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      <title>𝑚𝑒́𝑙𝑎𝑛𝑐𝑜𝑙𝑖𝑒. by sayu.</title>
      <link>https://padlet.com/onlybulletswhistle/melancolie</link>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-07-24 21:25:15 UTC</pubDate>
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         <title>01. refusal</title>
         <author>onlybulletswhistle</author>
         <link>https://padlet.com/onlybulletswhistle/melancolie/wish/3528125742</link>
         <description><![CDATA[<p>Não te quis em mim.<br>Não por ausência de ternura —<br>mas por horror.</p><p><br/></p><p>Pois a carne que me veste é cárcere,<br>e o sangue que me move,<br>um insulto contínuo à própria existência.</p><p><br/></p><p>Te adoro com a violência dos abismos,<br>com o fulgor reservado ao que se venera à distância —<br>como se ama uma estrela:<br>não pelo toque,<br>mas pelo incêndio que ela causaria.</p><p><br/></p><p>Te tornar parte...<br>não.<br>Seria heresia.<br>Seria enfiar o sagrado nas fissuras da minha ferrugem,<br>e vê-lo apodrecer comigo.</p><p><br/></p><p>Em mim, o belo apaga.<br>O limpo mancha.<br>O que entra não sai ileso.</p><p><br/></p><p>E eu —<br>eu me recuso a profanar o que adoro.</p><p><br/></p><p>Porque eu me odeio — </p><p>e você, </p><p>você eu adoro.</p><p><br><br><br><br> <br><br></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-24 21:49:09 UTC</pubDate>
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         <title>02. quit</title>
         <author>onlybulletswhistle</author>
         <link>https://padlet.com/onlybulletswhistle/melancolie/wish/3532417613</link>
         <description><![CDATA[<p>Eu fumo suas cinzas.</p><p><br>Não era luto. Tampouco memória. </p><p>Era um apego bruto, quase obsceno, ao que não deveria mais ocupar espaço. Uma insistência quase maquinal em arrastar vestígios teus pulmão adentro, como se ainda houvesse ar onde só resta poeira.</p><p><br/></p><p>Há quem queime incenso por fé; eu queimo você. Hábito.</p><p><br/></p><p>Inalo fragmentos teus como quem aspira a decomposição de uma lembrança. Há uma liturgia no vício:<br>cada gesto contaminado pela repetição da perda, cada trago uma reencenação do fim.</p><p><br/></p><p>Você já não subsiste — nem no eixo do tempo, nem na tessitura da carne — mas permanece viscosamente aderido às vísceras que me constituem, impregnado nas reentrâncias do pulmão como um miasma antigo, uma fuligem residual que não se dissipa, apenas se rearranja.</p><p><br>Não sei mais quando isso começou. Talvez nunca tenha havido início — só continuidade. O movimento perpétuo de te consumir no mesmo ritmo em que me desfaço. Uma simbiose entre morte e permanência. Entre o que resta e o que insiste.</p><p><br/></p><p>Fumaça e hábito.<br>Ausência e fé.</p><p><br/></p><p>Mas hoje,<br>sem milagre, sem redenção,<br>sem alarde nem lágrima —<br>decidi parar de fumar.</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-07-30 23:49:59 UTC</pubDate>
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