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      <title>PESSOA(S) PELO MEU OLHAR by Maria Clementina Marques Gomes</title>
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      <language>en-us</language>
      <pubDate>2024-11-22 12:02:47 UTC</pubDate>
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         <title>Alberto Caeiro</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Alberto Caeiro</p><p><strong>XXVII - Só a Natureza é divina, e ela não é divina...</strong></p><p>XXVII</p><p>&nbsp;</p><p>Só a Natureza é divina, e ela não é divina...</p><p>&nbsp;</p><p>Se às vezes falo dela como de um ente</p><p>É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens</p><p>Que dá personalidade às coisas,</p><p>E impõe nome às coisas.</p><p>&nbsp;</p><p>Mas as coisas não têm nome nem personalidade:</p><p>Existem, e o céu é grande e a terra larga,</p><p>E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...</p><p>&nbsp;</p><p>Bendito seja eu por tudo quanto não sei.</p><p>Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:11:14 UTC</pubDate>
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         <title>Fernando Pessoa              </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>IV. O MOSTRENGO</p><p>IV</p><p>O MOSTRENGO</p><p>O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; À roda da nau voou três vezes,</p><p>Voou três vezes a chiar,</p><p>E disse: «Quem é que ousou entrar</p><p>Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do leme disse, tremendo: «El-Rei D. João Segundo!»</p><p>«De quem são as velas onde me roço? De quem as quilhas que vejo e ouço?» Disse o mostrengo, e rodou três vezes, Três vezes rodou imundo e grosso,</p><p>«Quem vem poder o que só eu posso, Que moro onde nunca ninguém me visse E escorro os medos do mar sem fundo?» E o homem do leme tremeu, e disse: «El-Rei D. João Segundo!»</p><p>Três vezes do leme as mãos ergueu,</p><p>Três vezes ao leme as reprendeu,</p><p>E disse no fim de tremer três vezes:</p><p>«Aqui ao leme sou mais do que eu:</p><p>Sou um Povo que quer o mar que é teu;</p><p>E mais que o mostrengo, que me a alma teme</p><p>E roda nas trevas do fim do mundo; Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!»</p><p>9-9-1918</p><p>Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Pa</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:11:54 UTC</pubDate>
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         <title>Fernando Pessoa</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>A montanha por achar</p><p><br></p><p>A montanha por achar</p><p>Há-de ter, quando a encontrar,</p><p>Um templo aberto na pedra</p><p>Da encosta onde nada medra.</p><p><br></p><p><br></p><p>O santuário que tiver,</p><p>Quando o encontrar, há-de ser</p><p>Na montanha procurada</p><p>E na gruta ali achada.</p><p><br></p><p><br></p><p>A verdade, se ela existe,</p><p>Ver-se-á que só consiste</p><p>Na procura da verdade,</p><p>Porque a vida é só metade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:12:07 UTC</pubDate>
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         <title>Fernando Pessoa</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229909374</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A estrada, como uma senhora,</strong></p><p>A estrada, como uma senhora,</p><p>Só dá passagem legalmente.</p><p>Escrevo ao sabor quente da hora</p><p>Baldadamente.</p><p><br/></p><p>Não saber bem o que se diz</p><p>É um pouco sol e um pouco alma.</p><p>Ah, quem me dera ser feliz.</p><p>Teria isto, mais a calma.</p><p><br/></p><p>Bom campo, estrada com cadastro,</p><p>Legislação entre erva nata.</p><p>Vai atar a alma com um nastro</p><p>Só para ver quem ma desata</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:12:46 UTC</pubDate>
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         <title></title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>Alberto Caeiro</p><p>V — Há metafísica bastante em não pensar em nada.</p><p><br></p><p>Há metafísica bastante em não pensar em nada.</p><p><br></p><p>O que penso eu do Mundo?</p><p>Sei lá o que penso do Mundo!</p><p>Se eu adoecesse pensaria nisso.</p><p><br></p><p>Que ideia tenho eu das coisas?</p><p>Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?</p><p>Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma</p><p>E sobre a criação do Mundo?</p><p>Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos</p><p>E não pensar. É correr as cortinas</p><p>Da minha janela (mas ela não tem cortinas).</p><p><br></p><p>O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!</p><p>O único mistério é haver quem pense no mistério.</p><p>Quem está ao sol e fecha os olhos,</p><p>Começa a não saber o que é o Sol</p><p>E a pensar muitas coisas cheias de calor.</p><p>Mas abre os olhos e vê o Sol,</p><p>E já não pode pensar em nada,</p><p>Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos</p><p>De todos os filósofos e de todos os poetas.</p><p>A luz do Sol não sabe o que faz</p><p>E por isso não erra e é comum e boa.</p><p><br></p><p>Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores</p><p>A de serem verdes e copadas e de terem ramos</p><p>E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,</p><p><br></p><p>A nós, que não sabemos dar por elas.</p><p>Mas que melhor metafísica que a delas,</p><p>Que é a de não saber para que vivem</p><p>Nem saber que o não sabem?</p><p><br></p><p>«Constituição íntima das coisas». . .</p><p>«Sentido íntimo do Universo». . .</p><p>Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.</p><p>É incrível que se possa pensar em coisas dessas.</p><p>É como pensar em razões e fins</p><p>Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores</p><p>Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.</p><p><br></p><p>Pensar no sentido íntimo das coisas</p><p>É acrescentado, como pensar na saúde</p><p>Ou levar um copo à água das fontes.</p><p><br></p><p>O único sentido íntimo das coisas</p><p>É elas não terem sentido íntimo nenhum.</p><p><br></p><p>Não acredito em Deus porque nunca o vi.</p><p>Se ele quisesse que eu acreditasse nele,</p><p>Sem dúvida que viria falar comigo</p><p>E entraria pela minha porta dentro</p><p>Dizendo-me, Aqui estou!</p><p><br></p><p>(Isto é talvez ridículo aos ouvidos</p><p>De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,</p><p>Não compreende quem fala delas</p><p>Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)</p><p><br></p><p>Mas se Deus é as flores e as árvores</p><p>E os montes e sol e o luar,</p><p>Então acredito nele,</p><p>Então acredito nele a toda a hora,</p><p>E a minha vida é toda uma oração e uma missa,</p><p>E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.</p><p><br></p><p>Mas se Deus é as árvores e as flores</p><p>E os montes e o luar e o sol,</p><p>Para que lhe chamo eu Deus?</p><p>Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;</p><p>Porque, se ele se fez, para eu o ver,</p><p>Sol e luar e flores e árvores e montes,</p><p>Se ele me aparece como sendo árvores e montes</p><p>E luar e sol e flores,</p><p>É que ele quer que eu o conheça</p><p>Como árvores e montes e flores e luar e sol.</p><p><br></p><p>E por isso eu obedeço-lhe,</p><p>(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),</p><p>Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,</p><p>Como quem abre os olhos e vê,</p><p>E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,</p><p>E amo-o sem pensar nele,</p><p>E penso-o vendo e ouvindo,</p><p>E ando com ele a toda a hora.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:12:51 UTC</pubDate>
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         <title>Fernando Pessoa (Marta Oliveira)</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229910576</link>
         <description><![CDATA[<p><br></p><p><strong>L’HOMME</strong></p><p><br></p><p><br></p><p>Não: toda a palavra é a mais. Sossega!</p><p>Deixa, da tua voz, só o silêncio anterior!</p><p>Como um mar vago a uma praia deserta, chega</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao meu coração a dor.</p><p><br></p><p>Que dor? Não sei. Quem sabe saber o que sente?</p><p>Nem um gesto. Sobreviva apenas ao que tem que morrer</p><p>O luar e a hora e o vago perfume indolente</p><p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E as palavras por dizer. </p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:13:47 UTC</pubDate>
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         <title>Alberto Caeiro</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>XLV - Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.</strong></p><p><br></p><p>XLV</p><p>&nbsp;</p><p>Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.</p><p>Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.</p><p>Renque e o plural árvores não são coisas, são nomes.</p><p>&nbsp;</p><p>Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,</p><p>Que traçam linhas de coisa a coisa,</p><p>Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,</p><p>E desenham paralelos de latitude e longitude</p><p>Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:14:17 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Fernando Pessoa</title>
         <author>a46463</author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229912159</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>A nuvem veio e o sol parou.</strong></p><p>A nuvem veio e o sol parou.</p><p>Foi vento ou ocasião que a trouxe?</p><p>Não sei: a luz se nos velou</p><p>Como se luz a sombra fosse.</p><p><br/></p><p>Às vezes, quando a vida passa</p><p>Por sobre a alma que é ninguém,</p><p>A sensação torna-se baça</p><p>E pensar é não sentir bem.</p><p><br/></p><p>Sim, é como isto: pelo céu</p><p>Vai uma nuvem destroçada</p><p>Que é véu, mau véu, ou quase véu,</p><p>E, como tudo, não é nada.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:15:15 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Alberto Caeiro</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229912169</link>
         <description><![CDATA[<p>Alberto Caeiro</p><p><strong>A espantosa realidade das coisas</strong></p><p>A espantosa realidade das coisas</p><p>É a minha descoberta de todos os dias.</p><p>Cada coisa é o que é,</p><p>E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,</p><p>E quanto isso me basta.</p><p><br></p><p>Basta existir para se ser completo.</p><p><br></p><p>Tenho escrito bastantes poemas.</p><p>Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.</p><p>Cada poema meu diz isto,</p><p>E todos os meus poemas são diferentes,</p><p>Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.</p><p><br></p><p>Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.</p><p>Não me ponho a pensar se ela sente.</p><p>Não me perco a chamar-lhe minha irmã.</p><p>Mas gosto dela por ela ser uma pedra,</p><p>Gosto dela porque ela não sente nada,</p><p>Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.</p><p><br></p><p>Outras vezes oiço passar o vento,</p><p>E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.</p><p><br></p><p>Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;</p><p>Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,</p><p>Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;</p><p>Porque o penso sem pensamentos,</p><p>Porque o digo como as minhas palavras o dizem.</p><p><br></p><p>Uma vez chamaram-me poeta materialista,</p><p>E eu admirei-me, porque não julgava</p><p>Que se me pudesse chamar qualquer coisa.</p><p>Eu nem sequer sou poeta: vejo.</p><p>Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:</p><p>O valor está ali, nos meus versos.</p><p>Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:15:15 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Alberto Caeiro </title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229912436</link>
         <description><![CDATA[<p><strong>XXIII - O meu olhar azul como o céu</strong></p><p><br/></p><p>XXIII</p><p><br/></p><p>O meu olhar azul como o céu</p><p>É calmo como a água ao sol.</p><p>É assim, azul e calmo,</p><p>Porque não interroga nem se espanta...</p><p><br/></p><p>Se eu interrogasse e me espantasse</p><p>Não nasciam flores novas nos prados</p><p>Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo...</p><p>(Mesmo se nascessem flores novas no prado</p><p>E se o sol mudasse para mais belo,</p><p>Eu sentiria menos flores no prado</p><p>E achava mais feio o sol...</p><p>Porque tudo é como é e assim é que é,</p><p>E eu aceito, e nem agradeço,</p><p>Para não parecer que penso nisso…)</p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:15:33 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Fernando Pessoa </title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229915629</link>
         <description><![CDATA[<p>Como um vento na floresta </p><p><br/></p><p>Como um vento na floresta,</p><p>Minha emoção não tem fim.</p><p>Nada sou, nada me resta.</p><p>Não sei quem sou para mim.</p><p><br/></p><p>E como entre os arvoredos</p><p>Há grandes sons de folhagem,</p><p>Também agito segredos</p><p>No fundo da minha imagem.</p><p><br/></p><p>E o grande ruído do vento</p><p>Que as folhas cobrem de som</p><p>Despe-me do pensamento:</p><p>Sou ninguém, temo ser bom. </p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:18:15 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Alberto Caeiro</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229917019</link>
         <description><![CDATA[<p><br/></p><p><strong>XVII - No meu prato que mistura de Natureza!</strong></p><p>XVII</p><p>&nbsp;</p><p>No meu prato que mistura de Natureza!</p><p>As minhas irmãs as plantas,</p><p>As companheiras das fontes, as santas</p><p>A quem ninguém reza...</p><p>&nbsp;</p><p>E cortam-se e vêm à nossa mesa</p><p>E nos hotéis os hóspedes ruidosos,</p><p>Que chegam com correias tendo mantas</p><p>Pedem «Salada», descuidosos…,</p><p>Sem pensar que exigem à Terra-Mãe</p><p>A sua frescura e os seus filhos primeiros,</p><p>As primeiras verdes palavras que ela tem,</p><p>As primeiras coisas vivas e irisantes</p><p>Que Noé viu</p><p>Quando as águas desceram e o cimo dos montes</p><p>Verde e alagado surgiu</p><p>E no ar por onde a pomba apareceu</p><p>O arco-íris se esbateu...</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:19:36 UTC</pubDate>
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         <title>FERNANDO PESSOA (Leandro Avelino)</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>XLVII - Num dia excessivamente nítido,</strong></p><p>XLVII</p><p>&nbsp;</p><p>Num dia excessivamente nítido,</p><p>Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito</p><p>Para nele não trabalhar nada,</p><p>Entrevi, como uma estrada por entre as árvores,</p><p>O que talvez seja o Grande Segredo,</p><p>Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.</p><p>&nbsp;</p><p>Vi que não há Natureza,</p><p>Que Natureza não existe,</p><p>Que há montes, vales, planícies,</p><p>Que há árvores, flores, ervas,</p><p>Que há rios e pedras,</p><p>Mas que não há um todo a que isso pertença,</p><p>Que um conjunto real e verdadeiro</p><p>É uma doença das nossas ideias.</p><p>&nbsp;</p><p>A Natureza é partes sem um todo.</p><p>Isto e talvez o tal mistério de que falam.</p><p>&nbsp;</p><p>Foi isto o que sem pensar nem parar,</p><p>Acertei que devia ser a verdade</p><p>Que todos andam a achar e que não acham,</p><p>E que só eu, porque a não fui achar, achei.</p><p><br></p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:31:50 UTC</pubDate>
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         <title>Alberto Caeiro </title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p><strong>Talvez quem vê bem não sirva para sentir</strong></p><p>Talvez quem vê bem não sirva para sentir</p><p>E não agrada por estar muito antes das maneiras.</p><p>É preciso ter modos para todas as coisas,</p><p>E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.</p><p>Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas</p><p>Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.</p><p>Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,</p><p>Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.</p><p>Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,</p><p>E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.</p><p>Como se tivesse estado de cabeça baixa,</p><p>Penso isto, e fico de cabeça alta</p><p>E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.</p><p>Como o campo é vasto e o amor interior...!</p><p>Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.</p><p><br/></p><p><br/></p><p>Eu não sei falar porque estou a sentir.</p><p>Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,</p><p>E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.</p><p>Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,</p><p>E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.</p><p>Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:32:52 UTC</pubDate>
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      <item>
         <title>Fernando pessoa</title>
         <author></author>
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         <description><![CDATA[<p>De onde é quase o horizonte</p><p><br/></p><p><br/></p><p>De onde é quase o horizonte</p><p><br/></p><p>Sobe uma névoa ligeira</p><p><br/></p><p>E afaga o pequeno monte</p><p><br/></p><p>Que pára na dianteira.</p><p><br/></p><p><br/></p><p>E com braços de farrapo</p><p><br/></p><p>Quase invisíveis e frios</p><p><br/></p><p>Faz cair seu ser de trapo</p><p><br/></p><p>Sobre os contornos macios.</p><p><br/></p><p><br/></p><p>Um pouco de alto medito</p><p><br/></p><p>A névoa só com a ver.</p><p><br/></p><p>A vida? Não acredito.</p><p><br/></p><p>A crença? Não sei viver.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:44:49 UTC</pubDate>
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      </item>
      <item>
         <title>Fernando Pessoa</title>
         <author></author>
         <link>https://padlet.com/prof0074/bdubrhirx227kqcb/wish/3229949359</link>
         <description><![CDATA[<p>De onde é quase o horizonte</p><p><br/></p><p><br/></p><p>De onde é quase o horizonte</p><p><br/></p><p>Sobe uma névoa ligeira</p><p><br/></p><p>E afaga o pequeno monte</p><p><br/></p><p>Que pára na dianteira.</p><p><br/></p><p><br/></p><p>E com braços de farrapo</p><p><br/></p><p>Quase invisíveis e frios</p><p><br/></p><p>Faz cair seu ser de trapo</p><p><br/></p><p>Sobre os contornos macios.</p><p><br/></p><p><br/></p><p>Um pouco de alto medito</p><p><br/></p><p>A névoa só com a ver.</p><p><br/></p><p>A vida? Não acredito.</p><p><br/></p><p>A crença? Não sei viver.</p>]]></description>
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         <pubDate>2024-11-22 12:47:30 UTC</pubDate>
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