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      <title>Itinerário relações sociais e tecnologia: literatura em evolução by PABLO HENRIQUE ALVES FERREIRA</title>
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      <pubDate>2022-08-05 17:54:17 UTC</pubDate>
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         <title>Está no ar o 60º episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros! Nesta semana da Mulher, catapultada pelo simbólico 8 de março, discutimos diferentes tipos de abusos em relacionamentos e como eles aparecem na literatura. Carla Madeira, a segunda autora mais lida no Brasil no ano passado, comenta da violência que toma conta do cotidiano dos personagens de Tudo é rio e Véspera, e Stephanie Borges fala sobre o livro Na casa dos sonhos, de Carmen Maria Machado, que trata de relacionamentos lésbicos abusivos. A conversa foi conduzida por Paula Carvalho, editora da Quatro Cinco Um.</title>
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         <pubDate>2022-08-05 18:25:54 UTC</pubDate>
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         <pubDate>2022-08-05 18:27:49 UTC</pubDate>
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         <title>O que podemos e o que não podemos mudar em nós mesmos? É essa a pergunta implícita em A consulta, romance de estreia de Katharina Volckmer. Comparada com frequência a O complexo de Portnoy, de Philip Roth, a trama consiste em um monólogo vigoroso realizado em um contexto clínico, em que a narradora desabafa sobre suas dificuldades na família, no trabalho e na vida íntima, entremeando ternura, humor e vulgaridade. Ao fazer isso, ela pula de uma polêmica para outra, desde o ódio que sempre sentiu de seu irmão natimorto, passando pela ameaça de atacar um colega de trabalho com um grampeador e por um caso extraconjugal com o pintor frustrado K. até uma discussão da tentativa da Alemanha de se “desnazificar” e de suas próprias fantasias sexuais com Hitler.</title>
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         <pubDate>2022-08-05 18:35:26 UTC</pubDate>
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         <title>No Rio de Janeiro, no Complexo da Penha, uma operação policial deixou um saldo de 25 mortes. Em Sergipe, na cidade de Umbaúba, policiais rodoviários federais assassinaram um homem depois de deixá-lo trancado no porta-malas de uma viatura com gás lacrimogêneo, em uma espécie de câmara da morte. E esses casos bárbaros que nos chocam tanto não são casos isolados.   </title>
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         <description><![CDATA[<blockquote>&nbsp;<strong>Em 2021, foram registradas mais de 6 mil mortes decorrentes de intervenção policial. Os números foram divulgados no final de junho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O que chama atenção nesse dado é que ele é o menor desde 2013 — mas enquanto o índice de pessoas brancas mortas pela polícia caiu 31%, o número de pessoas negras mortas pela polícia cresceu 5,8%.&nbsp; &nbsp;</strong></blockquote>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-05 18:35:34 UTC</pubDate>
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         <title>Violência policial: Polícia boa não mata Poliana Ferreira é pesquisadora, mestre e doutoranda em direito pela Fundação Getúlio Vargas. Ela se debruçou sobre dezenas de mortes causadas pela polícia para tentar entender melhor a motivação desses atos. O resultado está no livro Justiça e letalidade policial: responsabilização jurídica e imunização da polícia que mata, que saiu pela editora Jandaia. Natália Pires de Vasconcelos falou com a autora e escreveu sobre o livro na edição 57. Na entrevista, Ferreira destaca como os corpos negros são o alvo mais comum das polícias diante do racismo estrutural que vivemos no Brasil, e observa como os números de exclusão se repetem em outros setores da sociedade brasileira.</title>
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         <description><![CDATA[<div>Pablo</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-05 18:40:08 UTC</pubDate>
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         <title>frida kali</title>
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         <pubDate>2022-08-12 17:46:09 UTC</pubDate>
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         <title>histeria feminina-kayra</title>
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         <description><![CDATA[<div>Qual mulher nunca foi chamada de louca? Historicamente, a definição de loucura é uma ferramenta para a marginalização social, tanto mais quando somada a questões de gênero, raça e classe. Silvana Jeha aponta que no hospital psiquiátrico de Juqueri, em que Aurora Cursino viveu, por exemplo, havia quase o dobro de mulheres internadas que homens.<br>Fora do Brasil, a situação não era muito diferente, Nellie Bly se internou em uma instituição psiquiátrica para mulheres de baixa renda sem ao menos precisar falsear qualquer tipo de transtorno psiquiátrico durante sua estadia. Nenhum dos cinco médicos que a examinaram duvidou de sua “encenação”. Isso porque, segundo os relatos da jornalista, muitas das mulheres do manicômio eram lúcidas e não possuíam transtornos mentais aparentes. Em geral, eram mulheres punidas por fugir da moralidade da época: prostitutas, imigrantes, homossexuais, bissexuais, aquelas que haviam engravidado antes de casar etc. Os escritos de Nellie Bly sobre o dia a dia na clínica não passaram batido: ainda que silenciados por algum tempo, eles renderam inúmeras audiências públicas e motivaram reformas no sistema manicomial norte-americano.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-12 18:00:50 UTC</pubDate>
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         <title>LIVROS DO DRII</title>
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         <description><![CDATA[<div>O sonho de Adriel Oliveira, 12, é um dia escrever um livro de fantasia. Na história estarão super-heróis, seres mágicos. Afinal, são os enredos fantásticos que gosta de ler em seu quarto, onde há uma estante com alguns de seus título favoritos. O gosto pelas aventuras é tão grande que o incentivou a criar a "Livros do Drii", uma página no Instagram com resenhas e dicas do livro. "Cada livro que leio, dá uma sensação diferente. Mas sinto alegria ao ler", diz.<br>Na quarta (27), porém, Adriel precisou enfrentar uma realidade nada mágica. Uma mensagem racista foi enviada contra a página onde compartilha seus livros. "Eu achava que preto era pra tá cavando mina, não lendo. Você foi criado para ser pobre e preto", escreveu um perfil anônimo.<br>Winnie Bueno, criadora de um projeto de doação de livros, a Winnieteca, denunciou e repercutiu o caso. "Ele é uma criança. Uma criança sendo atacada de forma vil, desumana e cruel", escreveu nas redes sociais. Atores globais e artistas como Preta Gil, dezenas de editoras e fãs escreveram em solidariedade ou até lhe enviaram livros.<br>Aos cinco anos, Adriel aprendeu a ler para concorrer a uma bolsa em um colégio particular em Salvador. A instituição, porém, parou de oferecer ajuda filantrópica.<br>O garoto disputou em outra escola particular e passou. Mas mesmo com o incentivo, Daise estava desempregada e não tinha dinheiro para financiar o material escolar. Hoje ele cursa o sexto ano do ensino fundamental em uma escola estadual da capital baiana. Em quarentena, faz a lição de casa, mas precisa tomar umas broncas para responder às atividades.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-12 18:02:10 UTC</pubDate>
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         <title>Aborto, trauma e alívio </title>
         <author>biancaribeirocustodio</author>
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         <description><![CDATA[<div>&nbsp;Como em todo ano de eleições, uma pauta que entra na agenda dos candidatos é o aborto. No Brasil, a interrupção da gravidez é crime, e não houve mudança desse cenário nos últimos anos. Mas outros países latino-americanos já mostraram avanços: a Argentina, por exemplo, passou a permitir o procedimento até a 14ª semana de gravidez. Isso foi em 2020. No início de 2022, foi descriminalizado o aborto na Colômbia, por uma decisão da Corte Constitucional do país: mulheres podem fazer a interrupção até a 24ª semana.<br>Além das eleições brasileiras e das recentes legislações latino-americanas, o tema movimenta outros países. Os Estados Unidos tiveram o vazamento de um documento, ainda em rascunho, sugerindo a derrubada de uma decisão da década de 1970 que reconhece o direito ao aborto no país. O relatório mostrou os votos dos juízes da Suprema Corte. Com a derrubada desse precedente, conhecido como o caso Roe V. Wade, cada estado poderia editar leis a respeito do tema.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-12 18:02:23 UTC</pubDate>
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         <title>Frantz Fanon, uma voz dos oprimidos</title>
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         <description><![CDATA[<div>Foi como um estrondo no céu do pós-guerra. Em 1952, aparecia Pele negra, máscaras brancas1, uma “interpretação psicanalítica do problema negro”. A introdução proclamava: “É preciso libertar o homem de cor de si mesmo. Lentamente, porque há dois campos: o branco e o negro”.</div><div>Seu autor, Frantz Fanon (1925-1961), foi ao mesmo tempo psiquiatra, ensaísta e militante político ao lado da Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), com a qual compartilhava a causa independentista2. Martinicano, faz parte do grupo de intelectuais negros cuja importância a França tem dificuldade em reconhecer, embora tratem de uma história comum a todos. Anticolonialista radical, de escrita altamente literária e retórica, contribuiu para aclarar não só a história, mas também reflexões e debates contemporâneos. Preferem, no entanto, esquecê-lo sob o rótulo de “profeta fracassado3”.</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-19 18:03:59 UTC</pubDate>
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         <title>Memória de mulher</title>
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         <description><![CDATA[<div>&nbsp; Izabel de Arruda Viégas escreveu<em> Pantanal: reminiscências de nossas vidas</em> na década de 90 com a intenção de deixar aos descendentes um relato fiel da trajetória de José Gomes Viégas, o Zezinho, e homenagear o marido. O testemunho narra o percurso de um homem que, de peão e capataz em fazendas da Nhecolândia, se tornou pecuarista no Paiaguás (MS). A narrativa apresenta procedimentos típicos das memórias escritas por mulheres nascidas entre o século 19 e o início do 20 no Brasil. De um lado, nota-se a ausência de pretensão literária; de outro, a contribuição na reconstrução de pontos de vista femininos, apagados historicamente.&nbsp;<br>A primeira característica que inclui o livro na tradição literária do memorialismo de autoria feminina é a relação distanciada entre a matéria narrada e o momento da escrita. Em geral, mulheres que escreveram memórias tiveram uma vida longeva e na etapa final da vida são tomadas pelo orgulho diante da própria experiência. O fato de se constituírem escritoras veio da oportunidade de terem frequentado boas escolas e adquirido capital intelectual, diferentemente da maioria das mulheres nascidas na mesma época. Izabel é perspicaz ao analisar as transformações sociais ocorridas com as mudanças legislativas em 1964 regulamentando a posse de terras, ou quando dedica um capítulo ao advento do rádio transmissor e o impacto que essa nova tecnologia trouxe para a região.<br> Izabel registrou a dificuldade em se manter fiel ao projeto iniciado após a morte de Zezinho. Organizado cronologicamente, o relato utiliza a estratégia de remontar aos ascendentes como pontapé inicial, seguindo na reconstituição da infância e juventude dos dois. Uma variedade de termos (“rodada”), expressões (“quebra-torto”) e costumes (“comitivas”) transporta o leitor para o universo de uma família tradicional católica nas fazendas pantaneiras. As experiências descritas vão dos obstáculos para ingressar no ensino formal, dados o isolamento e os riscos envolvendo o trabalho em uma região sujeita a enchentes, ao uso de plantas medicinais e às aflições que acometiam as mulheres na hora de parir em lugar tão ermo. A década de 30 é marcada pelo período de estudo no Liceu Cuiabano, quando Izabel se sente abandonada pela família para morar com freiras rigorosas, sem afeto e sem liberdade. O “sacrifício” é superado e, em 1933, ela volta a morar com a mãe e os irmãos estando apta a cursar o ensino superior, mas foi impedida de ingressar na universidade, e o casamento se torna a alternativa de futuro.<br> Porém, quem parece ganhar mais prestígio nos relatos memorialísticos de mulheres dessa época são as figuras masculinas: maridos, pais, irmãos. Como se precisassem deles para validar as narrativas. Mesmo sendo Izabel a autora do relato, o primeiro plano está em Zezinho. Essa atitude condescendente se explicita na introdução: “Concluí ser um dever meu não deixar no anonimato esse homem que, em vida, passou obscuro na sua grande humildade”. Aliado a esse procedimento está o do rebaixamento. É recorrente esses textos anteciparem críticas ou então as autoras se eximirem da capacidade de fazer literatura.&nbsp;<br> Apesar de aspectos que parecem colocar em xeque a própria noção de autoria, o estudo de obras memorialísticas oferece uma leitura a contrapelo. Percebe-se um movimento sutil, próprio de quem agia nos bastidores impulsionando as grandes mudanças. Em suas reminiscências, Izabel relata ter sido o pivô da transição que alterou a posição econômica de Zezinho de empregado para patrão.&nbsp; &nbsp;&nbsp;<br> O exercício de olhar para nosso passado literário ajuda a entender as conquistas das mulheres que escrevem. Com plena consciência sobre os limites de participação na vida pública e letrada, elas invocavam estratégias narrativas hoje dispensáveis, haja vista a fotografia histórica de semanas atrás, quando centenas de escritoras se reuniram em várias cidades do Brasil e do mundo para o registro que celebrou a presença das mulheres no meio literário.&nbsp;<br> &nbsp;<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-19 18:20:47 UTC</pubDate>
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         <title>O animal humano em &quot;Catálogo de pequenas espécies&quot;, de Tiago Germano</title>
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         <description><![CDATA[<div>Ao fazer da ficção uma ferramenta taxonômica, o livro se debruça com especial atenção sobre os animais domésticos, principalmente sobre o bicho-homem em seus espécimes mais rasteiros, protagonistas ideais de contos que zombam da racionalidade, essa que supostamente nos alçaria a patamares superiores aos de outros seres do mesmo reino. Germano brinca com a nossa pretensão de saber tudo, situando seus personagens banalíssimos e também os leitores em circunstâncias que beiram o <em>nonsense</em>, diante das quais todo raciocínio lógico é irrelevante. Priorizando os instintos à razão, assim ele abre espaço ao animalesco que ilumina a obra, revelando o quanto “a gente esquece que são animais [...] e que a natureza não cabe num apartamento”. Um dos tipos preferidos do autor é o famigerado “cidadão de bem”, cujos privilégios são fortemente ironizados pelo bom humor — um tanto cáustico — das narrativas. É sobretudo neste transformar em literatura os momentos mais inusitados das vidas medianas de criaturinhas rasteiras, desimportantes, de comportamentos condizentes aos padrões do hoje, onde mora a graça que permeia os textos.<br>Germano mostra-se consciente de que há vantagens substanciais na datação literária e sabe como utilizá-las de modo a converter o pontual em condutor de questões atemporais. Sem medo de encerrar-se em um período específico da história humana, “Continência”, um dos contos mais consideráveis da coletânea, começa com menções diretas a Jair Bolsonaro, faz referência ao Facebook e à série <em>Diários de um banana</em>, e daí desemboca na constatação amarga e cabal de que as pessoas adultas são mesmo difíceis de entender (pra não dizer horripilantes em suas intolerâncias). Nesse conto, o narrador manifesta igual interesse pela família Kennedy e pela sua, nivelando o raro e o trivial, mais ou menos o que se faz no livro inteiro: capturar, como um Dan Farrell ou um Bob Jackson, o instante exato em que algo de inédito acontece na vida das personagens, alçando-as ao extraordinário. Com frequência as narrativas terminam em suspensão, como que delimitadas pelas bordas de uma fotografia, emolduradas e expostas num grande museu de espécies diminutas.<br>Germano contesta a ideia contraproducente de que a realidade inviabilizaria o fazer literário e desafia a noção de que o real há muito superou a ficção absorvendo-o em sua criação para que ambos caminhem juntos, explorando a sério o potencial literário do que existe além das páginas. Ele engaiola o absurdo da realidade e o domestica pela literatura. &nbsp;</div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-19 18:28:41 UTC</pubDate>
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         <title>Violência policial: A pesquisadora Poliana Ferreira e o jornalista André Caramante discutem o ciclo de letalidade tão presente e atual no cotidiano brasileiro e como podemos interrompê-loA violência policial é um tema que está muito presente no cotidiano brasileiro e, infelizmente, é sempre atual. Como podemos interromper esse ciclo de letalidade, que acaba atingindo mais as pessoas negras? A pesquisadora Poliana Ferreira, autora do livro Justiça e letalidade policial, da editora Jandaíra, e o jornalista André Caramante, que cobre o tema há mais de vinte anos, nos ajudam a entender melhor esse assunto tão urgente.Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! O podcast tem ainda apoio da Companhia das Letras. O tema da violência policial está sempre em pauta no Brasil. Em maio deste ano aconteceram dois episódios que mostram bem isso.No Rio de Janeiro, no Complexo da Penha, uma operação policial deixou um saldo de 25 mortes. Em Sergipe, na cidade de Umbaúba, policiais rodoviários federais assassinaram um homem depois de deixá-lo trancado no porta-malas de uma viatura com gás lacrimogêneo, em uma espécie de câmara da morte. E esses casos bárbaros que nos chocam tanto não são casos isolados. Em 2021, foram registradas mais de 6 mil mortes decorrentes de intervenção policial. Os números foram divulgados no final de junho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O que chama atenção nesse dado é que ele é o menor desde 2013 — mas enquanto o índice de pessoas brancas mortas pela polícia caiu 31%, o número de pessoas negras mortas pela polícia cresceu 5,8%. </title>
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         <pubDate>2022-08-26 17:46:24 UTC</pubDate>
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         <title>Olhar feminino, ancestralidade e negritude: A escritora angolana Yara Nakahanda Monteiro, autora de Essa dama bate bué!, conversa com a jornalista Adriana Ferreira Silva sobre a contação de histórias a partir do olhar feminino, trocas culturais do triângulo atlântico, a descoberta da negritude no Brasil, a desilusão com o racismo institucionalizado do país e o que esperam para os próximos dias, em que participam d’A Feira do Livro em São Paulo (8 a 12 de junho).Duas vezes por mês trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! O podcast tem ainda apoio da Companhia das Letras. Essa dama bate bué!A poeta e ficcionista Yara Nakahanda Monteiro, também comentarista do programa de rádio Avenida Marginal, da RDP África, lançou em 2018 seu primeiro romance, Essa dama bate bué!, pela editora Guerra e Paz, em Portugal. Depois de grande sucesso, o livro foi lançado no Brasil, pela Todavia, em 2021. Yara já escrevia, e no episódio conta como “saiu da gaveta”. A escritora angolanda conversa com a jornalista e feminista Adriana Ferreira Silva, que resenhou o livro para a edição de junho da revista. As duas também estarão juntas amanhã n’A Feira do Livro, na mesa que acontece às 12h, no Palco da Praça, na praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. Gratuito e aberto ao público, o evento realizado pela Associação Quatro Cinco Um e pela Maré Produções reúne mais de 45 autores nacionais e internacionais e mais de 120 editoras, livrarias, bibliotecas e instituições ligadas ao livro e à leitura. A Feira vai até domingo (12).Ocupações culturais“Essa dama bate bué” é uma gíria angolana, que virou também uma gíria portuguesa, e no contexto brasileiro significaria “essa mulher é show de bola”. É uma referência a cidade de Luanda, e Yara decidiu usar isso, e logo na capa do livro, para “fazer uma ocupação linguística”, num processo inverso à ocupação de Angola por Portugal em 1482, com a chegada do explorador portugês Diogo Cão ao Zaire, ocupação que durou até 1975, quando Angola se tornou um país independente. Bué é uma palavra de uma das línguas maternas angolanas, o quimbundo, que como tantas outras palavras entrou para o dicionário português. </title>
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         <pubDate>2022-08-26 17:54:41 UTC</pubDate>
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         <title>O grito de guerra de Davi Kopenawa Yanomami. O xamã e escritor fala sobre a situação atual do garimpo e as políticas públicas predatórias na Amazônia, o surgimento de novas lideranças indígenas e os 30 anos da demarcação da Terra Yanomami</title>
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         <description><![CDATA[<div>&nbsp;No episódio de 19 de abril, dia escolhido para celebrar os povos indígenas do país, o xamã e escritor Davi Kopenawa fala sobre a situação atual do garimpo e as políticas públicas predatórias na Amazônia, o surgimento de novas lideranças indígenas e a festa que estão preparando para comemorar os 30 anos da demarcação da Terra Yanomami.<br>Kopenawa também conta sobre sua infância e a educação das crianças indígenas, seu encontro com a fotógrafa Claudia Andujar e a importância de ter escrito <em>A queda do céu</em> (Companhia das Letras) e realizado o filme <em>A última floresta</em>. A conversa foi conduzida pelo apresentador Paulo Werneck com participação de Paula Carvalho, editora da revista.<br>Davi Kopenawa Yanomami é um dos maiores líderes na luta pela preservação das terras indígenas. Seu povo Yanomami ocupa a maior terra indígena do Brasil, nos estados de Roraima e do Amazonas. Em 2015, Kopenawa lançou o livro <em>A queda do céu</em> (Companhia das Letras), espécie de chamado para a preservação da floresta amazônica, escrito em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <strong>Garimpo </strong>Kopenawa afirma que nos últimos anos, a degradação produzida pelo avanço do garimpo ilegal piorou muito. De fato, entre 2010 e 2020, a área ocupada pelo garimpo nas terras indígenas cresceu quase 500%. Além da destruição da biodiversidade, os garimpos ilegais, especialmente os de ouro, expõem os indígenas a doenças como malária, difteria, covid-19 e doenças sexualmente transmissíveis, e aumentam casos de violência contra a mulher e a população em geral.</div><div>Mas Kopenawa afirma que a queda do céu — crença de que o céu entrará em colapso se um dia a floresta desaparecer, conforme exposto em seu livro — não vai acontecer ainda, enquanto os Yanomami continuarem vivos e nós, os não indígenas, continuarmos a pressionar empresários e autoridades para evitar a destruição da floresta e dos povos originários.&nbsp;<br><br></div><div>&nbsp;<strong>Jovens lideranças<br></strong><br></div><div>Dario, filho de Davi Kopenawa, faz parte da nova geração de lideranças indígenas, ao lado de nomes como <a href="https://www.instagram.com/txaisurui/">Txai Suruí</a>. Esses jovens foram formados para falar melhor a língua portuguesa, usar computador, celular e outros recursos da tecnologia — algo importante para reivindicar seus direitos, denunciar violações, debater com o poder público e conversar com não indígenas que também lutam em defesa desses povos. Davi Kopenawa, que fala sete etnias de língua materna, não frequentou a escola dos brancos. Aprendeu português na prática, viajando com funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) ou ouvindo os napa (não indígena) que chegavam à sua comunidade. Ele cresceu em Toototobi, perto da fronteira com a Venezuela, para onde vieram missionários evangélicos. Para Kopenawa, esses missionários queriam acabar com a língua e os costumes dos Yanomami, ao contrário dos missionários católicos, que chegaram a outras comunidades e respeitaram os povos indígenas<br><strong>Terra Yanomami<br></strong><br></div><div>Em 25 de maio de 1992, a Terra Yanomami foi homologada por decreto presidencial. É a maior Terra Indígena do país, com 192 mil quilômetros quadrados situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela.&nbsp;<br><br></div><div>Para comemorar a data, os Yanomami vão se reunir com outras etnias, seus parentes, como chamam. Na festa, vão cantar, dançar, tomar vinho de banana, de açaí e de macaxeira. Também vão ter um encontro de lideranças, para conversar sobre a defesa de seus direitos e sua luta contra o garimpo, e uma assembleia para designar líderes e representantes da <a href="http://hutukara.org/index.php">Hutukara Associação Yanomami.</a> O nome da associação, Hutukara, pode ser traduzido como “mundo”, em português. Para os indígenas, é a Terra, o céu, o universo — uma coisa só.&nbsp;<br><br></div><div><br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-26 18:01:41 UTC</pubDate>
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         <title>Assassinato na Siqueira Campos</title>
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         <description><![CDATA[<div><br>Enquanto saio do metrô, andando na minha rua, com as gotas leves demais para abrir o guarda-chuva, mais um homem passa por mim e diz qualquer coisa que não me interessa. Me pego imaginando a próxima vez em que ouvir “gatinha molhada” num dia de chuva.</div><div><br>Para minha própria surpresa, jogo minha bolsa no chão, grito e me atiro no pescoço do homem, com as unhas grandes que não tenho, vermelhas pra combinar com o sangue que começa a sair das feridas que faço. Histérica e descontrolada como me querem. A Siqueira Campos inteira olha a cena, enquanto o moço da tapioca sai correndo da sua barraquinha, se aproxima e me segura, tentando aplacar minha fúria.</div><div><br>Outras mulheres seguram com firmeza sua crianças pelos punhos, permitem o olhar, alguns segundos educativos para as meninas: "seja boa e comportada, aceite os elogios, não faça isso".</div><div><br>A carteira aberta com dinheiro para fora; os livros — tão venerados no nosso pequeno império — jogados por todos os lados, as folhas dentro das poças, meu cabelo, bem curto, preso ao suor da minha testa com o esforço da briga.</div><div><br>Me oferecem até uma água com açúcar.</div><div><br>Pois vai que fecham o trânsito e atrapalho todo mundo. Cada uma das pessoas precisaria me chamar de louca no trabalho, justificar o atraso. Mesmo assim os carros diminuem a velocidade pra me ver ensanguentada, minha vítima no chão.</div><div><br>Talvez meu rosto feroz saia no jornal, irreconhecível, rindo ou chorando, ainda não decidi, mas seria uma fotografia em preto e branco; viraria uma dissertação de mestrado em 2056, avaliando os discursos narrativos de cada reportagem sobre a jovem feminista que finalmente matou, de alguma forma que não sei explicar. Todas as referências remeteriam a uma possível loucura pelo calor, ainda que fosse um dia de inverno e chuva, dirão ser o efeito Copacabana.</div><div><br>No fim, continuo andando com a cena se desdobrando na minha cabeça, aplacando uma raiva que não passa. Por fora, faço minha melhor cara de desdém e reviro os olhos, finjo para mim mesma que já bastam meus sapatos sujos, mancha de sangue é muito difícil de tirar&nbsp;<br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-26 18:07:22 UTC</pubDate>
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         <title>BLACK IS BEAUTIFUL            BELEZA ANCESTRAL: Atualmente, o racismo é visto como um fato social abominável para grande parte da população. Mas quando o assunto é beleza, um conceito vinculado a hierarquias sociais, as primeiras figuras que se formam no imaginário coletivo ainda são de pessoas brancas, magras e de origem europeia. Quantas pessoas já ouvimos dizer que preferem se relacionar afetiva e romanticamente com pessoas brancas? É ingênuo acreditar que o enaltecimento estético de pessoas brancas é apenas uma questão de gosto. Os estereótipos pejorativos formados nos processos colonizatórios não são tão facilmente desconstruídos</title>
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         <title>http://www.bocc.ubi.pt/</title>
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