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      <title>Projeto português by Afonso Vieira</title>
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      <description>Apreciação crítica de dois livros e um quadro, e leitura expressiva de um poema</description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2025-04-20 16:38:38 UTC</pubDate>
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         <title>Projeto de leitura, &quot;O vendedor de passados&quot; </title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-04-20 16:40:29 UTC</pubDate>
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         <title>Jose Eduardo Agualusa</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nascido a 13 de dezembro de 1960, José Eduardo Agualusa é um escritor e jornalista angolano, conhecido como uma das principais vozes da literatura africana.</p><p>Algumas das suas mais conhecidas obras são "O Vendedor de Passados" e "Teoria Geral do Esquecimento", sendo a mistura do imaginário com a realidade através de uma linguagem metafórica, irónica e filosófica uma das suas principais características como autor.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-20 16:43:14 UTC</pubDate>
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         <title>Resumo e contexto historico-cultural da narrativa</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Da autoria de José Eduardo Agualusa, "O Vendedor de Passados" é uma obra de natureza filosófica que desafia a fronteira entre a ficção e a realidade através da aproximação de factos inventados e acontecimentos verídicos, resultando em coincidências misteriosas.</p><p>Com Angola, espaço físico da narrativa, em período de reconstrução pós-guerra civil, o autor transmite nesta obra a manipulação existente nesta época, onde a verdade poderia ser moldada ao gosto dos mais poderosos, como esta exemplificado em "Ele vendia sonhos de um passado que nunca existiu, um passado que poderia ser seu, se estivesse disposto a pagar por isso", evidenciando que poderia ser criado um novo passado manipulado como o cliente desejasse.</p><p>O grande "Vendedor de passados" é Félix Ventura, um angolano albino que tem como profissão vender falsos passados a pessoas importantes, podendo então apagar e adicionar certos eventos na história dos seus clientes, tornando-os pessoas mais respeitáveis ou heroicas.</p><p>Toda a história é narrada por Eulálio, uma osga personificada que vive na casa de Félix. Eulálio é muito observador, tendo um olhar filosófico, irónico e crítico, uma vez que observa todos os acontecimentos de perto. A escolha de um animal como principal narrador sugere um tom de realismo místico, sendo também uma das principais ironias, por ser um simples animal a contar uma narrativa complexa.</p><p>O desenrolar principal da história tem início com a chegada de um fotógrafo estrangeiro, que contrata Félix para os seus serviços. No entanto, ao construir o seu novo passado, Félix relaciona alguns dos factos inventados com acontecimentos reais passados, o que lhe causa alguma inquietação, fazendo-o levantar questões sobre a fronteira entre os factos verídicos e inventados, sendo então este o núcleo da narrativa.</p><p><br/></p><p><br/></p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-20 18:18:06 UTC</pubDate>
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         <title>Analise crítica temática</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3416632031</link>
         <description><![CDATA[<p>É facto que a filosofia está presente ao longo de toda a obra, e tal é evidenciado nas próprias ações de Félix, pois ele não apenas "vende passados", mas literalmente constrói vidas, criando narrativas passadas, histórias de família, diplomas, contratos e até fotografias.</p><p><br></p><p>Posto isto, coloca-se inevitavelmente a questão de se realmente valemos alguma coisa sem o nosso passado, ou se podemos simplesmente mudar de identidade apenas alterando a nossa história. O autor transmite, ao longo de toda a obra, este sentimento paradoxal e filosófico sobre a nossa existência, sendo este um dos principais aspetos que apreciei neste livro.</p><p><br></p><p>A crítica social é também um aspeto importante nesta obra. Com Angola sendo um país marcado por um passado colonial traumático e também por uma guerra civil, o autor procura criticar a elite angolana, que tenta suavizar ou esconder o seu passado, "procurando" os serviços de Félix, demonstrando então o lado sujo da política angolana, que se evidencia até aos dias de hoje.</p><p><br></p><p>Por fim, reforço que um dos aspetos que mais me interessou nesta obra é a constante dúvida entre o real e a ficção.</p><p>Quando, ao reescrever o passado do fotógrafo, Félix se depara com coincidências misteriosas relacionadas a acontecimentos reais, a narrativa transmite um estado constante de inquietação para o leitor.</p><p>Tal sentimento torna a leitura da obra muito mais marcante e enigmática, tendo eu ficado atraído por este aspeto do livro.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-20 19:17:12 UTC</pubDate>
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         <title>Simbolismo</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Ao longo da leitura desta obra não consigo evitar notar o simbolismo das personagens nela presentes.</p><p><br></p><p>Exemplo de tal é o albinismo da personagem Félix. Com Angola como seu país natal, o facto de ser "nem branco, nem negro" acaba por representar uma identidade deslocada, não pertencente a nenhum grupo específico, facto esse que pode representar, de certo modo, o desconforto identitário pós-colonial sentido no tal país.</p><p><br></p><p>O vendedor de passados é também símbolo da Angola moderna, numa tentativa de apagar o seu passado de miséria para o reconstruir à luz de uma melhor imagem.</p><p>Como continuação do assunto do passado, é também conveniente referir-se que ao longo de toda a obra há um certo simbolismo na imagem do passado como "mercadoria", pois põe em causa a legitimidade da identidade e da história do país, simbolizando de certo modo o esquecimento histórico pós-colonial.</p><p><br></p><p>Por fim, interpretei o fotógrafo estrangeiro como símbolo da representação do próprio leitor. Julgo que o público-alvo desta obra se foca em gente que pretende "descobrir-se", devido a toda a filosofia e mistério ligados à obra. Posto isto, vejo tal personagem como um elemento misterioso que procura uma nova identidade, ou até esconder a sua própria. Concluindo, acaba por se tornar uma lição para o leitor, simbolizando a inevitabilidade do passado real.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-20 21:24:07 UTC</pubDate>
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         <title>Estilo literário</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Abordando o assunto do estilo literário de Agualusa, começo por referir o narrador peculiar, a osga Eulálio. Com esta opção, verifico alguma vontade de adicionar originalidade à obra, aproximando até o autor de outros como José Saramago, na partilha por um gosto de narradores pouco convencionais.</p><p><br></p><p>Ainda na comparação com outros autores, considero impossível não mencionar a semelhança com Eça de Queirós. As longas descritivas, que chegam a ocupar páginas inteiras, assemelham-se bastante ao estilo do autor que referi. Todos os cenários são cuidadosamente descritos, com foco principal nos aspetos físicos dos objetos, e até sentimentos transmitidos pelos mesmos.</p><p><br></p><p>Por fim, menciono um aspeto menos evidente, mas que ainda assim acho inevitável mencionar, o uso da alegoria. Todas as personagens e situações representam mais do que aquilo que aparentam ser, como por exemplo a profissão de Félix, que representa a manipulação de factos para benefícios externos, ou até a própria "venda do passado", como crítica à falta de caráter dos mais poderosos.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 19:55:44 UTC</pubDate>
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         <title>Opinião</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3418099171</link>
         <description><![CDATA[<p>Em suma, e reunindo todos os factos e opiniões referidas, devo dizer que, de modo geral, apreciei a leitura desta obra.</p><p>Como pontos positivos, sublinho a filosofia envolvida em toda a narrativa, pois torna-a mais do que apenas uma história, dando algo mais para refletir ao longo da leitura.</p><p><br></p><p>A escolha de um narrador original é também um dos fatores que mais gostei na obra, pois oferece à narrativa uma voz mais misteriosa e enigmática, e um tom ainda mais filosófico. A personificação da osga fez-me também refletir sobre mim mesmo, e a maneira como observo o mundo à minha volta, muitas vezes sem realmente interagir com o mesmo, como se de um espetador silencioso me tratasse.</p><p><br></p><p>Devo, no entanto, admitir que as descritivas intensivas ao estilo de Eça de Queirós me repulsaram. Considero tal característica de escrita um pouco exaustiva na perspetiva de leitor, tendo por vezes até saltado páginas devido a tal.</p><p><br></p><p>Por fim, deixo a minha opinião final, indicando esta obra para qualquer um que deseje descobrir um pouco mais sobre si, e assumir uma perspetiva diferente do mundo a seu redor. Com todos os seus aspetos filosóficos e metafóricos, considero que esta foi uma boa leitura para mim, tendo eu refletido profundamente sobre temas peculiares do dia-a-dia, e sobre a forma como costumamos preferir viver uma versão confortável da realidade, em vez de enfrentar a realidade objetivamente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-21 19:57:12 UTC</pubDate>
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         <title>Projeto de leitura, &quot;O Barão de Lavos&quot;</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3431836622</link>
         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:16:37 UTC</pubDate>
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         <title>Resumo e contexto historico-cultural de narrativa</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3431838301</link>
         <description><![CDATA[<p>"O Barão de Lavos" narra a história de Alfredo Moreira, um jovem bem parecido e de origem humilde, que se muda para Lisboa na busca de uma vida melhor. Da autoria de Abel Botelho, tal obra retrata com objetividade e num tom crítico os desvios morais da sociedade lisboeta do século XIX.</p><p>Após a sua chegada à capital, Alfredo tenta integrar-se em círculos sociais respeitáveis, mas acaba por se envolver em ambientes boémios e decadentes, onde finalmente conhece o Barão de Lavos, um nobre rico, porém degenerado e com gostos invulgares consoante o padrão da sociedade da altura, mais especificamente, o seu interesse por rapazes jovens.</p><p><br></p><p>Alfredo despertou a atenção do Barão, tendo o último acabado por se apaixonar pelo jovem, providenciando-lhe bens materiais, como dinheiro e roupas, em troca de momentos de intimidade com o mesmo.</p><p>Alfredo aceita a proposta, parcialmente pelo facto de ser de origem humilde, mas também pelo deslumbro com a riqueza que contemplava. Com o dinheiro do Barão, o jovem aparenta ser um burguês, tendo uma ascensão na sociedade da capital, passando a relacionar-se com gentes mais nobres.</p><p><br></p><p>No entanto, com o passar do tempo, o caso com Barão torna-se um peso na consciência de Alfredo, uma vez que o mesmo se sente saturado de viver uma vida dupla e em segredo, devido a gravidade da sua relação, que era inaceitável na sociedade da época.</p><p><br></p><p>Posto isto, a relação deteriora-se, e com Alfredo acostumado aos luxos e ao dinheiro fácil, quando o mesmo tenta retornar à sua vida normal, verificou que os danos eram irreversíveis. A relação secreta acabou com o jovem, tendo o mesmo saído com graves problemas psicológicos e totalmente rejeitado pela sociedade.</p><p><br></p><p>Por fim, este romance degradante culmina num desfecho trágico, tendo de facto a relação impedido qualquer tipo de redenção para ambos.</p><p>Posto isto, Alfredo e o Barão acabam por viver vidas sem rumo, isolados da sociedade e psicologicamente arrasados, como se verifica em "Naquela alma deformada pelo vício, o prazer já não nascia do amor, mas da perversão."</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:17:50 UTC</pubDate>
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         <title>Abel Botelho </title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Abel Acácio de Almeida Botelho foi um coronel de Estado-Maior do Exército, político, diplomata e escritor português.</p><p>Nascido a 23 de setembro de 1854, entrou na Escola do Exército e formou-se como oficial de artilharia, tendo uma carreira de autor paralela à militar.</p><p>Botelho destacou-se como um dos principais representantes do movimento naturalista em Portugal, sendo a sua literatura marcada pela crítica social e exposição objetiva de realidades "ocultas".</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:18:13 UTC</pubDate>
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         <title>Análise crítica temática</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3431840154</link>
         <description><![CDATA[<p>A obra insere-se no movimento literário do naturalismo, que se caracteriza pela objetividade e análise do comportamento humano. Posto isto, o autor procura identificar, criticar e resolver as "Doenças morais" da sociedade, inserindo o livro numa coleção própria mais abrangente denominada "Patologia Social", como se cada obra a ela pertencente representasse um estudo médico de algum distúrbio social.</p><p><br></p><p>A homossexualidade é um dos temas mais peculiares e polémicos desta obra, surgindo como uma afronta aos valores morais e sexuais da época. </p><p>Botelho aborda o tema da homossexualidade de forma ambígua, uma vez que , por um lado, encara-a como uma doença, pensamento esse que era adotado pela maioria, mas por outro, expõe-a de forma objetiva e frontal, algo inédito na história da literatura portuguesa.</p><p><br></p><p>O "viver pelas aparências" é também um assunto presente na obra, sendo Alfredo o principal exemplo de tal.</p><p>Ao tentar ascender na hierarquia social por meio do seu corpo e aparência, acaba por perder o rumo. O seu sucesso é efémero e dependente do Barão, sendo esta uma crítica às hierarquias sociais e à ganância, onde o valor de uma pessoa depende apenas dos seus atributos físicos, tendo a sociedade aceite Alfredo enquanto cidadão comum, e rejeitado o mesmo após a sua relação interesseira.</p><p><br></p><p>É também feita uma clara crítica à Lisboa do século XIX e ao modo de vida dos seus cidadãos, sendo tudo isto personificado no Barão, que é descrito como corrupto, perverso e boémio. É como se de uma personagem representante de tudo de mau de tal época e cidade o Barão se tratasse, uma verdadeira imoralidade.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:19:08 UTC</pubDate>
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         <title>Simbolismo</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Na obra "O Barão de Lavos", o simbolismo representa uma crítica à hipocrisia e à repressão social da época.</p><p><br></p><p>Como referido anteriormente, o personagem Barão de Lavos juntamente com a figura da cidade de Lisboa representam a decadência e imoralidade do povo lisboeta, sendo a personificação e figuração disso mesmo, de um sítio onde as aparências valem mais que a verdade.</p><p><br></p><p>Já Alfredo, representa a maneira como os valores da sociedade podem influenciar e corromper a juventude. O uma vez jovem de origem humilde que viajou para a cidade vende o seu corpo em troca de dinheiro e bens materiais, facto esse que era bastante comum na época, e é também extremamente criticado pelo autor.</p><p><br></p><p>É também feita uma denúncia à intolerância da sociedade para com certos comportamentos, tais como a homossexualidade. Os dois personagens principais vivem uma vida secreta para poder sobreviver, simbolizando uma constante repressão de desejos de modo a serem melhor aceites no seu círculo. Posto isto, é possível ver no final da obra que ambos acabam com a sua personalidade fragmentada, após viverem uma vida dupla por tanto tempo.</p><p><br></p><p>Por fim, friso também o importante papel tomado pela ganância e ilusão nesta obra.</p><p>Alfredo julga estar a melhorar a sua vida ao trocar o seu corpo e dignidade por dinheiro e bens materiais, no entanto está apenas a mergulhar num poço de problemáticas, do qual nunca virá a escapar. Um verdadeiro exemplo de como a ganância e materialismo podem acabar com alguém.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:19:54 UTC</pubDate>
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         <title>Estilo literário</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Como referido anteriormente, "O Barão de Lavos" possui traços fortes de naturalismo, sendo uma narrativa objetiva, fria e crítica em relação à sociedade.</p><p><br></p><p>A obra apresenta também um tom determinista, e exemplo disso é o facto de que todos os fatores biológicos e sociais influenciam o comportamento de Alfredo. É como se o facto de ele ser de origem humilde e depois ter conhecido o Barão fosse tudo um caminho previamente traçado, onde o mesmo não possuiu livre arbítrio nas suas escolhas, como é transmitido em "Era fatal : aquela natureza, desde o berço inclinada ao vício, havia de cair um dia no abismo. A sociedade, impassível, preparara-lhe o caminho com as suas leis de aparência e os seus moralismos de fachada. E ele, fraco e belo, como tantos, sucumbiu.".</p><p><br></p><p>Uma vez abordado o tema do estilo literário desta obra, é inevitável referir e frisar a crítica social envolvida. A denúncia das falhas e preconceitos da sociedade, assim como a crítica à burguesia a que pertence o Barão é um dos principais traços desta narrativa. A repreensão dos atos imorais praticados na capital está também muito presente ao longo das páginas, como já referido.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:20:49 UTC</pubDate>
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         <title>Opinião </title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3431843836</link>
         <description><![CDATA[<p>Como conclusão, devo sublinhar o facto de que apreciei muito a leitura desta obra.</p><p>O estigma que paira sobre o assunto da homossexualidade, e simultaneamente a coragem do autor para escrever sobre isso foram duas das características que mais me fascinaram neste livro.</p><p><br></p><p>A representação naturalista da sociedade lisboeta do século XIX foi algo que também me despertou interesse, pois com descritivas detalhadas, mas não exageradas, por parte de Abel Botelho, consegui formar uma ideia bastante completa da decadência e preconceito que corria nas ruas da capital.</p><p><br></p><p>A crítica social espalhada por todas as temáticas abordadas também foi do meu agrado, pois deu-me oportunidade de refletir sobre a sociedade da época e agradecer pela liberdade e oportunidades de que desfrutamos nos dias correntes.</p><p><br></p><p>Pude também aprender um pouco mais sobre o comportamento e adaptação do ser humano perante dificuldades, e o desespero a que tal nos pode guiar, como por exemplo o facto de Alfredo ter vendido o seu corpo.</p><p>Quanto ao materialismo e ganância, pude também concluir que ambas as características nos guiam à miséria na maioria dos casos, sendo exemplo disso a própria relação de Alfredo com o Barão, e como nenhum deles conseguiu reerguer-se após a mesma.</p><p><br></p><p>Posto isto, tive a oportunidade de aprender mais sobre mim, e sobre a sociedade que me rodeia, e sendo a aquisição de conhecimento o meu principal objetivo na leitura de um livro, concluo que foi uma boa escolha pra mim.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 15:21:44 UTC</pubDate>
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         <title>Child Writing, Jack Smith</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 19:21:09 UTC</pubDate>
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         <title>Crítica e comentário à obra</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>No meio de uma imensidão de quadros, esta obra fascinou-me pela emoção que transmite, pelo seu modelo de crítica social, e pela forma como retrata metaforicamente a realidade das crianças da época.</p><p><br></p><p>A pintura mostra uma criança sozinha, debruçada sobre uma mesa, apenas a escrever. No entanto, ao apelar a um olhar mais crítico, esta imagem representa muito mais do que isso. A postura rígida, o olhar vazio e a expressão facial transmitem uma extensa variedade de sentimentos, tais como cansaço, tristeza, e até alguma opressão, como se a ação da escrita não fosse um ato natural, mas sim uma obrigação.</p><p><br></p><p>Os tons escuros e neutros utilizados, como castanhos, beges e cinzentos, realçam o ambiente sombrio e pesado, reforçando o sentimento de isolamento e tristeza que é transmitido. A simplicidade visual da obra é também um fator importante na apreciação da mesma, pois a ausência de outros elementos ao redor da criança atrai toda a atenção para a mesma, e no que ela poderá estar a enfrentar. Como seguimento disto mesmo, é também importante frisar a forma como esta obra nos leva a refletir sobre como a infância pode ser marcada  por traumas e exigências, sendo relembrada como um período infeliz, em vez de leve e alegre.</p><p><br></p><p>Sublinho também o facto de que, ao pensar que Jack Smith viveu numa época pós-guerra, em que a sociedade britânica tentava reconstruir-se após a segunda guerra mundial, esta pintura ganha todo um novo significado. Como referido na biografia do artista, o mesmo fazia parte de um movimento modernista que representava o quotidiano com objetividade. Posto isto, Smith parece transmitir uma crítica social, sobre como as crianças num ambiente protegido como a escola podem sentir o peso da realidade do seu país, das rotinas, e das exigências impostas pela própria sociedade. O ato da escrita, frequentemente associado à aprendizagem e criatividade, surge aqui como algo pesado e triste.</p><p><br></p><p>Pensando um pouco mais além, pode também associar-se a tristeza da criança à impossibilidade de estudar, falta de oportunidades, e normalização do trabalho infantil sentido na época. Tal visão tem por base a insatisfação da criança com a sua situação atual, a "chorar sobre os estudos", e a ser forçada a trabalhar.</p><p><br></p><p>Em suma, concluo que esta obra me fez refletir profundamente sobre como a infância pode por vezes ser difícil e traumatizante, e como tal realidade varia de pessoa para pessoa. Dei por mim também a pensar sobre o quão mais difícil era a infância daqueles que nasceram na época de Smith, e como qualquer um nascido nos dias que correm deve sentir-se agradecido por ter nascido no século seguinte.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 19:22:03 UTC</pubDate>
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         <title>Jack Smith</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[<p>Nascido a 14 de novembro de 1932, Jack Smith foi o artista que pintou "Writing Child", a obra por mim selecionada.</p><p>Formado na St. Martin´s School of Art, o britânico destacou-se no panorama artístico do pós-guerra no Reino Unido, tendo-se tornado uma das principais figuras de um tipo específico de modernismo, que neste caso retratava a vida quotidiana da classe trabalhadora com um olhar objetivo e direto.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 19:22:57 UTC</pubDate>
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         <title>&quot;Segue o teu destino&quot;, Ricardo Reis</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
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         <description><![CDATA[]]></description>
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         <pubDate>2025-04-30 19:28:16 UTC</pubDate>
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         <title>Apreciação crítica &quot;O Vendedor de Passados&quot;</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3433462569</link>
         <description><![CDATA[<p>"O Vendedor de Passados", da autoria de José Eduardo Agualusa, é uma obra marcada por uma forte componente filosófica e simbólica, que nos leva a refletir sobre identidade, memória e a construção do passado.</p><p>É facto que a filosofia está presente ao longo de toda a obra, e tal é evidenciado nas próprias ações de Félix, pois ele não apenas "vende passados", mas literalmente constrói vidas, criando narrativas passadas, histórias de família, diplomas, contratos e até fotografias.</p><p>Posto isto, coloca-se inevitavelmente a questão de se realmente valemos alguma coisa sem o nosso passado, ou se podemos simplesmente mudar de identidade apenas alterando a nossa história. O autor transmite, ao longo de toda a obra, este sentimento paradoxal e filosófico sobre a nossa existência, sendo este um dos principais aspetos que apreciei neste livro.</p><p>A crítica social é também um aspeto importante nesta obra. Com Angola sendo um país marcado por um passado colonial traumático e também por uma guerra civil, o autor procura criticar a elite angolana, que tenta suavizar ou esconder o seu passado, "procurando" os serviços de Félix, demonstrando então o lado sujo da política angolana, que se evidencia até aos dias de hoje.</p><p>Reforço também que um dos aspetos que mais me interessou nesta obra é a constante dúvida entre o real e a ficção. Quando, ao reescrever o passado do fotógrafo, Félix se depara com coincidências misteriosas relacionadas a acontecimentos reais, a narrativa transmite um estado constante de inquietação para o leitor.</p><p>Tal sentimento torna a leitura da obra muito mais marcante e enigmática, tendo eu ficado atraído por este aspeto do livro.</p><p>Outra temática a abordar, é certamente o simbolismo presente em todas as personagens. Exemplo de tal é o albinismo da personagem Félix. Com Angola como seu país natal, o facto de ser "nem branco, nem negro" acaba por representar uma identidade deslocada, não pertencente a nenhum grupo específico, facto esse que pode representar, de certo modo, o desconforto identitário pós-colonial sentido no tal país. O vendedor de passados é também símbolo da Angola moderna, numa tentativa de apagar o seu passado de miséria para o reconstruir à luz de uma melhor imagem.</p><p>Como continuação do assunto do passado, é também conveniente referir-se que ao longo de toda a obra há um certo simbolismo na imagem do passado como "mercadoria", pois põe em causa a legitimidade da identidade e da história do país, simbolizando de certo modo o esquecimento histórico pós-colonial.</p><p>Quanto ao fotógrafo estrangeiro, interpretei-o como sendo um símbolo da representação do próprio leitor. Julgo que o público-alvo desta obra se foca em gente que pretende "descobrir-se", devido a toda a filosofia e mistério ligados à obra. Posto isto, vejo tal personagem como um elemento misterioso que procura uma nova identidade, ou até esconder a sua própria. Toda esta dinâmica acaba por se tornar uma lição para o leitor, simbolizando a inevitabilidade do passado real.</p><p>Abordando o assunto do estilo literário e recursos linguísticos de Agualusa, começo por referir o narrador peculiar, a osga Eulálio. Com esta opção, verifico alguma vontade de adicionar originalidade à obra, aproximando até o autor de outros como José Saramago, na partilha por um gosto de narradores pouco convencionais.</p><p>Ainda na comparação com outros autores, considero impossível não mencionar a semelhança com Eça de Queirós. As longas descritivas, que chegam a ocupar páginas inteiras, assemelham-se bastante ao estilo do autor que referi. Todos os cenários são cuidadosamente descritos, com foco principal nos aspetos físicos dos objetos, e até sentimentos transmitidos pelos mesmos.</p><p>Por fim, menciono um aspeto menos evidente, mas que ainda assim acho inevitável mencionar, o uso da alegoria. Todas as personagens e situações representam mais do que aquilo que aparentam ser, como por exemplo a profissão de Félix, que representa a manipulação de factos para benefícios externos, ou até a própria "venda do passado", como crítica à falta de caráter dos mais poderosos.</p><p>Em suma, e reunindo todos os factos e opiniões referidas, devo dizer que, de modo geral, apreciei a leitura desta obra.</p><p>Como pontos positivos, sublinho a filosofia envolvida em toda a narrativa, pois torna-a mais do que apenas uma história, dando algo mais para refletir ao longo da leitura.</p><p>A escolha de um narrador original é também um dos fatores que mais gostei na obra, pois oferece à narrativa uma voz mais misteriosa e enigmática, e um tom ainda mais filosófico. A personificação da osga fez-me também refletir sobre mim mesmo, e a maneira como observo o mundo à minha volta, muitas vezes sem realmente interagir com o mesmo, como se de um espetador silencioso me tratasse.</p><p>Devo, no entanto, admitir que as descritivas intensivas ao estilo de Eça de Queirós me repulsaram. Considero tal característica de escrita um pouco exaustiva na perspetiva de leitor, tendo por vezes até saltado páginas devido a tal.</p><p>Por fim, deixo a minha opinião final, indicando esta obra para qualquer um que deseje descobrir um pouco mais sobre si, e assumir uma perspetiva diferente do mundo a seu redor. Com todos os seus aspetos filosóficos e metafóricos, considero que esta foi uma boa leitura para mim, tendo eu refletido profundamente sobre temas peculiares do dia-a-dia, e sobre a forma como costumamos preferir viver uma versão confortável da realidade, em vez de enfrentar a realidade objetivamente.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-01 23:43:49 UTC</pubDate>
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         <title>Apreciação crítica &quot;O Barão de Lavos&quot;</title>
         <author>afonsosvieira7</author>
         <link>https://padlet.com/afonsosvieira7/b4xhkeb6vc84is7i/wish/3433470873</link>
         <description><![CDATA[<p>"O Barão de Lavos", da autoria de Abel Botelho, é uma obra inserida no movimento naturalista e marcada por uma análise crítica da sociedade lisboeta do século XIX, com especial destaque para temas como a homossexualidade, o materialismo e a decadência moral.</p><p>Começo por relembrar que esta obra se insere no movimento literário do naturalismo, que se caracteriza pela objetividade e análise do comportamento humano. Posto isto, o autor procura identificar, criticar e resolver as "Doenças morais" da sociedade, inserindo o livro numa coleção própria mais abrangente denominada "Patologia Social", como se cada obra a ela pertencente representasse um estudo médico de algum distúrbio social.</p><p>A homossexualidade é um dos temas mais peculiares e polémicos desta obra, surgindo como uma afronta aos valores morais e sexuais da época. </p><p>Botelho aborda o tema da homossexualidade de forma ambígua, uma vez que , por um lado, encara-a como uma doença, pensamento esse que era adotado pela maioria, mas por outro, expõe-a de forma objetiva e frontal, algo inédito na história da literatura portuguesa.</p><p>O "viver pelas aparências" é também um assunto presente na obra, sendo Alfredo o principal exemplo de tal.</p><p>Ao tentar ascender na hierarquia social por meio do seu corpo e aparência, acaba por perder o rumo. O seu sucesso é efémero e dependente do Barão, sendo esta uma crítica às hierarquias sociais e à ganância, onde o valor de uma pessoa depende apenas dos seus atributos físicos, tendo a sociedade aceite Alfredo enquanto cidadão comum, e rejeitado o mesmo após a sua relação interesseira.</p><p>É também feita uma clara crítica à Lisboa do século XIX e ao modo de vida dos seus cidadãos, sendo tudo isto personificado no Barão, que é descrito como corrupto, perverso e boémio. É como se de uma personagem representante de tudo de mau de tal época e cidade o Barão se tratasse, uma verdadeira imoralidade.</p><p>Na obra "O Barão de Lavos", o simbolismo é também uma temática de destaque, representando uma clara crítica à hipocrisia e à repressão social da época.</p><p>Como referido anteriormente, o personagem Barão de Lavos juntamente com a figura da cidade de Lisboa representam a decadência e imoralidade do povo lisboeta, sendo a personificação e figuração disso mesmo, de um sítio onde as aparências valem mais que a verdade.</p><p>Já Alfredo, representa a maneira como os valores da sociedade podem influenciar e corromper a juventude. O uma vez jovem de origem humilde que viajou para a cidade vende o seu corpo em troca de dinheiro e bens materiais, facto esse que era bastante comum na época, e é também extremamente criticado pelo autor.</p><p>É também feita uma denúncia à intolerância da sociedade para com certos comportamentos, tais como a homossexualidade. Os dois personagens principais vivem uma vida secreta para poder sobreviver, simbolizando uma constante repressão de desejos de modo a serem melhor aceites no seu círculo. Posto isto, é possível ver no final da obra que ambos acabam com a sua personalidade fragmentada, após viverem uma vida dupla por tanto tempo.</p><p>Friso também o importante papel tomado pela ganância e ilusão nesta obra. Alfredo julga estar a melhorar a sua vida ao trocar o seu corpo e dignidade por dinheiro e bens materiais, no entanto está apenas a mergulhar num poço de problemáticas, do qual nunca virá a escapar. Um verdadeiro exemplo de como a ganância e materialismo podem acabar com alguém.</p><p>Falando um pouco sobre o estilo literário e recursos linguísticos desta obra, "O Barão de Lavos" possui traços fortes de naturalismo, sendo uma narrativa objetiva, fria e crítica em relação à sociedade.</p><p>A obra apresenta também um tom determinista, e exemplo disso é o facto de que todos os fatores biológicos e sociais influenciam o comportamento de Alfredo. É como se o facto de ele ser de origem humilde e depois ter conhecido o Barão fosse tudo um caminho previamente traçado, onde o mesmo não possuiu livre arbítrio nas suas escolhas, como é transmitido em "Era fatal : aquela natureza, desde o berço inclinada ao vício, havia de cair um dia no abismo. A sociedade, impassível, preparara-lhe o caminho com as suas leis de aparência e os seus moralismos de fachada. E ele, fraco e belo, como tantos, sucumbiu.".</p><p>Como conclusão, devo sublinhar o facto de que apreciei muito a leitura desta obra.</p><p>O estigma que paira sobre o assunto da homossexualidade, e simultaneamente a coragem do autor para escrever sobre isso foram duas das características que mais me fascinaram neste livro.</p><p>A representação naturalista da sociedade lisboeta do século XIX foi algo que também me despertou interesse, pois com descritivas detalhadas, mas não exageradas, por parte de Abel Botelho, consegui formar uma ideia bastante completa da decadência e preconceito que corria nas ruas da capital.</p><p>A crítica social espalhada por todas as temáticas abordadas também foi do meu agrado, pois deu-me oportunidade de refletir sobre a sociedade da época e agradecer pela liberdade e oportunidades de que desfrutamos nos dias correntes.</p><p>Pude também aprender um pouco mais sobre o comportamento e adaptação do ser humano perante dificuldades, e o desespero a que tal nos pode guiar, como por exemplo o facto de Alfredo ter vendido o seu corpo.</p><p>Quanto ao materialismo e ganância, pude também concluir que ambas as características nos guiam à miséria na maioria dos casos, sendo exemplo disso a própria relação de Alfredo com o Barão, e como nenhum deles conseguiu reerguer-se após a mesma.</p><p>Posto isto, tive a oportunidade de aprender mais sobre mim, e sobre a sociedade que me rodeia, e sendo a aquisição de conhecimento o meu principal objetivo na leitura de um livro, concluo que foi uma boa escolha pra mim.</p>]]></description>
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         <pubDate>2025-05-01 23:54:46 UTC</pubDate>
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