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      <title>Interseccionalidades de raça, gênero e classe by Ana Claudia Assis Rodrigues Figueiredo</title>
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      <description>Criado por Ana Claudia</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-06-17 22:35:19 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224317037</link>
         <description><![CDATA[<div>O termo interseccionalidade é um conceito sociológico preocupado com as interações e marcadores sociais nas vidas das minorias. Através dele é possível enxergar que em nossa sociedade existem vários sistemas de opressão, como as de raça ou etnia, classe social, capacidade física, localização geográfica, entre outras, que relacionam-se entre si, se sobrepõem e demonstram que o racismo, o sexismo e as estruturas patriarcais são inseparáveis e tendem a discriminar e excluir indivíduos ou grupos de diferentes formas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:03:56 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Para entendermos como esses sistemas de opressão têm impactos diferentes em diferentes pessoas, precisamos lembrar que existem naturalmente diversas diferenças de&nbsp; gênero, cor da pele, idade, altura etc entre nós. Mas muitos indivíduos ou grupos, apenas por pertencerem a essas “categorias”, são submetidos a uma série de discriminações, preconceitos e opressões, como de classe, de gênero, de geração, de raça/etnia e de orientação sexual.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:04:19 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Inicialmente o conceito debruçou-se principalmente em relação ao impacto desses sistemas de opressão sobre as mulheres negras. E graças às lutas, discussões e ativismos feministas sobre o assunto, o conceito tornou-se importantíssimo para as ciências sociais no geral.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:06:38 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Os debates sobre interseccionalidade surgiram a partir das lutas e teorizações dos movimentos feministas negros nos Estados Unidos e no Reino Unido entre os anos 1970 e 1980. Assim, o movimento conhecido como<a href="https://www.geledes.org.br/feminismo-negro-sobre-minorias-dentro-da-minoria/"> </a>Black Feminism foi extremamente produtivo no que diz respeito à produção acadêmica e desenvolvimento das teorias feministas. Graças à entrada em maior número dessas mulheres no meio acadêmico, foi possível atingir um desenvolvimento sociológico do pensamento das mulheres negras naquele momento.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:07:45 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Entretanto, foi somente em 1989 que o termo foi de fato sistematizado por Kimberlé Crenshaw,&nbsp; teórica feminista e professora estadunidense especializa em questões de raça e gênero.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:08:01 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Segundo Crenshaw, interseccionalidade é “… uma conceituação do problema que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação. Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classes e outras. Além disso, a interseccionalidade trata da forma como ações e políticas específicas geram opressões que fluem ao longo de tais eixos, constituindo aspectos dinâmicos ou ativos do desempoderamento” (2002).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:08:22 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Para a professora, é através desse termo que se explica como os eixos de poder relacionados à raça, etnia, gênero e classe estruturam os terrenos sociais, econômicos e políticos em que vivemos.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:08:47 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Crenshaw também explica que esses eixos são distintos e excludentes. Por exemplo, o racismo é diferente do patriarcalismo, que por sua vez é diferente da opressão de classe. Mas, frequentemente, eles podem se interligar criando complexas intersecções em que dois, três ou quatro eixos acabam se cruzando.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:09:09 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[Assim, sempre que nos aventuramos a estudar o pensamento feminista negro, sem dúvidas, em algum momento, encontraremos o conceito de interseccionalidade que se tornou indispensável para pensar o lugar dessas mulheres na sociedade.]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:10:01 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Nos últimos anos, o número de autoras interessadas em alimentar e fortalecer a teoria da interseccionalidade aumentou consideravelmente. Podemos citar alguns nomes mundialmente conhecidos:&nbsp; Audre Lorde (1983), Bell Hooks (1984), Patricia Hill Collins (1990), Avtar Brah (2006), Angela Davis (2017).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:10:21 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>A produção sobre o assunto também é marcante no Brasil por nomes como Sueli Carneiro (1985), Luiza Bairros (1995); além de Lélia Gonzales (1988) e Beatriz Nascimento (1989), que não trabalharam com o conceito em si, mas com muitas premissas que o antecedem.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:10:37 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Isso nos mostra que a teoria da interseccionalidade tem estimulado diversas análises e encorajado investigações reflexivas, críticas e responsáveis a fim de combater as consequências estruturais desses poderes que criam relações de subordinação, e, promover a adoção de políticas públicas eficazes de inclusão social.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:10:51 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Quando pesquisamos sobre a ideia de interseccionalidade, inicialmente, é possível observar uma aplicação limitada ao âmbito das mulheres. Mas, como já mencionamos, existe a aplicação da teoria em outras esferas, já que a interseccionalidade nos mostra que os sistemas de opressão, que são inúmeros, se articulam e podem ser inseparáveis.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:11:30 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Assim, o termo demonstra-se como um instrumento para os movimentos antirracistas, feministas e instâncias protetivas dos Direitos Humanos e, a cada dia, amplia suas análises, levando em conta também outros marcadores sociais como sexualidade, identidade de gênero, geração e tantos outros</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:11:48 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>No Brasil, por exemplo, Carla Akotirene (2018), em sua coleção Feminismos plurais, propõe uma revisão teórica sobre o conceito de interseccionalidade que vai desde sua criação até as principais diferenças analíticas bem como as críticas que vem sendo construídas sobre o uso que foge da ideia inicial dessa ferramenta metodológica.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:12:02 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>A autora define a relação entre os feminismos negros e interseccionalidade da seguinte maneira: “o Feminismo Negro dialoga concomitantemente entre/com as encruzilhadas, digo, avenidas identitárias do racismo, cisheteropatriarcado e capitalismo. O letramento produzido neste campo discursivo precisa ser aprendido por Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer e Intersexos (LGBTQI), pessoas deficientes, indígenas, religiosos do candomblé e trabalhadores” (AKOTIRENE, 2018).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:12:24 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Desta forma, entender as circunstâncias concretas nas quais o racismo e o sexismo convergem é apenas um início. O termo se preocupa com fatores relacionados a raça ou etnia, classe social, capacidade física, localização geográfica, entre outros, nas vidas de minorias que também podem ser dominadas e discriminadas. Por isso, grupos minoritários, incluindo judeus, negros, muçulmanos, índios, imigrantes não brancos e LGBTs também são de igual importância para o conceito sociológico.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:12:40 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Afinal, devido a atos de discriminação intencional no emprego, na educação e em outras esferas, especificamente por esses indíviduos não serem membros dos “grupos dominantes” na sociedade, suas trajetórias são marcadas por maior vulnerabilidade e menor inserção em sociedade.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:12:58 UTC</pubDate>
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         <description><![CDATA[<div>Carla Akotirene, a respeito disso, afirma em seu livro “interseccionalidade’’(2019), que o objetivo do assunto é introduzir questões relativas ao feminismo negro mas aponta que “a interseccionalidade pode ajudar a enxergarmos as opressões e combatê-las, reconhecendo que algumas opressões são mais dolorosas. E que às vezes somos oprimidos, mas às vezes somos opressores”.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:13:21 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>É por isso, então, que a ideia de interseccionalidade serve também como um instrumento de luta política, da inclusão dessas minorias, da afirmação dos Direitos Humanos e em favor da justiça social. A partir disso, entende-se que a interseccionalidade é um processo de descoberta que nos alerta para o fato de que o mundo a nossa volta é complicado, contraditório e requer nossa atenção e a interseccionalidade&nbsp; serve como um “aporte teórico metodológico para se pensar múltiplas exclusões e como de fato construir estratégias para o enfrentamento desse paradigma” (CRENSHAW, 2002).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:13:39 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>No artigo de Mayorga, nós analisamos as contribuições do debate feminista sobre interseccionalidade de categorias sociais para a psicologia social comunitária no Brasil. Como nós vimos, a psicologia social se constituiu como campo teórico dedicado a analisar as desigualdades sociais que marcam as sociedades contemporâneas e a propor processos metodológicos de intervenção para problematização e transformação dessas realidades.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:14:29 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224319789</link>
         <description><![CDATA[<div>No texto tem uma fala muito interessante, em que a autora fala “em um debate com uma ativista feminista lésbica em Madri, no qual discutíamos acerca das diferenças entre os feminismos dos contextos latino-americano e espanhol, ela foi bastante categórica ao afirmar que o problema das latinas refere-se ao fato de elas ainda se casarem, terem filhos etc. É certo que a instituição do casamento e a designação da maternidade como lugar natural para as mulheres foram aspectos fortemente criticados pelo feminismo, por sua forte relação e função nas lógicas patriarcais, mas tal afirmação revela uma posição de prescrição de formas de emancipação que foi e segue sendo alvo de tensões e problematizações dentro do feminismo. A preocupação se volta, sobretudo, para posições que reproduzem compreensões sobre outras mulheres, sem de fato ouvir suas vozes, experiências e posições.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:14:44 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224319862</link>
         <description><![CDATA[<div>Da mesma forma, em um outro debate acerca da problemática do tráfico de pessoas, uma pesquisadora feminista sueca, ao falar da necessidade da elaboração de políticas de enfrentamento ao tráfico de mulheres, revela, quase em tom de confissão, que o problema do tráfico deveria mesmo acabar, pois essas mulheres estavam “levando doenças para seus maridos”. Um encontro que, a princípio, parecia ser um ato de solidariedade e problematização da violação de direitos de mulheres migrantes acabou por revelar a naturalizada visão de desqualificação em relação às mulheres de outras latitudes”.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:15:07 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224319913</link>
         <description><![CDATA[<div>Como nós podemos ver a uma “dicriminação” em relação ao ponto de vista espanhol sobre nosso feminismo, pois eles nos acham atrasadas por nós “ainda” nos casarmos, também podemos ver como as mulheres na sueca pensam sobre o tráfico de pessoas, principalmente mulheres, onde para eles essas mulheres “levam doença” para seus maridos. Nós podemos perceber um exemplo de interseccionalidade.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:15:21 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Além disso, podemos reconhecer que, devido à força do dispositivo da racialidade, o exercício de análise interseccional é um aprendizado de difícil apropriação e de profundos movimentos de resistência. A todo o momento temos que estar atentos/as aos nossos próprios preconceitos e cegueiras, num processo constante de ressignificação dos modos de subjetivação.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-17 23:15:36 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224557489</link>
         <description><![CDATA[<div>No Brasil contemporâneo, a criação de ações afirmativas para a população negra brasileira trouxe à tona antigos questionamentos sobre a formação do povo brasileiro e novas perguntas acerca das identidades raciais, tais como: quem é branco e quem é negro? Sobre essa questão, encontramos em diferentes áreas das ciências humanas trabalhos que visam compreender quem é o negro brasileiro. No entanto, quase não nos perguntamos sobre quem é o branco, e o que é ser branco no Brasil. Poucos trabalhos foram feitos com o intuito de descrever e compreender a experiência e construções cotidianas do próprio sujeito branco como pessoa racializada. Aqui não me refiro às experiências e vivências do sujeito dentro de um grupo, mas sim à experiência da ideia de raça na constituição do próprio sujeito, ou seja, à experiência da própria identidade branca que, segundo Ruth Frankenberg (2004), é vivida imaginariamente como se fosse uma essência herdada e um potencial que confere ao indivíduo poderes, privilégios e aptidões intrínsecas.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:57:58 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Pensando no campo da Psicologia, algumas hipóteses foram feitas para justificar a falta dos estudos que pensam a branquitude. A primeira é o fato de que a grande maioria dos psicólogos e pesquisadores são brancos e socializados entre uma população que se acredita desracializada, o que colabora para retificar a ideia de que quem tem raça é o outro e para manter a branquitude como identidade racial normativa. A outra hipótese é que desvelar a branquitude é expor privilégios simbólicos e materiais que os brancos obtém em uma estrutura racista; e, assim, os estudos sobre brancos indicam que o ideal de igualdade racial em que os brasileiros são socializados opera para manter e legitimar as desigualdades raciais. Neste sentido, alguns autores (Bento &amp; Carone, 2002; Piza, 2002) apontam para a importância de estudar os brancos com o intuito de desvelar o racismo, pois estes, intencionalmente ou não, têm um papel importante na manutenção e legitimação das desigualdades raciais.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:58:23 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Branco: Cor, raça, grupo, cultura? Afinal, o que é ser branco no Brasil contemporâneo? Definir o que é branquitude, e quem são os sujeitos que ocupam lugares sociais e subjetivos da branquitude é o nó conceitual que está no bojo dos estudos contemporâneos sobre identidade racial branca. Isso porque, nesta definição, as categorias sociológicas de etnia, cor, cultura e raça se entrecruzam, colam e se deslocam umas das outras, dependendo do país, região, história, interesses políticos e épocas investigadas. Ser branco, ou seja, ocupar o lugar simbólico de branquitude, não é algo estabelecido por questões genéticas, mas sobretudo por posições e lugares sociais que os sujeitos ocupam. Desta forma, a branquitude precisa ser considerada "como a posição do sujeito, surgida na confluência de eventos históricos e políticos determináveis" (Steyn, 2004, p. 121). Ser branco assume significados diferentes, compartilhados culturalmente, em diferentes lugares. Nos EUA, ser branco está estritamente ligado à origem étnica e genética de cada pessoa; no Brasil, ser branco está ligado à aparência, ao status e ao fenótipo; na África do Sul, fenótipo e origem são importantes demarcadores de branquitude. Assim, no Brasil: “ser branco exige pele clara, feições europeias, cabelo liso; ser branco no Brasil é uma função social e implica desempenhar um papel que carrega em si uma certa autoridade ou respeito automático, permitindo trânsito, eliminando barreiras. Ser branco não exclui ter sangue negro”. (Sovik, 2004).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:58:43 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224557823</link>
         <description><![CDATA[<div>A branquitude é entendida como uma posição em que sujeitos que ocupam esta posição foram sistematicamente privilegiados no que diz respeito ao acesso a recursos materiais e simbólicos, gerados inicialmente pelo colonialismo e pelo imperialismo, e que se mantêm e são preservados na contemporaneidade. Portanto, para se entender a branquitude é importante entender de que forma se constroem as estruturas de poder fundamentais, concretas e subjetivas em que as desigualdades raciais se ancoram.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:58:59 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224557907</link>
         <description><![CDATA[<div>A partir da década de 90 do século passado, os estudos sobre raça e racismo nos Estados Unidos começaram a mudar seu enfoque, e novos olhares sobre o tema começaram a surgir. O movimento de mudança nestes estudos se deu quando os olhares acadêmicos das ciências sociais e humanas se deslocaram dos "outros" racializados para o centro sobre o qual foi construída a noção de raça, ou seja, para os brancos. Estes novos enfoques foram chamados de estudos críticos sobre a branquitude (critical whiteness studies). Apesar de os Estados Unidos serem pioneiros nos estudos sobre branquitude, encontramos produções acadêmicas sobre essa temática na Inglaterra, na África do Sul, na Austrália e no Brasil.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:59:16 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224558041</link>
         <description><![CDATA[<div>A lógica, nesses estudos, foi tirar o olhar das identidades consideradas de margem e voltar para a autoconstrução do centro, com o intuito de olhar, revelar e denunciar também o conteúdo destas, que até então haviam sido privadas de uma análise crítica. Dyer (1988), em seu artigo White, aponta que os estudos que apenas olharam e focaram os grupos minoritários contribuíram com a ideia de norma dos grupos hegemônicos5, ou seja, olhar apenas para os negros e indígenas, nos estudos de relações raciais, ajudou a contribuir com a ideia de um branco cuja identidade racial é a norma: “Olhar com tamanha paixão e unicidade de propósito para os grupos não dominantes teve o efeito de reproduzir o sentimento de estranheza, diferença e excepcionalidades desses grupos, o sentimento de que eles constituem desvios da norma. Entrementes, a norma seguiu adiante, como se fosse a maneira natural, inevitável e comum de sermos humanos”. (Dyer, 1988).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:59:36 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>Apesar das preocupações e da luta contra a discriminação racial serem fundamentais para uma sociedade mais justa e humana, a Psicologia pouco se debruçou sobre a questão das relações raciais no Brasil. Nos currículos dos cursos de psicologia brasileiros, raramente encontramos qualquer menção ao tema da raça e do racismo nas disciplinas obrigatórias. A formação de psicólogos ainda está centrada na ideia de um desenvolvimento do psiquismo humano igual entre os diferentes grupos racializados. Assim como as categorias de classe e de gênero são fundamentais na constituição do psiquismo humano, a categoria raça é um dos fatores que constitui, diferencia, hierarquiza e localiza os sujeitos em nossa sociedade.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 13:59:55 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224558342</link>
         <description><![CDATA[<div>Assim, é importante perguntar: quais os significados e sentidos de "ser branco" compartilhados em nossa cultura? Quais os processos de constituição destes sujeitos como brancos? É possível falar em identidade racial branca no Brasil? Caso seja possível, de que forma ela se caracterizaria? A questão aqui é entender como os pressupostos falsos ou imaginários sobre a raça quando está, do ponto de vista biológico não existe passaram a ter efeitos concretos tão poderosos a ponto de regular práticas cotidianas, percepções, comportamentos e desigualdades entre diferentes grupos humanos. Para contribuir com essas reflexões, este artigo tem como objetivo compreender como a categoria raça é apropriada por sujeitos brancos na constituição de suas identidades, ou seja, investigar de que forma as ideias de raça e racismo operam na construção da identidade racial branca. Desta forma, é possível contribuir para uma luta antirracista, onde os brancos compreendam que a estrutura racista da sociedade também os constitui, gerando privilégios materiais e simbólicos.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:00:21 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224558738</link>
         <description><![CDATA[<div>O conceito de "raça" usado neste trabalho é o de "raça social", conforme teorizou Guimarães (1999c), isto é, não se trata de um dado biológico, mas de "construtos sociais, formas de identidade baseadas numa ideia biológica errônea, mas eficaz socialmente, para construir, manter e reproduzir diferenças e privilégios". Para este autor, se a existência de raças humanas não encontra qualquer comprovação no bojo das ciências biológicas, elas são, contudo, plenamente existentes no mundo social, produtos de formas de classificar e de identificar que orientam as ações dos seres humanos".</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:01:29 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224558910</link>
         <description><![CDATA[<div>Neste sentido, é importante explicitar que a categoria de raça que opera no imaginário da população e produz discursos racistas é, ainda, a ideia de raça produzida pela ciência moderna nos séculos XIX e XX. Serve para classificar a diversidade humana em grupos fisicamente contrastados, que têm características fenotípicas comuns tidas como responsáveis pela determinação das características psicológicas, morais, intelectuais e estéticas dos indivíduos dentro destes grupos, situando-se em uma escala de valores desiguais (Munanga, 2004).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:01:56 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224559188</link>
         <description><![CDATA[<div>Assim, torna-se necessário entender como o fenômeno do racismo no Brasil é, ao mesmo tempo, produzido pela e produtor da categoria raça. Neste trabalho, consideramos racismo qualquer fenômeno que justifique as diferenças, preferências, privilégios, dominação, hierarquias e desigualdades materiais e simbólicas entre seres humanos, baseado no conceito de raça. Isso porque, mesmo esse critério não tendo nenhuma realidade biológica, o ato de atribuir, legitimar e perpetuar as desigualdades sociais, culturais, psíquicas e políticas em função da "raça" significa legitimar diferenças sociais. E isso se dá a partir da naturalização e essencialização da falácia de diferenças biológicas que, dentro da lógica brasileira, se manifestam pelo fenótipo e aparência dos indivíduos de diferentes grupos sociais. “Racismo, aqui, deve ser entendido precisamente quando o que está em jogo é que a hierarquia social entre grupos é definida pela ideia de raça; ou seja, o termo não cabe para se pensar em outras formas de discriminação e preconceito dadas por outras diferenças, tais como gênero, opção sexual, etnia, nacionalidade, entre outros” (Guimarães, 1999c).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:02:49 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224559311</link>
         <description><![CDATA[<div>Posto isto, podemos pensar em diferentes formas de racismo. Segundo Wieviorka (2006), dois argumentos diferentes sustentam este fenômeno. São eles: o racismo biológico e o racismo cultural. O racismo biológico procura sustentar os argumentos para justificar as hierarquias sociais no conceito de raça, enquanto conjunto de características físicas herdadas (cor do cabelo, pele, nariz, etc.). Já o racismo cultural, nomeado como novo racismo ou racismo diferencialista por teóricos como Taguieff (1987, citado por Pierucci, 1999), Balibar (1991) e Gilroy (2001), apresenta-se como um “racismo sem raça”, um racismo que justifica as hierarquias sociais com base numa ideia essencialista de cultura em que diferenças linguísticas, religiosas e de modos de vida de diferentes grupos são significadas como inferiores ou inassimiláveis à cultura dominante. No entanto, apesar da justificativa desse argumento ser traduzida em termos culturais, esse racismo está intrinsecamente ligado à noção de racismo biológico na medida em que a cultura dos grupos é naturalizada e hierarquizada como superiores e inferiores e, necessariamente, associada aos corpos biológicos dos indivíduos destes grupos.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:03:08 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224559422</link>
         <description><![CDATA[<div>Além das diferenças sobre os argumentos que constroem o racismo, podemos também distinguir as diferentes formas de manifestação destes e para isto é importante diferenciar o racismo individual do racismo institucional. O racismo individual é entendido aqui como atitudes e ações individuais de discriminação raciais feitas nas práticas de relações interpessoais. Já o racismo institucional se configura por meio de mecanismos de discriminação inscritos no corpo da estrutura social, e que funcionam mesmo sem a intenção dos indivíduos, ou seja, se estabelece nas instituições traduzindo os interesses, ações e mecanismos de exclusão perpetrados pelos grupos racialmente dominantes. Assim: “o racismo institucional aparece como um conjunto de mecanismos, não percebido socialmente e que permite manter os negros em situação de inferioridade, sem que seja necessário que os preconceitos racistas se expressem, sem que seja necessário uma política racista para fundamentar a exclusão ou a discriminação. O sistema nessa perspectiva funciona sem atores, por si próprio”. (Wieviorka, 2006).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:03:29 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
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         <description><![CDATA[<div>No Brasil, o racismo desenvolveu-se de forma particular, porque o Estado nunca o legitimou, mas foi e ainda é presente nas práticas sociais e nos discursos. Ou seja, aqui temos um racismo de atitudes, ainda que não reconhecido pelo sistema jurídico e também negado pelo discurso de harmonia racial e não-racialista da nação brasileira (Guimarães, 1999b).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:03:43 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224559687</link>
         <description><![CDATA[<div>Mesmo que todas as evidências apontem o racismo como explicação para as desigualdades raciais, o racismo brasileiro tem a especificidade de, em maior ou menor grau, ser velado e sutil. A "democracia racial" faz parte do imaginário brasileiro e constrói um ideal do qual os brasileiros, em sua maioria, não abrem mão. Hasenbalg (1979) aponta que o conceito de democracia racial é uma arma ideológica que, por fim, socializa a população brasileira de brancos e não-brancos como iguais, evitando com isso um conflito racial no Brasil: “Num certo sentido, a sociedade brasileira criou o melhor dos dois mundos. Ao mesmo tempo em que mantém a estrutura de privilégio branco e a subordinação não branca, evita a constituição da raça como princípio de identidade coletiva e ação política. A eficácia da ideologia racial dominante manifesta-se na ausência de conflito racial aberto e na desmobilização política dos negros, fazendo com que os componentes racistas do sistema permaneçam incontestados, sem necessidade de recorrer a um alto grau de coerção.” (1979).</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:04:11 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224559767</link>
         <description><![CDATA[<div>Portanto, não há necessidade do conceito de raça legitimado pela ciência para que haja racismo, e é isto que explica a permanência do racismo na atualidade, pois se transformaram as formas de legitimação social e discurso sobre as diferenças humanas, bem como os mecanismos que mantêm as posições de poder entre brancos e não-brancos.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:04:26 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224560007</link>
         <description><![CDATA[<div>Sabemos, através dos estudos da psicologia sócio-histórica, que todo sujeito é capaz de produzir sentidos diferentes dos significados construídos social e historicamente. E isso vai depender das mediações semióticas que cada um vivenciará.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:05:19 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224560076</link>
         <description><![CDATA[<div>A partir desse enfoque, podemos dizer que sujeitos considerados brancos em nossa sociedade passam por um processo psicossocial resultante das mediações que experienciam durante a vida de identificação com os significados compartilhados em nossa cultura sobre a supremacia racial branca. Portanto, podemos pensar que eles também podem, por diversas questões, não se identificar com o lugar simbólico da branquitude, e construir fissuras entre a brancura e a branquitude, proporcionando-nos, desta forma, algumas indicações para pensarmos em propostas sobre a desconstrução do racismo na identidade racial branca.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:05:33 UTC</pubDate>
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         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224560271</link>
         <description><![CDATA[<div>Portanto, um dos trabalhos dentro da psicologia para esta desconstrução deve ser o de demonstrar a suposta neutralidade da identidade racial branca que faz com que grande parcela da sociedade tenha privilégios mas não os perceba. Maria Aparecida Bento (2002) argumenta que os brancos em nossa sociedade agem por um mecanismo que ela denomina de <em>pactos narcísicos</em>, alianças inconscientes, intergrupais, caracterizadas pela ambiguidade e, no tocante ao racismo, pela negação do problema racial, pelo silenciamento, pela interdição de negros em espaço de poder, pelo permanente esforço de exclusão moral, afetiva, econômica e política do negro, no universo social. Assim, a branquitude é "um lugar de privilégio racial, econômico e político, no qual a racialidade, não nomeada como tal, carregada de valores, de experiências, de identificações afetivas, acaba por definir a sociedade".</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:05:55 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>acarfigueiredo</author>
         <link>https://padlet.com/acarfigueiredo/e4vwztzqoyzbg6wg/wish/2224560414</link>
         <description><![CDATA[<div>Neste sentido penso que há, na luta antirracista, diferentes frentes a serem atingidas. Uma delas é o processo de desidentificação com os significados racistas, processo em que o ator social pode e deve ser agente de mudanças, o que está ligado a uma tomada de posição sobre seu racismo latente, sobre perceber seus privilégios e, portanto, a um trabalho para desconstruir o racismo e os significados racistas apropriados por cada sujeito, produzindo, assim, novos sentidos para o que significa ser branco e o que significa ser negro. No entanto, precisamos que haja por parte dos sujeitos brancos além da aquisição da consciência de sua racialidade e de que são precursores de mudanças em seus micro-lugares de poder e atuação uma mudança estrutural nos valores culturais da sociedade como um todo. É preciso que a branquitude, como lugar de normatividade e poder, se transforme em identidades étnico-raciais brancas onde o racismo não seja o pilar de sua sustentação. Para isto, além da psicologia e da constituição dos sujeitos como atores sociais, é preciso alterar as relações socioeconômicas, os padrões culturais e as formas de produzir e reproduzir a história brasileira. Conclui-se, assim, que as políticas públicas voltadas para a igualdade racial como as de cotas, o reconhecimento da história, do espaço e a ação do movimento negro, são essenciais para que os brancos consigam se deslocar da posição de norma e de hegemonia cultural.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-06-18 14:06:18 UTC</pubDate>
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