<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0">
   <channel>
      <title>POVOS INDÍGENAS NO AMAZONAS by Bianca Neves Sousa</title>
      <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves</link>
      <description></description>
      <language>en-us</language>
      <pubDate>2022-05-10 20:10:20 UTC</pubDate>
      <lastBuildDate>2022-05-10 21:21:21 UTC</lastBuildDate>
      <webMaster>hello@padlet.com</webMaster>
      <image>
         <url></url>
      </image>
      <item>
         <title>Ticunas - Povo Indígena</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178273824</link>
         <description><![CDATA[<div><br>Os Ticuna configuram o mais numeroso povo indígena na Amazônia brasileira. Com uma história marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental, bem como qualificar as relações com a sociedade envolvente mantendo viva sua riquíssima cultura.<br>&nbsp; &nbsp; &nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1694194717/0d7fbce453c5f5595563e78dd388eab3/ticuna_9.jpg" />
         <pubDate>2022-05-10 20:26:50 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178273824</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Língua Ticuna</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178280096</link>
         <description><![CDATA[<div>O Ticuna é uma língua tonal. Considerada como geneticamente isolada, é uma língua que apresenta complexidades em sua fonologia e em sua sintaxe.<br>Nas aldeias que se encontram do lado brasileiro, o uso intensivo da língua Ticuna não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades (quando é o caso) ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área Ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade Ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça do ponto de vista lingüístico.<br>Em cidades de municípios do estado do Amazonas nos quais são encontradas aldeias Ticuna, escuta-se a língua Ticuna sempre que seus falantes, transitando por essas cidades, se dirigem a outros Ticuna igualmente em trânsito ou aí fixados.&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 20:32:48 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178280096</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Localização e população</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178283951</link>
         <description><![CDATA[<div>Esse povo vivia no alto dos igarapés afluentes da margem esquerda do rio Solimões, no trecho em que este entra em terras brasileiras até o rio Içá/Putumayo. Houve um intenso processo de deslocamento em direção ao Solimões.<br><br></div><div>No início, mantiveram sua tradicional distribuição espacial em malocas clânicas e, na década de 1970, havia mais de cem aldeias. Hoje, essa distribuição das aldeias ticuna se modificou substancialmente. Sabe-se ainda que alguns índios desceram o rio até Tefé e outros municípios do médio Solimões, outros se fixaram no município de Beruri, no baixo curso do Solimões, bastante próximo à cidade de Manaus.<br><br></div><div>No alto Solimões, contudo, os Ticuna são encontrados em todos os seis municípios da região, a saber: Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins. Sua população está distribuída em mais de 20 Terras Indígenas.<br><br>Sua população em território brasileiro, computada em mais de 53 mil pessoas em 2014, é comparável à dos Guarani Kaiowá. Além disso, há cerca de 8 mil Ticuna na Colômbia e quase 7 mil no Peru.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="https://padlet-uploads.storage.googleapis.com/1694194717/20329f72aed92d9969bc0c33aedfb96d/ticuna_2.jpg" />
         <pubDate>2022-05-10 20:36:05 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178283951</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Histórico de contato</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178289413</link>
         <description><![CDATA[<div>A primeira referência aos Ticuna remonta aos meados do século XVII e se encontra no livro <em>Novo Descobrimento do Rio Amazonas</em>, de Cristobal de Acuña. <br>Também segundo Curt Nimuendajú, o etnólogo alemão que, em 1929, fez sua primeira viagem ao alto Solimões, os Ticuna são citados pela primeira vez como os inimigos dos Omágua, moradores da margem esquerda do rio Solimões. Os Ticuna, que já fugiam das agressões deste povo, refugiando-se nos altos dos igarapés e afluentes da margem esquerda do Solimões, fazem o mesmo com a chegada dos espanhóis.<br>Desde a instalação da missão jesuíta espanhola até a consolidação da posse desta região por Portugal, no século XVIII (com a construção de uma fortaleza em Tabatinga), os espanhóis e os portugueses vinham disputando a hegemonia no alto Solimões. Os temidos Omágua (também conhecidos como <a href="http://pib.socioambiental.org/backend/pt/povo/kambeba">Cambeba</a>), de tradição guerreira, quase foram exterminados neste processo, seja por contraírem doenças ou por sua participação na querela entre os dois Estados coloniais. Com o tempo, os europeus não quiseram ou não conseguiram povoar a região antes habitada pelos Omágua, e os Ticuna passam a ocupar esse espaço, descendo dos altos igarapés, onde conseguiram se esquivar do contato mais intenso.<br><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 20:41:04 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178289413</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Organização social e política</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178295748</link>
         <description><![CDATA[<div>A sociedade ticuna está dividida em metades exogâmicas (só se pode casar com um membro da outra metade) não-nominadas, cada qual composta por clãs. Estes grupos clânicos patrilineares [isto é, o pertencimento ao clã é transmitido de pai para filho] são reconhecidos por um nome que é geral a todos, <em>kï'</em><strong><em>´a</em></strong><strong>. Em português, os índios traduziram por nação.<br></strong><br></div><div>O conjunto de clãs ou nações identificadas por nomes de aves forma uma metade, enquanto as demais, identificadas por nomes de plantas, formam a outra. Mesmo os clãs Onça e Saúva (ver quadro a seguir), um mamífero e um inseto, são associados à metade “Planta” por razões descritas na mitologia ticuna.<br><br></div><div>A condição de membro de um clã confere a um indivíduo uma posição social, sem a qual não seria reconhecido como Ticuna. Cada clã ticuna é constituído por outras unidades, os subclãs. Nesse sistema social, cada indivíduo pertence simultânea e necessariamente a várias unidades sociais (metade exogâmica, clã e subclã), uma vez que elas estão contidas umas nas outras.<br><br>Antigamente:<br>Nos relatos sobre o passado a guerra e a rivalidade parecem constituir fatos essenciais da existência dos Ticuna. Ainda hoje os índios falam extensamente das guerras entre as diferentes nações, dizendo que eram freqüentes as investidas de um grupo sobre o outro, com muitas mortes de ambos os lados. Os mais velhos procuram mostrar o seu desagrado face àquelas características do passado, confrontando a convivência tranqüila de hoje em dia nas aldeias com o medo e a belicosidade do tempo de seus avós. Cardoso de Oliveira também indica haver ouvido notícia de tais conflitos e guerras entre as nações [grupos clânicos patrilineares] (1970: 59).<br>Hoje em dia:<br>Em princípio qualquer chefe de família dentro de um grupo vicinal pode abandoná-lo no momento que quiser, indo estabelecer-se com os seus em outra localidade ou mudando-se para outro lugar dentro da mesma área. A sua permanência é, de fato, um ato de escolha, que implica uma avaliação positiva da cooperação nas atividades de subsistência, de estratégias econômicas acionadas, de um relacionamento harmonioso, da partilha de costumes, predileções e crenças. O sustentáculo dessa unidade é dado pela existência de um líder que consegue elaborar fins comuns, mobilizar os meios adequados, e dar um certo nível de satisfação aos componentes do grupo, evitando o surgimento de antagonismos insuperáveis.<br><br></div><div>O grupo vicinal não possui uma marca específica que o visualize, nem foi encontrada na língua Ticuna uma expressão que caracterize especificamente essas unidades sociais, não tendo notícia igualmente de algum título usado por esse chefe de grupo vicinal.<br><br></div><div>A função do líder do grupo vicinal é tanto a de comunicar-se com estranhos e civilizados (não-índios), representando os membros de seu grupo perante qualquer autoridade (capitão, chefe de posto, militares, comerciantes, professores, missionários, etc), quanto a de organizar a cooperação entre os vários grupos domésticos que habitam próximos uns dos outros. Isso se manifesta, por exemplo, nas atividades econômicas, religiosas e em algumas tarefas comunitárias, como nos ajuri.<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 20:47:36 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178295748</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Ritual e xamanismo</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178308842</link>
         <description><![CDATA[<div>Os Ticuna realizam rituais xamânicos e praticam a residência uxorilocal, pela qual os novos casais habitam junto à família da esposa.<br><br>Muitos Ticuna saíram de suas aldeias ancestrais para morar e trabalhar nas cidades. Mas há rituais tradicionais que foram preservados a despeito dessas influências e que são compartilhados por várias comunidades. Um desses rituais é justamente a Festa da Moça Nova. É um ritual complexo, que dura três dias. Ao contrário de outras festas indígenas, que seguem um calendário sazonal, regulado pelas estações do ano e os períodos de colheita, a Festa da Moça Nova não tem data fixa, pois depende do corpo da adolescente para acontecer. A partir da menarca, da primeira menstruação, iniciam-se os preparativos. A moça é colocada em reclusão, em um cômodo da casa da família. O objetivo é que ela não tenha muitos contatos, principalmente com pessoas de fora. Os contatos geralmente se restringem à mãe ou à avó, que aconselham a moça e a preparam para a iniciação. Os conselhos serão, posteriormente, muito importantes na festa. Tanto os conselhos falados quanto os conselhos cantados em momentos específicos da cerimônia<br><br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 21:00:13 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178308842</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Cultura material</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178316177</link>
         <description><![CDATA[<div>&nbsp;As máscaras e os instrumentos musicais produzidos pelos povos estão associados a determinados aspectos de vida, de visão de mundo e de organização social. Entre os Ticuna, estão associados a aspectos religiosos e míticos por seguir uma tradição, repassada e rememorada em cada Festa da Moça Nova aos mais novos membros do povo. Nesta Festa existem tipos de pinturas faciais e corporais, músicas específicas segundo a nação/clã, assim como a existência de determinados papéis no ritual que somente são realizáveis por pessoas da mesma nação/clã ou de nação/clã oposta à da moça nova. Essa divisão acontece também com o uso dos instrumentos musicais e das máscaras.<br>&nbsp;Entre os Ticuna, as máscaras podem representar tanto um desejo dos convidados como um produto da imaginação como demônios, quanto os animais retratados nos mitos.<br>&nbsp;As máscaras e os panos de líber Ticuna são preparados com entrecasca de árvore,&nbsp; conhecida na Amazônia como tururi que compreende várias espécies. Para retirar a entrecasca de uma árvore, ou seja, a parte mais tenra; raspa-se a epiderme da casca, apanha-se a entrecasca e coloca-se imersa em água, que a seguir, é batida de macetes até que os panos se desprendam do linho, os quais são lavados no rio e posto para secar ao sol esse processo foi descrito por Frota (1981).&nbsp;<br><br></div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 21:08:23 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178316177</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Cosmologia e mitologia</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178318185</link>
         <description><![CDATA[<div>Para os ticunas, houve um tempo em que a Terra era só escuridão. Estava mergulhada numa noite contínua e fria por culpa de uma enorme e densa samaumeira.<br>A árvore, que os indígenas chamam de wotchine, obstruía o planeta, impedindo a entrada de qualquer claridade.<br>Preocupados, os deuses Yo'i e Ipi pegaram o caroço de um fruto e jogaram na samaumeira para checar se do outro lado existia luz.<br>Descobriram que sim. Melhor: pelo buraquinho que se formou nas folhagens, avistaram uma preguiça-real que prendia, no céu, os galhos da árvore gigantesca.<br>Resolveram, então, afugentar o bicho e lhe atiraram uma porção de caroços. Não adiantou nada. A preguiça continuou segurando a samaumeira. Em compensação, de cada caroço nasceu uma estrela.<br>Os deuses, persistentes, acharam por bem mudar de estratégia. Convocaram os animais da mata e lhes propuseram derrubar a árvore. Mais uma vez, não deu certo. Nem mesmo o pica-pau conseguiu dilapidar o vigoroso tronco.<br>Sem outra alternativa, Yo'i e Ipi apelaram à irmã Aicüna. Ofereceram-na em casamento para quem lançasse formigas-de-fogo nos olhos da preguiça-real.<br>Um pequeno roedor, Taine, aceitou o desafiou. Depois de escalar a samaumeira, arremessou as formigas. Cega, a preguiça soltou os ramos, e a árvore finalmente tombou. Fez-se, assim, a luz.<br>Peixes e onças<br>Não são os ataques à natureza, porém, que imperam no imaginário ticuna. O livro recém-lançado pelos índios demonstra que a maior parte das lendas reverencia -e diviniza- a floresta.<br>Tome-se como exemplo o mito da ngewane, uma árvore encantada que cresce nos igapós e na beira dos lagos desde o princípio do mundo. Periodicamente, depois da temporada de ventos e chuvas, brotam de seu tronco pequenos ovos, que viram lagartas.<br>As larvas migram para as raízes da árvore e lá se convertem em milhares de peixes -pacus, traíras, piranhas, sardinhas, surubins, tucunarés, aruanãs, piaus e sarapós, que ganham as águas durante as enchentes.<br>"O ngewane existe para a natureza nunca acabar, para nunca faltar alimento", escrevem os ticunas, que também crêem nos poderes multiplicadores de outra árvore sagrada, a tüerüma.<br>Seus galhos proliferam em todas as direções. Quando as folhas da direita caem no chão, se transformam em onças. As da esquerda originam gaviões.</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 21:10:53 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178318185</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Fontes de pesquisa</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178320238</link>
         <description><![CDATA[<div>https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ticuna#Autodenomina.C3.A7.C3.A3o<br><br>https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/12/29/ilustrada/9.html</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 21:13:20 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178320238</guid>
      </item>
      <item>
         <title>Tópico de aprofundamento</title>
         <author>00001072388698sp</author>
         <link>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178326229</link>
         <description><![CDATA[<div>Cultura material&nbsp;<br>&nbsp;Os bens materiais, produzidos por diversos povos indígenas e não indígenas, refletem tradições e saberes próprios, particulares a cada um, marcando suas identidades.<br>&nbsp;Os Ticuna cortam os troncos de árvores no tamanho necessário para preparar as máscaras. Quando o pano está seco são pintados com pigmentos naturais e depois são costurados lateralmente com agulha de osso e fio de tucum para formar o corpo da vestimenta, acrescida posteriormente, se for o caso, de mangas que se estendem até a mão, e de franjas. Existem também máscaras que são retiradas inteiras do tronco, isto é, “[...] removidas da madeira como peça tubular inteiriça [...]” não precisando, desta forma, serem costuradas lateralmente. As máscaras são preparadas com matérias-primas retiradas da natureza, como: líber de caxinguba (Ficus Radula Willd), matá-matá (Chytroma Turbinata Berg Mierg), fio de tucum (Astrocaryum vulgare), madeira pau-de-balsa (Ochroma lagopus Swartz), cortiça de buriti (Mauritia flexuosa L.), tala de arumã (Ischnosiphon spp.) ou ainda com materiais adquiridos depois do contato com o branco como vidro (espelho), louça, alumínio. As tintas para pintura das máscaras são de origem vegetal e mineral, a saber: o amarelo é retirado da argila terrosa e do rizoma do açafrão (Dieffenbachia humulis); o marrom é retirado das folhas do tariri; o preto é do breu (resina preta de anani Maronobea sp.) e do jenipapo (Genipa americana L.); o azul claro é do anil (Indigofera suffrutticosa Mill); o azul escuro é retirado do fruto da pacova. O formato das vestimentas, segundo Nimuendajú (1959) passou por um processo de modificação, possivelmente depois do contato com o branco, sendo que antes, elas eram feitas sem mangas, com franjas, em forma de vestido tubular estendendo-se até o joelho como verificou-se na vestimenta de máscara Taí ou Tae. Modernamente passaram para a forma de vestimenta inteiriça formando calça comprida, com mangas e franjas.&nbsp;<br>&nbsp;A fabricação das máscaras, segundo Fajardo &amp; Torres (1988), é realizada por homens para serem usadas no ritual da Festa da Moça Nova. A antropóloga Jussara Grüber (1992) afirma que tanto a confecção e uso das máscaras pertencem ao domínio masculino e que também seriam os homens que fabricariam os instrumentos musicais e os bastões esculpidos. Em 2015 Costa corrobora com a afirmação de que a produção é masculina. Informação diferente foi obtida pelo antropólogo Hugo Camacho (1996) entre os Ticuna no território colombiano em que a fabricação das máscaras é tarefa das mulheres, assim como a produção dos colares, pulseiras, esculturas e as tarefas domésticas. As máscaras são inseridas em um contexto maior de relações, envolvendo um processo que vai da busca de matérias-primas recolhidas na floresta ou conseguidas através de troca ou de compra nas comunidades não indígenas mais próximas, à elaboração, compreendendo os significados atribuídos e observados no conjunto de mitos relatados antes e durante a Festa, demonstrando, desta maneira, aspectos da identidade Ticuna, que informa sobre a organização social, cultural e econômica do grupo. A máscara seria a representação plástica do mito e suas formas geralmente são representações zoomorfas como animais quadrúpedes, peixes, pássaros e entes sobrenaturais da floresta. O uso das máscaras e dos instrumentos musicais perpetuaria o ciclo de vida, pois seriam utilizados tanto nos nascimentos e nos casamentos quanto na Festa da Moça Nova. Este é considerado o principal rito entre os índios Ticuna, além dele, há outros como: a pintura de jenipapo no corpo das crianças pequenas, a nominação das crianças, o corte do cabelo das crianças, a perfuração das orelhas das crianças e o corte de cabelo das moças meses após a realização de sua festa.&nbsp;<br>&nbsp;As máscaras e os instrumentos musicais e de sinalização representam símbolos importantes para a continuidade da Festa da Moça Nova. A presença dos instrumentos musicais serve tanto para marcar os passos durante a Festa, quanto convidar pessoas a participarem da mesma. Servem, ainda, para: atrair animais, ter prosperidade na caça, na pesca e na coleta de frutos, desejar/predizer longevidade às pessoas da aldeia, seguindo, a tradição na realização das festas, ou seja, a consolidação cada vez mais forte do grupo, tentando evitar maiores conflitos internos, visto que a luta contra os “brancos” é secular e eles precisam fortalecer-se.&nbsp;<br> A Festa representa um aspecto fundamental para a identidade Ticuna, a sua não realização segundo o mito de origem traz consequências maléficas como: doenças, escassez de alimento, má colheita, morte dos membros do grupo e através da natureza o seu herói fundador, Yoí, demonstraria sua força com períodos secos ou chuvosos.  Assim, as máscaras envolvem um conjunto de ações partindo desde a coleta e separação das matérias-primas, passando pela fabricação até chegar no uso durante a Festa. As máscaras fazem parte de um mito, juntamente com os instrumentos musicais e as pinturas corporais utilizadas na Festa. Assim, a realização do ritual é importante para a organização social do povo Ticuna.&nbsp;</div>]]></description>
         <enclosure url="" />
         <pubDate>2022-05-10 21:20:48 UTC</pubDate>
         <guid>https://padlet.com/00001072388698sp/BiancaNeves/wish/2178326229</guid>
      </item>
   </channel>
</rss>
