disciplina</title>
         <author>00329808</author>
         <link>https://padlet.com/00329808/ecf9n0zysz6hxw1p/wish/2182972259</link>
         <description><![CDATA[<div>Para finalizar esse portfólio, gostaria de agradecer aos professores da disciplina por nos guiarem pelas vicissitudes da questão étnico-racial de maneira tão precisa. Como procurei expressar em cada uma das reflexões anexadas neste espaço, penso ser urgente que a Psicologia inclua esse tema no rol dos assuntos sobre os quais se debruça. Não podemos alegar que ofertamos cuidado enquanto formos perpetradores da hierarquia étnico-racial que privilegia algumas poucas vidas em detrimento de outras. É chegada a hora de reconhecermos nossa história, a fim de que possamos evitar o desenrolar de outros genocídios, como o da juventude negra e dos povos indígenas remanescentes.&nbsp;Depois desse semestre, sinto-me mais preparada para seguir desvelando as nuances desse tema e para atuar como profissional. Obrigada!</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-05-13 14:29:51 UTC</pubDate>
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