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      <title>Ninguém me entende nessa casa by NICOLAS RODRIGUES CORREIA</title>
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      <description>Um cantinho para guardar memórias especiais.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-03-18 14:06:35 UTC</pubDate>
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         <title>Meu cotidiano.</title>
         <author>leticiakimura</author>
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         <description><![CDATA[<p>Todo dia é a mesma novela, eu perco alguma coisa, mas não algo pequeno, algo que paralisa a minha vida ou alguma coisa essencial! Normalmente eu perco minha carteira, meu celular, chave do carro ou tudo junto! Eu fico correndo pela casa, de um lado para o outro, revirando tudo, chego a ficar sem ar, fico ansioso pra achar, aflito se vou perder minha hora ou até mesmo desesperado para achar. E minha mulher poderia até fazer uma paródia da música do Chico Buarque: todo dia ele faz tudo sempre igual... </p><p>Saio correndo de um lado para o outro, paro pra pensar onde eu deixei, abro as gavetas, mudo tudo de lugar, jogo as almofadas e, ela nem pra ficar com pena de mim. Mas o pior é que minha mulher nem me ajuda, já se acostumou, só fica assistindo e tirando sarro da minha cara, só quando eu começo a me descontrolar inteiro, suar frio e xingar tudo (principalmente me xingar) ela me ajuda, pergunta se eu já procurei no freezer, na gaveta de meias, ou até mesmo no micro-ondas! Sim, já perdi coisas em todos esses lugares. Uma vez eu perdi meu chaveiro, com as chaves de casa e do carro, liguei desesperado pra minha mulher e ela teve que sair do trabalho pra me levar ao meu trabalho, porque eu tinha uma reunião que não poderia perder. Mais tarde naquele dia ela foi esquentar alguma coisa no micro-ondas e adivinha o que tinha lá dentro? Meu chaveiro, claro. </p><p>Eu até tentei me defender com uma frase bonita de um filósofo, o Nietzsche:</p><p>- Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento.</p><p>Mas ela riu e deu uma resposta melhor:</p><p>-Dá próxima vez chama seu filósofo pra abrir a porta pra você e te dar uma carona. </p><p>E agora minha filha aprendeu com ela, toda vez que me vê revirando a casa, ri e fala me zoando: </p><p>- Só não perde a cabeça papai, ia ser tão chato ficar sem ela...</p><p>Moral da história: se um dia eu desaparecer, me procurem primeiro no micro-ondas. Quem sabe não estou lá, tentando lembrar onde deixei minha vida organizada.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-20 18:15:10 UTC</pubDate>
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         <title>Como encurtar a estrada.</title>
         <author>leticiakimura</author>
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         <description><![CDATA[<p>Toda sexta-feira eu viajava com a minha mãe para Pains, uma cidadezinha do interior onde meu pai trabalhava, O nosso velho gordini que nos levava, ele nunca fracassou, aguentava de tudo, subia morros, fazia curvas, freava a tempo, ultrapassava outros carros, aguentava até buracos. Minha mãe dava aulas na UFMG e no Instituto de Educação, então de segunda bem cedo a gente voltava para Belo Horizonte.</p><p>Eu me lembro muito bem, quando eu tinha quatro anos, apesar de<strong> </strong>fazer bastante tempo, de ir sozinho no banco de trás, com os olhos fechados, fingindo dormir, mas apenas fingindo, pois a viagem era muito longa e não aguentava passar tanto tempo dormindo, ou fingindo. Eu costumava imaginar e pensar, sobre futebol e praia. Minha mãe fingia que achava que eu estava dormindo, era como um teatro. </p><p>Você deve estar se  perguntando o porque desse teatro, é porque se eu acordasse, minha mãe ia ter que inventar algum passatempo, algum jogo. E ela precisava daquele tempo para planejar suas aulas. Às vezes, eu levantava e pedia pra gente jogar um jogo, sempre o mesmo: adivinhar as marcas dos carros que vinham na direção contrária, caminhão não valia, eu era Chevrolet e ela Volkswagen. Quando passavam gordinis e vemaguetes nos brigávamos pra saber quem ganhava o ponto.</p><p>O jogo só era diferente na primavera: descobrir ipês na beira da estrada. Esse jogo era maravilhoso. Na estrada nascia muitos ipês, dos dois lados, dava flor até não poder mais.</p><p>- Olha ali o ipê-rosa!</p><p>- Olha outro do seu lado!</p><p>- Olha dois amarelos! </p><p>- Você perdeu o roxo, mãe!</p><p>- Perdi não, no alto do morro. Que lindo, né?</p><p>Desde aquela época, eu tinha mania de exatidão:</p><p>- Olha aquele, que liiindo!</p><p>- Não mãe, aquele é só bonito...</p><p>O mais bonito e pomposo era o <em>ipê-branco</em>, o mais raro também, merecia todos os olhares e elogios. Quando nós passávamos por um eu virava e fica olhando ele até virar um pontinho verde no fim da estrada. E logo depois minha mãe sempre falava:</p><p>-<em> O branco é o mais lindo!</em></p><p>Antes a frase era da mãe, ela sempre fez de tudo pra alegrar nossa viagem e esconder que o destino ainda estava longe.</p><p>- Olha o branco, filho, o mais bonito!</p><p>Eu sempre concordava, e comecei a dizer essa frase também, a cada ipê-branco. Com o tempo nós começamos a falar ao mesmo tempo, parecia ensaiado. Os jogos eram a maior diversão, principalmente o dos ipês. Quando nós jogávamos ele, a estrada parecia menor, encurtada, mágica, qualquer coisa poderia acontecer depois de cada curva, era cativante olhar para aquela estrada florida. </p><p><strong>O tempo passou</strong>. Os ipês viraram lembrança. Por muito tempo eu me esqueci deles. Acho que sumiram, ou eu que parei de reparar. Talvez sejam meus olhos de adulto que não sabem mais procurá-los.</p><p>Cresci, parei de contar carros, parei de torcer o pescoço. Mas às vezes, numa curva qualquer, ainda ouço ecoar no vento:</p><p><em>'O branco é o mais lindo!’</em></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-20 18:16:00 UTC</pubDate>
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         <title>Memórias de um fusca</title>
         <author>nicolasrodriguescorreia</author>
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         <description><![CDATA[<p>Estávamos em uma viagem com minha família e meu ídolo, Orígenes. Nos divertia-mos, contando diversas histórias e dando risadas, até que tivemos que parar em um posto pois minha irmã e minha mãe queriam ir ao banheiro. No posto, Orígenes estava contando uma historia nem percebeu que o carro ia rumo ao precipício. E de repente eu saltei no carro e puxei o freio de mão. Nada mal, agora eu posso dizer que sou o herói do meu ídolo!  </p>]]></description>
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         <pubDate>2025-03-25 14:04:17 UTC</pubDate>
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         <title>o livro do meu avô</title>
         <author>nicolasrodriguescorreia</author>
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         <description><![CDATA[<p>Meu avô amava esse livro.</p><p>Quando era pequeno lembro de meu avô com esse livro em baixo do braço, e que isso me matava de curiosidade, pois o livro nem era tão grande a esse ponto, então fui perguntar pra ele se já estava acabando de ler, mas ai ele me explicou e tudo fez sentido. Ele ja avia lido esse livro muitas vezes e cada vez que lia era mais fascinante, e que gostava de guardar cartas e boletos no meio dele e assim acabou virando seu companheiro.</p>]]></description>
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