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      <title>Portfólio Relações Étnico Raciais by Raphaele Nonnenmacher Colferai</title>
      <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw</link>
      <description>Olá colegas e professores! Então eu fiz o trabalho de maneira escrita durante o semestre em um documento do google. Por isso só agora estou compartilhando aqui no padlet mas aqui está o link do trabalho no drive caso tenham interesse: 
https://docs.google.com/document/d/1pOCx_4vGp91J0uSa5gEpOkj_GDXRYIS7fAsweYKIDDM/edit?usp=sharing</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2020-11-25 14:20:20 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2024-11-03 14:17:32 UTC</lastBuildDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/959970018</link>
         <description><![CDATA[<div>Durante o século XX o Brasil era visto como uma democracia racial, um país que não era racista devido a miscigenação e a ausência de leis segregadoras. Contudo, a democracia racial do brasil é um mito, o racismo no Brasil se dá de forma perversa pois ocorre também nas ações cotidianas de cada brasileiro, está internalizado. As teorias do século 19 preconizavam uma inferioridade natural do negro para justisficar a escravidão nas Américas, o que foi denominado de racismo cientifico.</div><blockquote><em>O racismo aliado ao biopoder possibilitou que as nações modernas pudessem eliminar sua própria população, expondo à morte não apenas os inimigos, mas também os aliados. Desta maneira, o mesmo poder que consiste em fazer viver alguns é o que deixa morrerem muitos outros. (Schucman, 2010)</em></blockquote><div>Assim, pode-se inferir que a desigualdade no Brasil tem cor devido ao racismo estrutural aqui existente. O racismo no Brasil é estrutural por que está inerente a ordem social, é dominação e discrimina sistematicamente grupos racialmente identificados. Pode-se entender o racismo estrutural através de 4 elementos:</div><ol><li><em>Colonização</em>: chegada dos europeus na América e na África produziu condições para a criação da categoria raça. O branco europeu se proclamou como mais civilizado, bonito, saudável e normal. Brancos era humanizados e negros e pardos perderam sua humanidade. </li><li><em>Humanos e não humanos:</em> a definição de quem é humano e não humano foi um processo essencial para construção do capitalismo que temos hoje. </li><li><em>Modernidade:</em> foi produzida a partir da violência colonial, a modernidade não é a superação da colonialidade por que uma só existe em relação a outra. A modernidade só existe como tal por que houve uma violência com os povos sul global. A lógica colonial, do que é bom ou ruim, superior ou inferior ainda vigora.</li><li><em>Racismo científico</em>: são pensamentos racistas que sustentam a ideia que espécie humana poderia ser subdividida em raças hierarquizadas, sendo a raça branca superior. Racismo científico foi utilizado como justificativa ao imperialismo (dominação e exploração de povos) europeu. </li></ol><div>Ainda havia no Brasil outros pensamentos e ideias que sustentavam o racismo como a crença da eugenia, que diz respeito ao pensamento de que a capacidade intelectual passava de família para filho. A eugenia era considerava uma forma de  “limpar e higienizar” a sociedade, um projeto dito progressista naquela época. No século XX caiu a ideia de raça como realidade biológica, mas isso não mudou os efeitos da ideia de raça no Brasil. A categoria de raça não tem base biológica mas ela está presente nas relações sociais. Ela ainda mantém e reproduz privilégios para pessoas brancas. </div><div> O racismo no Brasil se constitui de forma diferente de outros países como EUA e África do Sul por que o Brasil não teve leis de segregação racial. Contudo, o racismo aqui é mais perverso justamente por que ele foi internalizado em cada um de nós. Pelo contrário do que muitos pensam, a miscigenação não foi realizada de uma forma amigavel, ela é fruto de uma cultura de estupro e de uma política de branqueamento da população que foram projetos políticos. Tal política de branqueamento foi colocada em curso a partir da imigração Européia e Asiática, e o grande produto dessa política é o “mulato e mulata”. </div><div>	Por fim, a ideia de raça surge com a chegada dos europeus às Américas e , por muito tempo, serviu como justificativa para escravidão e exclusão dos povos. Porém, atualmente a raça faz parte da identidade de um grupo ou coletividade.  A identidade assume caráter de escudo e defesa de si perante o outro (Sawaia, 1999), sendo também uma categoria política. </div><blockquote><em>Desta forma, podemos concluir através dos estudos de relações raciais e racismo no Brasil que, além da existência do racismo na cotidianidade da população negra, este é atualizado, perpetuado e legitimado pela ideia de raça e, portanto, é através desta categoria política que a luta antirracista deve ser articulada. (Schucman, 2010)</em></blockquote><div><br><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:23:34 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960000868</link>
         <description><![CDATA[<div>Eugenia é uma área do conhecimento que utiliza outras áreas para promover ou selecionar características positivas em contraponto a seleção natural. A política eugenista começa a hierarquizar grupos culturais, para justificar a dominação de poder de acordo com suas raças. Além disso, através do mito da democracia racial, vende-se uma história de miscigenação amigável, porém esta história estava mais relacionada a cultura do estupro das mulheres negras. Havia uma certa naturalidade dos homens brancos da violação das mulheres negras escravizadas.</div><div>Em 1980, houve o decreto migratório válido para todos exceto indígenas da África e Ásia. Somado a isto a Lei de 1945 para entrada de imigrantes europeus com o intuito de minimizar imigração japonesa. Além disso, houve, no Brasil, uma política explícita de Estado, bem organizada e estruturada em normas, valores e atitudes associadas aos brancos, a política do Branqueamento. O branqueamento da população foi uma estratégia de genocídio dos pretos e pardos.  </div><div>No Brasil, não há apenas uma desigualdade social mas sim racial,  a cor influência até mais que o sexo em alguns quesitos, por exemplo, mulheres brancas ainda ganham mais que homens negros. Brancos produziram teorias racistas no século 19 como racismo científico para sustentar que o branco é superior, esse é um discurso criado por povos brancos e europeus. Durante o Imperialismo, a Europa dividiu o mundo entre si para colonizar pressupondo que os povos que já viviam lá eram inferiores e por isso precisavam ser colonizados. </div><div>O negro e o branco são relações, a gente se descobre na relação não há branco sem negro e negro sem branco. Contudo, há um silêncio sobre o lugar que o branco ocupa pois o branco é tido como neutro, universal. Evitar pensar na branquitude é não pensar nos privilégios que essa posição confere. Não há racismo reverso, o racismo quem sofre é quem não está sendo beneficiado ou privilegiado com o racismo. Porém a questão racial não deve ser uma questão dos negros deve ser uma questão dos brancos, já que quem criou e sustentou a ideia de raça como determinante da capacidade ou não de uma pessoas foram os brancos. Desde o início, foram os brancos que criaram o racismo e embasaram suas políticas nele então o racismo não é um questão dos negros e nós, brancos, precisamos assumir a nossa responsabilidade na questão racial. Recriamos o racismo no nosso cotidiano e ambiente não é apenas uma herança da escravidão, ele é sustentado nos tempos de hoje pelas ações de cada um de nós, todos os dias. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:32:19 UTC</pubDate>
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         <title>2.1 Reflexões provocadas pela aula</title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960002884</link>
         <description><![CDATA[<div>A serie “This is us” relata a vida de um homem negro, com nome de Randall, que foi adotado após o nascimento por uma família branca. A série se passa nos EUA, desde jovem Randall se mostra muito inteligente e curioso então os pais de Randall são chamados no colégio e o diretor sugere que eles mudem o jovem de escola devido a sua grande capacidade intelectual. Os pais de Randall ficam em dúvida sobre o que fazer, já que na outra escola havia a elite da cidade não havendo crianças negras. Por vezes os pais de Randall recorrem a vizinhos negros para pedir conselhos e ajuda sobre o que fazer. Por fim eles decidem mudá-lo de escola. Além disso, a série também traz outros aspectos relacionados a raça, Randall, quando mais velho, mora em um bairro de pessoas brancas e relata ter que se vestir bem e sempre comprimentar os vizinhos para eles saberem que ele mora ali. Quando criança Randall sofre com o racismo interiorizado da própria avó que não reconhece sua inteligência e a potência da sua singularidade e só valoriza aspectos brancos de seu irmão. A aula, juntamente com a série me fez refletir sobre como há um branqueamento de pessoas negras no momento que elas ascendem socialmente. Como muitas vezes tenta-se branquear as pessoas negras chamando-as de “morenos”.</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:32:54 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960009535</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:34:51 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960013839</link>
         <description><![CDATA[<div>O quilombo são sistemas sociais alternativos, eram brechas no sistema escravista. Sugere-se que a data 20 de novembro que lembra o assasinato do Zumbi e a queda do quilombo dos palmares passe a ser comemorada ao inves do 13 de maio, pois era uma data mais positiva, que representa a resistencia dos antepassados a escravidão muito mais que a abolição da escravatura, até então vista como uma dádiva do império. </div><div>A Lei Afonso Arinos reconhece o racismo e o preconceito como crimes em 1951. A Lei de Diretrizes e Bases – LDB – da educação nacional determina que o ensino de História do Brasil deve levar em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente matrizes indígena, africana e européia. Contudo a história do Brasil nos livros inicia-se com a chegada dos portugueses. Os livros dão pouca ou nenhuma importância para os povos que aqui estavam, e os descrevem como “não civilizados”, como se precisassem ser ensinados. Mesmo que a constituição brasileira seja tão progressista na teoria, na prática ela não é inteiramente aplicada, pessoas são invisibilizadas e direitos ignorados. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:36:06 UTC</pubDate>
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         <title>3.1 Reflexões provocadas pela aula</title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960014712</link>
         <description><![CDATA[<div>O preconceito não está presente na constituição mas naqueles que a partir dela operam, nas pessoas. O racismo no Brasil é perverso, eu mesma sou uma mulher branca e por muito tempo ignorei todos os privilégios que tenho por ser branca, por estudar em escolas particulares, nas quais todos meus colegas e professores eram brancos. Para mim, naquela época, não havia possibilidades ou oportunidades de abrir a minha mente para outras realidades. Na aula de história, a história era contada a partir da perspectiva de brancos europeus não haviam aulas que fizessem o aluno se questionar ou pensar sobre o conhecimento que estava sendo passado, era como se a história tivesse apenas um lado, um conhecimento “neutro”.   </div><div>É triste pensar que só tive contato e pude me questionar sobre questões raciais quando ingressei na graduação. Lamento em dizer também que algumas graduações, mesmo em psicologia, ainda falham no momento de fazer o aluno pensar sobre os marcadores sociais que lhe atravessam. É inadmissível que as pessoas brancas não se apropriem das questões raciais, do racismo estrutural e de tudo que o envolve, já que o racismo foi arquitetado e mantido, desde suas origens até os tempos atuais por brancos. Precisamos responsabilizar os brancos, precisamos que as quetões raciais sejam uma questão de todos, não apenas dos negros por que essses resistem todos os dias. Por que aos negros já lhes é colocado que precisarão resistir aos racismo perverso do Brasil, ao racismo que está tao internalizado em cada um de nós, um racismo que estruturou nossa sociedade que foi a base da escravidão e que hoje se mantém. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:36:21 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960023605</link>
         <description><![CDATA[<div>O racismo é um sintoma social. O sofrimento relacionado ao racismo parece às vezes ser muito difícil de abordar por estar sobreposto a outros tipo de sofrimento devido a interseccionalidade. No Brasil por termos um racismo que por muito tempo foi encoberto pela miscigenação e o mito da democracia racial, acaba sendo muito difícil para o sujeito admitir seu sofrimento como advindo do racismo que ele sofre. Assim, o sofrimento daquele que sofre com o racismo é muitas vezes não nomeado por acabar se deslocando para outros marcadores sociais. Então precisamos que o sujeito se escute como produtor desse discurso ou aquele que sofre com isso.<br>O racismo é definido por Munanga (2003, p. 6-7) como:</div><blockquote><em>Uma ideologia essencialista que postula a divisão da humanidade em grandes grupos chamados raças contrastadas que têm características físicas hereditárias comuns, sendo estes últimos suportes das características psicológicas, morais, intelectuais e estéticas e se situam numa escala de valores desiguais. Visto deste ponto de vista, o racismo é uma crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas.</em></blockquote><div>Assim, o negro se desenvolve na sociedade sofrendo, sistematicamente, discriminação e preconceito. A sociedade, através de ações preconceituosas diárias, ensina desde de pequeno as pessoas negras que ser negro não é socialmente valorizado, que não a potência na negritude, que é um vergonha que precisa ser escondida. Assim, o processo identificatório das pessoas negras é difícil, já que elas têm dificuldade de reconhecer a si próprio  (Barreto, Ceccarelli &amp; Lobo, 2017). E podem recusar-se a se identifacar com outras pessoas negras, ou se enxergar como negro por não querer ocupar esse lugar que a sociedade sistematicamente exclui, oprime e marginaliza. Não se reconhecendo como negro, o sujeito também não se identifica com seus elementos culturais, não afirma sua estética corporal e não se vê em elementos identificatórios da sociedade como na televisão ou internet (Barreto &amp; Ceccarelli, 2018).<br>Nessa perspectiva, fala-se sobre uma “perda identitária” no processo de reconhecer-se como negro, já que a identidade é um processo dinâmico que está baseado nas identificações com o outro para a constituição do Eu. Assim, o reconhecimento das referências identificatórias geram angústia e sofrimento no sujeito, que ao reconhecer estas referências se percebe também como alguém que é invisibilizado e excluído pela sociedade, alguém vulnerável a sofrer uma série de preconceitos por simplesmente existir. <br>	No Brasil, há uma tentativa da sociedade e das pessoas de encobrir ou não ver o racismo que é praticado cotidianamente e um dos mecanismos utilizados é com a mediação da piada, do riso. Através do riso consegue-se articular o psíquico e o social, o consciente e o inconsciente, o jocoso e o sério (Barreto &amp; Ceccarelli, 2018). </div><blockquote><em>O chiste atua como álibi de alguma verdade do sujeito que, até então, não fora possível de ser dita: “tudo o que se tem a dizer é dito no chiste” (Barreto &amp; Ceccarelli, 2018)</em></blockquote><div><br></div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:38:49 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960028731</link>
         <description><![CDATA[<div>O sofrimento psicossocial dos povos indígenas está relacionado  a falta de acesso a terra, preconceito e racismo. Para melhor atender essa população é necessário articular as práticas do sistema de saúde nacional as práticas de saúde indígenas, pois atualmente esta articulação não ocorre. O principal conceito da política da saúde é de atenção diferenciada “que leva em consideração a singularidade cultural e epidemiológica dos povos indígenas”. A atenção diferenciada é um das formas de atender um dos princípios fundamentais do SUS  a equidade. Para isso, precisa-se flexibilizar ao máximo o serviço adequando a realidade do indígena e não o contrário.</div><div>Outra necessidade e desafio seria a articulação em rede, dentro das comunidades. Esta é uma maneira de potencializar o CAPS na realização de ações coletivas no território indígena. Muitas vezes as soluções e problemas estão dentro da própria comunidade e então é necessário incentivar que a comunidade se dê conta disso. Devido a todo esse processo de destruição e colonização das comunidades, os indígenas podem acabar não enxergando seus recursos e potenciais na comunidade. Assim, os profissionais da saúde do SUS devem perguntar ao indígena se ele procurou ou conversou com o especialista em saúde dentro da aldeia. </div><div>Para o povo Kaingang, na sua concepção de saúde não há uma separação entre mente e corpo, há um integração de tudo , incluindo também a mata, os rios a natureza. Este povo nunca entra em um espaço sem pedir permissão dos espíritos que ali estão. Além disso, há indígenas que ouvem voz e veem espíritos e para o povo isso é estar conectado, é um  modelo de cura. Por isso é tão importante a psicologia conhecer os povos indígenas na sua singularidade, para não patologizar características que naquela comunidade são normais e até valorizadas. </div><div>Nas aldeias Kaingang, cada um tem seu tempo, as pessoas podem jantar, almoçar e dormir as horas que quiserem. Nas sociedade capitalista que temos hoje há uma ditadura do relógio, trabalhamos 12h, enlouquecemos lendo artigo e tentando ganhar cada vez mais, mas para o povo Kaingang isso é adoecimento e não saúde. Além disso, para essas comunidades nunca haverá uma terapia individual fechada em um consultório, eles aprendem no coletivo, sentados ao redor do fogo conversando com as pessoas mais velhas e dançando. As suas crianças são livres e elas estão sempre perto da mãe.</div><div>	Para o povo Kaingang, a concepção de saúde não engloba apenas a mente ou o corpo separadamente, mas é uma junção da mente, corpo e espírito. Tudo e todos tem espírito, as árvores, a água e eles nos influenciam muito mais do que imaginamos. A mãe terra é viva é sagrada e é por ela que os povos lutam. Os indígenas não estão preocupados com a acumulação de bens mas a formação de pessoas melhores. A maioria não sabe assinar, não sabe escrever e  muitos tiveram suas documentações perdidas, ele foram obrigados a possuir um registro não indígena para existir no mundo. Por fim, é essencial aprender sobre o povo que você trabalha no território, estar junto, conhecer mais profundamente, para a partir disso oferecer um melhor atendimento em saúde respeitando a diversidade cultural. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:40:18 UTC</pubDate>
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         <title>5.1 Reflexões provocadas pela aula</title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960034723</link>
         <description><![CDATA[<div>Ouvir a Rejane e a Rosa sobre suas vivências na busca de uma sociedade mais plural e diversa foi enriquecedor. Rejane traz suas vivências e sua busca na faculdade por uma psicologia que inclui também temas do seu povo e dos povos indígenas. É interessante perceber como a concepção de saúde não é universal, que há outras concepções do que é cura e saúde. Uma concepção que integre a mente, corpo e espírito e como a saúde mental se faz também pelas vivências no coletivo, que há sabedoria nos rios, florestas, ventos que há cura na natureza. Penso que a psicologia deveria integrar saberes como o que a Rejane trouxe, esta foi a segunda aula que tive sobre os povos indígenas e acredito que é muito importante ter mais aula e até mesmo cadeiras com os saberes indígena que são saberes do povo brasileiro, construídos e mantidos pelos nossos povos até os dias de hoje. Admiro como os povo indígenas trazem a ideia de formação do ser antes de acumulação de bens, como o tempo é algo único e valioso que talvez a nossa sociedade deveria valorizar mais. Por que tempo é vida e hoje não vivemos, corremos. </div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:42:04 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author>raphaelecolferai</author>
         <link>https://padlet.com/raphaelecolferai/cj9rvt8hjssxs4uw/wish/960037312</link>
         <description><![CDATA[<div>Há poucas publicações e conteúdos sobre a saúde da população negra, mais especificamente sobre a saúde da mulher negra. Também não se fala sobre o racismo na saúde e como enfrentá-lo, mesmo que o movimento negro tenha participado da criação do SUS o tema do racismo é ausente. Contudo, as pesquisas da saúde da população negra mostram que a raça é um determinante em saúde e mortalidade do sujeito. De acordo com o PNAD, cerca de 60% da população se declara como negra. </div><div>	Há maior mortalidade e piores níveis de saúde na população negra, que é a população que mais utiliza o SUS. O dispositivo de racialidade, demonstra as formas como o racismo penetra os diferentes campos da vida social e estrutura, profundamente, a democracia brasileira reduzindo os direitos de alguns cidadãos e mantendo o preconceito através de ideias e imagens estereotipadas e inferiorizantes acerca da diferença (Werneck, 2016). Em 2006, tem-se a política nacional da saúde da população negra porém esta luta se inicia muito antes. Começa em 1996 com a marcha dos zumbis, em 2001 há uma conferência mundial contra o racismo. E de 2004 a 2006 há seminários sobre a saúde da população negra. Em 2005 é aberta a primeira vaga para uma pessoa negra no conselho nacional de saúde. Ou seja, até 2005 não havia ninguém no conselho para representar a população negra, mesmo sabendo que 60% da população é negra e que a maioria das pessoas que utiliza o SUS são negras. </div><div>	A política nacional de saúde da população negra foi regulamentada apenas em 2011, mas ainda hoje ela não é levada com fidelidade no SUS. Até hoje, os profissionais do SUS ainda não estão capacitados para receber pessoas na sua diversidade, povos indígenas e pessoas negras. Assim atua o racismo institucional, que se desloca da dimensão individual e instaura nas instituições formas organizativas, políticas, práticas e normas que resultam em tratamento e atendimentos desiguais (Werneck, 2016). É um racismo sistêmico que garante a exclusão de grupos racialmente subordinados, uma falha coletiva de uma organização em prover um serviço apropriado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica (Panteras Negras, Stokely Carmichael &amp; Charles Hamilton, 1967).</div>]]></description>
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         <pubDate>2020-11-25 14:42:52 UTC</pubDate>
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