<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>AUTORES NO PADLET by </title>
      <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu</link>
      <description></description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2023-06-07 23:45:45 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2023-06-15 01:31:08 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url></url>
      </image>
      <item>
         <title>FERNANDO  SABRINO </title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617573058</link>
         <description><![CDATA[<div>Nasceu em 12 de outubro de 1923, em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Decidiu ser escritor com 10 anos de idade, e, dois anos depois, publicou seu primeiro conto. Mais tarde, formou-se em Direito, escreveu para alguns periódicos, foi cineasta e morou em cidades como Nova Iorque e Londres.<br><br>O romancista e cronista, que faleceu em 11 de outubro de 2004, no Rio de Janeiro, fez parte da terceira fase do modernismo brasileiro (ou pós-modernismo), e ficou famoso por suas crônicas irônicas e bem-humoradas, bem como pela publicação dos romances O encontro marcado e O grande mentecapto.<br><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://ilarge.lisimg.com/image/363645/740full-fernando-sabino.jpg" />
         <pubDate>2023-06-07 23:51:09 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617573058</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617573325</link>
         <description><![CDATA[<div>CRÔNICA: A última crônica<br>A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.<br><br>Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.<br><br>Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.<br><br>O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.<br><br>São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.<br><br>Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.</div>]]></description>
         <enclosure url="http://static.meionorte.com/uploads/blog/2015/4/22/avatar-butiquim-64080c52-16db-4054-be9b-817d44946abe.jpg" />
         <pubDate>2023-06-07 23:51:28 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617573325</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617581946</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;CRÔNICA: A mulher do vizinho<br>Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco. &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; — O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: duralex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor. &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio: &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;— Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou? &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente: &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; — Da ativa, minha senhora? &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado: &nbsp;<br><br></div><div>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; — Da ativa, Motinha! Sai dessa…&nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://photos.enjoei.com.br/o-menino-no-espelho-fernando-sabino/1200xN/czM6Ly9waG90b3MuZW5qb2VpLmNvbS5ici9wcm9kdWN0cy8xMzExNDc1NS82NTAyOTRiY2ZiYjRlMTZiNzBmZGFiNmNjNzRiYzZkZS5qcGc" />
         <pubDate>2023-06-08 00:04:30 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617581946</guid>
      </item>
      <item>
         <title>PAULO MENDES CAMPOS</title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617585234</link>
         <description><![CDATA[<div>Paulo Mendes Campos foi um escritor, poeta e jornalista brasileiro. Fundou uma escola em Belo Horizonte chamada Colégio Paulo Mendes Campos. </div><div><strong>Nascimento: </strong>28 de fevereiro de 1922, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc3aoB1WUcU-9KtdhVpqd3qI6JEqg:1686182929229&amp;q=Belo+Horizonte&amp;si=AMnBZoFk_ppfOKgdccwTD_PVhdkg37dbl-p8zEtOPijkCaIHMpr12T3RuZmKPN8F3PNEsW-48T9uoXleS7ZO6kMT1QdJ_F6551McVh4YYl-Ny39wi8FrdT2Z2KGPR0Ru5vg8CFj3TEag4nBaUNlvF-XDygvv5YSGS_hE11PVVmSRJlB1h1qvJM3EWdfHS_h2VXszEy_7mSqU&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiunpf0sLL_AhXTO7kGHfHXCOMQmxMoAHoECE8QAg">Belo Horizonte, Minas Gerais</a></div><div><strong>Falecimento: </strong>1 de julho de 1991, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc3aoB1WUcU-9KtdhVpqd3qI6JEqg:1686182929229&amp;q=Rio+de+Janeiro&amp;si=AMnBZoFk_ppfOKgdccwTD_PVhdkg37dbl-p8zEtOPijkCaIHMv2qHjuteNZu8NE6d3y8mkvKNOSZif9sf0U34bHb3PBsgshle-wZOqsLxPIqrRoJ9qxs7mYZ4NmyO9pxft8IBU0xnFRVvdylqqdQnqGVXftYLZKvY2OtgHkWNgaIYVr4sw84OYhQrXAcgPRuQ9dC6R2f39qk&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiunpf0sLL_AhXTO7kGHfHXCOMQmxMoAHoECE4QAg">Rio de Janeiro, Rio de Janeiro</a></div><div><strong>Filhos: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc3aoB1WUcU-9KtdhVpqd3qI6JEqg:1686182929229&amp;q=Daniel+Campos&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQvc5HTMRX14f8cuJKsDXO8sLhcHhocWEM9N8FMQb5Tk-17Ata5KiAEO1WL216c98rK84tR8TpE4gR19rJobFj0X7tgXoGHDgfjyECHNIcXDsOeYQfRveqU_DTl7HZPMVojZPnwX330j3LRYqKQd9bek4YlLBHg9IHybibaDJOyDpOnMDcVy4vdb6-S-9dobguI6ZzuYHePE-IywR-wBFeuswAr5rfVB4Ec1WOO4ERmMcQKHyrA%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiunpf0sLL_AhXTO7kGHfHXCOMQmxMoAHoECEYQAg">Daniel Campos</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc3aoB1WUcU-9KtdhVpqd3qI6JEqg:1686182929229&amp;q=Gabriela+Campos&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQs-ixfIZCHTehH4cARfO6ftlNZLV2QTlc_ttBggA9ctL4V799iyoq89Hh8IpEsYuhg_760EFdWEqcGYqHttIxb8A6yiURdISN-pTnSG6H2hqLw053tJSOcdc1_d0xP3oMzz4GmRrucBOWe3VEf6HMBIClYqBObdVetJP-5oCzJJuGnwYqJ3k1TmzVPa8rhi_v-LyR57Pe5Km-eizq206VJosdon34O2ka5d0EiWFMmSE47Q5rg%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiunpf0sLL_AhXTO7kGHfHXCOMQmxMoAXoECEYQAw">Gabriela Campos</a></div><div><strong>Cônjuge: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc3aoB1WUcU-9KtdhVpqd3qI6JEqg:1686182929229&amp;q=Joan+Abercrombie&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQqx-RrnOyoLEStgMlK3pTCljxB6SkP7-WA9ROqg4_g7Jf3hPaWEZD_CpvWu0UAu9zuPrVD3iQ6Qn-VSwrUFqjlqngz9_ipuKB-x3sr78vGvfupQQ1y8IR0q1mA3I3NML92KfaUW2Nlg3rOGi7cYZOTZiKNsUar9DSsmiC2Qt1OONLbzgdw%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiunpf0sLL_AhXTO7kGHfHXCOMQmxMoAHoECEcQAg">Joan Abercrombie</a> (de 1951 a 1991)</div><div><strong>Filho(a)(s): </strong>Gabriela e Daniel</div><div><strong>Morte: </strong>1 de julho de 1991 (69 anos); Rio de Janeiro, RJ</div>]]></description>
         <enclosure url="https://cdn.pensador.com/img/authors/pa/ul/paulo-mendes-campos-l.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:09:05 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617585234</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617586641</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: Os bares morrem numa quarta feira<br><br>Um amigo de <a href="https://contobrasileiro.com.br/contostraduzidos/2022/04/30/um-artista-do-trapezio-franz-kafka/">Kafka</a> conta que este arquitetava o seguinte: um homem desejando criar uma reunião em que as pessoas aparecessem sem ser convidadas. As pessoas poderiam se ver ou conversar sem se conhecerem. Cada uma faria o que lhe aprouvesse sem chatear o próximo. Ninguém se oporia à entrada ou à saída de ninguém.<br><br></div><div><br>Não havendo propriamente convidados, não se criariam obrigações especiais para com o anfitrião. E o espinho da solidão doeria mais ou menos.<br><br></div><div><br>É possível que Kafka não haja escrito esta alegoria por ter percebido que a mesma já existia corporificada sob a forma de cafés, restaurantes e bares.<br><br></div><div><br>Mas o episódio pode levar-nos a considerar com súbita estranheza o mil vezes conhecido: os bares já eram kafkianos quando surgiram no mundo.<br><br></div><div><br>Ou este, o mundo, é que foi o primeiro bar, quando se encontraram num jardim duas criaturas desconhecidas, e à mulher, buscando comunicação, ofereceu ao homem uma fruta.<br><br></div><div><br>Naquele Garden Bar principiaram os equívocos. Foi o primeiro ponto de encontro. E não durou muito.<br><br></div><div><br>Pois os bares nascem, vivem, parecem eternos a um determinado momento, e morrem. Morrem numa quarta-feira, como dizia Mário de Andrade.<br><br></div><div><br>O obituário dessas casas fica registrado nos livros de memórias.<br><br></div><div><br>Recordá-los, os bares mortos, é contar a história de uma cidade. Melhor, é fazer o levantamento das cidades que passaram por dentro de uma única Idade.<br><br></div><div><br>Mesmo num lugar como Paris, que apesar dos pesares procura preservar a imagem histórica, os cafés de Léon-Paul Fargue não foram os cafés de Alphonse Daudet, e este não respirou atmosfera dos cafés de Stendhal.<br><br></div><div><br>O curioso é que os bares do presente, por seus serviços e por sua frequência, podem merecer até o nosso entusiasmo, mas não recebem jamais o nosso amor.<br><br></div><div><br>O bom freguês só ama o bar que se foi. Só na lembrança os bares perdem suas arestas e se sublimam.<br><br></div><div><br>João do Rio tinha sete anos e se batia contra um enorme sorvete na Confeitaria Paschoal quando ouvia a Baronesa de Mamanguape exclamar encantada: “Oh! Senhor Olavo Bilac!”<br><br></div><div><br>Esta cena não se passou conosco, mas é como se tivesse sido. Seu conteúdo emocional repetiu-se na existência de todas as pessoas que frequentaram bares e confeitarias. E repetiu-se para o próprio João do Rio, que num livro de 1912 já escreve sobre a decadência das casas de chopes; ou simplesmente chopes, como eram chamadas.<br><br></div><div><br>Conta como esses chopes surgiram e morreram, partindo a invenção da Rua da Assembleia, nas mesas de mármore do Jacó, onde estetas, imitando Montmarte, inauguraram o prazer de discutir literatura e falar mal do próximo. Por esse tempo, uma mulher com a voz de barítono, chamada Ivone, montou um cabaré satânico na Rua do Lavradio, com tudo o que havia de mais rive gauche, inclusive recitativos macabros de Baudelaire. Era o Chat Noir, que perdeu o fôlego por falta de verba.<br><br></div><div><br>Outros chopes apareceram nas ruas da Assembleia e Carioca, esmerando-se os proprietários na invenção promocional; seus chamarizes são inventariados nessa ordem cronológica de João do Rio: tenores gringos de colarinho sujo e luva na mão, acompanhados ao piano; grandes orquestras tocando trechos de óperas e valsas perturbadoras; depois, árias italianas servidas com sanduíches de caviar, um chope chegou a apresentar uma harpista capenga mas formosa.<br><br></div><div><br>Foi aí que um empresário genial estreou um cantor de modinhas. Foi de endoidar: “A modinha absorveu o público. Antes para ouvir uma modinha tinha a gente de arriscar a pele em baiúcas equívocas e acompanhar serestas ainda mais equívocas. No chope tomava logo um fartão sem se comprometer. E era de ver os mulatos de beiço grosso, berrando tristemente: ‘Eu canto em minha viola ternuras de amor, mas de muito amor…’ E os pretos barítonos, os Bruants de nanquim, maxixando cateretês apopléticos”.<br><br></div><div><br>Na Rua da Assembleia, à meia-noite, Catulo da Paixão Cearense erguia um triste copo de cerveja para soluçar dorme que velo, sedutora imagem.<br><br></div><div><br>Tudo isso é narrado ainda no comecinho do século já em afinação de nostalgia; pois os chopes tinham morrido no início da segunda década. Uns poucos anos antes, só na Rua da Carioca eram uns dez; na Rua do Lavradio ficavam de um lado e do outro; alastraram-se pela Riachuelo, pela Cidade Nova, Catumbi, Estácio, Praça Onze. Num relampejar brilharam e sumiram as estrelas daquelas noites, esquecidas pela cidade, “a mais infiel das amantes”.<br><br></div><div><br>Mas o chope deu um jeito e conseguiu sobreviver; só mudou de cara e personalidade. Quando cheguei ao Rio, era chope o que se tomava em muitos bares famosos, hoje mortos: Túnel da Lapa, 49, Nacional, Brahma…<br><br></div><div><br>Aí se misturavam pequenos empregados do comércio, a gente de boa roupa e até os derradeiros malandros. No antigo Vermelhinho as mesas eram ocupadas por escritores, jornalistas, pintores, gente do palco e estudantes da Escola de Belas-Artes.<br><br></div><div><br>Suas figuras mais constantes eram Santa Rosa, com o cigarro pendurado na boca, Vinícius de Moraes, Rubem Braga, Lúcio Rangel, João Cabral de Melo Neto costumava chegar, conversar um pouco e, já alegando dor de cabeça, dar um pulo à Farmácia Normal.<br><br></div><div><br>Os artistas pretos – Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, Solano Trindade, Abdias Nascimento – sentiam-se em casa nas cadeiras de palhinha do Vermelhinho, assim como os estrangeiros trazidos pela guerra.<br><br></div><div><br>Carlos Drummond de Andrade, deixando o Ministério da Educação, só passava de fininho pela Rua Araújo Porto Alegre.<br><br></div><div><br>Depois uma parte da turma atravessou a rua, pegou o elevador e se instalou no ajardinado terraço da ABI, passando a tomar uísque de fato escocês, porém milimetricamente dosado pelo garçom suíço Stuckert – o Estuca.<br><br></div><div><br>O que não se dava nas mercearias enxertadas de uisquerias. Nessas – Pardellas, Lidador. Grande Ponto, Casa Carvalho, Vilariño – o uísque era generoso, apesar de amplamente discutível sua autenticidade.<br><br></div><div><br>Grande animador desses bares foi o médico pernambucano Eustáquio Duarte, criador do gabarito fosfórico: pleiteou e conseguiu que a dose chegasse à altura de uma caixa de fósforos colocada em pé ao lado do copo.<br><br></div><div><br>Eustáquio (Totó Borum para os íntimos) intitulava-se o proletário e era autor de elaborada classificação psicofísica das mulheres (a pebologia); essa teoria era o enlevo de todos os frequentadores, notadamente do poeta Vinícius. Era ainda o médico (mas atribuía a paternidade a um tal de Fernando C. Pessoa, gerente de hotel na Bahia) autor de sonetos pornográficos da mais pura linhagem bocagiana.<br><br></div><div><br>Andou por esses bares ilustres – falo apenas dos que melhor conheci no centro da cidade – toda uma geração de vários sotaques.<br><br></div><div><br>Eneida (que, antes do Baile dos Pierrots, criou no Vermelhinho um forró carnavalesco de portas cerradas) era vista a todo momento, com seus balangandãs tilintantes, entrando no Instituto Nacional do Livro ou dele saindo.<br><br></div><div><br>Rosário Fusco era onipresente, deixando à porta de todos os bares um táxi à espera. Hoje esse dom da ubiquidade pertence ao corretor Luís Antônio Pontual.<br><br></div><div><br>Zé Lins do Rego era detectado à distância por sua gargalhada.<br><br></div><div><br>Com ar de menino levado e lavado, Lamartine Babo já entrava trauteando uma canção amena.<br><br></div><div><br>Ari Barroso, pelo contrário, turbilhonava para dentro do bar com gestos e gritos homéricos: parecia que a guerra fora declarada ou que um ônibus passara por cima dele; mas não era nada.<br><br></div><div><br>Por ali, entre Presidente Wilson e Almirante Barroso, circulou o Rio artístico, do fim da guerra à guerra fria, mas a verdade histórica manda dizer que a falta de transporte no fim da tarde foi também uma determinante desse comportamento boêmio.<br><br></div><div><br>Em dezembro de 1949 foi inaugurado o Juca’s Bar, na Rua Senador Dantas: era o alívio do ar refrigerado que chegava.<br><br></div><div><br>Lá se instalaram rapidamente assessores do Presidente Juscelino, os irmãos Conde com o Jornal de Letras, os irmãos Chaves, que atraíam os nordestinos itinerantes.<br><br></div><div><br>Olívio Montenegro era contumaz e Gilberto Freyre costumava dar as caras.<br><br></div><div><br>Era uma mistura sensacional, estimulante. Ali todos os setores tinham suas embaixadas. Dou uns poucos exemplos:<br><br></div><div><br>Rubem Braga representava a prosa e Vinícius de Moraes o verso; Stanislaw Ponte Preta, o humorismo; Carlos Leão representava a arquitetura renovadora, passando a noite a desenhar mulheres mais em bom papel que um bom mineiro comprava na papelaria ao lado; o Coronel Amílcar Dutra de Menezes representava o Estado Novo em geral e o DIP em particular, mas soube tornar-se amigo de velhos inimigos; Antiógenes Chaves falava em nome das classes empresariais; Zé Lins, em nome do Flamengo; o Comandante João Milton Prates representava com classe a Presidência da República; às vezes aparecia Agildo Barata ou outro rebelde histórico; Luís Jardim, chupitando seu uísque com o relógio em cima da mesa, era o próprio secretário da UDN; a jornalista Jane Braga vinha em nome do Texas; Di Cavalcanti era o ponto alto das artes visuais, embora só admitisse, por tema de conversa, literatura e mulheres bonitas; estas, por sua vez, estavam muito bem representadas na pessoa de Tônia Carrero, enquanto Araci de Almeida era o samba em pessoa.<br><br></div><div><br>Mas algumas brechas iam se abrindo no trânsito compacto do crepúsculo e os boêmios começaram a deixar a cidade mais cedo e a criar alma nova na Zona Sul. Em bares que iam igualmente brilhando, apagando-se e morrendo. Ou pelo menos morriam para eles.<br><br></div><div><br>É o caso do Alcazar e do Maxim’s, em Copacabana; do Jangadeiro e do Zeppelin, em Ipanema; do Clipper, no Leblon.<br><br></div><div><br>No Alcazar (em cima morava o poeta Augusto Frederico Schmidt) ia o pessoal que não perdia o cinema das dez e muito menos o chope da meia-noite às duas da manhã; o Maxim’s, com Sílvio Caldas e Araci à frente, absorveu todos os musicais do Vilariño; no Jangadeiro aparecia Lúcio Cardoso; ao Zeppelin afluía aos domingos uma boa torrente das reuniões da casa de Aníbal Machado; no Clipper imperavam Antônio Maria (fragorosamente) e Dorival Caimmy (de mansinho).<br><br></div><div><br>Mas estes bares morreram ou mudaram de personalidade como do uísque para a água, o que é mais antipático que a morte. Como morreram muitos outros que conheci no breve espaço de um entardecer que durou vinte anos.<br><br></div><div><br>O bar do Hotel Central, por exemplo, na Praia do Flamengo, que servia rosbife de tira-gosto e era um encanto; a Brasileira, na Cinelândia, que era mais uma confeitaria, mas onde encontrei uma tarde o vigoroso romancista católico Georges Bernanos fazendo um escarcéu de mil diabos porque não podia escrever com o escarcéu que os garçons faziam; o Segunda Frente, em Copacabana, que morreu logo depois que os sócios (um deles era o pintor Raimundo Nogueira) e seus amigos beberam a última gota do estoque antes de entrar dinheiro na caixa.<br><br></div><div><br>São muitos outros, mas a História dos Bares do Rio, que deveria ser escrita, precisaria ser contratada por um editor.<br><br></div><div><br>Por fim, ultimamente, morreu o famosíssimo Lamas, no Catete. Foi devidamente chorado na imprensa e continuará sendo lacrimejado nas centenas de bares em que se espalham hoje os remanescentes de todos esses antros de perdição.<br><br></div><div><br>Pois agora, quando desaparece também o Bon Marché (Avenida Copacabana, esquina de Siqueira Campos), os boêmios do Rio, tangidos pela demolição imobiliária, vivem pelos descaminhos da diáspora. Aguentou 73 anos de existência.<br><br></div><div><br>Aquela esquina estava predestinada a libações: em 1892, ao ser inaugurada ali defronte a estação de bondes houve um lauto lunch, com brindes de champagne ao Marechal Floriano Peixoto… à Guarda Nacional… à Armada… ao Exército… à Intendência Municipal… e à diretoria da Companhia do Jardim Botânico.<br><br></div><div><br>Não, houve mais um, o de honra, erguido pelo Presidente do Senado ao Marechal Floriano Peixoto e ao engrandecimento da República.<br><br></div><div><br>No Bon Marché, Pixinguinha animou bailes de carnaval.<br><br></div><div><br>Por ali passaram generais, almirantes, escritores, desembargadores, artistas, jogadores de futebol, milionários, políticos, delegados, sambistas e o sempiterno Gasolina, que aliás não passou e nunca fez nada e não saberá aonde ir quando for removido o último tijolo do prédio.<br><br></div><div><br>Viveram no Bon Marché algumas gerações de bêbados ilustres, de gente que bebia e se entendia e que continuará se entendendo.<br><br></div><div><br>Pois uma lei rege a harmonia das esferas humanas: Cristo nos convidou a amar o próximo como a nós mesmos; mas a verdade é que só os bêbados aturam os bêbados; e só os sóbrios aturam os sóbrios.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://media.timeout.com/images/100519023/image.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:11:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617586641</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617587947</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: Descanso de futebol<br><br>Eu devia ou pelo menos merecia estar aposentado. Mas a ideia sombria da invalidez, e não do ócio com vivacidade, orientou os criadores do instituto de aposentadoria.<br><br></div><div><br>Deu-se que um dia, há uns três anos, vislumbrei de súbito que uma aposentadoria especial estava ao alcance de minha mão. Foi uma coisa drástica mas lúcida: exonerei-me do futebol. Descobri num relance que eu somava trinta e cinco anos de futebol e podia anos ainda não vi o futebol, é porque não tenho olhos para vê-lo. Sim, já vi o futebol. Já vi, vivi, sofri e morri o futebol. Valeu muitíssimo a pena e o prazer, mas não tinha mais sentido me perder no tráfego de sábado e domingo a fim de presenciar do alto da arquibancada um espetáculo lá visto e revisto.<br><br></div><div><br>Velhos irmãos de opa, sobretudo os de opa alvinegra, ficam irritados com esse meu raciocínio, que consideram um desvio do entendimento, e com essa retirada, na qual farejam uma apostasia. Pois vou aguentando as broncas todas, folheando ainda as páginas e mas decidido a só comparecer ao estádio em caso de compulsão emotiva.<br><br></div><div><br>Já vi o futebol. Hoje prefiro e só me cabe rever as fitas da lembrança, onde se gravam os grandes lances do meu aturado exercício de espectador.<br><br></div><div><br>Não me cansei do futebol, retirei-me dele, insisto, para preservar meu patrimônio de memórias, sem o desgaste um milagre maior. Já testemunhei os milagres todos que podiam acontecer em campo. Vi nessa longa temporada lances magistrais que possivelmente não se repetirão nos dias de minha vida. Conheço bem a experiência calorosa de sentir-me uno e soldado à alma da multidão, como conheço o sentimento dramático e animador de estar em confronto com a maioria ululante.<br><br></div><div><br>Sei que as possibilidades de uma partida qualquer são infinitas; mas não quero disputar mais; não quero mais exercer o pileque dionisíaco da vitória e nem a ressaca autopunitiva da derrota. Na idade magoada em que me encontro, torcer como se deve torcer, com o desvario da alma toda, seria um despudor! Um instinto me aponta o caminho da contemplação e outro instinto me insinua que, em matéria de contemplação futebolística, minhas chances de novidade e plenitude são mínimas.<br><br></div><div><br>O futebol já me viu. O futebol jogou-me como quis. O que colhi no campo dá perfeitamente para eu viver mais dez ou vinte anos. No meu celeiro de craques há vividas memórias de Leônidas, Zezé Procópio, Romeu, Zizinho, Didi, Nilton Santos, Pelé, Sastre, Pu por ter demonstrado que a mágica pode ganhar da lógica. Vi maviosos conjuntos, sinfonicamente arranjados, e vi o jam-session das improvisações talentosas. Vi craques nascentes como quem acha um novo amor ou dinheiro perdido. Vivi até onde pude minhas tardes olímpicas e minhas noites de dança ritual ao pé do fogo. Retiro-me com a sensação saciada de que cumpri o dever para com a tribo e não driblei o meu destino.<br><br></div><div><br>Meu destino era amar o futebol. Amei-o. Desde criancinha, quando espiava da lonjura da janela a bola que dançava no capim do clube aldeão. Até hoje, não é o perfume de aubépine ou de qualquer outra planta altiva que me proustianiza; é o aroma rasteiro da espacia.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="http://www.mediotejo.net/wp-content/uploads/2018/06/Forma%C3%A7%C3%A3o-Futebol.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:12:53 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617587947</guid>
      </item>
      <item>
         <title>RUBEN BRAGA</title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617615573</link>
         <description><![CDATA[<div>"Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, no estado do Espírito Santo. Em 1931, morava em Belo Horizonte, onde passou a escrever para o Diário da Tarde. Nos anos que se seguiram, publicou crônicas em diversos periódicos, conheceu vários países e trabalhou na Rede Globo.<br><br>O autor, que faleceu em 19 de dezembro de 1990, no Rio de Janeiro, recebeu influências do Modernismo e escreveu textos caracterizados pela ironia, temática do cotidiano e crítica sociopolítica. Assim, se tornou um dos mais importantes cronistas brasileiros e publicou diversos livros."<br><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.revistaprosaversoearte.com/content/uploads/2017/01/rubem-braga-jornalista-e-escritor-brasileiro.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:39:38 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617615573</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617616692</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: A mulher que ia navegar<br><br><br>O anúncio luminoso de um edifício em frente, acendendo e apagando, dava banhos intermitentes de sangue na pele de seu braço repousado, e de sua face. Ela estava sentada junto à janela e havia luar; e nos intervalos desse banho vermelho ela era toda pálida e suave.<br><br></div><div><br>Na roda havia um homem muito inteligente que falava muito; havia seu marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso; uma senhora morena de riso fácil e engraçado; um físico, uma senhora recentemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que falava de política ou de pintura? Ela não dava atenção a ninguém. Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, ela apenas mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo. “Muito!”, disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro — e disse mais algumas palavras; mas mudou um pouco a posição do braço e continuou a se mirar, interessada em si mesma, com um ar sonhador.<br><br></div><div><br>Quando começou a discussão sobre pintura figurativa, abstrata e concreta, houve um momento em que seu marido classificou certo pintor com uma palavra forte e vulgar; ela ergueu os olhos para ele, com um ar de censura; mas nesse olhar havia menos zanga do que tédio. Então senti que ela se preparava para o enganar.<br><br></div><div><br>Ela se preparava devagar, mas sem dúvida e sem hesitação íntima nenhuma; devagar, como um rito. Talvez nem tivesse pensado ainda que homem escolheria, talvez mesmo isso no fundo pouco lhe importasse, ou seria, pelo menos, secundário. Não tinha pressa. O primeiro ato de sua preparação era aquele olhar para si mesma, para seu belo braço que lambia devagar com os olhos, como uma gata se lambe no corpo; era uma lenta preparação. Antes de se entregar a outro homem, ela se entregaria longamente ao espelho, olhando e meditando seu corpo de 30 anos com uma certa satisfação e uma certa melancolia, vendo as marcas do maio e da maternidade e se sorrindo vagamente, como quem diz: eis um belo barco prestes a se fazer ao mar; é tempo.<br><br></div><div><br>Talvez tenha pensado isso naquele momento mesmo; olhou-me, quase surpreendendo o olhar com que eu a estudava; não sei; em todo caso, me sorriu e disse alguma coisa, mas senti que eu não era o navegador que ela buscava.<br><br></div><div><br>Então, como se estivesse despertando, passou a olhar uma a uma as pessoas da roda; quando se sentiu olhado, o homem inteligente que falava muito continuou a falar encarando-a, a dizer coisas inteligentes sobre homem e mulher; ela ia voltar os olhos para outro lado, mas ele dizia logo outra coisa inteligente, como quem joga depressa mais quirera de milho a uma pomba. Ela sorria, mas acabou se cansando daquele fluxo de palavras, e o abandonou no meio de uma frase.<br><br></div><div><br>Seus olhos passaram pelo marido e pelo pequeno pintor louro e então senti que pousavam no físico. Ele dizia alguma coisa à mulher recentemente desquitada, alguma coisa sobre um filme do festival. Era um homem moreno e seco, falava devagar e com critério sobre arte e sexo. Falava sem pose, sério; senti que ela o contemplava com uma vaga surpresa e com agrado. Estava gostando de ouvir o que ele dizia à outra. O homem inteligente que falava muito tentou chamar-lhe a atenção com uma coisa engraçada, e ela lhe sorriu; mas logo seus olhos se voltaram para o físico. E então ele sentiu esse olhar e o interesse com que ela o ouvia, e disse com polidez: — A senhora viu o filme?<br><br></div><div><br>Ela fez que sim com a cabeça, lentamente, e demorou dois segundos para responder apenas: vi. Mas senti que seu olhar já estudava aquele homem com uma severa e fascinada atenção, como se procurasse na sua cara morena os sulcos do vento do mar e, no ombro largo, a secreta insígnia do piloto de longo, longo curso.<br><br></div><div><br>Aborrecido e inquieto, o marido bocejou — era um boi esquecido, mugindo, numa ilha distante e abandonada para sempre. É estranho: não dava pena.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="http://2.bp.blogspot.com/-npO04uBsvyo/Tq_YMXaFLYI/AAAAAAAAB3g/Oly7uPB9N_c/s1600/navio-03.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:40:40 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617616692</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617619465</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: Falamos de carambolas<br><br>Falamos sobre sorvetes, eu disse que tinha tomado um ótimo, de carambola.<br><br></div><div><br>– Não sei que graça você acha em carambola.<br><br></div><div><br>Falamos sobre carambola, discutimos sobre carambola; passamos a romã e finalmente a jambo; sim, há o jambo moreno e o jambo cor-de-rosa, este é muito sem gosto; aliás, a mais bonita de todas as mangas, a manga-rosa, não tem nem de longe o gosto de uma espada, de uma carlotinha.<br><br></div><div><br>Lembrei a história contada por um amigo. Mais de uma vez insistira com certa moça para que fosse ao seu apartamento. Ela não queria ir. Ele um dia telefonou: “Vem almoçar comigo, mando matar uma galinha, fazer molho pardo…” achou que a recusa da moça era menos dura. E insistiu mais: — Vem… tem manga carlotinha…<br><br></div><div><br>– Manga carlotinha? Mentira!<br><br></div><div><br>E a moça foi. Refugaria talvez promessa de casamento, se irritaria com o presente de jóia, mas como resistir a um homem que tem galinha ao molho pardo com angu e manga carlotinha, e faz um convite tão familiar?<br><br></div><div><br>Ela não achou muita graça na história. Aliás não simpatizava com aquele amigo meu.<br><br></div><div><br>Ficamos um instante em silêncio. Comecei a mexer o gelo dentro do copo com o dedo.<br><br></div><div><br>É um hábito brasileiro, mas até que não é meu uso; inclusive, para falar a verdade, acho pouco limpo; entretanto eu mexia com o indicador o gelo que boiava no uísque, e como seria insuportável não fazer a pergunta, ergui os olhos e fiz: — Mas, afinal, o que foi que o médico disse?<br><br></div><div><br>E ela encolheu os ombros. Repetiu algumas palavras do médico, principalmente uma: Sindroma… teve uma dúvida: — É síndroma ou sindroma?<br><br></div><div><br>Eu disse francamente que não sabia; apenas tinha a impressão de que a palavra era feminina; mas também podia ser masculina; era paroxítona ou átona, mas também podia ser proparoxítona ou esdrúxula; e, ainda por cima, tanto se podia dizer sindroma como síndrome, e até mesmo sindromo.<br><br></div><div><br>Em todo o caso — juntei — não era bem uma doença; era um conjunto de sintomas… eu falava assim não para mostrar sabença, mas para mostrar incerteza, e ignorância da verdade verdadeira — ou até uma certa indiferença por essas coisas de palavras.<br><br></div><div><br>Confessei-lhe que há muitas palavras que evito dizer porque nunca estou muito seguro da maneira de pronunciar. Por outro lado há palavras que a gente só conhece porque são usadas em palavras cruzadas. Até existe uma cidade assim, uma cidade de que ninguém se lembraria jamais se não tivesse apenas duas letras e não fosse terra de Abraão ou cidade da Caldéia: UR. Se os charadistas do mundo inteiro formassem uma pátria a capital teria de ser UR. Eu falava essas bobagens com volubilidade. Ela disse: — Todo mundo, quando tem uma doença como essa minha, procura se enganar. Eu, não.<br><br></div><div><br>Chamei-a de pessimista, aliás ela sempre fora pessimista.<br><br></div><div><br>– Não é pessimismo não. É…<br><br></div><div><br>Senti que ela ia dizer o nome da doença, e que tudo estaria perdido se ela pronunciasse aquele nome; seria intolerável.<br><br></div><div><br>– Você sabe muito bem o que é.<br><br></div><div><br>Chamei o garçom, pedi mais um uísque e mais um Alexander’s.<br><br></div><div><br>– Sabe quem eu vi hoje?<br><br></div><div><br>Era ela que mudava de conversa; senti um alívio. E falamos, e falamos… Eu admirava mais uma vez sua cabeça, os olhos claros, a testa, sua graça tocante.<br><br></div><div><br>Era insuportável pensar que alguém assim pudesse estar condenada. Dentro de mim eu sabia, mas não acreditava. Tive a impressão de que sua cabeça estremecia como uma flor. Um anjo se movera junto de nós, na penumbra do bar, era o anjo da morte; e a flor estremecera.<br><br></div><div><br>– Acho que o bale russo precisa se renovar…<br><br></div><div><br>Ela achava que não era justo falar em virtuosidades acrobáticas; o que havia era uma renúncia a todo expressionismo e a toda pantomima, a beleza do bale puro… E no meio da discussão me chamou de literato; mas juntou logo um sorriso tão amigo. Eu disse o que talvez já tivessse dito uma vez: — Foi uma pena você não ter estudado bale.<br><br></div><div><br>Pensava no seu corpo de pernas longas, na linha dura das ancas, nos seios pequenos, e a revia por um instante, toda casta, nua. Ela me censurou por beber tão depressa, e de repente: — E esse seu bigode agora está horrível.<br><br></div><div><br>– Por que você não toma conta de mim, não dirige meus uísques e meus bigodes?<br><br></div><div><br>Ela riu, e deu uma risada tão alegre como antigamente.<br><br></div><div><br>Como as pessoas costumam dizer, uma risada de cristal. Clara, alegre, tilintante como o cristal. O cristal, que se parte tão fácil.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://nt.gov.au/__data/assets/image/0011/227486/carambola.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:43:21 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617619465</guid>
      </item>
      <item>
         <title>LUÍS FERNANDO VERÍSIMO</title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617621622</link>
         <description><![CDATA[<div>Luis Fernando Verissimo é um escritor, humorista, cartunista, tradutor, roteirista de televisão, autor de teatro e romancista brasileiro. Já foi publicitário e revisor de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. </div><div><strong>Nascimento: </strong>26 de setembro de 1936 (idade 86 anos), <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Porto+Alegre&amp;si=AMnBZoEofOODruSEFWFjdccePwMH96ZlZt3bOiKSR9t4pqlu2CTz4tAhyqeRcSwD56uokKd34fK-qltxnQ3rPaX673d_VjFcAvMia3tjnCrHwR360ozej1KZgzcc4ym7yJwvHgc09HFVXtYzOI2AnS5JnXxmuGXxJQOu_IlS8TFb7O9JbUks-7WwMggHqgaEuqGXBHZs370Z&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECBMQAg">Porto Alegre, Rio Grande do Sul</a></div><div><strong>Filhos: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Pedro+Verissimo&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQnMGISNZ_WXlBxlvv9B91I2LmC6-oeacC9YL-_NT__kdIHPaUYmPqV5lxRw5mWEw2CKF1UuN6uTeCjayKWdaBAL0YMtfOekacXl9uo7LY9kRkHaLXgL-TU12YQUdY9KvEYHlsQWhtFJLheTJGH__rOYhIYDX6s7etmHhpSp8X2LssfpU79rTHWRpLVWzP3aLNUI2Rm720X-WYNkMFiX89sBoMV1qt0ay-kFMtRVuS0YmwVrg0Q%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECB8QAg">Pedro Verissimo</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Mariana+Ver%C3%ADssimo&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQqcNMId84KdhrZVDIsD_-tjamLkk9FlSp1uZ9CVny7_pM8fw5Tnj_2qNbmgPZbQaf1oByy28jJOgyAoYUToFvOusISUOA9GG_uHqQOg2hgH-IE9DmNLB9ily4ZN3EMeW45ufAQG5GHK_eQJIWPn6Sk7KCv7Sf1tumhxg8VeYPb8UCtgi0P9Wne2xmA08av_DoKIyUs-NS6_0BofRsQJjrpgqzg_WychMGYHSKKbPqQ12kXmLWQ%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAXoECB8QAw">Mariana Veríssimo</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Fernanda+Verissimo&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQlUIReAa7-HfysIL2EC_vRg9g6ga64w2kHbGzrq_R-MBWPAJyJcbIAwujI0l03zHE4dh1QxsUS15A-Jwo8GWoW71YTUM9ZAlxcyBXOwqLPWbJySa0FwYky-PhGt_lCqJe2KcumDi0Zv1GUUTeF1ksMPXoXLvLrYPCfy64YPsvGVtRI_lriP7C1rptTqQFqQz7CoE-FGR6QJLcOLYnrm_3B8jt_xLqdkaZWROqulkLw_gIk9MQg%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAnoECB8QBA">Fernanda Verissimo</a></div><div><strong>Pais: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=%C3%89rico+Ver%C3%ADssimo&amp;si=AMnBZoEofOODruSEFWFjdccePwMH96ZlZt3bOiKSR9t4pqlu2NuGc4Dor3fXCX36aY7OE6wjvBDwBV_BusWazkLNWnfd-tLOB47-kudd4JEiI6dBWVtLp_NdsnVpGDIjXprQLOzlAtw9hbwe3hjIN_eRfpkHb-bDtmd2hss28P2C6VK6UhRGeeoj9wEygVTPgbK5jb5_rQ_7E3WJuHY7UNJmmAmhyAzVSFcByPmT966kkvvAhnTaavGB5FOPWXhjM63HgG0P4uZjjO4qcked_VUbUkx6RoYvcQ%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECBsQAg">Érico Veríssimo</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Mafalda+Halfen+Volpe&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQoA-qXEaaa5S1duEc2uK6NsYAk_G-qnndMvofIAN3QdoHQw0NvVahTRg9B25GG6rlg6aLxBN-E4-vZN1M_BjvlVjhpe6Mu2Mp8yDInVVRyuRi9hJynlZNV-0L0XiapijrfRb9IN7OsVHAOkRh25eXp7t4eNAdIbKl8apGbjl3XrQQXvFCmlgO0UYgSUkaaqGw2f_LeTQzNf5DB8u9Y5oYHbDy9fRQuxYJHrvSGetYLt7By5ang%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAXoECBsQAw">Mafalda Halfen Volpe</a></div><div><strong>Cônjuge: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=L%C3%BAcia+Helena+Massa&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQgq13jR_mjRqWGVa7yXECB_g3_k8QZhkGCcPtP0Nd70X0IvJYqiMfwsnufkqJktOMSvfks_vEKNsJf0rqoyHHHi4s4lmrBNEVbkQoDQxRrtBNqdi37x8Ai781Lcpe1-ood5u_E0lw6Enp66aGk-4pwhTu9CdbB9HfBR7zoDQzmzc63CkpA%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECBQQAg">Lúcia Helena Massa</a> (desde 1964)</div><div><strong>Irmãs: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Clarissa+Verissimo&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQq1msqvjPJ9As8udSDolI5psksgx-JTHG_Qjm0Gvg3NBhh43MlfceiwvToC2kGGBlE9YHS0X5WgV8XuIRYEIFrLocW_KiSOOln5sjp-VHAt9e-klrFoybID4cId4DJ4OFAhRiAJLMr6Xb1TEPTdWyBY6eJrmvlI2hs50Z5NAXuuG8n41dg%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECBoQAg">Clarissa Verissimo</a></div><div><strong>Prêmios: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdedPeURF_zhRZTrgQ3NZOwoGzshlg:1686185082948&amp;q=Infantil+Digital&amp;si=AMnBZoEZ8aFftZu792frFYrnK9KQYGXRL3UTeDeHB9-uc0sfFbYgWtQWs3xe5dnYZVSTvNH90rycORjLNGxbKfaEcc6NDLzL29SVay5xVic1qcq84GS0Ygp_1y5yzsGjdO1W54l5TrryNEtUcsguqeeNz55Oif0eL4-toNO_2KN81J2d481YEI_jaP-PBm0VzPmuPVOscc6-EKdSI7aOa2gWFHWU5s6iPQ%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjh5JP3uLL_AhUaCbkGHWTYDdkQmxMoAHoECBkQAg">Prêmio Jabuti de Livro Infantil Digital</a></div>]]></description>
         <enclosure url="http://www.ebc.com.br/sites/_portalebc2014/files/atoms_image/verissimo_121123_divulgacao.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:45:32 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617621622</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617622225</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: A metamorfose<br><br>Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror… Preciso acabar com essas baratas…”<br><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.insetisan.com.br/wp-content/uploads/2016/10/barata.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:46:03 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617622225</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617622562</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO:Incidente na casa do Ferreiro<br><br>Pela janela vê-se uma floresta com macacos. Cada um no seu galho. Dois ou três olham o rabo do vizinho, mas a maioria cuida do seu. Há também um estranho moinho, movido por águas passadas. Pelo mato, aparentemente perdido – não tem cachorro – passa Maomé a caminho da montanha, para evitar um terremoto. Dentro da casa, o filho do enforcado e o ferreiro tomam chá.<br><br></div><div>Ferreiro – Nem só de pão vive o homem.<br>Filho do enforcado – Comigo é pão, pão, queijo, queijo.<br>Ferreiro – Um sanduíche! Você está com a faca e o queijo na mão. Cuidado.<br>Filho do enforcado – Por quê?<br>Ferreiro – É uma faca de dois gumes.<br>(Entra o cego).<br>Cego – Eu não quero ver! Eu não quero ver!<br>Ferreiro – Tirem esse cego daqui!<br>(Entra o guarda com o mentiroso).<br>Guarda (ofegante) – Peguei o mentiroso, mas o coxo fugiu.<br>Cego – Eu não quero ver!<br>(Entra o vendedor de pombas com uma pomba na mão e duas voando).<br>Filho do enforcado (interessado) – Quanto cada pomba?<br>Vendedor de pombas – Esta na mão é 50. As duas voando eu faço por 60 o par.<br>Cego (caminhando na direção do vendedor de pombas) – Não me mostra que eu não quero ver.<br>(O cego se choca com o vendedor de pombas, que larga a pomba que tinha na mão. Agora são três pombas voando sob o telhado de vidro da casa).<br>Ferreiro – Esse cego está cada vez pior!<br>Guarda – Eu vou atrás do coxo. Cuidem do mentiroso por mim. Amarrem com uma corda.<br>Filho do enforcado (com raiva) – Na minha casa você não diria isso!<br>(O guarda fica confuso, mas resolve não responder. Sai pela porta e volta em seguida).<br>Guarda (para o ferreiro) – Tem um pobre aí fora que quer falar com você. Algo sobre uma esmola muito grande. Parece desconfiado.<br>Ferreiro – É a história. Quem dá aos pobres empresta a Deus, mas acho que exagerei.<br>(Entra o pobre).<br>Pobre (para o ferreiro) – Olha aqui, doutor. Essa esmola que o senhor me deu. O que é que o senhor está querendo? Não sei não. Dá para desconfiar…<br>Ferreiro – Está bem. Deixa a esmola e pega uma pomba.<br>Cego – Essa eu nem quero ver…<br>(Entra o mercador).<br>Ferreiro (para o mercador) – Foi bom você chegar. Me ajuda a amarrar o mentiroso com uma… (Olha para o filho do enforcado). A amarrar o mentiroso.<br>Mercador (com a mão atrás da orelha) – Hein?<br>Cego – Eu não quero ver!<br>Mercador – O quê?<br>Pobre – Consegui! Peguei uma pomba!<br>Cego – Não me mostra.<br>Mercador – Como?<br>Pobre – Agora é só arranjar um espeto de ferro que eu faço um galeto.<br>Mercador – Hein?<br>Ferreiro (perdendo a paciência) – Me dêem uma corda. (O filho do enforcado vai embora, furioso).<br>Pobre (para o ferreiro) – Me arranja um espeto de ferro?<br>Ferreiro – Nesta casa só tem espeto de pau.<br>(Uma pedra fura o telhado de vidro, obviamente atirada pelo filho do enforcado, e pega na perna do mentiroso. O mentiroso sai mancando pela porta enquanto as duas pombas voam pelo buraco no telhado).<br>Mentiroso (antes de sair) – Agora quero ver aquele guarda me pegar!<br>(Entra o último, de tapa-olho, pela porta de trás).<br>Ferreiro – Como é que você entrou aqui?<br>Último – Arrombei a porta.<br>Ferreiro – Vou ter que arranjar uma tranca. De pau, claro.<br>Último – Vim avisar que já é verão. Vi não uma mas duas andorinhas voando aí fora.<br>Mercador – Hein?<br>Ferreiro – Não era andorinha, era pomba. E das baratas.<br>Pobre (para o último) – Ei, você aí de um olho só…<br>Cego (prostrando-se ao chão por engano na frente do mercador) – Meu rei.<br>Mercador – O quê?<br>Ferreiro – Chega! Chega! Todos para fora! A porta da rua é serventia da casa!<br><br></div><div>(Todos se precipitam para a porta, menos o cego, que vai de encontro à parede. Mas o último protesta).<br>Último – Parem! Eu serei o primeiro.<br>(Todos saem com o último na frente. O cego vai atrás).<br>Cego – Meu rei! Meu rei!</div>]]></description>
         <enclosure url="https://grupoahora.net.br/wp-content/uploads/2018/10/Foto-01-Ferro.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:46:24 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617622562</guid>
      </item>
      <item>
         <title>MARTHA MEDEIROS</title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617624145</link>
         <description><![CDATA[<div>Martha Mattos Medeiros é uma escritora, aforista e poetisa brasileira. É conhecida como uma das melhores cronistas brasileiras. Entre suas obras mais conhecidas estão Divã, Doidas e Santas e Feliz Por Nada. Seus livros já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. </div><div><strong>Nascimento: </strong>20 de agosto de 1961 (idade 61 anos), <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=Porto+Alegre&amp;si=AMnBZoEofOODruSEFWFjdccePwMH96ZlZt3bOiKSR9t4pqlu2CTz4tAhyqeRcSwD56uokKc7xavkWTg-7YJGXBbwCYQ2QOF1z7t-cL3b2zJe7i5bTWMdoRC79I5vxYtPued5-GkGRmZufTWBeTjmD4SsFaB2XDcv5EoJOgbpknGr2hvK6IfhwUZIfSBUfd2V6p3PeJHzJz9l&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAHoECGoQAg">Porto Alegre, Rio Grande do Sul</a></div><div><strong>Filhas: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=martha+medeiros+j%C3%BAlia+ramos&amp;si=AMnBZoEZ8aFftZu792frFYrnK9KQYGXRL3UTeDeHB9-uc0sfFWXIidXh-k0a8MeEHrw8ulSQz5cbOssm3cI20aMXi-LmfjNiPdNSyLgLsfARVqd6z1NyQlCZx6pNpLthsjsCcJuqX1h3sZmLIV96WMMinRSu9FETUaoTJye3jj2Ks0QHsZwFr33n6ZG5BlrIer3oQeJl9VumUz_TzoRMdi0wKV57_2SVZT6aHqE2okIspTuwR08luKv91TD7sPWjFiFZG19z-t25ttkfFsiq8br1f_KJtBgniRDP6CnlNHZtNy40AZ_sX84%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAHoECGQQAg">Júlia Ramos</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=martha+medeiros+laura+ramos&amp;si=AMnBZoEZ8aFftZu792frFYrnK9KQYGXRL3UTeDeHB9-uc0sfFb1U1h3GBgpVBLSCv9Yn6TDvgag5ytzjY_pT9J_0Qu8VZKNSXuFzGAR-zYsmkOzq9GKgGA_-cC1KC900wCs7EMjRv-RJjTHWu5Sm37B6McIEgrbe7pTSK7_3Bs_vEpFDnZa6tXl5rWDwetwt1-i2EsQ3_lel1gbLqaysSVxFxeXUtPXcYExen5X2lgZrHL57TTs43BIv9sHCwfrgbLMIqLYj78V6854pzrsbP8BZYVJ3O0lD6NUR73jyz5PF1zsUiqmCuOs%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAXoECGQQAw">Laura Ramos</a></div><div><strong>Prêmios: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=Ordem+do+M%C3%A9rito+Cultural&amp;si=AMnBZoG6iZDerwjt2of0IBkAfPjfrYaVPHtFvmVQ7PdolrFSDHzrLtiO2Ys8rpIOT1f23LsBjtUbpe3U0FibT8RV_YvGJsZUCs5X_9LDSYJ1PwMCfn2DXsJcgSZpNvzesdtQ4zE_E60faSiperlEKB8aEHnybX4fIThpfz7Tv9-QK0VYwNzPAXv7lVL3FP2u_DvvBIfr8Ao7lTc2ZAJvd7KlYreVk9n5Ew%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAHoECGgQAg">Ordem do Mérito Cultural</a></div><div><strong>Formação: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=Pontif%C3%ADcia+Universidade+Cat%C3%B3lica+do+Rio+Grande+do+Sul&amp;si=AMnBZoG3cRyxvViEiVWeqgrn-CuWcnxp6_6_G7EH225wAKYHQhCsGlFFeo6u_nDVjpTyG5gX9xadd7n-0mPYiaeMFLjpA0AqlX44GM_hpLD6SIxy-tFt58Mx9NF43ZWZ5kt2ugGDoD-NTE4FEZXC9fGfPOylPichcSCvkTDCfuMeLM1YUdY-AZS0lmjPhaN66-_txHEbhuQq6jaUEQDWu09706T5BNkX_9JO4ZrU0bfcVqKFPpfj1aboqHq6OWM1o_HE5EyN6S1x&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAHoECGsQAg">Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul</a> (1982)</div><div><strong>Pais: </strong><a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=martha+medeiros+jos%C3%A9+bernardo+barreto+de+medeiros&amp;si=AMnBZoEZ8aFftZu792frFYrnK9KQYGXRL3UTeDeHB9-uc0sfFR5_qBEnMbZ7M1Rq0tZFgK6_2-E8qjExydU4dglu4l8-XPVZwQglJgXkxOwZncoMQVDbiPCjHD89lmISnyfpXSbD8hDDONIVnYoS3YHD7gI4KDcbFBnuvlMkJfB8B-xe6MWQCig35pDRhP9VS62fT6aCq248OjBKHU0qmWKj9SqBGE9RvRFtopNZLG0Hr1YJY9FTdgY7qp1zCRvYE276Yf3yto3_ZRSik5_IoGYwPFdaM26cEhjCbVppepqiM6fpHSLjFc5CLKzhkPfzAMMpbbQL7e1Yb-_mGCpDE8GERpDNmA88Zg%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAHoECGIQAg">José Bernardo Barreto de Medeiros</a>, <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=APwXEdc-ruU6eJtfGPE4wRfrFiuq_XLEBw:1686185253897&amp;q=martha+medeiros+isabel+mattos+de+medeiros&amp;si=AMnBZoEZ8aFftZu792frFYrnK9KQYGXRL3UTeDeHB9-uc0sfFTILg5JQL4rpmj8YcCcJGKl1O6QLDIH0jOwtPNR1nDGP24gDGTvqdbPgKmGFlZtW7OnMPKaeyPC1CIp_Uw0pzsDSJv91l6fsF9fmzGb2YnJ-1dhP6Sn6lYGpBMm9hZoPWuebr4UtrWdZMpPaKFYvOw_XkMnun0IotMgsnWBBLHm1dQ3Ltcc9g2U4k3w1DTwLyROWotVopL_ZZdRxGYufjaehBgpQCN1DmKZ5oXlpKNeoTKHw__V-I2hveQ9UaLjt1nL5aMCQXd7CgvQ49KfIqbJ1vA_n&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjA2NXIubL_AhWbH7kGHcVDB7oQmxMoAXoECGIQAw">Isabel Mattos de Medeiros</a></div><div><strong>Gênero literário: </strong>Crônica, Romance, Poesia, Relatos de Viagem</div>]]></description>
         <enclosure url="https://www.etccomunicacao.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Martha_Medeiros_.png" />
         <pubDate>2023-06-08 00:47:59 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617624145</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617626034</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: A GRAMA DO VIZINHO<br>Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.</div><div>Estamos todos no mesmo barco.<br><br></div><div>Há no ar certo queixume sem razões muito claras.<br><br></div><div>Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.<br><br></div><div>De onde vem isso? Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:<br><br></div><div>“Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento”.<br><br></div><div>Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude:<br><br></div><div>considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.<br><br></div><div>As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente.<br><br></div><div>Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.<br><br></div><div>Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores.<br><br></div><div>“Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.<br><br></div><div>Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas, tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista.<br><br></div><div>As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://http2.mlstatic.com/grama-sintetica-decorativa-30mm-bicolor-gtx-gramados-D_NQ_NP_844126-MLB29984256180_042019-F.jpg" />
         <pubDate>2023-06-08 00:49:57 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617626034</guid>
      </item>
      <item>
         <title></title>
         <author>ribeiro_nicolasandreas</author>
         <link>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617626619</link>
         <description><![CDATA[<div>TÍTULO: A FITA MÉTRICA DO AMOR<br><br>Como se mede uma pessoa?<br><br></div><div>Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.<br><br></div><div>Ela é enorme para você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravada.<br><br></div><div>É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.<br><br></div><div>Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.<br><br></div><div>É pequena quando desvia do assunto.<br><br></div><div>Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.<br><br></div><div>Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.<br><br></div><div>Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será que ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?<br><br></div><div>Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.<br><br></div><div>É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, e sim de ações e reações, de expectativas e frustrações.<br><br></div><div>Uma pessoa é única ao estender a mão e, ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.<br><br></div><div>Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.<br><br></div><div><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://images.unsplash.com/photo-1523901839036-a3030662f220?crop=entropy&amp;cs=srgb&amp;fm=jpg&amp;ixid=M3w3ODI2fDB8MXxzZWFyY2h8MXx8RklUQSUyME0lQzMlODlUUklDQXxwdHwxfHx8fDE2ODY3OTE2MTZ8MA&amp;ixlib=rb-4.0.3&amp;q=85" />
         <pubDate>2023-06-08 00:50:33 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/ribeiro_nicolasandreas/awmiwthwblp3rspu/wish/2617626619</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
