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      <title>Esse pássaro não voa mas canta by Juliana Enes</title>
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      <description>Todos os textos são bem pessoais e, apesar de ter publicado eles pra sentir que não estava falando com as paredes o tempo todo, parte de mim também se sente acolhida sabendo quando alguém se identificou ou gostou da escrita.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-06-07 13:48:46 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>jupfernandes16</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2022-08-16 14:53:48 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>jupfernandes16</author>
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         <description><![CDATA[<div>Eu era um fantasma muito antes de você aparecer, e não um daqueles sem formato como um pano de cozinha, não como eles. Eu era um esqueleto completo, e flutuante. Eu flutuava por aí e meus ossos não precisavam de carne, porque a carne é pra aqueles que sentem o toque, aqueles que recebem toque. Eu não precisava de carne até você me tocar pela primeira vez e eu ansiar loucamente por cada vaso sanguíneo e tecido de pele que eu pudesse ter, só pra sentir sua mão passando por eles, suas coxas tocando as minhas, e sua respiração quente no meu pescoço magro e pálido. Talvez eu tenha querido demais porque eu passei fome, tanta fome que <em>sentir</em> não era mais o suficiente, eu precisava engolir a sua carne, pra que ela se tornasse a minha, pra que ela se tornasse a minha <em>também</em>. Veja bem, eu era um fantasma, não esqueça que eu era um fantasma. Como eu poderia me comportar como um humano se eu não era um? Se um corpo esquelético encontrasse Ceres ele se ajoelharia aos pés dela ao mínimo grão oferecido. É isso mesmo, te coloquei na condição de deusa, e isso só é seguro na poesia, onde se sonha pra depois acordar. O jeito que um humano ama outro humano é diferente, e agora que esse esqueleto ganhou camadas e camadas, ele não quer amar uma deusa, ele quer o calor daquilo que pode tocar, aquilo que se deixa ser tocado e, tão importante quanto, aquilo que anseia da mesma forma pelo toque.<br><br></div><div><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-16 15:06:54 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>jupfernandes16</author>
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         <description><![CDATA[<div>Todo mundo novo que conheço agora me causa pouca comoção, principalmente as meninas que demonstram interesse por mim. Depois de você é como se a cota de chama tivesse se exaurido do meu peito, e agora não consigo responder mais com o mesmo calor, ou calor relevante. É a exaustão das minhas projeções. É também o saber qual o tipo de sofrimento cobrado toda vez em que divido um pouco do <em>eu</em> vulnerável, o mesmo <em>eu</em> do qual se guia por sentimentos e sensações. É difícil escrever isso porque me faz pensar que algo morreu, morreu pra valer. O tipo de coisa que não morre aos 22 anos, não comumente, mas sim em meados da vida madura. Não me importo de não ter mais a chama por completo, acredito que se esfrie com o tempo de qualquer forma, só que ter um pouquinho dela já me ajudaria. Tão pouco que não faria um balão de passeio subir aos céus, no máximo deixaria seu tecido esticado e esperto. Isso me bastaria por enquanto. A resposta óbvia parece ser encontrar refúgio no calor de outro, pegar emprestado feito vela acendida nos túmulos, passando de uma em uma. No final esse calor nunca fica, ele meio que se desfaz quando encosta na minha pele fria e, ainda às vezes, duvido que de fato tenha chegado a senti-lo encostando em mim de verdade. É mítico demais pensar dessa forma, mas se os rastros sumiram é como se não tivesse existido, um sentimento não documentado, perdido no tempo.<br>&nbsp; Prefiro pensar em adormecimento, porque morte é abrupto, e eu sou muito nova. Se eu pensar que tudo isso é apenas uma soneca, longa e preguiçosa, fica mais fácil conviver. O fim pontual se transforma em apenas uma fase de ciclo. Vou chamar de fase 3. Fase 1 e 2 foram tormentas e mares agitados, dias quentes e noites extremamente frias. E a fase 3 é isso, o sono, o mar aberto visto da varanda em um prédio bem alto, tão alto que é impossível ouvir bem a cidade.<br><br></div><div><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-16 15:08:09 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>jupfernandes16</author>
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         <description><![CDATA[<div>A ideia de você q me faz companhia, é disso que vou falar aqui. Ela me permeia com frequência. Uma companhia imaginaria. Parece com a vez da infância, quiçá da adolescência também, quando o irreal criado por mim supria o vazio da ausência.<br>&nbsp; Ausente é uma coisa, e não sei se chega a ser o que tu é. Porque, segue meu raciocínio, ausente é quem se propôs, ou tem essa proposta incumbida a si (um pai ou mãe), de ser presente. Ela, a pessoa, vai estar lá por função/dedicação. Posso te chamar de ausente sendo que tu nunca segurou minha mão e disse que ficaria? É isso que me confunde. Talvez seja tal o ponto de novas confusões e frustrações de "nós" duas. Entre aspas porque é outra coisa que não sei se existe. Uma ideia é mais o que parece, sim. Ideia minha, e egoísta. Voltando a presença; eu te desejo aqui do meu lado, no silêncio e segurando minha mão. Eu te desejo real, como uma flor que abre e murcha, que é linda e depois já não é. Oscilante com o tempo, com o intemperismo. Com o desgaste e renascimento rotineiro imposto àquilo que vive, que está vivo. Eu poderia falar sobre o velho hábito de mendigar tua presença, mas isso já é injusto comigo, não chego mais a mendigar. Minha ruína se basta em ansiar. Se acontecer me trará o misto completo de sensações, e se não, me contento no bom cotidiano manjado. Um choque mínimo, pra quebrar o tédio. Choque esporádico. Choque elétrico. Se eu não fosse humana poderia me contentar com o que temos, mas essa frustração me impede. Caso contrário nunca seguirei em frente. Ah eu já tô prevendo a dor. É um jeito capenga de mitigar seu impacto quando ela vier de verdade. Vou sentir tua falta, sei bem, mas depois não vou sentir mais. É assim que é. Dois satélites, duas <em>Sputniks</em>. Já devíamos estar a quilômetros de distancia entre si no espaço.<br><br></div><div><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-16 15:09:30 UTC</pubDate>
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         <author>jupfernandes16</author>
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         <description><![CDATA[<div>Eu detestei caminhar ontem pelo meu bairro. Era domingo, então as ruas estavam vazias de pedestres, só uns gato pingado apareciam vez ou outra. Um casal de meia idade. Um senhor sozinho. Odiei olhar cada uma das ruas que pisei, apesar da tarde estar linda; ensolarada e refrescante. Senti enjoo quase físico de ver repetidas vezes aqueles mesmos cenários. A mesma rua que sempre considerei ter o asfalto perfeito pra patinar. O mesmo campo em que corria pelas manhãs com a mãe. A escolinha em que fiz aulas de judô e natação, além de tantas outras experiências vividas ali. Odiei tudo aquilo me lembrando quem eu sou, ou fui. Tudo o que me compunha em história. Não sei se foi porque a gente se despediu dois dias antes, ou se foi um descontentamento antigo dando as caras. Um vazio fúnebre se mantinha na boca do meu estômago, e a caminhada não fazia diminuir. Um pássaro na árvore me notou e, desconfiado, me acompanhou com os olhos até eu me afastar de seu território. Tudo o que eu sentia era uma profunda indiferença do mundo em relação a mim, e eu à rebatia igualmente. Não tinha ninguém nem nada ali pronto pra tirar meu sofrimento, acalentá-lo e me dizer como eu era especial. Em retorno eu não distribuía sorrisos, nem um <em>boa tarde</em> gentil. Coisas se acabam em dias comuns. Uma amizade, uma expectativa, um vínculo. Se acabam e ninguém mais percebe, o mundo corre normalmente como sempre foi. Tomado por emoção, alguém pode ter raiva desse fato, como se fosse de propósito que o mundo não se desse conta. Eu tive raiva, mas tive mais ainda enjoo. Me foram necessários ainda muitos dias depois dessa caminhada para entender que tudo o que me sobrou naquele momento fora eu mesma. Minha historia, minha vida, minha companhia. Eu encarava a solidão da rejeição e descontava na única pessoa perto o suficiente de mim. De todas as idades e épocas, aquilo que era intrinsecamente <em>eu</em> acabara sendo o alvo primário dos meus socos e chutes, da minha repulsa.<br>&nbsp; Alguma coisa despertou naquela tarde, e só podia despertar dessa forma. A revolta interna apenas se amansou quando foi escutada e aceita e, principalmente, sentida com intensidade.<br><br></div><div><br><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2022-08-16 15:10:08 UTC</pubDate>
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