<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>&quot;Os Maias&quot; by Márcia Silva</title>
      <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks</link>
      <description>Análise da obra </description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-04-19 08:03:25 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2025-10-25 18:44:34 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url></url>
      </image>
      <item>
         <title>Critica Social</title>
         <author>marciadanieladinissilva</author>
         <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160090204</link>
         <description><![CDATA[<div><sup>A demarcação do espaço social d' Os Maias tem [...] um duplo interesse [...]. Em primeiro lugar, essa demarcação permitir-nos-á delimitar, com certa nitidez, um nível de ação diverso do da intriga. [...] Em segundo lugar, a análise do espaço social deste romance facultar-nos-á uma visão mais clara dos elementos constitutivos da história que permitem integrar Os Maias no estatuto do roman-fleuve, também chamado romance-fresco, [...] aquele que "através da aventura de um individuo, de uma família, de um clã, aspira a captar um momento histórico numa sociedade" (R.-M. Albérés]. [..] Ora é justamente uma época la da Regeneração) e um meio (o da alta sociedade lisboeta que o narrador d' Os Maias nos faculta, ao nível do espaço social; e consegue-o funda 10 mentalmente à custa de dois recursos específicos: a delineação de determinadas per sondagens figurantes e a representação de ambientes de conjunto.<br><br>No subtítulo, [...] desde logo surpreendemos a relevância assumida, no devir da história, pelo Romantismo, pelos seus valores e pelas suas ideias, que atravessam episódios com uma certa autonomia [...]; na representação desses episódios adivinha-se também à maneira do Realismo e do Naturalismo, então ainda ativos) um certo propósito crítico: os serões, os jantares literários, as corridas de cavalos e os saraus são, além disso, marcados pela presença de diversos tipos sociais e culturais, dos mais característicos da ficção queirosiana.</sup></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1670793633/9af113afe271d23db92a1b2c3da3828f/WhatsApp_Image_2022_04_28_at_12_47_46.jpeg" />
         <pubDate>2022-04-27 09:44:49 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160090204</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Tempo e Espaço</title>
         <author>marciadanieladinissilva</author>
         <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160090954</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Espaço</strong><br><sup>Na obra os Maias a Ação decorre em diferentes Espaços físicos, Sociais e Psicológicos. <br></sup><br><em>Espaço Físico</em><br><sup>• É o local onde se desenrola a narrativa (um país, uma cidade, uma casa, etc).<br><br></sup><em>Espaço Psicológico</em><sup><br>• Está relacionado com as personagens pois traduz uma atmosfera de ordem psicológica, que se projeta nos comportamentos destas.<br><br></sup><em>Espaço Social</em><sup><br>• São os lugares e ambientes em que se proporciona a análise dos comportamentos das personagens, pois aí elas denunciam os seus tiques e os seus vícios.<br><br></sup><strong>Tempo</strong><strong><sup><br></sup></strong><sup>Este romance não apresenta um seguimento temporal linear, mas, pelo contrário, uma estrutura complexa na qual se integram três tipos de tempo: tempo histórico, tempo do discurso e tempo psicológico. &nbsp;</sup></div><div><br></div><div><em>Tempo histórico<br></em><br></div><div><sup>• Entende-se por tempo histórico aquele que se desdobra em dias, meses e anos vividos pelas personagens, refletindo até acontecimentos cronológicos históricos do país.</sup></div><div><sup>• N' </sup><em><sup>Os</sup></em><sup> </sup><em><sup>Maias</sup></em><sup>, o tempo histórico é dominado pelo encadeamento de três gerações de uma família, cujo último membro - Carlos, se destaca relativamente aos outros. • A fronteira cronológica situa-se entre 1820 e 1887, aproximadamente. Assim, o tempo concreto da intriga compreende cerca de 70 anos.<br><br></sup><br></div><div><em>Tempo do discurso<br></em><br></div><div><sup>• Por tempo do discurso entende-se aquele que se detecta no próprio texto organizado pelo narrador, ordenado ou alterado logicamente, alargado ou resumido.&nbsp;</sup></div><div><sup>• Na obra, o discurso inicia-se no outono de 1875, data em que Carlos, concluída a sua viagem de um ano pela Europa, após a formatura, veio com o avô instalar-se definitivamente em Lisboa. Pelo processo de analepse, o narrador vai, até parte do capítulo IV, referir-se aos antepassados do protagonista (juventude e exílio de Afonso da Maia, educação, casamento e suicídio de Pedro da Maia, e à educação de Carlos da Maia e sua formatura em Coimbra) para recuperar o presente da história que havia referido nas primeiras linhas do livro. Esta primeira parte pode considerar-se uma novela introdutória que dura quase 60 anos. Esta analepse ocupa apenas 90 páginas, apresentadas por meio de resumos e elipses. Assim, como vemos, o tempo histórico é muito mais longo do que o tempo do discurso. Do outono de 1875 a janeiro de 1877 - data em que Carlos abandona o Ramalhete - existe uma tentativa para que o tempo histórico (pouco mais de um ano da vida de Carlos) seja idêntico ao tempo do discurso - cerca de 600 páginas - para tal Eça serve-se muitas vezes da cena dialogada. O último capítulo é uma elipse (salto no tempo) onde, passados 10 anos, Ega se encontra com Carlos em Lisboa.</sup></div><div><strong><br></strong><br></div><div><em>Tempo psicológico</em><strong><br></strong><br></div><div><sup>• O tempo psicológico é o tempo que a personagem assume interiormente; é o tempo filtrado pelas suas vivências subjetivas, muitas vezes carregado de densidade dramática. É o tempo que se alarga ou se encurta conforme o estado de espírito em que se encontra.</sup></div><div><sup>• No romance, embora não muito frequente, é possível evidenciar alguns momentos de tempo psicológico nalgumas personagens: Pedro da Maia, na noite em que se deu o desaparecimento de Maria Monforte e o comunicado a seu pai; Carlos, quando recorda o primeiro beijo que lhe deu a Condessa de Gouvarinho, ou, na companhia de João da Ega, contempla, já no final de livro, após a sua chegada de Paris, o velho Ramalhete abandonado e ambos recordam o passado com nostalgia. Uma visão pessimista do Mundo e das coisas. É o caso de "agora o seu dia estava findo: mas, passadas as longas horas, terminada a longa noite, ele penetrava outra vez naquela sala de repes vermelhos...".</sup></div><div><sup>• O tempo psicológico introduz a subjetividade, o que põe em causa as leis do naturalismo.</sup></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-04-27 09:45:27 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160090954</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Título e subtítulo</title>
         <author>marciadanieladinissilva</author>
         <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160097962</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>I. O Título - Os Maias<br></strong><sup>O título Os Maias reporta-se à história da familia Maia ao longo de três gerações.<br></sup><br>• <em>Primeira geração:</em> a de Afonso da Maia, nascido antes do século, vítima de Portugal miguelista.<br>• <em>Segunda geração:</em> a de Pedro da Maia, representante da fase de instauração do Liberalismo.<br>•<em>Terceira geração:</em> a de Carlos da Maia, representante da decadência dos ideais liberais.<br><br><strong>A intriga</strong><br><sup>O romance d' Os Maias, título que remete para o estudo desta família fidalga, apresenta duas intrigas.<br>A intriga principal narra os amores incestuosos entre Carlos da Maia e Maria Eduarda (a história da terceira geração dos Maias) e a intriga secundária que, organizada em torno da relação amorosa de Pedro da Maia e Maria Monforte, narra a história da segunda geração dos Maias.</sup><br><br><strong>Estrutura da intriga principal:</strong><br><br>-Carlos da Maia vê Maria Eduarda no Hotel Central;<br>-Carlos visita Rosa, a pedido de Miss Sara;<br>-Carlos conhece Maria Eduarda na casa desta;<br>-declaração de Carlos a Maria Eduarda;<br>-consumação do incesto inconsciente;<br>-encontro de Maria Eduarda com Guimarães;<br>-revelações de Guimarães a Ega; -revelações de Ega a Carlos;<br>-revelações de Carlos a Afonso;<br>-consumação do incesto, agora consciente;<br>-encontro de Carlos com Afonso;<br>-morte de Afonso;<br>-revelações a Maria Eduarda; <br>-partida de Maria Eduarda.<br><br><strong>Estrutura da intriga secundária:</strong><br><br>-Pedro da Maia vê Maria Monforte;<br>-Pedro namora Maria Monforte;<br>-Pedro casa com Maria Monforte;<br>-Maria Monforte foge;<br>-Pedro suicida-se.<br><br><br><strong>II. O Subtítulo - Episódios da Vida Romântica</strong><br><sup>Em alternância com esta história, nomeadamente com a intriga principal, desenrolam-se múltiplos episódios a que se costuma chamar a Crónica de Costumes da vida de Lisboa, aliás sugerida no subtítulo Episódios da Vida Romântica.<br></sup><br><strong>Episódios da crónica de costumes:</strong><br><br>- jantar no Hotel Central;<br>- as corridas de cavalos no hipódromo;<br>- jantar dos Gouvarinhos;<br>- o jornalismo português do século XIX;<br>- o sarau literário.<br><sup><br>Existe uma relação entre a intriga e a crónica de costumes, por exemplo, é no Hotel Central que Carlos vê Maria Eduarda. No entanto, a crónica de costumes como tem autonomia em relação à intriga trata-se de uma acção aberta, ao passo que a intriga, porque pressupõe desenlace, constitui uma acção fechada.<br><br>Há ainda outras acções secundárias que ajudam a compreender a acção principal e contribuem para a realização dos objectivos de crítica social, tais como: os relacionamentos amorosos adúlteros de Ega e Raquel Cohen e entre Carlos e a Condessa de Gouvarinho; o comportamento e as atitudes de figurantes, nomeadamente de Dâmaso, Eusebiozinho e Palma Cavalão; e o paralelismo entre a educação britânica de Carlos da Maia e a educação portuguesa de Pedro da Maia e Eusebiozinho.<br><br>O subtítulo Episódios da Vida Romântica remete, então, para os episódios e acções secundárias que retratam os costumes, gostos, tradições, divertimentos, aspectos sociais, questões políticas e educativas da sociedade portuguesa da Regeneração, que é criticada pela apatia e ociosidade em que vive e pela ausência de espírito crítico.</sup></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-04-27 09:51:56 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160097962</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Personagens principais e suas relações</title>
         <author>marciadanieladinissilva</author>
         <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160099133</link>
         <description><![CDATA[<div><strong>Afonso da Maia<br></strong><br></div><div><em>Caracterização física</em></div><div><sup>• Afonso era baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes. A sua cara larga, o nariz aquilino e a pele corada. O cabelo era branco, muito curto e a barba branca e comprida. Como dizia Carlos: "lembrava um varão esforçado das idas heróicas, um D. Duarte Meneses ou um Afonso de Albuquerque".</sup></div><div><em>Caracterização psicológica</em></div><div><sup>• Provavelmente o personagem mais simpático do romance e aquele que o autor mais valorizou. Não se lhe conhecem defeitos. É um homem de carácter culto e requintado nos gostos. Enquanto jovem adere aos ideais do Liberalismo e é obrigado, pelo seu pai, a sair de casa; instala-se em Inglaterra mas, falecido o pai, regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa. Dedica a sua vida ao neto Carlos. Já velho passa o tempo em conversas com os amigos, lendo com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade de renovação do país. É generoso para com os amigos e os necessitados. Ama a natureza e o que é pobre e fraco. Tem altos e firmes princípios morais. Morre de uma apoplexia, quando descobre os amores incestuosos dos seus netos. É o símbolo do velho Portugal que contrasta com o novo Portugal – o da Regeneração – cheio de defeitos. É os sonho de um Portugal impossível por falta de homens capazes.</sup></div><div><br><strong>Pedro da Maia<br></strong><br></div><div><em>Caracterização física</em></div><div><sup>• Era pequenino, face oval de "um trigueiro cálido", olhos belos – "assemelhavam-no a um belo árabe". Valentia física.</sup></div><div><em>Caracterização psicológica</em></div><div><sup>• Pedro da Maia apresentava um temperamento nervoso, fraco e de grande instabilidade emocional. Tinha assiduamente crises de "melancolia negra que o traziam dias e dias, murcho, amarelo, com as olheiras fundas e já velho".</sup></div><div><sup>O autor dá grande importância à vinculação desta personagem ao ramo familiar dos Runa e à sua semelhança psicológica com estes.</sup></div><div><sup>Pedro é vítima do meio baixo lisboeta e de uma educação retrograda. O seu único sentimento vivo e intenso fora a paixão pela mãe.</sup></div><div><sup>Apesar da robustez física é de uma enorme cobardia moral (como demonstra a reação do suicídio face à fuga da mulher). Falha no casamento e falha como homem.</sup></div><div><br><strong>Carlos da Maia<br></strong><br></div><div><em>Caracterização física</em></div><div><sup>•</sup> <sup>Carlos era um belo e magnífico rapaz. Era alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos negros e ondulados. Tinha barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. O bigode era arqueado aos cantos da boca. Com diz Eça, ele tinha uma fisionomia de "belo cavaleiro da Renascença".</sup></div><div><em>Caracterização psicológica</em></div><div><sup>•</sup>&nbsp; <sup>Carlos era culto, bem educado, de gostos requintados. Ao contrário do seu pai, é fruto de uma educação à Inglesa. É corajoso e frontal. Amigo do seu amigo e generoso. Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo, a sensualidade, o gosto pelo luxo, e diletantismo (incapacidade de se fixar num projecto sério).</sup></div><div><sup>Todavia, apesar da educação, Carlos fracassou. Não foi devido a esta mas falhou, em parte, por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita, ociosa, fútil e sem estímulos e também devido a aspectos hereditários – a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, o futilidade e o espírito boémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude, a que fez a questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bom exemplo.</sup></div><div><br><strong>Maria Eduarda<br></strong><br></div><div><em>Caracterização física</em></div><div><sup>•</sup>&nbsp; <sup>Maria Eduarda era uma bela mulher: alta, loira, bem feita, sensual mas delicada, "com um passo soberano de deusa", é "flor de uma civilização superior, faz relevo nesta multidão de mulheres miudinhas e morenas".&nbsp; Era bastante simples na maneira de vestir, "divinamente bela, quase sempre de escuro, com um curto decote onde resplandecia o incomparável esplendor do seu colo"</sup></div><div><em>Caracterização psicológica</em></div><div><sup>•</sup>&nbsp; <sup>Podemos verificar que, ao contrário das outras personagens femininas Maria Eduarda nunca é criticada, Eça manteve sempre esta personagem à distância, a fim de possibilitar o desenrolar de um desfecho dramático (esta personagem cumpre um papel de vítima passiva). Maria Eduarda é então delineada em poucos traços, o seu passado é quase desconhecido o que contribui para o aumento e encanto que a envolve. A sua caracterização é feita através do contraste entre si e as outras personagens femininas, mas e ao mesmo tempo, chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia, para quem tudo o que viesse de Maria Eduarda era perfeito, "Maria Eduarda! Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela; e pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena."&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; •</sup>&nbsp; <sup>Uma vez descoberta toda a verdade da sua origem, curiosamente, o seu comportamento mantém-se afastado da crítica de costumes (o seu papel na intriga amorosa está cumprido), e esta personagem afasta-se discretamente de "cena".&nbsp; &nbsp;<br><br></sup><strong>Maria Monforte</strong></div><div><br></div><div><em>Caracterização física</em></div><div><sup>•</sup> <sup>&nbsp;É extremamente bela e sensual. Tinha os cabelos loiros, "a testa curta e clássica, o colo ebúrneo".</sup></div><div><em>Caracterização psicológica</em></div><div><sup>•</sup>&nbsp; <sup>É vítima da literatura romântica e daqui deriva o seu carácter pobre, excêntrico e excessivo. Costumavam chamar-lhe negreira porque o seu pai levara, noutros tempos, cargas de negros para o Brasil, Havana e Nova Orleães. Apaixonou-se por Pedro e casou com ele. Desse casamento nasceram dois filhos. Mais tarde foge com o napolitano, Tancredo, levando consigo a filha, Maria Eduarda, e abandonando o marido - Pedro da Maia - e o filho - Carlos Eduardo. Leviana e imoral, é, em parte, a culpada de todas as desgraças da família Maia. Fê-lo por amor, não por maldade. Morto Tancredo, num duelo, leva uma vida dissipada e morre quase na miséria. Deixa um cofre a um conhecido português - o democrata Sr. Guimarães - com documentos que poderiam identificar a filha a quem nunca revelou as origens.</sup></div><div><sup>&nbsp;&nbsp;</sup></div><div><sup><br></sup><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1670793633/e91d4e034c3fba6fee6c17d8c0b379c5/image.png" />
         <pubDate>2022-04-27 09:53:08 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160099133</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Correntes literárias que marcam a obra</title>
         <author>marciadanieladinissilva</author>
         <link>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160100128</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <strong>REALISMO</strong></div><div><strong>&nbsp;</strong></div><div><sup>É uma escola literária que surge na 2ª metade do séc. XIX (a partir de 1865), como reacção aos excessos do formalismo romântico, na sequência dos conflitos ideológico - literários entre os românticos (representados por António Feliciano de Castilho) e a nova escola literária de Coimbra – realistas (dos quais se destaca Antero de Quental, entre outros), denominados “Questão Coimbrã”, originando as </sup><em><sup>Conferências Democráticas do Casino</sup></em><sup>.</sup></div><div>&nbsp;</div><div><em><sup>Ideologicamente:</sup></em><sup>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</sup></div><div><sup>- estética anti idealista, de combate à evasão romântica;</sup></div><div><sup>- interesse pelo contemporâneo, pela realidade e pela análise social.<br><br></sup><em><sup>Aspecto Temático:</sup></em></div><div><sup>- representação da vida burguesa, focando aquilo que tem de mais desagradável ou negativo (usura, cobiço, corrupção, sofrimento social, vício…);</sup></div><div><sup>- representação da vida urbana – é na cidade que as tensões sociais, políticas e económicas da vida burguesa se agudizam;</sup></div><div><sup>- análise das relações e dos conflitos sociais, resultantes de grandes desníveis entre classes sociais;</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><sup>O romance é a forma privilegiada pelos realistas – narrativa de grande fôlego que melhor se coaduna com a ideologia e o tratamento dos temas do realismo.<br><br>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</sup><strong>NATURALISMO<br><br></strong><sup>Período literário que se segue ao Realismo, podendo-se considerar como seu prolongamento. As fronteiras entre as duas correntes literárias são ténues.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><sup><br></sup></strong><em><sup>No plano ideológico:</sup></em></div><div><sup>- corrente influenciada pela Ciência e pela Filosofia, com especial relevo para o Positivismo de Auguste Compte – análise rigorosa dos factos e das suas causas.</sup></div><div><sup>- corrente influenciada pelo Determinismo – corrente que se preocupa mais com as causas dos fenómenos do que com os fenómenos propriamente ditos.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><em><sup>No plano temático:</sup></em></div><div><sup>- o alcoolismo – como deformação social/ de carácteres;</sup></div><div><sup>- o jogo – consequência de determinadas situações de injustiça;</sup></div><div><sup>- o adultério – como denúncia de certo modo de vida resultante de uma educação romântica;</sup></div><div><sup>- a opressão social – como resultado do conflito de interesses, denunciando as suas causas económicas, políticas e sociais;</sup></div><div><sup>- a doença (loucura, por exemplo) – enquanto manifestação de taras hereditárias.<br><br>&nbsp;                                                      </sup><strong>ROMANTISMO</strong></div><div><strong><sup>&nbsp;&nbsp;</sup></strong></div><div><sup>Em </sup><em><sup>Os Maias</sup></em><sup>, assistimos ao desfile de um leque variado de personagens que contribuem para o desenvolvimento do subtítulo da obra. Efectivamente, Eça terá pretendido construir uma caricatura literária da sociedade romântica de Portugal do século XIX, espelhando os seus vícios burgueses, a inércia tecnológica e científica, o papel meramente ornamental e desinteressante da figura feminina, o atraso em relação à cultura europeia, uma educação pouco prática e alienada de uma sociedade industrial e a imitação desenquadrada de modelos e formas de estar pouco adequados ao Portugal da época. Efectivamente, estou em crer que o subtítulo adquire uma importância fundamental e que foi nele que Eça de Queirós terá cimentado os alicerces estruturais da sua intenção crítico-literária. Analisemos, mais amiúde, algumas das questões referidas.</sup></div><div><strong><em><sup>&nbsp;</sup></em></strong></div><div><em>Burguesia<br></em><br></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong><sup>- no século XIX, a burguesia é, em Portugal, uma classe em ascendência, muito devido à industrialização e, por conseguinte, a uma economia que se começa a restabelecer. Na sociedade lisboeta, a burguesia exibe essa capacidade económica, impondo-se e gozando dos luxos e caprichos a que se considera no direito. Alguns, como é o caso do pai de Maria Monforte, antigo traficante de escravos, conseguem ascender socialmente à custa do sacrifício e exploração alheios.</sup></div><div><sup>-Dâmaso Salcede, por exemplo, personifica bem o espírito mesquinho e desinteressante da burguesia. Tenta, a todo o custo, ser reconhecido socialmente e, para isso, apega-se a todos os que simbolizam poder e prestígio social, como é o caso de Carlos da Maia. Filho de um agiota, gordo, cobarde, provinciano e sem dignidade, Dâmaso faz-nos lembrar a tela de Júlio dos Reis Pereira, </sup><em><sup>“O Burguês e a Menina”</sup></em><sup>, de 1931, na qual o Burguês, figura desmesurada, aniquila, com a sua presença, o espaço social envolvente e acentua a miséria da menina, personagem descontextualizada e sufocada por um espaço que a exclui.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><em>Inércia da sociedade portuguesa<br></em><br></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong><sup>-ao longo da obra, o narrador vai enfatizando o atraso de Portugal e a inércia da sociedade portuguesa, onde falha inovação artística, medidas políticas assertivas, adequadas às necessidades sociais e consciência crítica.</sup></div><div><sup>O Conde de Gouvarinho, por exemplo, representa os políticos corruptos e egocêntricos, cujo principal objectivo se centra na concretização do bem-estar pessoal. Fraco em opiniões, com falhas de memória, sem cultura e uma postura retrógrada, esta personagem representa o atraso da sociedade portuguesa e a falta de credibilidade da política.</sup></div><div><sup>Por outro lado, o atraso da sociedade portuguesa de oitocentos também está bastante patente no último episódio da obra. Após dez anos no estrangeiro, Carlos regressa a Portugal e, passeando-se pela cidade de Lisboa com Ega, constata a inércia do país, tudo está na mesma. Reflectem sobre o facto de não valer a pena correr a trás de ideais e defendem que tudo na vida é ilusão e sofrimento. Porém, acabam por, ironicamente, correr para apanhar um transporte público que os leve a um jantar que têm marcado. Desta forma, realça-se a incongruência entre opinião e atitude, emoção e razão, aspecto preponderante na sociedade portuguesa da época.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><em>Educação<br></em><br></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong><sup>- a temática da educação desenvolve-se, nesta obra, de forma transversal, na medida em que não só é abordada amiúde aquando da infância de Carlos ou de Eusebiozinho (e de outros), como serve para justificar comportamentos ao longo da narrativa. Em </sup><em><sup>Os Maias,</sup></em><sup> podemos encontrar, de forma simplificada, três tipos de modelos educacionais: a educação portuguesa, a educação inglesa e a inexistência de educação.</sup></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><em>Educação Portuguesa<br></em><br></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong><sup>- cimenta-se num saber inadaptado à sociedade actual, na memorização, na aprendizagem de línguas mortas (Latim e Grego), no pânico pelo exterior, na valorização do conhecimento eclesiástico em detrimento do racionalismo e da tecnologia. Neste paradigma, enquadram-se personagens como Maria Eduarda Runa, mulher de Afonso da Maia, Pedro da Maia e Eusebiozinho.</sup></div><div><strong><sup>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <br></sup></strong><strong>Maria Eduarda Runa</strong></div><div><strong><sup>&nbsp;<br>- </sup></strong><sup>Adepta das romarias, fervorosa cristã, frágil física e psicologicamente, nunca se adapta a Inglaterra, "terra de hereges", como defende. Definha e só reencontra paz quando regressa a Portugal. Manda vir, para Inglaterra, o padre Vasques para instruir Pedro e recusa todas as tentativas educacionais de Afonso em relação ao filho. Maria Eduarda Runa fracassa enquanto mulher, mãe e cidadã do mundo.</sup></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><strong>Pedro da Maia<br></strong><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><sup>-</sup> <sup>Pedro da Maia é uma criança nervosa e frágil:</sup><em><sup> “Desenvolvera-se lentamente, sem curiosidades, indiferente a brinquedos, animais, a flores, a livros. Nenhum desejo forte parecera jamais vibrar naquela alma meio adormecida e passiva ” </sup></em><sup>(</sup><em><sup>Os Maias, Episódios da Vida Romântica</sup></em><sup>, Editora Livros do Brasil, página 22)</sup><em><sup>.</sup></em><sup> Em adulto (“Ficara pequenino e nervoso como Maria Eduarda”, idem), não está convenientemente preparado para as vicissitudes da vida, sucumbe à morte da mãe e, mais tarde, confrontado com o desgosto do adultério, suicida-se.</sup></div><div><sup>Pedro personifica o fracasso de uma educação retrógrada, baseada em princípios frágeis, alienados da realidade cosmopolita do século XIX.</sup></div><div><br><strong>Eusebiozinho</strong></div><div><br></div><div><sup>-</sup> <sup>Educado segundo lamentáveis princípios femininos, em criança é muito frágil. Vive isolado e prefere os recortes, as leituras à actividade física ou à brincadeira com Carlos. O narrador descreve-o como se se tratasse de um mero ornamento, </sup><em><sup>“uma maravilha muito falada naqueles sítios”: “Ainda gatinhava e já a sua alegria era estar a um canto, sobre uma esteira, embrulhado num cobertor, folheando in-fólios, com o craniozinho calvo de sábio curvado sobre as letras garrafais da boa doutrina; e depois de cescidinho tinha tal propósito que permanecia horas imóvel numa cadeira, de perninhas bambas, esfuracando o nariz: nunca apetecera um tambor ou uma arma: mas cosiam-lhe cadernos de papel, onde o precoce leterado, entre o pasmo da mamã e da titi, passava dias a traçar algarismos, com a linguazinha de fora”</sup></em><sup> (</sup><em><sup>Os Maias, Episódios da Vida Romântica</sup></em><sup>, Editora Livros do Brasil, páginas 72/ 73). Note-se a importância dos diminutivos utilizados pelo narrador, os quais reforçam, de forma irónica, a fragilidade da personagem.</sup></div><div><sup>Em adulto, Eusebiozinho, que parecia outrora ter todas as condições para vingar na vida (“</sup><em><sup>Na família tinha a sua carreira destinada: era rico, havia de ser primeiro bacharel, e depois desembargador</sup></em><sup>”, idem), torna-se um homem desinteressante, um fútil. Relaciona-se com prostitutas e não consegue assumir um papel activo na sociedade, pois a educação que recebeu é insuficiente para fazer face às exigências dos cargos que, em infância, lhe tinham sido destinados: “o Eusebiozinho e duas espanholas” (</sup><em><sup>Os Maias, Episódios da Vida Romântica</sup></em><sup>, Editora Livros do Brasil, página 548).</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong>Educação Inglesa<br></strong><br></div><div><sup>- A formação de Carlos da Maia insere-se no modelo educacional inglês: valorização do conhecimento prático; da aprendizagem de línguas vivas; da abertura, tolerância e convivência; do desenvolvimento da elegância e da destreza. Há uma aposta no fortalecimento físico e psicológico, através do contacto directo com a natureza, do exercício físico, do estudo da ciência, da fisionomia humana: “O Carlos necessita ter um regime. De madrugada está já na quinta; almoça às sete; e janta à uma hora. (…) É o Sr. Brown, o inglês, o preceptor do menino…” (</sup><em><sup>Os Maias, Episódios da Vida Romântica</sup></em><sup>, Editora Livros do Brasil, página 60).</sup></div><div><sup>Porém, esta educação também fracassará. Carlos comete o crime mais hediondo, o incesto, mesmo sabendo já que Maria Eduarda era sua irmã. A sua educação revela-se pouco adaptada aos ideais e à sociedade portuguesa da época, onde se privilegiam os princípios religiosos da doutrina cristã.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong>Educação de Ega</strong></div><div><sup>&nbsp;<br>- Ega não foi sujeito a nenhum dos dois tipos de educação descritos anteriormente. Jovem, rico e inconveniente nas suas intervenções, desde cedo se revelou uma vergonha para a mãe, senhora temente a Deus e defensora "dos bons princípios". A mãe patrocina os seus estudos, que ele nunca leva a sério, e deseja tê-lo longe. Ega torna-se uma pessoa sem objectivos ou, por outro lado, incapaz de concretizar as dezenas de ideias e projectos que conjuntura.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><em>Caracterização, mais detalhada, de algumas personagens.</em></strong></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong>Vilaça Pai</strong></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><sup>Procurador d' Os Maias. Tem um filho, Vilaça que, mais tarde, quando morre, é quem ocupa o seu lugar como administrador d'</sup><em><sup>Os Maias</sup></em><sup>.</sup></div><div><sup>Vilaça apresenta uma postura não só de administrador da família Maia, mas também como de um conselheiro de Afonso da Maia. Exemplo é a situação em que Afonso resolve habitar o Ramalhete e Vilaça mostra-se opositor desta vontade ao afirmar que o Ramalhete é a fonte das desgraças dos Maias.</sup></div><div><sup>Vilaça pai é um retrato da sociedade da época.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong>Afonso da Maia</strong></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><sup>Fisicamente</sup></strong><sup>&nbsp;<br>- era baixo, forte, de ombros quadrados e fortes, cara larga, o nariz aquilino e a pele corada. Os cabelos eram brancos, muito curtos e a barba branca e comprida, lembrava um varão esforçado das idas heróicas, um D. Duarte Meneses ou um Afonso de Albuquerque.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><sup>Psicologicamente <br>-</sup></strong><sup> não se lhe conhecem defeitos e é um homem de carácter culto e requintado nos gostos. Enquanto jovem adere aos ideais do Liberalismo e é obrigado, por seu pai, a sair de casa; instalando-se em Inglaterra mas, falecido o pai, regressa a Lisboa para casar com Maria Eduarda Runa. Mais tarde, dedica a sua vida ao neto Carlos e já velho passa o tempo em conversas com os amigos, lendo com o seu gato – Reverendo Bonifácio – aos pés, opinando sobre a necessidade de renovação do país. É generoso para com os amigos e os necessitados. Ama a natureza, o que é pobre e fraco e tem altos e firmes princípios morais. Morre de uma apoplexia, quando descobre os amores incestuosos dos seus netos.</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><em>Carlos da Maia<br></em></strong><br></div><div><sup>&nbsp;- amante da ciência e das mulheres. Diletante, visto que exerce a sua profissão pelo prazer e não por obrigação.</sup></div><div><sup>Muitos consideram </sup><em><sup>&nbsp;Os Maias</sup></em><sup> um romance de personagem, centrado precisamente em Carlos da Maia. Depois da fuga da sua mãe, Maria Monforte, com outro homem, e do suicídio do pai, que não aguentou a traição, ficou entregue ao cuidados do avô, que representará para ele toda a família. Afonso da Maia dar-lhe-á a educação que não pôde dar ao filho Pedro - educado segundo cânones tradicionais portugueses, por insistência de uma mãe ultracatólica -, já na quinta do Douro, Santa Olávia, onde se refugiou com o neto, deixando ao abandono o Ramalhete. Assim, educado à maneira inglesa, com normas rígidas, intensa atividade física, sem os tradicionalismos da "cartilha" católica (que atormentara seu pai e o pobre Eusebiozinho, representantes da educação portuguesa).</sup></div><div><sup>&nbsp;</sup></div><div><strong><sup>Fisicamente </sup></strong><sup>- era um belo e magnífico rapaz, alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos negros e ondulados e uma barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. O bigode era arqueado aos cantos da boca; psicologicamente era</sup></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><strong><sup>Psicologicamente</sup></strong><em> </em><sup>- culto, bem-educado, de gostos requintados. É corajoso e frontal e generoso.</sup></div><div><sup>Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo, a sensualidade, o gosto pelo luxo, e diletantismo (incapacidade de se fixar num projecto sério e de o concretizar). Contudo apesar da sua educação, Carlos fracassou, em parte, por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita, ociosa, fútil e sem estímulos e também devido a aspectos hereditários – a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, o futilidade e o espírito boémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude, a que fez a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bom exemplo.</sup></div><div><strong><sup>&nbsp;</sup></strong></div><div><strong><sup>Socialmente </sup></strong><em><sup>- </sup></em><sup>é filho de Pedro da Maia e Maria Monforte, mas nunca teve contacto com os pais, exceto quando era ainda muito jovem. É a personagem principal da obra. Carlos vai-se tornar num belo homem, física e intelectualmente. Forma-se em Medicina, em Coimbra, onde conhece João da Ega, seu grande amigo. A casa que o avô lhe alugara em Celas, torna-se centro da vida boémia estudantil, onde se discute arte, política, filosofia, o que faz de Carlos muito popular entre os colegas. Depois de formado, viaja pela Europa e conhece o que de melhor há no velho Continente. Torna-se um diletante. Volta a Lisboa e arrasta consigo Afonso da Maia para o Ramalhete. Trabalha por prazer, abre um consultório, monta um laboratório e enche-se de projetos que nunca chega a cumprir, disperso na vida boémia da capital, entre mulheres, amigos e aventuras. Mantém uma relação adúltera com a Condessa de Gouvarinho, até que conhece Maria Eduarda - que na verdade é sua irmã - por quem se apaixona. Desconhecedores do laço de sangue que os une, tornam-se amantes e decidem fugir, até que Carlos toma conhecimento do terrível desfecho da sua história, ao receber uma carta do Sr. Guimarães. Descoberto o segredo, Carlos Eduardo vê-se ensombrado com a morte do avô e torna-se um fracassado da vida. Assim, jovem, bonito, inteligente, cobiçado e culto, com tudo para se tornar um vencedor, Carlos Eduardo da Maia é destinado, tal como o seu pai, Pedro, a fracassar.</sup></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-04-27 09:54:00 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/marciadanieladinissilva/Bookmarks/wish/2160100128</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
