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      <title>Trilhas da disciplina &quot;Educação, Cultura e Comunicação: desafios contemporâneos das pesquisas em periferias&quot; by Gisele Guerra</title>
      <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko</link>
      <description>Aqui, partilho minhas reflexões sobre a disciplina oferecida no âmbito do curso de doutorado em Educação, Comunicação e Cultura da UERJ/FEBF com o professor Ivan Amaro, entre os meses de setembro e dezembro de 2024.</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-10-01 01:25:41 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2025-01-09 23:21:29 UTC</lastBuildDate>
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         <title>PESQUISANDO... </title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3147388029</link>
         <description><![CDATA[<p>O foco principal desta pesquisa é investigar como o ato de brincar contribui para a alfabetização cartográfica de crianças autistas nos anos iniciais do ensino fundamental.</p><p>O interesse pelo tema emergiu da minha experiência como professora de Geografia e das séries iniciais, com mais de 20 anos de prática docente, período em que observei os desafios enfrentados pelos professores na construção do conhecimento geográfico.</p><p><br/></p><p>Entretanto, a vida não acontece em compartimentos isolados. Como mãe de dois meninos autistas, encontrei no brincar cotidiano um meio para nos conectarmos melhor, desenvolvermos novas habilidades e superarmos obstáculos. Para potencializar essa abordagem, realizei uma pós-graduação em "Intervenções Precoces no Autismo Baseado no Modelo Denver", aprofundando meu entendimento sobre como o brincar, que já utilizava intuitivamente, poderia ser uma ferramenta poderosa de interação, comunicação e desenvolvimento.</p><p><br/></p><p>Sob orientação dos terapeutas dos meus filhos, adotei o brincar de forma intencional para estimular a interação social, a imaginação, a memória, a atenção, a linguagem, a expressão de ideias, a internalização de normas e regras sociais. Assim, o lúdico tornou-se um elemento essencial para promover o aprendizado e o desenvolvimento deles, respeitando seus interesses e necessidades.</p><p><br/></p><p>Nas escolas, sabemos que as práticas pedagógicas voltadas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são mais eficazes quando incorporam jogos e atividades lúdicas. Essas práticas facilitam a interação social entre as crianças e promovem sua inclusão no ambiente escolar.</p><p><br/></p><p>Este projeto, portanto, surge da interseção de minhas vivências pessoais e profissionais, unindo os aspectos do brincar, da alfabetização cartográfica e das necessidades específicas das crianças autistas, buscando contribuir para sua inclusão e desenvolvimento integral.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-01 02:06:26 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>&quot;Deixa eu me apresentar que eu acabei de chegar&quot;</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3147421919</link>
         <description><![CDATA[<p>Sou a Gisele, a professora. Desde pequena, sempre fui essa personagem: com as bonecas, com as amigas, com o espelho. A escola foi o meu porto seguro, o lugar onde recebia atenção e onde me encaixava com facilidade. Percebi cedo que, naquele espaço, eu poderia encontrar estabilidade. Assim, me constituí professora muito cedo. O curso Normal fluiu conforme o planejado, mas a graduação em Geografia abalou minhas certezas e me colocou em instabilidade. Não sabia se queria ser professora, pois me encantava com a pesquisa acadêmica. Levei alguns períodos para construir um novo percurso: o de professora-pesquisadora.</p><p><br></p><p>Foi com esse objetivo que ingressei no mestrado. E o que pesquisar? Como estudantes de Geografia se tornam professores. Transformei meu próprio percurso até o magistério em objeto de estudo. Quis compreender como outros, assim como eu, "caíram" no magistério. Foi um processo de redescobertas, no qual revisitei minha própria história com a ajuda dos entrevistados. Adorno e Freud se tornaram excelentes interlocutores. Mas nada disso seria possível sem o meu grande orientador, o professor Sobreira. Nas inúmeras perguntas que ele me fez, consegui ouvir de mim mesma as respostas que já sabia, mas que ainda não havia escrito.</p><p><br></p><p>Hoje, no entanto, sinto que vivo uma outra vida. Da Gisele de outrora, sobrou muito pouco. Há experiências que nos transformam tão profundamente que reconfiguram quem somos. Para mim, essa experiência foi a maternidade. Uma maternidade atípica. Não é um presente, nem um castigo. É um <strong>acontecimento</strong>, onde nada permanece no lugar, onde tudo se transforma e os sentidos ganham novos significados.</p><p><br></p><p>Depois dela, posso dizer que me tornei professora de verdade, pois meus olhos começaram a brilhar com os alunos. É com eles que reside o meu fazer, o meu roteiro, as minhas questões. A educação inclusiva, para mim, é o desejo de estar perto, de se relacionar, de compreender e de caminhar junto. Aprendi que ser professora é dar as mãos e trilhar caminhos compartilhados, no ritmo do outro, como uma bússola que indica a direção, mas que não define o percurso.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-10-01 02:30:05 UTC</pubDate>
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         <title>AULA 1</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3258226542</link>
         <description><![CDATA[<p>Pessoas reunidas pelo prazer da pesquisa: esse foi o clima da primeira aula do nosso curso. Ouvir sobre as pesquisas dos colegas me levou a refletir sobre minha trajetória acadêmica e a vislumbrar possibilidades epistemológicas para dialogar com o meu objeto de pesquisa. Nesse sentido, acredito que a disciplina pode contribuir para a descoberta de novas metodologias e perspectivas epistemológicas, especialmente a partir das periferias – nosso lugar de fala, vivência e experiência –, promovendo a valorização da produção de conhecimento científico em seus contextos sociais e culturais.</p><p><br></p><p>No segundo momento do encontro, foi proposta a leitura compartilhada do primeiro capítulo do livro "<strong>Uma Outra Ciência é Possível: Manifesto por uma Desaceleração das Ciências", de Isabelle Stengers.</strong></p><p><br></p><p>Neste capítulo, a autora propõe uma reflexão crítica sobre a visão tradicional de que a ciência opera de forma isolada e neutra, oferecendo “soluções corretas” baseadas exclusivamente em fatos. Stengers argumenta que esse modelo exclui a participação cidadã e ignora valores políticos, ideológicos e preocupações sociais. Para legitimar a ciência em tempos marcados por desconfiança e controvérsia – alimentados de forma perigosa pelos <em>mercadores da dúvida</em> (indivíduos ou grupos que distorcem evidências científicas para semear incerteza sobre questões científicas estabelecidas) –, a autora defende um modelo mais inclusivo e reflexivo. Este novo paradigma reconhece as interações entre fatos científicos e valores culturais, promovendo a co-construção de conhecimentos.</p><p><br></p><p>Ao olhar para nossas pesquisas, as reflexões desse capítulo nos convidam a adotar alguns cuidados importantes: questionar se o que estamos produzindo está ao alcance da população; avaliar se estamos nos colocando à disposição para dialogar e aprender com outros saberes; e observar se estamos atentos às dimensões culturais e políticas dos discursos que produzimos e às estruturas de poder que, muitas vezes, ajudamos a alimentar.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-13 04:03:56 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>AULA 3</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3258259161</link>
         <description><![CDATA[<p>A terceira aula de nosso curso se debruçou sobre dois capítulos do livro <strong>“Microfísica do Poder” de Michel Foucault: "Verdade e Poder" e "Os intelectuais e o poder"</strong>. Nesta obra, o autor constrói uma análise profunda sobre a dinâmica do poder na sociedade contemporânea e se distancia da perspectiva apresentada por Marx, de que o poder é exercido somente em suas formas de dominação de um grupo social para outro. Foucault nos apresenta uma outra compreensão das relações entre poder e saber, e seu lugar na definição dos sujeitos e das práticas sociais.</p><p><br></p><p>O entendimento de poder em Foucault baseia-se no conceito de rede e atravessa todo o corpo social, até as estruturas microfísicas da nossa sociedade, em contraposição com a noção de poder em Marx. Para o autor, onde há poder também há resistência, onde pode surgir contra verdades. Elas desafiam os discursos dominantes e podem levar a mudanças na compreensão e nas normas da sociedade. </p><p><br></p><p>O poder está intimamente ligado ao saber, ou seja, à produção e à disseminação do conhecimento. O que é considerado “verdadeiro” ou “científico” muitas vezes reflete as estruturas de poder existentes. O saber não é neutro; ele é moldado por interesses políticos e econômicos que influenciam quais verdades são aceitas e quais são marginalizadas - o que ele denomina “regimes de verdade”. Assim, a verdade não é algo absoluto, mas um produto das relações de poder e dos discursos que elas sustentam.</p><p><br></p><p>Os intelectuais têm um papel fundamental nesta engrenagem, já que são atores significativos na regulação do conhecimento e da verdade. Foucault vai fazer, em seu texto, uma diferenciação entre os intelectuais. Os "intelectuais universais" seriam aqueles que defendem princípios universais de justiça, direitos e ética que transcendem contextos específicos. Voltaire e Zola são exemplos que atuaram como vozes morais da sociedade. No entanto, Foucault defende que, no contexto contemporâneo, essa função é tomada pelo "intelectual específico", alguém que, a partir de seu saber localizado, participa de lutas políticas e sociais concretas. São profissionais que expõem as dinâmicas de poder em microescala e desconstroem regimes de verdade. Se observamos as nossas lutas políticas atuais, constatamos o que tem acontecido: pensamos as lutas políticas em batalhas específicas, identitárias e contextualizadas na vida.</p><p><br></p><p>Os intelectuais específicos desempenham um papel crucial ao trazer à tona as dinâmicas de poder e questionar os regimes de verdade dominantes. Eles não apenas denunciam injustiças, mas também contribuem para a formulação de novos discursos e práticas que desafiam a hegemonia vigente. Podemos dizer que os intelectuais são, também, agentes da resistência. No entanto, essa resistência não se manifesta necessariamente como uma oposição frontal ou revolucionária, mas como uma série de lutas locais.</p><p><br></p><p>O texto foucaultiano oferece uma compreensão inédita das relações entre poder, saber e verdade. Ao destacar o caráter em rede do poder e sua atuação em microescala, Foucault se contrapõe as visões tradicionais e aponta para a importância das lutas específicas e do papel dos intelectuais na desestabilização de regimes de verdade. Sua obra nos convida a enxergar o poder não como algo que reprime, mas como uma força produtiva que regula práticas sociais e molda subjetividades. Ao mesmo tempo, reafirma a possibilidade de resistência, ainda que localizada, como uma forma de transformação social.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-13 04:22:17 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>AULA 2</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3258265971</link>
         <description><![CDATA[<p>Nos capítulos 2 e 3 do livro <strong> "Uma Outra Ciência é Possível: Manifesto por uma Desaceleração das Ciências" de Isabelle Stengers</strong> foco da nossa aula, a autora nos convida a repensar a ciência, historicamente vista como uma prática protegida pelo viés da neutralidade. Ao desnudar as dinâmicas, estruturas, valores e interesses que permeiam o fazer científico, ela expõe tensões que nos mobilizam a refletir criticamente sobre os rumos da pesquisa.</p><p><br></p><p>Ao trazer o conceito de “fibra do pesquisador”, a autora confirma o viés masculinizado da prática científica, onde não há espaço para distrações ou fragilidades. Eventos comuns na vida das mulheres, como a maternidade, não se encaixam nesse "ethos" do ser pesquisador, o que frequentemente as afasta, de forma implícita, do fazer científico. Foi justamente por acreditar que minha vida de mãe atípica de dois meninos autistas não caberia na universidade que demorei tanto tempo para ingressar no doutorado. Barreiras invisíveis afastam as mulheres, como eu,  da pesquisa, já que, nesse ponto de vista distorcido, somos associadas à subjetividade e à emoção, ficando relegadas às chamadas ciências humanas.</p><p><br></p><p>A fibra do pesquisador, portanto, estabelece uma relação direta com o sexo biológico, já que a ciência sempre foi vinculada à objetividade e à racionalidade, características frequentemente atribuídas aos homens. São eles que, segundo essa construção, suportam a pressão e os sacrifícios em nome da ciência, podendo se dedicar exclusivamente à atividade científica, isentos de muitas responsabilidades familiares por contarem com mulheres em sua retaguarda.</p><p><br></p><p>No capítulo subsequente, Stengers faz um convite à desaceleração das ciências, ao questionar a lógica mercadológica que tenta medir a ciência por números e rankings. Essa lógica sufoca pesquisadores e compromete sua capacidade de reflexão e inovação, elementos essenciais ao avanço científico. A aceleração na produção acadêmica não apenas cria distâncias artificiais entre a ciência e os saberes comunitários, mas também invisibiliza a pluralidade de ciências e de abordagens de pesquisa.</p><p><br></p><p>No âmbito do movimento pela desaceleração das ciências, a autora propõe um outro modelo de avaliação por pares, distinto do sistema atual, que se encontra desvirtuado pela pressão por produtividade, pelo aumento da competitividade e pela obsessão com métricas de impacto. </p><p><br></p><p>No cenário contemporâneo, o modelo de avaliação por pares frequentemente fomenta uma competição que enfraquece os laços de cooperação e sobrecarrega os pareceristas. A grande questão que ficou durante a nossa discussão sala foi: como conciliar uma produção cientifica mais autêntica dentro do que a CAPES aponta como produtividade? Como vamos nos posicionar enquanto doutorandos?</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-13 04:26:50 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>AULA 4</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3260374046</link>
         <description><![CDATA[<p>Neste encontro, discutimos dois textos: o primeiro de <strong>Chantal Mouffe “Por um modelo agnóstico de democracia”</strong> e o segundo de <strong>Marcelo Sevaybricker Moreira “Democracias no século XXI: causas, sintomas e estratégias para superar”</strong>. Ambos colocam em discussão a crise da democracia contemporânea sob pontos de vista distintos, apontando possibilidades de revitalização. A autora belga destaca o papel constitutivo do conflito na política, uma crítica a democracia deliberativa. Já o professor Moreira se detém sobre as causas estruturais da crise contemporânea, pontuando os possíveis caminhos para a sua superação, como o “catecismo cívico”.</p><p><br></p><p>Ao discutir sobre consenso e dissenso na democracia deliberativa, Mouffe vai afirmar que é ilusório crer em um consenso absoluto em sociedades pluralistas e que, ao eliminar o conflito, despolitiza-se o espaço público que é o cerne da política. O ponto-chave do modelo agonístico de democracia que ela propõe é transformar antagonismos (conflito entre inimigos) em agonismo (conflito entre adversários). Adversários compartilham princípios democráticos e ético-políticos (liberdade, igualdade), mas discordam sobre a forma de implementá-los. A crítica da autora se encontra com a discussão do professor Moreira que, ao destacar o crescimento do populismo e da polarização, confirma o fracasso das instituições democráticas em dialogar com os múltiplos interesses e identidades sociais.</p><p><br></p><p>Concomitantemente, Moreira nos aponta como a "tolerância mútua", um dos pilares das democracias liberais, vem sendo enfraquecida com a polarização e a radicalização ideológica. Mouffe também vem de encontro com essa visão ao apontar que o desafio não é eliminar o conflito, mas regular seu impacto dentro de limites democráticos. A questão é como possibilitar esse embate de ideias sem a destruição da legitimidade do outro.</p><p><br></p><p>Outro ponto de intercessão dos textos se refere a crítica de Mouffe à neutralidade política das teorias deliberativas e a análise de Moreira sobre a erosão gradual das democracias. Para o professor, a crise das democracias não é somente resultado do enfraquecimento dos ideais democráticos, mas tem como pano de fundo a concentração de poder nas mãos de corporações, a desigualdade econômica e a perda de conexão entre elites políticas e cidadãos comuns. O texto de Mouffe reforça o papel relevante do enfrentamento político de ideias, pois quando ele é silenciado em nome um consenso racional, a exclusão desses conflitos do debate público fortalece discursos autoritárias, que se apropriam dessas tensões e trazem soluções simplistas.</p><p><br></p><p>Enquanto Mouffe sugere um modelo agonístico que reconhece o conflito como um componente da democracia, Moreira investiga alternativas que oscilam entre o "salvacionismo elitista" e o "catecismo cívico". De acordo com o professor, ambas as abordagens não conseguem lidar com as contradições estruturais que sustentam a crise democrática. O chamado "salvacionismo elitista" acredita na habilidade das elites políticas para reverter a situação e restabelecer a democracia, porém desconsiderando a desconexão entre essas elites e o povo. Já o "catecismo cívico" se baseia na mobilização dos cidadãos, sem considerar que as desigualdades socioeconômicas e a fragmentação política impedem essa mobilização.</p><p><br></p><p>Dentro desse contexto, a sugestão de Mouffe oferece como alternativa um espaço de embates aberto, permitindo que interesses opostos sejam discutidos sem que haja exclusão ou repressão. Essa perspectiva valoriza o papel de elites e cidadãos em um processo constante de contestação democrática.</p><p><br></p><p>Os escritos de Mouffe e Moreira se alinham na crítica às restrições das democracias liberais, embora apresentem abordagens distintas para lidar com a crise. Enquanto Moreira busca identificar as causas e examinar as propostas já existentes, Mouffe sugere uma redefinição do conceito de democracia, reconhecendo o conflito como um elemento fundamental. A união dessas visões indica que a superação da crise democrática necessita tanto do enfrentamento de suas contradições estruturais quanto da reinvenção das práticas democráticas, a fim de abordar o pluralismo e o dissenso. Dessa forma, será possível reanimar a democracia como um espaço de competição legítima e inclusão real.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-15 00:10:56 UTC</pubDate>
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         <title>AULA 5 - parte II</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3260382787</link>
         <description><![CDATA[<p>Na segunda parte da aula, falamos sobre o livro "<strong>Guia Afetivo da Periferia"</strong>. Nele, Marcus Vinícius Faustini compartilha um retrato pessoal das periferias cariocas desconstruindo a narrativa que foca somente na marginalização histórica desses territórios. Contrariando o discurso que coloca a periferia como espaço de exclusão, o autor busca mostrar o quanto de potência há nesta parte da cidade, com registros da infância e da vida adulta.</p><p><br></p><p>Ao longo do livro, fica evidente que o seu ponto central é a dimensão afetiva da relação entre os moradores e os espaços periféricos. Com passagens autobiográficas e diversas imagens, Faustini utiliza suas próprias memórias e experiências para construir uma geografia afetiva da periferia e que formam a base de sua identidade. Ele resgata a importância da vida em família e de pequenos prazeres do cotidiano de vida nas periferias e que funcionam como escapes frente as limitações econômicas, como o churrasquinho na rodoviária ou seus deslocamentos entre as casas de parentes. Essa geografia afetiva cria uma cartografia emocional da periferia, que dás nome a segunda parte do livro, ao dar significado simbólico a alguns lugares como Madureira e Santa Cruz e ressalta o valor afetivo das feiras, trens e esquinas, que servem de ponto de encontro e conexão social, contrastando com os espaços elitizados do centro. </p><p><br></p><p>Pensando ainda a contraposição entre as periferias e os centros urbanos, o autor vai questionar as hierarquias que subordinam os territórios periféricos. Ele rejeita a dicotomia que considera o centro como o único espaço de valor e aprendizado ao apontar as lições sobre coletividade, resiliência e inovação que a periferia traz. Apesar disso, Faustini discute as dificuldades de locomoção, como a dependência dos horários dos ônibus e trens e as esperas prolongadas, que refletem a segregação espacial e social. Ao descrever sua vivência nos deslocamentos para o centro do Rio de Janeiro, vai desenhando como a cidade é sentida de forma distinta a partir da periferia. Esses trajetos cotidianos reforçam a separação entre os dois mundos e que as barreiras entre esses dois lugares podem ser reconfiguradas pelas narrativas de seus moradores.</p><p><br></p><p>O mais interessante no desenvolvimento do livro é a última parte, onde Faustini com uma perspectiva afetiva e nostálgica, utiliza episódios da infância como um meio de refletir sobre a relação com os espaços da periferia. Há detalhes do cotidiano que, à primeira vista, podem parecer triviais, mas ganham significado profundo em sua narrativa como as brincadeiras com os amigos, como tomar banho de chuva sob calhas, jogar bola na lama, o fliperama e a busca por beleza nos ambientes em que transitava na infância, como as casas de parentes.</p><p><br></p><p>Ao rememorar sua infância, o autor não apenas recupera momentos pessoais, mas utiliza essas narrativas para refletir sobre as dinâmicas sociais e culturais da periferia, valorizando-as como espaços ricos de afeto, resistência e criatividade. Seu relato  me trouxe muitas lembranças doces de infância, foi inevitável não se identificar e voltar os olhos também para a minha história.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-15 00:57:48 UTC</pubDate>
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      </item>
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         <title>AULA 6</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3260399632</link>
         <description><![CDATA[<p>Na sexta aula da nossa disciplina, dialogamos com o livro de <strong>Tiaraju Pablo D’Andrea</strong>,  <strong>"40 ideias de periferia"</strong>. Professor da Unifesp, o autor nasceu em Itaquera, na periferia da capital paulista, e, a partir de sua bagagem familiar vinculada a movimentos sociais e de sua vivência como morador desse espaço, coloca a periferia no centro de sua obra. No livro, ele retrata as formas como a periferia foi historicamente vista e analisada pelo pensamento hegemônico, traça uma história das periferias de São Paulo desde as mobilizações populares da década de 1980 até o contemporâneo governo de extrema-direita e, por fim, arrisca propor algumas saídas políticas.</p><p><br></p><p>O livro apresenta questões que fomentam o debate, oferecendo um sobrevoo panorâmico sobre as periferias urbanas de São Paulo nos últimos 40 anos. A discussão é fortemente marcada pelas particularidades da metrópole paulistana, mas não impede correlações com outras periferias. A narrativa parte de 1980 e chega até 2021, organizada em 40 tópicos de fácil leitura, divididos em três blocos:</p><p><br></p><p>Até o tópico 8, o autor analisa as visões externas sobre a periferia, problematizando como a universidade, a mídia, a publicidade e os políticos percebem os moradores desse território urbano. Essas visões, geralmente, tendem a catalogar e classificar de forma totalizante e homogênea, negando a complexidade e a heterogeneidade que caracterizam esse espaço.</p><p><br></p><p>Do tópico 9 ao 29, o livro reconstrói os principais acontecimentos históricos das periferias urbanas de São Paulo desde a década de 1980. Passa pelos anos 1990 e 2000, com destaque para as eleições dos presidentes Lula e Dilma, e foca especialmente nos desdobramentos a partir de 2013. Esse ano marca o início de uma série de eventos políticos com implicações significativas nas periferias urbanas.</p><p><br></p><p>Do tópico 27 ao 35, o autor aborda a periferia no contexto da pandemia de covid-19, que é colocada como uma grande derrota histórica para a classe trabalhadora mais vulnerável, majoritariamente presente nesses territórios. A fragilidade observada pode ser descrita como “condições de produção de uma tragédia”, construída até 2019 em meio a uma grave crise política, desconfiança no sistema eleitoral, adesão de parte da população a discursos antidemocráticos, instituições políticas fragilizadas, a operação Lava Jato, uma crise econômica instalada, além das reformas previdenciária e trabalhista, que enfraqueceram ainda mais a classe trabalhadora. Esses fatores somaram-se ao desmonte dos serviços públicos e a uma crise sanitária já normalizada, expressa na ocupação precária do espaço urbano.</p><p><br></p><p>Nesse cenário, a pandemia de covid-19 atingiu com força a periferia e dificultou a organização popular, uma estratégia fundamental para resolver coletivamente questões materiais com base na solidariedade. O autor destaca em alguns tópicos a importância da solidariedade como força mobilizadora durante a pandemia, preenchendo o vazio deixado pela ausência de assistência estatal. Exemplos disso incluem a distribuição de cestas básicas e a confecção de máscaras. Trata-se do espírito do “nóis por nóis”, uma herança africana de organização e resiliência comunitária.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-15 02:02:47 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>AULA 7</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3260402919</link>
         <description><![CDATA[<p>Nossa sétima aula foi uma imersão a uma iniciativa cultural relevante para o território da Baixada Fluminense: o cineclube “Mate com Angu”. A região, historicamente associada a pobreza e deficiência, possui uma riqueza cultural invisibilizada pela mídia que frequentemente reforçam estereótipos de violência. Nesse contexto, o cineclube, fundado em 2002, surgiu como uma iniciativa de resistência e transformação social, utilizando a arte audiovisual para ressignificar o território e fortalecer a identidade regional. Logo de início, os idealizadores já sabiam o que não queriam ser: nem um ponto de apoio para os políticos locais e tão pouco um espaço para ocupar e educar o tempo dos jovens.</p><p><br></p><p>O cineclube surge da inquietação jovem de fomentar discussões sobre a produção e exibição de imagens sobre e na Baixada Fluminense. O nome "Mate com Angu" não foi escolhido ao acaso: é resgatar a memória da professora Armanda, ícone de uma micro revolução educacional e política na região, que foi praticamente apagada da história. Essa escolha foi motivada por tornar conhecida a trajetória incrível dessa educadora.</p><p><br></p><p>A relação do Cineclube com a nossa Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) remonta ao início do projeto. Havia muitos aliados com projetos de mídia – representados pela figura do professor Mauro Costa – simpáticos à ideia do cineclube. Contudo, a iniciativa buscava retirar da UERJ o protagonismo de falar sobre a Baixada e devolvê-lo ao povo. Essa aproximação não deveria, de forma alguma, resultar em um processo de institucionalização do cineclube. Tratava-se de um esforço do cineclube para ampliar a sua visibilidade sem perder a sua autonomia criativa.</p><p><br></p><p>O conceito de comunidade, conforme descrito por Zygmunt Bauman, é central na atuação do cineclube. A exemplo das conexões estabelecidas com a FEBF, a mudança de local para a Lira de Ouro exemplifica como o “Mate com Angu” transforma espaços urbanos em territórios de encontros culturais e sociais, resgatando sua relevância para a coletividade. </p><p><br></p><p>Por meio da exibição de filmes locais, o cineclube também questiona a recepção e a valorização de narrativas sobre a Baixada. Embora essas produções sejam aplaudidas fora da região, enfrentam resistência interna, evidenciando questões entre autoimagem da população da cidade. A lenda do "Homem da Capa Preta" exemplifica essa situação: como uma narrativa popular influencia negativamente a identidade local. Ligada temporalmente à migração nordestina e à repressão da ditadura militar, essa figura mítica reforça ideia da Baixada como a terra de pistolagem. O cineclube, ao revisitar e reinterpretar essas narrativas no terreno do simbólico, não apenas desafia mitos sobre a Baixada, mas contribui para desconstruir a ideia de que a Baixada é definida apenas pela escassez, revelando-a como um território de poder criativo e cultural. </p><p><br></p><p>O "Mate com Angu" transcende sua função como espaço de exibição cinematográfica, afirmando-se como um agente de transformação social e cultural na Baixada Fluminense. Ao articular cultura, comunidade e comunicação, o cineclube mostra a importância de reescrever narrativas e fortalecer identidades locais, provando que a arte pode ser uma poderosa ferramenta de resistência e empoderamento da periferia.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-15 02:20:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>AULA 8</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3265861046</link>
         <description><![CDATA[<p>Os seguintes textos foram destacados para a discussão do oitavo encontro da disciplina e serão aprofundados a seguir:</p><p><br/></p><p>Livros:</p><p><br/></p><ul><li><p>KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p></li><li><p>SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, Quilombos, Modos e Significações. Brasília: INCTI/UnB, 2015. </p></li><li><p>SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.</p></li></ul><p><br/></p><p>Artigos:</p><ul><li><p>GOMES, Rosivaldo; LATTIES, Lílian. Linguagens e resistências na formação de professores: formando professores críticos a partir dos estudos de letramento. In: SOUZA, Ana Lúcia (Orga). Cultura política nas periferias: estratégias de reexistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. p.237-256.</p></li><li><p>MORAES, André Luiz; SOUZA, Vanessa Cristina Dias de. Juventude de terreiro da região metropolitana de Campinas: memória, desafios e avanços. In: SOUZA, Ana Lúcia (Orga). Cultura política nas periferias: estratégias de reexistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. p.43-56.</p></li><li><p>MUNIZ, Kassandra. Linguagem como mandinga: população negra e periférica reinventando epistemologias. In: SOUZA, Ana Lúcia (Orga). Cultura política nas periferias: estratégias de reexistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. p.273-288.</p></li></ul><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-18 04:41:36 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Aula 9</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3265868861</link>
         <description><![CDATA[<p>Os seguintes textos foram destacados para a discussão do nono encontro da disciplina e serão aprofundados a seguir:</p><p><br></p><p>Livros:</p><p><br></p><ul><li><p>KRENAK, Ailton. O amanhã não está à venda. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.</p><p><br></p></li><li><p>KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.</p></li></ul><p><br></p><p>Artigos:</p><p><br></p><ul><li><p>CÉSAR, Chico; PEREIRA, Richard. #Parem de nos Matar!. In: SOUZA, Ana Lúcia (Orga). Cultura política nas periferias: estratégias de reexistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. p.19-40.</p><p><br></p></li><li><p>SANTOS, Patrícia Cerqueira dos; SILVA, Eula Cristina da. Slam na Escola – Uma reflexão docente sobre o quanto aprender com os estudantes revela da cultura escolar. In: SOUZA, Ana Lúcia (Orga). Cultura política nas periferias: estratégias de reexistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. p.375-387.</p></li></ul><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-18 04:49:06 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>AULA 5 - parte I</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3270169128</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p>A primeira parte da aula aconteceu a partir da discussão do texto de Aníbal Quijano, "<strong>Colonialidade e Modernidade/Racionalidade"</strong>, no qual o autor desenvolve a discussão de que a colonialidade ainda é uma estrutura de poder mesmo após o fim da política governamental colonial, já que segue sendo uma lógica que determina as hierarquias sociais, culturais e epistemológicas no mundo contemporâneo.</p><p><br></p><p>Quijano explicita que a colonização das Américas pelos europeus engendrou uma nova ordem global em que a Europa e o Ocidente estariam no centro da racionalidade e do conhecimento, relegando o restante do mundo – África, América e Ásia – a uma posição subalterna, Nesse processo, impuseram padrões culturais, epistemológicos e econômicos, deslegitimando formas de conhecimento consideradas "exóticas" ou inferiores e desmantelando as economias desses territórios É o que Quijano chama de colonialidade do poder.</p><p><br></p><p>Para o autor, a colonialidade do poder está conectada a modernidade europeia que impõe a sua racionalidade como universal, justificativa para o domínio europeu no campo cultural e epistemológico. Essa lógica solidificou construções sociais como raça, que através do racismo, foi utilizada para legitimar e perpetuar a subordinação das populações colonizadas. Essa estrutura ainda persiste e influencia o conhecimento que produzimos.</p><p><br></p><p>Quijano também critica o paradigma racionalista cartesiano, pautado em uma visão individualista, reducionista e limitada do conhecimento. Ao não reconhecer a complexidade das interações culturais e dos diversos modos de produção de conhecimento que não seguem a lógica ocidental, este paradigma estabeleceu com a externalidade uma relação de “sujeito” e “objeto”. Dessa forma, bloqueou o intercâmbio de conhecimentos entre culturas.</p><p><br></p><p>O autor reitera a necessidade de uma descolonização epistemológica, que pressupõe libertar a produção do conhecimento, a reflexão e a comunicação da racionalidade/modernidade europeia. É a ideia de totalidade que, longe de negar, requer a coexistência e a articulação de diversas “lógicas” históricas. O processo de descolonização epistemológica inaugura uma nova comunicação intelectual baseada na troca de experiências e significados, sem a pretensão de impor uma única cosmovisão. É também parte de um processo mais amplo de libertação social, que visa desmantelar estruturas de poder organizadas em torno de desigualdades, discriminação, exploração e dominação.</p><p> </p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-23 01:25:21 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>AULA 8 - livros</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3273516624</link>
         <description><![CDATA[<p>No livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo , Ailton Krenak apresenta uma crítica antropocentrismo e de que forma o capitalismo desconectou a humanidade da natureza. Com base na cosmovisão indígena, o autor propõe uma reflexão sobre a relação entre os seres humanos e a Terra.</p><p><br/></p><p>Um dos principais argumentos do livro é a noção de progresso que justifica uma exploração desenfreada dos recursos naturais e marginaliza grupos que vivem em harmonia com a natureza, como os povos indígenas e comunidades tradicionais. </p><p><br/></p><p>Outro ponto central é a crítica ao conceito de sustentabilidade, que, segundo o autor, muitas vezes serve apenas para maquiar práticas predatórias. Ele questiona a ideia de que o desenvolvimento econômico e o cuidado ambiental podem coexistir dentro do atual sistema capitalista.</p><p><br/></p><p>Krenak também enfatiza a importância do sonho e da imaginação como formas de resistência. Ele sugere que a humanidade precisa recuperar a capacidade de se reconectar com a Terra de maneira simbólica e espiritual.</p><p><br/></p><p>Ao concluir o livro, o autor propõe que adiemos o "fim do mundo" por meio de pequenas ações coletivas que desafiem o modelo de exploração atual e valorizem modos de vida sustentáveis e éticos. </p><p><br/></p><p>*****</p><p><br/></p><p>Nos livros "Colonização, Quilombos: Modos e Significados" e "A Terra Dá, a Terra Quer", Antônio Bispo dos Santos nos traz uma reflexão sobre impactos da colonização a partir de suas vivências como quilombola. Nêgo Bispo foi um lavrador, poeta, escritor, professor, ativista político. Ele atuou em movimentos sociais e em organizações de defesa da cultura dos quilombos e viveu boa parte de sua vida no Quilombo Saco-Curtume (PI).</p><p><br/></p><p>Os dois livros compreendem a colonização como um processo de invasão, expropriação, etnocídio, subjugação e substituição de uma cultura pela outra. Não se trata somente de um projeto de invasão territorial, mas de apagamento de identidades dos povos contra colonizados. Nesse sentido, a religião é um elemento central pois implica na imposição uma visão monoteísta e hierárquica, que legitimou o trabalho escravo, a exploração ambiental e a dominação cultural. Assim, a relação com a natureza que a visão cristã promove vê a natureza como recurso explorável e a ser dominada, enquanto os povos dos quilombos e outras comunidades tradicionais valorizavam a horizontalidade, a reciprocidade e a interação harmoniosa com os elementos naturais. </p><p><br/></p><p>Ambos os livros apresentam os quilombos como espaços de resistência e resgatam a memória de comunidades como Canudos e Palmares que se organizaram em torno de valores como autonomia, sustentabilidade e coletividade. Assim como estes espaços foram destruídos e criminalizados no passado, o presente dos quilombos não é muito diferente. Daí a sua existência ser um ato de resistência.</p><p><br/></p><p>A biointeração é o conceito de destaque nos dois livros e propõe uma convivência harmoniosa entre humanos e natureza. Em oposição ao desenvolvimentismo predatório, Bispo defende práticas comunitárias e sustentáveis, baseadas no cuidado e na coletividade. </p><p><br/></p><p>Outra ideia recorrente é a crítica ao modelo educacional eurocêntrico, que perpetua narrativas colonizadoras e desvaloriza os saberes tradicionais. Bispo propõe uma educação descolonizadora, que reconheça as práticas e histórias das comunidades quilombolas, indígenas e afrodescendentes. </p><p><br/></p><p>Os livros de Nego Bispo são, ao mesmo tempo, uma denúncia contra o legado da colonização e um manifesto em defesa das culturas tradicionais. "Colonização, Quilombos: Modos e Significados" e "A Terra Dá, a Terra Quer" divulgam a necessidade de romper com o modelo civilizatório atual e de construir alternativas baseadas na reciprocidade, na coletividade e no respeito à Terra. </p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-29 22:54:47 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>AULA 9 - Livros </title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3276222667</link>
         <description><![CDATA[<p><mark>Em processo</mark></p><p><br/></p><p>Ailton Krenak, em suas obras<strong> Futuro Ancestral</strong> e <strong>O Amanhã Não Está à Venda</strong>, faz uma crítica ao modelo civilizatório e nos apresenta a cosmovisão indígena que se baseia na harmonia entre o homem e a natureza. Os dois livros trazem reflexões sobre as consequências negativas do antropocentrismo e ao mesmo tempo, vai propor alternativas com base em valores éticos, sustentáveis e comunitários.</p><p><br/></p><p>Um dos principais pontos de convergência entre os dois textos é a crítica ao antropocentrismo que sobrepõe a vida humana perante todas as formas de vida do planeta e por isso, justificando a exploração dos recursos naturais. A resposta do planeta a essa relação exploratória é o tema principal de “O Amanhã Não Está à Venda”, que foi a pandemia de Covid-19. O vírus veio dizer que esses modos de vida são totalmente insustentáveis, mostrando a fragilidade da humanidade.</p><p><br/></p><p>As duas obras vão mostrar a importância dos saberes ancestrais dos povos indígenas, que enxergam a Terra como um organismo vivo e digno de respeito. Krenak propõe um “futuro ancestral” onde a valorização de uma conexão espiritual e simbiótica com a Terra substitua a visão utilitarista e predatória da natureza. </p><p><br/></p><p>Para o autor, a Covid-19 foi um momento de repensar a dita “normalidade” e que, diante de tantas perdas de vidas humanas, a pausa global imposta pela pandemia deve ser encarada como um momento de reavaliação de prioridades Valores como silêncio, cuidado e introspecção, preservados por comunidades tradicionais, podem servir de guia para uma transformação mais ampla.  </p><p><br/></p><p>A discussão mobilizada pelo autor vai além da crítica: é um convite à transformação. Ele propõe uma aliança afetiva entre humanos e natureza, abandonando a lógica predatória do capitalismo e adotando práticas que respeitem a Terra como fonte de vida. Nestas obras, o autor oferece uma visão alternativa ao paradigma atual, mostrando que a diversidade cultural e ambiental é essencial para a sobrevivência e a regeneração do planeta.  </p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-12-31 03:33:39 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Aula 9 - artigos</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3278140589</link>
         <description><![CDATA[<p>Os artigos apresentados trazem como ideia central o papel do SLAM (prática cultural derivada do hip-hop e do rap) enquanto meio poderoso para abordar questões sociais críticas enfrentadas por comunidades marginalizadas. Na escola, o uso da poesia falada como ferramenta pedagógica trouxe não apenas o protagonismo aos alunos, mas também expôs os limites e possibilidades do ambiente escolar na promoção de uma educação mais inclusiva. No segundo artigo, o SLAM serve como uma voz para as lutas da juventude negra, pobre e periférica. Ele articula a dor de viver em uma sociedade marcada pela violência e pelo racismo sistêmico.</p><p><br></p><p>Os dois artigos convergem ao ver os SLAM não apenas plataformas de expressão artística, mas também como espaços de empoderamento. A liberdade de criação e a oralidade permite que os jovens recuperem suas narrativas e desafiem as normas sociais, abordando temas muitas vezes silenciados nos espaços tradicionais da escola e mesmo fora dela.</p><p><br></p><p>Cesar e Pereira argumentam que a educação para essas comunidades geralmente ocorre fora das instituições tradicionais. As ruas e os encontros culturais se tornam salas de aula onde os indivíduos aprendem sobre sua história, identidade e a política. Santos e Silva, apresentam os desafios da implementação do SLAM na escola revelou desafios significativos, como as resistências culturais e religiosas, exemplificadas por críticas de pais e corpo docente, apontaram a necessidade de maior diálogo sobre diversidade e liberdade de expressão no ambiente educacional. </p><p><br></p><p>Em conclusão, os artigos argumentam que poesia e SLAM não são meramente empreendimentos artísticos, mas ferramentas vitais para a crítica social e a mudança. Eles fornecem uma plataforma para vozes marginalizadas, educam comunidades e inspiram ações coletivas contra as injustiças sistêmicas</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-01 16:21:30 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Aula 8 - artigos</title>
         <author>gizaguerra</author>
         <link>https://padlet.com/gizaguerra/bfcto8e2ywbup3ko/wish/3278140918</link>
         <description><![CDATA[<p>Os textos <em>"Juventude de Terreiro da Região Metropolitana de Campinas: Memória, Desafios e Avanços"</em> , de André Luiz Moraes e Vanessa Cristina Dias de Souza, <em>"Linguagem como Mandinga: População Negra e Periférica Reinventando Epistemologias"</em> , de Kassandra Muniz, e <em>"Linguagens e Resistências na Formação de Professores: Formando Professores Críticos a partir dos Estudos de Letramento"</em> convergem em um eixo central: a valorização da linguagem, da educação e das práticas culturais como formas de resistência e transformação social, especialmente para populações historicamente marginalizadas.</p><p><br/></p><p>Juventude de Terreiro: Memória e Protagonismo</p><p>O artigo sobre a Juventude de Terreiro descreve um projeto que articula jovens de comunidades de matriz africana na Região Metropolitana de Campinas, promovendo pertencimento, valorização das tradições e protagonismo político. Com foco na resistência à intolerância religiosa e ao racismo estrutural, os encontros anuais integram educação política e práticas culturais, como capoeira e ritmos ancestrais, criando um espaço híbrido que une tradição e inovação. Os autores destacam a importância do diálogo e da diversidade interna, superando preconceitos e fortalecendo a capacidade de organização coletiva dos jovens.</p><p><br/></p><p>Linguagem como Mandinga: Ferramenta de Resistência</p><p>No texto de Kassandra Muniz, a linguagem é apresentada como um espaço de poder e criação para a população negra e periférica. O conceito de "mandinga" traduz a capacidade de transformar dor e exclusão em estratégias criativas e subversivas, incorporando elementos de oralidade, corporeidade e performatividade. Inspirado em Conceição Evaristo e bell hooks, Muniz enfatiza a ideia de <em>escrevervência</em> , que conecta a escrita às experiências vívidas, desafiando normas literárias e epistemológicas. A encruzilhada, como espaço de múltiplas possibilidades, surge como metáfora central para a articulação entre ancestralidade, academia e vida cotidiana.</p><p><br/></p><p>Letramento Crítico na Formação de Professores</p><p>O terceiro artigo aborda a formação de professores sob uma perspectiva decolonial, propondo o <em>texto crítico</em> como ferramenta para desafiar as estruturas de poder nas práticas educacionais. Os autores discutem o impacto da colonialidade e defendem uma educação que promova a autorreflexão, a redistribuição do poder e a incorporação de práticas de resistência no ensino de línguas. Essa abordagem busca formar professores capazes de dialogar com as dinâmicas de dominação histórica e estrutural, acompanhando a linguagem como um espaço de justiça.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-01-01 16:22:43 UTC</pubDate>
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