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      <title>Livro : Baú de Histórias - Prof.ª : Vânia Cristina Rarek Borato by VANIA CRISTINA RAREK BORATO</title>
      <link>https://padlet.com/vaniararek2/csds48ic6x8u5w3</link>
      <description>Este livro surgiu como culminância da disciplina de Eletivas #EUESCRITOR  em parceria com a Sala de leitura. Sabemos o quanto é importante para o nosso aluno a prática de leitura e escrita como processo de ensino-aprendizagem.
As histórias que serão lidas neste livro foram escritas num contexto de Ensino Remoto devido a Pandemia da Covid 19. São histórias de superação ,humor e mistério, como “O espelho amaldiçoado&quot;, &quot;A Guerreira&quot; e a &quot;A cobra que mamava “ entre outras. Embarque nessa aventura e venha conhecer um pouco das histórias que o povo nos conta.
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-12-09 18:17:00 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2023-05-28 23:08:57 UTC</lastBuildDate>
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         <title>A COBRA QUE MAMAVA</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Ketelyn Rodrigues Pereira</strong><br><br>Numa tarde do dia 07/07/2020 em meio a pandemia de Coronavírus resolvi conversar com minha mãe, a conversa foi fluindo, fluindo até que eu perguntei:</div><div>- Mãe, já aconteceu algo estranho ou assustador na sua vida?  E ela me respondeu: </div><div>- Olha, na minha vida, não que eu me lembre, mas na do seu pai sim.</div><div>- “Conte-me, por favor”! Eu falei meio curiosa. E ela começou...</div><div>Seu pai tinha meses de idade, ainda um bebê, quando seu avô sonhou que havia uma cobra enorme embaixo de sua cama, ele acordou assustado!  Resolveu olhar embaixo da cama para checar. Ao abaixar, ele viu uma cobra enorme e gorda! Como eles moravam em um sítio lá para as bandas do Paraná, era normal ver cobras, mas não tão gordas daquele jeito! Então, seu avô pegou uma espingarda, e “pow”! Atirou na bicha! Ao atirar se espalhou leite para todo o lado.</div><div>Naquela hora descobriram que na verdade não era o bebê (no caso seu pai) que mamava e sim a cobra! Como ficava tudo escuro, a sua avó não via! E para o seu pai não chorar ela colocava o chocalho na boca dele.</div><div>- Olha minha filha, não sei se foi Deus, mas se não fosse pelo sonho de seu avô não sei se seu pai estaria vivo hoje.</div><div> </div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 19:41:55 UTC</pubDate>
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         <title>A BOLA DE FOGO	</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>GABRIELLA PERCILIANI SOUZA REIS<br><br></strong>Quem me contou essa história foi meu avô, que mora em Lucianópolis. Diz ele que quando era moço estava indo para a cidade vizinha de Ubirajara com seus pais para visitar alguns parentes que ali moravam. Já era noitinha, a lua estava cheia e a estrada naquela época era deserta e sombria.</div><div>Seu pai dirigia o carro calmamente, todos animados para chegar logo ao destino, quando de repente surgiu no céu uma luz, que começou a seguir o carro. Meu pai diminuía a velocidade, a luz também diminuía, ele aumentava a velocidade, ela também. Aquilo foi começando a ficar sinistro, porque achávamos que fosse um carro.</div><div>Foi então, que meu pai disse que era uma bola de fogo enorme. Ela foi se aproximando cada vez mais, o medo foi ficando mais forte, meu pai começou a rezar e suas pernas não paravam de tremer. Mas o pior ainda estava por vir, ela apareceu novamente ao lado do carro, o pavor aumentou ainda mais.</div><div>Logo, meu pai acelerou o carro com toda potência e a bola de fogo foi ficando para trás, como se fosse uma luz se apagando. “Nunca havia passado um susto tão grande como esse. Demorou um pouco para acreditar no que tínhamos acabado de ver, mas quando chegamos em Ubirajara o susto já havia passado.”</div><div>Hoje, quando meu avô me contou essa história, ele disse que ainda sente um frio na barriga quando passa por essa estrada altas horas da madrugada.   </div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 19:45:31 UTC</pubDate>
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         <title>O VIAJANTE</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>IGOR MOREIRA DE SOUZA<br><br></strong>Certo dia, um viajante que passava pela estrada a cavalo viu uma mulher tirando várias roupas e pertences de sua casa, o viajante curioso perguntou:</div><div>- A senhora vai se mudar?</div><div>Ela respondeu:</div><div>- Não.</div><div>- Então, por que está tirando essas coisas de sua casa?</div><div>- Porque eram do meu marido que acabou de falecer.</div><div>O viajante nada bobo falou:</div><div>- Eu sou um anjo e vim buscar os pertences de seu falecido marido!</div><div>A mulher acreditou e deu os pertences de seu marido a ele, e depois o viajante foi embora.</div><div>Pouco tempo depois, o filho da mulher chegou e perguntou:</div><div>- Mãe, onde está todos os pertences de meu pai?</div><div>Ela respondeu:</div><div>- Um homem disse que era um anjo e os levou.</div><div>- Mãe, aquele homem estava mentindo!</div><div>Em seguida, seu filho decidiu ir atrás do viajante.</div><div>O viajante que era muito esperto sabia que alguém poderia procurá-lo, então, pegou seu cavalo e foi para dentro da mata. Assim, sem deixar rastros e depois de um tempo voltou à estrada como se tivesse voado.</div><div>Quando o filho da senhora viu que acabava os rastros na estrada acreditou que ele era um anjo e voltou para casa.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 19:48:13 UTC</pubDate>
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         <title>O ESPELHO AMALDIÇOADO              </title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>IGOR MOREIRA DE SOUZA<br><br></strong>Ouve-se boatos que em uma cidade bem pequena no interior de São Paulo, chamada Lucianópolis, havia uma menina chamada Antônia que tinha 13 anos. Num dia chuvoso, Antônia foi ao cemitério visitar o túmulo de sua avó. Chegando lá, se deparou com um túmulo bem antigo, que era de um menino que tinha o apelido de “Diabinho”. Ele era muito perturbado e acabou se matando enforcado na biblioteca de sua escola.</div><div>Quando estava a caminho do túmulo da avó, ela viu um espelho meio enterrado ao lado e tentou puxá-lo, mas não conseguiu. Então, seguiu o seu caminho.</div><div>Alguns dias depois, quando estava indo embora da escola, ela viu um poço muito fundo que lhe chamou a atenção e foi até ele. Chegando lá, viu o mesmo espelho que tinha observado no cemitério. Sem pensar duas vezes, ela pegou o espelho e, quando saiu, Antônia foi puxada para o poço.</div><div>Depois disso, várias pessoas buscaram por ela nas minas do poço, mas ninguém nunca mais a encontrou. </div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-10 19:49:18 UTC</pubDate>
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         <title>OS IRMÃOS LOBISOMENS</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>ANA LUÍSA VIEIRA RODRIGUES<br><br></strong>Hoje vou contar uma história que meus avós do coração me contaram.</div><div>Aconteceu com eles há muitos anos, quando ainda eram crianças e moravam na cidade de Lucianópolis. Contam que moravam na mesma cidade dois irmãos. Um, era dono de uma lojinha e o outro, de uma farmácia. Eles andavam de camisa de manga comprida em pleno dia.</div><div>Os moradores achavam aquilo muito estranho, poderia estar o calor que fosse e eles estavam de camisa de manga longa. Eles não tinham amigos e em tempo de Quaresma, ficavam ainda mais estranhos e misteriosos. As crianças ficavam apavoradas quando os encontravam pelas ruas da cidade ou tinham que comprar algum remédio ou roupas.</div><div>Certa noite de lua cheia, em uma rua sem muita iluminação, em meio aos pés de bambu, ouvia-se latidos e barulhos estranhos. Os moradores ficaram com muito medo e resolveram verificar o que estava acontecendo.</div><div>Saíram de suas casas com lanternas e foram a procura do que estava fazendo aqueles barulhos e atiçando os cachorros daquela maneira. Conforme chegavam perto, os latidos e uivos foram se tornando ensurdecedores, causando muito medo e arrepios. Mesmo assim continuaram.</div><div>Quando chegaram, encontraram os dois irmãos se transformando em lobisomens. Foi uma correria danada, todos ficaram com medo, pois nunca tinham visto aquilo antes. </div><div>Então, descobriram o porquê eles sempre estavam de camisa de manga longa. A partir desse dia toda a cidade ficou sabendo quem eram os lobisomens que assombravam as noites de lua cheia.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:21:33 UTC</pubDate>
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         <title>A CASA ASSOMBRADA</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>GABRIELLA PERCILIANI SOUZA REIS<br><br></strong>Essa história foi contada pelo meu avô. </div><div>Diz ele que há muitos anos em uma cidade pequena morava uma senhora muito rica, sua casa era enorme, com vários cômodos que chegavam a ser sombrios e gelados de tão grandes, com móveis antigos de madeira maciça que aparentavam um ar sinistro. O chão da casa era assoalho de madeira que rangia conforme as pessoas andavam. A casa em si dava medo, pelo tamanho e pelo fato de somente ser habitada por uma única senhora solitária.</div><div>Numa noite, ouviu-se um barulho ensurdecedor vindo da tal casa. Os vizinhos não deram muita atenção. Ao amanhecer descobriram que a senhora havia se enforcado.</div><div>A partir desse dia, ninguém mais morou na casa. Os vizinhos sempre escutavam gritos, barulho de passos no assoalho e os portões abrindo. Era uma casa muito sinistra e assustadora.</div><div>Depois de muitos anos fechada, ela foi alugada por um casal de idosos e seu querido cachorrinho. Não demorou muito e algo assustador começou a acontecer. Todas as noites, à meia-noite, o cachorrinho começava a latir desesperado e só parava algumas horas depois. Os donos se levantavam para averiguar, mas não encontravam nada.</div><div>Os dias foram passando e o casal de idosos adoeceu e acabou falecendo. Após esse acontecimento, a casa nunca mais foi alugada ou habitada, até hoje encontra-se abandonada .</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:23:26 UTC</pubDate>
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         <title>O Rei Ganancioso</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>EVELYN BARRETO SIPOLI<br><br></strong>Uma vez, em um reino muito longe daqui, foi nomeado um novo rei.</div><div>Com o passar do tempo, ele foi enlouquecendo por causa do poder. Queria tudo para ele e governar tudo.</div><div>Um dia, um rei de um reino vizinho foi visitá-lo. Passaram o dia todo conversando, mas quando chegou à noite, o rei tomado pela inveja, matou o outro e tomou sua coroa.</div><div>Depois disso, sempre que ele via alguma coroa, qualquer uma, desde uma de papel a uma de ouro, ele pegava para si. Coroas pequenas ele usava nos dedos, e grandes na cabeça e nos braços.</div><div>Certo dia, ele estava em seu quarto. Já fazia um bom tempo que ele não pegava nenhuma coroa, olhou para seu dedo e viu uma pequena coroa, então novamente, tomado pela inveja e pelo pensamento que só ele poderia usar as coroas, cortou o próprio dedo.</div><div>E um tempo depois, em seu próprio quarto, ele olhou para o espelho. Sabe o que ele viu? Um homem, cheio de coroas em sua cabeça. Sabe o que ele fez? Cortou a própria cabeça, com o pensamento de que só ele podia usar as coroas.</div><div> <br><br></div><div> <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:24:33 UTC</pubDate>
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         <title>Miniconto : PALITO</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong><em>EVELYN BARRETO SIPOLI<br><br></em></strong>Há muito tempo, quando o meu avô ainda era criança e morava com seus pais numa fazenda, junto aos irmãos escutavam barulhos, como se fosse alguém jogando pedras no telhado. </div><div>Eles tinham medo porque a avô dizia que era alguma assombração e que tinha o nome de "Palito". Depois de uns anos, eles descobriram que era muito comum ter chuvas de granizo naquela região.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:25:32 UTC</pubDate>
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         <title>A guerreira</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>Beatriz Galindo e Bianca Galindo<br><br></strong>Era um dia como qualquer outro na cidade de Lucianópolis. Hellena estava sentada em seu sofá comendo normalmente um pequeno amendoim, de repente, ela se engasgou, desesperada a mãe dela a levou para o hospital.</div><div>Chegando lá no hospital de Duartina, a médica tratou muito mal Hellena e sua família. Queria dar um medicamento para a menina e mandar ela embora.</div><div>Então, a mãe com muito medo falou com uma enfermeira de Lucianópolis mesmo, o amendoim que Hellena engoliu poderia ter ido para o pulmão. Assim, a médica examinou certo a menina e mandou interná-la, se não melhorasse teria que ir para outra cidade.</div><div>Ela tomou injeção para dilatar os pulmões por causa da falta de ar, quando a falta de ar aumentava, era utilizado o auxílio do oxigênio.</div><div>Por volta das quatro horas da tarde Hellena foi piorando. Logo, sua mãe chamou a médica, que pediu a transferência.  Só tinha vaga em um hospital com U.T.I que faria o procedimento de retirar os pedaços de amendoim que estavam no seu pulmão. O hospital era na cidade de Botucatu, saíram às pressas e chegaram lá a noite.</div><div>Fizeram nela vários exames, contaram a história várias vezes para o médico, que ao analisar os exames, diagnosticou que realmente tinha amendoim no pulmão dela. E assim, a internaram.</div><div>No outro dia, indicaram Hellena para fazer uma broncoscopia para retirar o amendoim do pulmão dela. O procedimento seria feito por dois médicos que não eram de Botucatu, eram de fora, era preciso esperá-los.</div><div>Os pais de Hellena esperaram por dois dias. Passando esses dias, a menina foi para o centro cirúrgico, para dar entrada a retirada do amendoim. Eram muitos os pedaços que estavam no pulmão. Perceberam isso pelo exame, inchou muito a garganta. Dessa forma, ela não conseguia respirar.</div><div>Na sua primeira noite de U.T.I, ela estava entubada e com a garganta muito inchada, assim, colocaram uma cânula mais fina do que o indicado para a idade dela. No meio da noite a cânula dobrou e ela teve uma parada cardiorrespiratória, o médico a reanimou, mas falou que tinha ficado em torno de cinco minutos sem o oxigênio. No laudo, sua mãe viu que foram mais de sete minutos sem respirar.</div><div>Essa parada ocasionou uma lesão nos movimentos e ela ficou “vegetando”. Não falava, não se mexia e não reconhecia ninguém. Logo, o médico foi dar a notícia para os pais que o edema no cérebro era muito grande, e provavelmente ela ia ficar com sequelas.</div><div>O médico viu a mãe de Hellena com a bíblia na mão e ela perguntou:</div><div>- Tem alguma chance de ela ficar boa?</div><div>- Você acredita em Deus?</div><div>- Acredito! – respondeu a mãe de Hellena.</div><div>- Só Deus mesmo para salvá-la! - disse o médico.</div><div>Foram quatorze dias de U.T.I. Lucianópolis e as cidades vizinhas estavam rezando pela vida de Hellena, que ficou vários dias entubada até que retiraram os tubos, mas ela não conseguia respirar sem o auxílio de aparelhos. Assim, iriam para o centro cirúrgico e se ela não conseguisse respirar teriam que fazer a traqueostomia.</div><div>Após o tratamento Hellena teve alta, continuava sem mexer nada, já reconhecia seus pais, mas o restante da família não.</div><div>Todo dia tinham que tirar a secreção, e ninguém queria ficar junto com a mãe de Hellena, todo mundo saía quando tinha que aspirar.</div><div>A princípio, ela ficaria de dois a três anos com a traqueostomia. Foram dois anos de reabilitação e ela foi voltando aos poucos, tirou a traqueostomia com três meses. Ela já estava conseguindo respirar, voltou a andar, demorou um pouco mais para falar.</div><div>Dois anos de luta para essa família!</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:26:32 UTC</pubDate>
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         <title>O Lobisomem amigo</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>RAIANE MAIA CARDOSO<br><br></strong>Em uma noite pela estrada, meu avô caminhava sozinho para Lucianópolis. Estava distraído, quando de repente viu um vulto passando na frente dele, achou que não era nada e continuou andando. Caminhou mais alguns quilômetros, os passos já não rendiam, pois estava cansado e preocupado com o tal vulto. </div><div>Após alguns minutos, resolveu olhar para trás, e viu que era um bicho preto e peludo. Resolveu ficar observando, foi quando avistou um carro que se aproximava e conforme foi chegando mais perto o farol iluminou o bicho que continuava parado no meio da estrada. Nesse momento, teve certeza de que era um lobisomem. Olhou novamente, mas o bicho não estava mais lá.</div><div>Já amanhecendo, meu avô chegou na cidade e encontrou seu amigo e contou o ocorrido. O amigo do meu avô também contou uma história sobre o bicho, que naquela mesma noite, ele havia aparecido na cidade e atacado várias pessoas, inclusive foi mordido e teve suas roupas rasgadas pelo bicho peludo. Conforme o amigo contava o que tinha acontecido, meu avô notou algo muito estranho preso em seus dentes.</div><div>Nesse mesmo instante, ele chegou à conclusão de que o lobisomem era seu melhor amigo. </div><div> </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:29:16 UTC</pubDate>
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         <title>AS LUZES MISTERIOSAS</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>MAYRA LOPES GATTI CORDEIRO<br><br></strong>No ano de 1973 em um sítio caipira entre Lucianópolis e Duartina havia uma família composta por dois adultos (pai e mãe) e oito filhos. As crianças viviam brincando por todos os cantos desse lugar.</div><div>Ao entardecer de certo dia, três delas, Chiquinho, Zélia e Maria Luzia brincavam perto da Campina. Estavam distraídos, quando de repente uma bola de fogo apareceu. Ela era grande, brilhante, soltava fogo e chegou bem perto. As crianças ficaram paralisadas com o que viam e não conseguiam ao menos pronunciar uma só palavra de espanto ou medo.</div><div>Em seguida, uma outra bola, um pouco menor, apareceu ao lado. As crianças ficaram vidradas no que viam. A tarde estava linda, aquela cor avermelhada do entardecer. As bolas ficaram ali por uns vinte minutos, enquanto as crianças se estarreciam diante do que viam. Para elas, aqueles minutos pareciam horas, pois estavam tomadas pelo medo.</div><div>Quando perceberam, apareceu a terceira. Veio uma atrás da outra, bem ao alto. Elas vinham em direção da casa das crianças. Essas crianças começaram a correr, as palavras não saiam de suas bocas, o que conseguiam fazer era esmurrar a porta para que a mãe pudesse abrir. Suas pernas tremiam!</div><div>A mãe também ficou espantada, levou as crianças para o quarto e a única solução encontrada foi a de rezar para que aquilo fosse embora. Rezaram até conseguirem pegar no sono, pois a imagem daquelas bolas com grandes tochas de fogo permanecia em suas mentes. E mesmo hoje, após anos, a lembrança daquele dia permanecem em suas memórias causando arrepios.</div><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:34:56 UTC</pubDate>
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         <title>O BARULHO MISTERIOSO</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div><strong>ROBERTA SABADIN<br><br></strong>As histórias de mistérios também rondam nossa querida cidade Lucianópolis. Moradores antigos da nossa terra têm muitas histórias, como esta que irei contar agora.</div><div> Uma senhora que morava na rua principal da cidade, mãe de três crianças, levantava toda noite para preparar o leite para seus filhos, mas durante a quaresma algo diferente acontecia.</div><div> Por volta da meia noite, horário em que as crianças costumavam sentir fome, a senhora escutava trotes de cavalo passando pela rua, outra hora, barulho de caminhão passando rapidamente. </div><div>Os barulhos se repetiam por todas as noites, e a senhora já sentia medo em levantar-se naquele horário. Até que resolveu acordar seu marido para contar o que estava acontecendo.</div><div> Por algumas noites ele também ficou assustado com aqueles trotes tão fortes de cavalo e aquele caminhão que passava velozmente pela rua. Combinaram então, que na próxima noite iriam juntos ver o que estava acontecendo lá fora. </div><div>Anoiteceu, e quanto mais perto chegava da meia noite, mais angustiado o casal ficava. Quando chegou o horário, abriram a janela e ficaram apavorados ao perceber que não havia nada ali, mas os barulhos dos trotes e do caminhão ainda eram possíveis de ouvir.</div><div>O casal entrou assustado e começou a rezar. O barulho foi diminuindo e a quaresma chegou ao fim. Porém, outras quaresmas vieram e tudo começava novamente.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:35:48 UTC</pubDate>
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         <title>O lobisomem da Graia</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div>Ivomar Pereira do Nascimento<br><br>Reza a lenda que um Sr. chamado Bartolomeu, um português muito conhecido na cidade, pois tinha um comércio de aviamentos e mercadorias em geral. Era casado com dona Bertoleza e como era um costume da época, um homem muito autoritário e tinha muito ciúmes de sua mulher, mulher essa de beleza ímpar.</div><div>Essa história começa quando um sobrinho do seu Bartolomeu, frequentador dos bares da cidade, onde a vida das pessoas era “passada a limpo” e se ouvia todos os tipos de sortilégios de tudo e de todos, ouviu de outro frequentador que finalmente teria conseguido ficar com a Bertoleza.</div><div>Esse frequentador se chamava Zé Grilo e estava se vangloriando do feito perante os presentes.</div><div>O sobrinho do seu Bartolomeu, se sentido incomodado com aquela conversa, não teve dúvidas e foi logo contando ao seu Tio o que estava acontecendo. Ele ficou furioso e cego de ciúmes e começou a arquitetar uma vingança e sem conferir se história era verídica, estava decido a dar fim na vida do seu algoz.</div><div>Então, certo dia, Zé Grilo que era morador de uma fazenda da Região, foi até a cidade comprar um “Salamargo” (um depurativo) para um empregado da fazenda. Foi na única farmácia da cidade e não encontrou o que procurava. Logo, foi informado que no armazém do seu Bartolomeu ele encontraria.</div><div>Quando Zé Grilo ia se aproximando do estabelecimento, Bartolomeu viu a oportunidade de colocar seu plano de vingança em prática e já deixou preparado uma arma de fogo que possuía embaixo do balcão. Zé Grilo sem saber de nada, chegou e cumprimentou-o sem imaginar que seria a última coisa que iria fazer. Quando pediu o remédio com a frase: </div><div>- Seu Bartolomeu, tem “Salamargo”? </div><div>Seu Bartolomeu zangado de ciúmes respondeu: </div><div>- Tem Sim! </div><div>Foi logo tirando a arma debaixo do balcão e apontou para o Zé Grilo, que tentou correr, mas recebeu um tiro pelas costas, indo cair do outro lado da rua.</div><div>Seu Bartolomeu estava se sentindo aliviado, dizendo que tinha lavado sua honra, mas as pessoas que foram chegando explicaram que ele havia cometido uma injustiça, pois a história que ele tinha ouvido não era verdadeira. A mulher que realmente chamava Bertoleza, era uma mulher da vida, como se dizia na época.</div><div>Com isso, Bartolomeu que era um homem de princípios muito rígidos acabou se entristecendo, foi condenado a prisão pelo crime cometido. Depois que cumpriu sua pena e voltou a cidade, a sua rotina, começaram a notar um comportamento estranho, onde começou surgir as histórias que nas noites de lua cheia ele se transformava em lobisomem.</div><div>Há o relato de uma empregada que encontrou penas e sangue de galinha na cama de Bartolomeu e muitas outras histórias de ataques a animais na região. O fato é que durante muito tempo, as noites de lua cheia nesta cidade foram cercadas de muitos mistérios e os habitantes evitavam ao máximo de sair de suas casas, principalmente quando ouviam os uivos ao longe.<br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-11 12:38:02 UTC</pubDate>
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         <title>UM  MISTÉRIO NA CASA DA FAZENDA</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div>Vânia Cristina Rarek Borato<br><br>Quem me contou essa história foi meu querido sogro, o Senhor Ângelo Borato Neto.</div><div>Diz ele que quando era menino lá pelos anos de 1970, tinha mais ou menos 13 anos, morava em uma fazenda no Bairro Rancho Grande no município de Lucianópolis. Nessa fazenda moravam várias famílias que na época trabalhavam no cultivo do café. </div><div>Como todas as crianças, ele gostava muito dos seus avós e ficava a maioria do tempo na casa deles. A casa era muito simples, construída de madeira com quatro cômodos, aos fundos ficava o fogão a lenha e o forno onde minha vó assava os deliciosos pães. Ela ficava um pouco afastada das outras casas e próxima a um grande cafezal. <br>"Todos os dias gostava de ajudar meu avô nos serviços da fazenda. Quando anoitecia todos se juntavam a mesa para jantar e ouvir histórias.</div><div>Num desses dias resolvi dormir por lá. Já era tarde quando minha avó me colocou na cama, logo adormeci, pois estava muito cansado. Na madrugada, quando o relógio deu três badaladas eu acordei ouvindo barulhos estranhos que vinham do lado de fora da casa. Parecia que alguém queria entrar na casa passando pelas paredes, fiquei com muito medo, fechei os olhos e comecei a rezar. Os barulhos foram ficando cada vez mais fortes e sinistros. Após alguns minutos algo estranho aconteceu, os barulhos cessaram e foi então que resolvi abrir os olhos.</div><div>Aos pés da minha cama estava sentada uma senhora negra, com um vestido amarelo e branco com algumas imagens, que devido ao escuro e o medo, não consegui definir. Não quis gritar para chamar meus avós, pois eles estavam cansados do trabalho. Fiquei alguns instantes observando-a, não disse nada. Ela me olhava atentamente sem dizer uma só palavra. Comecei a sentir meu coração se acalmando e uma paz e alegria imensa me invadiu a alma. Acabei pegando no sono novamente.</div><div>No dia seguinte, acordei logo cedo e fui contando o ocorrido aos meus avós, que acreditavam que eu havia apenas sonhado.”<br><br></div><div> <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-15 00:03:48 UTC</pubDate>
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         <title>O CORAÇÃO</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div>Carolina de Souza Gomes</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-15 01:21:11 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-12-15 19:16:05 UTC</pubDate>
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         <title>Pesadelo</title>
         <author>vaniararek2</author>
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         <description><![CDATA[<div>Carla Izabel Amaro Brólia<br><br>Quando se é uma adolescente de 14 anos, às vezes, tudo que se quer é privacidade, poder ficar sozinha no seu quarto longe dos adultos que não te compreendem e do irmão bem mais novo que só te inferniza. Mas isso não era nada fácil na minha casa onde eu era obrigada dividir o quarto com o pirralho do meu irmão e com um tio fumante. <br>Foi por isso que recebi o convite de minha tia para pernoitar todos os dias na sua espaçosa casa com tanta alegria. Ela era solteira e sua casa tinha três quartos. </div><div>E assim, toda noite, quando o último sinal da E. E. Profª Célia Primo Calil soava determinando o término das minhas aulas na 8ª série, lá ia eu toda alegre pela Rua Santa Luzia até meu novo canto onde existia um quarto que eu já considerava todinho meu. Chegava eufórica por compartilhar todas as descobertas que realizei na escola e as traquinagens dos meus colegas. Também tinha que ouvir os relatos da minha tia sobre seu dia, o que fazia de bom grado. Geralmente, o diálogo se dava acompanhando algum programa de TV e, pasmem, minha tia tinha TV colorida, mais uma coisa que não existia na minha casa. </div><div>As primeiras semanas foram bem tranquilas. Eu estava muito satisfeita com essa nova rotina, mesmo tendo que acordar uma hora mais cedo porque minha tia saía trabalhar e gostava de deixar a casa toda fechada. Compensava aquela hora a menos de sono. Já estava até disposta a imprimir minhas marcas pessoais naquele novo quarto como trazer algum dos meus bichinhos de pelúcia. <br> Foi então que algumas coisas estranhas começaram a acontecer. A primeira delas foi a sensação de estar sendo observada. Sentia isso toda vez que entrava na casa. Chegava a olhar ao redor procurando pela pessoa que parecia presente, mas só encontrava o vazio. Ignorei. <br> Os vultos passando pelas vidraças vieram a seguir. Era rápido, mas nada fácil de ignorar como a sensação anterior. Eu aguçava os ouvidos, baixava o volume da TV e ficava atenta aos sons que rondavam a casa, certa de que o quintal estava recebendo visitantes indesejados. Entretanto, tudo era apenas silêncio lá fora. <br> Se isso me assustava? Nenhum pouco. Eu pensava: “seja lá quem for, já foi”. E acreditei realmente que alguém usava o corredor lateral da casa como atalho para alcançar outro lugar. Lucianópolis é uma cidadezinha de interior, muros baixos e portões sem cadeado era habitual nessa época assim como adolescentes que se aventuravam de quintal em quintal para encontros proibidos.<br> Todas as minhas certezas desapareceram numa noite pouco tempo depois. Cheguei mais cansada que o habitual. O dia tinha sido exaustivo no meu trabalho – sim, eu já trabalhava! – e a escola foi entediante, professores repetitivos e nem mesmo o Ariel estava disposto a arrancar da turma as risadas convencionais. Conversei brevemente com minha tia e fui me deitar. <br> Era inverno, fechei a porta do quarto com o trinco e corri pegar o cobertor xadrez no qual eu adorava me enrolar. Aconchegada, logo adormeci.   Não sei dizer quanto tempo se passou. Não pareceu muito para mim. E até resisti a despertar, juro que tentei ignorar a luz no quarto para continuar dormindo. Conforme fui ganhando consciência, pensei: “Droga! Adormeci sem apagar a luz...”. Eu estava de bruços e estendi a mão até a pêra que ficava pendurada ao lado da testeira da cama, um interruptor de luz bem comum nesse período. Apertei confiante que teria minha paz e sono de volta.<br>Nada. Nada mesmo. Nadinha. A luz não se apagou. Bufei insatisfeita e apertei mais uma vez já sentindo vontade de xingar o interruptor por falhar bem quando eu estava doida pra voltar a dormir. <br>Cliquei e nada. Tentei uma terceira vez. Nada. Devagar, direcionei meu olhar para o soquete de luz no centro do teto. A lâmpada estava apagada.<br>Fechei os olhos com força. Era um pesadelo, só podia ser isso. A porta estava fechada e não havia outra fonte de luz artificial ali dentro do quarto que era escuro até mesmo durante o dia com as venezianas marrom e móveis antigos. <br>  “Preciso dormir. Preciso dormir... Não! Preciso acordar. Dormindo já estou. Isso é só um pesadelo.” Eu pensava entre a repetição mental dos versos das orações que me vinham a cabeça. <br>  Eu achava que aquilo não podia ficar pior. Mas ficou. Senti o cobertor no qual eu estava enrolada sendo vagarosamente puxado. O pânico começou a tomar conta de mim. Agarrei aquela coberta e a puxei de volta. </div><div>“Não vai tirar isso de mim não!” mentalizei antes de começar um novo Pai Nosso. </div><div>Insisti mais um tempo na minha estratégia de ficar agarrada ao cobertor com olhos fechados rezando. Meu esforço não obteve sucesso. Mesmo com olhos fechados, a luz continuava ali, eu percebia isso.</div><div>Respirei fundo buscando coragem e a encontrei. Abri os olhos e olhei na direção da porta. </div><div>Era disforme, oscilava em ondas, algo diferente de tudo que eu já tinha visto. Não era ofuscante, dava vontade de olhar mais e mais. Mesmo assim, uma espécie de alerta interior me dizia que eu devia enfrentar e não me deixar encantar por aquilo. </div><div>Eu não disse nada. Minha coragem não chegava a tanto. Mas aquilo falou comigo. O centro da luz foi ganhando forma e se transformou numa grande borboleta. </div><div>- Bor-bo-le-ta. – aquilo repetia lentamente, sílaba por sílaba, sem emitir qualquer som, como se estivesse falando diretamente com a minha cabeça. – Você vai ficar rica. – e voltava a ganhar novos contornos criando outra borboleta. – É só você jogar. Bor-bo-le-ta. </div><div>As palavras me pareciam assustadoras. Achei que a melhor forma de enfrentar isso era também falar, fazendo soar pelo quarto a oração do Pai Nosso que já estava na minha cabeça e no meu coração.</div><div>E rezei. Alto e com determinação. Palavra por palavra. </div><div>Aos poucos, a luz foi se dissipando até desaparecer de vez. </div><div>De volta no quarto escuro, alcancei a pêra e acendi a luz. Respirei aliviada quando a lâmpada elétrica iluminou o quarto.</div><div>Mas eu ainda não me sentia segura para voltar a dormir. Meu coração pulsava no peito tão acelerado que parecia que saltaria pra fora. Após repetir algumas respirações compassadas para tentar me controlar, resolvi chamar minha tia. </div><div>Ela apareceu logo. Não me perguntou o que aconteceu. O pânico devia estar estampado na minha cara. </div><div>- Foi só um pesadelo. – ela disse sem que eu tivesse contado nada. – Venha, é melhor você passar o resto da noite no meu quarto. </div><div>Aceitei imediatamente. Caminhei para o outro cômodo colada nela e sem olhar para os lados. Ela tinha um colchão sobressalente em seu quarto que rapidamente ajeitou para eu me deitar ao lado de sua cama. Então me ofereceu um terço. Ela tinha muitos pendurados por toda parte. Juntas, rezamos os cinco mistérios. Quando terminamos, ela me disse boa noite e apagou a luz. Virei de lado, pronta a deixar tudo aquilo para trás e me entregar ao sono. </div><div>De repente, um barulho alto soou dentro do quarto. Minha tia foi rápida, se levantou e acendeu a luz. Todas as portas e gavetas do guarda-roupas tinham sido abertas. <br>  - Vamos ficar com a luz acesa e você dorme segurando isso. – ela disse me oferecendo o terço de volta ao qual me agarrei até que o sol começasse a lançar luz para dentro da casa no amanhecer. <br>  Aquela foi minha última noite na casa da minha tia. Depois disso, a falta de privacidade e a companhia do meu irmão pirralho e do meu tio fumante não pareciam nada desagradáveis. <br> Contei aos meus pais o que aconteceu. De resto, só pensava em guardar essa horrível experiência só para mim mesma. Mas, alguns anos depois, conversando com uma pessoa que tinha morado naquela casa, ela me perguntou se alguma vez nas noites que passei ali, tinha presenciado algo estranho e relatou tudo que viveu lá. A sensação de estar sendo observada, os vultos nas vidraças, as portas e gavetas se abrindo também estavam entre as coisas que ela presenciou. Bizarro? Pois é. Mas chocada mesmo fiquei quando um delegado, novo morador do lugar, descreveu essas mesmas coisas ao explicar porque estava deixando a casa.<br>Após ouvir esses dois relatos, passei a me sentir mais normal. Não fui a única a presenciar horrores naquela casa. <br> Não, eu não joguei na borboleta. Nenhuma riqueza vale perder a paz. <br><br></div><div>                <br><br></div><div>                <br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-12-22 13:59:37 UTC</pubDate>
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